Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: lições de branding dos tempos em que o freezer causava polêmica

“Parece que hoje nós estamos descobrindo a pólvora”

Jaime Troiano

Os desejos e necessidades dos consumidores estão longe de ser uma descoberta moderna. No”Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, da CBN, Jaime Troiano e Cecília Russo destacam um livro que, apesar de publicado há mais de seis décadas, traz lições valiosas e atuais sobre o comportamento do consumidor e a construção de marcas: ”The Hidden Persuaders” (1957), do autor americano Vance Packard.

O livro faz uma crítica como as empresas americanas da época utilizavam as necessidades latentes dos consumidores para moldar suas estratégias de marketing e branding. Jaime Troiano comenta que o texto de Packard tem uma clara intenção crítica sobre o que é o capitalismo e o consumo nos Estados Unidos: ”o autor mostra como são as formas de operar com desejos latentes dos consumidores para construir estratégias de marca”.

Para Jaime, a leitura de “The Hidden Persuaders” contraria todas essas tendências de achar que somente agora, com as novas tecnologias, tais como a engenharia digital e a inteligência artificial, fomos capazes de grandes revelações sobre o comportamento do consumidor e as formas de persuadi-lo.

Um bom exemplo de como esse conhecimento já era explorado,  na época do lançamento do freezer, muita gente criticava o equipamento por achar que havia pouco alimento para guardar e seria uma decisão economicamente irracional pelo custo do produto e do consumo de eletricidade. Análises profundas de psicólogos mostraram, porém, o quanto a época pós-guerra ainda era de incertezas, em geral e o freezer representava a certeza de que haveria sempre comida na casa, representava segurança, menos para a proteção dos alimentos em si e muito mais pelo sentimento de segurança para a família. 

“Não era um benefício funcional que contava mas um apelo profundamente emocional que estava em jogo”, destaca Jaime

Outro estudo da década de 1950, lembrado no “Sua Marca”, investigou por que as mulheres mudavam constantemente de produtos de limpeza sem demonstrarem lealdade. Jaime conta que a mudança de paradigma aconteceu quando as marcas começaram a valorizar não apenas a funcionalidade dos produtos, mas a autoestima das consumidoras.

Cecília, por sua vez, traz o exemplo dos automóveis, discutindo como a escolha de um carro está profundamente ligada ao senso de poder e autoestima do proprietário, um conceito que muitos consumidores podem não admitir conscientemente: “… não se diz isso explicitamente para o proprietário na comunicação da marca. O que se diz? O que um instituto de pesquisa descobriu na época é que você precisava dar para o proprietário um argumento de como o carro tem uma margem extra de segurança diante de emergências”.

A Marca do Sua Marca

A redescoberta de princípios antigos que ainda governam as estratégias de branding é o destaque do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Apesar de os avanços tecnológicos e das novas ferramentas de marketing, as motivações humanas básicas continuam a influenciar profundamente as decisões dos consumidores. A lição deixada é que, olhar para o passado pode oferecer ideias valiosas para enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Mundo Corporativo: Amilcar e Renato Sá, da MC Tintas, falam de como fazer da inovação uma tradição familiar

Reprodução do vídeo da entrevista ao Mundo Corporativo

“Quer ter sucesso? Trate bem o fornecedor, trate bem seu funcionário, muito bem seu funcionário e trate bem o seu cliente.”

Amilcar Sá, MC Tintas

O mundo dos negócios pode ser um terreno árido e desafiador, especialmente para aqueles que desejam empreender e inovar. Entretanto, a história da MC Tintas, que se iniciou há 60 anos, mostra que o caminho para o sucesso pode ser trilhado com uma boa dose de respeito e dedicação aos principais pilares de uma empresa: fornecedores, funcionários e clientes. É no que acreditam Amilcar Sá e Renato Sá entrevistados no Mundo Corporativo, da CBN. Amilcar começou aos 16 anos com os dois irmãos, fundadores da empresa, e Renato assumiu o comando da MC Tintas, em 2020.

Com mais de 220 unidades no Brasil, a companhia faturou R$ 563 milhões, em 2023. Para 2024, a meta é chegar a R$ 680 milhões, com 20% de crescimento no número de unidades. Desde 2017, a marca trabalha no sistema de franquia, uma estratégia que Renato Sá quer ampliar. Atualmente, são 120 franqueados. Entender o potencial de cada um desses empreendedores é importante na construção da rede. Renato ressalta que “o sucesso de um empreendedor depende muito mais dele do que do franqueador”, destacando a importância da iniciativa individual no mundo dos negócios.

Inovação e Crescimento

A inovação sempre foi uma característica da MC Tintas. Uma tradição familia, pelo que se ouve nas histórias contadas por Amílcar e Renato. Desde a criação da empresa, a visão de Amilcar e seus irmãos foi transformar as lojas de tintas em ambientes agradáveis e acessíveis para todos os públicos, especialmente às mulheres, que, tradicionalmente, não frequentavam esses estabelecimentos. Amilcar recorda: “As lojas eram muito pesadas, sujas. Não tinha aquele tratamento gostoso. Nós fomos os primeiros a mudar isso”.

Renato complementa que a empresa continua a se adaptar às mudanças do mercado e do comportamento do consumidor: “Hoje temos muito mais ferramentas do que eles tinham lá atrás. A empresa estuda o novo consumidor, contrata pesquisas e tenta inovar constantemente”. Esse olhar inovador levou a MC Tintas a desenvolver um aplicativo chamado Toc Toc, que conecta consumidores a profissionais de pintura, facilitando o acesso a serviços de qualidade.

Sucessão Familiar e Liderança

A transição de liderança na MC Tintas é um exemplo de como a sucessão familiar pode ser bem-sucedida. Amilcar enfatiza que a preparação foi fundamental: “Não foi porque o Renato é meu filho que ele se tornou CEO. Ele foi apontado como a pessoa mais adequada por uma consultoria externa”. Renato, por sua vez, destaca a importância do preparo e da contínua busca por conhecimento: “Liderar é não parar nunca. É estudar, fazer cursos e ter vontade de passar a cultura da empresa”.

A relação pai e filho dentro da empresa é um equilíbrio de aprendizado e liderança compartilhada. Renato reconhece o papel crucial de seu pai como mentor: “Tenho uma grande oportunidade de ter meu pai do meu lado, meu espelho, e meu mentor”.

Ouça o Mundo Corporativo

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Conte Sua História de São Paulo: da infância à liberdade, no parque Novo Mundo

Por Luiz Roberto de Almeida

Ouvinte da CBN

Imagem da E.E. Heróis da FEB, no Parque Novo Mundo (reprodução Facebook)

Eu tinha nove anos, em 1970, quando minha família se mudou do Tatuapé, numa casa que sobreviveu à construção da estação do metrô, para um bairro próximo, do outro lado do Rio Tietê: o parque Novo Mundo, vizinho da Vila Maria, Penha e Guarulhos. 

O nome do bairro é uma referência ao novo mundo surgido após a Segunda Guerra Mundial, com as ruas homenageando nossos combatentes da FEB, muitos dos quais tombaram na Itália, onde nosso exército lutou bravamente contra o nazifascismo. 

Fomos morar na rua Soldado João Pereira da Silva, 16, esquina com a Pistoia, nome de uma cidade italiana, na região da Toscana. Em Pistoia, a cidade, localiza-se o Cemitério Militar Brasileiro onde foram enterrados os nossos soldados que morreram em batalha, mais tarde transferidos para o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. As placas com os nomes permaneceram lá e também o Monumento Votivo Brasileiro da Segunda Guerra Mundial. 

Nas cidades Italianas por onde a FEB passou, os brasileiros são reverenciados até hoje. Há um vídeo que registra uma solenidade em Montese, com as crianças cantando a Canção do Expedicionário num bom português. É realmente emocionante. 

Voltando ao Parque Novo Mundo: na minha rua havia poucas casas e vários terrenos baldios. Naquela época não tinha iluminação pública, água encanada, esgoto e asfalto. 

Só havia uma linha de ônibus atendendo o bairro que seguia para o Parque Dom Pedro II e dava a volta no mundo. O guarda noturno fazia sua ronda à cavalo, depois passou para a bicicleta e bem depois para a moto. 

Na esquina de casa ficava o restaurante do Sr, João e da dona Olinda. A padaria dos Srs. José e Joaquim era na mesma quadra, esquina com a avenida principal. Os nomes dos proprietários já dizem tudo, moravam no bairro muitos imigrantes, não só portugueses, mas também espanhóis, italianos, japoneses, convivendo como deveria ser no Novo Mundo surgido. 

Na rua Pistoia havia uma colônia japonesa num terreno bem grande, quase um quarteirão, e os japoneses jogavam beisebol e praticavam Tai chi chuan no pátio. Em 1988, no terreno foi construído um hospital, o Nipo-Brasileiro, com as presenças ilustres do Príncipe e da Princesa do Japão, do presidente José Sarney, do governador Orestes Quércia, do deputado Ulisses Guimarães e muitas outras autoridades 

A única escola era estadual e chamava-se Heróis da FEB, mas não estudei lá não. Eu e minha irmã fomos estudar no Colégio Santa Catarina, na Ponte Grande em Guarulhos, que já não existe há muitos anos, dando lugar a um condomínio de prédios, onde inclusive hoje mora uma amigo meu. Íamos para escola com algumas crianças vizinhas numa perua Chevrolet já antiga para a época. O Tio e a Tia da Perua, como se diz hoje, eram chamados de senhor.e senhora, mas era outra época. 

Nos vários terrenos baldios, a molecada fazia os seus campinhos de futebol. Jogávamos com uma bola “Dente-de-Leite” e calçando “kichutes”, um tênis preto que tinha travas de chuteiras e servia pra ir a escola, também. 

No terreno atrás da nossa casa havia um morrinho de uns três metros de altura, o tobogã, que descíamos em caixas de papelão. Era a época dos quadrados, que hoje em dia são mais conhecidos como pipas; do peão de madeira e das figurinhas pra jogar bafo. 

Depois, ganhamos a liberdade com uma bicicleta de duas rodas, a minha era uma Caloi dobrável; mas alguns tinham a Monareta e aí o bairro foi mais explorado pela turminha. 

Infância muito feliz. 

Só me mudei do bairro quando saí de casa para me casar, mas ainda trabalho no Novo Mundo. Hoje, já com água, encanada, iluminação nas ruas e diversas linhas de ônibus. Dizem que terá até uma estação de metrô. Vamos aguardar. 

Ah, pra finalizar, numa busca na internet encontrei, em notícia de 2022, o soldado, hoje com a patente de Tenente, João Pereira da Silva, morador de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e com 98 anos de idade. Lutou na Itália, na tomada de Monte Castelo, em novembro de 1944, quando os brasileiros derrotaram as tropas alemãs. 

Não sei se é a mesma pessoa que deu nome à minha rua, mas fica o meu agradecimento a todos esses bravos combatentes que lutaram para derrotar o totalitarismo na Europa e nos legaram um Novo Mundo. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Luiz Roberto de Almeida é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode ser personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: faça da vulnerabilidade a sua força, recomenda Roberta Rosenburg, da F.Lead

Roberta Rosenburg é entrevistada no Mundo Corporativo, foto: Priscila Gubiotti

“As pessoas estão mais carentes de serem escutadas, de serem entendidas, de serem validadas. Então, aquela empresa que conseguir tocar o colaborador como ser humano, essas empresas vão voar.”

Roberta Rosenburg

A habilidade de se conectar genuinamente com os colaboradores é cada vez mais crucial para o sucesso das organizações. Esse foi o principal tema abordado por Roberta Rosenburg, CEO e Co-Fundadora da F.Lead, durante sua entrevista ao programa Mundo Corporativo. A consultora destacou a importância de reconhecer e trabalhar a vulnerabilidade nas organizações como uma estratégia para desenvolver líderes mais eficazes e humanos.

Desenvolvendo a vulnerabilidade como força

Roberta Rosenburg iniciou a conversa falando sobre a necessidade de criar um ambiente onde a vulnerabilidade seja vista como uma força, não uma fraqueza. “Como é que eu crio essa vulnerabilidade? Você vai se mostrar ser humano. Eu sempre falo: escolhe as histórias que você quer contar, pensa antes de falar, se cuida, porque a gente precisa se cuidar. Então, é uma vulnerabilidade sendo cuidada. Eu me cuido. Mas eu posso ser vulnerável também”, explicou.

Ela ressaltou que as empresas que conseguem tocar seus colaboradores como seres humanos, escutando e validando suas necessidades, serão aquelas que prosperarão no futuro. Segundo Roberta, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal tornou-se uma demanda ainda mais evidente após a pandemia. “As pessoas estão mais carentes de serem escutadas, de serem entendidas, de serem validadas e elas mesmas se questionam isso. Então, aquela empresa, daqui para o futuro, que conseguir tocar aquele colaborador como ser humano, essas empresas vão voar.”

O papel da comunicação na liderança

A comunicação eficaz foi destacada como uma competência crucial para os líderes modernos. Roberta argumentou que a vulnerabilidade também passa por reconhecer os próprios limites e se comunicar abertamente sobre eles. “O líder precisa fomentar esse ambiente, como? Conversando. Muitas vezes a gente não fala as coisas óbvias”, disse ela.

Ela acrescentou que a habilidade de um líder em tratar com situações difíceis, como a mudança de um projeto estratégico, depende de sua capacidade de se conectar com sua equipe de forma transparente e empática. “O líder precisa realmente estar vulnerável ali, reconhecer que talvez aquele projeto não seja o melhor para a empresa e comunicar isso de forma que a equipe se sinta valorizada pelo esforço feito.”

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: infidelidade é a marca do consumidor

Photo by Nirmal Rajendharkumar on Pexels.com

“Existe uma disputa de bastidores entre consumidores e empresas, uma disputa entre lealdade e independência. Quem ganha esse cabo de guerra?” Jaime Troiano

Jaime Troiano

O desejo legítimo de liberdade de escolha do consumidor e a busca constante das marcas na conquista da fidelidade dele geram tensões que precisam ser mediadas pelos gestores. E para tanto é preciso entender o comportamento desse consumidor. Para refletur sobre esse tema, Jaime Troiano e Cecília Russo, começaram o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, perguntando o que os ouvintes mais valorizavam: a lealdade às marcas ou a independência. 

Diante da experiência e do conhecimento ao longo de muitas jornadas dedicadas ao branding, Jaime Troiano aposta na segunda opção: “creio que a vontade de ser independente ganha de lavada. Uns 10 a um, pelo menos”.

Jaime explica que, embora algumas marcas ofereçam conforto e segurança, a maioria dos consumidores prefere a liberdade de escolha. Ele menciona Martin Lindstrom, autor do livro “Brandwashed”, que tentou um “brand detox”, ficando quatro meses sem usar marcas recorrentes, mas não conseguiu. Para Jaime, essa experiência destaca a tensão entre fidelidade e independência: “A realidade é que as empresas apostam e investem em fidelidade e nós, consumidores, queremos independência, liberdade de escolha”.

Cecília Russo complementa com dados da Auditoria de Marca, usada pela TroianoBranding, um estudo realizado por 28 anos, envolvendo 4.800 marcas. Ela descreve a metodologia que divide os consumidores e identifica qual o percentual de cada um desses grupos, considerando os dados coletados até agora: 

  1. Desconhecimento: 31% dos consumidores não conhecem a marca.
  2. Rejeição: 9% conhecem a marca, mas a rejeitam.
  3. Familiaridade: 53% estão na zona de “nem fede nem cheira”, ou seja, conhecem a marca, mas não têm uma opinião forte.
  4. Preferência: 4% preferem algumas marcas específicas dentro de uma categoria.
  5. Idealização: 3% são apaixonados pela marca, recomendam e são leais incondicionalmente.

Ou seja, apenas 3% dos consumidores não abrem mão de alguma marca de forma absoluta. “São indicadores muito fortes para mostrar que consumidores são cada vez mais voláteis em nosso mundo. Eles vão e voltam para uma determinada marca. Mas um casamento definitivo é raro. Sempre dão uma escapadinha”. 

A voz do consumidor, lembra e cantarola Jaime Troiano, está nos dizendo sempre algo que lembra muito a canção do saudoso Aldir Blanc: “Não põe corda no meu bloco, não vem com teu carro-chefe, não dá ordem ao pessoal. Não traz lema nem divisa, que a gente não precisa que organizem nosso carnaval…” 

A marca do Sua Marca

A principal marca do comentário é a evidência de que, no cenário atual, consumidores estão cada vez mais voláteis e independentes. A lealdade incondicional a uma marca é rara, sendo que a maioria prefere experimentar novas opções antes de decidir. As empresas precisam reconhecer essa realidade e adaptar suas estratégias de branding para manter a relevância e atratividade.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

O rádio de madeira no balcão de casa

Por Christian Jung

 Este texto foi escrito originalmente para o site Coletiva.Net

O rádio SEMP em que ouvia o pai. Foto: Arquivo Pessoal

Na casa onde nasci e ainda moro, no período que tinha família com mãe, pai e irmãos morando juntos, havia um rádio de madeira da marca SEMP. Ficava em lugar privilegiado sobre o balcão da sala de jantar. Era nesse aparelho que ouvíamos as notícias, ao longo dos dias. Além da programação musical e os jogos de futebol.

Não por acaso, o rádio sempre esteve muito presente em minha vida e dos meus irmãos: era dentro daquela caixinha de madeira que nós escutávamos a voz do pai. Ele era o locutor do principal noticiário do rádio gaúcho, o Correspondente Renner, e narrador esportivo. O forte apelo emocional que o futebol tinha sobre o público e o fato de o rádio ser o único veículo a levar ao ar as emoções da bola, naquela época, faziam dos narradores esportivos, personalidades.

O pai era famoso pela precisão e velocidade na locução; e o jargão mais conhecido dos torcedores era o grito de gol: “Gol, gol, gol!”. E assim, por muitas vezes, quando andava com ele pelas ruas de Porto Alegre, escutava as pessoas gritando do outro lado da calçada:  “Milton Jung, o Homem do Gol, Gol, Gol!”

Mas voltemos ao SEMP. 

A imagem do velho rádio, que revi dia desses, me remeteu à ingenuidade da minha infância. Escutava o pai mais de uma vez por dia lendo as notícias “chatas de adultos”, que nada resolviam os meus problemas de criança. E diante dos meus momentos de malcriação, a mãe me repreendia e lembrava que o pai, dentro daquela caixinha, estava me escutando. 

Mesmo não achando muito provável, ao menos em frente ao rádio, procurava manter o silêncio. Era uma época em que a figura paterna impunha muito respeito. E os pais costumavam cobrar de forma austera. A bem da verdade, o pai não era desses de dar grandes broncas.

Apesar de desconfiar que estava sendo ludibriado, um fato me deixava em dúvida: ao voltar para almoçar em casa, o pai já sabia de tudo que eu havia aprontado. E ainda me chamava com o seu vozeirão: “Christian, o que aconteceu hoje?”. A ideia de que o rádio teria me delatado persistia. Sem perceber que era a mãe quem me entregava assim que ele chegava em casa. Por um bom tempo respeitei a caixinha de madeira da sala de jantar.

Hoje, é meu irmão que ocupa o espaço – dentro da caixinha de madeira – aliás, dentro do rádio e em rede nacional, mas meus sobrinhos não sofrem do mesmo terror – bem mais espertos e comportados do que o tio, logicamente. 

Sem contar que o modelo “rádio de madeira” virou item de colecionador. Atualmente, são várias as plataformas que permitem a transmissão das notícias e levam a informação a locais muito mais distantes. Não se corre mais o botão do dial para sintonizar a emissora preferida. Basta apertar a tecla ou usar o comando de voz para se ouvir a rádio e o locutor desejados.

Se acessar as notícias ficou mais fácil, o mesmo não se pode dizer da tarefa de unir a família no almoço. Ainda mais quando, na maioria das vezes, as cabeças sequer olham as panelas sobre a mesa porque estão afundadas na tela do celular.

Para que não seja indevidamente difamado: lá em casa, não aprontei muito, e aprendi de mais sobre o poder da comunicação.

Este texto foi escrito, originalmente, para o site Coletiva.Net

Christian Jung é publicitário, locutor e mestre de cerimônias (macfuca@gmail.com)

Mundo Corporativo: Marcus Teles revela estratégias da Livraria Leitura para prosperar em tempos de crise

Nos bastidores do Mundo Corporativo, foto de Pricisla Gubiotti

“A austeridade e a independência financeira são nossas maiores fortalezas.”

Marcus Teles, Livraria Leitura

Com a concorrência acirrada de gigantes do e-commerce e as crises econômicas que desafiaram o mercado nos últimos anos, manter uma rede de livrarias no Brasil parece uma tarefa gigantesca. E é mesmo. No entanto, a Livraria Leitura além de sobreviver, também prosperou nesse cenário desafiador. Este é o tema central da entrevista de Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura, no programa Mundo Corporativo.

Marcus Teles compartilhou as estratégias que levaram a Livraria Leitura a se tornar a maior rede de livrarias do país. “Nós crescemos mais nas crises,” afirmou Teles, explicando que a empresa sempre optou por operar com capital próprio e sem dívidas. Essa abordagem permitiu que a Livraria Leitura enfrentasse turbulências econômicas com mais resiliência do que muitos concorrentes.

Concorrência e Adaptação

Uma das grandes lições de Teles é sobre como enfrentar a concorrência de grandes multinacionais. “Aquelas que quiseram brigar no preço e vender mais barato do que uma multinacional foram por um caminho de confronto difícil de vencer,” ressaltou. Ele destacou que a Livraria Leitura sempre priorizou a experiência do cliente e a formação de uma equipe bem treinada, capaz de oferecer recomendações personalizadas e atendimento de alta qualidade.

Para Teles, a chave do sucesso está na capacidade de adaptação e na austeridade. “Se a loja deu prejuízo no segundo ano, muitas vezes chegamos ao dono do imóvel ou ao shopping e negociamos uma redução de aluguel. Se isso não acontece, a loja é fechada,” contou ele, mostrando a firmeza nas decisões que ajudam a manter a saúde financeira da empresa.

O Crescimento da Leitura no Brasil

Teles trouxe uma perspectiva otimista sobre o hábito de leitura no Brasil, especialmente entre os jovens. “Nós esperávamos que, com a digitalização, os jovens fossem menos adeptos ao livro impresso. Na verdade, foi o contrário: eles leem muito hoje,” disse ele. A popularidade de séries e a influência de plataformas como o TikTok têm contribuído para esse crescimento.

Outro ponto destacado foi a importância das livrarias físicas. “A livraria é um contato de convivência,” explicou Teles. Ele acredita que, apesar do crescimento das vendas online, as livrarias oferecem uma experiência única que atrai leitores interessados em novidades e em um ambiente propício à descoberta de novos títulos.

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Conte Sua História de São Paulo: Vila Mariana me sapecou um desgosto

Rubens Cano de Medeiros

Ouvinte da CBN

Photo by Burak The Weekender on Pexels.com

Primeiro, um descuido. Subsequente, teimosia. E, arrematando a
costura, dúplice insensibilidade e grosseria. Pronto! Eram os
ingredientes da minha “tragédia”.

Daquele bonde camarão, nem senti raiva. Já do motorneiro… E do
motorista – lembro bem – do Fordinho Prefect verde, ah…

Meu quinhão de sangue ibérico levou-me a rogar, aos dois, várias
pragas! Que, como sói acontecer com imprecações, são inúteis, inócuas:
até aumentaram minha raiva…

Descuido que, meia horinha mais, revelar-se-ia fatal. Tínhamo-nos
esquecido – eu e meus pais, à saída, de travar o portão com a tramela.
Sem que notássemos, a danadinha pôs-se a nos seguir. Na nossa
caminhada, subidona da José Antônio Coelho a fora.

Meu sobrenome Cano – foneticamente mal aportuguesado, do castelhano –
motivava que perguntassem: “Você é filho de ISPANHÓR?”. Não era. Mas
neto, sim.

E completavam. “Espanhol é tudo teimoso!”. Minha mãe, fila de
imigrantes da Andaluzia, a Isabel Cano, ela teimava e contrariava! Eu
até que muito insisti, no percurso.

“Manhê! Vâmo voltar, prender ela no quintal…”. Mas qual! Minha mãe
retrucava: “NÃÃÃO! Ela volta, sozinha!”. Voltou? Seguiu-nos até os
trilhos da Domingos de Morais. Até a placa branquinha, PARADA DE
BONDE, no alto, perto de fio trólei.

Lembro nítido! Era 25 de janeiro – íamos passear no Centro. Eu,
moleque, naquele feriado, algum ano da década de 50, não longe de ter
passado o IV Centenário.

Revejo, de memória. Então, o bonde camarão chegou. Um, da linha 101 –
Santo Amaro. De letreiro Praça João Mendes.

A porta da frente se nos abriu – subimos. Incontinenti, ela nos quis
seguir – até botou as patinhas no degrau de ferro, dobrável, da
própria porta. Mas…

O maldoso motorneiro, vendo, fechou abruptamente! Lançou o animalzinho
à frente do carro, cujo maldoso motorista sequer diminui a velocidade:
PLAFT! Doloso, matou! Minha mãe bradou: “Não olha!”. Eu? Horrorizado,
vi tudinho.

De fato, permitiam-se carros no contrafluxo de bondes; porém bastava
frear… Num átimo, aí fechei os olhos. As lágrimas que chorei ainda
gotejavam na triste volta… A cachorrinha jazia nos
paralelepípedos…

Naquele festivo 25 de janeiro, Vila Mariana me sapecou um desgosto.

À época, moleque, eu adorava folhear – ler, mesmo – a bela A Gazeta.
Cujas edições comemorativas nos 25 de janeiro traziam lindas
ilustrações e nitidíssimas grandes fotos em preto e branco – me
encantavam!

Sem exagero, eu lia inclusive… a página policial! Página que – hoje
suponho – bem poderia, no dia seguinte à tragédia, ter estampado uma
certa manchete…

“FERIADO MANCHADO DE SANGUE – BONDE E CARRO ASSASSINOS – POIS NEM
SEMPRE O HOMEM É O MELHOR AMIGO DO CÃO”.

No 25 de janeiro seguinte… Que bom! Outro cãozinho já tinha me vindo
– cicatrizar o coração… 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Rubens Cano de Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: está chegando o B2G

Campanha de fabricante de aço aproxima o produto das pessoas Foto: divulgação

“Esse muro entre B2B e B2C está balançando. E acho que vai cair. Nem B2B nem B2C, apenas: bem-vindo à era do B2G.”
Jaime Troiano

O conceito de B2G, ou “business to gente”, está transformando a maneira como empresas enxergam suas relações com o mercado. No comentário desta semana no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, Jaime Troiano e Cecília Russo exploraram essa tendência que está derrubando as barreiras entre os mundos corporativos de B2B e B2C.

Jaime Troiano iniciou explicando a tradicional divisão entre B2B (business to business) e B2C (business to consumer). Ele entende que sempre existiu um preconceito envolvendo os profissionais de B2B e B2C. O pessoal do B2B diz que aqueles que trabalham com o consumidor final são mais superficiais; a turma do B2C enxerga do outro lado um agrupamento de engenheiros que julgam que os produtos falam por si mesmos e precisariam explorar mais instrumentos de marketing e branding.

“B2B e B2C sempre foram separados por um muro, como se os conceitos técnicos de marketing, comunicação e branding não se aplicassem a ambos.”

Jaime Troiano

Em sintonia com o que pensa Jaime, Cecília Russo também percebe uma transformação diante da visão de que tanto um lado como o outro têm a necessidade de falar com as pessoas:

“B2G significa: business to people ou, business para pessoas, business para gente.”

Cecília Russo

Um exemplo dessa mudança é a campanha publicitária da ArcelorMittal, um fabricante de aço, lançada neste ano, que mostra como produtos B2B podem ser apresentados ao público em geral, trazendo um entendimento maior sobre a importância desses produtos no cotidiano das pessoas.

“À primeira vista, pode parecer uma ingenuidade: anunciar aço para o público em geral. Afinal, ninguém acorda e sai de casa pensando: acho que hoje vou comprar um pouco de aço. Mas um dia, essa mesma pessoa vai entender que certos produtos com os quais ela convive e usa, começaram lá atrás numa siderúrgica.”

Cecília Russo

Cecília enfatizou que quando empresas B2B adotam essa visão o papel da empresa adquire maior grandiosidade social.

A marca do Sua Marca

A principal marca do comentário foi a ênfase na integração dos mundos corporativos, derrubando as barreiras que separam B2B e B2C e promovendo uma visão mais ampla e socialmente responsável das empresas.

“Quando empresas B2B adotam essa visão, o papel da empresa adquire maior grandiosidade social.”

Cecília Russo

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O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: branding, o maná do agronegócio

Photo by Flambo on Pexels.com

“É fundamental a marca do agronegócio ser capaz de contar essa história, demonstrar sua proposta de valor única”

Cecília Russo

O branding é um poderoso aliado para agregar valor às marcas em diversos setores econômicos. O Brasil, reconhecido mundialmente como uma potência no agronegócio, também encontra na gestão de marcas um importante espaço de relevância. Este foi o tema discutido por Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” no Jornal da CBN.

Cecília Russo destacou a importância das marcas no agronegócio mencionando o mote utilizado pela TV Globo, desde 2016: “O agro é pop, agora é tech, agro é tudo”. Segundo ela, essa campanha visa mostrar o poderio do setor agrícola brasileiro, motivo de orgulho nacional. E para ajudar na reflexão sobre estratégias de branding no segmento, Cecília traz à tona a definição de marca, segundo a American Marketing Association (AMA): 

“Um nome, termo, sinal, símbolo ou design, ou uma combinação de tudo isso, destinado a identificar os bens ou serviços de um fornecedor ou de um grupo de fornecedores para diferenciá-los de outros concorrentes”. 

Portanto, mesmo em um setor em que se vendem commodities, como soja, café e carne, as diferenças no cultivo, nas tecnologias empregadas e nas práticas de trabalho fazem com que seja essencial contar essa história através da marca. 

“A marca é quem traduz e tangibiliza o que a soja da empresa A é diferente da empresa B”.

Cecília Russo

Jaime Troiano compartilhou exemplos concretos de empresas que têm se destacado no agronegócio por meio de um trabalho eficiente de branding. Começou com a mais tradicional dessas marcas, criada nos anos de 1940, a fabricante de adubos Manah, lembrada eternamente pelo slogan: “com Manah, adubando dá!”, criado por um de seus fundadores, Fernando Penteado Cardoso, que morreu com 106 anos, em 2021.

Mais recente é a marca Melão Mossoró, da empresa Mata Fresca, que usa a literatura de cordel na sua identidade visual para destacar a qualidade diferenciada do seu produto. Jaime também citou a Pink Farms, uma fazenda vertical que cultiva hortaliças de forma hidropônica na cidade de São Paulo, utilizando o branding para refletir sua proposta inovadora e seu cuidado com o produto.

 Por fim, ele mencionou a Adubos Real, empresa com a qual trabalhou diretamente, enfatizando que adubo não é tudo igual e destacando o propósito da empresa: “cultivamos elos, nutrimos crescimento” 

“Ao lado da equipe, fomos responsáveis por escavar o Propósito da empresa, que foi traduzido por uma frase “cultivamos elos, nutrimos crescimento””. 

Jaime Troiano

A marca do Sua Marca

O principal ponto é que, no agronegócio brasileiro, o Branding pode potencializar ainda mais o crescimento e a competitividade, especialmente no mercado internacional. Cecília Russo concluiu que, assim como a Colômbia elevou o status do seu café por meio de uma forte identidade de marca, o Brasil também tem a oportunidade de se destacar globalmente ao investir na construção organizada de suas marcas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.