Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: ESG, a nova fronteira da gestão de marcas

Fabricar produtos com menor impacto ambiental é estratégia ESG

“O ESG surgiu para ditar práticas empresariais, mas também é um bom balizador para pensarmos o que as marcas, inclusive as pequenas, podem fazer no dia a dia para criar novas dimensões de significado à sua percepção.”

Cecília Russo

Em um mundo em constante evolução, a gestão de marcas, ou branding, tem se mostrado uma ferramenta indispensável para empresas que buscam estabelecer uma relação duradoura com seus consumidores. No entanto, atualmente, não basta apenas entregar um bom produto ou serviço. As marcas precisam se mostrar engajadas e responsáveis. Nesse contexto, entra em cena o ESG (Environmental, Social, and Governance) como direcionador das ações corporativas e, por consequência, das estratégias de branding.

ESG, sigla em inglês, se refere ao meio ambiente (E), sociedade (S) e governança (G) das empresas. A sigla surgiu pela primeira vez em 2004, em um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) intitulado “Who Cares Wins” (“Ganha quem se importa”).

“O branding está contido nas atividades de marketing e, por sua vez, está contido na gestão das empresas como um todo. Então hoje, tudo se conecta com tudo.”

Cecília Russo

Referências para entender ESG na prática

Vivemos em um período em que os consumidores esperam mais das marcas do que apenas a entrega de um produto de qualidade. Eles desejam que as empresas tenham um papel social, uma preocupação ambiental e uma governança transparente e ética. As empresas que conseguem incorporar essas dimensões em sua marca encontram um caminho de conexão mais profundo com seu público.

A Rhodia, por exemplo, destaca-se com sua fibra chamada Amni Soul Eco, pois ela não solta microplásticos no oceano, evidenciando sua preocupação ambiental.

“Nós criamos para ela um posicionamento que diz o seguinte: mais tempo com você, menos tempo no planeta. Isso porque a fibra especificamente não solta microplásticos no oceano.”

Jaime Troiano

Outros dois exemplos que atuam no S, do social, investindo em educação no Brasil e impactando milhões de brasileiros são os bancos Itaú e Bradesco.

Como referência para pensarmos sobre a importância do G, temos o caso recente da Americanas que sofreu por falta de governança, de um gerenciamento cuidadoso e transparente.

“O resultado disso é a perda de confiança na marca, que se desvaloriza diante de todos.”

Jaime Troiano

ESG não é tapume

Como Cecília bem ressalta, o fundamental é que as marcas não apenas falem sobre suas iniciativas ESG, mas que elas façam de verdade. Afinal, como já aprendemos em ‘Sua Marca Vai Ser Um Sucesso’: “marca não é tapume”, é a face visível de uma empresa e de suas práticas.

Portanto, para empresas e marcas que buscam se destacar no mercado atual, não basta apenas uma boa gestão de produtos e serviços. É preciso olhar para o todo, para o impacto global de suas ações, e o ESG surge como uma bússola nessa jornada.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O programa ‘Sua Marca Vai Ser Um Sucesso’ vai ao ar no Jornal da CBN aos sábados às 7h50 da manhã, com apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo. Para dar sugestões e fazer comentários sobre os temas abordados, envie email para marcasdesucesso@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Renata Rivetti, da Reconnect, apresenta estratégias para a semana de quatro dias e um ambiente de trabalho mais feliz.

Bastidores da gravação do Mundo Corporativo com Renata Rivetti Foto: Priscila Gubiotti

“[Felicidade no trabalho] tem a ver com pessoas que de repente se relacionam de forma mais saudável, mais positiva, com o ambiente de segurança psicológica e, também, um trabalho que desafia as pessoas, que faça sentido para elas, que traga mais significado para a vida”.

Renata Rivetti, Reconnect

A verdadeira felicidade no trabalho vai além de ambientes coloridos e piscinas de bolinhas. Segundo Renata Rivetti, fundadora da Reconnect Happiness At Work, ela se enraíza em relações mais positivas e segurança psicológica. Esse tema é vital para todos os profissionais, especialmente líderes que buscam produtividade e engajamento. No programa Mundo Corporativo, falamos de estratégias que podem transformar o clima organizacional e de como estão sendo realizadas as pesquisas para implantação da semana de quatro dias, uma ideia que se potencializou após a pandemia da Covid-19

Desvendando a felicidade corporativa

Não é apenas o ambiente físico que determina a felicidade no trabalho. Trata-se de ter equipes que interagem positivamente, se desafiam e encontram propósito em suas tarefas. Felicidade leva ao aumento do engajamento, produtividade e inovação.

Por que a felicidade ainda é um tema delicado nas empresas? Rivetti acredita que estratégias de liderança antigas, focadas em comando e controle, são menos sustentáveis hoje. Reflexões provocadas pela pandemia e novas gerações entrando no mercado de trabalho exigem uma nova abordagem sobre felicidade corporativa.

“Certamente, quando a pessoa é feliz no trabalho, ela vai ser mais engajada, mais produtiva. Vai falar bem da empresa, ser mais inovadora. A gente vê sucesso em todos os âmbitos”

Mensuração da felicidade

Fundada em 2021, a Reconnect surgiu da paixão de Rivetti pelo autoconhecimento e estudos sobre felicidade. Notando a demanda corporativa, ela lançou a Reconnect para medir e promover a felicidade em empresas, conduzindo desde palestras até diagnósticos completos.

Usando o modelo PERMA, criado pelo psicólogo Martin Seligman, conhecido como pai da Psicologia Positivada, a Reconnect analisa cinco aspectos do bem-estar subjetivo, buscando entender emoções positivas, engajamento, relações, significado e realização no ambiente de trabalho.

Confrontando o burnout e ambientes tóxicos

Ao abordar o aumento de casos de Burnout, Rivetti destaca a necessidade de tratar as causas raízes, como a cultura e a liderança, em vez de apenas os sintomas. Ambientes tóxicos muitas vezes refletem lideranças tóxicas, exigindo uma transformação cultural profunda:

“Tem aqueles que querem transformar o mundo e entendem a importância de cuidar de pessoas,  de falar de saúde mental e de trabalhar para uma construção. Talvez um capitalismo mais consciente. Mas ainda tem aqueles que querem manter tudo como sempre foi, têm medo da mudança, medo de perder o privilégio, medo de trazer temas que talvez não saibam lidar, como a saúde mental e o bem-estar”. 

A semana de quatro dias: um novo horizonte

A Reconnect está testando a viabilidade da semana de trabalho de quatro dias. Esses testes abordarão produtividade, bem-estar dos funcionários, impactos organizacionais e feedback direto dos envolvidos. Ao se associar a empresas de diversos setores, a Reconnect busca oferecer uma visão completa sobre os potenciais benefícios dessa abordagem de trabalho. 

Como funcionarão os testes 

Os testes propostos pela Reconnect não se limitarão apenas a avaliar a satisfação dos funcionários. Eles buscarão entender as implicações reais da semana de quatro dias em diversas dimensões: 

Produtividade: Será avaliado se uma semana de trabalho reduzida pode realmente levar a uma maior concentração e eficácia no trabalho, compensando assim a redução das horas trabalhadas. 

Bem-estar dos Funcionários: A iniciativa buscará compreender se uma jornada de trabalho reduzida pode melhorar a saúde mental e física dos funcionários, reduzindo o estresse e aumentando a satisfação no trabalho. 

Impacto Organizacional: Os testes também considerarão os efeitos da semana de quatro dias nos objetivos e metas gerais da empresa, bem como nas dinâmicas de equipe e nas interações cliente-empresa. 

Feedback Direto: Serão realizadas sessões de feedback regularmente, permitindo que os funcionários compartilhem suas experiências, preocupações e sugestões em relação ao novo formato de trabalho.

Assista à entrevista com Renata Rivetti no Youtube

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida, ao vivo, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às dez da noite, em horário alternativo. A entrevista também está disponível no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: memórias da cidade que vivi e cresci

Por Ana Paterno

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

O meu amor por São Paulo começou em abril de 1971 quando, com oito anos, desembarquei na cidade, vinda de uma pequena aldeia da região do Douro, em Portugal. Aquele dia ficou gravado na memória como uma fotografia em preto e branco.

Vivi 30 anos na São Paulo da garoa, das chácaras cheias de árvores, que ocupavam enormes quarteirões em ruas com filas de sobrados e casas.

Vivi na São Paulo na qual se brincava sem medo com os amigos, na rua, de queimada, de esconde-esconde, de amarelinha, de tantos outros jogos. Num tempo em que havia bailes de garagem, matinê nos clubes Espéria e Tietê, carnaval com banho de seringa nas ruas. E, também, as quermesses.

Vivi a São Paulo dos ônibus elétricos nos quais íamos à escola e às compras no centro da cidade.

Vivi em uma São Paulo que era segura e na qual os vizinhos se conheciam e sentavam-se ao portão para conversar no fim do dia.

Tenho na memória a beleza das flores dos ipês amarelos, a cor do céu ao entardecer, o cheiro da terra molhada.

Cresci em uma cidade que também vi crescer. Com as construções de prédios, de shoppings, em número de habitantes, em ruas, em progresso. Em violência e problemas de infraestrutura, também.

Cresci como pessoa e como profissional. Formei-me em psicologia. Trabalhei na TV Cultura, um lugar onde já havia inclusão, igualdade e diversidade, num tempo em que mais do que falar sobre cada um, respeitava-se cada um. Lá conheci pessoas incríveis, cheias de histórias interessantes.

Em São Paulo, tenho família, tenho os meus amigos, os melhores, e para a vida toda. Pessoas que amarei para sempre. Continuarei a amar a minha cidade e todos os lugares que dela conheci. A cidade que ficará para sempre no meu coração.

Hoje, vivo no Porto, em Portugal, e amo a minha terra, mas sou feliz por ter essas memórias de uma cidade que foi e continua a ser um dos lugares mais importantes da minha vida.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Ana Paterno é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a ascensão das marcas brasileiras

Foto de Karolina Grabowska

“Como preconizou Pero Vaz de Caminha, do Brasil, em se plantando tudo dá” 

Jaime Troiano

Em um mercado tão dinâmico e globalizado, o poder e a influência das marcas nacionais estão provando sua força e competência, desafiando percepções anteriores e emergindo com destaque tanto no cenário nacional quanto internacional. Jaime Troiano e Cecília Russo fizeram essa análise no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, a partir do resultado da pesquisa Marca Mais, que leva a assinatura deles.

Quem se recorda da célebre frase “Em se plantando tudo dá”, atribuída ao escrivão Pero Vaz de Caminha em uma de suas correspondências ao rei Dom Manuel de Portugal, pode perceber o quão premonitória essa afirmação se tornou, especialmente no contexto das marcas. Essa sentença, que inicialmente realçava as potencialidades agrícolas do Brasil, hoje pode ser vista como uma metáfora para o ecossistema próspero e favorável que permite às marcas brasileiras florescerem e ganharem destaque. 

“Quando aprendi essa frase com a Dona Leocádia, professora de história no Caetano de Campos, tinha muito orgulho do país. Depois eu mudei um pouco de opinião. Continuei a questionar o quanto seria de fato verdadeira. Mas continuando a refletir algumas décadas depois, eu voltei a acreditar que o Pero Vaz de Caminha foi premonitório”.

Jaime Troiano

Marcas brasileiras em destaque

Recentemente, um estudo conduzido pela TroianoBranding, o “Marcas Mais”, em parceria com o jornal O Estado de São Paulo, analisou a força de inúmeras marcas nas cinco regiões do Brasil. Os resultados foram reveladores, demonstrando que marcas genuinamente brasileiras estão ocupando posições de destaque e prestígio nos rankings. Empresas como Porto Seguro, Bradesco, Itaú, Ângulo, Objetivo, Renner e Riachuelo são apenas algumas das que têm firmado sua presença não apenas no coração dos brasileiros, mas também em mercados internacionais. 

“Cada vez mais nós estamos percebendo que as marcas nascidas aqui, aquelas que foram plantadas, vamos dizer assim, aqui no Brasil, marcas 100% brasileiras, estão ocupando posições de muito prestígio no ranking”

Jaime Troiano

Leia aqui o resultado completo da pesquisa “Marcas Mais”

Diminuição do “malentismo”

O termo “malentismo”, que descreve uma atração quase magnética por marcas estrangeiras, tem visto sua influência diminuir. Isso não significa que marcas globais perderam sua relevância, mas destaca o fato de que as marcas nacionais têm elevado seus padrões e conquistado seu espaço merecido. O orgulho de ver uma faca da Tramontina em um restaurante na Noruega, jovens usando Havaianas em Valência, ou até mesmo o logo do Itaú em uma partida de tênis em Miami, é uma prova palpável do impacto e da qualidade das marcas brasileiras no cenário global. 

“Essa necessidade de se abastecer apenas com marcas globais, a gente vem sentindo isso nos estudos, tem diminuído. Não é que elas não têm relevância. Óbvio que elas têm relevância! Elas estão aí, mas não é feio consumir uma marca nacional até porque o nível das nacionais em muitas frentes de negócio tem crescido”

Cecília Russo

O potencial inegável das marcas nacionais

As marcas brasileiras estão demonstrando sua força, inovação e capacidade de competir no mercado global. Como o escrivão Pero Vaz de Caminha preconizou há séculos, o Brasil é, de fato, um solo fértil, não apenas em termos de recursos naturais, mas também em termos de potencial de marca. E, assim como as marcas que foram discutidas hoje, muitas outras estão prontas para deixar sua marca no mundo.

Ouça o Sua Marca Vai Ser um Sucesso

Para os interessados em aprofundar-se nesse universo das marcas e seu impacto, ouça o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, todos os sábados, no Jornal da CBN, logo após às 7h50 da manhã. 

Mundo Corporativo: Jacqueline Conrado, da United Airlines, acredita no poder de as mulheres voarem mais alto

Gravação do Mundo Corporativo com Jacqueline Conrado

“Nós mulheres, nós temos desafios muito parecidos. Se a gente pode ajudar uma a outra para eliminar essas barreiras ou torná-las mais suaves, por que não? Para a próxima geração?”

Jacqueline Conrado, United Airlines no Brasil

A crescente discussão sobre a inclusão feminina no mercado de trabalho, especialmente em posições de liderança, é um debate em constante evolução. Dentro deste contexto, Jacqueline Conrado, country manager da United Airlines no Brasil, foi entrevistada pelo programa Mundo Corporativo, da CBN. Suas palavras revelam um olhar profundo sobre o desafio de ser mulher em um setor historicamente masculino.

Jacqueline trouxe à tona sua jornada no mundo da aviação. A trajetória dela se inicia nesse setor por influência da irmã que trabalhava em uma companhia brasileira. Há sete anos, ela retornou ao setor, após experiências em áreas como energia e publicidade. Começou no marketing da United Airlines no Brasil até surgir, dois anos depois, a oportunidade para assumir o comando da empresa.

“Para ser sincera, [minha trajetória] não foi planejada. E eu sou muito feliz por ter assumido [o cargo de country manager], porque isso expandiu muito a minha visão da empresa”.

A paixão pelo aprendizado e pelo enfrentamento de desafios é evidente em suas palavras. Jacqueline percebe a aviação brasileira como um setor em constante evolução e se vê como parte integrante desse processo.

“Eu gosto muito de aprender e uma das coisas que me motiva é o desafio”.

A mudança de narrativa para as mulheres na aviação

O setor da aviação é notório por estereótipos. No entanto, Jacqueline busca desmistificar essa visão, enfatizando que as mulheres podem ocupar qualquer posição. Ela destaca que a maioria da liderança na United Airlines Brasil é feminina, inclusive em áreas técnicas. O projeto “Meninas na Aviação” é um dos esforços para mostrar às jovens as oportunidades disponíveis no setor. O programa busca destacar que as mulheres podem ocupar qualquer cargo na aviação, desde posições técnicas até lideranças. 

Voltado para meninas de 13 a 18 anos, o projeto proporciona a elas a oportunidade de conhecer os bastidores da aviação. Durante essa experiência, as participantes são apresentadas a diferentes áreas do setor, como manutenção, controle do aeroporto, sala VIP e área de segurança. Além disso, elas têm a chance de interagir com profissionais da área, recebendo orientações sobre as habilidades e formações necessárias para cada posição.

O poder das referências e das políticas proativas

Referências são vitais para qualquer profissional. Jacqueline lembra da importância de ter modelos a seguir e elogia a cultura da United Airlines, que promove um ambiente de crescimento. Ela lembra que  a gente não consegue ser o que a gente não vê.

Apesar de sua posição de liderança, Jacqueline reconhece que os desafios para as mulheres persistem. Desde preocupações sobre gravidez até a forma como elas  são percebidas no ambiente de trabalho, os obstáculos são muitos. No entanto, ela ressalta: 

“Temos desafios muito parecidos, [mas] a gente pode ajudar uma a outra”.

A liderança de Jacqueline Conrado serve como um farol para muitas mulheres que buscam alçar voos mais altos em suas carreiras. Através da união, mentorias e ações afirmativas, o setor da aviação, assim como muitos outros, pode se tornar mais inclusivo e diversificado.

“Quanto mais diversos são os nossos colaboradores melhor vai ser a entrega em tudo que a gente faz, porque são perspectivas ali diferentes, trabalhando juntas para um mesmo objetivo. Então esse mix é é maravilhoso”

Assista à entrevista completa de Jacqueline Conrado

A gravação do programa Mundo Corporativo se realiza todas as quartas-feiras, às 11 horas da manhã, e pode ser assistida, ao vivo, pelo canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar na edição de sábado do Jornal da CBN e, em horário alternativo, às dez da noite.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugem

Conte Sua História de São Paulo: a nobreza do jogo de bocha

Por Cibele Alvares Gardin

Ouvinte da CBN

Uma pista que dá pista sobre encontros semanais de outrora regados à amizades. Hoje, embrulhada pela vegetação do Parque da Aclimação está  a cancha do jogo da bocha a espera do desembrulho de suas memórias. 

Insisto em rodeá-la, Sra Dona Cancha, na tentativa de conquistar sua confiança a me confiar seus segredos…

Com essa licença poética faço aqui um convite ao jogo da memória, ou melhor, da bocha, ao qual faço lances com as bolas em tom de cor desbotada mas que segue com o peso da estratégia. 

Sigo pegadas e novas pistas me levaram ao bairro vizinho onde de perto revi lances na cancha do Clube Atlético do Ipiranga.  São animadas estas senhoras bem alinhadas, Donas Canchas.

Mais uma chance e, num lance mais ousado, encontrei Sr. Maurício no bairro do Cambuci pedindo cobertura ao seu jogo, sempre regado a uma velha e parceira garrafa térmica com café.  

E mais uma Sra Dona Cancha, aliada ao Balneário do Cambuci e muito bem distinta, me abriu gavetas de suas memórias para me mostrar medidas que deram vitórias por milímetros de diferença entre uma bola e outra. Ah, todas as bolas levam ao bolim!

E assim, entre um gole e outro de café, as Donas Canchas, estimadas imigrantes e nobres senhoras, nos alimentam com desembrulhos de memórias. São relatos silenciosos mas que se fazem ouvir quando lemos as marcas das bolas que seguem feito tatuagem na superfície de seus tapetes mágicos. 

O jogo da bocha não envelhece, ele  enobrece nossos percursos por resgates da história. Segue o jogo na cordialidade dos afetos intergeracion

Cibele Gardin, moradora do bairro do Cambuci, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que as marcas não querem falar sobre saúde mental?

Peça da campanha “Falar pode mudar tudo”, da Libbs

“As marcas têm uma entrada na vida das pessoas e podem usar esse prestígio para o bem da sociedade”

Cecília Russo

As marcas podem desempenhar um papel relevante na conscientização sobre saúde mental. Setembro, marcado pela cor amarela, é dedicado à conscientização e prevenção ao suicídio, e esta tem sido uma pauta crucial para a sociedade. Falamos desse tema, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

Psicóloga de formação e especialista em branding, Cecília destacou que, apesar da crescente consciência sobre a importância da saúde mental, muitas vezes o assunto é negligenciado em comparação com outras questões de saúde. 

“Ainda existe uma visão muito equivocada de que saúde mental não requer tanto cuidado” 

Cecília Russo

Farmacêutica incentiva a abertura do diálogo

Um exemplo inspirador de envolvimento de marca é da Libbs Farmacêutica, através de seu programa “Falar Pode Mudar Tudo”, que incentiva a abertura do diálogo sobre questões de saúde mental. A empresa quer estimular não apenas os que sofrem com patologias relacionadas à saúde mental, mas também seus amigos e familiares, a quebrar o silêncio e o estigma em torno do tema.

Marcas ainda temem falar de saúde mental

Jaime ponderou sobre a relativa falta de engajamento das marcas em comparação com outras campanhas de conscientização, como o Outubro Rosa, que trata do câncer de mama, e o Novembro Azul, que alerta para o câncer de próstata. Ele especula que a hesitação pode surgir do receio de associar a marca a temas sensíveis

“Isso por si só já diz alguma coisa. O que seria? Parece que as marcas não querem colocar seus nomes ligados a, por exemplo, o suicídio. Como se isso fosse algo que pudesse assustar as pessoas e colocar em risco os negócios da marca. Assusta mesmo, vamos falar a verdade!” 

Jaime Troiano

CVV é referência na atenção à saúde mental

Porém, há quem esteja fazendo a diferença. Jaime citou o trabalho notável do CVV (Centro de Valorização da Vida), uma instituição sem fins lucrativos que se dedica a apoiar e ajudar aqueles em crise. Com mais de 60 anos de serviço, o CVV se tornou uma marca reconhecida, superando preconceitos e servindo como uma linha de apoio crucial para muitos.

“A instituição faz mais de 3 milhões de atendimentos anualmente, tem 4 mil voluntários que estão trabalhando lá. Além disso, tem um hospital psiquiátrico,  em São José dos Campos, atendendo dependentes químicos”.

Jaime Troiano

Jaime se recorda de um anúncio do CVV que era veiculado antes de as transmissões das emissoras de televisão sairem do ar na madrugada, convidando as pessoas que se sentissem necessitadas de um auxílio a conversar com os voluntários. 

Marcas podem usar sua influência para ajudar pessoas

A experiência de algumas ações e a necessidade da sociedade de discutir o tema da saúde mental levam às marcas a responsabilidade de usarem sua influência para beneficiar às pessoas, não apenas para fins comerciais.

Conforme mais marcas reconhecem e abraçam seu papel na promoção da saúde mental, espera-se que mais pessoas se sintam apoiadas e compreendidas, e que o estigma em torno da questão continue a diminuir.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Jaime Troiano e Cecília Russo apresentam o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN

Mundo Corporativo: Kelly Lopes, do IOS, defende que a educação digital transforma a vida de jovens e pessoas com deficiência

Foto de fauxels

“É a capacitação técnica que abre a porta para esse jovem entrar na empresa, mas é a responsabilidade comportamental, o engajamento, a responsabilidade dele, que o faz brilhar, que abre para ele as oportunidades de carreira — inclusive para as pessoas com deficiência”.

Kelly Lopres, Instituto de Oportunidade Social

A necessidade de educação digital se tornou evidente ao longo dos anos, à medida que a sociedade avançou tecnologicamente. Estar mais bem preparado para atender a essa demanda pode ser o grande diferencial para jovens e pessoas com deficiência que buscam espaço nas empresas. De olho nessa oportunidade foi que surgiu o Instituto de Oportunidade Social que tem como superintendente Kelly Lopes, entrevistada do Mundo Corporativo da CBN.

Instituto promove formação profissional

Kelly diz que o IOS tem desempenhado um papel fundamental na formação profissional e na empregabilidade de jovens entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência, a partir de 16 anos. Um aspecto que ela destaca é a ênfase na formação tecnológica. O Instituto aborda esse desafio fornecendo formação profissional extracurricular em tecnologia, que pode ser realizada simultaneamente ou após a conclusão do ensino médio. O objetivo é capacitar os jovens a conquistarem seu primeiro emprego ou obterem uma recolocação profissional no mercado de trabalho formal.

O Instituto, que completa 25 anos de existência, teve sua origem em uma iniciativa da empresa Totvs, que segue sendo sua principal mantenedora. No entanto, ao longo dos anos, o IOS estabeleceu parcerias com outras empresas, como Dell e 3M no Brasil, além de colaborar com órgãos governamentais municipais e estaduais em São Paulo e Minas Gerais, por meio de projetos de incentivo fiscal e fundos de defesa das crianças e adolescentes.

O desafio de jovens e pessoas com deficiência

Um dos principais desafios enfrentados pelos jovens na busca por emprego é a falta de preparação do ambiente escolar para o mercado de trabalho. A educação básica não costuma abordar as habilidades técnicas e comportamentais necessárias no mundo corporativo, avalia Kelly . Além disso, a maioria dos jovens não recebe orientação sobre suas opções de carreira ou mentoria. Por outro lado, as empresas enfrentam desafios relacionados à digitalização do processo seletivo, que pode tornar difícil identificar os verdadeiros talentos entre os candidatos. 

“O nosso jovem brasileiro, ele é o jovem do corre, ele é o jovem que faz as coisas acontecer. Está faltando para ele referência, mentoria, cuidado e acolhimento. Principalmente, agora no pós-pandemia. No Instituto, a gente faz esse complemento, esse atendimento niversal do indivíduo. E aí é quase uma mágica”. 

Taxa de desemprego entre jovens é enorme

Kelly enfatiza que o IOS se preocupa em promover a educação digital, preparando os jovens para lidar com as ferramentas tecnológicas usadas no ambiente corporativo. Muitos jovens estão conectados digitalmente, mas não possuem as habilidades necessárias para se destacarem no mercado de trabalho.

O público-alvo do IOS são jovens de 15 a 29 anos, com a maioria situada na faixa etária de 15 a 21 anos. Esses jovens frequentemente enfrentam altas taxas de desemprego, mesmo com incentivos existentes. Kelly destaca a importância de proporcionar oportunidades de capacitação e emprego para essa faixa etária.

Desafio é maior entre pessoas com deficiência

Quando se trata de pessoas com deficiência, a situação é ainda mais desafiadora. Muitas vezes, elas enfrentam dificuldades não apenas na educação formal, mas também no acesso à tecnologia e no entendimento do mundo corporativo. A falta de acesso à educação inclusiva e a falta de apoio adequado contribuem para a exclusão dessas pessoas do mercado de trabalho formal.

No entanto, o IOS está fazendo a diferença na vida dessas pessoas, oferecendo formação profissional e apoio psicossocial sob demanda, diz Kelly. Os resultados são impressionantes, com uma média de 65% de empregabilidade bem-sucedida para os jovens formados pelo Instituto e até 80% para pessoas com deficiência.

O IOS não se limita apenas à capacitação. Também trabalha com empresas para sensibilizá-las sobre a importância da diversidade e inclusão, ajudando a criar oportunidades para jovens e pessoas com deficiência. Além disso, o Instituto auxilia na preparação das empresas para receberem esses profissionais e promove a conscientização e o treinamento de lideranças sobre como apoiar e incluir esses colaboradores. 

“É importante a gente também mostrar para as empresas que a gente pode apoiá-las na questão da diversidade, porque o nosso jovem é diverso. Estou atendendo jovem da escola pública, muitos em situação de vulnerabilidade, pessoas negras, pessoas com deficiência, o público LGBTQIA+. É um público diverso que a gente está atendendo e isso também traz valor para a empresa”. 

Uma história inspiradora

Kelly compartilha uma história inspiradora de uma jovem chamada Beatriz, que superou desafios e encontrou sucesso profissional após participar dos cursos do IOS. Beatriz, uma jovem negra da periferia de Diadema, ingressou no Instituto, fez cursos de tecnologia e gestão empresarial e conseguiu se destacar em um processo seletivo em uma grande multinacional de tecnologia. Sua jornada de superação demonstra o potencial dos jovens quando recebem oportunidades adequadas.

No Brasil, a educação técnica de nível médio ainda é subutilizada, com apenas 11% dos jovens tendo acesso a esse tipo de formação. Kelly enfatiza a importância de levar a capacitação técnica para dentro das escolas, capacitando professores e promovendo o voluntariado corporativo para ampliar as oportunidades para os jovens.

Ao final da entrevista, Kelly destacou que a tecnologia não deve ser apenas uma ferramenta, mas também um meio para empoderar jovens e pessoas com deficiência. A capacitação e o desenvolvimento de habilidades comportamentais são essenciais para abrir portas para esses indivíduos no mercado de trabalho.

Assista à entrevista completa com Kelly Lopes no Mundo Corporativo

O  Mundo Corporativo da CBN pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN No You Tube. O programa tem a colaboração de Renato Barcellos, Larissa Machado, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: André Luis Soares Pereira, empresário e consultor, destaca que a excelência no atendimento é reflexo da felicidade no trabalho

“Uma empresa só funciona bem se todos tiverem consciência do que tem que fazer e estiverem engajados com o propósito da empresa”

André Luis Soares Pereira, empresário

Criar ambientes saudáveis no trabalho é um dos desafios das empresas interessadas em engajar seus funcionários, melhorar a performance dos colaboradores, aumentar a produtividade e gerar novas conexões com os parceiros de negócio. Para André Luis Soares Pereira, fundador do Grupo Soares Pereira, entrevistado no programa Mundo Corporativo, da CBN, apesar de algumas empresas já terem desenvolvido, há algum tempo, práticas nesse sentido, houve uma mudança significativa por influência da pandemia e fica evidente que agora um maior número de organizações revela preocupação em proporcionar um ambiente mais amistoso para seus colaboradores.

A felicidade e o bem-estar no trabalho, porém, não são apenas de responsabilidade da empresa, mas também do indivíduo. André Luis ressalta a importância de cuidarmos da mente, corpo e espírito para garantir um ambiente de trabalho positivo.

“Se você não trabalhar internamente a sua pessoa — mente, corpo e espírito —, você acaba chegando, às vezes, no ambiente de trabalho que, por melhor que ele seja, você não vai dar o resultado, você não vai fazer com que essa esse trabalho seja bem feito”

A Satisfação Profissional nos Resultados de Vendas no Varejo

O Grupo Soares Pereira, fundado em 1995, atua no setor de consultoria e serviços empresariais com a expansão de marcas no segmento de shoppings e franquias. Diante da experiência na área, André Luis lembra que no setor de varejo, onde o contato direto com os clientes é fundamental, a satisfação dos colaboradores desempenha um papel crucial nos resultados de vendas. Ele chama atenção para o fato de a felicidade no trabalho afetar a experiência do cliente.  

“Você ter um produto bom é obrigatório, hoje. Não adianta você entrar na concorrência, se você não tem um produto satisfatório. Então, para você poder oferecer e se diferenciar no mercado tem que ter cada vez mais uma excelência no atendimento e essa excelência do atendimento é reflexo da de você ser feliz do trabalho”.

Fatores que Influenciam o Bem-Estar no Trabalho

Pesquisa realizada pela consultoria Robert Half, no Brasil, neste ano, mostra que 89% das companhias reconhecem que bons resultados estão diretamente ligados à motivação e à felicidade dos colaboradores. E existem cinco principais fatores que promovem esse sentimento:  

Gostar muito da profissão (69%)  

Bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional (62%)  

Ser tratado com igualdade e respeito (58%)  

Sentir orgulho da organização (53%) 

Sentir-se realizado com o trabalho (51%) 

Como se percebe, a maior parte desses argumentos que geram satisfação está relacionada à sintonia entre o propósito das empresas e dos seus funcionários. André Luiz enfatiza a necessidade de uma comunicação interna eficaz e como o entendimento do propósito da empresa é fundamental para inspirar e engajar a equipe. Ele salienta a necessidade de se estabelecer claramente a missão, visão e valores da organização:

“Todo mundo precisa de dinheiro. A gente precisa vender, a gente precisa ter resultado. Mas se a gente focar só no resultado e não pensar na estrutura como um todo, você não vai chegar nesse resultado, entendeu? Então, são coisas que tem que caminhar juntas e a gente aqui faz muita questão de pregar isso diariamente no nosso cotidiano”. 

Identificando Problemas de Saúde Mental no Trabalho 

André Luis reconhece que o mercado de trabalho pode ser uma fonte de problemas de saúde mental, como burnout, ansiedade e depressão. Ele enfatiza a importância de se administrar a carga de trabalho e dar pausas quando necessário para evitar sobrecarregar os funcionários. Para isso é preciso estar muito atento ao comportamento das pessoas e aberto a ouvi-las. Por isso, ao discutir os erros comuns na gestão de empresas, André Luis aponta os papeis da liderança eficaz, comunicação transparente e valorização da equipe. Ele alerta contra líderes que não dão feedback ou que focam apenas em seus próprios interesses, destacando a necessidade de um ambiente colaborativo.

Flexibilidade no Ambiente de Trabalho

A flexibilidade no ambiente de trabalho precisa ser debatida internamente, a medida que pesquisas demonstram que esse é um fator relevante para os funcionários. No Grupo Soares Pereira, após a pandemia, os colaboradores retornaram ao trabalho presencial, ao passo que a maioria dos clientes prefere um contato direto. Porém, André Luis diz que há casos e situações específicas em que o ideal é que o funcionário possa trabalhar em casa. Deu o exemplo de uma colega que está grávida e se sentia mais confortável no home-office neste momento.

Investimento em Treinamento e Desenvolvimento

A criação de uma escola de negócios é um dos investimentos do Grupo Soares Pereira para o desenvolvimento contínuo dos colaboradores. André Luiz ressalta a importância do treinamento para o sucesso da empresa.

“A gente tem filosofia de treinar, treinar e treinar. Se você não treinar as pessoas você nunca evolui, você nunca melhora os resultados”

André Luiz recomenda os líderes empresariais a fazerem o que se ama, a manter atitude, entusiasmo, movimento e vibração para promover a felicidade no ambiente de trabalho. 

Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo que tem as colaborações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti, Débora Gonçalves e Rafael Furugen:

Conte Sua História de São Paulo: descobrindo as flores do asfalto

Por Valéria Dantas Machado do Nascimento

Ouvinte da CBN

Photo by Manoel Junior on Pexels.com

Quando penso em São Paulo, afirmo: logo eu existo.

Nasci e cresci aqui, então me sinto parte deste todo, deste mundão.

Hoje quase cinquentona, tenho muitas histórias pra contar.

Na infância, a Praça da Árvore foi meu berço, lá nasci, mas aos dois anos de idade fui para Vila Gumercindo.

De mãos dadas éramos quatro — papai, mamãe, maninho e eu — e hoje somos mais: irmãos, cunhada, sobrinho e afilhada. O ritmo é este: crescer, conhecer, surpreender-se com esta São Paulo.

Passeios com mãos dadas, os primeiros passos, a natureza no asfalto. Mamãe de Salvador e papai do interior de Jaboticabal,  já aqui afeiçoados, nos ensinavam que havia sim flor neste asfalto. Seja no Zoo, no Ibirapuera, no Horto ou na Cantareira, e até no ponto zero, na Praça da Sé, onde alimentar pombos era prazer de casa aos domingos.

Aqui vemos de tudo, e tudo com potência máxima. Do caos, ao crime, a paz, a evolução. Sim, São Paulo tem e é a pura satisfação. E quem aqui não nasce se torna cidadão de coração. Como destino ou de passagem, quem passa por São Paulo, leva consigo esperança, agito e o acreditar!

De manhã em oração quem me acompanha são as maritacas, os beija-flores que se reúnem em cima dos fios e dos postes de eletricidade. Totalmente adaptados à cidade grande. Vão e vem sem casa fixa, transformam seus ninhos em momentos de paz neste caos.

E é no Museu do Ipiranga que acontece a magia, a conexão com a natureza! No jardim frontal onde as palmeiras se transformam nas primeiras horas do dia, em pés de pássaros. Os jardins enchem nossos olhos e nos dão a impressão de simetria nem sempre percebida por pessoas que na pressão cumprem suas metas sem se dar conta da vida ao redor.

Na pista de cooper as folhas, os galhos, os diversos cantos e os passos de corredores anônimos marcam o início de mais um dia. 

No “story” registro o momento em que carros param, buzinas cessam e me conecto com a natureza em meio ao agito. Por instantes, a pressão se torna calmaria, o tempo não marca as horas, o agito se acalma dentro de nós.

Ao voltar para casa, meus pés pisam no asfalto da avenida, um carro freia, o pedestre reclama e o ciclista diante de tudo isso continua seu trajeto. Mas algo dentro de mim mudou, renovou e percebo que ao voltar não integralmente mais a mesma dentro de mim ainda me conecto aos minutos vividos  e sei que tudo já deu certo!

Nas estações que se mesclam e não seguem o calendário, já aprendi que reclamar do tempo é como se queixar da previsão não assertiva dos meteorologistas. Então, é assim viver aqui, rezar para ir e voltar, agradecer e acreditar que amanhã será ainda mais bonito do que hoje. E de geração para geração, a CBN faz parte do meu dia a dia.

Viva a vida em São Paulo. Viva a flor no asfalto.

Valéria Dantas, filha da Dona Selene, nossa ouvinte querida, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.