Como tornar a comunicação uma solução para o bem-estar e a longevidade

Foto de Andrea Piacquadio

A comunicação é uma ferramenta poderosa que molda nossas relações sociais e influencia diretamente nosso bem-estar. Falei sobre esse tema com o Márcio Atala quando fui convidado por ele a participar no programa Bem-Estar e Movimento, que vai ao ar, aos sábados. Estava de férias quando a entrevista foi reproduzida na CBN — está disponível em podcast, também —, por isso trato do assunto apenas agora. 

Nós discutimos a importância da comunicação em nossas vidas e como essa competência evoluiu ao longo dos anos. Ponderamos que o bem-estar e a longevidade estão intimamente relacionados à comunicação eficiente. Haja vista que uma boa comunicação é essencial para estabelecer relações sociais profundas e significativas, o que tem sido demonstrado em pesquisas sobre longevidade e felicidade.

Inspirado pelo livro “Escute, expresse e fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso” (Editora Rocco), lembrei que a comunicação é composta por três caixinhas de recursos: verbal, não verbal e vocal. Esses elementos combinados possibilitam uma comunicação eficaz, mas cada um deles, isoladamente, também pode gerar interações significativas com os outros. Por exemplo, um simples olhar solidário ou um sorriso de um desconhecido pode impactar positivamente o dia de alguém.

Os desafios da comunicação digital

No entanto, a evolução da tecnologia e da comunicação digital também trouxe desafios. Atualmente, somos inundados por uma quantidade exorbitante de informações todos os dias, levando à ansiedade informacional. A capacidade de filtrar e selecionar fontes confiáveis torna-se essencial para evitar a desinformação e a propagação de notícias falsas.

Além disso, a violência também está intrinsecamente ligada à comunicação. Estudos mostram que pessoas que se comunicam mal tendem a cometer e ser vítimas de violência. A comunicação inadequada pode levar a conflitos e brigas, enquanto a capacidade de argumentar e se comunicar efetivamente pode evitar esses problemas.

Destaquei a importância da comunicação em todas as profissões, especialmente em um mundo digital onde a imagem e a presença online são fundamentais. Porém, alertei para o perigo de influenciadores que, apesar de serem excelentes comunicadores, podem propagar informações falsas e não oferecer um serviço real para a sociedade.

A busca da verdade é antídoto a fake news

Enfatizei que, apesar dos desafios e das más interpretações que podem surgir, é essencial resistir e continuar se comunicando com qualidade e responsabilidade. A comunicação tem o poder de inspirar e transformar, e a busca por uma comunicação efetiva é um passo importante para promover o bem-estar individual e coletivo.

Neste contexto, os jornalistas enfrentamos o desafio de encontrar e informar a verdade, especialmente em um cenário onde notícias falsas e desinformação são disseminadas com facilidade. A busca pela verdade e pela informação confiável torna-se crucial para combater a propagação de mensagens enganosas.

Dicas importantes para melhorar a comunicação:

1. Escutar: o ato de escutar é tão importante quanto falar. A escuta ativa e o acolhimento do outro são fundamentais para uma comunicação bem-sucedida. Entender a intenção do interlocutor e também a própria intenção no processo de comunicação é fundamental para estabelecer uma conexão efetiva.

2. Escolha de fontes de informação: em um mundo com excesso de mensagens, é essencial fazer escolhas conscientes sobre as fontes de informação que consumimos. Buscar fontes confiáveis e qualificadas ajuda a evitar a propagação de informações falsas ou enganosas.

3. Simplicidade e objetividade: ao se comunicar, seja simples, direto e objetivo. Evite complicar a mensagem e busque expressar-se de forma clara para que o público compreenda facilmente o que está sendo transmitido. Isso ajudará a inspirar e impactar positivamente as pessoas.

Em resumo, devemos aprender a selecionar fontes confiáveis, filtrar informações e promover uma comunicação eficaz, respeitosa e construtiva. Somente assim poderemos criar relações mais saudáveis e uma sociedade mais informada e harmoniosa. E ao adotar a escuta ativa, escolher fontes confiáveis e comunicar-se de forma simples, direta e objetiva, podemos melhorar a qualidade das nossas interações e contribuir para uma sociedade mais informada, consciente e saudável.

Assista à entrevisa completa que concedi ao Márcio Atala, em Bem-Estar e Movimento

Mundo Corporativo: Samuel Campos, da Vega, mostra como a tecnologia e o compliance ambiental transformam o Agronegócio

“Quem não tiver, não acompanhar esse movimento, não vai conseguir escoar o seu produto e não vai conseguir ter acesso, nem a prêmios ou investimentos, financiamentos de bancos que têm linha de crédito verde com juros diferenciados no mercado; e para ter acesso a isso você tem que mudar o seu modelo”

Samuel Campos, Vega

O conceito de compliance ambiental abrange as práticas e o manejo agrícola, buscando entender a interação da produção do imóvel rural com aspectos ambientais relevantes, como o combate ao desmatamento, sobreposições com terras indígenas, povos e comunidades tradicionais e unidades de conservação. A implementação dessas práticas sustentáveis é essencial para que o produtor atenda aos principais protocolos internacionais, como os da União Europeia, garantindo a aplicação desse conceito em toda a cadeia de suprimentos. Sobre o tema, o Mundo Corporativo entrevistou Samuel Campos, da Vega, uma empresa que especializada em monitorar a produção agrícola e testar a sustentabilidade das práticas na cadeia produtiva do agronegócio.

Rastreabilidade e Avaliação de Fornecedores

A rastreabilidade dos produtos agrícolas é fundamental para garantir a procedência sustentável da matéria-prima. Empresas como a Vega monitoram toda a produção desde a origem até a chegada na indústria, aplicando certificações e selos de sustentabilidade que atestam a conformidade com os protocolos ambientais. A avaliação de fornecedores desempenha um papel crucial nesse processo, e muitas empresas têm regras bem definidas para aceitar ou barrar a compra de produtos com origem não sustentável.

Tecnologia e Desafios para a Sustentabilidade no Agronegócio

A tecnologia tem papel fundamental no desenvolvimento sustentável do agronegócio. Samuel explica que a Vega usa técnicas de Inteligência Artificial e Big Data para processar e analisar dados de mais de 48 milhões de hectares de terras agrícolas no Brasil, buscando formas de integrar lavoura, pecuária e floresta para otimizar a produção e reduzir emissões de CO2. Os desafios incluem a conscientização dos produtores, a regularização ambiental, o monitoramento em tempo real e a transparência de toda a cadeia produtiva.

“O produtor rural às vezes quer estar dentro de um modelo mais produtivo, mas ele não encontra ainda as alternativas de saída: como é que ele vai regularizar o seu passivo? Como é que ele vai trabalhar com o estado no programa de regularização ambiental? Como é que a gente vai trabalhar esse monitoramento dessa transição? Esse para mim é um grande desafio na conscientização e na mudança desse modelo de produção brasileira”

Potenciais Impactos Negativos e Incentivos para a Sustentabilidade

Os produtores que não se adaptarem aos protocolos de compliance ambiental podem enfrentar restrições na venda de suas commodities em mercados internacionais, reduzindo a liquidez de seus produtos, de acordo com Samuel. Por outro lado, aqueles que adotam práticas sustentáveis têm a oportunidade de receber prêmios financeiros pela sua produção, além de acesso a linhas de crédito verde com juros diferenciados. A conscientização e a transparência na cadeia de suprimentos são cruciais para que a sustentabilidade se torne um ativo e não um passivo para os produtores. Além disso, lembra Samuel, os produtores ao aplicarem em tecnologia podem ampliar a variedade de safras e melhorar a produtividade:

“A gente costuma dizer que quando a gente conseguir mudar o mindset do produtor rural, que ele pode ter uma safra, uma safrinha, uma terceira safra ambiental, conectada a rastreabilidade da produção sustentável dele, a gente vai mudar toda a cadeia”.

Samuel destaca que o agronegócio está passando por uma grande transformação, impulsionada pela tecnologia e pelo compliance ambiental. O futuro do agronegócio está na conscientização dos produtores, na transparência da cadeia produtiva e no investimento em tecnologias inovadoras que permitam uma produção mais eficiente e sustentável. O desafio é grande, mas as oportunidades para profissionais qualificados no campo da tecnologia e da inovação são igualmente promissoras.

“Hoje, o mercado ele precisa  cada vez mais pessoas que enxerguem essa visão de sustentabilidade, que tem noção dessas questões de  ESG, de compliance; e quando você traz isso munido ali de conhecimento de inovação de tecnologia, você hoje é um profissional diferenciado no mercado”. 

Assista à entrevista completa com Samuel Campos, da Vega, ao Mundo Corporativo que tem a colaboração de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

O ritual do desfazer das malas é o fim de uma etapa e o reinício de outra

Foto de Vlada Karpovich

O primeiro dos três lançamentos do livro “Escute, expresse e fale!”, em Portugal, foi na livraria “Ler Devagar”, em Lisboa. Na sala do segundo andar, ao lado da mesa em que os autores fariam a apresentação havia uma tribuna. A peça foi providenciada pela Escolar Editora, uma exigência de António Sacavém, um dos colegas de escrita. Quis saber da necessidade daquele espaço e meu companheiro lusitano respondeu: “o ritual é importante”. Seria na tribuna, lugar que costumo chamar de púlpito — para desespero dos especialistas em cerimonial —, que o convidado principal falaria com o público: o empresário João Manuel Nabeiro, herdeiro de uma dos maiores grupos empresariais de Portugal, o Delta. Ele estaria sentado ao nosso lado durante todo o evento, mas sua abertura foi solene. No púlpito. Ou na tribuna!

Rituais têm importância nas sociedades porque dão significado e sentido às experiências humanas; proporcionam um senso de conexão e pertencimento, permitindo que as pessoas se unam em torno de valores, crenças e práticas comuns; e são uma forma importante de transmitir e preservar a cultura de geração em geração. Naquele caso, em Portugal, justificava-se a partir de outro conceito bastante comum diante do tema: os rituais são frequentemente usados para celebrar conquistas, marcos importantes e eventos significativos na vida das pessoas. Eles fornecem uma oportunidade para reconhecer e honrar indivíduos ou grupos, promovendo um senso de valorização e inclusão. Os rituais de celebração também desempenham um papel na construção de memórias coletivas e na criação de momentos felizes e memoráveis. 

Foram felizes e memoráveis os momentos que marcaram o início desse meu período de férias ao ter a oportunidade de participar deste que é um ritual na publicação de livros: a sua apresentação ao público seguida de sessão de autógrafos, em especial por ser a primeira vez que experimento essas sensações no exterior. Estive em três cidades portuguesas ao lado de meus colegas autores — o Sacavém que já citei, a Leny Kyrillos e o Thomas Brieu — e para cada um dos públicos falamos dos propósitos que nos uniram e dos ensinamentos que reunimos.

Depois da passagem por Portugal foi a vez de voltar à Itália, terra de onde saiu o bisavô Vitaliano Ferretti que se estabeleceu em Minas Gerais antes de chegar ao Rio Grande do Sul. Havia alguns anos que não visitava o país ao qual frequentei com insistência, desde 1993, graças a uma série de privilégios que tive na vida — desde pessoas para me acolher até facilidades logísticas para se deslocar até lá. Com a pandemia e alguns compromissos anteriores, tive de segurar a saudade até matá-la de vez neste calorento mês de Julho. Oportunidade em que revi locais e amigos para minha felicidade. Aliás, eis um ritual que mantenho em viagens: revisitar lugares em que estive para poder recontar as histórias que vivenciei. É como se ao rever endereços em que já me hospedei ou estive me fizesse reencontrar com o que já fui.

Nesse sábado, às vésperas da retomada ao trabalho, deparei com outro ritual: o desfazer das malas. Pode ser comezinho para muitos. Para mim é ritual que se caracteriza pelo respeito a estrutura e a ordem à vida cotidiana. Faz parte dos rituais que nos ajudam a lidar com a incerteza e a complexidade do mundo moderno, oferecendo previsibilidade e estabilidade. É a forma de marcar o fim de um ciclo, o recomeço de outro. 

Sou incapaz de deixar a mala em um canto da casa a espera de ser desfeita. Tem de ser de imediato. Abro e início de forma disciplinada a separação dos pertences. A roupa para lavar e a que dá para dobrar e guardar; a lembrança de amigos e parentes e as lembranças de viagem; o presente que me dei e os que recebi;  os acessórios que tornaram a viagem acessível e os trocados em moeda estrangeira que restaram — sempre sobram e a gente esquece de levar na próxima. 

A mala desfeita é o ritual que me permite pensar no que virá no dia seguinte. Nos planos que deixei para agora. Nos compromissos que assumi com os amigos durante as férias que se equivalem as resoluções de fim de ano. Os rituais oferecem uma forma de interpretar eventos importantes e ajudam as pessoas a encontrar propósito e significado em suas vidas. Podem abordar questões existenciais, fornecer conforto em tempos de dificuldade e celebrar conquistas e marcos pessoais. 

No ritual do desfazer das malas, comemorei mais uma etapa vencida. Que venham novas! Agora, no trabalho para onde volte nesta segunda-feira!

Mundo Corporativo: Saville Alves, da Solos, mostra como estratégias de ESG e economia circular podem avançar com base na tecnologia

“O que a gente não pode perder de vista é que catador, cooperativa, não fica rico com catação. A gente precisa mudar essas relações de trabalho para que a gente possa ter empreendimentos escaláveis, e que coloquem o Brasil numa ponta de índices de reciclagem”

Saville Alves, Solos

Um dos maiores desafios quando o tema é economia circular é a conscientização do cidadão sobre o descarte correto de resíduos recicláveis. No Brasil, a taxa de reciclagem é muito baixa, cerca de 3%; e 90% do material reciclado é coletado pelos catadores, muitas vezes em condições precárias. Saville Alves, CEO da Solos, identificou esse problema e contou ao Mundo Corporativo como a criação da startup gerou oportunidade para o desenvolvimento de soluções nessa área. Ela é a primeira entrevistada de mais uma série especial sobre ESG — que trata da governança ambiental, social e corporativa.

A Solos é uma startup que trabalha com o descarte correto de resíduos recicláveis e economia circular. Além de conscientizar os cidadãos sobre a importância do descarte correto, a Solos percebeu a necessidade de criar um sistema de inclusão socioeconômica para os catadores e estabelecer parcerias com grandes indústrias recicladoras. Essa abordagem visa costurar todas as pontas da cadeia de reciclagem, desde o cidadão que faz o descarte até o reciclador que transforma o material em novos produtos, utilizando matéria-prima reciclável em vez de matéria-prima virgem.

“O nosso negócio é um negócio B2B, ou seja, ele é uma empresa que vende uma solução para outras empresas, mas a gente parte sempre da premissa da geração do impacto. Seja ela através do aumento de volume de resíduos reciclados, da geração de renda para as populações historicamente excluídas dentro desse processo, e, também, pelo número de pessoas que a gente vai alcançando e vai convertendo para participar das nossas ações”. 

A Solos atua em três frentes principais:

  • a primeira é por meio de experiências e conteúdos sustentáveis, que buscam sensibilizar e engajar o público de forma leve e lúdica.
  • A segunda frente é a gestão de resíduos em grandes eventos, oferecendo consultoria e operação logística para aumentar a quantidade de resíduos destinados à reciclagem.
  • A terceira frente é a implementação de operações de logística reversa e micrologística, garantindo o acesso ordenado e estruturado à coleta seletiva em diferentes regiões do país.

Saville Alves Alves  é uma empreendedora que teve sua trajetória marcada por vivências significativas. Ela estudou comunicação na Universidade Federal da Bahia, onde teve contato com um ambiente de pensamento crítico e começou a questionar os paradigmas sociais. Sua participação em movimentos como o Movimento Empresa Júnior e organizações internacionais, como o TETO, despertaram o desejo de fundar um negócio de impacto. A Solos foi então concebida como resultado desse processo de amadurecimento pessoal e profissional.

O Papel da Tecnologia na Reciclagem

No contexto da reciclagem, a tecnologia desempenha um papel fundamental. O Brasil tem a oportunidade de usar algoritmos e sistemas de rastreamento para trazer mais transparência e informações para a população. O lastreamento da cadeia de reciclagem, identificando a origem e o destino dos materiais, pode ser realizado por meio da tecnologia. Além disso, a automação das estações de triagem e beneficiamento contribui para aumentar a eficiência e diminuir as taxas de erro no processo.

De acordo com Saville, a Solos está explorando formas de digitalizar o processo de conscientização da população, especialmente das crianças e adolescentes, para criar um hábito sustentável desde cedo. A empresa acredita que, ao mudar os hábitos das novas gerações, teremos adultos conscientes e engajados na reciclagem. A tecnologia também desempenhará um papel importante nesse processo, permitindo a conexão de informações e a automação de diversas etapas do ciclo de reciclagem.

Dicas para Empresas interessadas na Economia Circular

Para empresas que desejam adotar práticas de economia circular, é importante começar de maneira verdadeira e identificar o que é mais sensível para o negócio. Cada empresa tem suas peculiaridades, e é essencial escolher causas alinhadas aos seus valores e setor de atuação. Inicialmente, focar em questões como resíduos, inclusão socioeconômica ou qualquer outra área relevante pode ser um bom começo. É fundamental buscar parcerias e redes confiáveis, participar de programas de aceleração e capacitação, e aproveitar as oportunidades oferecidas pela digitalização para expandir o impacto positivo.

Saiba outras formas de colaborar e investir em economia ciruclar, assistindo à entrevista completa com Saville Alves, CEO da Solos, no Mundo Corporativo, especial ESG:

O Mundo Corporativo tem as participações de Priscilla Gubiotti, Rafael Furugen, Renato Barcellos e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: delírio com o Canindé e um sonho com o Tietê

José Emilio Guedes Lages

Ouvinte da CBN

Foto aérea do estádio do Canindé; autor: Will Lusa

A primeira vez que fui a São Paulo, vindo de Belo Horizonte, desci no terminal rodoviário Tietê cheio de curiosidades. Logo de cara, esperando o táxi, vislumbrei o campo da Portuguesa, time da minha maior admiração na capital Paulista  — Félix, Ivair, o Príncipe, Leivinha, Lorico. Só com isso aí já fiquei satisfeito. Lembrei também do livro Quarto de Despejo, em que autora Carolina Maria de Jesus falava da favela do Canindé, onde passa parte de sua obra , aí então o astral melhorou mais ainda.

No táxi, pedi para que fosse para o Alto de Pinheiros e o taxista me perguntou se era para passar pela Cerro Corá. Como eu não conhecia nada da cidade e achei o nome muito lindo, disse que sim.

Quando passávamos por uma rua, próximo ainda a rodoviária, vi uma frase no muro que me encantou sobremaneira: “Kdê o Salvador daqui?”.

Cheguei ao endereço que me esperava e apaguei! Acordei no dia seguinte, para conhecer a Ipiranga com a São João, uma bela história que me ronda até hoje. No passeio, puxei da memória o que havia visto no dia anterior, após deixar a rodoviária: lembrava de ter ficado deslumbrado ao passar pelas marginais Tietê e Pinheiros, encontrado s ruas arborizadas e floridas; e a criançada pulando de um trampolim imaginário e — “tibum” — nadando de braçada naquelas águas límpidas dos rios que cortavam a grande metrópole.

Somente no dia seguinte, quando voltei a cruzar as marginais é que percebi que aquelas cenas eram apenas imaginação, resultado do sonho que sonhei enquanto descansava. O que era real, porque voltei a encontrá-la, no dia que retornei a Belo Horizonte, era a frase no muro: “Kdê o Salvador daqui?

José Emilio Guedes Lages é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua Historia de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: o Pedro, o Lobo e os meus amiguinhos de corrida

Paulo Mayr Cerqueira

Ouvinte da CBN

Foto de Caique Araujo

Mil anos atrás, mesmo não sendo próximo a minha casa, costumava correr na Pista de Cooper do Parque do Ibirapuera. Estacionava o carro em uma travessa da 4º Centenário e caminhava um pouco.

Dois dias seguidos, um menino de uns três, quatro anos, que estava com a empregada no jardim de casa puxou conversa:

– Quem é você?

– Sou o corredor do Parque.

Parei e continuamos o bate-papo.

Na semana seguinte, ao me ver, chamou o irmão, um pouco maior, para me apresentar.

Meu já amigo, o Pefeli, e o novo, o Nirani.*

E assim foi indo. Com frequência, eles estavam por ali e conversávamos.

Então, no começo de dezembro, fiz uma fita K7 com a História do Pedro e o Lobo do músico russo ProKofiev, narrada por Roberto Carlos, no início do início da carreira do ídolo.

A ideia do autor era introduzir, de maneira lúdica, crianças no mundo da música erudita. Assim, cada personagem da história era representada por um instrumento de orquestra.

Em um envelope natalino, além da fita, o histórico, que xeroquei da contracapa, e um cartão meu de Feliz Natal. Eles não estavam em casa. Deixei com a empregada, já minha conhecida.

Dia 25 de dezembro, por volta de meio dia, antes de ir para o Almoço da família, passei por lá. Toquei a campainha. A avó, pelo interfone, perguntou quem era. Disse que havia deixado uma fita K7 para as crianças.

Ela:

– Não vai embora, não vai embora.

E veio correndo para o portão.

Novamente, os meninos não estavam. Ela contou que todos haviam se encantado comigo; e insistiu para eu tomar uma bebida com eles. Agradeci, mas não aceitei.

Hoje Pefeli e Nirani são homens feitos e talvez tenham um toca-fitas de museu só para, de vez em quando, ouvir com chiados a lembrança que o Corredor do Parque lhes deu.

Paulo Mayr Cerqueira e seus amigos, Pefeli e Nirani, são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: meus personagens da Vila Jafet

Olga Pereira Pinto da Silva

Ouvinte da CBN

Palácio da família Jafet, no Ipiranga

Meu nome é Olga Pereira Pinto da Silva. Tenho 78 anos. Morei, dos sete aos 15 anos na Vila Jafet, no Ipiranga. Todas as casas dessa vila eram destinadas aos trabalhadores da tecelagem e estamparia Jafet. Em todas as residências havia crianças e adolescentes — amiguinhos que até hoje guardo na lembrança. Meu pai era funcionário da fábrica.  

Minha infância foi marcada por personagens interessantes. O Sr. Armando vinha com seu veículo cheio de pães de todos os tipos e as nossas mães,  todo dia, compravam os deliciosos produtos. O que eu mais gostava eram os pães doces. Maravilhosos! O padeiro atendia a todas com muita educação e sempre bem humorado.

O Sr. Paco, um simpático espanhol, era o verdureiro. Chegava com sua carroça lotada de frutas, verduras e legumes. Minha mãe era sua freguesa assídua. Mas ela reclamava, pois ele chegava bem na hora do almoço,  quando ela estava servindo à mesa e tinha que largar tudo para fazer a compra….  porém, minha mãe o elogiava pelos produtos frescos e de boa qualidade.

O mais esperado e o mais querido de todas as crianças era,  sem dúvida,  o sorveteiro, sr. Jean. Ele era um senhor belga, falando um português com sotaque francês, o que lhe dava um charme especial. Seus sorvetes de massa eram divinos. A gente tinha que levar um copo de vidro, no qual ele punha as bolas do que, para mim, eram verdadeiros manás dos céus.  

Às vezes, fico pensando que todas estas personagens da minha infância já estejam em outro plano quem sabe saboreando as alegrias que nos ofereceram aqui na terra.

Ouça aqui o texto completo do Conte Sua História de São Paulo de Olha Pereira com narração de Mílton Jung

Olguita Maria é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o valor da marca e o cálculo do Brand Valuation 

A importância de saber o valor da sua marca

A compra da Garoto pela Nestlé foi finalmente liberada, em junho deste ano, encerrando um longo processo de análise e debate. Mas como funciona o processo de compra de marcas e como é calculado o valor desse ativo? No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, exploramos esse tema e discutimos a importância da consistência na construção e monitoramento do valor de uma marca ao longo do tempo.

“Marcas não adquirem valor da noite para o dia”

Cecília Russo

O processo de compra de marcas

Muitas vezes, marcas são adquiridas por competidores do mesmo mercado. Nesses casos, há um órgão regulador responsável por analisar e aprovar essas transações. No Brasil, temos o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que avalia se a junção de duas marcas pode prejudicar os consumidores ao limitar a concorrência e criar um monopólio. A análise realizada pelo CADE no caso da compra da Garoto pela Nestlé durou incríveis 20 anos, tornando-se um dos casos mais longos da história. Outro exemplo é a compra da marca Kolynos pela Colgate na década de 90, na qual o CADE determinou que a Kolynos fosse afastada do mercado por quatro anos para evitar a formação de um monopólio prejudicial aos consumidores.

Valor de marca e Brand Valuation: 

“Antes do CADE entrar para julgar, no caso de compra de marcas rivais, e no caso de qualquer compra de marca, é preciso definir seu valor”

Jaime Troiano

O cálculo do Brand Valuation, ou valor de marca, baseia-se na contribuição da marca para os resultados financeiros de uma empresa. Em outras palavras, o valor de uma marca representa o quanto a empresa gera a mais em termos de fluxo de caixa por ser proprietária dessa marca, em comparação ao que geraria sem ela. Para calcular o valor econômico da marca, primeiro é necessário estimar o volume de recursos que a marca contribuirá para a geração de fluxo de caixa no futuro. Em seguida, esse volume é trazido a valor presente usando uma taxa de desconto. Essa taxa de desconto é uma operação comum no campo das finanças e permite obter o valor econômico da marca.

A importância da consistência e monitoramento:

Como dito por Cecília Russo, a lição que podemos tirar desse tema é que marcas não ganham valor da noite para o dia. Aumentar o valor de uma marca exige consistência ao longo dos anos, paciência e monitoramento constante para garantir que sua construção esteja indo na direção desejada. Construir uma marca forte requer um trabalho contínuo de estratégia, posicionamento, comunicação e entrega de valor aos consumidores. É importante acompanhar de perto os resultados e ajustar as ações quando necessário, para garantir que a marca esteja cumprindo seu propósito e agregando valor ao negócio.

É preciso investir na construção da marca

O valor de uma marca é um ativo estratégico que pode impulsionar o sucesso de uma empresa. No caso de aquisições de marcas, é necessário considerar o impacto no mercado e obter a aprovação dos órgãos reguladores. Já o cálculo do Brand Valuation é fundamental para compreender o valor econômico da marca, levando em conta seu potencial de geração de fluxo de caixa futuro.

A lição mais importante a ser aprendida é que a construção de valor de uma marca requer tempo, esforço e consistência. É fundamental desenvolver estratégias sólidas, manter uma comunicação eficaz e entregar valor aos consumidores de forma consistente. Além disso, é essencial monitorar constantemente a marca para garantir que ela esteja cumprindo seus objetivos e gerando resultados positivos.

Portanto, investir na construção e no fortalecimento da marca é uma estratégia de negócio inteligente. Ao fazer isso, as empresas podem aumentar seu valor de mercado, conquistar a fidelidade dos clientes e se destacar da concorrência. Afinal, uma marca bem-sucedida é um ativo valioso que impulsiona o crescimento e a sustentabilidade de uma empresa a longo prazo. 

Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar todos os sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN:

Mundo Corporativo: Luiz Fernando Lucas destaca que a integridade é responsabilidade do indivíduo

No estúdio do Mundo Corporativo com Luiz Fernando Lucas Foto: Priscila Gubiotti

“Esse é o ponto em que as empresas vão começar a se destacar contratando seres humanos mais íntegros no sentido da palavra de mais completos, de mais clareza de quem são”

Luiz Fernando Lucas, advogado

Os dilemas éticos que enfrentamos no cotidiano são nossos e devem ser solucionados por nós. Cabe a cada um fazer suas escolhas diante das diversas situações que enfrenta na sua vida pessoal e profissional. Portanto, você é responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Tem de ser pautado por essa premissa, sob o risco de perder o protagonismo e a liberdade. Nada disso, tira a responsabilidade de a empresa construir um ambiente eticamente saudável, mas é preciso entender que na “hora do vamos ver” a decisão é sua. Conversei sobre estes temas com Luiz Fernando Lucas, advogado por formação, especializado no tema da ética por convicção e autor do livro “A Era da Integridade” (Editora Gente). 

“Acredito mesmo que não as empresas, mas nós como seres humanos precisamos cada vez mais voltar aos princípios, as virtudes, aos valores”.

No programa Mundo Corporativo, Luiz Fernando explicou que a integridade é a busca pela plenitude e completude, sendo congruente entre o que se fala, pensa e faz. Essa sintonia é que diferenciará cada vez mais o profissional de seus colegas e concorrentes. De verdade, já diferencia, porque, como dito na epígrafe deste texto, às empresas  estão em busca desses talentos, que deixou de ser apenas a referência para aquele que é inovador, colaborativo ou excepcional na execução da sua tarefa:  

“Estamos indo para um momento no qual mais importante do que os hard ou soft skills são as inner skills, aquelas competências que vêm de dentro,  a sua essência”.  

RHs têm de investir em indicadores de integridade

A despeito da valorização que ética, responsabilidade e integridade têm tido, Luiz Fernando diz que os departamentos de recursos humanos ainda não usam métodos capazes de identificar esses valores nos profissionais que se apresentam como candidatos. Segundo o advogado, há vários instrumentos de avaliação de perfil psicológico e de personalidade, há indicadores financeiros e de resultados, assim como sociais e ambientais, porém ainda são incipientes do de governança corporativa. 

“A proposta é quais indicadores de valores de impacto na sociedade, por exemplo, de saúde do grupo de pessoas que estão não apenas dentro da empresa, mas como que elas estão levando bons exemplos para a sociedade”.  

O autor ressalta que vivemos na “era da integridade”, e estamos vivendo um momento de ampliação da consciência humana e que é possível escolher evoluir como espécie através da integridade e consciência. Destaca a relação entre confiança, valores e felicidade, e a importância de se fazer escolhas éticas e responsáveis diante das novas tecnologias. Além disso, chama atenção para a influência que os ambientes profissionais e pessoais que vivenciamos têm na construção desses relacionamentos éticos e responsáveis:

“Se eu tenho uma conduta ética na minha vida pessoal, eu vou contribuir com aquilo no meu grupo de trabalho e se na minha empresa valoriza-se a cultura de integridade, a ética, os valores de alguma forma, eu vou levar aquilo pro meu seio familiar, para o meu pro meu convívio social. E aqueles aprendizados vão fazer refletir sobre o impacto da minhas ações e das minhas omissões como ser humano na vida”. 

Para uma reflexão mais completa sobre integridade, assista à entrevista com Luiz Fernando Lucas, ao Mundo Corporativo, programa que teve as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira,  Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: a política estudantil me apresentou à cidade

Janice Paulo

Ouvinte da CBN

Igreja na praça da Sé, foto de Claudinéia Regina/Flickr CBNSP

Era o ano de 1983. Eu havia ingressado no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Unesp, em São José do Rio Preto. Bacharelado de Letras-Tradução. Com 18 anos, nascida e criada em uma pequena cidade do interior paulista, sentia-me um peixe fora d’água naquele ambiente tão politizado, com colegas super descolados. 

Nem imaginava que, em breve e, justamente, com eles, pisaria em São Paulo, pela primeira vez. A abertura política se fazia lenta, mas progressivamente. Nesse contexto, a comunidade universitária da UNESP, em sintonia com o movimento Diretas-já, propunha um processo de eleição para a indicação do candidato ao cargo de reitor da universidade. 

No início de 1984, realizou-se a consulta à comunidade, num ato democrático extraordinário, para a época. Mas o Conselho Universitário e o governador Franco Montoro não acataram a nossa vontade expressa pelo voto. Isso gerou profunda revolta, motivando uma prolongada greve e a ocupação da reitoria e das diretorias de várias unidades. 

Naqueles dias, embarcou no trem RioPreto-São Paulo um grupo de destemidos, do qual eu fazia parte. Uma noite inteira, não só de café com pão, café com pão… mas, também, de pão com mortadela, mortadela com pão. Na manhã seguinte, chegamos em São Paulo para revezar com os colegas que estavam ocupando a reitoria há vários dias. 

Eu fingia naturalidade no metrô, fingia saber onde estávamos ou para onde íamos. A ninguém eu havia dito que jamais estivera na capital. Imagina! Na Praça da Sé, olhei deslumbrada a Catedral, os prédios do Tribunal de Justiça e da própria reitoria. Notei que faltavam árvores e sobrava gente. 

Dado o risco de estarmos sendo vigiados, entramos rapidamente na reitoria, de onde só saí oito dias mais tarde com todos os companheiros, expulsos por Michel Temer, então Secretário de Segurança Pública de São Paulo. 

Seguidos à distância pela força policial, fomos em passeata pelo entorno, gritando palavras de ordem, cantando o hino da época: ”para não dizer que não falei das flores”. Ouvia aplausos de alguns, palavras de apoio de outros, e chuva de papel picado a nos receber.

Lá se vão 38 anos de muitas outras histórias de manifestações, comícios, protestos, passeatas, quase sempre em São Paulo. Mas é essa passagem que divido com você, na Praça da Sé, o marco zero da minha história de lutas e paixão por essa cidade.

Janice de Paulo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem de São Paulo. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo