Conte Sua História de São Paulo: no meu imaginário, era a terra da salvação


Jose fabio nobre nobre

Ouvinte da CBN

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No idos da década de 1970, eu, criança, na Cidade de Crato,  interior do Ceará, passava com frequência  em frente a uma empresa de ônibus — não havia rodoviária — e presenciava cenas que me chamavam atenção. Época em que muitas famílias faziam o trajeto para São Paulo na busca de sobrevivência mesmo. Aquelas cenas começaram a me tocar porque eu via pessoas conhecidas, outras, crianças, e até parentes próximos. Aquelas despedidas me sensibilizam, eu chorava junto àquela gente. 

Daí, São Paulo ficou no meu imaginário como sendo a terra da salvação. Garanti a mim mesmo que ao completar 18 anos, eu também iria para a capital paulista para conhecer, visitar parentes e, quem sabe, morar na casa de uma tia ou um tio. Quando completei a maioridade, já trabalhava e apesar de solteiro era o “provedor” da casa —  os irmãos e irmãs mais velhos já haviam casado e fiquei órfão de pai muito cedo. Com o dinheiro que recebia do trabalho em um banco privado,  me organizei para realizar o sonho de viajar a São Paulo, o que ocorreu em dezembro de 1980. 

Quarenta e oito horas num ônibus que, diante das minhas expectativas tão positivas, tirei de boa. Fui recompensado. Adorei tudo que via, uma prima que morava em Vila Nova Cachoeirinha passeava bastante comigo e me mostrava os locais mais importantes. 

O que me marcou naquela primeira viagem foi ir a uma gravação do Programa do Chacrinha — havia uma senhora amiga da minha prima que fazia caravana para o programa, num teatro da Brigadeiro Luiz Antônio. Na época ele estava na rede Bandeirantes, depois retornou para a Globo. Aquilo me fascinou. O inusitado é que de repente a gravação parou, as chacretes se abraçavam e choravam. Os artistas e jurados, também. Nós na plateia não sabíamos o motivo  da demora do intervalo. Até que a notícia chegou a todos: há poucos instantes, havia sido anunciado o assassinato de John Lenon. A despeito disso, a gravação e a vida tinham de continuar.

Hoje sigo amando São Paulo mesmo morando em Recife há 40 anos. Visito a cidade no mínimo três vezes ao ano. Adoro a fervura cultural e vou aos principais eventos artísticos. Amo ficar próximo ao COPAN, que para mim é a cara da cidade, para bater perna por todo o centro e subir a Consolação caminhando até a Paulista, aproveitando para cumprir a minha meta de sete mil passos diários —  ouviu, Márcio Atalla?

José Fábio Nobre personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cuidado com o discurso ambientalista que não se sustenta!

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“Greenwashing é basicamente as práticas e propagandas que se apoiam em falsas informações e mensagens emitidas por empresas, relacionadas à sustentabilidade”

Cecília Troiano

Atendendo a demanda do público, muitas marcas têm se apresentado como defensoras do meio ambiente e anunciam uma série de medidas que viriam em favor da preservação das matas, da qualidade das águas e do controle da poluição do ar, entre outros tantos benefícios elencados em suas peças publicitárias e relatórios anuais. A preocupação é justa e necessária, mas deve ser sustentável. Esse é o alerta de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que chamaram atenção para a fragilidade de boa parte dessas ações. 

Para ter uma ideia, em 2021, a comissão europeia (EC) analisou 344 alegações aparentemente duvidosas de empresas e chegou a conclusão de que quase 60% das empresas usavam palavras como eco-friendly, eco-consciente, biodegradável e sustentável sem oferecer provas concretas. São típicas praticantes do ‘greenwashing’ 

“ .. ou seja, fala que faz algo em termos de sustentabilidade, mas na prática isso não se sustenta, com o perdão ao trocadilho. falam que determinados processos protegem o meio ambiente, mas a história não é bem essa”. .

Infelizmente, ainda há muita empresário que acredita que dá para sustentar e alavancar a marca por meio de histórias inventadas, sem validade nas suas práticas e processo.  Não precisamos voltar tanto ao tempo nem ir tão distante. Basta lembrar o que assistimos recentemente com produtores de vinhedos, no interior do Rio Grande do Sul, que apesar de seus compromissos com as políticas ESG, foram flagrados usando mão de boa análoga à escravidão. 

“O que as marcas têm de mais valioso é a credibilidade que conquistaram junto a seus públicos. É tão difícil ter essa confiança das pessoas, mas tão arriscado perdê-la” Jaime Troiano

Você que está acostumado a acompanhar o Sua Marca deve lembrar de frase que repetimos várias vezes para alertar aos gestores sobre os riscos que decidem assumir diante de estratégias erráticas: marca não é tapume que esconde as más práticas das empresas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Mundo Corporativo: Matheus Bombig, da Invenis, conta como funciona uma empresa “sem chefe”

Matheus Bombig em entrevista ao Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti

“Nesse modelo, a gente até brinca que ao invés de você ter um chefe, você tem todas as pessoas da startup como chefe, porque todo mundo vai estar olhando a decisão que você eventualmente vai tomar”

Matheus Bombig, Invenis

Em toda a empresa, o assunto na sala do cafezinho é o mesmo: reclamar do chefe. Uns dizem que ele é muito intrometido e outros que ele é omisso; há os que falam da dificuldade dele tomar decisões e os que o criticam por centralizar tudo na sua mesa. Na Invenis, uma startup de tecnologia que atua no campo do direito, o grau de desconformidade chegou a tal ponto que quem reclamava do chefe era o próprio chefe. Isso mesmo! Matheus Bombig, um dos criadores da empresa, identificou sua dificuldade em liderar a equipe que estava iniciando suas atividades e assistia ao crescimento dos negócios e no número de funcionários. Foi quando tomou a decisão de acabar com a figura do chefe e investir em uma gestão descentralizada: 

“Eu sou empreendedor de primeira viagem … eu não sabia muito bem como lidar com isso, então fui ficando um pouco perdido em definir papéis, cargos, o que cobrar, metas do dia a dia … eu percebi que não estava sendo um bom chefe ou um bom Líder naquele momento. E entendi que talvez fosse melhor deixar as atividades na mão das próprias pessoas”.

O modelo que começou de forma improvisada, há dois anos, foi se estruturando a medida que Matheus buscou no mercado outras experiências semelhantes. Apesar de nesse processo haver uma série de rituais que podem ou não serem descentralizados, na Invenis a decisão foi por radicalizar o fim da hierarquia, tarefa que talvez tenha sido possível porque a startup ainda tem poucos profissionais atuando. 

Para Matheus, um dos desafios nesse modelo é o da tomada de decisão, especialmente diante do fim da estrutura piramidal em que o subordinado pede autorização para um líder e o líder tem de analisar e autorizar para que a execução aconteça. No modelo descentralizado, o poder de decisão está nas mãos de cada um e dentro de sua própria área. Um exemplo: quem cuida do comercial toma decisões relativas a área comercial, não pode se meter a escolher o banco em que a empresa terá conta, pois esta é tarefa do financeiro.

Antes de decidir, a pessoa que identificou um problema que exige uma solução vai se aconselhar com os colegas que podem ser impactados pela medida a ser adotada e buscar a experiência daqueles que passaram por situação semelhante. Todos têm o direito de sugerir mudanças e identificar erros. Após a consulta e de internalizar as sugestões e comentários, a decisão é anunciada para a empresa, de forma transparente.

“A gente tem algumas coisas que ainda são um pouco centralizadas. AS metas a gente centraliza, mas centraliza em todas as pessoas. Então, não são sócios que definem a meta. A gente traz uma sugestão e discute isso com o time”.

Perguntado sob o risco de o crescimento da Invenis inviabilizar a descentralização, Matheus recorreu a história de uma empresa holandesa de homecare. A Buurtzorg iniciou-se por iniciativa de um enfermeiro que criou uma equipe de 12 profissionais para atendimento de saúde nas casas. Hoje, são cerca de 12 mil funcionários que se dividem em núcleos de até 12 enfermeiros que tomam decisões soberanas para fazer o atendimento. Para ele, a ideia de criar núcleos dentro da empresa talvez seja a melhor solução para as organizações que comecem a crescer muito.

Apesar das experiências que podem ser encontradas em diversas partes do mundo, Matheus não acredita que este será o futuro das empresas em curto prazo. Entende, porém, ser um modelo mais adequado para lidar com o mundo complexo que vivemos, que exige mudanças rápidas e sem depender de autorizações. Para introduzir o modelo descentralizado não existe uma “receita de bolo”, mas Matheus sugere que se comece a pensar em alguns processos e rituais que existem na organização, usando-os como um laboratório. Conforme houver a adaptação, migra-se o modelo para outros setores.

Assista ao programa Mundo Corporativo com Matheus Bombig, da Invenis:

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscilla Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: São Sebastião da praça da minha rua

Vera Helena Gasparotti Praxedes

Ouvinte da CBN

Parque Nabuco, no Jardim Jabaquara

Existem coisas que nos emocionam! 

Apareceram na pracinha, em frente da minha casa, algumas mudinhas plantadas de ora-pro-nóbis, cada uma com uma plaquinha as identificando. Há mudas de outras espécies, também. 

A origem daquela obra da natureza, descobri quando fui levar os recicláveis no parque Nabuco, que fica entre o Jabaquara e a Cidade Ademar.

Na volta, vi um senhor passar por trás de um belo carro vermelho com uma enxada nova na mão. Nova sim, porque visualizei o selo.  Fui sem demora perguntar o que ele estava fazendo. 

Qual foi a minha surpresa! Com a enxada, estava capinando ao redor de uma minúscula planta. Começamos a conversar e então o senhor me contou que mora bem longe daqui e na casa dele não tem espaço.  Tem até uma praça por lá, porém arrancam qualquer coisa que por ventura alguém resolva fazer. 

Disse-me o senhor que estava plantando sementes que, com carinho, germinam na casa dele. Até falou que a mudinha de orvalha que por hora capinava ao redor, trouxera a semente de mais longe ainda lá da represa. Falou também que comentou com a esposa que achava que aqui as pessoas não arrancavam o que era plantado. De vez em quando, ele vem fazer limpeza ao redor das mudas porque assim quando a prefeitura vai cortar o mato e limpar a pracinha não as arranca. 

Contou-me que mora lá pra cima, pelas bandas da Montemor. A saber: a rua Rodrigues Montemor fica no bairro de Americanópolis. A pracinha — cenário desta história que compartilho com vocês — se chama Azevedo Antunes, e fica na rua Conde Moreira Lima, no Jardim Jabaquara. O nome dessa doçura é Seu Sebastião. São Sebastião que preserva a cidade!

Vera Helena Praxedes é  personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:  quatro motivos para um rebranding

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“Rebranding seriam aqueles casos em que é preciso fazer um desvio de rota na estratégia vigente do branding. Revisar, refazer, reequacionar” 

Jaime Troiano

Branding é gestão de marca e todas as iniciativas que se adota para que esta ocorra de forma coerente e efetiva. Pela própria terminação (ING), percebe-se que é algo que está sempre acontecendo ou como dizem Jaime Troiano e Cecília Russo é algo vivo — você já deve tê-los ouvido falar sobre isto no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Desta vez, porém, eles  foram além. Convidaram o ouvinte a pensar em rebranding, que é o processo que se inicia com a reflexão sobre as mudanças que devem e podem ser feitas na marca, considerando que muita vezes nem devem nem podem passar por uma transformação.

Para evitar exageros ou precipitações por parte do gestor que, cansado de ver sua própria marca, deseja mudá-la por vontade própria, avalie as quatro razões elencadas por Jaime e Cecília para que efetivamente se realize o rebranding:

  • Desatualizada: quando seu posicionamento não reflete mais quem você é como marca, ou o que você faz; quando a marca está “empoeirada”. Assim, algumas vezes é preciso um rebranding para fazer essa atualização, que permitirá tirar a poeira e oferecer uma visão nova da marca. 
  • Crescimento: hoje, nesse universo em que vemos uma empresa comprando a outra, o crescimento de uma marca muitas vezes exige um rebranding. 

“É preciso atualizar a visão que se tem da empresa, seja porque tem um portfólio maior de produtos ou serviços, seja porque ampliou geograficamente sua atuação”

Cecília Russo
  • Defesa: são os casos em que uma marca é posicionada de forma indesejada pela atuação de um concorrente; ela acaba sendo vista como não gostaria de ser. Torna-se necessário um rebranding para se colocar no lugar onde você acredita que seja seu espaço e não aquele que lhe foi designado pelo concorrente.
  • Evolução: Esse é o caso em que o rebranding não vem para corrigir falhas, mas sim para mostrar que a marca está atenta, não para, está se movimentando. O rebranding vem para trazer esse dinamismo

“Não façam um rebranding precocemente, reflitam sobre esses quatro motivos que trouxemos hoje, para ver se efetivamente ele será necessário para sua marca ou, ao contrário, criará uma confusão na cabeça dos consumidores, não deixando tempo para sedimentar sua identidade”

Jaime Troiano

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo: 

 

Conte Sua História de São Paulo: meu pátio era o Parque da Água Branca

Eliana Succar Assad

Ouvinte CBN

Parque da Água Branca em foto de Wikipedia

Minha infância, até os 11 anos, passei no bairro das Perdizes, na rua Turiassú bem atrás do Parque da Água Branca. Nossa casa dava para os fundos da casa do administrador do parque, e com jeitinho minha mãe pedia se poderíamos atravessar por ali.

Pela casa, em um passe de mágica, o mundo se transformava de rua com ônibus e muito barulho em um paraíso. Saíamos correndo livres para rolar na grama, ribanceira a baixo. Árvores e palmeiras enormes…. na minha imaginação uma floresta. Depois sentávamos nos bancos em volta do imenso picadeiro; e no silêncio, minha mãe abria o livro de historias e passávamos um tempo lá escutando maravilhadas! 

Depois seguíamos para as gaiolas para ver os pássaros e outras de macacos…em seguida os lagos: nos debruçávamos nas grades e os peixes apareciam, grandes e pequenos.

Assim, seguíamos andando pela manhã em direção a saída, mas sem antes dar uma olhada nas antas enormes que dormiam tranquilas; e aí voltamos para almoçar em casa e ir para a escola.

Ao lado, moravam meus avós e tios que nos domingos nos levavam no parque: ah, tudo mudava! Eram exposições agrícolas com tratores enormes  e bois premiados! O cheiro, as pessoas, a pipoca, o algodão doce … tudo mudava. Um mundo de emoções!

Tudo ficou na memória .. 

Depois nos mudamos para outro bairro. Quando minha mãe ficou doente, eu a levei para passear por lá e todas as emoções voltaram para mim e para ela.

Eliana Succar Assad é  personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que as crianças mais admiram nas marcas

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“A principal conclusão dos pesquisadores é algo que já se vem acompanhando há algum tempo, seu enorme poder de influência nas escolhas das famílias”

Cecília Russo

Um amplo estudo realizado na América Latina foi descobrir a influência das crianças no consumo de marcas em diversas áreas e os aspectos que mais chamam atenção deste público. Após ouvir mais de 70 mil crianças, sendo 13 mil aqui no Brasil, além de a a Kids Corp — autora do trabalho — confirmar a tese de que elas convencem os pais e adultos nas escolhas de produtos, também identificou o que mais valorizam nas marcas. Um terço desse público apontou a capacidade dessas empresas de os fazerem felizes; também 30%, das marcas serem capazes de promoverem a diversão; e 26% falam de qualidade.

A maior parte das crianças (80%) se relaciona com as marcas através de plataformas online, o meio quase natural dessa geração, comentaram Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso — o que não significa que as marcas preferidas sejam apenas digitais, como se percebe na lista das dez mais citadas pelo público infantil no Brasil:

Adidas 

Nike

Youtube

All Star

Apple

Disney

Mcdonald ’s

Netflix

Barbie

Coca Cola.

Conheça aqui a lista completa e por catergoria publicada no Meio & Mensagem

“Veja que temos um mix de marcas digitais, como YouTube, Netflix e outras mais novas com marcas centenárias e que começaram no físico, como Coca, Disney e All Star”

Cecília Russo

Uma aspecto importante ao se estudar a relação das crianças com as marcas nos remete a trabalhaos que haviam sido realizados já nos anos de 1980, quando a Procter & Gamble criou o termo POME – Point of Market Entry, ou seja, o ponto de entrada no mercado. Atualmente, crianças e jovens estão começando a consumir e construir preferências cada vez mais cedo: 

“Essas memórias de marcas ficarão registradas de uma forma profunda, relacionadas à infância, etc. Uma vez conquistado esse consumidor, há mais chances dele seguir preservando essa relação”

Jaime Troiano

O alerta dos nossos comentaristas é que as marcas não caiam na tentação de conquistar esse público a qualquer preço. A uma ética que precisa ser respeita e regras bastante claras de como a abordagem pode ou não ser feita, especialmente no Brasil. 

Saiba mais ouvindo aqui o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Mundo Corporativo: Rosângela Angonese vê nas mulheres o antídoto para os líderes tóxicos

Rosângela Angonese. Foto: Priscila Gubiotti

“O líder precisa saber fazer essa escuta e buscar formar um trabalho colaborativo com as pessoas da sua equipe, eu acho que essa é a essência”

Preste atenção como seus colegas chegam ao escritório. Observe o olhar deles e o ânimo que demonstram para iniciar o trabalho. Ouça como se cumprimentam, os comentários que fazem e os diálogos que travam. Aliás, perceba a si mesmo, entenda qual é o seu comportamento no ambiente de trabalho ou meça a sua disposição em sair da cama para iniciar o expediente.  Todos esses aspectos dizem muito sobre como são os líderes da sua empresa, porque é nos colaboradores e profissionais que a forma deles agirem se reflete. Se houver tristeza, olhares sem brilho, baixa autoestima, burburinho de corredor e reclamações na sala do café, tenha certeza, você está diante de uma empresa comandada por líderes tóxicos.

Apostar que os dias desses líderes estão contados é ter muita esperança na sensibilidade dos principais executivos das empresas — aqueles que têm o poder em contratar e demitir. A despeito disso, Rosângela Angonese, especialista em comportamento organizacional, se esforça para demonstrar às empresas o quão deletério é esse modelo de liderança. No programa Mundo Corporativo da CBN, a executiva apresentou algumas das ideias que ela e seu colega Ricardo Neves defendem no livro “O fim da liderança tóxica nas organizações” (Editora Neo21).

Rosângela tem estudado o tema a partir dos movimentos que ocorrem no ambiente organizacional, e quando eu perguntei para ela se já havia sido uma líder tóxica, não titubeou na resposta: sim! E explicou:

“A gente precisa demonstrar as nossas fragilidades e dizer “poxa, eu às vezes ainda sou tóxica assim”, “às vezes ainda eu piso na bola”, “às vezes eu ultrapasso o limite”, mas o o mais legal é quando a gente se dá conta disso, refazer a conversa. Eu acho que isso é uma coisa muito importante”.

Como você leu no primeiro parágrafo, os sinais do tipo de liderança que atua na sua empresa estão expressos no escritório em que você trabalha. O chefe persiste no formato comando e controle e os funcionários absorvem a tese do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Os mais talentosos e corajosos tendem a ir embora e os que ficam carregam no mau humor e desânimo, o que impacta em sua produtividade. Se tudo isso acontece porque esses líderes não mudam suas características ou são mudados pela a empresa? 

“A meu ver, a liderança tóxica, que é aquela que não ouve, também é aquela que não ouve não só as palavras mas não ouve os sinais que estão acontecendo ao seu redor, por exemplo, como que as pessoas estão chegando no trabalho, elas estão trazendo algum problema particular, alguma questão que pode estar interferindo na sua satisfação de estar ali?”.

Os tóxicos não enxergam os sinais nos seus colaboradores nem em si mesmo. Muitos, segundo Rosângela, são incapazes de se perceber dessa forma, de entender que suas emoções estão influenciando na dinâmica e no rendimento da empresa. Apesar disso, a autora acredita que o espaço para esse modelo de liderança está se reduzindo. A começar pela fuga de talentos que tem levado às empresas a abrirem os olhos para a dificuldade em reter esses profissionais mais qualificados. Depois, aqueles que assumem os postos de comando, chegam já entendendo que há um novo comportamento sendo exigido pelas equipes de trabalho. E, finalmente, Rosângela credita às mulheres outro ponto de resistência:

“Um elemento que começa a transformar (o ambiente de trabalho) é a presença de mulheres em postos de liderança. Ela pode vir para o ambiente corporativo liderando, sendo feminina, tendo esse modelo feminino. Eu acho que isso seria um grande ganho para as organizações e para toda essa discussão da transformação do modelo da liderança”.

Aos que tem interesse genuíno de mudar sua forma de agir quando ocupam cargos de chefia, Rosângela sugere que inicie por criar um ambiente colaborativo e entenda que a era do chefe sabe tudo acabou. Ninguém mais consegue ter respostas para todas as questões que surgem ou dominar o conhecimento por completo. Para promover a inovação, as empresas precisam de múltiplos conhecimentos e isto vem de diferentes ideias e pensamentos: 

“O papel do novo líder é cuidar de gente, apoiar as pessoas, mandar menos e ouvir mais, e buscar criar um ambiente de colaboração”.

Para saber mais sobre o livro “O fim das lideranças tóxicas nas empresas” e entender as novas expectativas para as relações de trabalho, assista à entrevista completa com Rosângela Angonese, no Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem as participações de Rafael Furugen, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Renato Barcellos.

Conte Sua História de São Paulo: suas margens refletem a inteligência e a hipocrisia humana

Francisco Costa

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Em uma manhã de primavera onde a névoa ainda úmida e fria, sobre ti marginal, passeio nesse tapete negro que me leva e me  traz.

Sobre a sua margem direita, observo a inteligência dos homens refletida na arquitetura moderna, nos prédios que nascem rompendo o horizonte

Sobre a sua margem esquerda, em um resquício de natureza, a vida tenta superar ela mesma e reflete a hipocrisia humana, sobre um rio que agoniza e pede socorro.

Oh rio! Quem dera que os homens modernos pudessem olhar para ti com o olhar do criador, aquele que majestosamamente te criou.

Francisco Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: jingle bom é como chiclete e não esconde a marca

Imagem do comercial da Casas Pernambucana (reprodução Youtube)

“Se nós somos assim (musicais), seria muito difícil as marcas e sua comunicação não se encontrarem com música também”

Jaime Troiano

O Brasil sempre foi um país musical por excelência. A mistura de nossas heranças portuguesas, africanas e indígenas criou um sincretismo religioso, alimentar e comportamental muito especial, único no mundo. Uma riqueza que se revela na música que nos acompanha desde o início. Com todo esse histórico seria de se estranhar se as marcas não bebessem também dessa fonte. O resultado é que cada brasileiro tem em mente ao menos um jingle inesquecível.  

“Nossa cultura musical é muito forte e as marcas sabem se servir disso”

Cecília Russo

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo além de cantarolarem alguns desses refrões e mexer com nossa memória afetiva, também comentaram sobre os cuidados que as marcas devem ter ao explorar esse recurso:

“Quantas vezes a gente fala “eu vi um comercial lindo”,  mas não lembra  a marca “. 

Jaime Troiano

O talento está em fazer um jingle que conquiste o consumidor sem esconder a marca. Uma tarefa que não é fácil e apenas alguns artistas sabem fazer bem feito. Caso de Heitor Carillo criador de “Não adianta bater”, música do início dos anos de 1960, que anunciava as ofertas das Casas Pernambucanas:  

“Quem bate?
É o friiiio….
Não adianta bater, que eu não deixo você entrar. Nas Casas Pernambucanas, é que eu vou aquecer o meu lar. Vou comprar flanelas, lãs e cobertores, eu vou comprar. Nas Casas Pernambucanas, nem vou sentir o inverno passar.” 

O nosso maestro Paschoal Junior resgatou esse e outros jingles que ficaram famosos ao longo do tempo e foram lembrados por Jaime e Cecília no bate-papo matinal de sábado, no Jornal da CBN. Você pode ouvi-los no arquivo de áudio publicado a seguir. Antes, fica a recomendação dos nossos comentaristas:

“Jingle é como chiclete, gruda mesmo. Se você, empreendedor ou  que tem um pequeno ou médio negócio, se puder use esse recurso para sua marca”

Jaime Troiano