Conte Sua História de São Paulo: o presente que ganhei do Papai Noel

Sergio Slak

Ouvinte CBN

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Tenho 64 anos, moro no bairro de Moema e nasci em São Paulo Um fato marcante na minha história com a cidade, ocorreu no mês de dezembro de 1962. Estava com cinco anos. Minha casa era na Vila Ema, na zona leste. Meus pais me arrumaram para ir comprar presentes de Natal no centro da cidade

Na viagem de ônibus, meu coração batia acelerado. Quando chegamos ao centro já era noite. Meus pais me segurando pelas mãos e eu olhando fascinado para os luminosos das lojas. As luzes coloridas que piscavam incessantemente hipnotizavam o meu olhar. Estavam cheias e eu me senti contagiado pelo clima festivo.

Escolhi o meu presente e meus pais escolheram os que iriam ofertar aos meus primos Estranhei quando ao chegar em casa eles guardaram os presentes e eu perguntei se poderia abrir o meu. Alegaram que aqueles eram dos meus primos e o meu o Papai Noel traria na noite de Natal.

Na doçura da minha infância, aceitei o argumento e aguardei ansiosamente a noite de Natal. Chegou o grande dia e ao receber o presente que o Papai Noel trouxe, abri e comecei a brincar. Logo me veio a mente a maravilhosa noite em que estivemos no centro; foi quando iniciei minha paixão pela maravilhosa cidade de São Paulo

Sérgio Slak é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: aluga-se tudo 

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“Vale estudar um pouco seu mercado e avaliar se há uma oportunidade dentro da economia compartilhada”

Jaime Troiano

De casa a carro, de roupa a lava-roupa. Aluga-se de tudo e um pouco mais em um sistema bastante antigo que ganhou roupagem nova com o conceito da economia compartilhada. Diante da era da escassez, tomar por empréstimo alguma coisa faz sentido além de tornar acessíveis bens que seriam financeiramente inviáveis. Com isso, surgiram oportunidades para que as marcas construam nova imagem frente ao consumidor.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo revelou seu otimismo com o sistema de aluguel que, além de estar se expandindo aos mais diversos setores da economia, têm surgido de forma renovada em segmentos onde o modelo já existia, como o de automóveis. Se no passado alugava-se carros por dias ou semanas —- e necessariamente em agências especializadas —, hoje é bastante comum, o aluguel por hora e de veículos que estão estacionados nos mais diversos pontos da cidade.

“Vejo que a modalidade do aluguel tem muito espaço para crescer e muitas marcas novas poderão surgir nessa tendência”

Cecília Russo

A economia compartilhada democratiza o uso de produtos e serviços assim como reduz o impacto no meio ambiente. No caso de carros, por exemplo, troca-se a lógica de um carro por pessoa para um mesmo carro para várias pessoas. 

A consolidação deste modelo passa pelo amadurecimento do consumidor que vê com menos preconceito a possibilidade de dividir produtos com outras pessoas e se desprende da ideia de posse. As vantagens são muitas, como relacionou Jaime Troiano:

  1. Comodidade: locar um carro, por exemplo, alivia o consumidor de várias tarefas. Já vem com seguro, não tem de pagar IPVA e a manutenção é desnecessária. Se houver algum problema, devolve e troca de carro. 
  2. Variedade: alugar roupas é ter um armário ilimitado, com todas as cores, modelos e estilos disponíveis sem lotar o seu armário em casa.
  3. Acesso: aluguel, é óbvio, custa bem menos do que comprar um bem, na maior parte dos casos. Dessa forma, pode-se ter acesso a uma bolsa de uma grife para usar no fim de semana, sem desembolsar o valor de uma compra.

Queremos ouvir a sua opinião:

O que você pensa sobre a locação dos mais diversos produtos? 

Qual foi a sua experiência nessa área? 

Que oportunidades você vê para o seu negócio?

Para saber mais sobre o mercado de aluguel e como as marcas devem aproveitar essas oportunidades, ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. 

Mundo Corporativo: Alessandro Saad ensina os 5 passos da metodologia do empreendedor compulsivo

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“Erre pequeno, aprenda rápido e cresça consistentemente”. 

Alessandro Saade, empreendedor

Buscar uma solução sempre que deparar com um problema, e ter uma sensibilidade aguçada para tudo aquilo que está no seu entorno, percebendo que algo pode ser melhorado e, portanto, podemos estar diante de uma oportunidade de negócios. Essas são algumas das características de um empreendedor compulsivo, expressão que Alessandro Saade explora tanto para enaltecer aqueles que têm disposição para ‘fazer acontecer’ como para alertá-los dos riscos que correm no instante que decidem fazer tudo junto e ao mesmo tempo. 

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Alessandro sinaliza que ao analisar o comportamento do empreendedor compulsivo está, de verdade, se olhando no espelho. Chegou a ter cinco empresas ao mesmo tempo, estudou no exterior, ensinou no Brasil e, um dia, teve de vender a casa da família para pagar as contas. Formado em Administração de Empresas e mestre em Comunicação e Mercados, Alessandro especializou-se em empreendedorismo pela Babson College e em Inovação por Berkeley. Hoje, é professor em pós-gradução na ESPM, FIA e BSP, superintendente executivo do ESPRO – Ensino Social Profissionalizante e autor de uma série de livros sobre empreendedorismo. Ou seja, também é um educador compulsivo:

“A maneira de compensar a minha compulsão (pelo empreendedorismo) foi ajudando as outras pessoas a montarem as suas próprias empresas, compartilhando as minhas cicatrizes”.

Errar — ou as cicatrizes que esses erros deixam — faz parte da jornada do empreendedor. Para Alessandro, o erro é um grande aprendizado que não pode ser desperdiçado. Sempre que se identifica uma falha no projeto, na execução das tarefas ou na gestão do negócio deve-se aproveitar aquela lição, entender o que aconteceu, ajustar a rota e seguir a diante, sabendo que, talvez ali na frente, um novo erro ocorra. 

“Se você erra e só, eu acho que não faz muito sentido, mas se você consegue sair daquela situação e seguir em frente, vale à pena compartilhar com os outros.  Não não para falar assim: “olha como eu sou bacana”. É, principalmente, dizer “não vai por ali não!”. Talvez você ganhará seis meses, um ano não é indo por aquele caminho. Talvez você economize dezenas ou centenas de milhares de reais”. 

A longo dos estudos, Alessandro criou metodologia própria para colaborar com os empreendedores compulsivos como ele. São cinco etapas que se iniciam com o “você”, que é o momento que devemos entender se temos as competências necessárias para montar o negócio, se precisamos trazer outras pessoas nas áreas que somos mais vulneráveis, se é melhor buscarmos um sócio ou se podemos aprender aquilo que nos falta. 

A segunda etapa do método é a “modelagem do negócio”. Neste momento, devemos imaginar, por exemplo, se o produto ou serviço será vendido através do comércio eletrônico, em uma loja física, no porta a porta ou em todos esses canais. Pense se será necessário fazer estoque, qual o tamanho da produção e de que maneira pretende cobrar, entre outras coisas essenciais para o negócio.

No terceiro momento, temos o “plano de ação”. Aqui precisamos responder a questões como o tempo para viabilizar o negócio, quais os equipamentos, quanto de dinheiro e qual o tamanho da equipe que teremos de formar.

Na quarta etapa definimos os “indicadores de gestão”, fundamentais para entendermos se os negócios estão seguindo o caminho desejado ou precisaremos fazer alguma mudança de direção. Coloque na lista de indicadores, por exemplo, o faturamento, a margem de lucro, a felicidade dos colaboradores ou a presença em redes sociais. Crie indicadores que façam sentido para o seu empreendimento. 

A quinta etapa é o que Alessandro Saad chama de a “Casa da Bruxa” — uma referência ao jogo do tabuleiro em que ao cair na Casa da Bruxa, você volta ao ponto de partida. A tal casa tem nome mais bonito na metodologia do empreendedor compulsivo: “desenho de futuro”. É quando se analisa para onde o mercado está indo e se algo está para surgir que exigirá mudanças no seu negócio. Coisas como troca dos canais de venda, aceitar diferentes formas de pagamento e prazos e se há necessidade de mexer no produto ou o serviço oferecido. A sugestão de Alessandro é que a cada seis meses se revisite a “Casa das Bruxas”. 

“Não tenha medo de mudar, você tá indo nessa direção, você percebeu que se for um pouquinho mais para cá é melhor, tenta! A gente brinca: erre pequeno, aprenda rápido e cresça consistentemente. Tá dando errado, testa de novo. Tenta de novo até dar certo, mas pequeno. Não espera montar um negócio grande, estruturado para errar”.

Alessandro exalta o erro mas não esquece dos acertos. Para ele precisamos valorizar o esforço que fizemos na construção do negócio até o erro surgir. Todo esse período anterior, lembra nosso entrevistado, foi feito de acertos que devem ser considerados. Isso, no mínimo, diminui nossa frustração diante do resultado não alcançado, mas também nos ajuda a recomeçar, sem a necessidade de jogar fora tudo aquilo que foi feito até então.

Um último recado aos compulsivos:

“Se apaixonar pela ideia e tentar protegê-la é uma maneira certa de não dar certo. Você não tem que se apaixonar pela ideia, você tem que se apaixonar pela solução do problema. No empreendedorismo, a gente fala de qual dor a gente resolve”

Eu disse que era o último recado, mas é o último aqui no texto porque na entrevista que está disponível na sequência tem várias outras lições e sugestões de Alessandro Saad que ajudarão você a montar o seu próprio negócio.

Bom empreendimento!

Conte Sua História de São Paulo: minha transição de vida na correria da cidade

Takeo Genda

Ouvinte da CBN

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São Paulo é mesmo uma correria.

Nasci no bairro do Imirim no corpo de menina e ainda pequenina, nada entendia. E morria de medo do bicho papão, do bêbado e do homem do saco que pegava as criancinhas.

Cresci um tiquinho e corria com os meninos da rua atrás da bola, da pipa e da minha mãe que queria que eu fosse menina.

No Imirim, entrei na escola e, no pré-primário, corria pra lá e pra cá no recreio; no ginásio, corria dos meninos e no colegial, corria atrás das meninas e, então, fui expulso porque era diferente. E corri de novo da minha mãe que não entendia que eu não era uma menina.

Comecei a trabalhar e logo a fumar. Minha mãe então me pôs pra correr. Fui morar com meu pai, mas não foi nada agradável esse reencontro, pois há anos ele não via sua filha que agora era um filho e tive que correr de lá.

Foi então que decidi correr atrás da minha vida que ficou muito corrida, pois tive que correr atrás de vários trabalhos, dos ônibus, a pé, de vários preconceituosos, das policias nas ruas, de moradias, de direitos, de namoradas ciumentas… Corri pro Lauzane Paulista, pro Ipiranga, pra Santa Cecília e Vila Buarque.

Corri, não morri, venci e hoje estou aqui um senhor aposentado, respeitado por todos, comemorando com São Paulo que acompanhou toda minha transição!

Takeo Genda, 59 anos, homem trans, funcionário público municipal , aposentado, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto,  envie para contesuahistoria@cbn.com.br e vamos comemorar os 469 anos da cidade. Para conhecer outros capítulos, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que pensam os brasileiros sobre a publicidade

Imagem de StockSnap por Pixabay 

“Só marcas que conhecem pessoas conseguem criar relacionamentos duradouros. Isso para a publicidade é fundamental porque só assim consegue-se criar algo que tenha pertinência ao público”.

Jaime Troiano

O Brasil é destaque frequente nos festivais mundiais de publicidade e essa qualidade é reconhecida pelo público, como se percebe nos resultados de pesquisa realizada pela Globo e publicada no portal Gente. Foi de lá, que Jaime Troiano e Cecília Russo extraíram dados para refletir sobre a influência da propaganda no público e, por consequência, na formação das marcas. De acordo com o estudo, 78% dos brasileiros consomem vídeo diariamente —- seja na TV ou streaming —- e são multi-telas. Não bastasse esse alto volume de consumo, 70% dizem prestar atenção aos conteúdos publicitários veiculados nesses espaços — um avanço de 10 pontos percentuais em relação ao resultado alcançado em trabalho semelhante há três anos. 

“Também é interessante ver que a razão para esse engajamento é a qualidade da publicidade brasileira. Aliás, comparando com dados globais, a publicidade brasileira é associada de forma bem mais expressiva como de melhor qualidade.”

Cecília Russo

Um engajamento que pode ser medido pelo interesse que a publicidade gera no consumo da marca: 77% declaram que foram em busca de informações sobre o produto ou o serviço anunciado, o que, segundo Jaime, mostra a credibilidade que a publicidade tem e o impacto que exerce no comportamento do público. 

“E ainda vemos um caráter pedagógico nas propagandas, já que 68% afirmam que ver propagandas os ajudam a conhecer mais sobre produtos ou serviços e 62% afirmam que é por lá que se atualizam sobre novidades das marcas”

Jaime Troiano

Um aspecto ressaltado por Jaime e Cecília é que muitos dos dados coletados mostram que a publicidade é cada vez mais efetiva quando existe adequação entre a mensagem publicitária e o perfil do consumidor. E respeito à inteligência dele.

A pergunta que Cecília deixa para os ouvinte é se temos nessa relação publicidade e público o efeito ovo e galinha: a nossa publicidade é de alto nível e os consumidores mostram níveis de engajamento bastante alto com elas ou é o contrário, o alto engajamento dos consumidores pressiona as marcas para trazerem cada vez mais qualidade para seus comerciais?

Enquanto você pensa na melhor resposta, ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Mundo Corporativo: Gustavo Narciso, do Instituto C&A, diz como os ativistas corporativos transformam empresas

“A gente traz pra pra lógica da empresa as discussões sociais a gente traz pra lógica da empresa as inquietudes da sociedade”.

Gustavo Narciso, C&A
Trabalho voluntário com empreendedorismo social Foto: divulgação C&A

Queria ser jornalista, os pais preferiam que fosse doutor, formou-se engenheiro bioquímico e, hoje, se apresenta como ativista corporativo, apesar de, formalmente, ser diretor-executivo do Instituo C&A. Gustavo Narciso, entrevistado do Mundo Corporativo da CBN, aproveitou-se de sua história de vida para ilustrar o tema central de nossa conversa: a importância da diversidade nas empresas. Sim, voltamos a esse assunto — que havia sido tratado na semana passada, com Eduardo Migliano, da 99Jobs.com, e em outros episódios do programa —  devido a sua relevância e, como percebi em comentários deixados em publicações anteriores, da intolerância que é resistente.

Foi quando chegou à C&A, antes de assumir o cargo executivo no instituto, que Gustavo encontrou espaço para expressar sua identidade. Na consultoria em que atuava anteriormente era o único negro no escritório, situação que, segundo ele, causava estranheza, em especial diante dos clientes, pois não tinha o perfil que eles esperavam. Quando migrou para o setor de varejo, dividiu lugar com outros negros e, especialmente, foi quando se encorajou a assumir para seus pares de que era homossexual:

“Era uma outra questão que eu escondia. E gastava muita energia para esconder isso. Então, eu encontrei um ambiente um pouco mais inclusivo e  isso permitiu com que eu me desenvolvesse, com que eu criasse mais vínculo com as pessoas e isso fez com que minha carreira deslanchasse”.

A partir daquele momento, Gustavo conheceu outros ativistas corporativos que falavam sobre o tema da diversidade e inclusão no mercado de trabalho; e isso o inspirou a sugerir a criação do comitê de diversidade na C&A, o qual liderou, a partir de 2017. Uma de suas tarefas foi entender como conectar as discussões sociais e as inquietudes da sociedade com a dinâmica do negócio. Uma rede de varejo como a C&A atende cerca de 1 milhão de clientes diariamente, em todo o Brasil, portanto, perceber se a atenção oferecida a pessoas com deficiência está a altura da necessidade delas, se os consumidores são valorizados pela intenção de compra que têm ou se o respeito é igualitário no serviço prestado, têm um impacto enorme na sociedade. 

Uma das mudanças propostas por Gustavo foi redirecionar o trabalho voluntário que os cerca de 16 mil funcionários são incentivados a realizar — com dias de trabalho que podem ser dedicados a essas ações. Em lugar de atuar nos programas voltados à educação das crianças —- o que ocorria até então — decidiram focar no tema do empreendedorismo social para mulheres em situação de vulnerabilidade, aproveitando a expertise da C&A na área do varejo:

“Criamos uma oficina de costura no meio da Cracolândia, em São Paulo, com coletivo de mulheres dependentes químicas que produzem brindes corporativo e outros itens de moda, para gerar renda. Além disso, elas têm atendimento psicossocial com a intenção de tirá-las da situação de rua e da dependência química”.

Outra medida de impacto foi incentivar a moda autoral brasileira conectando empreendedores LGBTQIA+ e periféricos com o negócio da C&A e oferecendo espaço em seu marketplace, com isenção de taxas e contratos competitivos, dando-lhes acesso ao mercado de consumo. 

Mesmo que tenha encontrado um ambiente que lhe permitiu se expressar e se desenvolver profissionalmente, Gustavo diz que há muitos desafios a serem vencidos no tema da diversidade e inclusão dentro da C&A. Apesar de haver na empresa um número considerável de negros, ele é o único a ocupar cargo executivo. A ideia é incentivar novos líderes negros para assumirem outras áreas. Assim como proporcionar oportunidades a mulheres que atualmente estão em cargos de média gestão a ascenderem na hierarquia do grupo. Avançar na inclusão de pessoas transgêneras e com deficiência é o que Gilberto identifica como “desafio gigantesco”. 

No programa Mundo Corporativo, Gustavo Narciso trouxe outros exemplos de projetos em desenvolvimento no instituto visando a inclusão, abordou o conceito do aquilombamento e respondeu a dúvidas de ouvintes. Assista à entrevista completa:

O Mundo Corporativo tem a participação de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Conte Sua História de São Paulo: remadas e lições memoráveis na raia olímpica da USP

Candido Leonelli

Ouvinte CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Candido Leonelli, escrito originalmente em 2007, ao completar 60 anos. Hoje, aos 75 anos, Candido concluiu o curso de medicina:

Ontem, no meu aniversário de 60 anos, jantei com a família com direito a presença de quatro gerações: meus pais, filhos e netos. Coincidentemente neste mesmo dia, se completaram 50 anos de Brasil, onde cheguei como filho de imigrante. Minha nova pátria que tudo me ofereceu e onde nossa família se fixou e realizou. Até mesmo a cidadania, por vocação e opção.

Ainda no início da década de 1970 como condição para participar de campeonatos brasileiros de remo e na expectativa de ser convocado pelo Buck, para a seleção, me naturalizei brasileiro. Com direito, dado o porte físico, a ser “ameaçado” de servir na PE. Por ser casado e ter filho, fui dispensado.

Completam-se também 40 anos de remo, praticado de forma ininterrupta. Isto tudo merecia um bom vinho e uma agradável noite, não característica de alguém que acorda às quatro da manhã todos os dias. Assim, ao me deitar, mudei o despertador para às cinco, já planejando um treino mais curto, antes de ir trabalhar no dia seguinte. O Prosecco deve ter sido o responsável por esquecer que hoje quinta-feira seria o primeiro dia de treinamento, combinado anteriormente com o Nadim Thomé no “meu horário”, que ele só aceita por causa da minha intransigência e de seu altruísmo. É o nosso ‘double F’ para Zagreb.

O organismo não esperou o despertador, às quatro acordei com gosto de cabo de guarda chuva na boca, vontade de urinar, que o desenvolvimento natural com a idade da próstata, não ajuda, portanto, retardei em apenas meia hora minha chegada na raia. Ao descer do carro, chuva forte!

Decidir: ficar na raia e tentar partilhar os poucos recursos  — remo ergômetro, e barco escola/tanque — disponíveis, no seco. Ou, voltar para casa e treinar no próprio equipamento. Fiquei na raia.

No vestiário, fazendo meus alongamentos/abdominais diários, obrigatórios de quem operou a coluna, percebi que a chuva já era torrencial. Fé na Teoria de Caetano Nº 2, moldada para responder à famosa pergunta dos amigos leigos: “Você vai remar todos os dias? E quando chove?”. Enunciado: “nunca chove na hora do treino”, o que já me custou muitas saídas da água, totalmente encharcado.

Fui ao barracão do Pinheiros e no caminho observei que todos se preparavam para usar os tanques/barco escola, remo ergômetros e aparelhos para pesos. Peguei o meu skiff e me dirigi, sob olhares atônitos de neófitos remadores para o pontão. Neste momento o Thomé me aguardava estranhando o atraso, reclamando do horário, mas como conversava com nosso técnico na sala do computador, atrás dos armários, não nos vimos.

A teoria se concretizou, iniciou-se um pequeno período de estiagem, que me incentivou a ir para a água. Durou uns poucos minutos e a chuva recomeçou. Nessas ocasiões procuro me manter próximo à margem, pois como bom engenheiro eletrônico, conheço o princípio do “poder das pontas”, para atrair descargas elétricas e que a área de “proteção” é um cone cuja base tem o diâmetro igual à altura.

Nos retornos o conselho é manobrar rapidinho e voltar para a proteção das margens. Bom, lá estava eu no skiff tomando uma “bela” chuva. Os sons internos da raia eram o barulho das manilhas de halteres que remadores de Paulistano, Pinheiros, USP, Corinthians e Bandeirante usavam para aumentar sua força, substituindo o treinamento na água. Externamente o “chiado” de caminhões em alta velocidade na molhada pista da marginal. E no meio disto tudo, eu gozando de uma prerrogativa, que me pareceu um presente, do tipo: o universo conspirou para fazer acontecer!!! A raia olímpica da USP  só para mim.

Durante um treino preguiçoso entre chuvas e estiagens, de 12Km pude aproveitar este oásis incrustado na grande e agressiva metrópole, só para mim.

Na verdade, sem as marolas das lanchas dos técnicos ou a água “batida” de todos os outros barcos, quando com eles dividimos a raia, pois com o passar dos anos, até as “meninas” já são mais velozes, nos obrigando a “dar passagem” e depois equilibrar o skiff sobre a água “mexida”.

A madrugada, fria, chuvosa, foi na verdade uma oportunidade única de sentir, vivenciar esta experiência de ao 60 anos poder aproveitar mais uma hora de puro prazer.

Venho, aliás, insistindo que, nós nesta fase, já não me considero Máster, talvez PHD, devemos agradecer esta dádiva divina, que é a prática de nosso esporte diariamente.Insistimos em competir e nos medir, comparar com outros privilegiados que como nós desfrutam deste privilégio.

Só o fato de lá estarmos nos coloca no universo dos executivos, empresários, funcionários, pais de família de mesma idade e que não praticam com regularidade esportes, em situação extremamente bafejada de sorte, alegria, prazer e saúde. Enfim o Caetano, que alguns ainda chamam o Velho do Rio, remanescente da época em que se remava no Rio Tietê, foi o hoje o Velho da Raia.

A sensação de ocupar este espaço nesta manhã foi muito reconfortante, a exclusividade que me foi proporcionada, completou os festejos de datas tão importantes, fixou em minha memória uma “experiência”, talvez egoísta, mas inesquecível. Um dia que prometia iniciar, com ressaca interna e externa, chuva, vento e frio foi se transformando em uma manhã agradável, intensa de sensações positivas e que permitiu que mais uma jornada de trabalho tivesse continuidade com a disposição e entusiasmo que só uma boa remada pode proporcionar.

Candido ( Caetano ) Leonelli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto,  envie para contesuahistoria@cbn.com.br e vamos comemorar os 469 anos da cidade. Para conhecer outros capítulos, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cinco tendências do design de marcas

“Design é parte do branding, mas branding não é só design”

Cecília Russo

 

As letras mais finas e um tom de azul mais elegante, se aproximando do azul marinho, redesenharam uma das marcas mais longevas e tradicionais de automóvel do mundo, a VolksWagen. A mudança, anunciada em setembro de 2019, chegou aos novos modelos de carro em 2020, e vai ao encontro de uma das tendências de design de marcas: a “simplicidade renovada”.

Outra linha que os gestores de marcas têm adotado é a do “retrô moderno”, que pode ser percebida na nova identidade visual do Burger King que, desde 2021, trouxe de volta elementos usados nos anos de 1960, mexeu em sua paleta de cores e se apresenta com soluções mais minimalistas, além de nostálgicas.

Os dois exemplos foram apresentados por Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, para ilustrar algumas das tendências em design que tinham sido identificadas por Izzy Bunell, fundadora do estúdio de design e branding Friendhood Studio. Considerada uma das maiores especialistas no tema, Izzy publicou estudo em que relacionou as grandes tendências nesta arte de desenvolver a grafia das marcas.

Vamos a cinco dessas tendências:

Simplicidade renovada: remoção de gradientes e efeitos 3D para facilitar sua aplicação em diferentes locais, em especial no mundo digital 

Retrô moderno: fontes serifadas e grandes marcas revisitando logos históricos e trazendo uma visão atualizada do que era antigo.

Flexibilidade: logotipos que mudam de cor e estilo, mas permanecem reconhecíveis. 

Marcas nominativas: logos que focam na tipografia, talvez para deixar o nome da marca mais claro. 

Animações: logotipos dinâmicos que pertencem à esfera digital.

As tendências de design são um bom norte para revisar como as marcas estão se apresentando visualmente e ajudam os gestores a refletirem sobre a necessidade de fazerem mudanças. Jaime e Cecília, porém, alertam para dois fatos. Primeiro, ninguém deve ser refém dessas tendências; segundo, mudanças e atualizações na identidade visual não são para serem feitas todos os anos. 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso  em que Jaime Troiano e Cecília Russo trazem outros exemplos de marcas que renovaram sua identidade:

Mundo Corporativo: Eduardo Migliano, da 99Jobs.com, quer capacitar até 10 mil jovens negros a cargos de liderança

“Quem de fato tem que atuar de forma mais efetiva são as pessoas brancas. Se você nunca se perguntou a respeito, comece a se perguntar; se você ainda não entende o motivo pelo qual esse é um tema, que ele é caro para a sociedade brasileira hoje, comece a se perguntar”.

Eduardo Migliano, 99Jobs.com

Mudar o mundo ajudando as pessoas brancas a fazerem o que amam. Imagine o escândalo que seria uma empresa adotar publicamente esse propósito. Pois foi essa proposta que Eduardo Migliano, empreendedor por criação e um ‘revolucionário’ por opção, fez aos colaboradores da plataforma de recursos humanos criada por ele e um sócio, em 2013. Após alguns anos de atuação e percebendo que o seu negócio pouco ajudava na colocação de negros no mercado de trabalho, Eduardo chamou toda a equipe e decidiu dar um chacoalhão na turma. 

Ao reescrever o propósito da empresa que até então era ‘mudar o mundo ajudando as pessoas (qualquer pessoa) a fazer o que amam’, Eduardo conseguiu seu objetivo. Abrir o olho do seu time para o papel que estava se prestando ao não atuar de forma proativa para ajudar pessoas negras a se desenvolverem profissionalmente. A partir desse movimento, ideias surgiram e medidas transformadoras foram adotadas.

No programa Mundo Corporativo da CBN, Eduardo Migliano, CEO e cofundador da jobs99.com (não confunda com a 99 que transporta passageiros), lembrou que foi a plataforma quem atuou ao lado do Magazine Luiza no recrutamento exclusivo de jovens negros, em 2020 — programa que teve enorme repercussão e causou muitas críticas de setores conservadores da sociedade brasileira. Prova de que a luta anti-racista é árdua. 

Eduardo apresentou, durante a entrevista, o novo projeto que a 99Jobs.com está engajada: promover 3 mil jovens negros a cargos de liderança, até 2030. Para isso, está no ar com o programa ’10.000 Trainees Negros’, que tem como objetivo capacitar os talentos negros em temas como racismo estrutural e democracia racial assim como em gestão e tecnologia. Faz parte de parceria firmada com a ONU na qual a plataforma brasileira de recursos humanos se transforma em embaixadora do Pacto Global das Nações Unidas no Movimento Raça é Prioridade.

Diante de tudo que você leu até aqui, era de se esperar que Eduardo Migliano fosse um líder negro atuando em defesa dos próprios negros. Quando você der uma espiada no vídeo da entrevista do Mundo Corporativo perceberá que não é bem assim. Eduardo é apenas um líder que decidiu transgredir a ordem e usar dos privilégios que teve na vida para criar oportunidade àqueles que tendem a ‘desaparecer’ no mercado de trabalho. Uma missão que, segundo ele, tem de ser assumida pelos brancos.

“Quando a gente olha para as organizações a gente vê apenas um público crescendo. É só você entrar na Faria Lima ou em qualquer rua que seja um polo empresarial e ver quem está entrando pela porta da frente. Essas pessoas têm uma cor. Isso está errado. Quando a gente fala de Brasil, 56% das pessoas são negras e pardas”.

Uma preocupação no programa desenvolvido é que os negros não sirvam apenas para ocupar cargos de liderança, por exemplo, na área de diversidade e inclusão —- sem nenhum desprezo a essa área, chamada de ‘biodegradável’ por Eduardo. Há necessidade que eles sejam capacitados para atuar em todos os setores da empresa. Eduardo explica que o risco que se tem é que um negro que ocupe uma função na área de marketing acabe sendo deslocado para a de diversidade — e a vaga anterior dele seja preenchida por um branco. 

“A gente provoca é para que as pessoas negras de alguma forma coloquem em seus contratos de entrada nas organizações que quando ela sair dessas cadeiras a pessoa que vai sentar no lugar dela também vai ser uma pessoa negra porque assim você vai trazendo legado”.

Para saber como participar do programa de desenvolvimento profissional de jovens negros, entender a importância de você se engajar nessa luta e aprender um pouco mais sobre os benefícios que as empresas e a sociedade têm a partir da ampliação das vagas para o público negro e pardo, assista à entrevista completa com Eduardo Migliano, CEO da 99Jobs,com.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: ser paulistano é um traço de personalidade

Luisa Shida 

Ouvinte da CBN

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Texto escrito originalmente em inglês e traduzido por conta e risco deste narrador

Os departamentos de linguística e literatura consideram o português uma língua romântica por causa de suas raízes latinas, ao lado de outras como espanhol, francês e italiano. Eu, no entanto — e sinta-se livre para me chamar de romântica incorrigível depois disso —, acredito que ela seja digna deste título porque é verdadeiramente uma linguagem de amor. Fomenta uma miríade de palavras e expressões que, por mais simples que sejam em português, não podem ser traduzidas para nenhuma outra linguagem sem perder sua expressividade e emoção únicas.

É o caso de algumas das minhas favoritas como “cafuné” (passar os dedos pelos cabelos) ou “xodó” (uma forma afetiva de se referir a um ente querido). O melhor exemplo, de longe, é o substantivo saudade. Embora expresse o tão comum, e talvez mais comum do que possivelmente gostaria, sentimento de melancolia experimentado depois de perder alguém ou alguma coisa, não pode ser fielmente traduzido em um substantivo em outro idioma.

O fato de a saudade ser essencialmente intraduzível em sua intensidade significa que nunca consegui expressar verdadeiramente como me sentia — e ainda me sinto – quando vim estudar nos Estados Unidos. Desde o segundo em que entrei naquele avião em 28 de julho de 2021, comecei a sentir uma saudade que eu nunca tinha sentido antes.

Eu amo minha cidade natal com todo meu coração, na medida em que eu considero ser paulistano um traço de personalidade.

Crescer na maior, mais vibrante e cosmopolita cidade do Brasil teve um aspecto definidor na minha vida. Eu conheci pessoas de todo o mundo desde pequena, aprendi a andar do meu jeito por uma selva de concreto e respirar história em cada rua.

Se você me perguntasse há três anos se eu me veria sair de São Paulo para estudar no exterior, você receberia um duro “não” como resposta; quanto mais deixar o Brasil por completo. Mas oportunidades imperdíveis surgiram, e lá me encontrei em um avião de olhos vermelhos para Boston.

Primeiro, senti falta das luzes da cidade. São Paulo foi o centro do processo de industrialização e urbanização do Brasil, que explodiu por volta da década de 1950. Isso significa que as noites paulistanas são claras e animadas nas partes mais privilegiadas. Porque o sistema público de distribuição de luz ainda é permeado pela desigualdade, com bairros densamente povoados e periféricos, sendo mantidos no escuro.

Então, eu perdi os edifícios. Caminhando pelas milhas  e milhas de Boston e quilômetros de tijolos vermelhos e três andares, eu ansiava pelo contraste entre arranha-céus de nuvens e as neogóticas centenárias catedrais entre as quais cresci.  São Paulo foi fundada como um assentamento jesuíta, então suas igrejas e antigos edifícios são incomparáveis. Abrigam 468 anos de história: as influências coloniais da Igreja Católica, especialmente no que diz respeito à sua missão de catequizar as comunidades indígenas; o impacto de uma próspera economia, nos séculos 19 e 20; os efeitos da imigração na sociedade brasileira, entre muitos outros acontecimentos do passado e do presente do país.

O que eu definitivamente mais senti falta foram as pessoas. Nós brasileiros somos abraçadores, beijadores, risonhos, cantores, dançarinos, amantes, falantes, lutadores, sobreviventes, perdedores. 

O que eu amo mais sobre a ideia de saudade é que não é um sentimento negativo: sentir falta de alguém ou algo mostra que você experimentou uma situação tão positivamente intensa, com tais emoções fortes, que vai ficar com você por toda a sua vida. 

Sentimos tanta falta — a ponto de ter uma palavra tão específica para isso — precisamente porque amamos tão profundamente. Nós amamos nosso país, nossas cidades, nossa história, apesar e por causa de seus dramas.

Não posso reclamar da minha vida nos Estados Unidos nem as oportunidades que me foram dadas, mas a saudade só fica maior; deixar esse amor para trás nunca é fácil. O tipo de amor que só existe em português. 

Luísa Shida é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto,  envie para contesuahistoria@cbn.com.br e vamos comemorar os 469 anos da cidade. Para conhecer outros capítulos, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.