Mundo Corporativo: o novo líder tem de ser uma grande observador, diz a consultora Andrea Deis

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“Hoje, se cobra muito do indivíduo. Mas na minha opinião é uma incoerência muito grande porque ele não pode pensar, ele não tem autonomia para decidir e, detalhe, ele ainda tem que entregar resultado e sorrir”  

Andrea Deis, professora e consultora

O ser humano tem de estar no centro da estratégia. E nada pode ser mais importante do que isso, porque sem ele não existe competência, tanto quanto não se tem resultado nem inovação. Mesmo que se insista em falar em transformação digital e metaverso, as pessoas são a prioridade e a pandemia nos ensinou isso — ao menos deveria ter ensinado. Para Andrea Deis, professora de gestão de desenvolvimento humano e empresarial, uma das lições que ficaram foi a de que se o indivíduo não estiver bem, não existe competência:

“Em gente adoecida não existe competência, com morte não existe competência e desenvolvimento do pensar, se as pessoas não estão com a sua saúde mental em equilíbrio”.

Especialista em neuroliderança, Andrea foi entrevistada no Mundo Corporativo da CBN e lamentou que muitas empresas ao retomar as atividades tenham regredido dois anos em sua forma de atuar, pois decidiram manter os mesmos padrões, apesar das lições que a pandemia ensinou. Um dos exemplos é em relação ao trabalho híbrido, quando se provou que era possível manter-se a produtividade e as atividades mesmo à distância, com uma série de benefícios como a de se eliminar o tempo perdido no deslocamento da casa para o trabalho e do trabalho para a casa. No entanto, certificando a tese de que “se age no caos, mas esse caos não nos ensina”, as organizações tentam impor aos seus colaboradores a mesma dinâmica do passado:

“Um valor para ser mudado precisa no mínimo de uma década ou seja mais de duas gerações fazendo com que realmente se reafirme aquele novo modelo mental. O que que aconteceu com a pandemia? Aconteceu todo o caos. Existiu uma adaptação para que as empresas pudessem persistir àquele cenário, porém a grande maioria não voltou com essa habilidade construída”.

Para acelerar esse aprendizado, Andrea recomenda que as empresas abram mão do sistema de controle, gerem pontes com seus colaboradores, exercitem a  humildade e se habilitem a ouvir as pessoas. Não ouvir é desperdiçar 30% da sua receita — dizem pesquisas na área de gestão, segunda a consultora.

Para ela, o problema é que um pequeno grupo dentro das empresas toma as decisões e as transformam em estratégia empresarial, entregando-as para as bases sem que estas se sintam proprietárias dessas ações. Ou seja, são apensa cumpridoras de tarefas e não protagonistas. Isso explica, em parte, porque pesquisas mostram que cerca de 75% das pessoas estão insatisfeitas com seu trabalho. De acordo com Andrea, o primeiro motivo é porque os colaboradores não têm senso de pertencimento; o segundo é porque os relacionamentos não são saudáveis; e apenas em terceiro lugar, decido aos salários. 

“Tem muita gente escutando e falando, pouca gente se comunicando e ouvindo. Ouvir é você parar para sentir o que o outro estava sentindo; você entender a necessidade do outro e não, simplesmente, entrar no processo de luta e de defensividade, porque isso só distancia. Então, a escuta empática aproxima através do atendimento dessas interesses em comum”

Andrea lembra que interesse é palavra que nos remete a “inter seres” ou “entre os seres”. A neurociência ensina que não existe desenvolvimento da humanidade com total inconsciência, portanto para que o interesse se realize é preciso ter consciência do outro. Uma das formas é evitar a fala instintiva, sem reflexão, o que leva Andrea a propor o uso de uma ferramenta batizada STOP, sigla em inglês para quatro passos necessários para que a comunicação se realize de forma efetiva: parar, pensar, observar e falar. Instrumento que deveria pautar o comportamento dos líderes:

“Antes a gente falava que o líder é aquele que influencia. Hoje, o líder é o grande observador. Mais do que liderar, ele precisará observar talentos e através dessa observação interpretar e facilitar caminhos. Eu falei observar, eu não falei nem guiar nem influenciar. O papel do líder é aquele que para, observa, entende e interpreta para facilitar resultados. Esse é o papel do líder pós-pandemia. Ele vai observar o que você tem de melhor, entender e interpretar para facilitar o seu processo. E, principalmente, como líder ter a tomada de decisão de alocar você na melhor posição”.

Você pode assistir aqui à entrevista completa com Andrea Deis, no Mundo Corporativo, da CBN:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: estar em casa era estar com o rádio ligado

Américo de Oliveira Matos 

Ouvinte da CBN

americo.matos@uol.com.br

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Tenho 70 anos e sou natural da Vila Guilherme, zona norte de São Paulo. Desde que me conheço por gente sou fascinado pelo rádio. Creio que por influência da minha família. Meu avô, em 1932, foi o primeiro proprietário de um aparelho de rádio da minha rua. Modernidade rara naqueles tempos !!! Ele queria acompanhar melhor os acontecimentos da revolução de 32, os jornais em papel, já não o satisfaziam, ávido por notícias.

Eu desde pequeno ficava ao pé da minha mãe, outra fanática por rádio. Enquanto ela costurava ou fazia outros afazeres, eu brincava. E através de um Philips ou em outro de marca Belmonte, aqueles de válvula e um olho mágico, para auxiliar na sintonia das emissoras, ela ficava ouvindo as novelas da Rádio São Paulo, ou o programa “Parada de Sucessos” da Bandeirantes, notícias na Rádio Piratininga ou Nacional, músicas na Rádio Cultura ou Tupi. Ah… E religiosamente todas as tardes, às 18 horas, reunia os filhos e ouvíamos “A hora da Ave Maria” na rádio 9 de Julho.

Já meu pai, outro fanático por rádio, além de ouvir programas que tocavam fados, afinal era um português saudoso da “terrinha”, costumava ficar com o radinho de pilha ouvindo futebol na Panamericana, Gazeta ou Bandeirantes.

Quando eu já era adolescente, estar em casa era estar com o rádio ligado. Ouvir as estações jovens da época: Difusora, Excelsior e até Mundial do Rio de Janeiro e aproveitar para gravar as músicas preferidas no gravador de fita cassete. Afinal, comprar long-plays ou compactos simples era proibitivo.

À noite, um dos meus maiores passatempos era sintonizar as rádios de outras cidades, tanto em ondas médias como nas curtas. Fazia planilhas listando as rádios e as frequências que eu conseguia sintonizar. Era enorme a emoção de captar em ondas médias rádios de Buenos Aires, Montevideo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e até Salvador. E nas ondas curtas, captar rádios das mais diversas línguas e em plena “Guerra Fria” ouvir a “A Voz da América” ou a ” Radio de Moscou”.

Desde que surgiu a CBN – A rádio que toca notícias, passei a ouvi-la diariamente, tornei-me praticamente um dependente da melhor divulgadora de notícias do país. Até hoje nada me dá mais prazer do que ouvir uma boa música ou saber das últimas, numa boa rádio!!!

Américo de Oliveira Matos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung.

Na voz de Lima Duarte, minha homenagem aos operadores de rádio, que completa 100 anos

Nessa semana que se foi, comemoramos os 100 anos de rádio. Cada um a seu jeito, lembrou de histórias marcantes. Dos ouvintes da CBN, vieram lembranças do passado, memórias dos pais que tinham o veiculo como único meio de comunicação. Juntamente a essas memórias, surgiram nomes que construíram o rádio ao longo deste tempo no entretenimento, na música, no jornalismo e no esporte.

Por ouvintes que são, a maioria lembra do que ouve. E no rádio, ouve-se a voz dos locutores, apresentadores e repórteres . Pouco se sabe de quem é capaz de tornar tudo aquilo possível, levando o som até você. São técnicos dos mais variados tipos — hoje, inclusive, técnicos de vídeo, mesmo que o áudio ainda seja a vedete no espaço radiofônico. Uma gente que tem a habilidade de dominar uma sequência de botões, ponteiros, cabos e fios; e fazê-los funcionar de maneira harmônica para que a mensagem chegue até você sem nenhuma intereferência.

Dentre eles, há os que vão além. Interferem e muito no que fazemos diante do microfone. Valorizam a informação, com a sensibilidade dos maestros, sonorizam nossa fala e mexem com a imaginação do ouvinte, trazendo-o para dentro da mensagem. Sem eles nada da magia que dizem o rádio ter se realizaria. Seríamos músicos sem voz. Mensagem sem som.

Em homenagem a todos os radialistas que tornam possível essa magia, reproduzo aqui no blog um depoimento do ator Lima Duarte que conta como a função de operador de som em uma emissora de rádio o resgatou da zona do meretrício, aos 15 anos. Lima pensava ser locutor, mas foi desestimulado pelos donos da emissora diante da “voz de suvaco” com que se apresentou no teste … o resto da história você ouve no depoimento que foi descoberto por Paschoal Júnior — um daqueles maestros que citei no parágrafo acima — na página Operadores de Rádio e Áudio, no Facebook.

Ao Paschoal e ao Claudio Antonio (aquele do Conte Sua História de São Paulo e da Rádio Sucupira) que estão ao meu lado desde o início da minha jornada na CBN; assim como a todos os profissionais que como eles tornam o rádio algo fantástico de se vivenciar, e seria impossivel citá-los nominalmente neste texto; o meu agradecimento pela dedicação e carinho com que fazem rádio.

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: o radinho de levar junto

Sylvia Márcia Belinky

Ouvinte da CBN

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Sou viciada em ouvir rádio! Fazendo um monte de outras coisas, adoro ligar o rádio, ouvir notícias, a previsão do tempo, algum cronista que eu curto… Toda vez que ouço no rádio um jornalista dizendo: “Você pode acompanhar nossas imagens pela Internet ou pelo YouTube – e rádio para mim ainda é sem imagem – eu fico me perguntando se quero saber qual a aparência daquela criatura tão simpática e inteligente que eu ouço diariamente naquele horário.

Será que quero mesmo saber se ela é bonita ou feia? Se se veste bem ou se é cafona? Não. Definitivamente não! 

O rádio não tem nada a ver com imagem, a não ser aquela mental que a gente faz de acordo com a sua voz, o que ela diz, seus comentários, se as julgamos inteligente ou não, informada ou nem tanto, se sua opinião “bate” com a sua ou se, na verdade, é daquelas “nada a ver” – e aí, desculpe, mas o que você está fazendo ouvindo essa “zebra”?

De onde vem essa mania, mais do que vício? 

Lembrei-me da época em que fui morar com meu pai e minha avó, aos 9 anos. Todas as manhãs, grudada nesse pai que, dia a dia eu descobria ser mais e mais interessante, divertido, engenhoso e que fazia a barba “the old style”, ou seja, molhava o pincel, fazia um mundo de espuma e passava o barbeador com gilete, cuidadosamente para não se cortar.

Eu do lado, encostada na pia do banheiro, olhos fixos no ritual e ele com seu radinho de pilha na janela, ouvindo o noticiário e respondendo, pacientemente, “trocentas” perguntas: quem é esse cara chato, pai? Vicente Leporace, papai gostava muito das opiniões desse jornalista bastante ácido da época.

E quando acabar a pilha do radinho? Na época, radinho de pilha era super moderno, “made in Japan” (e não na China, como hoje) sendo que bem pouca gente tinha um portátil e ele explicava pacientemente que não seria assim tão rápido que elas iriam acabar. 

Um dia vou ganhar um radinho também? “Mas você já tem o que está no seu quarto!” Não, quero um desses de “levar junto” retrucava eu, encantada com a ideia!

Um ano depois, no meu aniversário, ganhei um e me senti a dona do mundo, super importante! Já as minhas pilhas acabavam bem mais depressa, uma vez que, quando eu não estava na escola, estava grudada no “radinho de levar junto”…

E esse mesmo radinho me acompanhou por toda a adolescência: os programas de músicas que podiam ser pedidas, tipo Enzo de Almeida Passos.

 E lá ia eu ficar pendurada no telefone, ligando para as rádios e pedindo os meus sucessos preferidos: Paul Anka, Neil Sedaka, Elvis Presley…

A primeira notícia de quando Kennedy foi assassinado, tive-a pelo rádio…

Ouço até hoje meus radialistas preferidos: Vera Magalhães, Milton Jung, Cássia Godoy, Carolina Morand, Carlos Alberto Sardenberg…

Há muito tempo não acompanho mais meu pai fazendo a barba, mas a curtição do rádio permanece até hoje, durante o dia todo, praticamente 

Sylvia Márcia Belinky é personagem do Conte Sua História de São Paulo em homenagem aos 100 anos do rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. Em outrubro, voltaremos à programação normal. Então, aproveite para escrever agora a sua história da nossa cidade e enviar para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Lilian Bertin recomenda que você não deixe que sua idade o defina

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“Desde que a natureza permita tudo é possível e a idade não pode ser um impeditivo na nossa vida pessoal, profissional, corporativa seja qual for”

Lilian Bertin, empresária

Estamos encerrando a semana em que uma senhora de 96 anos morreu em pleno exercício de suas atividades e reverenciada por boa parcela do mundo. Concluiu o ciclo mais longevo para a ocupante do  seu cargo, na atualidade. E quando se fazia referência a sua idade era uma demonstração de valor, jamais depreciação. Claro, falo  da Rainha Elizabeth II que, por rainha que foi, teve privilégios que os “plebeus” nunca terão; e soube usá-los. A despeito das diferentes condições, cada vez mais teremos pessoas com idade avançada —- seja lá quanto isso signifique para você — no mercado de trabalho, ocupando e competindo por espaços com diversas gerações.

A maior longevidade da população, porém, parece que ainda não foi percebida por alguns gestores, líderes e empresas, que teimam em criar barreiras para os profissionais maduros e mais antigos. A prática, baseada em preconceito, tem nome: etarismo. E como todo preconceito precisa ser enfrentado e superado. Falei desse tema com Lilian Bertin, empresária e mentora de profissionais dispostos a se reinventar na carreira e nos negócios, no Mundo Corporativo da CBN:

“Eu vejo muitos jovens que estão iniciando uma carreira corporativa e já estão mortos pra vida. Eles funcionam a base da manivela. E pessoas com mais de 40, 50 anos que têm uma garra, uma vontade .. têm visão, têm experiência. Eu prefiro acreditar que a idade não nos define”.

Em sua carreira, especialmente na função de mentora, Lilian deparou com inúmeras histórias de pessoas que entenderam a necessidade de mudarem suas carreiras para estenderem a jornada profissional. Um dos exemplos é de um engenheiro de sucesso, de perfil sério e apreciador de vinhos que, após os 70 anos, descobriu-se músico e lançou álbum, onde se apresenta com um talento até então desconhecido. Para o cenário ficar ainda mais completo, ganhou a companhia da mulher que o apoia planejando os shows e atuando nos bastidores:

“Eu tenho certeza que em um ano a gente vai colecionar muito mais histórias como essas, inclusive de pessoas que estão saindo do mundo corporativo ou sendo convidadas a sair. Porque isso está sendo muito frequente e pegando toda essa bagagem, imprimindo, empacotando e transformando num produto, num serviço que pode ajudar muitas pessoas”. 

As mudanças na carreira nem sempre são planejadas ou por vontade própria. O profissional é “convidado” a se afastar e isso tem forte potencial para se transformar em  frustração e medo. Uma sensação que se dá especialmente pela crença de que seremos eternos no ambiente corporativo:

“A gente tem que seguir se preparando e cuidando da nossa imagem, da nossa marca, sempre pensando “se isso não der certo, eu vou fazer aquilo”. Ou seja, não é que você vai ter uma uma visão pessimista, mas é que você tem que estar sempre preparado para você se manter. Então, enquanto você tá ali na empresa, você dá o seu melhor, mas você tem que saber que um dia aquilo pode não existir mais”.

O sentimento de estar sendo descartado atrapalha muitos dos planos, por isso em situações como essa é preciso trabalhar a autoestima, explorando seus recursos internos e se reestruturando a partir do que você já sabe:

“Todas as vezes que eu tive um salto, um crescimento na minha vida, foi em momentos de muita dificuldade de muita frustração, mas quando a gente aprende a trabalhar com isso na nossa vida, acredite portas inimagináveis se abrem lá na frente. Enquanto a gente está preso ao que aconteceu de ruim, a gente não vira a página … é importante seguir em frente até para que a gente se libere dessa energia ruim”.

Lilian recorre a história dos dois lobos que convivem dentro de nós para falar do medo de errar, a medida que se tem uma vida mais madura. Ela lembra que medo e coragem estão dentro de nós, sobreviverá aquele (lobo) que nós alimentarmos. Uma das formas de não dar comida para o lobo errado é perceber que a maior parte da nossa insegurança está relacionada a perda de um status profissional que nos põe em situação muito confortável.  Entender que a cadeira da presidência na qual estamos preso, o crachá no peito e o respeito dos colegas do escritório podem ser substituídos por outros prazeres que a nova profissão nos oferecerá. 

“Olha para dentro disso e fala “o que que eu gostaria de fazer?”, “o que eu posso contribuir?”. Porque quando a gente contribui com o planeta quando a gente contribui com as pessoas, quando a gente quer verdadeiramente a felicidade das pessoas, a gente começa a se doar e essa doação se transforma, muitas vezes, num trabalho, num produto. Foi o que aconteceu comigo”.

Assista à entrevista completa com Lilian Bertin, autora do livro “Minha idade não me define”,ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Colaboram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: onde você busca inspiração para o seu trabalho?

“Eu só vi mais longe porque estava sentado em ombros de gigantes”

Isaac Newton
Ilustração das etapas do Touro de Picasso

Se um dos cientistas mais influentes de todos os tempos fez questão de revelar a sua necessidade de desenvolver o seu conhecimento a partir da visão de outros grandes nomes da história, porque com a gente seria diferente? Infelizmente nem sempre temos humildade suficiente para entender essa necessidade. E, arrogantes, cometemos erros e desperdiçamos oportunidades. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso por mais de uma vez trouxemos as lições de grandes pensadores para inspirar nossos comentários. Desta vez, decidimos reunir alguns desses nomes e identificamos lições que podemos aprender com a experiência que eles compartilharam com a humanidade.

Jaime Troiano, logo na abertura de nossa conversa, depois de lembrar Newton, recorreu a Leonardo da Vinci que tinha abertura e capacidade de navegar por vários campos do conhecimento. Estudou de botânica à matemática, de anatomia à arquitetura. Seu interesse foi comparado por Jaime como o de uma criança obstinada a entender o porquê das coisas. Ia além: quando encontrava a resposta, abria novas janelas e sua curiosidade o fazia ir lá no fundo. Uma vida dedicada a conhecer, sempre mais:

“Acredito demais que para sermos bons profissionais, e aqui não me limito ao branding, precisamos ter essa grande angular ativada, a curiosidade à flor da pele, o desejo do porquê. Criar repertório, explorar, ser curioso, inquieto de saber. Isso nos torna profissionais menos rasos, mais capazes de fazer conexões e não apenas acumulador de dados”

Jaime Troiano

Cecília Russo lembrou de Pablo Picasso, inspiração para os gestores de marcas a partir de experiência que realizou para concluir um de seus trabalhos: o El Toro, de 1945. Esse trabalho é uma série de 11 ilustrações feitas em litografia reproduzindo um touro, nas quais a grande busca era pelas linhas mais simples possíveis. 

“Picasso disseca visualmente a imagem de um touro. Cada imagem representa uma fase sucessiva de um processo tendo em vista encontrar o absoluto “espírito” do animal. É como se ele caminhasse de frente para trás, do acabado para o esboço”

Cecília Russo

Em vários projetos de branding o que se busca é tirar os excessos para chegar à essência da marca, explica Cecília. A intenção é eliminar o que polui, desinforma e confunde a mensagem ao cliente.  Ela destaca que aquilo que é essencial passa a mensagem e tem muito mais chance de ser apreendido pelas pessoas e gerar valor. Porém, diante dessa visão, é preciso admitir a dificuldade de se chegar nesse ponto, de se alcançar as palavras sucintas na comunicação da marca, de descobrir o desenho de identidade visual  ideal ou criar o logotipo que seja simples e comunique muito bem o que se quer. 

“A mesma dissecação que Picasso fez, em El Toro, é muitas vezes o que precisamos fazer em gestão de marcas, ir atrás do que é básico, filtrar, selecionar, ser preciso”

Cecília Russo

Muitos outros autores e pensadores já inspiraram os gestores de marcas e  ilustraram nossas conversas por aqui. Seja de Newton, de Picasso, de Da Vinci ou qualquer outra referência que você tenha no seu cotidiano, o importante é saber que, mesmo estando longe de sermos gênios como eles, saber traduzir suas lições e adaptá-las a nossa forma de agir e pensar ajudará sua marca a ser um sucesso.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, às 7h50 da manhã.

Conte Sua História do Rádio em São Paulo: a disputa entre Roberto Carlos e Paulo Sérgio no rádio

Odnides Pereira

Ouvinte da CBN

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Em 1959, quando nasci na Maternidade de Vila Maria, zona norte, a maioria das pessoas não tinha como comprar uma televisão. As notícias, histórias, músicas eram pelo rádio.

Morávamos em um cortiço na Vista Alegre, onde também viviam minhas tias. Quase todos os dias, elas se reuniam em volta do rádio para ouvir a Nacional. Gostavam do programa “História que o povo conta”, interpretadas por Silvio Santos. Éramos pequenos e morríamos de medo com o programa.

Mantivemos o hábito quando nos mudamos para uma casa na Vila Sabrina. No rádio, também havia uma disputa entre os cantores Roberto Carlos e Paulo Sérgio. O programa levava ao ar a música de um e de outro e os ouvintes escolhiam  a melhor. 

Eu e meu irmão, adolescentes, tirávamos sarro com as duas filhas de um dos nossos vizinhos. Toda vez que Paulo Sérgio ganhava a disputa. subíamos no muro e gritávamos para elas: “Paulo Sérgio é o melhor”, Tadinha, fãs do Roberto, elas até choravam. O troco vinha no dia seguinte quando Roberto Carlos era o vencedor. Só que a gente não chorava …

Nos anos de 1970, acordávamos com o Zé Béttio, na Rádio Record, que produzia o ruído de uma bacia d’água sendo despejada sobre os dorminhocos.  “Olha à hora, gente, olha à hora”, “joga água nele”, “acorda, gordo!” Entre uma fala e outra, havia burro zurrando, galo cantando e boi mugindo.

Não abandonamos o rádio nem mesmo quando meu pai conseguiu comprar uma televisão preto e branco. 

Depois que casei, em 1978, passei a levantar da cama com o rádio relógio ligado na Excelsior. E mais tarde, nos anos 90, conheci a querida CBN. 

Hoje, aposentado, com dois netos morando em casa, mantenho o hábito. Acordo às seis horas com as notícias do dia. No caminho da escola, levo os dois com o rádio na CBN, que também é minha companhia nas caminhadas diárias de seis quilômetros. Não desligo meu radinho de pilha nem mesmo na hora do banho ou nos fins de semana. Só mesmo quando quero ouvir música busco a Alpha FM, mas volto em seguida para me atualizar na CBN.

O certo é que aqui em casa não sabemos viver sem ouvir os programas de rádio.  

Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br 

Conte Sua História do Rádio em São Paulo: as “crianças” da sala de aula de Nhô Totico

Flávia Bissoto

Ouvinte da CBN

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Uma semana antes de ouvir o convite da CBN para escrever nossas histórias no rádio, minha Tia Wilma Medeiros, que hoje tem 89 anos, havia me contado um fato de sua infância:  ela ouvia o programa de Nhô Totico — um dos ícones do humor radiofônico, no Brasil

O programa se passava em uma classe de escola, era a Escolinha da Dona Olinda, na qual havia vários alunos diferentes, com sotaques diferentes: um inteligente, outro chorão … e o preferido dela era o Jorginho, o Turco.

Minha tia me disse que quando tinha por volta de seis ou sete anos, a professora dela levou os alunos para conhecer o programa do Nhô Totico.

Chegando na emissora de rádio, minha tia ficou esperando pelas crianças da escolinha da Dona Olinda. E nada das crianças chegarem. As crianças não chegaram.

Para surpresa e decepção dela, Nhô Totico era um adulto, gente grande, que imitava a professora, Dona Olinda, e os alunos da sala de aula. 

Nhô Totico foi muito gentil com minha tia. Afagou sua cabeça e beijou suas mãozinhas, pois ela era a menorzinha da classe. Apesar do carinho, Tia Wilma disse que estava assustada. Não era o que esperava encontrar. Naquele dia, se desfez a magia daquele programa de rádio. 

Para ela o melhor do rádio estava mesmo na imaginação!

Flávia Bissoto Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br 

Conte Sua História do Rádio em SP: minha fonte da informação

Neste mês de setembro, o Conte Sua História de São Paulo abre espaço para uma edição especial em homenagem aos 100 anos do Rádio, que se completam no dia sete. Os ouvintes foram convidados a falar de suas experiências com este veículo e os textos selecionados serão publicados todos os sábados deste mês e, também na semana de 5 a 9 de setembro, no CBN SP. Como sempre, a sonorização é de Cláudio Antonio que buscou nos arquivos do rádio de São Paulo momentos desta incrível história.

Mário Curcio

Ouvinte da CBN

Minha história com o rádio começa com um daqueles modelos à pilha e capinha de couro marrom, que já estava em casa antes de eu nascer. A marca era Hitachi. Ele ainda existe. Foi um presente que meu pai deu pra si mesmo no dia em que meu irmão nasceu. Dentro da capa está marcado à caneta o dia da compra: 6 de julho de 1959.

O radinho tem duas faixas, AM e Ondas Curtas, uma frequência em que é possível ouvir até emissoras da Europa e da China nas noites de céu limpo.

O seu João, meu pai, tem hoje 92 anos. Ele cresceu na época de ouro do rádio, quando a família se reunia à noite para ouvir shows de auditório, novelas e também notícias sobre a Segunda Guerra Mundial. Mas foi com aquele rádio marronzinho que ele comemorou as Copas do Mundo de 1962 e 1970. Também vibrou com muitos gols do nosso Palmeiras.

Neste radinho descobrimos quem era Adoniran Barbosa. Nossa música favorita com o Adoniran ainda é “O Samba do Arnesto”. Em 1970 meu pai estava no auge da carreira dele na indústria farmacêutica Squibb aqui em Santo Amaro e comprou um Chevrolet Opala Standard.

O carro veio sem rádio, mas nas primeiras viagens ele prendia o velho radinho no quebra-vento pra não perder o futebol. Esse aparelho também servia como espanta-ladrão: nas noites em que saíamos, ele ficava ligado na sala pra fazer de conta que tinha gente em casa.

Neste e em outros aparelhos, eu e meus irmãos passamos parte da infância e a adolescência ouvindo duas emissoras de AM aqui na capital paulista, a Difusora 960 e a Excelsior 780, a Máquina do Som, que deu lugar à CBN em 1991. Também pegamos o período de transição para o FM, uma frequência que melhorou muito a utilização do aparelho, especialmente dentro de empresas ou lugares com muitos equipamentos elétricos, que ainda causam interferência no AM.

Sou jornalista e o rádio é minha principal fonte de informação. Ouço a CBN dia e noite. Para o meu pai, que perdeu a visão por causa da diabete, o rádio é sua tevê, seu futebol e sua vida.  

Mário Curcio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Em outubro, voltaremos à nossa programação normal, então aproveite para contar a sua história da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Gilson Magalhães, da Red Hat, defende que a colaboração produz mais que a competição

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“A nossa cultura é inacreditavelmente diferenciada justamente por isso, porque todos temos a liberdade de opinar em qualquer nível. E a colaboração acaba acontecendo e a inovação vem também acompanhando toda essa dinâmica” 

Gilson Magalhães, Red Hat Brasil

O surgimento dos smartphones, que mudaram a sociedade, permitindo que a tecnologia da informação chegasse às mãos de bilhões de pessoas, foi o impulsionador das soluções em código aberto. A opinião é de Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil, líder internacional no desenvolvimento de software open source —- perdão, é assim, em inglês, que a turma costuma se referir ao tipo de produto criado em um regime descentralizado em que a empresa não é a única responsável por sua produção.

“A gente não entende, talvez, a dimensão do impacto dessa tecnologia no nosso dia a dia e como ela veio com escala muito maior. Saímos da escala de milhões de pessoas que usavam Tecnologia de Informação para bilhões de pessoas. Foi necessário o uso de novas tecnologias e um dos casos importantes nesse avanço foi justamente a participação das soluções de código aberto como um fomentador da inovação e crescimento da escala”.

Gilson foi criado no ambiente do código proprietário, ou seja, cada um é dono do seu próprio nariz e ninguém põe a mão. Foi há oito anos que se descobriu um apaixonado pelo código aberto provocado pelo que identificou ser um tendência de mercado e se ofereceu para trabalhar na Red Hat Brasil:

“Não só não me arrependo da decisão, como acho que esse é o caminho para as novas gerações, porque é o caminho que garante que haja, na evolução dessa grande indústria, a possibilidade da colaboração das pessoas participarem da estruturação de como vão ser as entregas, as soluções de TI”

Em uma indústria em que a colaboração é a chave que aciona a inovação, a gestão de pessoas tem de ser pautada por essa mesma ideia. As relações têm de ser abertas como os códigos-fontes e o conceito precisa ser exercitado na dinâmica de trabalho das empresas. Para Gilson, o sucesso desse negócio depende de se ter uma cultura que ofereça espaço para a colaboração espontânea. O método tradicional do comando-controle, do “eu mando e você obedece” ou hierarquizado não funciona nessa indústria. Gilson diz que na Red Hat não adianta mandar fazer, porque se a pessoa não concordar com o caminho proposto, não o seguirá. E isso não é um problema. É a solução.

“Nós temos que fazer e trabalhar com convencimento. O poder de influência é muito mais importante nesse sentido. Isso contamina o líder que tem que ser um exemplo a ser seguido e não ser uma eminência a ser satisfeita”.

A pandemia — não seria diferente nesta indústria — tornou-se um desafio a parte na busca da criação de ambientes colaborativos, porque a ideia de ambiente, muitas vezes relacionada ao espaço físico da empresa, deixou de existir. O que falamos ser ambiente — e no meu caso, escrevo muito aqui no blog — na realidade é cultura da empresa. Agora imagine levar essa cultura a todos os colaboradores quando cerca de 30% deles chegaram nos últimos dois anos, ou seja, já dentro do modelo de trabalho à distância. 

Uma das formas de simplificar a adaptação dos colaboradores que chegam é identificar já no recrutamento perfis que estejam de acordo com o pensamento colaborativo e aberto. Essa cultura também impacta nas decisões de promoção que não consideram a senioridade, mas a contribuição ou o poder de influenciar e levar os outros a caminhar em uma direção significativa para o cliente. 

“Aqui é uma outra dinâmica. A gente costuma dizer que nós não temos portas abertas,  nós simplesmente não temos portas. Não tem como dizer que o chefe é intocável. O chefe precisa estar lidando com qualquer questão, da limpeza do escritório a decisão de novos produtos”.

O presidente da Red Hot Brasil diz que essa forma de trabalhar leva à escuta ativa, o que se fazia com maior simplicidade quando todos compartilhavam o mesmo espaço fisico, mas que agora, com o trabalho à distância, exigiu a criação de novos métodos e hábitos como encontros informais e cafés com os líderes. Nessas e nas demais atividades de relacionamento, Gilson afirma que todos são estimulados a falar o que quiserem e sem restrições ou retaliações. 

Provocado por um dos nossos ouvintes, que queria entender se em ambientes colaborativos também haveria espaço para a competição que sempre foi vista como indutora do desenvolvimento e da melhor produtividade, Gilson preferiu colocar essa questão de uma maneira diferente. Começou lembrando que parte dos colaboradores da Red Hat decidiu tatuar a marca da empresa em uma demonstração da admiração por aquilo que fazem; e explicou:

“O que acontece quando a pessoa faz uma tatuagem é que ela está demonstrando que tem um vínculo, uma paixão por aqui. Então, a motivação está mais em fazer parte de alguma coisa transformadora do que você ser melhor do que a outra”. 

Ouça o programa Mundo Corporativo com Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil, que também falou sobre oportunidade de emprego nesse setor de soluções de código-aberto e o tipo de profissional que mais buscam no mercado:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.