Conte Sua História de São Paulo: o Natal com os primos da cidade

Por Marcos Horta

Ouvinte da CBN

 

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Minha mãe e seus dez irmãos são de Juiz de Fora, Minas Gerais. Aos poucos, cinco deles vieram para São Paulo em busca de um futuro melhor. Ela permaneceu lá e quando nasci, dois já haviam falecido. Assim, em Juiz de Fora ficaram ela e mais dois. Um deles solteiro e um pouco afastado da família; outro com esposa e dois filhos, com os quais convivíamos intensamente. Meu pai faleceu quando eu tinha três anos; e depois de um tempo minha mãe, que já sentia muita falta dos outros irmãos e irmãs, começou a passar os natais em São Paulo. 

Assim, a cada ano, víamos a família crescer. Uma irmã e um irmão tiveram cinco filhos cada um e outro teve duas filhas. A esposa de outro irmão falecido, em Juiz de Fora, veio para São Paulo também, com mais três filhos. Isso significava, a partir de um determinado ano, encontros entre 16 primos com idades muito próximas. Somando-se a eles três casais de tios, pais, mais duas tias solteiras —- e sempre outros primos e primas dos meus primos e seus pais —  que apareciam durante a noite de Natal, nunca tínhamos menos de 30 pessoas reunidas na casa de uma das irmãs da minha mãe.

Ela morava em um vilinha de cinco sobrados, travessa da rua Leandro Dupret, na Vila Clementino. Por esse momento eu esperava a eternidade de um ano, acrescida de mais alguns anos pela duração de oito horas e meia da viagem de ônibus entre Juiz de Fora e São Paulo. Mas eu sabia que valia a pena desde a chegada na rodoviária Júlio Prestes e seu telhado de acrílico colorido, passando pelo caminho para a casa da tia onde seria o Natal. Eu encantado com as luzes da cidade, até quando os tios nos levavam à rodoviária e lá acenavam pra nossa partida. 

Mas o Natal! Ah o Natal! 

Casa devidamente decorada com uma árvore enorme e linda esperando pelos presentes que seriam entregues pelo Papai Noel. Numa estratégia muito bem montada, os tios chegavam com sacolas cujos conteúdos nem os primos que vinham com eles sabiam. Depois que todos estavam lá, uma das tias ficava com as crianças, que subiam para os quartos para dormir. Os outros saíam para  a Missa do Galo, na época à meia-noite. Assim, o Papai Noel poderia entrar. Aceitávamos ir para cama. Dormir, era difícil. Eram mais de 15 crianças, cada uma com sua ansiedade, fora as risadinhas e cochichos. 

Quando os parentes voltavam da missa, éramos chamados e, ao descer as escadas, os olhinhos de cada um iluminavam a sala de tanto brilho diante da árvore rodeada de presentes. Antes de abri-los, tínhamos de cantar Noite Feliz e participar da ceia —- o que durava duas eternidades. Com tudo isso, fica fácil imaginar a alegria e o clima de união que pairava no ar inebriado de amor e embalado pelo som do violão e das músicas cantadas por tios e primos.

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Marcos Horta é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: o bolo do Natal de 1963

Por Luiz Carlos Silva

Ouvinte da CBN

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Papai adorava ler Karl Marx e mamãe encantava-se com a leitura de Allan Kardec. Eu, aos oito anos de idade, sem entender absolutamente nada do conteúdo daqueles estranhos livros, relia minha cartilha Caminho Suave e alguns gibis do Zorro e do Fantasma, sutilmente  escondidos entre as páginas da cartilha para não serem vistos por mamãe e evitar uma boa surra de vara de marmelo.

Na véspera do Natal de 1963, papai saiu de casa, no pacato bairro Parada Inglesa para participar de uma reunião no Sindicato de Brinquedos e Instrumentos Musicais, na avenida Celso Garcia, no Brás, e prometeu a mamãe que voltaria para a confraternização natalina.

No início da noite, mamãe começou a fazer um bolo de morango e ao terminar o colocou cuidadosamente sobre a mesa. Ato contínuo, disse que só comeríamos o bolo quando papai chegasse.

Desolado, sentei-me diante do bolo e com as mãos no queixo e os cotovelos sobre a mesa, sussurrei uma oração para Jesus pedindo o retorno de papai o mais breve possível. O tique taque do relógio cuco na cozinha e alguns estampidos de fogos que iluminavam o céu, anunciavam a proximidade do dia do nascimento de Jesus e me deixavam inquieto. De soslaio, mirava minha mãe e a porta da cozinha para saber se papai estaria chegando. Entre um olhar e outro, passava o dedo no bolo e o levava rapidamente até a boca.

Alguns minutos para a meia noite, pai chegou com um um embrulho embaixo do braço. Meu sorriso de felicidade iluminou a cozinha. Finalmente, poderia comer o bolo. Papai, me deu o embrulhado acompanhado de um carinhoso beijo na testa. Meus olhos marejaram diante da bolão de capitão, número cinco, cheirando couro cru, que estava embrulhada para presente. Com um abraço muito forte e vários beijos no rosto agradeci ao papai.

Fomos para a mesa, nos demos às mãos e mamãe iniciou uma interminável prece agradecendo a tudo e a todos. Ao fim, nos abraçamos e desejamos um Feliz Natal! O bolo de morango finalmente pode ser cortado, servido e saboreado —-  claro que sem passar despercebido de todos à mesa as inúmeras marcas de dedos, prova inconteste de um menino guloso e ansioso. Logo em seguida, dormi em um velho sofá na varanda, lambuzado de bolo, abraçado na bola de capitão, com o tique taque do relógio e o barulho dos pingos de chuva que se iniciava…. Era o Natal de 1963.

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Sua Marca: o que você faria se tivesse o poder da invisibilidade?

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“Há marcas e empresas que imaginam ter um Anel de Giges. Que supõem que aquilo que se pratica do lado de dentro, ninguém vê do lado de fora Cada vez mais, é uma doce ilusão” — Jaime Troiano

Giges era um camponês que roubou o anel de um cadáver e descobriu que ao girá-lo no dedo tornava-se invisível. A partir de então passou a ter o poder de fazer tudo aquilo que bem entendia. A história que se passa no século VII a.c, contada por Heródoto, e aparece também em A República de Platão, nos impõe dilemas éticos profundos e já foi analisada por diversas dimensões. Aqui no Brasil, recentemente, o economista e professor Eduardo Giannetti lançou o livro “O anel de Giges: uma fantasia ética”, no qual diz:

“O anel da invisibilidade atiçou a fera da ambição desmedida e tornou visível o sonho de glória, proeminência e poder adormecido na alma do humilde pastor” 

Inspirados pelo texto, Jaime Troiano e Cecília Russo traçaram um paralelo entre a história de Giges e as marcas. A começar pela ideia de que a invisibilidade é cada vez mais impossível, especialmente diante das conexões digitais que vivemos. Há também uma pressão maior da opinião pública pela transparência dos atos de uma empresa e isso significa agir internamente da mesma forma com que se apresenta externamente:

“A maioria das marcas está consciente de que a invisibilidade não existe mais … mas talvez esses desejos escondidos, recônditos, de cometer um pequeno deslize no mercado, ainda que seja pequeno, e possa gerar bons resultados, devem estar nos sonhos de alguns gestores”, alerta Jaime.

Cecília cita uma das frases clássicas de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso para explicar o risco de se cair na tentação de Giges: marca não é tapume. E aproveita para deixar três sugestões aos gestores de marcas:

  1. Faça com que os quadrinhos pendurados nas paredes sobre princípios e valores da marca sejam mais do que palavras nas paredes; sejam praticados;
  2. Tenha certeza de que as mensagens que a empresa comunica da porta da rua para fora sejam conhecidas e internalizadas da porta da rua para dentro;
  3. Marcas não escondem aquilo de errado que acontece dentro da empresa, não escondem nada nem deixam ninguém invisível.

A discussão vale para você que lê este texto: o que você faria se tivesse por um instante o poder da invisibilidade?

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O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN e pode ser ouvido em podcast.

Sua Marca: como o consumidor vai se comportar no Natal

“Não acreditamos que marcas devem se vestir de maneira muito diferente do que costumam nem mudar de personalidade, mas precisam se adaptar e respeitar este momento que vivemos e não pensar apenas em ter lucro no fim do dia” —- Jaime Troiano

Com a proximidade do Natal, descobrir como será o comportamento do consumidor diante de tudo que enfrentou em 2020 tem sido um dos desafios de pesquisadores, empresas e empreendedores. Da mesma forma, as marcas pensam em quais estratégias devem adotar levando em consideração as dificuldades financeiras de muitos, e as restrições e medos impostos pela pandemia. Nesse episódio do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo reuniram algumas ideias do que vai acontecer a partir desta semana —- quando muitos começam a pensar nas compras de fim de ano —, com base na experiência que eles têm em gestão de marcas e estudos de institutos de pesquisa e consultorias.

Vamos começar pelo consumidor.

A Nielsen, uma das gigantes nesta área de pesquisa, dados e consultoria, identificou cinco tipos de consumidores neste ano:

  1. Constrangido e restrito —— tiveram restrição no orçamento, e menos liberdade para comprar fisicamente: para eles o online será a saída e mesmo assim, só preços baixos
  2. Constrangido, mas livre —- teve redução financeira, também, mas se sente com mais liberdade para circular pela cidade: quer maneira de fazer o dinheiro render com possibilidade de passat mais tempo com grupos de familiares e amigos. 
  3. Meio cauteloso —- não foi impactado financeiramente nem impedido de ir e vir, em função da região em que mora, mas está com receio do futuro: mesmo que possa comprar agora vai segurar o dinheiro e não pretende gastar muito, prefere priorizar as pessoas bem próximas.
  4. Isolado, mas restrito —  financeiramente não teve perdas nesta ano, mas como está em cidades e regiões com maior restrição por causa da pandemia terá suas festividades afetadas por restrições físicas locais
  1. Isolado e livre —- não foi afetado financeiramente pela Covid-19, é provável que gaste mais livremente e exiba um comportamento de férias pré-coronavírus. Muitos desse grupo vão compensar luxos perdidos no início do ano.

Vamos as recomendações para as marcas no Natal da pandemia:

  1. Foco nos sentimentos eternos e universais: nessa época de instabilidade, de imprevisibilidade, de não sabermos o que teremos no ano que vem, as marcas precisam voltar-se para aquilo que é permanente. E o que é permanente no Natal? As relações entre as pessoas, a convivência familiar, esse sentimento de união. Marcas podem ser aliadas desse momento. 
  2. Abertura para escapes da realidade: nossas vidas ficaram limitadas, fechadas, bem menos amplas e livres como estávamos acostumados. Marcas podem proporcionar momentos de fuga de nosso isolamento, oferecendo “viagens” através de sabores exóticos ou pode ser uma loja de artigos para casa que promova um sentido de renovação e reciclagem do espaço doméstico. 
  3. Força no digital e nas compras à distância: é necessário ter à disposição ferramentas e tecnologias para compras à distância, serviço de drive thru e entrega; toda a proteção que reduza ao máximo a exposição do consumidor ao vírus é relevante.

Dito isso, qual é a marca do nosso episódio de hoje?

“Você, sua família e todas as famílias vão celebrar de um jeito diferente neste Natal, e as marcas não ficam fora disso, nosso ano e nossas vidas pedem essa adaptação e esse respeito” —- Cecília Russo

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. 

Conte Sua História de São Paulo: “pergunta o resultado do jogo, vai …”

De Vanessa Guimarães de Mendonça

Ouvinte da CBN

 

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Naquele tempo, eu morava com minha família no bairro do Ipiranga e todo sábado, com a minha irmã Lúcia, fazíamos aula de espanhol no Butantã. O professor era nosso amigo Adonay. No dia 13 de outubro de 2001, na volta da aula de espanhol resolvemos ir até um shopping de móveis, na Marginal Tietê. Descemos próximo à estação de metrô que na época se chamava apenas Tietê;  hoje é  Portuguesa-Tietê. 

Seguíamos em direção a ponte para transpor o Rio Tietê e ter acesso ao shopping quando de longe vimos vários torcedores do Palmeiras deixando o estádio do Canindé, com suas camisas verdes, e avançando sobre a ponte, em direção ao metrô. 

O Campeonato Brasileiro de Futebol estava na primeira fase e a Portuguesa havia recebido o Palmeiras em seu estádio. Deu para reparar que a torcida vinha quieta e cabisbaixa. Olhei para minha irmã e vi uma sombra no seu olhar. Ela fechou a cara e olhou para o chão. Era uma época em que não havia smartphone, não tínhamos a CBN na palma da mão. Para saber o resultado de um jogo era preciso chegar em casa e ligar o rádio, ou andar com um rádio de pilha. Eu fiquei muito curiosa e pedia para a Lúcia: “pergunta para eles o resultado do jogo. Pergunta quanto foi, vai, vai …”. Minha irmã, mal-humorada nem respondia.  

Na ponte, os pedestres tinham de caminhar espremidos nas laterais, numa passarela de no máximo 1,60 m, com o Rio Tietê abaixo e entre as pistas da Marginal, uma das avenidas mais movimentadas da América do Sul. Eu e minha irmã avançando e a torcida caminhando em nossa direção.  Os torcedores passavam calados como em um cortejo. Minha irmã se somava àquela tristeza. Eu cutucava a Lúcia: “Pergunta, pergunta!”. Para meu azar, a expressão de tristeza e decepção da minha irmã era inversamente proporcional ao triunfo que se desenhava na minha face, porque faltando cinco metros para terminar a passarela, um torcedor veio em minha direção e disse: “tô sentindo cheiro de corintiano!”. Agarrei no braço da minha irmã e logo revelei: “Ela é palmeirense! Ela é palmeirense!”. O moço não se deu por contente —- nada o deixaria contente naquele diz: “e você?”

Eu, bem, eu tinha abaixo o rio Tietê, à frente a Marginal, tava logo ali, a cinco metros da rota de fuga. Então, arrisquei: “Eu? Eu sou corinthiana, graças a Deus!”. E corri o máximo que eu podia em direção ao shopping.

Naquela tarde, a Lusa havia vencido o Palmeiras por 2 a 0

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Vanessa Guimaraes de Mendonça é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Roberto Fulcherberger, da Via Varejo, diz como a tecnologia tornará atendimento cada vez mais pessoal nas lojas

“Quem vai mandar no jogo, como é que vai se dar o atendimento daqui para frente é o consumidor e cabe a nós estarmos preparados em todos os canais” —- Roberto Fulcherberger CEO da Via Varejo

Conectar clientes e vendedores através da tecnologia e tornar essa relação mais pessoal no atendimento dentro da loja. Esse é um dos projetos que a Via Varejo pretende lançar, em breve, a partir do investimento na digitalização de processos e da aproximação com startups. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Roberto Fulcherberger, que assumiu o comando da companhia em julho do ano passado, falou de estratégias que vinham sendo implementadas antes de a pandemia se iniciar e tiveram de ser aceleradas para enfrentar as restrições sanitárias que fecharam todas as lojas físicas:

“No segundo trimestre, fizemos circular tudo pelo online  e vendemos quase que a mesma coisa que a gente venderia, só que com 85% das lojas fechadas, na média do trimestre … A gente forçadamente fez a transformação total da empresa.” 

Quando chegou ao grupo, que tem marcas conhecidas no varejo — Casas Bahia, Ponto Frio, Extra e móveis Bartira —-, o desafio de Roberto era tornar a companhia relevante novamente, após perda de mercado para concorrentes, como a Magazine Luiza, e registro de prejuízos financeiros que chegaram a R$ 162 milhões no segundo trimestre do ano passado. Fez mudanças em todos os cargos do comando da empresa e levou, como define, “gente com ego zero” e “diversidade de conhecimento”: reuniu em uma mesma equipe executivos que entendiam muito ou de digital ou de logística ou de vendas:

“Tudo começou por pessoas, fomos encaixando as pessoas certas nos lugares certos … o time da segunda camada a gente também substituiu quase 85% e veio gente aliada com o que pensávamos …”.

Antes de alcançar a transformação digital que imaginava, Roberto diz ter sido necessário mudar a cultura da empresa e, para isso, a comunicação foi fundamental. Segundo ele, os colaboradores estavam fragilizados diante dos resultados negativos da companhia e era preciso ser direto e transparente com as equipes de trabalho. Um das formas foi mostrar onde a empresa pretendia chegar e como faria para alcançar seu objetivo. O executivo avalia que em quatro meses o time já estava engajado, o que ajudou, também, no desafio seguinte que foi a pandemia.

“Ninguém está preparado para fechar as portas ao consumidor. A gente naquele momento tinha um online de mais ou menos 28% das vendas, e logo vimos que teríamos 20 mil vendedores à disposição. O time se reuniu muito rápido, criou o Me Chama no Zap, um case mundial do Facebook, treinou o pessoal e, no quinto dia, todos os vendedores já estavam em contato com os clientes”.

Em novembro, a Via Varejo anunciou o fechamento de cerca de 100 lojas físicas e Roberto explica que a medida não tem relação com a pandemia. Diz que faz parte de um processo que já vinha sendo avaliado e tem como objetivo eliminar sobreposições de unidades, resultantes da fusão das Casa Bahia com o Ponto Frio. Há casos em que a companhia tem mais de duas lojas em uma mesma rua e outros em que há até sete unidades em uma região de microcomércios. Apesar de encerrar essas operações, o executivo nega que haverá demissões e lembra que está sendo mantido o plano de expansão que prevê abertura de 80 lojas, das quais 35 serão entregues até o fim deste ano.

Mesmo com o crescimento das compras online, a presença de lojas físicas seguirá sendo importante, de acordo com o executivo, porque ainda existem muitos consumidores que não querem a jornada digital e o Brasil é gigantesco e diverso neste sentido. Mais do que isso: a loja que até agora é quem recebe e se relaciona com o consumidor será, também, parte da logística e ponto de coleta, uma espécie de “minihub”. A compra da startup ASAPlog, em maio, por exemplo, foi a forma de a Via Varejo buscar soluções para a “entrega última milha”, contando com uma rede de entregadores autônomos. Essa aquisição também está ligada a outro movimento no grupo que é o de abertura do seu sistema para empreendedores através da Distrito, um centro de inovação que conta com uma plataforma que conecta startups, grandes empresas e investidores usando big data e inteligência artificial.

Lembra da primeira frase deste texto, em que falamos de usar a tecnologia para aproximar o cliente do vendedor dentro da loja? Roberto conta que está em desenvolvimento um serviço que fará com que o atendente seja alertado em seu smartphone todas as vezes que seu cliente entrar na loja, recebendo na tela do celular as informações sobre compras anteriores e buscas recentes que fez no site da empresa —- desde que autorizado pelo consumidor, lógico. 

“No fim do dia o que a gente quer é ser a empresa que melhor se relaciona com o consumidor. O pessoal costuma dizer que esta jornada digital vai deixar as coisas impessoais. Eu falo exatamente o contrário: vai deixar a jornada ainda mais pessoal …. vai ser como a 20, 30 anos quando o vendedor tinha a possibilidade de conhecer o cliente pelo nome”

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, às 11 horas, no site, no canal da CBN no Youtube e no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, domingo, às 10 da noite, em horário alternativo e em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Priscila Gubioti

Conte Sua História de São Paulo: há cultos sinceros, mas há os vilões, também

Flavio Cruz

Ouvinte da CBN

 

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Tenho saudades da minha cidade. Sei que dizem que ela é violenta, perigosa. Falam tanto dela. Falam que todo mundo é apressado, que as pessoas não têm tempo para nada. Mentira!  À noite as pessoas se reúnem, cantam e contam histórias. Quem quer, sempre tem um amigo; quem não quer, pode ficar sozinho. Não há prazo de adaptação, não há carência. Assim que você chega, você pertence. Todo mundo pertence. E há de tudo!

Há pecados e lugares para se pecar. Há perdão para poder se pecar. É boa de se cantar, é boa para se poetar. Caetano falou que é o avesso do avesso do avesso… e daí eu paro no avesso que quiser, no avesso que melhor me servir.  O Tom Zé canta que nos amamos com todo ódio e que nos odiamos com todo amor. 

E Billy Blanco diz que as portas de aço levantam, todos parecem correr, não correm de, correm para… Para onde, não sei? Sei sim, quero correr para lá. Ela tem de tudo, de todas as formas, todo o tempo. Ela é adulta, ela é criança. É adolescente, também. Às vezes, ela adoece, mas está sempre a se curar. 

Há Consolação, há Socorro, há Liberdade e até uma Casa Verde para não se perder a esperança. À noite, então, nem posso falar. Há gente nos teatros encenando cenas que saciam os cultos e há cinemas ocultos que saciam a vontade de sexo dos incultos. Há cultos sinceros, mas há os vilões do templo também. Há cultos e pastores da noite de quem não quero falar. Há tantas coisas na cidade, em cada canto, em cada esquina. Há dor, muita dor, mas tanta alegria vem junto que às vezes nem sei qual é qual. 

E os sonhos, então?

Tantos sonhos… Tantos segredos, tantas histórias que todos sabem e ninguém quer contar. Há também contos de fada, milagres que acontecem, outros que se compram, alguns que se vendem. 

Há gente de todo lugar, há lugar para todos e em algum lugar sempre algo está para acontecer. Há segredos que não se podem contar. E há contos que não são mais segredos. E há lendas, lendas e mitos. Quase todos são verdade, mas ninguém precisa saber. 

Falam tantas coisas de você… Eu escuto todas e só presto atenção nas que quero. Sinto muito sua falta. Não há cidade igual.  Tenho muitas saudades de você, São Paulo, meu amor…

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Flávio Cruz, um paulistano que vive nos Estados Unidos, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistória@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Felipe Mansano diz o que é preciso para sua startup ser descoberta por investidores

“Normalmente, os investimentos em startup têm esta característica: quem investe está procurando empresas que podem escalar, e, geralmente, a maneira mais eficaz é uma solução que é ancorada em um aspecto relevante de tecnologia”  — Felipe Mansano, Equitas VC

Mudar a maneira como profissionais de tecnologia são recrutados, migrar uma escola de programação para o cenário online e desenvolver conteúdo para provas de residência médica. Essas são algumas das ideias surgidas em startups que tiveram seus negócios alavancados com a participação de fundos de venture capital ou de investimento de risco. Todos esses projetos foram desenvolvidos no Brasil, país que tem assistido ao longo da última década um crescimento acentuado no número de empreendedores que se pautam em negócios digitais. Para Felipe Mansano, da Equitas VC, é importante ter esse ecossistema, do qual fazem parte  fundos, empresas e pessoas dispostas a investir em startups.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Felipe falou de oportunidades que existem atualmente no Brasil para quem cria e para quem investe:

“Na hora de fazer negócio é muito importante que as duas partes, tanto a gente como o empreendedor, além do dinheiro, avalie como esse investidor vai me ajudar a fazer para que o meu negócio alcance seu potencial. Nós acreditamos que é neste aspecto que mora a oportunidade, porque no Brasil tem mais escassez de conhecimento e de execução do que de capital — especialmente no cenário agora de juros muito baixo”

Os fundos de venture capital buscam empresas com foco na tecnologia porque são negócios que podem crescer em escala, o que atrai investidores dispostos a colocar o seu dinheiro em empreendimentos que estão em estágio inicial e a aguardar de sete a dez anos para terem o retorno financeiro: 

“É um jogo de longo prazo, mas para a empresa que dá certo, o retorno é 50 a 70 vezes o investido”.

Algumas dicas de Felipe Mansano que facilitam a atração de investidores para o seu negócio:

Como a maioria dos negócios está se iniciando, boa parte da aposta do investidor é na qualidade do time que está envolvido no projeto, portanto atenção na equipe de trabalho.

Identifique o diferencial competitivo deste time em relação ao desafio que a empresa está disposta a resolver,

Não adianta ser o maior peixe em um aquário pequeno, ou seja, é importante que você tenha solução para um problema grande; lembre-se, o investidor quer empresas com potencial de crescimento em escala.

—  Tenha clareza da concorrência; se houver muitas empresas oferecendo solução para aquele problema que você se propõe a resolver a chance de se destacar é menor

—  Mostre como a receita da empresa vem crescendo mês a mês; essa informação permite que o investidor avalie a adesão do mercado ao seu negócio, o quanto o mercado está vendo de valor na sua ideia.

Erros que podem atrapalhar o seu negócio:

Os fundadores da empresa terem apenas uma parcela do negócio: quanto menor a participação, menor é a disposição para enfrentar os desafios 

Não ter clareza do tamanho do seu mercado: o investidor precisa desta informação.

Ter empresas que não têm potencial de crescer em escala, geralmente não estão inseridas em tecnologia, uma característica que permite que o negócio se desenvolva de maneira rápida.

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, no Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e pode ser ouvido em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Galeano, Piazzola, Blazquez e o grito sonoro do gol para homenagear Maradona

 

Eduardo Galeano, que me inspirou em post anterior, foi resgatado em crônica “O parto”, na qual conta o nascimento de Diego Maradona, no encerramento da edição do Jornal da CBN. Por criação de Paschoal Júnior, ouvimos o segundo e impressionante gol do “Diez” contra a Inglaterra, na Copa do Mundo de 1986, em três vozes: Roberto Hernandes Júnior, do México, Samuel Souza Santos , da Guaíba, e Osmar Santos, na Globo. Tudo sonorizado por Adios Nonino , de Astor Piazzolla Y Eladia Blazquez, com interpretação de Mariana Avena.

Sua Marca: pesquisa mostra o desejo dos brasileiros na Black Friday

“Na Black Friday, quando a gente fala em gestão de marcas não pode ter fraudes. Transparência e verdade são mais importantes do que nunca”— Cecília Russo

A Black Friday —- data importada dos Estados Unidos — será na próxima sexta-feira, dia 27 de novembro, e será muito influenciada pelo período de pandemia que o consumidor está enfrentando, desde março. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apostaram na ideia de que este será o ano do comércio eletrônico, a medida que muitos já iniciaram essa migração digital desde o inicio da pandemia, em março.

“Não só pelo isolamento, mas o crescimento do comércio eletrônico também vai ocorrer porque estamos mais confortáveis no uso e os mecanismos de segurança estão mais confiáveis”

De acordo com estudo do Google, 70% dos consumidores já têm em seus celulares os aplicativos de suas marcas de varejo preferidas e 59% das pessoas disseram que pretendem usá-los para as compras.  Jaime também destaca o fato de que há um desejo represado de consumo, que ficou mais contido ao longo da pandemia:

“A gente adia, mas não mata o desejo. E tudo indica que a soma desses desejos que foram guardados deve voltar com muita velocidade”

Um outro estudo, realizado pela Provokers, empresa de consultoria e marketing, mostra que os celulares estão no topo da lista dos consumidores com 38% das pessoas ouvidas demonstrando intenção de compra. Em seguida, aparecem eletrodomésticos, com 30%, ítens de informática e notebook, com 28%, empatado com roupas. Com tanto desejo e tentação, é preciso cuidado:

“O maior cuidado é aquilo que a gente chama de bom senso, calma. Veja se o que você vai fazer ou comprar está alinhado com o seu posicionamento e a sua forma de ser. Não faça na Black Friday aquilo que você nunca fez na vida apenas porque tem uma promoção sendo oferecida”, alerta Jaime

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