Mundo Corporativo: Juliana Azevedo, da P&G, diz que investir em diversidade gera qualidade na inovação e satisfação do cliente.

“P&G escolhe um lado — com um orçamento de marketing de US$ 10,7 bilhões à disposição,  o gigante dos bens de consumo aposta na inclusão”

Essa foi a manchete publicada, nesta sexta-feira, em um portal de notícias da cidade de Cincinnati, onde a P&G nasceu, no ano de 1837. É significativa porque ilustra bem o tema da conversa que tive com Juliana Azevedo, a primeira mulher a assumir o comando da empresa, no Brasil. O foco da entrevista, no programa Mundo Corporativo,  foram as políticas de inclusão do público LGBTQIA+, que há 11 anos são desenvolvidas na organização e influenciaram o criação de uma série de outras ações em busca de uma diversidade cada vez mais ampla. 

Para Juliana, reconhecer a importância da diversidade e incluí-la na estratégia da empresa são fundamentais para que as organizações avancem no tema e impactem as comunidades que estão ao seu alcance. Ela explica que o desafio se torna mais fácil porque a ideia faz parte da história do grupo que, no século 19, tinha mulheres no comando de fábricas, nos Estados Unidos. Nos anos de 1980, a discussão sobre orientação sexual já era parte do cotidiano do grupo, por exemplo.

“Quanto mais diverso, mais inclusivo, mais autêntico, melhor realmente a nossa organização está. Do ponto de vista de negócios, a gente vê a qualidade na nossa inovação, a gente vê a satisfação do nosso consumidor e temos certeza absoluta que há uma relação direta em grupos de colaboradores mais diversos e inovações que satisfaçam melhor os consumidores brasileiros”. 

Para entender o que os diversos públicos buscam, a empresa forma grupos de afinidades, dos quais fazem parte cerca de 10 a 15 funcionários, ligados direta ou indiretamente à causa. Foi assim que se iniciaram as reuniões do Gable  (Gay, Ally, Bisexual, Lesbian & Transgender Employees) que inspiraram a formação de outros coletivos como os de mulheres, pessoas com deficiência, jovens e, mais recentemente, ético-racial. Desses debates, surgem novas políticas:

“Atualizamos planos de saúde, benefícios de casamentos, expandimos a licença parental para oito semanas remuneradas, para casais hétero e homoafetivos. Então, é uma política que talvez seja mais emblemática nesse aspecto de inclusão. Não é para a mulher. É para o casal. É para a família. É reconhecer todas as formas de amor, de união”.

Em abril deste ano, a P&G apresentou a iniciativa “PrideSkill – Porque ter orgulho de quem você é também é uma skill”, com o objetivo de ajudar profissionais LBTQIA+ a se conectarem com as empresas através do uso do termo “pride”. Foram criados filtros para o Instagram e o Facebook, além de uma capa oficial para o Linkedin, tanto para candidatos quanto para os contratantes, para estimular o orgulho da comunidade no meio profissional. Dados levantados pela P&G mostram que 61% dos funcionários LBTQIA+ no Brasil optam por esconder sua sexualidade dos seus supervisores.

Curiosamente, o grupo de afinidade étnico-racial se formou há pouco tempo — confesso, fiquei surpreso: imaginava que a demografia brasileira já tivesse influenciado as ações da empresa nesse sentido. Juliana Azevedo explica que é preciso, a todo instante, trabalhar os vieses inconscientes e as microviolências que ocorrem no dia a dia. Partindo do princípio de que não seriam encontrados candidatos negros e pardos, há três anos, aceitava-se a ideia de se ter apenas 8% das pessoas dessas cores e raças na equipe gerencial. Hoje, 32% se declaram pretos e pardos; e, no escritório administrativo de São Paulo, ainda são apenas 13%

“A gente precisa fazer um esforço maior … a primeira decisão foi criar esse grupo de afinidade e fazer um diagnóstico. Esse grupo definiu como primeiro passo ações de recrutamento. Fizemos uma série de parcerias e buscas para conseguir, em diferentes onde de recrutamento, que a gente fez durante 2020, recrutar até 80% só de pessoas pretas e pardas”.

Além de trazer para dentro da empresa, é preciso acolher essas pessoas. Foi assim com o grupo LGBTQIA+ e com pessoas com deficiência, por exemplo, e está sendo com a comunidade étnico-racial, conta Juliana. Um dos projetos foi oferecer cursos de inglês para reparar a falta de conhecimento devido a ausência de oportunidades. Os jovens também recebem acompanhamento de mentores que orientam e aprendem, permitindo que a empresa identifique outras barreiras que precisam ser superadas:

“Para nós é uma escolha estratégica. A gente não acredita que vai conseguir servir bem os brasileiros se a gente não tiver dentro da empresa o espelho do que existe na sociedade, Eu quero desenvolver produtos que sejam bons para todos os brasileiros e, portanto, preciso ter todos eles dentro da nossa própria casa”.

Provocada por uma das ouvintes do Mundo Corporativo, Juliana identificou algumas medidas que gestores e colaboradores precisam adotar se estiverem dispostos a encarar o desafio da diversidade e inclusão:

  1. Faça uma reflexão: você está disposta a encarar a luta que você tem pela frente?;
  2. Olhe a sua volta e busque aliados, que podem estar embaixo, em cima, em qualquer posição da empresa;
  3. Monte um plano de ação, entendendo bem seu interlocutor, ou seja, a empresa em que você está inserida
  4. Tenha muito claro onde você quer chegar e saiba muito bem de onde você quer sair
  5. Trace seu plano de tal forma que você promovendo pequenas mudanças no dia a dia.

Ouça a entrevista completa do Mundo Corporativo, com Juliana Azevedo, CEO da P&G

Mundo Corporativo: Helen Andrade, da Nestlé, ajuda a hackear barreiras que limitam a diversidade e a inclusão

Foto de fauxels no Pexels

“Não existe lugar que não é para você. Existe lugar que você ainda não chegou” 

Helen Andrade, Nestlé

Ao ler um anúncio de emprego oferecendo vaga para coordenador de manutenção, a primeira mensagem que profissionais recebem é de que a empresa está em busca de um homem. Pode parecer apenas um detalhe, mas a maneira como a vaga é descrita revela um viés inconsciente e reforça um preconceito. Observar as peculiaridades, identificar os desvios e incentivar a diversidade e inclusão são algumas das funções que Helen Andrade assumiu, no ano passado, em plena pandemia, na maior fabricante de alimentos e bebidas do mundo.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Helen, que é líder de Diversidade e Inclusão da Nestlé, chamou atenção para outros aspectos que influenciam na forma como as empresas selecionam seus profissionais ou oferecem oportunidades de crescimento:

“Uma grande empresa tem fluxo de pagamentos de 60 a 90 dias e isso é muito ruim para os pequenos fornecedores. Como a pessoa vai se sustentar recebendo daqui dois ou três meses? É preciso apoiar essa cadeia de fornecedores e, para isso, ampliar algumas políticas, sobretudo na forma de pagamento”.

No caso do anúncio de vaga, ela sugere que se tenha uma linguagem neutra na comunicação e as pessoas do setor de recursos humanos influenciem as lideranças em relação a não limitar a busca, já que o potencial pode ser encontrado em qualquer lugar. Helen alerta para cuidados que se deve ter na entrevista de emprego, porque uma pergunta pode estragar o processo seletivo e leva a empresa a perder talentos.

“Temos de entender como hackear o viés”

Mulher e negra, Helen também teve de superar as barreiras que existem para chegar a um cargo de comando dentro de uma grande empresa, apesar dela se considerar privilegiada por ter nascido em uma família na qual sempre teve o apoio da mãe para estudar e entrar na universidade. A educação fez diferença na vida dela. A indignação a levou em frente:

“É preciso ficar indignada e transformar essa indignação em ação”.

Ações afirmativas já vinham sendo desenvolvidas ao longo do tempo. Em 2015, com a inauguração da fábrica da Dolce Gusto, em São Paulo, se criou o desafio de transformá-la em exemplo de equidade de gênero. Em um ambiente estigmatizado como muito masculino, hoje 44% do corpo de funcionários são mulheres. Na fábrica da Garoto, em Vila Velha, Espírito Santo, são 100 profissionais surdos, de um total de 900 empregados com deficiência que atuam em toda a empresa, no Brasil.

A Nestlé inaugurou o centro de competência de diversidade e inclusão, área que funciona dentro da vice-presidência de gestão de pessoas e compliance, com a intenção de envolver todos os colaboradores e lideranças para que essa discussão —- na pauta racial, de gênero, de pessoas com deficiência, de LGBTi+, de jovens e com mais de 50 anos —- tenha efeitos internamente e reverbere nas demais comunidades que estão no entorno da empresa.

Logo que chegou à Nestlé, Helen promoveu um senso interno no qual identificou que 43% dos cerca de 30 mil empregados são pretos e pardos. Hoje, é possível saber onde estão, e em que nível da hierarquia se encontram —- informações que ajudam no planejamento de atividades. Para ajudar esses profissionais, foi lançado um programa de mentoria no qual são acompanhados por executivos da empresa, o que permite o desenvolvimento na carreira. Houve reformulação no recrutamento e seleção de pessoal: o programa de trainee, por exemplo, levou a contratação de 75% de negros e mais de 60% de mulheres.

“Não é uma questão unicamente de fazer para mostrar que está fazendo, é fazer o que é o correto e que vai te trazer resultado sim, sem dúvida, mas que você acredita nisso. e você só vai acreditar se você conhecer o tema”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no Youtube, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. E pode ser ouvido, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Invertendo a ordem: a pessoa contrata a empresa

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

  

 

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A startup 99jobs.com chega aos cinco anos de vida com 100 clientes top atendidos em projetos customizados e 2 mil providos com produtos e plataformas tech customizadas ou genéricas. Essas informações, obtidas na elaboração do post anterior sobre as Girls Boss, um braço da 99jobs, me levaram ao tema de hoje, afinal havia duas lições: como empreender com sucesso e como fazer o que ama.
 

 

 

Eduardo Migliano, 25, publicitário, e Diego Ximenes, 24, administrador, gostavam quando criança de perguntar aos colegas e amigos em que iriam trabalhar. Continuaram perguntando e constataram que as pessoas não estavam gostando do que faziam — por elas, pelo trabalho, pelas empresas ou por tudo isso.

  

 

Resolveram mudar o mundo ajudando as pessoas fazer o que amam. Com o princípio de que amanhã pode ser tarde demais, começaram a desenvolver um sistema de informações para saber como é trabalhar nas empresas. Montaram um algoritmo que, segundo eles, sinaliza até 99% das compatibilidades entre pessoa e empresa — daí o nome da startup. Dentre essas compatibilidades destacam-se como a pessoa realmente é, com seus valores, e como é trabalhar nas empresas com seus valores.

  

 

O banco de dados criado possibilitou ordenar expectativas, desejos e valores das pessoas e das empresas, invertendo a busca do trabalho: a pessoa contrata a empresa. O foco nas pessoas energizou o sistema e as motivou, transformando o processo numa comunidade e a mensagem em um movimento a favor do fazer o que ama. As empresas provaram e aprovaram.

 

 

Hoje são atendidas 100 empresas nacionais e internacionais no topo do ranking corporativo, para as quais a  99jobs.com oferece serviços customizados. Ao mesmo tempo fornece produtos de software e aplicativos customizados e genéricos para 200 companhias.

 

 

Para atender esse universo altamente qualificado de  clientes, a 99jobs.com utiliza 35 pessoas que fazem o que amam e ensinam as pessoas a encontrar o trabalho que irão amar. E aconselham: descubra seus valores no trabalho e veja quais empresas tem tudo a ver com você.

  

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Robert Wong diz o que as empresas esperam encontrar quando saem em busca de um CEO

 

 

“Escolher as pessoas certas, para o lugar certo, na hora certa e que trabalhem pela razão certa” — essa é uma das competências necessárias para quem pretende assumir o comando da empresa, segundo o headhunter Robert Wong, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. Outro aspecto que destaca é a necessidade de o “líder enxergar onde os outros não enxergam”. Wong é chairman da Havia e um dos maiores especialistas em atuação no Brasil no recrutamento de CEOs.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no site e na página da CBN no Facebook, às quartas-feiras, 11 horas da manhã. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo Gustavo Boldrini, Ricardo Gouveia e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: o que o mercado espera dos novos executivos

 

 

O novo executivo não fala mais em oferta, mas em demanda; não fala em produto, mas em serviço; não é mais força de trabalho operacional, é força intelectual. A explicação é de Rodrigo Vianna, diretor executivo da Talenses, entrevistado do programa Mundo Corporativo da rádio CBN. Especializado no recrutamento de executivos, Vianna fala ao jornalista Mílton Jung dos desafios impostos pelo mercado de trabalho que está ainda mais competitivo e como se adaptar a essa realidade, além de mostrar o caminho para a internacionalização destes profissionais.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br, pelo Twitter @jornaldacbn ou com perguntas pelo grupo de discussão Mundo Corporativo no Linkedin. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Alexandre Gama: “Rede social não é mídia social”

 

A importância das redes sociais na publicidade é questionada pelo presidente da Neogama/BBH, Alexandre Gama, em entrevista ao Mundo Corporativo, que vai ao ar, neste sábado, no Jornal da CBN. Conversei com ele também sobre o cotidiano das agências e os caminhos para construir um ambiente de trabalho criativo. No bate-papo que você assiste a seguir, Alexandre critica a forma como está se fazendo propaganda, atualmente.


Esteja preparado para ser um trabalhador temporário de alto escalão

Na segunda entrevista da semana, que vai ao ar no domingo, falei com Sócrates Melo, que tem o desafio de encontrar profissionais temporários para as áreas de diretoria e gerência, demanda que têm crescido nas grandes e médias empresas. Ele é diretor de um dos maiores grupos de recrutamento especializado do mundo, a Robert Hal, e conta qual o perfil do trabalhador temporário

A partir de abril, o Mundo Corporativo terá apenas uma edição, no Jornal da CBN de sábado, às oito da manhã. E você poderá participar do programa, ao vivo, pela internet, às quartas-feiras, às 11 horas. As perguntas podem ser feitas pelo Twitter @jornaldacbn e no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br.