Pensamentos não são fatos, são hipóteses

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Download a pic Donate a buck! ^ no Pexels

Os filmes policiais geram grande suspense e são capazes de prender o espectador até o fim da trama. Em geral, o clima de mistério esconde nuances e detalhes que só permitem que o criminoso ou o desfecho da investigação sejam revelados nas últimas cenas. Normalmente, os finais são surpreendentes e nos fazem perceber que deixamos escapar alguns detalhes – propositadamente favorecidos pelo diretor – que impossibilitaram desvendar a situação ao longo do filme.

 O que esses filmes têm em comum com a nossa vida?

Diante de situações que nos geram emoções intensas, como tristeza, raiva ou vergonha, em geral temos uma tendência a confiar excessivamente nos nossos pensamentos e desconsiderar diversos aspectos que poderiam nos permitir uma compreensão diferente ou alternativa.

Imagine a situação de uma pessoa que, no dia do seu aniversário, percebe que as pessoas que lhe são importantes não telefonam e não enviam mensagens. Essa pessoa até tenta ligar para um de seus amigos, mas a chamada cai na caixa postal. Inicialmente, o primeiro pensamento pode ser de que essas pessoas não se importam com ela. Possivelmente, diante disso, se sentiria triste ou decepcionada.

Ocorre que essa pessoa é presenteada com uma festa surpresa por esses mesmos amigos, motivo pelo qual não haviam falado com ela anteriormente. Nesse momento, provavelmente, essa pessoa teria uma mudança de perspectiva, uma mudança na forma de interpretar os fatos, experimentando, como consequência, uma mudança nas suas emoções.

Em geral, os pensamentos rápidos e precipitados acompanham as emoções, numa linha de raciocínio capaz de explicar o que se vive e o que se sente, deixando-se de levar em conta possibilidades alternativas que poderiam mudar a interpretação original.

Isso não significa que todos os nossos pensamentos sejam incoerentes ou infundados. Muitas vezes, os pensamentos negativos são compatíveis com situações difíceis que enfrentamos.

Buscar evidências ou informações adicionais que nos permitam criar raciocínios diferentes para o mesmo evento é chamado na psicologia de pensamentos alternativos ou compensatórios, o que não significa adotar pensamentos positivos: são coisas distintas.

Pensar de maneira alternativa é propor questionamentos aos próprios pensamentos. É adotar um pouco de ceticismo com o que passa pela nossa cabeça e analisar aspectos importantes que podem estar sendo ignorados.

Algumas perguntas podem nos auxiliar nesse processo:

  • o que estou deixando de considerar?
  • existe outra explicação para isso que está acontecendo?
  • se estivesse acontecendo com outra pessoa, o que eu pensaria sobre isso?

Nessa reflexão, muitas vezes descobrimos que nossos pensamentos são coerentes, racionais e que não estão sendo guiados pela emoção. Diante disso, precisaremos adotar algumas estratégias para resolver problemas reais, aceitar algumas condições ou mesmo avaliar o significado que atribuímos às situações.

No entanto, quando buscamos pensamentos alternativos para situações que são desagradáveis, podemos descobrir o quanto nossos pensamentos podem estar enviesados, distorcidos, restringindo nossas percepções e amplificando nossas emoções.

 Nossos pensamentos são livres. Podemos pensar absolutamente tudo, mas pensamentos não são fatos. São apenas ideias, hipóteses.

Então, antes de dar muito crédito e agir de acordo com o que passou rapidamente pela sua cabeça, vale a pena se lembrar de que muitas vezes a vida também imita a arte e, assim como num filme, devemos assumir o papel de um bom detetive, desses que exploram detalhes e possibilidades. Não se trata de aniquilar as emoções, mas adquirir enfrentamentos mais saudáveis que mudem o roteiro e produzam desfechos surpreendentes.

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Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

O luxo de permitir-se à reflexão!

 

Por Ricardo Marins

 

 

Esse época de fim do ano é inevitável fazermos um balanço. Seja pessoal, profissional, espiritual, é um momento em que muitos se permitem essa reflexão. Eu, pessoalmente, de uns tempos pra cá procuro fazer esse balanço/reflexão durante o ano todo, até porque não dá para esperar um ano para mudar o que devemos em nossas vidas. Penso eu. O tempo passa muito rapidamente e cabe a nós buscarmos o que nos falta, corrigir o que nos parece errado e aprender o que ainda não conhecemos….sim, sempre temos algo novo a aprender…

 

Nessa reflexão, para mim particularmente, sempre há agradecimentos. Um agradecimento interno de tudo que aprendi, conquistei, sonhos que realizei. Nunca conseguimos tudo e no prazo que gostaríamos, mas a gratidão é essencial para seguirmos em frente. Gratidão pelo que conquistei, pelas Amizades que cativei, pelos Negócios que realizei, por ter poucos e bons queridos ao meu redor…

 

Ser convidado pelo meu querido amigo e autor deste blog, Mílton Jung, foi um dos privilégios que conquistei neste ano. Um espaço democrático, com temas diversos, comentários bacanas, enfim…um ambiente de credibilidade altíssima e que dá prazer contribuir e fazer parte. Ser admirador da pessoa e do profissional Mílton Jung foi um dos fatores que mais colaboraram para a minha inspiração nos textos. Afinal, quando a gente admira uma pessoa, seja ela uma figura pública ou não, dá muito mais prazer em entregar o melhor.

 

Admiração, aliás, penso eu, que é um luxo. Pare para pensar quantas pessoas ao seu redor você admira. Podemos gostar de muitos, amar poucos, mas admirar…bem poucos!

 

Que 2014 seja um ano luxuoso para todos vocês que nos acompanham aqui no blog, Independentemente do significado de Luxo para cada um, que sabemos que é algo muito particular e subjetivo. Pra mim, Luxo é vivenciar experiências inesquecíveis, ter tempo para estar ao lado das pessoas que gostamos e admiramos, liberdade para fazer o que queremos…ou seja, que 2014 seja repleto de boas sensações a todos nós! E o mais importante: o meu muito obrigado a todos vocês pelas visitas ao blog e por lerem os meus artigos. Afinal, agradecer é sinônimo de respeito e de educação, dois artigos em extinção no mundo moderno….feliz ano novo!

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung

De peeling

 


Por Maria Lucia Solla

Ouça De Peeleing na voz e sonorizado pela autora

Olá

esta semana também foi difícil. Há tempo venho encarando um perrengue atrás do outro. Só ensina quem precisa aprender? tenho plena consciência disso. Meus ouvidos são os primeiros a ouvir o que digo.

Neste ponto é preciso parar para refletir sobre ouvir e escutar, que nós brasileiros usamos indiscriminadamente, sem perceber a diferença abissal entre os termos; e a gente fala, o outro ouve, mas não escuta; e vice-versa.

Pois bem, levando em conta meus ouvidos, parece que têm ouvido bem, mas escutado mal e porcamente. Os filtros andam tão sujos quanto estava o filtro do ar condicionado do meu carro.

Faz tempo que minha vida pede mudança. Um dia dói aqui, outro ali, em todos os meus corpos. E eu, que sempre fui mulher de grandes transformações, me vejo covarde, hesitante; tenho preferido perder a lutar. Tenho aberto mão da vida.

Hoje me dei conta de que ainda estou viva e de que nós, terráqueos, não precisamos apenas de mudança; precisamos de transformação, e transformação profunda. Só ela renova. No ano passado fiz, pela primeira vez, um peeling no rosto; leve e superficial, que me deixou o rosto amarelo durante horas, até poder lavar. A dermatologista disse que meu rosto se livraria da pele que demorava a se renovar. É evidente que se tivesse deixado o processo correr por conta da vida, se permitisse que meu rosto tivesse continuado, preguiçoso, a produzir um tanto de células hoje, outro tanto amanhã, eu poderia continuar a ter, como sempre tive, uma pele que se renova, no seu ritmo.

Mas a intervenção da dermatologista deixou minha pele sem chão. Em dois ou três dias, começou a descascar, sem trégua, e foi bonito de ver que a nova pele se mostrava no mesmo ritmo em que a velha oferecia espaço.

Hoje, olhei para trás e, em vez de ver o que já tive, o que já fiz, ou as aventuras maravilhosas que vivi, percebi claramente quanta vida ainda existe para mim, debaixo desta pele da minha vida. Toda a magia que vivi até hoje foi impulsionada pela transformação corajosa que provoquei ou aceitei.

Está na hora de largar o osso que venho roendo enquanto rosno dia após dia, e de convidar o planeta Marte a dar uma boa espanada na minha Lua natal, separando o joio do trigo.

Me recuso a ser escrava do passado; me recuso a ser escrava de mim. Minha vida precisa de um peeling. E a tua?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung