Rituais para ser um líder comunicador

Foto de Thirdman no Pexels

Medo do desemprego, dúvida sobre a possibilidade de ascender na carreira e poucas perspectivas de melhoria financeira têm abalado o otimismo dos colaboradores das empresas no Brasil, segundo estudo realizado pelo LinkedIn. O Índice de Confiança do Trabalhador que mediu a disposição no último trimestre de 2020 ficou em 58 pontos contra os 64 registrados no penúltimo trimestre do ano passado. Para resgatar a confiança dessas equipes de trabalho, além da sinalização de recuperação do país —- que foge do nosso controle —-, é preciso investir em uma das competências mais exigidas dos líderes nos tempos atuais: a comunicação.

É preciso expressar de forma clara ao colaborador a importância dele para a empresa e qual é a visão desta empresa em relação ao projeto de trabalho que ele está envolvido. Em resumo: o profissional tem de ser reconhecido para se sentir pertencente ao grupo. Sem isso, não haverá engajamento. Para que se construa esse relacionamento, a comunicação é essencial, devendo ser realizada de forma transparente, com argumentos consistentes e demonstrando que está acessível — verdadeiramente acessível —- a ouvir e responder as demandas que surgirem.

Acolher o outro e saber transmitir as mensagens que tornarão esse colaborador comprometido com o propósito e as metas da empresa são tarefas do líder comunicador —- essa figura cada vez mais necessária na dinâmica da empresa. 

Na tarde dessa quarta-feira, dediquei-me a conversar com líderes de um grupo empresarial preocupado na criação de uma cultura comunicacional e, em determinado momento, fui provocado a pensar em alguns rituais para o líder estabelecer uma comunicação efetiva com sua equipe. Não titubeei em destacar que o primeiro passo para que um profissional se transforma em um líder comunicador é saber ouvir o outro. Como lembra o consultor Thomas Brieu, entrevistado no programa Mundo Corporativo, em agosto de 2020, precisamos praticar a escutatória — palavra cunhada por Rubens Fonseca em texto no qual nos alerta:

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”.

No livro Comunicar para Liderar, que escrevi ao lado da fonoaudióloga Leny Kyrillos, trouxemos nove passos para que se percorra o caminho por um diálogo qualificado:

1. Reaprender a ouvir

2. Ouvir étão importante quanto falar

3. Exercitar a paciência

4. Saber perguntar

5. Não demonstrar pressa

6. Atenção na linguagem não verbal

7. Identificar as necessidades do outro

8. Buscar pontos em comum

9. Criar vínculos que fortaleçam as relações

Caso você se sinta à vontade, compartilhe com a gente bons e maus exemplos de comunicação que você já vivenciou em sua carreira. 

Conte Sua História de SP: formas de se criar vínculos, na pandemia

José Augusto Rocha

Ouvinte da CBN

Foto de Charlotte May no Pexels

Foram 280 dias de uma gestação que teve início em 20 de março de 2020 com o fechamento das escolas e órgãos estaduais, em São Paulo. Foi difícil se adaptar, em especial com o teletrabalho: sou professor da rede pública e mediador judicial voluntário no Cejusc, na Barra Funda —- é o centro judiciário de solução de conflitos e cidadania que ajuda as pessoas a entrarem em consenso.

A frase mais recorrente aqui em casa: “vai sair? Use a máscara!”.  Assim foi em todas as minhas escapadas do isolamento. Até para chegar no portão, estava paramentado. O mais engraçado foi o dia em que tive de ir ao banco, com máscara, luva, álcool gel e tudo mais a que tinha direito. No caixa eletrônico a surpresa: é preciso usar a digital —- e para tal, tirar a luva. Foi quando percebi a paranoia que estávamos entrando; cheguei a rir da situação.

Foi pela tecnologia que conheci outras pessoas e fiz amizades. As redes sociais amenizaram o isolamento. Em paralelo ao teletrabalho, aproveitei para ler, estudar, ouvir música e meditar. Cozinhar também me ajudou no equilíbrio psíquico e em cultivar o bom humor.

O mais triste foi à morte em vida que observo desde quando saí pela primeira vez à rua. Estamos distantes uns dos outros, mal nos cumprimentamos ou nos olhamos. Gestos de amabilidade foram censurados. Passamos bem longe do desconhecido, e ainda mais longe se for um conhecido sem máscara. 

É preciso, sim, muito cuidado, mas há formas de se criar vínculos. Um aceno de mão, um bom dia, um por favor, um muito obrigado —- mesmo que abafado pela máscara. Aos que estão longe, uma mensagem no WhatsApp, no perfil do Instagram …. Pegue o telefone, ligue!  Envie flores, cartões, músicas, poesias e orações. Como diz o mantra Baba Nam Kevalam:

Tudo é expressão do amor. 

José Augusto da Silva Rocha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

15 dicas para quem quer participar do Clubhouse

Desculpe-me pela insistência. Volto a falar de ClubHouse porque a rede que privilegia a fala está dando o que falar. Não bastasse ter sido convidado para uma das salas, com o tema Mentoria da Comunicação, voltarei a ocupar o espaço no próximo sábado, ao lado da minha amiga Leny Kyrillos. Comunicação será, mais uma vez, o tema da conversa. Desta vez, baseada no livro que escrevi com a Leny, Comunicar para Liderar. É de 2015. De antes, bem antes da pandemia, e, ao mesmo tempo, muito atual. Quem vai abrir a sala “Comunicar e liderar” para falarmos é Erika Baruco, especialista nas duas áreas: comunicação e liderança.

Da experiência de décadas no rádio — que tem o som como principal instrumento — à participação única no ClubHouse, reuni algum conhecimento que pode nos ajudar nesta nova rede social. No mínimo, evitar alguns tropeços. Para não pensar que o que escrevo a seguir é coisa de marinheiro de primeira viagem (ah, agora virou coaching de ClubHouse, né?!?), informo aos navegantes que conversei com algumas pessoas que entendem do assunto e, também, já participaram do clube.

Bons costumes no Clubhouse:

  1. Ter um moderador(a)
  2. Ter um tema definido
  3. Identificar previamente os pontos de fala de cada integrante
  4. Na abertura, cada integrante se apresentar com no máximo duas frases
  5. Ao fazer uma pergunta, encaminhá-la para um dos integrantes
  6. Enquanto um fala, os outros fecham o microfone
  7. Falar sabendo que outros querem falar
  8. Invista no conteúdo
  9. Frases, palavras e citações importantes devem ser repetidas para que o ouvinte absorva a informação
  10. Importante ilustrar com histórias 
  11. Incluir os ouvintes na conversa, sempre
  12. Ao passar a palavra para um ouvinte, antecipar quem será o próximo
  13. Ao responder o ouvinte, citar o nome dele ao fim da fala para que tenha a oportunidade de réplica
  14. Anunciar o encerramento da sala, 15 minutos antes e selecionar quem fará as últimas perguntas
  15. Ser simples, direto e objetivo

Consumidores odeiam o atendimento por robôs, mostra pesquisa que indica caminhos para melhor servir

Por Carlos Magno Gibrail

Image by Gerd Altmann from Pixabay

 

Nos primórdios dos estudos organizacionais já se dizia que um cliente bem atendido difundia preciosamente aos amigos a satisfação com a marca ao relatar a ocorrência. O cliente mal atendido propagava a experiência ruim 10 vezes mais. Hoje, pela capacidade da mídia social essa propagação é potencializada. Com os avanços da era digital, os produtos e serviços se sofisticaram e se multiplicaram gerando expectativas aos consumidores maiores que as do mundo analógico.

A importância de possuir um Atendimento ao Cliente eficiente e pertinente ao conceito da marca é essencial.  Por isso é louvável que o Grupo Sercom fornecedor de serviços e plataformas tecnológicas de atendimento ao cliente, tenha encomendado ao Instituto de Pesquisa Qualibest um trabalho sobre a avaliação dos atendimentos nos vários sistemas existentes.

A pesquisa foi realizada entre 10 e 16 de março, nas vésperas da pandemia se alastrar entre nós. Participaram 1.081 pessoas, 58% mulheres, e a faixa etária correspondeu a 57% de pessoas entre 25 a 34 anos. Por região, Sudeste com 52%, Nordeste 31%, Centro-oeste 32%, Norte 4%.  

A segunda parte da pesquisa com a intenção de identificar mudanças que a pandemia poderia ter influenciado foi realizada no mês de setembro quando observou-se que a diferença não foi significativa. Apenas no item sobre a evolução da automatização aqueles que acreditam que falarão exclusivamente com robôs em cinco anos passaram de 57% para 66% —- acréscimo de 9 pontos percentuais. O estudo concluiu que os consumidores preferem interagir com pessoas do que com robôs —- a despeito de acreditarem que esses vão predominar gradativamente.

Aí está um quadro contraditório que caberá às empresas, cada vez mais empenhadas em conquistar e fidelizar consumidores, resolver. Com certeza um desafio extremamente compensador.

A pesquisa é um dos recursos ao sinalizar preferências e resistências geradas pelas mudanças da nova era. Nesse caso, de início indicou que o atendimento por robô com telefone é “odiado” por 41% das pessoas enquanto 39% “não gostam”. Ao mesmo tempo, o Atendimento Humano por telefone é preferido por 43% das pessoas, as demais por Chat, por WhatsApp ou por Telegram. 

No caso do uso do SAC, independentemente do motivo, a preferência é 51% pelo Chat, 49% pelo WhatsApp, 47% pelo e-mail e 43% pelo telefone.

Para resolver um problema, o telefone é preferido por 40% dos entrevistados, para cancelamento por 39%, e para reclamação por 36%.

Para comprar um produto, a melhor opção é o site da empresa, assim como para rastrear um pedido, e para fazer um elogio. 

Os setores mais demandados de SAC foram a telefonia 72%, os Bancos 57%, a TV a cabo 43%   e o e-commerce 36%.

Na busca do SAC o intolerável é a espera, e a satisfação é a rapidez.

As recomendações dos pesquisados: 94%, sugerem mais agilidade, atendimento humanizado, funcionários mais bem preparados e aprimoramento de robôs.

Eis aí um punhado de itens que, atendidos, poderão revolucionar e diferenciar qualquer negócio da nossa era digital.  

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.   

O segredo da longevidade

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Image by Mabel Amber from Pixabay
Image by Mabel Amber from Pixabay

“Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossivel ser feliz sozinho”

Antonio Carlos Jobim

Se a gente conseguisse ver um filme da nossa vida até a velhice, quais seriam nossas escolhas? O que faríamos para ter uma vida mais longa, com saúde e bem estar? Diante dessa pergunta muitos responderiam sobre hábitos saudáveis de alimentação, atividade física, dinheiro e controle dos fatores de risco cardiovascular. Diversas pesquisas mostram que esses fatores são importantes no processo, porém, um estudo que vem sendo realizado há quase oito décadas, por pesquisadores de Harvard (orginalmente Study of Adult Development), aponta para um indicador  fundamental para a felicidade e longevidade: manter bons relacionamentos.

Inicialmente, o estudo acompanhou 268 rapazes estudantes da Universidade de Harvard e 456 moradores de bairros pobres de Boston, ao longo da vida, monitorando seu estado mental, físico e emocional.  Os participantes do estudo responderam, por décadas, questionários sobre sua família, seu trabalho e sua vida social. Além disso, participavam periodicamente de check-ups médicos, incluindo análise de amostras de sangue e investigação do funcionamento cerebral.  

A pesquisa que ainda continua e está na segunda geração, agora contando com mulheres e homens, filhos dos primeiros participantes, apresenta diversos dados interessantes, como o fato do alcoolismo ser um dos fatores que antecederam a quadros de depressão e a principal causa de divórcio entre os participantes. O alcoolismo associado ao tabagismo foi o maior responsável pelo aumento da incidência de doenças e de morte precoce. Entretanto, para os pesquisadores, foi surpreendente a associação obtida no estudo entre envelhecimento saudável e bons relacionamentos.

Manter relacionamentos saudáveis significa ter alguém em quem confiar. Significa estabelecer bons vínculos e se manter conectado com familiares, amigos e com a comunidade. Segundo dados da pesquisa, manter bons relacionamentos torna as pessoas mais felizes, fisicamente mais saudáveis e aumenta a longevidade. Por outro lado, pessoas mais solitárias do que gostariam, apresentam níveis mais baixos de felicidade, piora da saúde após a meia idade e vivem menos dos que aqueles que não estão sozinhos.

A percepção de solidão pode ocorrer mesmo quando se está numa multidão ou num relacionamento duradouro, portanto, se sentir sozinho não envolve o número de pessoas que se tem ao redor, mas a qualidade dos relacionamentos. Relacionamentos saudáveis são aqueles que envolvem afeto, segurança, que nos permitem ser quem somos, oferecendo aos outros a mesma  oportunidade de serem o que são.

Agora, como passar por dificuldades na vida — problemas financeiros, perda de emprego ou outros tantas problemas — sem ter atitudes que nos afastem, nos isolem dos amigos, da família e da pessoa amada?

A resposta sinaliza para o conhecido “amar não basta, é preciso demonstrar”. Ou seja, diante das durezas da vida, a capacidade de gerenciar as emoções e o estresse permitindo que a gente se mantenha próximo, contando com aqueles com os quais nos relacionamos e que também podem contar conosco, parece fazer a diferença. 

Manter bons relacionamentos vai exigir investimento: de tempo, de atitudes, de disposição. Infelizmente, numa sociedade competitiva, onde somos treinados para produzir e acumular coisas, muitas vezes nossas prioridades estão na carreira, no sucesso e no dinheiro… e deixamos de cultivar momentos com as pessoas a quem queremos bem.

Às vezes uma disputa de jogos com os filhos, uma mensagem para um amigo, um jantar olho no olho com a pessoa amada — e sem tela do celular para espiar a rede social –- é revigorante e fortalece as relações.

Martin Seligman, professor de psicologia na Universidade da Pensilvânia, destaca que poucas coisas positivas são solitárias e faz um questionamento pertinente: quando foi a última vez em que você gargalhou escandalosamente? Qual a última vez em que sentiu uma alegria indescritível? Quando foi a última vez em que se sentiu muito orgulhoso de uma realização? 

Seligman sugere que possivelmente todas essas situações aconteceram em torno de outras pessoas, que são antídotos para os momentos ruins da vida e a fórmula mais confiável para os bons momentos.

Possivelmente, algumas pessoas não se importam com a solidão, muitas vezes até preferem estarem sozinhas, mas considerando como o riso fica fácil quando estamos com pessoas queridas e somando-se os dados da pesquisa de Harvard, não sei se é impossível ser feliz sozinho, como propôs Tom Jobim, mas pelo menos parece mais leve e prazeroso se a gente estiver bem acompanhado.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: marketing de gentileza põe o ser humano no centro da relação, diz Laíze Dasmaceno

 

“Marketing não é sobre enganar as pessoas, ofender as pessoas, é simplesmente a gente criar estratégias para que a gente chegue ao objetivo” — Laize Damasceno, empreendedora

Levar a relação humana para o centro da discussão impulsiona empresas e pessoas a agirem com empatia e gentileza, e isso pode ser transformador nos negócios. Foi a partir dessa ideia, que a empreendedora Laíze Damasceno desenvolveu o conceito do que ela caracteriza como sendo o marketing humanizado, tema da entrevista que concedeu ao programa Mundo Corporativo da CBN:

“Ser gentil, ser bom e ser ético, vai me levar muito mais longe, vai me fazer muito mais sustentável do que eu ter picos de venda custe o que custar”.

Para Laíze, a pandemia fortaleceu ainda mais o conceito com o qual trabalha em cursos e consultorias, pois  demonstrou que empresas que tinham o respeito no relacionamento com o consumidor se saíram muito melhor diante da crise econômica. Ela destaca que marketing é entender a necessidade do público e atendê-lo com algo que seja útil, além de rentável a quem oferece.

“Em tempos de crise, aplicar a gentileza, a empatia e fazer o marketing genuíno e verdadeiro tem muito mais pontos positivos e isso não compete com a ideia de lucrar”.

A forma como a empresa se comunica ajuda na construção desse relacionamento, por isso a criadora da MDG Academy recomenda que se tenha atenção ao vocabulário usado nos diálogos com os diversos públicos:

“O vocabulário das marcas é um dos pontos que ensino no passo da humanização … por exemplo, como ter uma comunicação não-violenta; a gente pode falar a mesma coisa de diversas maneiras … podemos fazer críticas para construir, para somar, para chamar o outro para uma conversa”.

Um dos projetos lançados recentemente por Laíze Damasceno foi a comunidade digital Marketing de Gentileza, uma rede social colaborativa sobre marketing e negócios para conectar pessoas interessadas em troca de conhecimento, ideia e experiência.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo e em vídeo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no You Tube, no Facebook e site da rádio CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubioti.

“Por que estou sonhando com a(o) ex?”

 

Por Simone Domingues

 

man-4321864_960_720

Imagem Pixabay

 

A internet tornou-se uma das ferramentas mais rápidas para se fazer pesquisas sobre diversos assuntos, e não seria diferente durante a pandemia que vivemos. Uma das informações mais procuradas durante o isolamento social tem chamado à atenção de pesquisadores: “por que estou sonhando com o ex”? ou “por que estou pensando no ex”? —- essa busca cresceu 2.450% na comparação com o mesmo período no passado, segundo a empresa de marketing digital AGY47.

 

 

Ivan Izquierdo, em seu livro Memória (2018), destaca que os sonhos são evocações desorganizadas de memórias, em combinações variadas e diferentes, numa interação entre memórias antigas, recentes e os estados emocionais. E se tem algo que estamos vivenciando intensamente neste momento são as nossas emoções!

De que modo a memória participa desse processo?

 

Vemos o mundo parado, seja no comércio, seja nas artes, seja na nossa capacidade de ir e vir. Na incapacidade de projeções futuras, tendemos a nos resgatar no passado. Até mesmo a televisão tem exibido reprises de novelas, filmes e jogos de futebol. Nesse cenário de saudades, nossa memória entra em ação, associando essas vivências atuais a contextos antigos, possivelmente resgatando onde estávamos, com quem estávamos…

 

Nossa memória trabalha com associações. Não memorizamos um item isolado, ou seja, não memorizamos o movimento da bola entrando no gol, mas, sim, o gol que deu o título, a fala do narrador evidenciando que éramos campeões e as companhias daquele momento.

 

Imagine a seguinte situação: todos os dias quando seguia para o trabalho, um rapaz passava na cafeteria e comprava um café. Um dia deparou com a cafeteria fechada. No dia seguinte insistiu e ela permanecia fechada. Assim se seguiram os demais dias até o rapaz mudar seu comportamento e não ir mais à cafeteira. Porém, em um determinado dia, ao passar em frente a cafeteria, ele se deu conta de que estava aberta. O que ele fez? Foi lá comprar o seu café.

 

Com a memória acontece algo semelhante: esquecemos ou extinguimos uma informação, porque esta se torna desnecessária num determinado momento. Entretanto, a presença de fatores que estejam, de certo modo, associados à uma lembrança, podem trazê-la à tona.

Agora, cuidado!

 

Antes de sair por aí confiando demais na sua memória é preciso saber que a memória tende a incorporar fatos irreais, distorcendo as situações. Nelson Rodrigues dizia: “não há nada mais relapso do que a memória”.

Então, se nesse momento de isolamento social você estiver pensando muito no seu ex (relacionamento), talvez seja a hora de colocar a memória para trabalhar e buscar na lembrança —- e não no Google — quais os motivos dele ter adquirido a condição de ex.

 

Simone Domingues (@simonedominguespsicologa) é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: a sua relação com as marcas mudará depois da pandemia?

 

“Estamos vendo parte substancial da população brasileira reagindo em termos de consumo de uma forma distinta, quase como se estivéssemos aprendendo (a consumir)” —- Cecília Russo

Forçados pelo confinamento e o risco de contrair o novo coronavírus, os consumidores mudaram sua dinâmica, relacionando-se com as marcas no comércio on-line, encomendando pelo WhatsApp ou, em alguns casos, terceirizando essa compra, através de parentes, amigos ou vizinhos mais jovens que vão ao mercado em lugar dos mais velhos e daqueles que estão no grupo de risco da Covid-19. Por outro lado, empresas —- independentemente do tamanho —- tiveram de rever a forma de vender e se relacionar com o consumidor.

 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com Mílton Jung sobre a possibilidade desse momento proporcionar uma mudança no hábito de consumo das pessoas. Para Jaime, há duas perguntas a serem respondidas diante dessa transformação:

“Será que este é um cenário pedagógico em que vamos aprender a consumir marcas com maior racionalidade, ser mais rígido com preços, etc? Ou será, que esta é uma fase em que estamos recalcando vários desejos de consumo; e eles ficarão apenas hibernando?”

Pelas experiências anteriores, no Brasil e outros países, Jaime acredita que o mais provável é que o desejo — seja de consumo, seja de relacionamento — não vai morrer, ao contrário, voltará talvez em força ainda maior, podendo ajudar a economia a se recuperar mais rapidamente do que se imagina.

 

De acordo com Cecília, já é possível identificar esse comportamento, a medida que tanto pessoas quanto empresas fazem planos para quando a pandemia terminar:

“Não seremos um novo consumidor depois da pandemia; acho que a gente sai com mais atenção a cada novo momento que nós vamos viver. E as marcas que amamos fazem parte disso”.

Como ninguém tem certeza do que acontecerá, a sugestão é que as marcas não se precipitem, vivam semana a semana, analisando comportamentos e se adaptando ao momento presente. Lembre-se, também, do que já foi dito na edição anterior do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as marcas que mostrarem uma empatia com esse momento vão se sair melhor.

O maior dos cuidados

O autor do texto a seguir já esteve com a gente em outras leituras. É estudante do Colégio Notre Dame, em Campinas, e também editor do jornal da escola. Nessa semana, publicou na seção Carta ao Leitor artigo no qual fala da relação de avós e netos, em virtude do Dia do Idoso. Tomo a liberdade de reproduzir o texto no blog:

Por Matheus Mascarenhas
Estudante e escritor

 

Ah! Mas como descrever férias. Linda palavra, linda mesmo. Alguns diriam que tal paroxítona se parece mais com um período de descanso do nosso regime semi-aberto diário. Não há como esconder minha felicidade pelas férias. Ela vem chorando por atenção, e no final, agradece por irmos embora. São magníficas as transformações que ela faz. São magníficas as experiências. E também são magníficos os dias contados, esperando pelo reinício das aulas. E, às vezes, esse periodozinho te marca, molda uma memória memorável. E isso aconteceu comigo, desta vez.

 

Há algo mais clichê do que passar um tempo das férias na casa dos avós? Não, eu acredito que não. Todo mundo dá sempre uma passadinha lá. Uns ficam semanas, outros ficam poucas horas. Não sei para vocês, mas a alegria de encontrar meus avós é imensurável. É amor, comida, diversão. Uma combinação adorável. Quem não tem na cabeça uma piada engraçada da sua avó, ou uma história de infância do seu avô. Para mim é ritual, é costume. Esse momento sempre existe. E por que estou gastando seu tempo, ao ler essas coisas tão lindas e bonitinhas? Não se acanhe, continue por aqui. Deve ser difícil ter que ler todo esse jornalzão, mas juro que cada texto vale a pena (​Merchan grátis). Enfim, leitor, voltando ao assunto. A minha intenção aqui é contar um pouco sobre alguns momentos de minhas férias, um tanto peculiares para mim.

 

Como já havia dito, fui passar os tais dias na casa de meus avós. Já velhinhos, fazia mais de 6 meses que eu não me dispunha a dormir por lá. A primeira tarde foi revigorante! Um bolo mais um sorvete. Depois um bom papo com meu avô e uma conversa um tanto divertida com minha avó. Parecia um hotel. Eu sob os cuidados de meus avós. Logo entardecia. Pedimos a tradicional pizza. E, tempos depois, nos preparamos para dormir. Me arranjei numa daquelas posições pensativas que você fica por minutos na cama. Já estava na Hipnagogia (o limite entre estar acordado e dormindo). De repente, eu ouço soluços altos seguidos por uma tosse eufórica. Vish! O que seria? (Nota: leitor, relaxe, não haverá sequer uma morte nesse texto). Fui direto ao quarto dos meus avós. Quando cheguei, vi uma situação desconfortável. Meu avô se debruçava, engasgado. Nada de mau aconteceu, busquei água e tudo se resolveu. Ufa! A partir daí, já não me sentia confortável em estar desatento no período da noite. A verdade era que eu estava com medo de alguma coisa séria acontecer. Nunca tinha passado por isso antes. Na manhã seguinte, levantei tranquilo, com a mente apagada, meio surda. Tomamos café e o dia se seguiu. No jantar, infelizmente, meu avô engasgou — de novo. Tivemos que repetir o protocolo. Nada de ruim aconteceu, felizmente. No dia seguinte fomos embora.

 

Passaram-se alguns dias e voltamos para lá. De forma impremeditada, meu avô machucou sua perna, arrancou a pele do local. Minha avó nada podia fazer, já que abaixar-se para tal tarefa seria uma atividade um tanto inadequada. Logo, tal tarefa foi imcumbida a mim. Fiz o curativo certinho. Passei o soro, a pomada, a gaze e a fita. Tudo ​ok!​ E esse ciclo se repetiu, e repetiu. Mais alguns problemas gritaram por ajuda. Às vezes a locomoção deles era debilitada, havia de se ajudar. Às vezes precisava-se pegar remédios em locais não apropriados. E tudo isso se consumava em um ciclo.

 

Notei que eu tinha me tornado um cuidador de meus avós, igual a como eles haviam feito, no meu nascimento e infância. Houve uma inversão de postos. Eu passava a cuidar deles. E isso me soava estranho. Mas, leitor, não se engane. Eu não passei perto, nem de longe, do que eles fizeram por mim, e do que ainda fazem. Parece estranho comparar algo físico com algo subjetivo. Eu considero que meus esforços físicos, ajudando eles no que quer que fosse a tarefa, perdiam o mérito, ao serem comparados com os cuidados e esforços subjetivos, afetivos, que meus avós me transmitiram. Através das longas conversas, a troca de experiências, os sorrisos, e abraços, os beijos, as piadas, o amor, nada disso se compara, e eu afirmo, NADA disso é comparável a outro tipo de cuidado.

 

Meus amigos, parece difícil e até mesmo chato, mas aproveitar seus avós ou quem quer que seja que você considera muito importante, é imprescindível. É necessário, é bom! É saudável. Você nunca terá tão bons cuidados. Nunca. O que não se pode ver é a real cura: o amor. O lindo amor. Então da próxima vez que você encontrar com esse tipo de pessoa que te faz feliz, abrace muito, muito mesmo! Beije-o! Pode ser que algum dia, você não possa mais fazer isso de novo.

 

Um abraço a todos vocês! Boa leitura!