Sua Marca Vai Ser um Sucesso: a Influência das marcas no nosso sono e tranquilidade

“Fuja das marcas que dão insônia”

Jaime Troiano

Em um mundo onde as marcas estão onipresentes em nossas vidas, já parou para pensar como algumas delas transcendem o simples ato de comprar e se entrelaçam com nossas emoções mais profundas? No ‘Sua Marca Vai Ser Um Sucesso’, Jaime Troiano e Cecília Russo revelam um aspecto surpreendentemente íntimo das marcas: sua capacidade de nos transmitir tranquilidade e até influenciar nossa qualidade de sono.

Jaime Troiano compartilhou uma experiência pessoal que ilustra esse fenômeno. Enquanto se preparava para uma ressonância magnética, ele se viu confrontado com o barulho e a ansiedade do procedimento. No entanto, ao notar a marca GE no equipamento, ele foi imediatamente tomado por uma sensação de tranquilidade e conforto. Este momento despertou memórias afetivas associadas à marca, como o secador de cabelo usado por sua irmã ou a geladeira GE da família, levando-o a adormecer quase instantaneamente.

“Aquelas duas letrinhas, GE, parece que levantaram o alçapão da minha memória”.

Jaime Troiano

A erótica do sono

Cecília Russo, com sua expertise em psicologia, explicou que esse tipo de reação está profundamente enraizado em nossas memórias e experiências emocionais. Marcas que estiveram presentes em momentos de conforto e segurança em nossas vidas podem evocar sentimentos de calma e proteção, facilitando o sono e o relaxamento.  

Uma das referências para refletir sobre o tema, usadas pela Cecília Russo, foi o livro “A Erótica do Sono: ensaios psicanalíticos sobre a Insônia e o gozo de dormir” (ALLER), de Mario Eduardo Costa Pereira. Ela destacou uma passagem importante: 

“Ao dormir  deve ser possível colocar em suspensão às preocupações relativas
à vida cotidiana, à gestão da dimensão mundana do existir e permitir-se simplesmente…entregar-se aos braços de Morfeu. Sim, dormir – algo que se dá sob o inquietante silêncio das estrelas – pressupõe a capacidade de entrega e de confiança.”

Este trecho enfatiza a importância do sono para o equilíbrio emocional e como as marcas podem influenciar positivamente esse processo. 

“Acho que nem o Jaime nem eu tínhamos feito esse paralelo tão claro entre essas coisas que nos embalam. nos protegem, nos fazem dormir, e as marcas que zelam por esses momentos e projetos de felicidade”.

Cecília Russo

A marca do Sua Marca

Da conversa concluiu-se que nem todas as marcas conseguem estabelecer esse tipo de conexão emocional profunda com os consumidores. No entanto, aquelas que o fazem, se tornam parte integrante de nossas vidas, não apenas influenciando nossas decisões de compra, mas também afetando nosso bem-estar emocional e físico. 

“Ha marcas que nos incomodam, nos perturbam, nos traem, nos deixam acordado e aquelas que nos fazem dormir em paz”

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso pode ser ouvido todos os sábados, no Jornal da CBN, a partir das 7h50 da manhã. A sonorização deste episódio do Sua Marca é do Paschoal Júnior:

Caia nos braços de Morpheu: seu cérebro agradece!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagem: Pixabay

 

O sono e os sonhos despertam fascínio na arte, literatura e filosofia, adquirindo conotações inclusive místicas para algumas pessoas ou culturas, como entre os gregos antigos, para quem os sonhos eram considerados como mensagens divinas. Embora ainda não haja consenso entre os pesquisadores sobre a função exata do sono, os estudos apontam que a privação de sono tem efeitos imediatos na cognição, como prejuízos na tomada de decisão, planejamento, atenção, memória, criatividade e alterações de humor.

Em 1963, Randy Gardner, um estudante com 17 anos de idade, ficou 11 dias sem dormir para concluir um projeto para a Feira de Ciências de San Diego, sob os olhares de pesquisadores do sono, sem fazer uso de drogas ou cafeína. Após 2 dias sem dormir, apresentou irritação, náuseas e problemas de memória. No quarto dia, teve delírios e fadiga intensa. No sétimo dia teve tremores e dificuldades na articulação da fala, com episódios de paranoia e alucinações. Quando finalmente dormiu, o seu sono durou quase 15 horas e ao acordar, quase todos os sintomas já haviam desaparecido, com remissão completa após uma semana.

Randy não teve efeitos prejudiciais duradouros, mas o mesmo não ocorre com alguns animais que são privados do sono. Pesquisas feitas com ratos que são mantidos acordados por longos períodos mostram que eles perdem peso apesar de comer mais, tornam-se fracos, apresentam úlceras e hemorragias internas, chegando à morte. 

O sono reduzido em qualidade e quantidade também pode produzir alterações metabólicas, como aumento do nível de cortisol – hormônio do estresse – elevar a pressão arterial e os níveis de glicose, favorecendo algumas doenças, como diabetes e obesidade.

Em setembro deste ano, um estudo publicado por pesquisadores chineses mostrou a associação entre a duração do sono e a função cognitiva. O estudo envolveu mais de 20 mil participantes e os resultados mostraram que a duração do sono insuficiente (até 4 horas por noite) ou excessiva (acima de 10 horas por noite) está associada a um declínio cognitivo, sendo a memória o principal domínio cognitivo alterado.

O declínio cognitivo é detectado objetivamente através de testes neuropsicológicos que avaliam as diversas esferas cognitivas, como atenção, memória e funções executivas, com resultados abaixo do esperado para idade e/ou escolaridade, porém, sem comprometimento na realização das atividades de vida diária, como cozinhar, trabalhar ou cuidar das finanças. No declínio cognitivo, quando há prejuízo da memória, este pode ser considerado o fator de risco para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer.

Esses dados indicam a importância de se monitorar a função cognitiva em idosos que apresentam duração de sono insuficiente ou excessiva, bem como promover hábitos de higiene do sono, como medida de prevenção ou adiamento dos impactos cognitivos, especialmente tendo em vista o aumento da proporção de idosos nas últimas décadas e as projeções de aumento futuro.

Por outro lado, os cuidados com o sono não devem ser limitados aos adultos de meia-idade ou idosos. Numa sociedade caracterizada pela competitividade, somos estimulados a produzir cada vez mais, seja no trabalho, nos estudos, nos cursos extras, nas longas jornadas que privam o descanso até mesmo nos finais de semana, dormindo-se cada vez menos. Além disso, o uso excessivo de eletrônicos e o tempo gasto em redes sociais também prejudicam o sono.

Como medidas que podem contribuir para o sono adequado, os especialistas sugerem que se deve reduzir as atividades, diminuir a iluminação (incluindo as telas) e o barulho, e evitar o consumo de bebidas à base de cafeína e do álcool, próximo ao horário de dormir. A respiração mais profunda e a criação de imagens mentais agradáveis também promovem um relaxamento mais efetivo e, portanto, maior facilidade para adormecer.

A importância de uma boa noite de sono é reconhecida desde tempos remotos. Para os gregos, uma boa noite de sono era resultado da ação de Morpheu, deus do sonho e Hypnos, deus do sono. Hoje, sabemos que a melhor estratégia para uma boa noite de sono são ajustes no nosso estilo de vida e uma boa higiene do sono. Esses hábitos saudáveis, muito mais do que remédios, ainda são o melhor caminho para os “braços de Morpheu”. 

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Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung