Seja ano novo!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

“Um navio no porto está seguro. 

Mas não é para isso que navios foram feitos”

John A. Shedd 

Não sei se acontece com você, mas o dia 1º de janeiro sempre me faz pensar além de uma simples transição no calendário. Para mim, o Ano Novo carrega um significado profundo: é o momento de navegar por mares ainda desconhecidos, guiados pela esperança e pelo desejo de renovação.

Embora a vida siga como no dia anterior, há uma atmosfera especial no ar, permeada pelo desejo de mudança, de que as coisas sejam melhores e nossos sonhos se tornem realidade  É como se o mundo inteiro conspirasse para nos lembrar de que podemos mudar o rumo, ajustar as velas e sonhar com novos horizontes. 

Em meio a esse clima festivo, faço um convite: feche os olhos e pense em três desejos que você realmente gostaria que se realizasse em sua vida. Não vale coisa impossível! Apenas aquilo que, com um pouco de esforço e sorte, possa ser alcançado.

Esforça e sorte? Ou coragem? Talvez, esforço, sorte e coragem!

Coragem. É ela que transforma sonhos em ação. Sem um gênio da lâmpada, a imprevisibilidade da vida exigirá decisões, mudanças de planos e de rumos, a enfrentamentos e ações na busca por aquilo que dá sentido à vida.

Seria mais fácil se houvesse mágica, mas somos confrontados pela realidade e descobrimos que, para atingirmos o que nos é valioso, será necessária uma mudança de atitude que só pode acontecer dentro de nós mesmos. Precisaremos soltar as amarras, deixar o porto seguro e modificar padrões de comportamento que já não nos servem.

Desejamos ser amados, mas tememos a vulnerabilidade que o amor exige.  Queremos reconhecimento, mas evitamos a exposição. Buscamos liberdade, mas nos aprisionamos no medo do futuro. Almejamos o sucesso, mas procrastinamos diante do esforço necessário. 

É muito mais que uma mudança no calendário. 

É muito mais que uma lista de desejos a serem realizado. 

É uma mudança de perspectiva.

É ser ano novo!

Ser ano novo é inspirar, apoiar e levar esperança a quem precisa. É ser a luz em meio à tempestade ou o vento que impulsiona alguém a seguir adiante. É ter a ousadia de navegar além de nós mesmos, para se tornar uma força transformadora na vida de outros.

Também é olhar nós mesmos com compaixão e gentileza. É aceitar as falhas, recomeçar, perdoar-se. É zarpar com confiança e esperança, acreditando que novos mares trazem novas possibilidades. Ser ano novo é permitir que a força e a coragem possam nos guiar rumo ao que mais desejamos alcançar. 

Então, seja ano novo!

Que você realize os desejos que carregou para este momento e, sobretudo, que navegue com coragem rumo a um Ano Novo cheio de significado e conquistas para você!

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

O ano novo está dentro de você

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Jonas Von Werne

“É dentro de você que o ano novo

cochila e espera desde sempre”

Carlos Drummond de Andrade

A buzina insistente alerta para o caos que está no trânsito. Uma pessoa passa gesticulando e xingando, correndo, porque não tem tempo a perder. Pessoas se encontram e ao invés de desfrutarem da felicidade desse momento, preferem se queixar sobre as chatices cotidianas.

Nos preparamos para as festas de fim de ano. Uma checagem no armário e a conclusão é de que não há roupa que agrade, apesar de tantas estarem lá. Uma pausa para olhar no espelho, olhos nos olhos, e logo identificamos uma coisa que não gostamos em nós.

Na esperança que as coisas mudem para o próximo ano, listamos metas. Listas de metas que ficam guardadas, adiadas, esquecidas. Talvez por serem coisas difíceis de se realizar… Talvez por serem coisas que não são prioridade.

Você deve estar pensando: “isso aqui não deveria ser sobre esperança e renovação, afinal estamos num momento de comemorações?”.

Você tem razão!

Permita-me completar: nós somos convidados todos os dias a momentos de esperança, renovação e comemorações. A cada manhã, a vida nos convida para um dia a mais. Um dia a mais de oportunidades para sermos felizes, para amar, para perdoar, para viver intensamente o momento de um café quentinho ou de um abraço apertado.

Fazer a vida valer a pena não parece tarefa fácil. Há uma lista de coisas – essa não foi feita por nós – que nos desafiam a todo instante.

Mas não espere pela passagem do tempo. Não adie aquilo que você tem a oportunidade de viver hoje, não importa se janeiro, setembro ou dezembro. O ano novo está dentro de você. Cada vez que você tem esperança, cada vez que você se renova, cada vez que você comemora… É sempre ano novo!

Há momentos em que a gente aperta demais a buzina, aperta o passo, se esquece daquilo que é valioso e essencial.

O que fazer?

Recomeçar. Nós temos a chance de recomeçar.

E não seria isso o significado do ano novo? Dar uma nova oportunidade para nós, para a vida

E nesse recomeço, inspirada pelo samba de Arlindo Cruz, acredito que “iremos achar o tom, um acorde com lindo som e fazer com que fique bom outra vez, o nosso cantar, e a gente vai ser feliz…”

Com fé e esperança, desejo que seja ano novo em todos os seus dias.

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Mudanças na Câmara dos Deputados aparece apenas nos números

 

congresso nacional

 

De cada dez deputados federais eleitos, no domingo, quatro – ou quase isso – assumirão pela primeira vez o cargo no Congresso Nacional. Dos 513 parlamentares eleitos, 198 são considerados novatos, assumem pela primeira vez o mando na Câmara Federal. Isso significa que, na primeira eleição após as manifestações de rua no ano passado, tivemos renovação de 38,6% dos deputados – a maior desde 1998 quando se começou a calcular esse tipo de estatística.

 

O índice sobe para 43,5% se considerarmos que 25 dos eleitos, apesar de já terem tido mandato de deputado, estavam fora da atual legislatura, como é o caso de Celso Russomanno (PRB-SP), Pompeo de Mattos (PDT-RS), Alberto Fraga (DEM-DF), Gilberto Nascimento (PSC-SP), Benito Gama (PTB-BA) e Moroni Torgan (DEM-CE). Há casos ainda como o de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) que se elege deputado depois de já ter cumprido mandato de senador.

 

Os mais otimistas identificarão nessa renovação o atendimento às reclamações feitas pelos cidadãos durante os protestos de 2013. Devagar com o andor porque o santo (ou o candidato) é de barro. Não se engane com os números. A começar pelo fato de que, historicamente, a média de substituição gira em torno de 40% a 50%, segundo informação do site Congresso Em Foco. Se calcularmos os novatos e os que não cumpriam mandato, a eleição de 2010 chegou a um índice de renovação (ou substituição) de 46,4% – portanto maior do que este ano.

 

O cenário é ainda pior se levarmos em consideração quem foi eleito para a próxima legislatura. Parlamentares conservadores se consolidaram como maioria, de acordo com levantamento feito pelo Diap – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. As bancadas sindical e dos movimentos sociais perderam 50% dos seus representantes, enquanto houve aumento no número de militares, religiosos, ruralistas e outros segmentos mais identificados com o conservadorismo. Calcula-se, por exemplo, que os evangélicos alcancem 70 cadeiras.

 

Além disso, é possível identificar entre os novos eleitos, sobrenomes que há algum tempo dominam a política nacional. Para se ter ideia, os dois novatos mais bem votados são Bruno Covas (PSDB-SP), e Clarissa Garotinho (PR-RJ). Um é neto do ex-governador de São Paulo Mário Covas e a outra, filha do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho.

 

Portanto, caro e raro leitor deste blog, o tsunami por mudanças que eclodiu no ano passado, parece, se transformou em marolinha.

 


A foto deste post é da coleção de Fernando Stankus, no Flickr

De livros e desafios

 

Por do Sol por Solla

Maria Lucia Solla lançou De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa (Ed. Libratrês) em 2002. O texto estava pronto bem antes, mas o deixou adormecido ou amadurecendo até a decisão de transformá-lo em livro de capa e papel. Sete anos depois resolve encarar uma tarefa das mais complicadas: se intrometer nos próprios pensamentos e se debater com as certezas que tinha uma década atrás. Não que ela seja mulher de fugir de suas responsabilidades, mas para enfrentar este desafio quer contar com a sua cumplicidade.

A partir deste domingo, e sempre aos domingos, você terá aqui no Blog a construção de um novo livro ou do mesmo, dependendo o resultado final. Seus comentários serão fundamentais para traçar os caminhos que Maria Lucia irá percorrer. Lembre-se, cada vez que você publicar uma ideia, um conceito ou uma frase por mais simples que seja a respeito do que está escrito aqui, poderá mudar o destino de uma história ou confirmar um pensamento.

Seja bem-vindo !

Mílton Jung

Reescrevendo de Bem Com a Vida Mesmo Que Doa

Por Maria Lucia Solla

Agradecimentos

Na minha jornada, nesta vida, a consciência começou a despertar cedo, em mim. Fui uma menina de olhar profundamente triste, solitária e fechada, mas transbordava de curiosidade, expectativa, ansiedade e de mais e mais curiosidade.

Meu ser assim me levou a buscar nos livros, nos idiomas, no estudo e no comportamento das pessoas à minha volta, o que minhas pernas ainda não podiam alcançar. Meu caminho de busca deixou, muito cedo, de ser singular e eu aceitei, como ainda aceito de braços abertos, a sua pluralidade.

Assim construo minha história pessoal.

Há muita gente envolvida no processo. Gente que entra na minha vida através de livro, aula, música, sorriso, embate, encontro e desencontro. Mesmo aqueles que nunca encontrei contribuem com o despertar da minha consciência. Cada um acende ao menos uma luz no caminho da minha vida, que é uma rota de eterna surpresa.

A todas essas pessoas, ofereço minha mais sincera gratidão.

Há quem chegue tocando a campainha e há quem meta o pé na porta. Tanto uns quanto outros instalam-se por algum tempo, interagem comigo e me modificam. Para sempre.
Imprimem-se em mim.
Amigo, parente, professor, aluno, conhecido, colega de trabalho; amor.

Todos mestres

Todos importantes na construção do que sou e do que ainda serei. Durante a convivência, provocam em mim todo tipo de emoção; mas acima de tudo, me ajudam a ver.

Entre os que entraram na minha vida, há dois que têm cadeira cativa no meu coração. Meus filhos. Chegaram através do meu próprio corpo e têm sido os que mais me ensinam. A eles, sempre quis dar o melhor de mim. A eles, sempre quis oferecer o que tenho de mais bonito e de mais leve; o que tenho de mais perfumado e gentil, de mais claro e brilhante. E tudo isso vai no pacote do meu pedido de perdão pelas vezes em que não fui capaz de dar nada além de tristeza, lágrima, insegurança e dor.

Proposta

Nada é por acaso.

Um livro não chega às nossas mãos, por acaso. Ele tem uma missão a cumprir, e nós temos missões a cumprir, através de suas mensagens. Todo livro tem uma missão a cumprir; a de guardar uma das missões de quem o escreveu.

Comecei a escrever De bem com a vida mesmo que doa, num impulso incontrolável. Comecei a escrevê-lo porque o que tinha a dizer, transbordou. Usei um notebook, meu intelecto, corpo, memórias e experiências. No entanto o mais importante no processo foi o coração, que tem sido, sempre, meu aliado.

Para você que recebe agora o resultado do meu trabalho, vou fazer uma proposta. Mas antes dela, vou mencionar uma das Leis do Universo que você seguramente conhece. Ela diz que quando você recebe algo – uma idéia ou uma informação, por exemplo -, isso vai ser processado em você. Você filtra o que recebe e mistura com todas as outras idéias, informações e crenças que já existem em você, e que fazem de você o que você é. Então processa tudo, faz um coquetel, e é vital que devolva o resultado desse processo, ao Universo.

Abrindo espaço para o novo

Agindo assim, você abre espaço para que o novo entre na sua vida, mas se continua a armazenar e colecionar idéias e crenças, corre o risco de sufocar e até, eventualmente, implodir. Idéias acumuladas vão envelhecendo, perdendo a validade, e você se transformando num depósito de quinquilharias. Vai ficando endurecido, engessado; um poço de artrite física, mental e emocional. O novo procura, procura e não encontra brecha para entrar na sua vida. E assim, acaba não entrando.

Você perde oportunidades de evoluir, e breca o movimento natural, que é sinônimo de vida. Impede o processo de renovação e de evolução que é responsável pela manutenção da juventude, e que mantêm você vivo, sentindo que vale a pena viver.

Um ciclo perfeito de renovação

Um ciclo perfeito de renovação, crescimento e evolução, acontece mais ou menos assim:

➛ você se vê frente a frente com uma ideia nova
➛ ela desperta o teu interesse
➛ ele abre as portas e permite que ela percorra o seu caminho em você.
➛ depois de cumprir sua missão, ela precisa sair
➛ entra por uma porta, sai pela outra, e você se prepara para ainda uma outra.

Se reconhecer a oportunidade, você a recebe, permite o seu percurso, filtra o que quer manter e devolve o resultado ao Universo, de onde ela veio.

Como?
Faz isso através da tua voz, das tuas palavras, pensamentos, gestos, olhares, atitudes, conversas, e-mails, na arte da cozinha, no escritório, no palco. Enfim, em toda e qualquer comunicação que você venha a produzir.

E você, que ideias têm despertado o teu interesse?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça “Reescrevendo” na voz da autora

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira e está ansiosa pela sua participação para se reescrever sem punir seu passado.