Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: minhas pescarias no rio Tietê

 

Nesta semana e até o dia 25 de janeiro, o Conte Sua História de São Paulo vai ao ar em versão especial para homenagear os 464 anos da capital paulista. Os textos enviados pelos ouvintes da rádio CBN serão selecionados e publicados no Jornal da CBN, às 8h15 da manhã:

 

Por Frederico Viebig

 

 

Aos 12 anos, voando no tempo em 1960, sócio do memorável Clube de Regatas Tietê, encantavam-me os esportes do clube, como natação, basquete e até o tênis de Maria Ester Bueno. Um, no entanto, era especial: o remo. E por um motivo curioso!

 

Morávamos perto da Praça da República, eu e meu irmão Ricardo – mais novo dois anos. De lá tomávamos o ônibus azul que se dirigia ao Imirim, Zona Norte de São Paulo. Sozinhos, sem adultos para tomar conta, em completa segurança, íamos até o ponto de ônibus em frente ao clube. Como crianças, não pagávamos. Levávamos a carteirinha de sócio do Tietê, além de pequenas varas de bambu, anzóis e latinha para iscas.

 

Eu, como mais velho, me dirigia ao departamento de remo e pedia um par de remos para “treinamento” nas bordas do pequeno píer de madeira que havia nas margens do Rio Tietê, à jusante da Ponte Pequena.

 

Como bom aventureiro, tomava um pequeno barco de madeira e saía remando rio acima até encontrar meu irmão que ficava no barranco me esperando para embarcá-lo. Ricardo, meu irmão, tinha a obrigação de cavoucar os barrancos do rio para encher nossas latinas com minhocas que serviam de iscas para nossa pescaria.

 

Sim, porque todo este trabalho era para orgulhosamente pescarmos no Tietê!

 

Remando o barquinho, passávamos pela ponte fugindo de um rodamoinho que havia bem embaixo dela. Com muito esforço e destreza desviávamos e subíamos rio acima até as lagoas da “Portuguesa”. Hoje já não existem. O rio foi retificado, as lagoas assoreadas, e se transformaram em casas e no “belo” estádio da Portuguesa de Desportos.

 

Eram aventuras feitas às escondidas. Ninguém sabia! Nem meus pais. Nem o motorista do ônibus. Nem os funcionários do clube. Era segredo entre meu irmão e eu, que só agora revelo.

 

Se não tínhamos aulas na escola tínhamos nossa pescaria secreta. Fizemos várias incursões deste tipo e devo confessar que nunca conseguimos fisgar um mísero peixinho, mas o sabor da aventura e independência era impagável. Dois homenzinhos, donos do mundo!

 

Frederico Viebig é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar dos 464 anos da nossa cidade. Envie sua história para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP – 462 anos: aprendi a nadar no Rio Tietê

 

Por Elmira Pasquini

 

 

Em 1937, quando morávamos em Itaquera, zona leste, só havia um grupo escolar, ou seja até o 4o. ano primário, o que levou meus pais a mudar para a cidade afim de eu prosseguir nos estudos. Se arriscaram, e vou adiantar que em pouco tempo começaram a sentir falta da tranquilidade da chácara onde tínhamos tudo que precisávamos, fresquinho sem sair de casa, e sem gastar.

 

Na cidade, a primeira coisa que preocupou papai foi fazer parte de um clube para nadar e praticar exercícios, assim como fazia na chácara. Íamos de bonde para o clube Guarany .no bairro do Tatuapé. Logo. papai comprou um barco fininho e comprido, com rodinhas no assento. Tinha remos bem longos, que papai sabia fazer deslizar na água de forma muito elegante.

 

Meu irmão e eu sentávamos um em cada ponta do barco, enquanto descíamos o Rio Tietê, que de tão limpo enxergávamos através de suas águas. De remo, chegávamos a Ponte das Bandeiras, no Clube de Regatas Tietê. Ali, papai dava meia volta e começava o nosso exercício. Com os remos, gentilmente, ele nos empurrava para dentro do rio, e do nosso jeito íamos nadando ao lado do barco. De vez em quando, ele colocava o remo à nossa disposição para fazermos um rápido descanso e retomar o fôlego, pois estávamos nadando rio acima.

 

Papai nos orientava: braçadas curtas, mais devagar, batendo os pés, calma, mais perto do barco… fazíamos tudo que aprendíamos num quadrado, cercado e forrado de madeira, que ficava dentro do rio, chamado de “cocho” – próprio para menores que estavam aprendendo a nadar.

 

Apesar de gostarmos e nos esforçarmos para fazer tudo direitinho, ficávamos animados mesmo é quando víamos que o clube estava chegando.

 

Assim era o Rio Tietê, quando ainda tinha suas margens cheias de mato.

 

Elmira Pasquini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração é de Mílton Jung e a sonorização de Cláudio Antonio. Para participar do Conte Sua História de São Paulo, envie texto para milton@cbn.com.br