A CPI do Romário ou como o mundo explica o futebol

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

ROMARIO

 

Romário garante que os documentos levantados pela CPI que foi realizada entre 2014 e 2016, além de terem servido de munição para a prisão de dirigentes, podem também condenar Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira.

 

No “Bem, Amigos” do SPORTV, numa postura efetiva de senador artilheiro, Romário discorreu sobre os percalços que enfrentou na CPI do futebol contra a bancada da bola. Acostumado ao confronto com zagueiros adversários, sempre duros e algumas vezes desleais, ainda assim foi driblado e atropelado pelos nobres colegas.

 

Entre os dissabores apontados, o time de seis que formou inicialmente foi inflado para onze, com a inclusão de senadores que não tinham o interesse investigativo que foi estabelecido para a CPI que criara. Um deles, Collor, nunca foi a nenhuma das reuniões.

 

Romero Jucá como relator não aceitou a proposta de Romário para incluir como trabalho final o relatório de ambos, ficando somente o de Jucá. Aquela locução inicial de Romero apelidando a “CPI da dupla Ro-Ro” foi mesmo uma piada de mau gosto. Ou, mau presságio.

 

Romário acredita que o resultado foi positivo, pois os documentos encontrados pela CPI estão lá e um aprofundamento poderá condenar muitos, numa análise pela Policia Federal e Ministério Público.

 

A CBF imediatamente às declarações de Romário enviou ao programa uma nota que foi lida afirmando que não há provas para as acusações. E Del Nero investigado há dois anos afirma que é inocente.

 

É um cenário que acostumamos diariamente. Todos os acusados se declaram inocentes até diante de áudio visuais comprobatórios. Neste caso a curiosidade de Marco Polo Del Nero, com nome do mais ilustre dos viajantes, não viajar jamais, para não correr risco.

 

De outro lado, podemos dizer que a obra de Franklin Foer “Como o futebol explica o mundo” é um fato, mas a saga de Romário no senado está mais para o contexto de “Como o mundo explica o futebol”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Garrincha, a FIFA e o revisionismo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O jogador Pato no “Bem, Amigos” ao ser indagado por Galvão Bueno se tinha visto o filme de Pelé respondeu negativamente. Romário também já demonstrou ignorar a história de alguns craques que fizeram a história do futebol. Se não, a história do próprio futebol. Donde se conclui, que se jogadores esclarecidos como Romário e Pato desconhecem referências do esporte que praticam a maioria também deve se ater à própria atualidade.

 

Esta fragilidade de conhecimento que desperdiça a sinergia e esvazia o protagonismo, leva inclusive a parca representatividade destes profissionais, que ficam à mercê das empresas que os contratam, que são os clubes de futebol. Estes, por sua vez, também se entregam às federações estaduais, federais e mundial. Diferença gritante com os tenistas, profissionais mais preparados, que mandam em sua modalidade.

 

A FIFA, portanto, entidade soberana do esporte, que é hoje o mais popular do mundo, controla as federações, os clubes e os jogadores. Além de se sobrepor aos países em seus eventos, obrigando-os a se enquadrar em suas regras, que sabemos são norteadas ao máximo resultado pecuniário. Doa a quem doer.

 

É um poder inigualável este que a FIFA exerce, pois enquanto as grandes marcas mundiais de serviços e produtos têm limites éticos no trato com clientes e funcionários, a FIFA começa a ultrapassá-los. E, uma das mais recentes vítimas, quem diria, é Garrincha. Personalidade de destaque nos anais da FIFA. A biografia de Garrincha no site da FIFA é absolutamente verdadeira, totalmente elogiosa, e descompassada da justificativa da entidade máxima do futebol, ao desautorizar o nome “Estádio de Brasília Mané Garrincha”, alegando que “Mané Garrincha” não tem a internacionalidade que as arenas precisam.

 

No site da FIFA, Garrincha está na relação dos 15 maiores jogadores de todos os tempos, e é visto como:

 

“Chaplin do futebol”
“O pequeno pássaro que voou no Brasil”
“O anjo de pernas tortas”
“Imprevisível, mágico, indefinível e explosivo”
“Um dos maiores jogadores a vestir a camisa canarinho”
“De que planeta ele é?”

 

Ora, que os tempos mudaram, e que a meta é o acordo com empresas cujas marcas paguem para estampar chuteiras, meias, calções, camisas e até estádios já se sabia. O inusitado é o revisionismo, típico dos regimes totalitários.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.