A Moda e o desapego da nova geração

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto: Pixabay

 

Acredito que as chuvas que se apresentam em todo o país em tons mais fortes do que os habituais possam abrir um espaço maior para a questão da sustentabilidade.

 

Nesse aspecto o setor de Moda, conceitualmente e operacionalmente dentro das tendências comportamentais e mercadológicas, vem sinalizando novidades. Parece que voltamos ao passado, com um toque promissor.

 

A reutilização das roupas é uma prática antiga. Antes do consumismo, surgido na segunda metade do século passado, premidos pela escassez, o reuso e o reparo das roupas eram comuns. As roupas usadas eram até mesmo penhoradas ou serviam como moeda de troca. Na obra “O casaco de Marx: roupas, memória, dor”, Marx penhorava seu casaco e o retirava no inverno — ou quando tinha que ir à Biblioteca do Museu Britânico.

 

No século XVIII, surgiram as primeiras lojas do mercado de roupas usadas, que se estenderam à periferia das cidades no século XIX, quando até 1860, aproximadamente, ocorreram resistências ao usado, em virtude da falta de higiene. Fazendo com que se distinguisse o novo do usado, embora essa divisão não impedisse a expansão desse mercado, que só veio a perder com o surgimento da industrialização.

 

Hoje, esse mercado aluga roupas de festas e roupas de luxo.

 

De acordo com pesquisa acadêmica em Juiz de Fora* com lojas de locação de roupas de festa:

 

A motivação para o aluguel de roupas envolve a questão do preço, da exclusividade, da moda e da deterioração dos artigos novos com o tempo e que, apesar de ainda haver restrições ao aluguel, relacionadas à questão da falta de higiene e da energia negativa, trata-se de um tipo de comércio em expansão.

 

A pesquisa cita a contribuição da RIO 92 para a reutilização das roupas, quando lançou a política dos 3Rs, Reciclagem, Reutilização e Redução. Entretanto, a Moda, como a maioria, não reagiu a contento. Porém, depois de massificada, segmentada, restrita a nichos, customizada e, provavelmente, massivamente customizada, encontrará uma nova geração que tem muito a dizer e mudar — como opção de vida e como estilo de viver. Usufruir o presente e respeitar o futuro, ao preservar os recursos.  Estudos já demonstram que esses jovens preferem o Uber a ter um carro, alugar Bike a possuir uma, comprar cartões de jogos virtuais a ter os jogos. E optam por “ficar” a “namorar”.

 

A McKinsey, de acordo com artigo do Mercado & Consumo, de Luiz Alberto Marinho, prevê que o negócio de venda e aluguel de vestuário usado, baseado no Fenômeno da Posse Transitória, poderá ultrapassar o Fast Fashion.

 

É provável.

 

A Rent the Runway, de aluguel de roupas on-line, inaugurada em 2009, possui mais de 9 milhões de associados e fatura US$ 100 milhões anuais.

 

A esse cenário podemos acrescentar o sistema de prestações para adquirir o uso de roupas novas, sem a posse. Ou trocar roupas usadas por usadas, ou por novas — como a BROWNS está se preparando.

 

É bom lembrar que as mídias sociais expõem os jovens com mais frequência e aceleram o obsoletismo das roupas.

 

Para quem é da Moda que tal pegar o desapego da nova geração?

 

Boa sorte!

 

A Prática do Aluguel de Roupas – Ciro Vale IFSMG, Tania Maciel UFRJ, Claudio Cavas UFRJ

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

A previsão de Andy Warhol e o prazo de validade para as roupas

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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A sugestão de Andy Warhol, artista plástico contemporâneo, de estabelecer prazo de validade para as roupa tem agora a probabilidade de tomar corpo. Em breve, uma grife masculina de São Paulo lançará um sistema de troca dos costumes velhos por novos — mediante pontuação, a critério da qualidade e do estado da roupa usada.

 

O homem, diferentemente da mulher, não tem acompanhado a velocidade da moda. Basta um olhar na sua maneira de vestir para constatar a desatualização dos trajes usados. Até mesmo nos trajes tradicionais, como os costumes, daqueles que atuam em setores da mídia, e, portanto, próximos das informações, há carência de expertise no vestir. Ombreiras enormes, mangas largas, lapelas exageradas, calças com pregas acentuadas, são vistas cotidianamente nas telas.

 

Se a falta é de informação, orientação ou estímulo, o grupo de empreendedores vindo da área tecnológica da informação, que assumiu a direção da tradicional marca paulistana dos Jardins, que lançará a novidade, aposta na premissa de Warhol.

 

Transformar a antiga e aristocrática BROWNS alfaiataria, que vende produtos de qualidade, em uma nova BROWNS, que mira seu desempenho nos serviços, é o desafio da nova geração binária com foco unitário, em cada consumidor, para atender da forma que ele demandar.

 

Andy Warhol como profeta já emplacou os “quinze minutos de fama” ao prever a dança dos famosos que vivenciamos: “In the future, everyone will be famous for fifteen minutes”. Quem sabe a BROWNS não dá uma ajuda para concretizar a outra observação de Warhol sobre a validade das roupas?

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung
 

Charge do @jornaldacbn: “vista a roupa meu bem”

 

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Em meio a tensão do debate da Reforma Trabalhista, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se envolveu em discussão com o deputado Assis Melo (PCdoB-RS) por causa da roupa vestida pelo parlamentar.

 

Melo entrou no plenário da Câmara como se fosse um metalúrgico, com uma roupa branca, avental, luvas e máscara de proteção. Teve o pedido da palavra negado por Maia sob a justificativa que no parlamento só se fala com terno e gravata.

 

O deputado trocou de roupa, falou, reclamou e a discussão dele com Mais inspirou a equipe do Jornal da CBN:

 

Roupa usada: bom para comprar, bom para vender

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O mercado de roupas usadas, ainda que guarde esporádicas conotações vintage, ou a antiquada denominação de brechó, e algum preconceito, é um segmento da moda em expansão com imenso potencial futuro.

 

Os aspectos econômico, sociológico e ecológico inerentes ao sistema de reuso das roupas e acessórios de vestuário são altamente positivos.

 

A evolução do sistema da moda no segmento de luxo tende a enriquecer mais e mais os produtos, tornando-os mais caros e acessíveis apenas aos mais ricos. Logo abaixo deste mercado, as marcas Premium seguem o mesmo processo de atualização e sofisticação. Ao mesmo tempo o fast-fashion desatualiza mais rapidamente os produtos.

 

Em todos os segmentos, o aproveitamento da roupa usada, que rapidamente fica fora de moda gera um fator positivo na cadeia econômica, social e ecológica.

 

O caminho reverso da cadeia produtiva já foi iniciado por vários setores como pneus, lâmpadas e eletrônicos.

 

No caso da moda, alguns países mais desenvolvidos já despertaram e observaram o gigantismo deste mercado.

 

No Brasil, os números ainda não são expressivos, mas a evolução e a variedade de especializações apresentam uma estrutura completa. Lojas físicas, virtuais, de luxo, Premium, fast fashion, masculinas, femininas, infantis, plus size. Lojas com conceito vintage, brechó e contemporâneo. Há de tudo.

 

Há cinco anos, a advogada Angela Machado, reunida com 15 amigas para trocas de produtos que não usavam mais, um hábito de rotina para elas, ficou com uma peça Jimmy Choo sobrando e não tinha mais nada para trocar. Uma amiga que a desejava resolveu comprar por 50% do preço original. Daí em diante decidiu montar a “Madame Recicla” com os mil artigos cedidos pelas mesmas 15 amigas.

 

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Já a Denise Pini, graduada em Letras pela USP e apaixonada por moda, abandonou a carreira inicial, fez curso na FAAP de moda e fundou, em 1991, a “Capricho à toa”. Hoje o filho se prepara em pós-graduação para levar a loja física para a internet. Espera repetir o sucesso, obtido pela relevância que deu à moda no trato da operação, pela aposta em equipe preparada tecnicamente e pelo “pulo do gato” ao pagar à vista. Acrescenta ainda sua decisão de aumentar as compras ao iniciar a crise.

 

A administradora Cátia Freire por sua vez, criou há 20 anos a “Grifes Stock” onde vende ao lado de Prada, Chanel, Gucci e Dior, Animale, Ellus, Daslu, etc. Tudo seminovo com descontos de 40% no mínimo.

 

A opinião nestes 50 anos que Angela, Denise e Cátia somam de experiência é que suas clientes ficam felizes em vender e comprar, num mercado em que a divulgação ainda é pequena e o preconceito poderia ser menor.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Uma boa imagem vale mil palavras?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Tadeu Schmidt domingo no Fantástico fez referência à “elegância” do técnico do Atlético Paranaense Milton Mendes, que, à beira do gramado e usando traje social composto de paletó, calça de alfaiataria e gravata, não suava. Apesar do sol do meio dia e do calor da disputa contra o Palmeiras. Além de evidenciar o cuidado e a preocupação de Milton com a roupa, talvez indicando sua inadequação ao momento.

 

Tive dúvida se Tadeu concordava com a clássica imagem transmitida pelo técnico atleticano. E esta abordagem lembrou-me que a BOVESPA Bolsa de Valores de São Paulo contratou Bia Kawasaki para orientar seus profissionais a se apresentarem sem gravata num esforço para uma imagem mais contemporânea. É claro que ao comparar os dois episódios não pude deixar de saborear o pitoresco da situação.

 

O fato é que a imagem pessoal teve um espaço mais que merecido por parte do Mundo Corporativo da CBN ao entrevistar a Consultora de Moda Bia Kawasaki.

 

Bia, além de contar casos como o da BOVESPA, elucidou dúvidas básicas sobre a vestimenta como que as mulheres evitem no trabalho transparências, decotes, minissaias, e os homens se cuidem do cabelo, da barba, combinem meias e nunca usem as brancas. Ressaltou principalmente que as pesquisas indicam que para o sucesso é preciso experiência em primeiro lugar e boa imagem em segundo. A imagem vem antes do conhecimento. É a importância da forma e do conteúdo. Nesta ordem.

 

Vale lembrar que a roupa é parte integrante e importante para a imagem pessoal. É por isso que no recém-lançado livro de Mílton Jung e Leny Kyrillos, “Comunicar para liderar” encontramos referência ao uso adequado da moda. Ela tanto pode ajudar como prejudicar. Dentre outros, vamos encontrar o caso de Lula no ultimo debate com Serra, quando obteve, com a assinatura do estilista Ricardo Almeida, uma supremacia visual. E o de Sarah Palin, candidata republicana conservadora, cujos assessores tentaram imprimir uma imagem contemporânea que não foi absorvida pelos eleitores.

 

Uma boa imagem pessoal pode até não valer mil palavras, mas que ajuda, ajuda.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: a consultora de moda Bia Kawasaki ensina a melhorar a sua imagem pessoal

 

 

A linguagem de uma empresa é constituída por pessoas e somos todos representantes visuais de nossas carreiras. A maneira como você se veste e se comporta reflete seus valores, personalidade, pensamentos e atuação profissional, sinalizando seus gostos, estilos, crenças, costumes e o que está vivendo. É a partir desse pensamento que a consultora de moda Bia Kawasaki tenta mostrar ao público que a imagem pessoal tem impacto nos seus negócios: “apesar desse discurso politicamente correto, a aparência vem logo depois da experiência, ficando, inclusive, à frente da escolaridade”. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Kawasaki apresenta alguns conceitos e dicas que fazem parte do livro “Dress Code – impacto da imagem pessoal nos negócios” e de suas palestras.

 

A seguir, você vê algumas imagens do livro de autoria de Bia Kawasaki com sugestões sobre o que vestir ou não para melhorar a sua imagem:

 

Aqui algumas dicas de o que as mulheres devem evitar

Aqui algumas dicas de o que as mulheres devem evitar

 

Aqui, combinações de gravatas e camisas que vestem muito bem os homens

Aqui, combinações de gravatas e camisas que vestem muito bem os homens

 

Uma combinação que faz bem à imagem das mulheres

Uma combinação que faz bem à imagem das mulheres

 

Uma combinação que faz muito bem à imagem dos homens

Uma combinação que faz muito bem à imagem dos homens

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, pelo site http://www.cbn.com.br, às quartas-feiras, às 11 horas. O programa é reproduzido no Jornal da CBN, aos sábados, a partir das 8h10 da manhã.

Café com pólo na nova loja conceito da Ralph Lauren em Nova Iorque

 


Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Alvo de desejo de homens e mulheres ao redor do mundo, a grife Ralph Lauren sabe como ninguém unir bom gosto, elegância e sofisticação. A marca americana que tem o cavalinho como seu principal símbolo – ícone do mercado do luxo – agora ganha um espaço especial: uma loja conceito em plena Quinta Avenida, em Nova Iorque.

 

Diferentemente de suas lojas conceitos, na também prestigiosa Madison Avenue, em Nova Iorque, esta flagship foca nas coleção da linha Polo, que envolve camisetas pólos, camisas e outros itens. A loja tem três andares elegantemente decorados em seus privilegiados 38 mil metros quadrados, com uma divisão masculina e outra feminina, além de uma novidade: Ralph’s Coffee, primeira boutique de café do estilista, que criou a sua própria linha de café orgânico em parceria com a empresa de torrefação La Colombe.

 

Seu mais novo espaço na cidade que nunca dorme reflete o lifestyle que a marca representa a seus clientes: sofisticação de sua decoração e elegância de suas criações até mesmo em roupas informais como a camiseta polo, carro chefe da marca que existe desde 1967. Ralph Lauren representa a seus clientes muito mais do que uma marca, e sim um estilo de vida.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Com que roupa?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Se depender da opinião de Roberto Chadad, presidente da ABRAVEST Associação Brasileira do Vestuário, as roupas serão chinesas. Nestes dias em que a Tecelagem Renaux, pioneira em Brusque no ano de 1892, é notícia pela autofalência, o episódio vivido na FIESP há alguns anos, com a visita da Ministra Comercial da China veio à memória. Nessa ocasião, Chadad indagou como a China conseguia vender uma calça de jeans por US$ 7,50, ao que a ministra respondeu que era por causa dos impostos e, portanto, um problema para o Brasil, pois os tinha muito altos.

 

Na realidade, a verdade é mais ampla, pois em 1990 com a abertura no governo Collor foi estabelecida uma graduação de desagravo nas importações de têxteis e confecções. Não houve um entendimento ideal entre os agentes nacionais que fabricavam bens de capital, tecidos e roupas, como também não ocorreu a modernização necessária. Ao mesmo tempo os impostos subiram e os agravos de importação nos tecidos e nas roupas não inibiram a entrada no mercado brasileiro de tecidos e roupas importadas, enquanto o produto nativo brasileiro é hoje tributado de 38% a 41% na loja.

 

A partir daí começamos a entender o drama da Renaux, se incluir outras eventuais falhas de gestão, que certamente impediram de traçar estratégias de escape que funcionassem. Por exemplo, a da Hering ou da Santa Constância, com caminhos diferentes. Uma pela escala e posterior entrada no varejo, outra pela escolha de um nicho de moda.

 

Para chegar à verdade inteira é preciso considerar as condições oferecidas à mão de obra asiática comparativamente com a brasileira, bem como a tributação ao produto nacional. Vamos concluir que este é realmente um “negócio da China” como se dizia no tempo de Noel Rosa. Só que hoje o “negócio da China”, é para a China.

 

PS: Para ouvir a música de Noel Rosa cantada pelo próprio clique aqui. Para ouvir na voz de Nelson Rodrigues acesse por aqui.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Qual é o seu número?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Há pessoas que se interessam pela moda, e a seguem. Outras nem tanto. Mas, a grande maioria se importa com o tamanho adequado ao seu corpo e ao seu modo de ser. Modelagem de acordo com a tendência, modelagem em função do estilo independente da moda, modelagem para exibir o corpo, são preferências que ainda exigem parte do ritual da época das costureiras e alfaiates. Provar as roupas.

 

A roupa feita, ou o “pronto para vestir” (prêt-à-porter) não conseguiu manter a etiqueta de tamanho como a indicação necessária e suficiente para representar as dimensões do produto. A fragmentação do setor de confecção, com milhares de produtores e marcas, a competição, e a diversidade de tipos físicos tornaram o padrão de medida tão necessário quanto complexo determiná-lo.

 

Esta semana o SENAI-CETIQT se apresentou na mídia com um projeto de levantar 10000 amostras de pessoas escaneadas em 100 pontos de medida computadorizada e mais 21com fita métrica. Ressaltando que estas medidas estão sendo realizadas por região geográfica.

 

Uma novidade, pois apresentada como ação para finalmente estabelecer um padrão de tamanhos brasileiros, não traduz toda a verdade histórica.

 

O fato é que a ABRAVEST em 1987, presidida por Roberto Chadad, através do CB17 Comitê Brasileiro do Setor Têxtil iniciou os estudos para a determinação de um padrão de medidas.

 

Procuramos então Chadad, que ainda hoje preside a ABRAVEST , e nos informou que já existe o padrão para a moda masculina, estabelecida na resolução ABNT 16060 em vigor a partir de 9/5/2012 com determinação da obrigatoriedade em seis anos, ou seja, 9/5/2018, cuja fiscalização será feita pelo IPEM. Dentro de um ano sairá a regulamentação para o setor feminino, mesmo com o Sindicato patronal de confecção feminina sendo contrário.

 

Roberto Chadad acredita que o estudo do pessoal do CETIQT deverá apenas auxiliar na validação da norma do CB17, embora os critérios sejam bem diferentes e sem o poder de normatizar.

 

O CB17 começou com os levantamentos e estudos dos componentes de toda a cadeia têxtil. Principalmente com estilistas, modelistas, confeccionistas e varejistas. Os dados de cada componente do setor foram trazidos e analisados em 12 reuniões técnicas. A primeira informação é a altura, a seguir ombro, manga, cintura, comprimento entre perna, comprimento lateral e diagrama do esqueleto apresentando graficamente estas medidas, que serão mostradas em todas as etiquetas no varejo. Esta configuração está segmentada para três tipos físicos. Especiais, normais e esportistas.

 

Chadad lembra ainda que a amostra do CB17 é imensamente maior, pois envolve o resultado de grande quantidade de empresas fornecedoras, com total pluralidade de perfis.

 

O padrão de medidas certamente beneficiará a grande maioria do mercado de moda, que desde já adverte: não crie confusão siga o padrão.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Destaques da moda brasileira

 

Por Dora Estevam
No Instagram e Twitter: @DORAESTEVAM

 

A marca Fernanda Yamamoto desfilou a coleção de primavera verão 2014 na Semana de Moda de São Paulo. A estilista, diretora criativa da marca, contratou o maquiador top Marcos Costa para a beleza complementar, e se inspirou na dona de casa dos anos 50 para construir a história na qual o avental ganhou ares retrô, moderno e futurista. Entre os tecidos estão a organza platificada, a tela de poliéster antiderrapante e o couro ecológico. As cores ganharam muita importância junto ao tema da coleção: azul, tons de rosa, amarelo, verde, bege, roxo e esmeralda. Lindos! Assistindo ao desfile tem-se a impressão que estamos vendo um filme japonês antigo. É que tudo ficou harmonizado, as cores, as roupas a trilha (mistura de Nancy Sinatra com os trabalhos do produtor Andy Stott, o que resultou no clima futurista). Eu separei um vídeo com o desfile da marca, note que a estamparia aparece com aqueles florais de toalhas de mesa, também os xadrezes em degradê. Os chapéus e as peruquinhas coloridas. Aperte o play e bom desfile:

 

 

A marca de moda masculina João Pimenta chamou Ricardo dos Anjos para se responsabilizar pela beleza dos modelos, na trilha Max Blum, a pintura que você vai ver no corpo de alguns modelos foi feita por Gelly’s Tattoo. Não teve uma inspiração dramática desta vez. Os materiais usados foram o náilon, jeans, tricoline e a sarja acetinada. As cores foram super básicas, diria tradicionais: vermelho, marinho, preto, branco e dourado. Neste desfile, João deixou o “conceitual” e focou no cliente da marca, nos jovens empresários e profissionais criativos que prezam um bom corte, mas, adoram a modernidade. Teve muita alfaiataria com carinha de roupas reais, para os escritórios e baladas. Ou seja, uma coleção usável. No fim a coleção que compõe o guarda-roupa masculino tem shorts, camisas, paletós, jaquetas, ternos, calças para noite, e camisas com golas bordadas. A modernidade de João se sobressai nas calças com cintura baixa, pernas justas e barras curtas. Dá para usar, não se assustem, leitores. Vídeo, vídeo, plz.

 

 

Já que estamos falando de verão quero mostrar a coleção da Água de Coco por Liana Thomaz, marca de moda praia. No estilo, as meninas Jamille Magalhães, rebeca Thomaz e Gisela Franck. O styling ficou por conta de Daniel Ueda, com a complementação do beauty Marcelo Gomes. Na passarela seda, linho, neoprene e tecidos com lycra, nas cores ametista e citrino. A trilha foi por conta do DJ Zé Pedro. Liana desenvolveu uma coleção totalmente inspirada na temática da natureza brasileira, por isso folhagens, aves como arara azul e amarela, tucanos e tuiuiú; frutas tropicais como manga, maracujá, caju e bananas e pedras preciosas estamparam a coleção. A top mais importante que desfilou para a marca foi a Carol Trentini, que abriu o desfile já com uma barriguinha de cinco meses de gravidez. Veja todos estes detalhes no vídeo abaixo.

 

 

Na próxima semana um editorial com as sandálias e bolsas desfiladas nesta semana de moda que vão fazer a sua cabeça.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung