Faltou combinar com os russos?

Por Augusto Licks

Primeira reunião entre Russia e Ucraniana desde o início da guerra

A expressão do título acima popularizou-se a partir de um comentário atribuído ao craque Garrincha, na Copa do Mundo de 1958, ao ouvir preleção do técnico Vicente Feola antes do jogo contra a seleção da Rússia. Virou lenda, por falta de prova material de que tenha realmente acontecido. A expressão pegou, sendo volta e meia empregada em situações cotidianas. Não poderia também ser aplicada à guerra da Ucrânia? 

Senão, vejamos:

Um país invade militarmente outro país, ferindo soberania e também o direito internacional, uma agressão sem dúvidas, a causar mortes e horrores típicos de uma guerra. É novidade? Não, não é, já vimos esse “filme” antes. Poderia ter sido evitado? Sim, poderia. Como? Bem, aí é necessário discernimento para entender-se as causas, filtrando-se de um esforço assim uma outra guerra, a das narrativas.

A cobertura jornalística ocidental naturalmente ressoa com o viés de narrativas ocidentais, dedicando atenção modesta às narrativas orientais. Não há novidade aí. Isso, porém, não nos impede de levantar dúvidas, na busca de algo mais próximo da verdade dos fatos. 

Seria Vladimir Putin igual a Osama Bin Laden e Saddam Hussein, “párias” que levaram os Estados Unidos a invadirem Afeganistão e Iraque? Ao menos é o que parecem pensar governos e mídia dos EUA e dos países da Europa ocidental. A demonização de um líder inimigo é um passo dentro de uma estratégia para obtenção de apoio popular para medidas extremas.

Bin Laden teria sido um terrorista treinado por norte-americanos mas que voltou-se como bumerangue nos atentados de 11 de setembro de 2001. Hussein não foi nada inteligente ao invadir o Kuwait, provavelmente mal orientado ao acreditar que pudesse ter alguma chance contra a inevitável represália dos EUA. Não, nenhum dos dois se encaixa no perfil do presidente da Rússia, e não há comparação possível com os dois países do Oriente Médio. Aqui, necessariamente, é outra história.

Por que, afinal, iria uma superpotência dar-se ao trabalho e ao desgaste público de atacar um país vizinho com o qual inclusive compartilha laços culturais e comerciais? Assim do nada, “out of the blue”, por pura insanidade de seu líder? Ah não, aí tem mais coisa!

Não há como ser simples nesse assunto. Para entender-se o que realmente causou a invasão russa é preciso no mínimo familiarizar-se com um contexto que é complexo, pois somam-se questões pontuais do país agredido com o grande jogo da geopolítica internacional.

Recomendo muito estudo a quem queira emitir uma opinião com alguma segurança. Eu aqui me limito a levantar dúvidas e colocar alguns elementos que tenho apurado nos meus estudos.

Vamos por partes. 

O mapa da Ucrânia foi sendo redesenhado ao longo da história por conta da 1ª e 2ª guerras mundiais e da inclusão no bloco soviético, e ainda antes em questões com nações vizinhas, que incluem a Polônia, outro país que também foi objeto de disputas territoriais e remapeamentos. Com alguma semelhança à antiga Iugoslávia, também a Ucrânia vivencia diferenças étnicas, gerando situações internas conflituosas. Some-se a isso o retrospecto de no passado o país ter enfrentado tanto os nazistas como os soviéticos, e temos aí alguma polarização. O lado oriental manteve-se mais identificado com a Rússia, enquanto o lado ocidental desenvolveu rejeição à Rússia e um anseio de associar-se ao ocidente europeu.

Percebe-se aí o divisionismo interno do país, embora isso não fosse impeditivo para que a Ucrânia se integrasse à União Europeia, que acolheria de bom grado uma nação a mais a compensar em parte o Brexit da saída da Grã-Bretanha. O problema não está aí.

O problema está na geopolítica, mais exatamente no “balance of power” que trata do equilíbrio armamentista entre grandes potências que se originou após a 2ª guerra mundial com a vitória aliada sobre o eixo Alemanha-Itália-Japão. Ali, a União Soviética separou-se dos aliados do mundo capitalista, e houve um realinhamento recíproco como necessidade para se evitar um conflito nuclear, que poderia extinguir a raça humana em nosso planeta. 

Naquele pós-guerra surgiu a “Guerra Fria” em que os dois blocos dominantes tratavam de se manter informados sobre o lado adversário através de espionagem. Tínhamos o Tratado de Varsóvia a unificar os interesses dos países militarmente alinhados com a Rússia, e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a fazer o mesmo com os países militarmente alinhados aos Estados Unidos.

Com a dissolução da União Soviética em 1991, como dominó desfez-se o Tratado de Varsóvia, mas não se desfez a OTAN. O fato de o regime socialista-leninista ter caído nos países do leste europeu não mudou a necessidade de interação econômica entre as vizinhanças. A criação da União Europeia não acolheu todos aqueles países. A Rússia, ainda poderosa, tratou de realinhá-los na cooperação comercial e cultural. No plano geopolítico, houve em 1990 o acordo pelo qual a Alemanha reunificada passaria a integrar a OTAN.

Em 2017, a universidade George Washington publicou documentos secretos recém-liberados por Estados Unidos, Rússia, Alemanha, França e Inglaterra. Revelavam que o secretário de estado dos EUA, James Baker, teria assegurado ao presidente russo Mikhail Gorbatchov que a OTAN não iria se expandir “uma polegada sequer” em direção ao leste europeu. Era a condição para o ingresso germânico na organização. No entanto, os historiadores debatem sobre isso, por não encontrarem registros impressos daquela garantia, apenas evidências de ter sido expressa verbalmente e, nesse caso, não cumprida. A partir de 1998, Polônia, República Checa, e Hungria passaram a fazer parte da OTAN e foram gradativamente seguidos por outros países do leste europeu. Os russos se sentiram traídos, reclamaram, mas não passou muito disso. 

Teria o acordo de 1990 sido uma lenda, tal qual a frase atribuída a Garrincha ?

Mais recentemente, a partir da segunda década do século 21, ao anseio do lado ocidental da Ucrânia em integrar-se à UE somou-se um segundo interesse, o de integrar-se também à OTAN. O documentário “Ukraine Burning” conduzido em entrevistas feitas pelo diretor norte-americano Oliver Stone oferece um pano de fundo diferente de típicas narrativas ocidentais. Ali são entrevistados o próprio Vladimir Putin e Viktor Yanukovich, o presidente deposto da Ucrânia no golpe de estado de 2014. 

As imagens e gravações telefônicas no filme sugerem uma importante influência norte-americana no país por ocasião dos protestos na praça Maidan, na capital Kiev. Na época, Biden era vice-presidente de Barack Obama. Yanukovich era acusado de corrupção e de ir contra a aproximação com a União Europeia. Os protestos, pacíficos no começo, acabaram sendo sabotados por provocações culminando num massacre com muitas mortes, aparentemente perpetrado por “snipers”, atiradores de elite em posições estratégicas, visíveis em imagens do documentário. Espalhou-se que a culpa pelas mortes fora das forças locais de segurança, e o decorrente clamor popular impulsionou grupos extremistas a derrubar o governo, não houve sequer impeachment. Yanukovich só não foi assassinado porque fugiu de helicóptero, enquanto os extremistas disparavam contra carros da comitiva presidencial, imaginando que estivesse em um deles.

O exilado presidente e Putin alegam que a partir de então o novo governo ucraniano manteve negociações com a Rússia e assinou vários acordos, mas simplesmente não os  cumpriu. Até aí, tolerável para os russos. Mas quando ficou clara a intenção do atual presidente ucraniano Volodimir Zelenski em associar-se militarmente à OTAN, acabou a paciência. Ucrânia é porta de entrada ao território russo, como então aceitar que se tornasse um inimigo com armas nucleares? Em 1961, os russos enviaram mísseis a serem instalados em Cuba, bem próxima aos EUA. Os norte-americanos aceitaram? Claro que não, e ali instaurou-se uma grave crise que poderia deflagrar uma guerra atômica que felizmente foi evitada pela diplomacia.

Essas minhas impressões não deixam de ser ainda superficiais, pois existem outros aspectos pontuais e importantes, como a própria questão da Crimeia. Algumas análises sugerem que o atual presidente dos EUA têm muita responsabilidade por as coisas terem chegado ao atual ponto. Biden já tinha contra si a contrariedade de muitos com a forma como as tropas norte-americanas deixaram o Afeganistão, humilhante para alguns. Mexer em vespeiro para ter a Ucrânia na OTAN foi um desafio que previsivelmente a Rússia não deixaria passar batido, e não deixou. Biden, empossado presidente, talvez tenha pecado também por auto-suficiência: teve a chance de formar aliança comercial com a poderosa Rússia ou com a rica China e não optou por nenhuma. Agora tem ambas contra si: a segunda maior potência armada, aliada à segunda maior potência econômica. 

Fica fácil portanto perceber que a Ucrânia tornou-se não mais apenas uma questão localizada mas também uma oportunidade útil para a Rússia, que apoiada pela China se propõe a dar cartas geopoliticamente, aproveitando-se do que identifica como queda de influência do ocidente.

Putin sabia que não poderia ser retaliado militarmente, pois a Ucrânia ainda não faz parte da OTAN. Biden também sabia e pouco fez para convencer Putin a mudar de ideia. Agora talvez esteja vivendo o dilema entre o que decidir: agir racionalmente com risco de perder ainda mais prestígio político-eleitoral no seu país, ou então precipitar-se numa aventura nuclear para se antecipar a um inconformado Donald Trump que possa conclamar seu povo a “fazer a América forte novamente”.  

Em geopolítica, não existem “bons”, nem princípios humanitários, e hoje nem ideologias contam mais. Tudo gira em torno de poder e riqueza. As mortes e os horrores de guerra, que acontecem diariamente, são tratados como mero dano colateral. Os próximos dias, críticos, irão dizer qual será o destino dos países envolvidos e, a rigor, de todos nós no planeta. 

Diria que existem umas 95% de chances de uma solução diplomática, em que os EUA aceitem a desmilitarização da Ucrânia e as tropas russas se retirem. Putin não teria como recusar isso, mesmo que a contragosto não obtenha quaisquer garantias de que a OTAN (leia-se EUA) não continuará se expandindo. Os 5% ficariam por conta de três possibilidades, sendo as duas primeiras para hipotética vantagem norte-americana: 

  1. o assassinato de Putin; 
  2. os EUA seduzirem a China com uma proposta irrecusável para uma aliança econômica, desfazendo o recente pacto sino-russo; 
  3. acontecer o infortúnio de alguém disparar míssil contra quem não deve, até por provocação forjada, detonando guerra mundial nuclear. “Shit happens …”, diz um ditado estadunidense. Obviamente nessa terceira hipótese não haveria vantagem para ninguém.

O resto é guerra de narrativas. Sanções comerciais são fortes mas podem não ser suficientes nessa queda-de-braço com uma super-potência que se alinhou a outra, muito rica. Assim, enquanto continua morrendo gente na Ucrânia, a lógica parece sugerir que, em vez de insistir “peitando” e tentando desacreditar Putin, os EUA talvez devessem combinar logo alguma coisa com os russos, para evitar que depois estejamos todos lamentando que “faltou”.

Augusto Licks é jornalista e músico

Na guerra, as crianças são as primeiras vítimas

Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Reprodução de vídeo em que pai se despede da filha na Ucrânia

Em 2014, quando eu fazia meu pós-doutorado na França, grupos jihadistas extremistas, como Al-Qaeda e Estado Islâmico, se envolveram na guerra civil que ocorria na Síria, desde 2011,  agravando a crise humanitária existente. Naquela época, diversos refugiados tentavam migrar para países da Europa, numa busca por sobrevivência. 

Recordo-me do dia que minha filha chegou em casa após a aula e, muito desolada, tentava compreender como uma colega de sala, que acabara de chegar na escola, poderia viver na França sem falar o idioma, com apenas 13 anos de idade e nenhum familiar por perto. Essa colega havia sido resgatada, após o barco no qual estava ter naufragado. Seus pais? Não conseguiram dinheiro para viajar com ela e, numa tentativa de salvá-la, optaram por lhe permitir uma vida melhor, longe dos conflitos em seu país.

Infelizmente, esse não é um relato isolado da colega de escola da minha filha, mas reflete um cenário catastrófico a que são submetidas todos os dias, milhares de crianças e adolescentes ao redor do mundo, vítimas de conflitos armados.

Quais os impactos que essas situações tão extremas, tão traumáticas, podem ter sobre a saúde mental de crianças e adolescentes? 

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, eventos traumáticos são situações experimentadas ou testemunhadas pelo indivíduo, nas quais houve ameaça à vida ou à integridade física própria ou de pessoas ligadas por laços afetivos. Na infância e adolescência, essas situações podem envolver abuso físico ou sexual, negligência, acidentes automobilísticos, assaltos, desastres naturais ou guerras.

Ao longo da vida, muitas pessoas vão experimentar eventos traumáticos e algumas poderão, inclusive, reagir de maneira resiliente. Entretanto,  vivenciar essas situações nos primeiros anos de vida, pode impactar o desenvolvimento infanto-juvenil em diferentes níveis, com alterações neurobiológicas, psicológicas e sociais, cujas consequências podem se prolongar na vida adulta. 

Apesar de não se manifestar da mesma maneira em todas as crianças, cerca de 20% daquelas expostas a eventos estressores irão apresentar alguma reação pós-traumática mais desadaptativa,  com grave sofrimento e perda de funcionalidade, tais como pesadelos, ansiedade, depressão, comportamentos suicidas, irritabilidade, comportamentos agressivos e baixo rendimento escolar.

As guerras prejudicam o acesso à educação; geram deficiências e limitações físicas por lesões ou perdas de membros, como braços e pernas. Geram falhas no crescimento e no desenvolvimento causadas pela desnutrição. 

As guerras separam famílias, distanciam pais e filhos que talvez nunca mais se encontrem.

Nas guerras, crianças são sequestradas, abusadas, recrutadas como soldados… Crianças são mortas!

Somente na Síria, mais de 9 mil crianças foram mortas ou feridas. Os conflitos no Iêmen, dizimaram a vida de 10 mil crianças.

Crianças e adolescentes, como Kim Phúc, a menina que em junho de 1972, aos nove anos, apareceu correndo com os braços abertos, o corpo nu queimado e a expressão de terror no rosto, após ser atingida por uma bomba química no conflito entre Vietnã e Estados Unidos. 

Crianças e adolescentes como Alan Kurdi, o menino sírio de três anos de idade que morreu afogado numa praia da Turquia, em 2015, quando seus pais tentavam fugir como refugiados do conflito na Síria.

O trauma da guerra pode ser tão devastador quanto o potencial bélico das nações: gera  medo… Encurta a vida.

Como explicar, como definir todo o sofrimento imposto pelos conflitos armados para vidas tão prematuras? Como explicar que colocar um filho num barco, sozinho, pode ser uma grande prova de amor? 

Talvez pela sorte e felicidade de não ter vivenciado algo parecido, minhas respostas devem ter sido simples e superficiais diante das indagações da minha filha. Não passei por essa dor e não consigo dimensioná-la.

O relato comovente da esposa do jogador Maycon, a mãe que conseguiu sair da Ucrânia juntamente com seus filhos, nos dá uma ideia dos horrores que a guerra produz: comeu o caroço das maçãs que tinha, uma para cada filho. Ela ainda cantou para eles, possivelmente no auge do seu desespero, numa tentativa de tranquilizá-los.

Lyarah Barberan, a mulher que não comeu a maçã, só o seu caroço para enganar a fome, não foi expulsa do paraíso. Apenas desejava fugir do inferno, enquanto protegia as suas crianças.

Assista ao programa Dez Por Cento Mais, todas às quartas-feiras, 20h, no YouTube

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite, no Blog do Mílton Jung. 

O Panamá, na Copa do Mundo, é uma metáfora da sua vida

 

alnojh9umyfqp1oxwjms

Gol de Baloy, do Panamá, em foto do site oficial da FIFA

 

A Copa já está em sua segunda metade, seleções já se despediram e outras estão com as malas prontas para voltar para casa. Teve gente perdendo pênalti, levando frango e dando de bico ou de três dedos para marcar gols. Teve gente que perdeu as estribeiras e outros a oportunidade de calar a boca. Teve gente que brilhou e me emocionou — eu choro muito fácil e o esporte tem esse predomínio no meu coração.

 

À medida que os dias se passavam e os jogos aconteciam, arriscava escrever algumas linhas porque gosto de futebol e adoro assistir à Copa. Procrastinar, porém, foi o exercício que mais pratiquei nessas duas semanas. Posso elencar alguns motivos para isso: estou em fase de finalização de um novo projeto que me impôs muita pressão e emoção — sim, não é só o esporte que me emociona —- assim como tive de dedicar algumas horas do dia para recuperar-me fisicamente de uma lesão que não estava no meu roteiro.

 

Nenhuma desculpa, porém, se sobrepõe ao fato de que bastava colocar a cabeça no lugar, ensaiar alguns pensamentos e soltar a palavra revelando meu sentimento por essa competição singular que é o mundial de futebol. Não sei se você — caro e raro leitor deste blog —- concorda comigo, mas a Copa não se compara a nenhuma outra disputa — desculpe-me se entre os poucos e bons que me leem existem aqueles que preferem a NBA, se entusiasmam com a velocidade da Fórmula 1 ou têm predileção pelos Jogos Olímpicos. Gosto de todos eles, mas a Copa é do Mundo.

 

Onde mais presenciaríamos a alegria contagiante de torcedores do Panamá? Uma alegria que se expressou no primeiro gol marcado pela sua seleção em um Mundial, mesmo diante da estrondosa goleada que levava da Inglaterra, na manhã de domingo. Comemoraram como se fosse o gol da vitória. Verdade seja dita, era o gol da vitória. Era a vitória de uma nação que já havia assistido ao grande feito de conquistar o direito de estar entre as maiores do mundo. A vitória de quem se dá o direito de ser feliz.

 

O gol marcado pelo zagueiro Felipe Baloy, 37 anos — de passagem claudicante pelo meu Grêmio de Porto Alegre, no início desse século –, foi a melhor metáfora que poderíamos ter assistido sobre a vida que vivenciamos. Somos useiro e vezeiro em reclamar das coisas que acontecem em nosso entorno: é o vizinho barulhento, é o ônibus que atrasou, é o chefe que reclamou, é a equipe que não produziu, é o cliente que não comprou e é o parceiro que partiu. É um 7 a 1 todo o dia.

 

Dedicamos tanto tempo em praguejar aqui e lamentar ali que nos esquecemos de comemorar nossas conquistas. Sim, elas acontecem a todo instante, mas somos incapazes de enxergá-las seja porque supervalorizamos os males seja porque almejamos o sucesso alheio. Queremos uma casa do tamanho da do primo rico da família; um carro mais novo do que o do amigo no clube; um crachá mais poderoso do que o colega da firma; um salário maior do que o “daquele incompetente que não faz nada na vida”.

 

Queremos o que é dos outros e desdenhamos nossas conquistas pessoais. Deixamos de saborear o prazer de acordar ao lado da mulher amada, de beijar os filhos que ainda dormem quando estamos saindo de casa, de cumprimentar o motorista do ônibus com um sorriso no rosto e de perguntar ao porteiro da empresa como andam as coisas. No trabalho, menosprezamos o poder do “bom dia”, do “por favor” e do “obrigado”. Não conjugamos os verbos agradecer e elogiar. Desperdiçamos a chance de comemorar o gol nosso de cada dia, porque estamos mais preocupados com o placar do adversário.

 

Se essa Copa nos deu alguma lição até aqui foi que, na vida, nem sempre podemos ser a Inglaterra; na maior parte das vezes nos é reservado o papel de Panamá — coadjuvante no cenário, mas protagonista de sua própria história.

O prestígio de Fabergé está em documentário que conta sua história desde o império

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Web_ThirdEgg

 

História, prestígio e tradição. Esses são alguns dos principais atributos de uma marca de luxo. A Fabergé, fundada em 1842 por Gustav Fabergé, é a prova disso. Famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas, e sob a direção de seu filho, Peter Carl Fabergé, tornou-se a joalheria oficial do império russo. Verdadeiras obras-primas da joalheria produzidas por ele e sua equipe entre os séculos XIX e XX para os czares da Rússia.

 

Se uma marca de luxo tem uma história, nada mais interessante que seu público-alvo a conheça. Admiradores da Fabergé agora contam com uma novidade: a grife criou um documentário com toda sua história e tradição que pode ser conferida nas telas de cinema com o lançamento mundial do premiado documentário Fabergé: “A life on its own”. 

 

O filme mostra objetos requintados da Fabergé em detalhes impressionantes gravados através das mais avançadas lentes cinematográficas.

 

Web-ThirdEgg2

 

Produzido em associação à Arts Alliance,  o documentário chegou aos cinemas em 29 de junho deste ano em países como Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Canadá, Rússia, mas ficará em cartaz por tempo limitado. Os espectadores também terão acesso às coleções particulares de alto luxo, com a participação de especialistas e entrevistas com descendentes da família Fabergé.

 

Além de descrever a ascensão de Peter Carl Fabergé quando trabalhava sob o patrocínio dos czares Alexandre III e Nicolau II, em São Petersburgo, Rússia e a expansão internacional da marca, o filme mostra também a história de um ovo imperial que estava desaparecido e que quase chegou a ser derretido por um comerciante de sucata, antes de perceber o seu verdadeiro valor.

 

Veja uma amostra da qualidade do trabalho cinematográfico no trailer do documentário:

 

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Fabergé: história, tradição e alto luxo desde 1842 também na internet

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Fabergé-1903

 

Marcas de alto luxo sempre tem história e tradição. Um ótimo exemplo é a grife Fabergé, fundada em 1842 por Gustav Fabergé, que ficou famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas, e sob a direção de seu filho, Peter Carl Fabergé, tornou-se a joalheria oficial do império russo. Verdadeiras obras-primas da joalheria produzidas por ele e sua equipe entre os séculos XIX e XX para os czares da Rússia.

 

Encomendados e oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial, os ovos acomodavam surpresas e miniaturas, e eram cuidadosamente elaborados com a combinação de esmalte, pedras preciosas e metais. Desejados por colecionadores ao redor do mundo, eles são ainda alvo de admiração pela sua perfeição.

 

Fabergé-jóias-luxo

 

Restam cerca de 40 ovos Fabergé, alguns deles expostos no Palácio do Arsenal do Kremlin. Hoje a grife está presente com boutiques em cidades como Genebra, Londres e Nova York com coleções de joias em edição limitada. A grife também disponibiliza algumas de suas peças em pontos de venda selecionados ao redor do mundo e em seu e-commerce. Algumas peças são inspiradas nos ovos Fabérge, ícone da marca, como pendentes com ovos em miniatura, que custam cerca de USD 17 mil. Suas jóias podem chegar na casa dos milhões de dólares.

 

Sim! Mesmo com tanta exclusividade, Fabergé aposta na venda online, acreditando que a experiência de compra começa na internet, como uma vitrine. Tanto que a grife mantém loja na web, onde os afortunados interessados em conhecer e adquirir suas preciosas peças tem à disposição equipe de consultores de vendas especializada disponível 24 horas por dia, com capacidade para atender em 12 idiomas. Os consultores podem comparecer pessoalmente em qualquer lugar do mundo para concluir a venda da peça onde o cliente estiver.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung

Anéis Fabergé embarcam nos táxis londrinos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A frota de táxis de Londres, um dos ícones da capital inglesa, recebe novas cores neste Outono. Cores luxuosas e opulentas, aliás, de peças de joias de luxo da renomada grife Fabergé. Anéis da exclusiva coleção Emotion ilustrarão alguns táxis da cidade, que estarão em circulação nos próximos 12 meses em torno das áreas de Knightsbridge, região onde fica a loja Harrods e West End, funcionando como táxis normais.

 

Os anéis podem ser adquiridos em lojas da Fabergé em Londres, Nova York, Genebra e Kiev, bem como em outros pontos de varejo de luxo internacionais. O preço? Em torno de USD 38.100, podendo chegar a USD 40 mil. Alguns itens da coleção também podem ser encontrados na boutique online da Fabergé.

 

 

A grife Fabergé, fundada em 1842, é famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas e se tornou a joalheria oficial do império russo. Os Ovos Fabergé eram obras-primas da joalheria entre os seculos XIX e XX produzidas para os czares da Rússia. Encomendados e oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial, os ovos acomodavam surpresas e miniaturas, e eram cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, pedras preciosas e metais. Desejados por colecionadores em todo o mundo, eles são ainda alvo de admiração pela sua perfeição e considerados expoentes da arte joalheira.

Ver jóias Fabergé estampadas em táxis londrinos parece algo, no mínimo, inusitado. Afinal, estamos falando de uma marca que tem prestígio, tradição e exclusividade em seu DNA, além de ser ícone do império russo. Não há dúvidas de que Londres é uma das cidades onde mais se respira moda, luxo e sofisticação, mas ver peças Fabergé expostas dessa forma poderá, a longo prazo, contribuir negativamente para a imagem da marca. Esta estratégia não é a primeira ação mais “agressiva” da marca, uma vez que há alguns anos vem disponibilizando suas peças valiosas e exclusivas através de sua loja online.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De asas e raízes

 


Por Maria Lucia Solla



Ouça De asas e raízes na voz da autora

Tradição! clamavam os judeus na Rússia de antes da revolução de 1917. Se você não viu, veja O Violinista no Telhado, com Topol no papel principal. É de comprar e assistir sempre que precisar, como remédio. É amor pela vida, na veia! É arte; remédio para a alma.

Arte pressupõe manutenção de tradição e superação de barreiras.

arte é tradição
e libertação
sem contradição

Tradição! clama o aborígene de todos os cantos da Terra, de todas as cores, de todas as línguas e filosofias. De uma só origem. Implora pela natureza. Implora pela vida

tradição é planta rara
de terra virgem
que alimenta suporta
e cura
levando embora a inverdade
que permeia a transitoriedade

raízes asas
asas raízes
querer voar quando não há céu
querer o chão quando chão não há
galhos raízes
folhas de mil matizes

Temos necessidade de um traçado do desenho, mesmo que seja para nem prestar atenção nele ou para apagar e desenhar outro. Outros! Precisamos de um modelo, um padrão almejado e possível de alcançar, que não exija perfeição nem sorte além da conta.

Contando um conto e aumentando um ponto, estica daqui, puxa dali, moldamos a tradição. Nós a submetemos ao bisturi, de acordo com a moda, para que mantivesse, século após século, cara de modernidade. E a deformamos, a afastamos de sua essência e demos a ela um espelho. Ela mirou a própria imagem e, tendo aprendido a vaidade humana, acreditou no que viu e se submeteu.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung