Por Maria Lucia Solla
Entre as opções de ser e não-ser feliz, prometemos voto à primeira, mas na realidade, fazemos campanha pela segunda, que tem ganhado disparado.
A felicidade traz junto o prazer, e prazer anda muito mal falado. O medo da felicidade levou embora a noção. A gente perdeu. A sensação é de que andamos pela crosta terrestre sem entender coisa nenhuma, enredados num labirinto de sacrifício.
A gente come e vomita. Come para suprir o que falta. Come demais porque falta tudo. Come errado porque falta tempo. Não come porque falta dinheiro. E, simplesmente, não come, ou vomita o que come, em prol da forma do momento.
Quando é que teremos aula de felicidade na escola? Aula de amor; pelo amor dos deuses; do passado, do presente e do futuro. Antes, bem antes das noções de sexualidade.
Olhe em volta. Olhe para dentro também. A gente reclama de tudo! A gente escolhe a dor e descarta o amor, e em prol de quê? Do sacrifício? Já se deu conta de quantas vezes por dia você se boicota? Cozinha e reclama, come e reclama, respira e reclama. Se dorme, reclama; se não dorme, para não perder o costume, reclama também.
Sacrifício deve trazer prazer. É um atalho para chegarmos aonde a nossa alma quer ir. Sacrum + facere = sacrifício = fazer (tornar) sagrado. Sacrifício serve para fazer sagrados os nossos passos.
De tempos idos e de religião conheço pouco, mas ouvi dizer que o sacrifício foi forçado a se casar com a solidão, e que os dois têm se alimentado de certeza, posse, razão, e outros quetais. Menos de amor.
Enquanto o sacrifício for mal entendido e dons e instintos condenados à clausura, continuaremos a criar milhões de monstros frustrados que matarão pelo prazer de matar outros milhões, até acabarmos com tudo.
Como você entende o sacrifício?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, aqui no blog, exercita a felicidade que irradia durante toda a semana aos que se aproximam dela.
