Conte Sua História de SP: embalei meu filho no samba da Vai Vai

 

Maria da Conceição Pereira nasceu em Sabinópolis, Minas Gerais, em 1951. Neta de portugueses, cresceu em ranchos feitos pelo pai, que trabalhava na agricultura como meeiro. Aos oito anos foi morar na casa do padrinho para poder estudar. Com 13, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar com arte. Vivia em Santo Amaro, mas gostava mesmo de passear nos Jardins, sempre acompanhada da irmã e amigas. Foi lá, ainda com 18 anos, que conheceu o marido: homem bonito, de bigode e sempre com um carrão. Não era dele, era do dono do banco para o qual trabalhava. Motorista exemplar, era respeitado por todos os colegas, podia até levar o carro para casa. A mãe e a irmã providenciaram o enxoval, todo comprado na loja do Mappin. E Maria da Conceição Pereira casou-se, em uma igreja no Piraporinha, zona sul da cidade. Orgulhosa, diz que todo povo do banco compareceu. Foi morar no Bixiga, bem onde a escola de samba Vai Vai ensaiava para o Carnaval. No depoimento, gravado pelo Museu da Pessoa, Dona Conceição lembra de como o samba da Vai Vai a acompanhou durante toda a gravidez:

 

 

Maria da Conceição Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento dela foi gravado no Museu da Pessoa. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade, e registrar suas memórias, agendando entrevista, em áudio e vídeo, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br e leia outras história de São Paulo aqui no Blog.

Quem não ouviu Lupicínio, perdeu a mágica

 

Por Milton Ferretti Jung

Esses moços,pobres moços,
Ah,se soubessem o que eu sei,
Não amavam,
Não passavam aquilo que
Eu já passei…

 

Como de hábito,acordei cedo nesta terça-feira,dia em que já levanto pensando no que escreverei para o blog capitaneado pelo Mílton. Já na primeira edição do Jornal da CBN,fui alertado para um fato que começou a ser comentado desde muito cedo e que de maneira alguma eu não abordaria no texto que o meu filho posta na quinta-feira:neste 16 de setembro,um dos maiores sambistas deste país,o meu patrício Lupicínio Rodrigues estaria fazendo 100 anos. Fiquei muito satisfeito ao ouvir,durante o Jornal,elogiosas referências ao compositor,autor de inúmeras músicas que fizeram grande sucesso em uma época na qual o Lupi teve de concorrer com inúmeros sambistas altamente criativos. Afora o seu vasto repertório de músicas populares,Lupicínio Rodrigues só deixou de lado o samba para assinar o Hino do Grêmio. Reza a sua biografia que Lupe,como era chamado desde pequeno,cultivava três grande paixões:a música,o bar e as mulheres. Será que exagero se acrescentar uma quarta paixão às outras três? Lupicínio não comporia o Hino do Grêmio se não fosse torcedor do Imortal Tricolor. Se ele tivesse criado apenas esta música, eu seria seu fã.

 

Abri o meu texto desta quinta-feira lembrando o início daquele samba que ele chamou de “Esses Moços”,um dos meus preferido dentre o seu vasto repertório. E olhem que é difícil pinçar uma de suas criações no meio de tanta música inspirada. Criei-me em uma época de grandes sambistas e quando virei locutor de rádio,Lupicío Rodrigues,o velho Lupe,já encantava os ouvintes das duas únicas emissoras nas quais trabalhei,fora,é claro,a Voz Alegre das Colina,o serviço de alto-falante que rodava sambas de um compositor que inventou o termo dor-de-cotovelo ou,se fosse sob “a égide” da nova ortografia,sem hífen. Desculpem-me,mas já estou aproveitando ouvir no meu computador, para matar a saudade, os sambas de Lupe. Quem não ouviu Lupicínio,perdeu a mágica.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Samba de raiz na festa do CBN SP 456

 

O projeto “Samba do Baú” será uma das atrações musicais do CBN SP 456 anos em homenagem a cidade de São Paulo. Boa oportunidade para conhecer o trabalho de jovens que se reuniram há cinco anos na zona leste para preservar  um estilo de música que perdia espaço no cenário cultural: o samba de raiz.

No Pátio do Colégio, o grupo vai completo e disposto a mostrar que a música que consagrou sambistas com o talento de Geraldo Filme segue viva na capital paulista. Pra saber mais do Samba do Bau assista ao vídeo neste post, no qual intepretam Silêncio no Bixiga ou acesse o site do projeto.

O CBN SP 456 anos será ness segunda-feira, 25 de janeiro, a partir das 9 e meia da manhã, no Pátio do Colégio, centro de São Paulo.

Os Batuqueiros da Pauliceia por Osvaldinho da Cuíca

Osvaldinho da Cuíca é batuqueiro da Pauliceia


Dos grandes nomes da cultura musical brasileira, Osvaldinho da Cuíca se une ao jornalista André Domingues para lançar o livro Batuqueiros da Pauliceia, no qual conta a história do samba em terras paulistas. O sambista estava doente, internado no hospital, na época em que os dois batiam papo para que o André reunisse material suficiente para construir esta história. Em pé, pronto para a próxima, Osvaldinho está muito feliz com o resultado do livro, lamenta apenas que “sempre fica faltando alguma coisa para contar”.

Em Batuqueiros da Pauliceia não faltou Geraldo Filme, a importância de Bom Jesus de Pirapora, o nascimento do samba na Barra Funda, e a dimensão que o rádio ofereceu para a música. Um trabalho legal de ser ler, de preferência com o CD rodando com o bom samba paulistano.

Ouça a entrevista com Osvaldinho da Cuíca, no CBN SP

Bares para quem gosta de samba de raiz e chorinho

Por Ailin Aleixo
No Época SP na CBN

Casa do Samba

Misto de bar e balada, a aposta é o samba de raiz. Grupos costumam animar as noites com apresentações no palco que lembram rodas de samba das mais animadas. A decoração, claro, remete às origens do estilo em todos os detalhes – desde os belos grafites com paisagens cariocas e caricaturas de intérpretes famosos até a exposição de camisas das principais escolas de samba do país. Para bebericar, há chope geladinho e bem tirado e também drinques especiais como o refrescante camisa verde e branco – feito com kiwi, hortelã, licor de melão e soda. Tanto na pista, quanto nas mesinhas (a casa costuma abrir cedo), patricinhas e mauricinhos se juntam em turmas para paquerar, dançar e curtir um bom samba.
R. Professor Atilio Inocenti, 380, Itaim

Salve Jorge – centro

Quem não acredita na revitalização do centro, deve dar uma paradinha no bar que emprestou seu sucesso da Vila Madalena para a praça Antônio Prado, em frente a Bolsa de Mercados e Futuros. Com o mesmo estilo de sua casa-mãe – com fotos de “jorges” famosos pelas paredes – a decoração impressiona com centenas de garrafas penduradas pelo teto e os lustres de cristal. Após pedir um chope bem tirado, invista na especialidade da casa:  galeto marinado  e grelhado na brasa. Outras opções como picanha na chapa com cebola e creme de alho, pizza na chapa e bolinho de batata temperada recheado com calabreza picante embalam o cardápio. O eficiente servido é um plus. Vale lembrar que quem tem seu nome de batismo Jorge, ganha um descontinho na hora de pagar a conta.
Pça. Antônio Prado, 33, Centro

Samba

A colorida fachada é uma preparação para a decoração interna deste bar que é o reduto dos verdadeiros adoradores do samba. Na parede do lado esquerdo, um painel que vai de uma ponta a outra chama a atenção e tem como motivo temático. Do outro lado, dezenas de fotos de sambistas famosos enche as paredes e duas fantasias da Mocidade Independente de Padre Miguel completam a decoração. Com um chope Brahma na mão de colarinho cremoso, a galera se acaba nas rodas de samba que acontecem todos os dias que a casa abre. Na sexta-feira é tão difícil achar um lugar para sentar como no sábado na hora do almoço, onde a casa oferece uma suculenta feijoada. No cardápio de petisco, não se arrisque na opção que tem mais saída, a picanha na chapa. Além de dura, é acompanha por batatas soutê completamente sem gosto.
Rua Fidalga, 308, Vila Madalena