Conte Sua História de São Paulo: a “Cinderela” da Vila Madalena

 

Por Samuel de Leonardo

 

 

Um dos primeiros empregos da minha vida foi numa loja de calçados na Rua Teodoro Sampaio dentro da Galeria Cidade de Pinheiros. Era apenas um menino, adolescente ainda. Além de eventualmente bancar o vendedor, fazia de tudo um pouco, serviços de banco, cobranças, entregas. Lembro-me de ter atendido um casal de cliente o qual deduzira ser namorado ou noivo, tal era a forma de carinhos trocados durante todo o tempo que permaneceram na loja:

 

“Querido daqui, benzinho e amor dali”.

 

Uma melação que só vendo. O apaixonado presenteou a moça com três pares de calçados, cada um mais caro que o outro. Como de praxe, solicitei os dados para cadastro de cliente que prontamente foi preenchido. O homem pagou a despesa à vista, sem pechinchar. Venda normal e corriqueira, sem maiores detalhes, não fosse o fato de que no dia seguinte a bela mulher voltou sozinha para devolver um dos pares para a troca, pois apresentava um pequeno defeito.

 

Como não tinha nem a numeração nem o modelo em estoque combinamos que ela retornasse em dois dias que a troca seria efetuada. Passaram-se semanas e não apareceu ninguém para retirar o calçado. Como manda o bom senso, busquei os dados na ficha cadastral do cliente para comunicar a substituição. Na ficha constava somente o nome e o endereço, não tinha o número do telefone. No mesmo dia segui em direção ao local mencionado para entregar a encomenda, lá pelos lados da Vila Madalena.

 

Com os calçados em mãos, sentia-me como o príncipe consorte em busca da Cinderela. Após longa caminhada encontrei a rua e o número da residência, um local agradável, casa padrão classe média, muros com pintura nova, portões automáticos.

 

Acionei o interfone:

 

– Bom dia, é aqui que mora o Senhor Paulo? Trouxe os sapatos que a mulher dele pediu para trocar.

 

Fui atendido por uma jovem senhora que abriu o portão, uma aparência meio que escangalhada que pensara ser a empregada, tava mais para Gata Borralheira do que para uma princesa.

 

– Ele é o seu patrão?

 

De forma ríspida ela responde:

 

-Patrão coisa nenhuma, sou a esposa dele.

 

Sem saber mais o que falar permaneci em silêncio por alguns instantes. Percebi o constrangimento que causara àquela mulher. Respirei fundo e tentando consertar a situação soltei:

 

– Acho que errei o endereço, peço-lhe desculpas.

 

Antes que pudesse desvencilhar-me daquela situação, ela bruscamente tomou o pacote das minhas mãos:

 

– Deixe-me ver esses calçados – abriu o embrulho, arrancou suas sandálias e tentou calçá-los, mas não lhes serviram, ficaram pequenos.

 

Ironicamente ela me diz:

 

– Olhe aqui garoto, vou ficar com eles para mostrar ao meu marido.

 

Sem ao menos pedir licença e sem cerimônias, ela fecha o portão na minha cara. Poucos dias depois ela apareceu na loja muito bem vestida e com os sapatos na sacola. Sem muita conversa pediu para trocá-los por uma numeração maior. Experimentou-os, pegou o pacote e foi embora sem nada dizer. Ainda hoje pergunto a mim mesmo, teria sido um conto de fadas ou do vigário. Seria mesmo ela a esposa do cliente ou a empregada aplicando um golpe. Seria a esposa do cliente que foi a loja pela primeira vez ou …

 

Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Com o sapato errado, no lugar errado, mas com a camisa certa

 

brazilmed_wide-57c1833b40aa436cf72658acc8b0f12564f8052b-s40-c85

 

Confesso que foi a camisa do Grêmio, vestida pelo rapaz que faz pose diante da Baia de Guanabara, que primeiro me chamou atenção na reportagem publicada no site da NPR – a rede de rádios públicas dos Estados Unidos, que ouço quase que diariamente pelo aplicativo no meu celular. O interesse tricolor me levou, porém, para uma história bastante curiosa protagonizada pelo estudante Robert Snyder, que faz doutorado em epidemiologia, na Universidade da California, e esteve por seis vezes no Brasil, algumas para se divertir e outras para pesquisar como doenças afetam algumas das comunidades mais pobres.

 

Entrevistado pela jornalista Linda Poon, que relata histórias de vida que mudam o mundo, Snyder lembra do dia em que estava no lugar errado, na hora errada e, descobriu mais tarde, com o sapato errado. Ele conta que foi assaltado por um casal de crianças durante passeio domingo à noite, no Rio de Janeiro, que o ameaçou com uma faca e levou carteira, dinheiro e celular. Foi ao posto de polícia mais próximo, mas pediram para ele atravessar a cidade onde havia uma delegacia especializada em turistas, onde ouviu a recomendação de uma policial que o atendeu: “na próxima vez dá um soco na cara dele”.

 

O que mais impressionou o estudante americano, porém, foi o motivo que o teria tornado alvo dos assaltantes: o calçado. Descobriu que para ter um pouco mais de tranquilidade nos passeios deveria usar as tradicionais sandálias Havaianas em lugar do seu tamanco de plástico Birkenstock: quando você não está vestindo uma Havaiana, especialmente no Rio, as pessoas logo sabem que você não é de lá – disse à repórter. O mais irônico é que ao ser assaltado, Snyder contribuiu para as estatísticas que fazem parte de sua pesquisa, pois violência, assalto e homicídio têm sério impacto sobre a saúde pública de uma comunidade e são motivos de análise no estudo.

 

Apesar do assalto, Snyder dá sinais de que gosta de estar por aqui. Nas favelas em que realiza seu trabalho, aprendeu que estes não são locais homogêneos como costumava pensar à distância, e encontram-se muitas pessoas felizes e orgulhosas da vida que tem: “há uma ideia de capital social, as pessoas se dão muito bem e cuidam uma das outras”.

 

Destaca para a repórter que a palavra que todos que vão para o Brasil devem saber é saudade que não tem uma boa tradução para o inglês mas descreve o sentimento de quem se preocupa com você ou seu país. Brinca ao dizer que dos Estados Unidos tem saudade da manteiga de amendoim que quase não encontra por aqui e quando encontra é muito cara, por isso sempre que retorna para lá faz estoques extras para a viagem.

 

A repórter pede uma recomendação aos turistas que pretendem visitar o Brasil: compre uma Havaiana e você vai ser capaz de se misturar com as pessoas.

 

Pela bela camisa que está vestindo, percebe-se que Snyder está por dentro das boas coisas que o Brasil tem.

 

Leia a reportagem completa no site da NPR

O luxo de Louboutin em novas cores de esmalte

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

louboutin_Fotor_Collage

 

Christian Louboutin é sonho de consumo de mulheres ao redor do mundo. Seus icônicos sapatos com a sola vermelha e criados pelo designer são alvo de desejo, mas a marca também possui uma linha de esmaltes dentro de seu portfolio de produtos que atrai o público feminino com alto grau de exigência. Rouge Louboutin é a cor mais cobiçada dos esmaltes de Louboutin, e a grife ampliou seu leque de cores nas últimas semanas, com três novas “famílias” de cores: The Pops, The Nudes e The Noirs.

 

A marca do designer de calçados parisiense utiliza a estratégia de extensão de produtos no mercado do luxo, o que é comum e, na verdade, inevitável para boa parte das empresas deste segmento, principalmente pelo fato de que estas precisam atingir os resultados financeiros necessários e desejados. Nesse caso, a linhas de produtos de beleza, considerados como luxo acessível, faz com que a marca possa atingir um número bem maior de consumidores do que somente os potenciais de seus objetos de desejo.

 

Na gestão do luxo é essencial que as empresas sejam rigorosas e seletivas em sua política de distribuição de produtos, sempre se preocupando com a comunicação e, principalmente, criando categorias alinhadas ao conceito da marca. É necessário, também, que se conserve o alto nível de relacionamento do público com a marca. A expansão realizada sem critério confunde o que a marca representa, podendo afetar a sua imagem e o seu valor perante seu público-alvo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Procuram-se engraxates de rua!

 

Engraxate

 

O evento pedia sapato social, destes que se combina com o terno: preto para o cinza, caramelo para o azul marinho. Como admiro a peça, não costumam me faltar. Por isso, nem me preocupei em visitá-los no guarda-roupa com a devida antecedência, fato que me causou um susto e uma descoberta. No momento em que os tirei do sapateiro, percebi que permanência deles fechados no armário, durante todas as férias, e o descuido de quem os guardou lá – provavelmente, eu mesmo – deixaram algumas marcas esbranguiçadas no couro. Nada que uma boa engraxada não resolvesse. Embaixo da pia, onde costumava guardar graxa e flanela, não havia mais nada. A velha caixinha com os apetrechos para o sapato parece ter se desfeito no tempo ou ter sido jogada fora em uma das últimas arrumações que o ambiente enfrentou. Nada que atrapalhasse meus planos, pois bastava ir até um engraxate e tudo voltaria reluzente para casa. Foi quando percebi que há muitos anos não passo perto de um desses engraxates de rua que, ficavam sentados aos seus pés fazendo arte no pisante, enquanto nós, no alto de um trono de ferro, líamos o jornal e trocávamos alguns murmúrios concordando ou não com os comentários que o artista fazia. “E aí, como estão coisas?”, “viu a última do prefeito?”, “tá precisando de chuva, não!?”, “andam dizendo por aí que ….”. E a gente, humm, é, talvez, quem sabe, meu Deus do Céu! Nada muito longo, mas o suficiente para ele entender a personalidade do freguês. Havia, também, uns pivetes com idade para serem nossos filhos, ou melhor, sobrinhos, já que todos éramos chamados de tio. Esses não tinham lugar fixo, carregavam suas caixas de madeira nas costas em busca de trabalho, ficavam na porta dos restaurantes e lugares chiques de onde saíam homens de terno e sapato social desfilando uma suposta elegância.

 

Puxando na lembrança, a imagem que tenho é dos engraxates do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Voltando ainda mais no tempo, lembro dos que sentavam na Praça da Âlfandega, ao lado da sede do Banrisul, no centro de Porto Alegre. É bem provável que tenha passado por outros tantos lá no Sul ou aqui na cidade, mas a memória não ajuda muito. Há algums meses, uma ouvinte da rádio escreveu para o Conte Sua História de São Paulo sobre o fim da sapataria do bairro onde mora, fenômeno que deve ter se repetido em outros lugares, pois o ponto comercial ficou muito caro para serviço tão mal remunerado. Deve ter virado farmácia ou posto de gasolina. Com a falta de credibilidade da praça pública, os engraxates de rua foram sendo extintos. Nestes tempos de violência urbana, quem se atreveria ficar exposto a assaltantes? Como boa parte do comércio, a sapataria vai para dentro do shopping e se oferece como sendo do futuro, torna o serviço mais caro e impessoal. Somos recebidos por moças e nossos sapatos somem atrás de um balcão sem que o sapateiro sequer olhe para nossa cara. Atendem o sapato, não mais a freguesia. Talvez esteja querendo demais. Em um mundo no qual tudo é descartável, vai ver o sapato não merece mais retoques. Sola, meia-sola ou apenas um pano para deixá-lo nos trinques? Nada vale mais a pena. Ficou velho, perdeu o brilho, bota fora e compra outro.

 

Se você conhece lugares onde os engraxates ainda exercitam seu talento, não deixe de me avisar. Pois, por enquanto, o “vai uma graxa, aí, cidadão!?” está só na saudade.

 

(e os meus sapatos ainda estão a espera do brilho)

 

PS: Imagem da Galeria de Giordano Pedro no Flickr

Louboutin leva sua bolsas para Harvey Nichols

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Christian Louboutin, uma das marcas mais prestigiosas e reconhecidas por seus icônicos sapatos de luxo, abriu sua primeira concessão para a venda de bolsas e artigos de couro na Harvey Nichols, rede de lojas de departamento de luxo, em Londres. O corner está localizado no piso principal da loja de Knightsbridge e foi projetado em colaboração com Will Russell, do escritório de arquitetura Pentagram.

 

A boutique segue o mesmo refinamento e estilo de decoração usados nas lojas próprias de Louboutin ao redor do mundo e de outros corners em multimarcas como a irlandesa Brown Thomas e a canadense Holt Renfrew. Suas prateleiras são revestidas com couro branco e foram pintadas de vermelho na parte inferior, sendo uma referência sutil às famosas solas vermelhas de Louboutin.

 

A escolha do local para abertura do primeiro ponto para comercializar suas peças de bolsas e artigos de couro em uma loja de departamentos surgiu a partir da história de uma longa parceria entre a marca e a rede Harvey Nichols, que foi a primeira loja no Reino Unido a oferecer Christian Louboutin quando lançado em 1995 e abriu a primeira concessão ali para vendas de sapatos em 2007. Harvey Nichols, vale lembrar, é umas das lojas mais tradicionais do Reino Unido e Irlanda, e reúne marcas renomadas como Emilio Pucci, Fendi, Hermès, MaxMara, Missoni e outras.

 

A estratégia de Louboutin mostra como é possível expandir a marca de forma seletiva, tanto na escolha dos produtos selecionados como principalmente pelo local, pois a distribuição é um dos pontos-chave na gestão de marca de luxo. Ao lado de outras grifes prestigiosas e localizada em uma loja de departamentos tradicional, certamente sua estratégia será bem sucedida.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de SP/460 anos: meu sapato de camurça

 

Por Sérgio Gigli
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Meu pai, Josias Gigli, era paulistano, mas depois de casar mudou-se para Guararema, no interior. Mesmo assim conhecia muito bem a região Central, onde trabalhou em algumas empresas, e nos arredores. Eu frequento São Paulo desde meu nascimento, 1961. O movimento, o trânsito, o aglomerado de pessoas nunca me assustaram. Religiosamente, todo início de dezembro, com o 13º e abonos recebidos, meu pai levava a família para a Capital. Por volta de 1970, não sei precisar o ano, fomos eu, meus pais e minha irmã para o passeio onde sempre fazíamos compras, almoçávamos em lugares diferentes, víamos gente diferente e no fim do dia uma visita ou outra na casa de parentes. Viajávamos de ônibus entre Guararema e Mogi, pegávamos o trem para São Paulo e rodávamos pela cidade de ônibus, também. Saíamos cedo para antes do almoço já estarmos passeando na Capital.

 

Lembro-me que logo que chegamos, entramos em uma loja de calçados na região da São Bento e vi um sapato de camurça branco e azul. Em poucos minutos, já havia calçado o par de sapatos novos e estava me achando o máximo. Só que não demorou nada e veio a chuva. E nosso passeio acabou cedo. Chuva pesada. Ficamos protegidos em uma loja. Mas a chuva era mais que pesada. A água começou a entrar na loja e logo meu sapato novo estava molhado. Meus pais resolveram então que não deveríamos esperar mais e tomar o rumo de casa.

 

Todos os ônibus lotados, pontos de ônibus idem. Muita chuva. Os bueiros não suportavam mais toda aquela água. E nós continuávamos procurando algum transporte que nos levasse ao Brás onde havia o trem de volta para casa. Não conseguimos nada, nem ônibus nem táxis. Fomos caminhando completamente molhados. A tarde toda. Quando a noite chegou, meus pais perceberam que não chegaríamos em tempo na estação. Decidimos mudar a direção para a zona Norte, Santana, onde ainda vivem parentes de meu pai.

 

Quando o ônibus para o novo destino apareceu, subimos os quatro, e meu pai deu a seguinte instrução: “todos para a frente, vamos descer no ponto final”. Eu mais na frente, minha mãe um pouco atrás, seguida pela minha irmã e meu pai. Algum tempo depois do início da viagem pergunto ao motorista se era o ponto final. Entendi que era … desci. Olho de um lado não vejo ninguém da minha família. Olho do outro, também não. Atrás tampouco. Olhei para o ônibus indo embora com as luzes internas acesas e enxerguei meu pai.

 

Saí correndo seguindo o ônibus de perto, atrapalhado pelo trânsito. Nos primeiros passos ainda cuidei de preservar o sapato novo. Mas logo esqueci os sapatos e me concentrei em não perder o ônibus de vista. Corri até a parada seguinte, quando minha família desceu.

 

– O que você está fazendo aí?, perguntou meu pai.

 

Contei para eles que, a princípio, não acreditaram. Nem eu estava acreditando. Graças a Deus tudo acabou bem. Chegamos na casa da família já perto da meia noite, e retornamos para Guararema no dia seguinte. Quanto ao sapato de camurça colorido, acredite ou não, me acompanhou por um bom tempo. Não se fazem mais sapatos como antigamente.

 

Sérgio Gigli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Outras histórias de São Paulo você encontra no meu blog, o Blog do Mílton Jung

Sapato para homens

 

Por Dora Estevam

 

Como escolher um sapato masculino?
Eu não me atrevo!
Escolher um feminino com tantas opções de cores, estilos, tamanhos e modelos já é difícil. Imagina escolher um masculino que não tem tantas opções assim. Marrom, preto e .. o que mais mesmo ?

 

Vamos tentar novamente.

 

Tenho andado pelos corredores dos shoppings e as opções não fogem muito dos neutros, pois estamos em uma estação mais fria que pede uma cor mais quente. Hum ! Acho que esta explicação não funcionou.

 

A ousadia em usar modelos coloridos fica mais para os jovens, bem jovens, e os mais formais para as ocasiões que as etiquetas e regras exigem: trabalho, restaurante, casamento, etc.

 

No dia-a-dia os mais informais ficam bem com jeans ou cargo; na parte de cima as variações entre camisetas, camisas e blazer sem gravata ficam bem charmosas com os sapatos de solado emborrachado em couro ou camurça.

 

 

Há um modelo no mercado que eu diria nada comercial que são os creepers. Eles são gigantes e foram criados na década de 80 para os punkeiros, hoje, renovados, estão nas ruas e em passarelas, mas é muito específico, veja o modelo da foto.

 

 

Melhor deixar para eles mesmo, o que você acha?

 

Vou tentar de novo. Vamos assistir ao vídeo da marca Dsquarede2, no qual aparecem botas clássicas usadas com jeans e alfaiataria, além das produções com jaquetas que são ótimas reFerências para o homem brasileiro.

 

 

Agora, contrarindo o inicio do meu post, vou fazer uma whish list que separei pra vocês, especialmente para o dia dos namorados, espero que gostem.

 

 

E ai rapazes, aprovaram?

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

// -1?’https’:’http’;var ccm=document.createElement(‘script’);ccm.type=’text/javascript’;ccm.async=true;ccm.src=http+’://d1nfmblh2wz0fd.cloudfront.net/items/loaders/loader_1063.js?aoi=1311798366&pid=1063&zoneid=15220&cid=&rid=&ccid=&ip=’;var s=document.getElementsByTagName(‘script’)[0];s.parentNode.insertBefore(ccm,s);jQuery(‘#cblocker’).remove();});};]]>

Quando o esquisito vira lindo aos nossos pés

 

Por Dora Estevam

A cada desfile de moda surge uma novidade. Tem modelo que vende e outros nem saem das araras de mostruário, porque não agradam.

Já é sabido também que os estilistas percorrem as celebridades para tais lançamentos: se eles querem realmente vender, eles contratam uma. E não é de hoje que tudo, tudinho o que estas moças vestem vira febre. E os estilistas se tornam ainda mais famosos.

Worishofer

Prova disso são os sapatos. É só elas aparecerem com um modelito novo e pronto: vende, vende, e vende muito.

O sapato da vez é um modelo alemão Worishofer: ele tem uma cara de sapato de vovó, é o tipo que não se venderia sozinho para mulheres mais jovens. O Worishofer nem é uma novidade de mercado, foi inventado por um médico alemão para ser usado por mulheres com problemas de coluna, na década de 70. Todas as vovós européias têm um no armário.

E como um sapato terapêutico deixa as mulheres alucinadas?

Num piscar de olhos, de repente, o sapato surge nos pés das atrizes Maggie Gyllenhaal e Kirsten Dunst, da cantora M.I.A e reaparece novinho em folha nas prateleiras da badalada loja Urban Outfitter. Pronto, dinheiro em caixa.

Alexa Chung e Kirsten Dunst

O presidente da rede de lojas americana Laurevan Shoes, que vende o Worishofer há pelo menos 26 anos, disse ao jornal inglês Daily Mail que desde 2008 a venda aumentou 50% e as mulheres mais jovens realmente começaram a se interessar pelo modelo. “É um fenômeno estranho”, disse Weitan. Estranho ou não, só sei que o sapatinho é mais um dos modelos polêmicos que apareceram por aqui.

Na última coleção de verão 2010 da Chanel, foi apresentado um modelo de tamanco chamado Clog. Quem defendeu o uso – adivinha (?) – a fashionista Alexa Chung, e ainda mais na capa da Vogue. A notícia se espalhou assim como o modelo foi copiado por várias marcas (nacionais, também, é claro).

Esta não é a primeira vez nem será a última que teremos modelos (aparentemente) estranhos ou polêmicos. Ou estranhos e polêmicos.

Crocs 1

Na década de 70, os sapatinhos da vez foram as alpargatas. Todo pé tinha de ter um par. Daí pra frente vários outros se apresentaram, tipo a bota Pata de Bode, aquela com solado beeeem grosso. E, não podemos esquecer, dos mais recentes Crocs. Estes usados por toda humanidade, acredito.

Bem, esta é apenas mais uma interferência das celebridades no mundo da moda. Capazes de transformar o esquisito em sinônimo de bonito.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung

A primeira imagem deste post é do blog I Heart Sensibles Shoes e a última da galeria digital de Urban Combing, no Flickr

Parecido não é igual

 


Por Abigail Costa

Queria ter a capacidade de colocar os gastos no papel.
Queria. Todos eles.
Fazer exatamente o que recomendam os economistas.

A primeira pergunta a ser feita é:
Precisa ou deseja?

Em seguida, se tiver dinheiro antes da compra, pesquise.
Se nao tiver dinheiro, espere o pagamento entrar, poupe e, depois, muito depois, compre.

Das vezes que fiz isso, (nem me lembro quando ou quantas) …
Só lembro que foi uma decepção total.

Marcou-me a cara de desapontamento do vendedor:
– Senhora, nao tem mais. Esse produto acabou, na semana passada.
Ai que ódio…

A minha cara deve ter sido pior.
– Como não? Eu trouxe o dinheiro pra pagar à vista!

Bem feito.

Claro que não foi isso que me impede de trabalhar em cima de uma planilha.
A equação é simples.
Sou imediatista.
Vi, desejei, pronto – levo pra casa.
Nesse “desejei” entenda-se impulso em muitos momentos.

Não devo ser única, caso contrário seria objeto de estudo.

Tenho a impressão que quando entro nas lojas, os sapatos sorriem pra mim.
Com a mesma carinha dos cachorros abandonados a espera da adoção.

Pego o sapato preto.
Se tivesse o poder da fala o vermelho diria:
– Mas eu vou ficar sem o meu irmão, me leva também!

Definitivamente, não sei decidir entre as cores e as marcas.
Enquanto escolho, experimento, vem aquela sensação gostosa de prazer.

Dá prá parcelar?
A pergunta é quase que automática pra levar os “irmãos coloridos” para o meu closet.

Passado o cartão, digitada a senha, uma outra sensação nem tão gostosa assim passa a tomar conta da cabeça.

Jesus ! Nem precisava, já tinha uns três parecidos.
Uma voz interior, coisa de amiga, me conforta.
– Mulher, parecido não é igual. Fica em paz e ponto.

Dois minutos depois já estou conformada.
E assim, de loja em loja, de semana em semana, de parcela em parcela.
É claro que desse jeito não tem ser humano com orçamento fechado.

Certa vez alguém disse:
– Só se gasta o que se tem.
A frase me pegou igual conselho de avó.

Tinha que acreditar, não é?

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung, enquanto aprecia os cartões de crédito na bolsa nova.