Se tem Romarinho, não precisa se preocupar com os ataques

 

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo

 

Deixei minha casa, como faço toda semana, ainda de madrugada e com neblina forte no meio do caminho até a rádio, que tem sede no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo. Passei por ao menos dois postos de polícia e os cones estreitando as pistas, as viaturas com luminosos ligados e os homens de prontidão chamavam a atenção pelo comportamento atípico. Geralmente, esta parafernália está recolhida e os policias parecem mais relaxados, mas desde que ataques criminosos se iniciaram tendo bases da PM como alvos e uma série de ônibus foram incendiados, a situação mudou. Justifica-se esta atitude, pois à sociedade o que se sinaliza, quando os homens responsáveis pela segurança são vítimas da violência, é a nossa total fragilidade diante da violência.

 

Antes de chegar à redação, ouvi a participação do repórter Eliezer dos Santos, que faz a cobertura jornalística durante a madrugada na rádio CBN, na qual informava que mais uma base, esta na Zona Sul, havia sido atingida por oito disparos que teriam partido de uma dupla que estava em uma moto. E que, na noite anterior, havia subido para dez o número de ônibus incendiados, o último em Ferraz de Vasconcelos, cidade da Região Metropolitana. Ao mesmo tempo, motoristas da companhia Via Sul, que rodam na região do Sacomã, tinham recolhido os ônibus temendo serem atacados.

 

Diante deste cenário de medo que impera na cidade nos últimos dias, fui surpreendido mesmo é com o diálogo descrito pelo jornal O Estado de São Paulo que, na noite de quarta-feira, recebeu ligação do Secretário de Segurança Pública Antonio Ferreira Pinto. Ele queria explicar porque havia pedido dois dias de licença do cargo em um momento de tanta tensão. Estava na Argentina para assistir ao Corinthians, seu time do coração, na final da Libertadores, compromisso que, segundo o próprio secretário, não o impedia de estar em contato, por telefone, com os comandos das duas polícias, a Militar e a Civil. Sem contar que se houvesse alguma urgência, estaria a apenas três horas de avião de São Paulo, rapidamente chegaria por aqui. Ferreira Pinto também tranquilizou a população – ao menos tentou – ao declarar que não havia nenhuma preocupação com os últimos acontecimentos, assim como não haveria provas de alguma conexão entre as ocorrências policiais das últimas semanas.

 

Pelo que pude entender, a preocupação mais imediata do secretário era com a Bombonera e o ataque do Boca. Mas, convenhamos, para encarar estes dois inimigos, Ferreira Pinto e toda a torcida do Corinthians tinham para defendê-los Romarinho.

O que vai mudar na educação de São Paulo

 

O modelo de progressão continuada nas escolas de São Paulo vai mudar, mas não será extinto; o exame de avaliação implantado no Governo Serra não vai retirar professor com mau desempenho da sala de aula; alunos serão submetidos a provas anuais ou semestrais para se identificar a qualidade do ensino; diretores de escolas continuarão sendo indicados e não eleitos; e o Estado pode, finalmente, ter um Plano Estadual de Educação.

De forma simples e direta, é o que entendi da entrevista com o novo secretário adjunto da Educação do Estado de São Paulo João Cardoso Palma Filho, no CBN SP. O esforço dele foi acabar com o mal estar que a manchete da Folha de São Paulo ( “Alckmin muda progressão continuada”) gerou na equipe que somente assumirá nesta quarta-feira.

Ouça a entrevista do secretário-adjunto Palma Filho ao CBN SP.

Palma Filho tentou mostrar que ainda não há uma decisão final do Governo Alckmin sobre estes temas, pois todos serão discutidos com o magistério ao longo de 2011. Conversar com os professores parece ser prioridade na próxima gestão.

A dificuldade de dialogar com a Apeoesp, sindicato da categoria, que teria prejudicando a implantação de programas na área da educação, inclusive com a decretação de greve no ano passado, teria pesado na decisão do Governo Alckmin de substituir Paulo Renato Souza, apesar de José Serra ter pedido a permanência do colega de partido no cargo.

Além de não manter Paulo Renato, o governador ainda ouviu a opinião do desafeto de Serra, o deputado federal e ex-secretário Gabriel Chalita. Tanto o novo secretário Herman Voorwald como João Cardoso Palma Filho, o adjunto, teriam sido indicados pelo parlamentar do PSB. Chalita sempre se orgulhou de durante o mandato dele na Secretaria de Educação jamais ter havido uma greve de professores.

Aliás, outra promessa da gestão que assume vai ao encontro das propostas do deputado do PSB. Foi Chalita quem enviou o Plano Estadual de Educação, em 2003, que depois de aprovado em várias instâncias na Assembleia Legislativa acabou engavetado. O texto previa aumento do investimento em educação de 30% para 35% do Orçamento do Estado e restringia o número de alunos por sala de aula (leia sobre o assunto aqui)

Neste item, tem razão o novo secretário: São Paulo não pode prescindir de um plano estadual de Educação. Somente assim se terá condições de limitar os efeitos negativos das constantes mudanças na política educacional, comuns mesmo em um Estado que há 16 anos é comandado por um só partido.

A dúvida que ainda se tem é se tudo isso que se discutirá mudará o que é mais importante: a qualidade do ensino na rede pública.

Secretário narra ‘epopéia’ internacional no Twitter

 

Para chegar a Dinamarca, onde participa do Move 09 o secretário municipal dos esportes Walter Feldmann passou por uma aventura, conforme ele próprio descreveu no Twitter. O trem entre Bélgica e Dinamarca teve problemas mecânicos, isto o deixou parado por uma hora no meio do caminho. Ele seguia com a comitiva paulistana para o aeroporto e até chegar teve de trocar de trem duas vezes. No aeroporto, outra encrenca: a bagagem pesava 20 quilos a mais do que o autorizado. “Solução: tirar o máximo de roupas e vesti-las no corpo p/a mala ficar mais leve”. Após atravessar o saguão inteiro para embarcar, transportando malas de mão e vestindo um monte de casacos, sentou-se no avião e sentiu nas costas o joelho de uma passageira de quase dois metros de altura que estava na poltrona de trás. “Mil joelhadas nas costas depois, o piloto deu um cavalo de pau na pista e quase fomos parar no mar”, tuitou.

Já em Copenhague, onde mostrará experiências de atividades de rua, desenvolvidas em São Paulo, descobriu que não havia reserva no hotel onde deveriam ficar hospedados. “Resolvemos, finalmente, e o dia ali se encerrou. Sonhei com o Chico: “Amanhã vai ser outro dia”, postou no Twitter com a hastag #epopeia

Sugiro que você entre no site do Move09 e veja os vários vídeos publicados com programas realizadas em cidades de todo o mundo. Não deixe de ver o que mostra o uso da bicicleta na capital da Dinamarca. Tem material brasileiro, com destaque para Rai e a Fundação Gol de Letra