Conte Sua História de São Paulo: a cidade vista através dos relatos de uma amiga


Muita gente diz que São Paulo é uma cidade fria, onde relacionamentos duradouros são raros. Meu filho reclama que amigos de infância, escola ou trabalho estão longe – em outras cidades, países ou até em bairros distantes. Ele mantém contato com alguns pela internet, mas sabe que não é o mesmo que estar junto. E repete uma queixa comum: os amigos que temos são mais “meus” que “dele”. Isso é algo que ouço frequentemente, até em revistas e jornais. Parece ser uma reclamação geral: conversamos mais pelo celular do que pessoalmente.

Será São Paulo mesmo uma cidade fria?

Em certos aspectos, talvez, mas há cenas tão humanas que podem passar despercebidas por quem vive com pressa ou simplesmente alheio ao que acontece ao redor.

Minha amiga Lígia sempre volta para casa com histórias para me contar, já que pouco saio. Em uma ocasião, alguém parou para lhe dar uma informação; em outra, uma senhora ofereceu carona depois de descobrir que moravam perto. Há ainda o caso do motoboy que devolveu a bolsa de uma amiga que ela havia perdido no estacionamento. A vida segue, cheia desses momentos.

Esta semana, Lígia me contou duas histórias que achei especialmente bonitas.

Em um dia, ela subiu em um ônibus lotado. Os assentos para deficientes e idosos estavam ocupados, então ela se segurou pacientemente. Mas uma jovem se levantou e lhe ofereceu o lugar. Lígia agradeceu e disse:

– Por favor, não se levante. Você deve estar cansada depois do trabalho. Eu passei o dia inteiro descansando.

A moça insistiu, e Lígia, observadora como é, notou que ela conversava com um rapaz sobre “nossa mãe”. Aproveitando a liberdade de seus 83 anos e cabelos brancos, perguntou:

– Vocês são casados?

– Não, somos irmãos – responderam, rindo. Só então ela percebeu a semelhança nos traços e a cumplicidade entre eles.

– Vocês se amam? – perguntou ela.

– Muito! – responderam. E a moça ainda acrescentou:

– Eu sempre digo a ele que quero partir antes, porque não suportaria ficar sozinha.

Lígia sentiu um aperto e comentou:

– Eu dizia o mesmo ao meu irmão, mas ele se foi há um ano e meio.

Uma lágrima escorreu de seus olhos. Quando olhou para eles, viu que também estavam emocionados. Em silêncio, trocaram um olhar de compreensão. Pouco depois, eles se despediram, dizendo:

– Boa semana!

– Foi um prazer conhecê-la – disse o rapaz, com um sorriso e o apoio da irmã.

Cidade fria?

Mais tarde, Lígia foi para o metrô. Sentou-se no banco da estação e notou que o único lugar vago era ao seu lado. Um jovem, de uns 14 ou 15 anos, aproximou-se, com cabelos compridos, roupas simples e uma mochila nas costas, segurando a mão de uma garotinha de uns cinco anos, com trancinhas e vestida de modo simples como ele. Ele a colocou no banco e ficou de cócoras ao lado dela. Mas a menina preferiu sentar-se entre as pernas do rapaz, ao invés do banco. Ele, sorrindo, sentou-se no chão, cruzando as pernas na posição de lótus, como vemos nos filmes.

Ela, radiante, acomodou-se em seu colo, e então ele tirou um livro infantil da mochila e começou a ler para ela, que escutava, atenta.

– Que beleza, irmãos tão jovens e unidos! – comentei.

– Não, pai e filha – corrigiu Lígia. – Ele parecia muito jovem, mas, observando melhor, vi que talvez fosse estudante da USP. Um pai dedicado.

Fiquei em silêncio, absorvendo a beleza dessas cenas.

São Paulo, uma cidade fria? Às vezes sim, outras vezes acolhedora. É uma cidade de mil ou milhões de facetas. Basta saber olhar.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo


Edith Suli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Falamos de escuta ativa e comunicação com profissionais que ajudam pacientes a melhorar a audição

Imagem do palestra no Webmeeting

A comunicação começa com uma escuta ativa e qualificada, exigindo uma mudança de comportamento em relação à forma como nos acostumamos a interagir. Temos a tendência de falar mais do que ouvir, de acreditar que somos os donos da razão e de sobrepor nossa história à do outro — seja em momentos de alegria ou tristeza. Já reparou que, sempre que um amigo compartilha uma doença pela qual passou, imediatamente buscamos um caso ainda pior para relatar? A intenção pode parecer boa, como uma tentativa de consolar o outro; porém, na prática, isso acaba por invalidar a dor de quem realmente está sofrendo e revela que não estamos escutando plenamente, pois falhamos em captar o que é importante para quem fala.

Esses e outros temas relacionados à escuta ativa foram abordados no WEIZHA — Webmeeting Internacional sobre Zumbido e Hipersensibilidades Auditivas. Ao lado de Leny Kyrillos e com vídeos gravados por Thomas Brieu e António Sacavém, apresentei alguns dos conceitos que me inspiraram a escrever Escute, Expresse e Fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso (Editora Rocco). O evento, realizado online e em sua sexta edição, foi organizado pela Dra. Katya Freire, fonoaudióloga, e pela Dra. Tanit Ganz Sanchez, otorrinolaringologista. O encontro reuniu profissionais de saúde, todos interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre comunicação.

Foi um enorme prazer colaborar com uma discussão que ajuda profissionais de saúde dedicados a melhorar a audição dos pacientes a escutar melhor.

Certificação Internacional de Comunicação

Leny e Thomas são meus professores convidados na Certificação Internacional de Comunicação Estratégica em Ambiente Profissional, realizada em parceria com a WCES, uma startup especializada em experiência do cliente. Conheça o curso e faça sua inscrição pelo link a seguir: https://www.wces.education/comunicacao

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a reinvenção que resgata marcas históricas

Imagem: divulgação Lego

Muitas marcas desaparecem do mercado por falta de adaptação, enquanto outras conseguem o raro feito de se reinventarem e manterem relevância. Em “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, Jaime Troiano e Cecília Russo abordaram exemplos de marcas que superaram o risco do esquecimento e reconquistaram um espaço significativo no imaginário dos consumidores, identificando as estratégias desenvolvidas para que alcançassem esse feito.

Cecília Russo destacou como várias marcas falharam ao não oferecer mais “uma proposta de valor relevante”. Ela lembrou de exemplos como Blockbuster, Varig e Gurgel, empresas icônicas que sucumbiram por falta de atualização. Em contraste, trouxe casos de sucesso, como o da marca de cosméticos Granado, que, desde 1870, soube se renovar sem perder sua essência, tornando-se “uma marca desejada” e presente em shoppings do país.

Jaime Troiano reforçou o exemplo da LEGO, que “sempre preservou o essencial na busca do novo”, expandindo seu portfólio e conquistando um público ainda mais amplo por meio de associações com personagens de cinema e jogos digitais. Outro caso discutido foi o Catupiry, que ampliou sua linha de produtos ao longo dos anos sem abandonar sua identidade original, mantendo-se reconhecível e fiel à sua tradição.

Três pilares para a reinvenção da marca

Jaime e Cecília apontam três elementos fundamentais para que uma marca se mantenha viva e relevante:

  • Compreensão das forças da marca: Definir com clareza a essência da marca e usá-la estrategicamente.
  • Conexão com o público: Entender profundamente o que os consumidores buscam e criar uma conexão genuína.
  • Inovação autêntica: Pensar fora da caixa, evitando copiar modelos de concorrentes, para criar diferenciação e relevância no mercado.

Esses três ingredientes são as bases comuns das marcas que conseguem se reinventar e prosperar ao longo do tempo.

A marca do Sua Marca

No centro da discussão está a importância de preservar a essência ao inovar. “Preservar o essencial na busca do novo”, como destacou Cecília Russo, é o diferencial das marcas que se revitalizam com êxito, equilibrando inovação e tradição para se manterem fortes mesmo em um mercado em constante mudança.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso


O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo

Mundo Corporativo: Joana Zylbersztajn e Mayra Cotta falam sobre assédio e discriminação no trabalho

Mayra e Joana em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Pricila Gubiotti/CBN

“Quando a gente critica o punitivismo, a gente não tá falando sobre desresponsabilização.”

Mayra Cotta

Casos de assédio moral e sexual nas empresas têm sido tratados de forma superficial, focando mais na punição dos envolvidos do que na transformação do ambiente que os permitiu. A responsabilidade vai além do desligamento, é preciso reparar a vítima e reconstruir o ambiente, explicam Joana Zylbersztajn e Mayra Cotta, sócias da Veredas Estratégias em Direitos Humanos. Este foi o tema do programa Mundo Corporativo, onde as especialistas compartilharam uma visão menos simplista sobre o enfrentamento do assédio e da discriminação nas organizações.

Escuta ativa e prevenção: uma abordagem integrada

Para Zylbersztajn e Cotta, uma política eficaz contra assédio e discriminação deve ser fundamentada na escuta ativa e no acolhimento. “O canal tem que estar preparado para receber desconfortos menores e lidar com problemas antes que se tornem grandes”, explica Joana Zylbersztajn. A abordagem puramente punitiva não só intimida colaboradores a reportar incidentes menos graves, mas também deixa a verdadeira causa do problema intocada. “Desligar alguém sem entender o que no ambiente permitiu o comportamento é combater o sintoma, não a causa.”

As fundadoras da Veredas DH alertam que o enfrentamento de assédio e discriminação precisa de treinamentos contínuos que tratem o problema em sua estrutura mais ampla. Esses treinamentos envolvem não apenas a exposição das condutas inaceitáveis, mas também a exploração das dimensões culturais que sustentam essas práticas. “É fundamental que gestores entendam a complexidade do assédio e se sintam equipados para agir com empatia e precisão. As empresas precisam desenvolver uma governança robusta para lidar com esses casos, indo além do simples cumprimento legal.”, comenta Mayra Cotta.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: a flor no asfalto

Por Valéria Dantas Machado do Nascimento

Ouvinte da CBN

Photo by Manoel Junior on Pexels.com

Viva a vida em São Paulo. Viva a flor no asfalto.

Quando penso em São Paulo, afirmo: logo eu existo.

Nasci e cresci aqui, então me sinto parte deste todo, deste mundão.

Hoje quase cinquentona, tenho muitas histórias pra contar.

Na infância, a Praça da Árvore foi meu berço, lá nasci, mas aos dois anos de idade fui para Vila Gumercindo.

De mãos dadas éramos quatro, papai, mamãe, maninho e eu, e hoje somos mais, irmãos, cunhada, sobrinho e afilhada. O ritmo é este crescer, conhecer, surpreender-se, com este São Paulo, com este mundão.

Passeios com mãos dadas, os primeiros passos, a natureza no asfalto. Mamãe de Salvador e papai do interior de Jabuticabal, já aqui afeiçoados, nos ensinavam que havia sim flor neste asfalto. Então seja no Zoo, no Ibirapuera, no Horto ou na Cantareira, e até no ponto zero, na Praça da Sé alimentar pombos era prazer de casa aos domingos.

Aqui vemos de tudo, e tudo com potência máxima. Do caos, ao crime, a paz, a evolução.

Sim, São Paulo tem e é a pura satisfação. E quem aqui não nasce se torna cidadão de coração.

Como destino ou de passagem, quem passa por São Paulo, leva consigo esperança, agito e o acreditar!

De manhã em oração quem me acompanha são as maritacas, os beija-flores que se reúnem em cima dos fios e dos postes de eletricidade. Totalmente adaptados a cidade grande. Vão e vem sem casa fixa, transformam seus ninhos em momentos de paz neste caos.

E é no Museu do Ipiranga que acontece a magia, a conexão com a natureza!

No jardim frontal onde as palmeiras se transformam nas primeiras horas do dia, em verdadeiros pés de pássaros. O jardim enche nossos olhos e nos dão a impressão de simetria nem sempre percebida por pessoas que na pressão cumprem suas metas sem se dar conta da vida ao redor.

Na pista de Cooper as folhas, os galhos, os diversos cantos e os passos de corredores anônimos marcam o início de mais um dia. No “story” registro o momento em que carros param, buzinas cessam e me conecto com a natureza em meio ao agito. Por instantes, a pressão se torna calmaria, o tempo não marca as horas, o agito se acalma dentro de nós.

Ao voltar para casa, meus pés pisam no asfalto da avenida, um carro freia, o pedestre reclama e o ciclista a tudo isso continua seu trajeto. Mas algo dentro de mim mudou, renovou e percebo que ao voltar não integralmente mais a mesma dentro de mim ainda me conecto aos minutos vividoa  e sei que tudo já deu certo!

Nas estações que se mesclam e não seguem o calendário, já aprendi que reclamar do tempo ‘w como se queixar da “previsão” não assertiva dos meteorologistas. Então, é assim viver aqui, rezar para ir e voltar, agradecer e acreditar que amanhã será ainda mais bonito do que hoje. E de geração para geração a CBN faz parte do meu dia a dia.

Viva a vida em São Paulo. Viva a flor no asfalto.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Valéria Dantas Machado do Nascimento é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Ouça a sua história aqui na CBN. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Outros capítulos da nossa cidade, você tem no meu blog miltonjung.com.br e no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Em defesa do Cabrito Corporativo, porque job não dá leite

Foto de Ruslan Burlaka

Lá no Rio Grande do Sul, onde nasci, “cabrito” nunca foi só um bichinho que salta pelos campos. Quando eu era guri, essa palavra tinha um outro significado. No dia a dia, “fazer um cabrito” era sinônimo de trabalho extra, aquele “bico” que a gente arranjava pra garantir uns trocados a mais. E quem fazia isso, como diziam, era esperto e não reclamava – afinal, cabrito bom não berra. Ou seja, faz o trabalho quieto, sem estardalhaço, e com eficiência. Nem corre o risco de ir para o abate.

Cresci ouvindo essa expressão, que, aliás, se tornou tão parte do vocabulário que, mesmo hoje, quando falo sobre qualquer atividade fora da rotina, o termo aparece. Curioso é que a palavra “cabrito” traz consigo toda uma simplicidade, um jeitão de ser brasileiro. É algo que carrega em si uma certa humanidade, uma proximidade com o chão que pisamos. Nada de firulas, nada de enfeites. Um cabrito é um cabrito. E ponto.

Porém, o tempo passa, e a gente vê a vida se transformar. Convivo com o mundo corporativo e me deparo com uma outra língua. Aqui, qualquer trabalho extra já não é “cabrito”, é “job”. Aliás, tudo virou “job”. O que era uma reunião virou “meeting”, e ao invés de almoço, temos “lunch”. Parece que esquecemos como falar nossa própria língua.

Foi aí que me lembrei de uma crônica do Washington Olivetto, publicada pouco antes de sua morte, em O Globo, na qual ele lamentava o baixo astral nas agências de publicidade, mas, acima de tudo, a dominação dos estrangeirismos. Para ele, as agências tinham deixado de ser brasileiras, se tornaram uma imitação asséptica de algo que não somos. A bronca de Olivetto, eterno defensor da criatividade e do humor na comunicação, me fez pensar: será que é tão difícil valorizar aquilo que é nosso?

O “job” pode até parecer chique, mas não tem o mesmo peso que “cabrito”. O cabrito é suado, feito com a mão na massa, sem maquiagem. Um trabalho que você sabe que vai exigir esforço, mas que, no fim, traz aquele prazer de missão cumprida. O “job”, por outro lado, soa distante, frio. Algo que você faz por obrigação, sem a mesma conexão.

Por isso, sempre que vejo alguém dizer que está “fechando um job”, fico com vontade de responder: “não seria um cabrito?” O cabrito, pelo menos, tem identidade, tem história. O “job” não me diz nada. Ele não carrega o cheiro de café que acompanha as noites em claro, nem o aperto no peito de quem faz o trabalho fora do expediente para pagar as contas. E o cabrito, bom de verdade, vai lá e faz – sem precisar berrar para mostrar serviço.

Enquanto o “job” virou mais um desses termos que importamos sem precisar, o cabrito segue firme, saltando aqui e ali, sempre presente na vida de quem, como eu, acredita que o trabalho é mais do que um termo bonito em inglês. No fim das contas, o cabrito dá leite, alimenta o corpo e a alma. Já o “job”, esse é só mais um estrangeirismo que inventaram pra tentar nos fazer esquecer que o cabrito, ao menos, não precisa berrar para ter valor.

Vamos falar a nossa língua?

Inscreva-se na minha certificação de Comunicação Estratégica em ambiente profissional, que realizo em parceria com a WCES, e vamos aprender a falar a língua das pessoas — essa é uma das maneiras de melhorarmos a nossa comunicação. 

Avalanche Tricolor: só faltam seis jogos

Fluminense 2×2 Grêmio
Brasileiro – Maracanã, Rio de Janeiro/RJ

Time comemora gol de Braithwaite. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Minhas redes sociais têm reproduzido nestes últimos dias uma série de momentos memoráveis do Grêmio. Revi o gol de Luan contra o Lanús, na Libertadores de 2017. Rolando a tela do Instagram, encontrei lances da batalha contra o Peñarol, em 1983. Por uma dessas circunstâncias que só o destino é capaz de explicar, até a vitória contra a Portuguesa, em 1996, quando conquistamos pela segunda vez o Brasileiro, apareceu na tela do meu celular. Todas são cenas que mexem com minha memória afetiva e me fazem pensar quantas glórias tivemos o privilégio de assistir nessas mais de seis décadas de vida.

Aqueles tempos estão distantes do futebol que assistimos recentemente. Libertadores e Copa do Brasil vemos apenas pelo retrovisor. O Campeonato Brasileiro, que no ano passado ainda conseguimos chegar em segundo lugar, tem sido um martírio atrás do outro. Cada partida é um drama. Nunca se tem certeza do que seremos capazes. Conquistamos um ponto aqui e outro acolá. Quando fazemos três, torcemos para os demais concorrentes empacarem no lugar.

Hoje, nos restou festejar um resultado alcançado na bacia das almas. Após sairmos na frente em um contra-ataque com boa participação de Aravena e conclusão de Braithwaite, não suportamos a pressão do adversário e tomamos a virada. O gol de empate, já nos acréscimos, veio de uma jogada fortuita de ataque em que Nathan Fernandes, que andava esquecido no elenco, conseguiu alcançar a bola com calcanhar e a fez, inadvertidamente, encontrar Arezo dentro da área. Reinaldo, em uma excelente cobrança de pênalti, igualou o placar.

Sei que já fui bem mais feliz ao comemorar Libertadores, Brasileiros e Copas do Brasil. Já sofri com viradas históricas, assim como vibrei em partidas heróicas. Mas, atualmente, na escassez de resultados e conquistas, o que me resta é valorizar cada ponto conquistado, ainda que na bacia das almas, e lembrar que, por mais que o Grêmio esteja distante das glórias de outros tempos, a paixão tricolor permanece intacta. Porque torcer é isso: é saber festejar o mínimo, é não desistir diante das dificuldades e é manter viva a esperança de que um dia o ciclo das vitórias voltará a girar ao nosso favor. Diante das atuais circunstâncias, não tem como exigir muito mais do que um empate no Maracanã. Só faltam seis jogos!

Mundo Corporativo: Fernando Pantaleão, da Visa, revela como IA e PIX revolucionam a segurança e a velocidade dos pagamentos no Brasil

Fernando Pantaleão no estúdio no Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti CBN

“No final é usar o máximo de dados possível, com maior possibilidade de aproximação de hipóteses, para poder gerar um resultado melhor.”

Fernando Pantaleão, Visa

No mundo dos pagamentos digitais, a evolução vai muito além das maquininhas de cartão. Cada vez mais, tecnologias de ponta como inteligência artificial e machine learning redefinem o modo como consumimos, protegemos dados e aprimoramos a experiência de compra. Segundo Fernando Pantaleão, Vice-Presidente de Vendas e Soluções para Comércios da Visa do Brasil, esse avanço acelerado, impulsionado pela digitalização e por soluções como o PIX, está exigindo do setor uma adaptação rápida e constante. Ele compartilhou essas reflexões em entrevista ao programa Mundo Corporativo, ressaltando a importância de compreender e responder às novas demandas de segurança e conveniência para o consumidor.

IA e Machine Learning: Segurança e Eficiência no Combate às Fraudes

Para a Visa, a inteligência artificial e o machine learning não são apenas tecnologias de ponta, mas ferramentas essenciais para criar um ambiente de pagamento seguro. “A inteligência artificial e a história do machine learning… no final é usar o máximo de dados possível, com maior possibilidade de aproximação de hipóteses, para poder gerar um resultado melhor,” afirmou Pantaleão. Ele destacou que esses sistemas analisam volumes massivos de dados, permitindo uma resposta ágil e precisa na prevenção de fraudes. A Visa investe significativamente em inteligência artificial generativa, que, segundo Pantaleão, é uma das estratégias mais eficazes para antecipar e bloquear transações suspeitas antes mesmo que ocorram, garantindo que os consumidores possam contar com uma segurança robusta e invisível a cada compra.

Inovação e Velocidade: O Novo Desafio no Setor de Pagamentos

Pantaleão destacou a necessidade de investir na velocidade e empoderamento das equipes para implementação de tecnologias de pagamento seguras e eficientes. “A velocidade é fundamental, ou o poder de decisão é fundamental. E precisa disso. Senão você não tem velocidade de implantação de coisa nova,” afirmou ele, acrescentando que a Visa tem investido fortemente em soluções de segurança para minimizar fraudes e maximizar o índice de conversão nas vendas.

Outro ponto abordado foi o impacto da chegada do PIX, que ele classificou como um divisor de águas para o comércio eletrônico no Brasil. “A gente vê a chegada do PIX como muito importante para o Brasil, muito desafiadora,” mencionou Pantaleão, reforçando que a competição aumentou e a conveniência para o consumidor nunca foi tão grande. A digitalização promovida por essas novas formas de pagamento ampliou as oportunidades para empreendedores de diferentes portes, especialmente com a introdução de tecnologias como o “Tap to Phone”, que transforma o smartphone em uma máquina de pagamento.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: mudei o caminho para relembrar a Ilha do Bororé

Jorge Almeida

Ouvinte da CBN

Balsa na Ilha de Bororé
A balsa para a Ilha do Bororé Foto: Devanir Amancio

Quando eu era criança, nos anos de 1990, frequentava quinzenalmente a Ilha do Bororé, extremo sul da capital paulista. Meu pai, Jorge Miguel de Almeida, potiguar, cinco filhos, pintor de automóveis, não dispensava uma pescaria. Sempre que podia, saia religiosamente às seis da manhã, do Jardim São Luis com destino a Ilha do Bororé.

Seu Jorge nunca ia sozinho: quando não era um dos amigos de copo, chamava um dos filhos. Geralmente meu saudoso irmão Jair ou este que vos fala. Nunca fui interessado por ficar à beira da represa Billings, horas e horas, a espera de um peixe fisgar a isca da vara de pescar. Gostava mesmo era da viagem.

Embarcávamos no ônibus que estampava no letreiro “Represa”. De verdade, o ônibus fazia ponto final na avenida De Pinedo. Descíamos perto da ponte do Socorro e seguíamos no 6079/10 – Ilha do Bororé, da extinta viação São Camilo. Assim que passávamos a entrada do Jardim Eliana, na Belmira Marin, encontrávamos a longa fila de carros para atravessar a balsa. A gente aproveitava para debochar dos motoristas, a medida que os ônibus não precisavam esperar na fila. O ponto final era na segunda balsa, quando meu pai e eu desembarcávamos para fazer a travessia, no limite com São Bernardo.

Já do outro lado, meu pai preparava seu arsenal de varas, anzóis, iscas, tarrafas e tudo aquilo que um pescador necessitava. Sem paciência para pescar, gostava mesmo é de dar uns mergulhos na represa.

Em 1994, com 12 anos, ganhei um título do clube de campo Village Santa Mônica, que ficava na própria Ilha do Bororé, por conta de uma redação que fiz na escola. O que fez aumentar a frequência naquele pedaço de Mata Atlântica. Época em que o rolê ganhou novos adeptos e o comboio familiar era formado por três Kombis. Uns pescavam enquanto outros cuidavam do piquenique e da churrasqueira. Eu e meus irmãos aproveitávamos a piscina. O clube foi vendido e nós deixamos de visitar a Ilha do Bororé.

Em 2018, 22 anos depois da minha última visita na ilha, estava levando minha afilhada no Cantinho do Céu. Na volta para casa, em vez de seguir pelo caminho de praxe, fiz a logística inversa: embarquei no ônibus para a Ilha do Bororé. Fui até a segunda balsa. Peguei outro ônibus, o EMAE, até a balsa João Basso. E mais outro até o centro de São Bernardo. De lá, embarquei em um trólebus pelo corredor metropolitano até o terminal Diadema. Segui pelo corredor ABD até a estação Brooklin, na linha 5-Lilás, do metrô. Enfim, cheguei em casa. 

Uma viagem enorme que valeu pelas lembranças dos meus tempos de Ilha do Bororé.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Jorge Almeida Jr. é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog, miltonjung.com.br, e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.