Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o uso ético da IA na publicidade é inegociável

Foto de Chee KahHay

A cassação de prêmios concedidos a uma campanha brasileira no Festival de Cannes deste ano acendeu um alerta sobre os limites éticos e a responsabilidade no uso da inteligência artificial na publicidade. A campanha da marca Consul perdeu o Grand Prix e um Leão de Bronze após denúncias e uma investigação da organização, que concluiu que conteúdos gerados por IA simularam eventos e resultados como se fossem reais.

Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. O episódio colocou em xeque não apenas a seriedade de uma peça publicitária, mas atingiu a imagem da publicidade brasileira como um todo. “De certa forma, quase que se confirma uma impressão que se tem de que é uma atividade criativa, mas abre mão de ser séria”, afirmou Cecília Russo. Ela também apontou o impacto na imagem do país: “Colocamos luz em traços da nossa identidade nacional que há anos tentamos afastar — de um país menos sério, não confiável”.

Jaime Troiano vê nessa crise uma possível inflexão positiva, ainda que provocada por um tropeço: “O trabalho ficou mais complexo, mas eu acho que vai ficar muito mais sólido, mais profissional”. Para ele, a partir de agora, os anunciantes estarão mais atentos aos cases enviados a festivais e à comunicação cotidiana, exigindo embasamento e idoneidade. Troiano destaca que a inteligência artificial não é o problema em si, mas sim o uso que se faz dela. “A inteligência humana é hoje mais do que nunca necessária. Esse é um grande alerta que a crise de Cannes acabou por estampar”.

A marca do Sua Marca

A mensagem central do comentário é clara: o uso ético da inteligência artificial é inegociável. A credibilidade da publicidade — e da marca — depende do compromisso humano com a verdade, com o caráter e com a responsabilidade profissional. Como resume Cecília Russo, “isso se tornou mandatório agora”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: triste resignação


Palmeiras 1×0 Grêmio

Brasileiro – Allianz Parque, São Paulo SP

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Levamos o gol aos três minutos. Três. Era como se o destino quisesse deixar tudo às claras desde o início. Nenhuma surpresa, nenhum suspense — apenas a exposição cruel da nossa fragilidade. O adversário nem precisou se esforçar tanto. Nós nos entregamos cedo demais, como quem esqueceu como se luta.

E, ainda assim, o que se viu depois foi um desastre controlado. A derrota por apenas 1 a 0, diante do que se desenhava, quase soou aceitável. E isso é lamentável. Porque quando passamos a tratar a derrota como alívio, é sinal de que algo se partiu por dentro — e nem ouvimos o estalo. Não fui forjado gremista para me sentir assim.

A noite teve cheiro de resignação. E ela pesa mais do que a própria derrota. Se arrasta, silenciosa, e ocupa os espaços antes preenchidos por fé, por brio, por teimosia. E, convenhamos, torcer pelo Grêmio sempre exigiu um pouco de teimosia. Uma dose de esperança irracional, dessas que desafiam a lógica mesmo nos momentos mais sombrios.

Preocupante é ver jovens como Riquelme, Igor, Alysson e Jardiel nesse campo minado. Eles carregam talento, energia, vontade — mas enfrentam um ambiente que, em vez de impulsioná-los, ameaça engoli-los. Um clube fragilizado pode afundar até o que tem de mais promissor. A história está cheia de promessas que não resistiram ao caos.

Mas talvez — talvez — seja justamente nesses nomes que more nossa esperança. Se não forem amparados agora, correm o risco de sucumbir. Mas se forem fortalecidos, protegidos e colocados no centro de um projeto real de reconstrução, podem representar não só o futuro, mas o presente do Grêmio. Talvez seja hora de parar de esperar que os veteranos resolvam o que já não sabem mais resolver — e apostar na coragem de começar de novo, de baixo, com quem ainda tem fome e futuro.

Aceitar as fraquezas não significa se conformar com elas. Reconhecer que estamos frágeis é o primeiro passo para reconstruir. E se há algo que não podemos perder, é a teimosia de acreditar. Porque teimar também é amar.

Avalanche Tricolor: terapia para tempos difíceis

Grêmio 1×1 Alianza Lima
Sul-Americana – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Escrevo pouco antes de começar mais uma sessão de terapia. Retomei os encontros com a psicóloga em meio à pandemia, depois de alguns anos distante da análise. Sou adepto da ideia de que não precisamos, necessariamente, apresentar problemas aparentes para nos submetermos ao escrutínio de um profissional da mente humana. Revisões de pensamento e comportamento devem ser constantes, especialmente diante da velocidade com que o mundo se transforma ao nosso redor.

Antes que a psicóloga me chame — sim, as minhas sessões são virtuais —, decidi “pagar a conta” dessa Avalanche, que originalmente era publicada minutos após o apito final do árbitro. Era a oportunidade de enaltecer os feitos e relativizar os defeitos do Grêmio ainda na emoção da partida recém-encerrada. Desde sempre defendi a ideia de que não caberia, neste espaço, a crítica exagerada do torcedor da arquibancada, muito menos o ataque virulento a jogadores que, por ventura, não estivessem à altura da nossa camisa. Foi graças a essa intenção que fui convidado, no passado, a republicar meus textos em um blog de gremistas — perdi o espaço quando o titular do blog arrefeceu diante da incapacidade de resistir aos ataques que a polarização que vivemos provocou em sua saúde mental. Uma pena!

Há algum tempo, especialmente devido aos meus compromissos profissionais, não tenho cumprido com a proposta inicial e as Avalanches passaram a ser publicadas quando encontro espaço na agenda. Escrever logo após os jogos me ajudava a distensionar, expressando minhas emoções, nomeando meus sentimentos e buscando, sempre que possível, justificativas para o que assisti em campo — especialmente nos momentos mais difíceis do nosso time (momentos como os atuais). Era uma terapia. Mais recentemente — e isso não começou neste ano — tenho me revelado mais amargurado do que gostaria. Alguns comportamentos do clube e de seus integrantes passaram a me incomodar, e perdi em parte a ilusão que sempre me moveu.

Este ano não tem sido fácil para os torcedores gremistas. Os resultados em campo estão aquém do que buscávamos (não me atrevo a escrever “aquém do que merecemos”). Perdemos o Campeonato Gaúcho, fomos eliminados da Copa do Brasil e, agora, da Sul-Americana, que já era um consolo por não termos conseguido, no ano passado, vaga na Libertadores. Levantar a Recopa Gaúcha, convenhamos, não leva ninguém a desfilar com a bandeira na Goethe (o pessoal ainda vai para lá, caro e raro leitor?).

A persistirem os sintomas, nossas pretensões no Campeonato Brasileiro serão bastante humildes — e humildade não costumava vestir nossa camisa, considerando a alcunha de Imortal. A não ser que alguma contratação extraordinária ocorra na próxima janela de transferências, será heroico se alcançarmos vaga na pré-Libertadores. A partida de ontem à noite, na Nossa Arena (com letras maiúsculas porque agora temos estádio próprio), foi uma demonstração de que existe uma limitação técnica que nos distancia das vitórias. Claramente, o time fez um esforço brutal para alcançar o resultado que nos classificaria às oitavas de final da Sul-Americana. Difícil apontar o dedo para algum jogador que não tenha se redobrado em campo para dar a fugaz felicidade que buscávamos em uma data tão especial para a história do clube. Mesmo assim, faltaram em muitos momentos o passe apurado, o deslocamento necessário e o chute certeiro ao gol adversário. Jogar futebol tem sido uma sofrência para os nossos jogadores.

A comemorar, apenas a retomada da Arena, com uma estratégia de compra e doação que ainda causa desconfiança — principalmente entre aqueles que buscam na lógica uma explicação que só o coração de um torcedor (bilionário) é capaz de justificar. Escrevi recentemente sobre o significado da atitude do empresário Marcelo Marques e de como a ideia de sermos donos do próprio estádio mexe com as emoções de um torcedor que, desde pequeno, pulava nas arquibancadas de cimento do Olímpico. A presença de mais de 40 mil torcedores na noite de ontem, em Porto Alegre, mostrou o orgulho que temos desse momento — sentimento que é confrontado com a frustração dos resultados em campo.

Terminei a partida com a impressão de que o Grêmio tem uma torcida e tem um estádio. Precisa, agora, de um time. A partir de agora, sermos competitivos e estarmos na disputa por títulos será uma exigência não apenas porque nos acostumamos com os grandes feitos ou pela dimensão do Grêmio na história do futebol. É improvável que a engenharia financeira criada para termos a Nossa Arena se sustente diante de desempenhos pífios da equipe — o que seria uma decepção sem tamanho.

Precisamos urgentemente nos desvencilhar da armadilha que criamos ao acreditarmos na imortalidade futebolística. De que tudo se realizará por obra divina. Se algo conquistamos, mesmo em momentos dos mais árduos, é porque fizemos por merecer. Recentemente, deparei com um pensamento que compartilho com você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, extraído do excelente Imortalidades, de Eduardo Giannetti:

Crer e ser — Crer-se imortal não torna imortal; ignorar-se mortal não torna imortal. Crer-se mortal não torna mortal; ignorar-se imortal não torna mortal. Fleumático ou sanguíneo, rebelado ou reconciliado, não importa: o mesmo faz quem se crê ou ignora. O que será, será.

Depois dessa, acho melhor me preparar, porque a sessão de terapia está para começar.

Avalanche Tricolor: que os deuses nos perdoem

Vasco 1×1 Grêmio
Brasileiro – São Januário, Rio de Janeiro/RJ

Gustavo Martins comemora gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Havia depositado minhas esperanças na interrupção das partidas devido à Copa do Mundo de Futebol da Fifa. Imaginei que seria a oportunidade de o time se reorganizar, recuperar fisicamente seus jogadores e permitir que Mano Menezes descobrisse uma fórmula que fizesse os escalados oferecerem o que tivessem de melhor. Porém, desde que o calendário foi retomado, com exceção daquela vitória na Recopa Gaúcha, estamos em dívida com o futebol.

Goleado na volta do Campeonato Brasileiro e tendo colocado em risco a sequência na Sul-Americana, depois de perder a primeira partida do play-off por 2 a 0, cheguei a imaginar que hoje teríamos alguma felicidade à disposição. Apesar de estarmos jogando fora, tínhamos um adversário também fragilizado e poderíamos tirar vantagem da tensão que vinha das arquibancadas. Ledo engano!

Tivemos de contar com o excelente desempenho de Tiago Volpi — que evitou mais um desastre —, com a visão milimétrica do VAR — que anulou um gol ainda no primeiro tempo —, e com o voluntarismo de Gustavo Martins.

O guri, que está prestes a completar 23 anos (11/08), é zagueiro de origem e tem sido improvisado para resolver a ausência de nossos laterais direitos. Geralmente se destaca dentro da área adversária nas cobranças de escanteio e de falta. Foi dele o gol que nos levou à final do Campeonato Gaúcho, resultado de uma bicicleta já nos acréscimos. Hoje, no início da partida, Martins havia arriscado lance semelhante, mas a bola foi por cima da goleira.

Quando já estávamos perdendo e sob o risco de vermos o placar se ampliar, foi novamente Gustavo Martins quem apareceu para nos salvar (e veja só: uso o verbo “salvar” para um gol de empate). Depois de uma cobrança de falta do lado esquerdo, afastada pela defesa, Pavon ficou com o rebote e cruzou para dentro da área, encontrando nosso zagueiro-lateral entre os marcadores. Gustavo Martins fez de cabeça o gol que evitou a derrota.

André Henrique, que entrou no segundo tempo, quase conseguiu o gol da virada ao aproveitar um lançamento da nossa defesa que acabou batendo no travessão. Para um time que ofereceu tão pouco e foi dominado na maior parte do jogo, seria um prêmio imerecido (apesar de que eu ando aceitando qualquer coisa positiva que venha do campo).

No meio da semana, o torcedor gremista haverá de fazer sua parte enchendo as arquibancadas para comemorar a nova relação do clube com o seu estádio. Quero crer que o time entenderá a relevância deste momento e o que significará iniciar esse capítulo da nossa história com uma vitória capaz de nos levar à próxima fase da Sul-Americana.

Que os deuses do futebol nos perdoem pela escassez de talento e, ainda assim, nos abençoem neste encontro com a “Arena, verdadeiramente, do Grêmio”.

Avalanche Tricolor:  a Arena é do Grêmio, verdadeiramente!

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eu vivi as arquibancadas ainda descobertas do Olímpico, em Porto Alegre. Época em que a vibração do torcedor era ritmada por uma corneta impulsionada por ar comprimido. Forjei-me como torcedor quando o alambrado era a barreira que nos impedia de invadir o gramado e levar o time às conquistas impossíveis. 

Quando já éramos Monumental, cantei em coro o grito de “Grêeemioooo, Grêeemioooo, Grêeemioooo…” com suas sílabas esticadas, que mais pareciam um chamado à equipe para que encorpasse nossa imortalidade e superasse suas dificuldades. Foi com este grito que vencemos todos os títulos que estiveram a nosso alcance. 

Experimentei a Avalanche Tricolor que desaguava pelas arquibancadas inferiores em uma sintonia inexplicável, considerando a quantidade de pessoas que participava daquele êxtase. Um movimento desfeito quando tivemos que mudar de endereço, deixando para trás parte de nossa história e levando mala e cuia para o Humaitá. 

O estádio na Azenha era meu vizinho de infância e foi lá dentro que cresci como gente, aprendi com o sofrimento e entendi  o valor de virtudes como coragem, lealdade e fortaleza. Assim como eu, gerações inteiras de torcedores se formaram e lembram com saudade do velho casarão. Uma conexão que nunca se realizou de verdade com a Arena, apesar de, na nova sede, termos reconquistado Copas do Brasil e Libertadores, além de uma sequência de campeonatos gaúchos.

Hoje, 15 de julho de 2025, essa história começa a mudar. Marcelo Marques, um torcedor criado no Olímpico Monumental, assim como eu, você e uma nação inteira de “imortais” — apenas mais rico do que todos nós juntos —,  comprou a gestão da Arena e doou ao Grêmio. Algo que nos parecia inacreditável. Foi um anúncio nada formal, com lágrimas, palavrões, gritos de guerra e aplausos intermináveis. Não me atrevo a explicar a negociação que teria custado cerca de R$ 130 milhões em acordo assinado com a Revee e a Arena Porto-Alegrense, responsáveis até agora pela gestão da Arena. Sou incapaz de endossar as projeções financeiras feitas pelo empresário, maior fabricante de pão francês do mundo. Torcerei muito para que o tempo ratifique o sucesso das contas feitas por ele.

O que importa neste instante, e por isso esta data entra para a história do Grêmio, é que Marcelo Marques, na eloquência de sua paixão, concretizou um sonho que começou a ser sonhado na gestão de Fábio Koff, em 2014, dois anos depois da nossa mudança para o Humaitá. O presidente do Mundial, da Libertadores, do Brasileiro, das Copas e tantos outros títulos anunciara naquela época um acordo com a OAS para a compra dos direitos de exploração da Arena. Foi dele a frase que, somente agora poderá ser gravada nas paredes de nosso estádio: “A Arena é do Grêmio, dos meus filhos, dos meus netos …”.

Havia dificuldades financeiras, imbróglios jurídicos e uma complexa burocracia envolvendo diversos interesses e empresas, algumas de idoneidade questionável. Havia desrespeito ao torcedor, tratado como se a ele não pertencesse aquele espaço, mesmo sendo a razão da existência daquela Arena. Havia entraves, quase intransponíveis. 

Mas o Grêmio foi forjado diante do impossível: foi assim quando calou um Morumbi inteiro para ser Campeão Brasileiro, quando surpreendeu o mundo ao superar os alemães em Tóquio, quando se sobrepôs à violência de La Plata e à garra sul-americana para ganhar suas Libertadores ou quando conquistou a Batalha dos Aflitos.

O Grêmio alcançou hoje uma das vitórias mais importantes de sua história, porque resgata o protagonismo do seu torcedor — que, imediatamente, correspondeu associando-se em grande número e depositando seu entusiasmo em uma era que se inicia. Garante que cada novo gremista possa sentir o significado de ser o dono de sua própria casa. E dará às novas gerações a possibilidade de eternizar na Arena a alma imortal que nasceu no Olímpico — um balé de corpos em avalanche, um sopro agudo e valente da corneta, e um grito que ecoará, eterno, pelos séculos tricolores.

Mundo Corporativo: “Liderança não é protagonismo”, diz Rafael Mayrink, da NP Digital


“Liderança não pode se colocar como protagonista. Ela precisa ser um guia, ajudar, auxiliar.”

Rafael Mayrink, NP Digital

O sucesso das empresas hoje vai além das competências técnicas e depende, sobretudo, da maneira como as pessoas se comportam, se relacionam e aplicam a tecnologia a seu favor. Este é o alerta de Rafael Mayrink, CEO da NP Digital Brasil, que participou do programa Mundo Corporativo para discutir a importância das habilidades comportamentais, o papel transformador da liderança e o impacto crescente da inteligência artificial no ambiente corporativo.

Ao longo da conversa, Mayrink destacou que “a pessoa precisa ler, ser curiosa, correr atrás, aprender mais sobre tecnologia e inteligência artificial para que ela use isso ao seu favor”. Para ele, o pensamento crítico se torna indispensável em um contexto em que as decisões precisam ser constantemente revisadas e alinhadas ao verdadeiro objetivo do cliente ou do projeto. “Se eu não tiver senso crítico para entender, perguntar e conhecer quem está do outro lado, não vou conseguir entregar o que realmente é necessário”, afirmou.

Treinar comportamento desde cedo

Mayrink defendeu que as competências comportamentais não nascem prontas e podem — e devem — ser desenvolvidas desde a infância. “Soft skills têm que estar lá na escola, desde o momento em que a criança começa a formar frases”, explicou. Segundo ele, é nesse processo que se aprende a falar em público, ouvir com atenção, lidar com frustrações e desenvolver empatia.

Ao falar sobre liderança, o executivo enfatizou que o líder precisa abrir espaço para os outros, ouvir ativamente e atuar como um orientador. “Nem sempre a liderança tem razão, mas por ter mais experiência, vai saber ouvir e guiar as pessoas para resolverem seus próprios problemas”, pontuou.

Inteligência artificial e o novo marketing

A tecnologia e a inteligência artificial já estão profundamente integradas ao marketing digital, e Mayrink apontou que isso exige um novo olhar sobre as funções e as relações de trabalho. “A inteligência artificial vem para aumentar produtividade, dar mais tempo e permitir que as pessoas desenvolvam outras habilidades”, comentou. Ele alertou, porém, que as mudanças exigem adaptação contínua e capacidade de aprender novas funções.

No encerramento, Mayrink aconselhou os jovens profissionais a ampliarem o repertório: “Faça algo fora do seu dia a dia. Aprenda um instrumento, pratique um esporte, explore novas experiências. Isso ajuda a desenvolver criatividade e habilidades de comunicação, fundamentais para qualquer carreira.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: os coletores de lixo e as crianças do Alto da Lapa

Ana Maria Oliva

Ouvinte da CBN

Foto Divulgação Loga

Embora seja uma cidade cosmopolita, São Paulo nos surpreende com situações prosaicas, que poderiam ser bem comuns em pequenas cidades. Ao longo de meus 37 anos nesta cidade que adotei como minha, nesse caldeirão de cultura, raças, sotaques, me tornei uma observadora do cotidiano. E é justamente sobre uma cena que se repete todas as noites na minha rua que retrato nesta crônica:

Sempre, por volta de nove da noite, o caminhão dobra a esquina e entra na rua Aibi, no alto da Lapa. O barulho, inconfundível e familiar aos ouvidos dos moradores, anuncia o serviço necessário e urgente: a coleta de lixo domiciliar. Três rapazes, usando o habitual uniforme verde com faixas reflexivas, luvas e bonés, saltam do veículo, ágeis como felinos, e seguem recolhendo sacos depositados nas calçadas e lixeiras. Tudo rápido e cronometrado. E mesmo depois de horas de trabalho árduo, no sobe e desce do caminhão, encaram com bom humor e disposição a jornada que só termina na madrugada. 

Mal entram na pequena rua, já se anunciam com gritos, acenos e buzinas. Toda essa festa não é para os porteiros dos prédios ou moradores que passeiam com seus cães. Não. A festa é para um público especial e fiel: crianças de olhos vivos e atentos, boquinhas falantes e sorridentes que se postam nas janelas de vários andares dos prédios, aguardando ansiosas a chegada dos amigos alegres e barulhentos – que mais parecem passistas de uma escola de samba. Os rapazes acenam e cumprimentam com um “olá, amiguinhos” e um “boa noite” seguido do nome das crianças. Elas respondem chamando um por um pelo nome: Michel, Paulo, Sérgio. Seguram com as mãozinhas firmes nas grades, estabelecem um diálogo de muitos sons, risos e falas, enchendo a rua de alegria. 

O motorista do caminhão, um simpático jovem de barba ruiva, alargador na orelha, também participa da festa: diminui a velocidade, coloca o braço tatuado para fora do veículo e acena para a meninada, sorrindo e buzinando o caminhão. 

No fim da rua, retornam na praça e retomam o caminho aos efusivos gritos das crianças com sonoros “tchau” e “bom trabalho”. Os rapazes respondem “boa noite” e “bons sonhos” para Paulinho, Larissa e Marina – alguns nomes que ouço enquanto assisto a esse espetáculo de humanidade da minha sacada. Passado o show, as crianças desaparecem das janelas, as luzes se apagam e o movimento da rua volta com os entregadores de aplicativos no vaivém de suas motos.

Numa noite dessas, enquanto passeava com meu cachorro, pude constatar de perto a alegria genuína dos rapazes. Perguntei se aquela festa também ocorria em outras ruas e bairros de São Paulo. Me contaram que, em algumas ruas da cidade, às vezes são recebidos por crianças acompanhadas de seus pais, com saquinhos com bala e chocolate, e que, de vez em quando, há criança pequena que cisma de dar uma volta com eles na traseira do caminhão e cai no choro quando o pai explica por que não pode. 

– Mas nada se compara com a farra das crianças daqui, elas são especiais — comenta Michel, um rapaz carioca, o mais alegre de todos. 

O motorista contou que Arthur, um garoto de 4 anos, certa noite estava com o avô na calçada acenando para eles estacionarem o caminhão. Seguravam uma embalagem de pizza, uma garrafa de refrigerante, frasco com álcool gel e guardanapos. Fizeram uma pausa rápida e compartilharam a refeição com o Arthur sentados na guia da calçada. E ao se despedirem, perceberam como os olhinhos do menino brilhavam de alegria.

Fiquei imaginando a cena e as expressões do menino e como o assunto tomaria conta da conversa com os amiguinhos da pré-escola. Que efeito teria causado sobre eles? Será que convenceram seus pais e avós a replicarem os gestos de gentileza com esses trabalhadores, muitas vezes invisíveis à população? O Arthur e as crianças que avisto da minha sacada têm muito a nos ensinar sobre acolhida e empatia. 

Só na cidade de São Paulo, de acordo com dados da prefeitura, cerca de 3,2 mil pessoas trabalham na coleta de lixo. São 12 mil toneladas retiradas diariamente por 500 caminhões da prefeitura, percorrendo ruas e bairros – não estão incluídos nesta conta os catadores de recicláveis.


Torço para que demais trabalhadores da limpeza também recebam em outras ruas da cidade sorrisos e respeito – um pequeno alento para seguirem com disposição a rotina pesada de uma atividade tão essencial para a cidade, para a população e para o meio ambiente. Aqui, eles são celebrados como os verdadeiros reis da rua!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Ana Maria Oliva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu text agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e coloque entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: a taça não é do Mundo, mas é nossa!

Grêmio 2×0 São José

Recopa Gaúcha – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Estava cansado de torcer para os outros. O mês que passou me proporcionou sensações estranhas. Na ausência do Grêmio, acompanhei a Copa do Mundo de Clubes da Fifa — confesso que, antes do início, não dava muita bola para a disputa. Mas alguma coisa aconteceu no meu coração ao cruzar pela televisão e assistir aos times brasileiros enfrentando os estrangeiros, especialmente os europeus. 

Fui flagrado sofrendo e vibrando pelas graças alheias — reação que me causou espanto, já que sempre me considerei torcedor de um time só. O bom desempenho de alguns clubes nacionais, me animou com as possibilidades do futebol brasileiro, embora não acreditasse que chegaríamos ao título. Em alguns instantes, confesso: senti inveja da oportunidade que os quatro representantes do país tiveram nesta competição inédita. 

Que baita vontade de estar lá na gringa com meu Grêmio!

A realidade, como sempre, se impôs. Nem o Grêmio tinha condições de se credenciar para a competição no momento atual, nem os times do Brasil estavam à altura dos europeus — apesar de terem conseguido vitórias e resultados dignificantes até a semifinal da competição. 

Por coincidência do calendário, assim que o último brasileiro foi eliminado do mundial, o Grêmio voltou à ativa diante de seu torcedor na decisão da Recopa Gaúcha. Com pouco mais de 12 mil testemunhas na Arena, o time  de Mano Menezes teve a chance de mostrar um esboço do que conseguiu reconstruir no recesso.

Do ponto de vista de formação, praticamente nenhuma mudança no Grêmio. A única novidade no time principal foi o volante Alex Santana, recém-chegado, que fez boa estreia. Fiquei decepcionado ao perceber que a parada não foi suficiente para recuperar alguns jogadores fisicamente — e, pior, ainda levou outros ao departamento médico. Esperava mais, tanto da recuperação como das contratações.

O principal destaque da partida foi Alysson. No primeiro gol, demonstrou qualidade no domínio e força no chute, depois de ter sido presenteado por Dodi dentro da área. No segundo, foi dele a arrancada pela direita em alta velocidade e o cruzamento preciso que encontrou Amuzu para estufar as redes. O atacante pela direita ganhou a posição de titular desde que Mano Menezes assumiu. Tende a ser cada vez mais decisivo, à medida que o seu futebol amadureça e encontre companheiros que acompanhem seu raciocínio.

Espero que, em breve, a diretoria consiga driblar as dificuldades para contratar os reforços necessários. Também torço para que os problemas físicos cessem e todos os jogadores fiquem à disposição de Mano Menezes, permitindo escolhas de fato — e não apenas as possíveis. Precisaremos de muito mais para alcançar os objetivos que nos restaram na temporada. 

A despeito disso, aqui estou, retomando essa Avalanche, para comemorar com você, caro e cada vez mais raro leitor, a quinta conquista da Recopa Gaúcha. Não é nada, não é nada … é o que temos por enquanto a festejar. E se tem taça em jogo, eu quero é ganhar!

Dinamarca, voto e ajuda social: a verdade que ninguém te conta!

Trabalho com a ‘caverna do diabo’ aberta à minha frente. Enquanto converso com os ouvintes pelo microfone, na tela do meu computador, centenas de mensagens são despejadas pelo WhatsApp. Entre uma entrevista e outra, chegam informações de todo tipo: agradecimentos, críticas e sugestões de pauta, tanto quanto ofensas pessoais, denúncias infundadas e as correntes que prometem revelar “a verdade escondida” sobre algum assunto.

O que me chama a atenção não é o volume de mensagens — que já faz parte da rotina —, mas a confiança com que muitas delas são enviadas. Ouvintes, pessoas que nos acompanham há anos, repassam informações falsas com a mesma segurança de quem anuncia a previsão do tempo: “Vai chover amanhã, pode se preparar.”

Outro dia, recebi uma mensagem afirmando que, na Dinamarca, toda pessoa que recebe ajuda social perde o direito de votar. O texto ainda sugeria: “Compartilhe se quiser que o Brasil faça o mesmo!” Essas mensagens não apenas espalham desinformação. Elas revelam preconceitos guardados: a ideia de que quem precisa de auxílio social não saberia votar com autonomia ou de que os problemas do país se resumem a um “voto comprado”.

A realidade é que, na Dinamarca, quem recebe assistência do governo não só pode votar como participa ativamente da vida democrática. O país investe em proteção social justamente para garantir dignidade e participação de todos.

Mas por que tantas pessoas continuam acreditando nessas histórias?

Uma das razões é o viés de confirmação. Quando alguém já acredita que programas sociais servem para manipular votos, qualquer mensagem que alimente essa visão será rapidamente aceita. É como se cada um de nós tivesse um filtro invisível que escolhe o que confirmar e o que descartar, conforme nossa conveniência.

Outro ponto é o formato: textos curtos, diretos, carregados de emoção e indignação. Ao provocar raiva ou medo, aumentam a chance de serem repassados antes mesmo de qualquer reflexão.

Há também o recurso de citar países tidos como exemplares — caso da Dinamarca ou da Suécia — para dar um ar de credibilidade. Quem vai verificar se isso realmente ocorre? Quase ninguém. Talvez um jornalista.

Para conter o avanço dessas mentiras, temos três ações à nossa disposição:

Desconfiar. Antes de encaminhar qualquer mensagem, vale perguntar: quem escreveu? Existe alguma fonte oficial? A informação aparece em veículos de imprensa reconhecidos? Ah, você não confia na “grande mídia”? Quem sabe, então, pesquisar nas milhares de fontes disponíveis na internet?

Conversar. Em vez de ironizar quem compartilha, é mais eficaz explicar, com calma, onde está o erro e mostrar a informação correta. Ou seja, despender um tempo do seu dia para ajudar na disseminação da verdade.

Apoiar projetos de checagem. Hoje, várias iniciativas se dedicam a verificar fatos e disponibilizam o resultado gratuitamente.

Receber mensagens faz parte do meu trabalho — muitas nos pautam, e tantas outras nos levam a refletir sobre como estamos praticando o jornalismo. Corrigi-las, também. Mais do que desmentir boatos, é preciso convidar o público a cultivar a curiosidade, questionar, buscar outras fontes. Neste cenário em que a verdade disputa espaço com versões fabricadas, cada um de nós se torna guardião da boa informação.

Em tempo: Sim, o título deste texto foi escrito no melhor estilo “corrente de WhatsApp” — daqueles que gritam para chamar sua atenção. Afinal, se funciona para espalhar boatos, por que não usar para espalhar a verdade?