Botafogo 3×2 Grêmio Brasileiro – Nilton Santos, RJ/RJ
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
O Grêmio vive de pequenas esperanças e grandes frustrações. Uma vitória acolá levanta o ânimo, um empate segura a respiração e as derrotas — sempre tão recorrentes — lembram que a realidade insiste em puxar o time de volta ao chão. Basta um bom jogo para acreditar que a arrancada começou; basta a rodada seguinte para perceber que continuamos no mesmo lugar.
Há quem descreva essa temporada como uma montanha russa. Não me convence. A figura mais honesta é a de um carrossel infantil: gira, gira, e não sai do eixo. Mesmo depois da vitória no meio da semana, sabíamos que o jogo no Rio não autorizava qualquer ousadia. Diante de um adversário organizado, a queda parece escrita antes do apito inicial — e o time age como se também tivesse lido esse roteiro.
As carências do futebol jogado estão expostas para quem quiser enxergar. Frequentemente, sucumbimos à superioridade rival, como se alcançar um nível mais alto fosse algo fora do alcance. A perda de pontos se torna rotina: às vezes um, muitas vezes três, como aconteceu neste sábado.
O maior perigo não é o sobe e desce, mas o hábito que ele produz. Corre-se o risco de aceitar a mediocridade como paisagem fixa. Ganha-se quando sobra espaço, empata-se por acidente e a derrota passa a ser tratada como destino de quem não se preparou para competir mais alto.
O placar da noite reflete exatamente isso. Pode-se lamentar a chance final desperdiçada — aquela bola que parecia pedir para morrer nas redes e foi chutada para longe pelo próprio artilheiro. Ainda assim, não surpreende: entramos em campo desconfiando de que qualquer vitória seria fruto de generosidade do acaso.
O Grêmio corre poucos riscos no campeonato e alimenta ambições igualmente pequenas. O problema é que o Grêmio, esse que honra sua história, nunca foi time de aceitar o mínimo. O incômodo maior não está no resultado, mas no tamanho dos sonhos que estamos deixando de sonhar.
Grêmio 2 x 0 Vasco Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Gol de Carlos Vinícius Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
“É gol… Que felicidade!“
O verso que atravessou décadas na voz do Trio Esperança ganhou fama nas transmissões esportivas do rádio e ainda ecoa no imaginário do torcedor brasileiro. Mesmo narrando um gol fictício do Flamengo, a música virou trilha de quem vibra diante da bola que estufa a rede. O refrão traduz um gesto simples e universal: o sorriso que surge sem pedir licença quando o time marca.
A quarta-feira, em Porto Alegre, foi guiada por esse sorriso — o de Carlos Vinícius, centroavante à moda antiga, daqueles que vivem da área e para a área. Até o segundo tempo, o Grêmio fazia um jogo em que era melhor, ocupava o campo adversário, trocava passes, mas não encontrava o caminho do gol. Coube ao camisa 9(5) desfazer o nó.
Pavón cruzou, como quem acende uma luz. Carlos Vinícius dominou na marca do pênalti, cercado, sem espaço e sem tempo. Controlou com a direita, girou com a esquerda e bateu forte. A bola entrou. E o estádio abriu o sorriso que estava preso desde o início da partida.
Outro que parece carregar um sorriso como parte do uniforme é Amuzu. O ponta belga, nascido em Gana, trata o drible como diversão e a velocidade como ferramenta. Atacou o jogo inteiro, insistiu, incomodou. No lance que selou a vitória, correu atrás do lançamento de Dodi, deixou a marcação para trás e finalizou com talento acima da média, tirando o goleiro da jogada.
O segundo gol trouxe alívio e alegria. O tipo de alegria que o torcedor reconhece no ato: aquele sorriso involuntário de quem sabe que os três pontos não vão escapar.
Com a vitória na Arena, o Grêmio respira, se afasta do perigo maior, reencontra um lugar mais confortável na tabela e volta a mirar um espaço nas competições sulamericanas. A noite termina e o torcedor se dá o direito de voltar para casa cantarolando pelas ruas de Porto Alegre:
“É gol… Que felicidade! É gol o meu time é alegria da cidade…”
A força de uma marca pode estar mais perto do chão da rua do que dos luminosos das grandes capitais. A constatação é de Jaime Troiano, que trouxe para o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso as três ideias centrais que pautaram a apresentação dele, ao lado da filha Beatriz Russo Troiano (líder de Estratégia da TroianoBranding), no palco da Latam Retail Show, evento internacional de varejo.
A primeira ideia que surgiu da reflexão sobre as marcas regionais espalhadas pelo Brasil pode ser resumida em uma frase: “A marca sou eu, eu sou a marca.” Isso é resultado da proximidade quase visceral entre empresas locais e seus consumidores. A fronteira entre quem produz e quem compra é tão curta que, muitas vezes, há sempre alguém da família, do bairro ou da rua que já trabalhou ali. Esse vínculo não se inventa em área de marketing; nasce da convivência.
Memória vale mais que disputa por atenção
Jaime trouxe outro ponto central: a corrida por atenção no mundo digital não garante memória. Ele descreveu o bombardeio de estímulos que enfrentamos — stories, reels, notificações, prateleiras de supermercado. Nesse ambiente ruidoso, marcas regionais mostram um caminho simples e eficiente: entrar na memória é mais poderoso do que disputar segundos de atenção. Para ele, marcas fortes, ainda que pequenas, são feitas de rastros emocionais.
Cecília Russo apresentou a terceira ideia para entender o que essas marcas, muitas vezes escondidas do grande público, têm a ensinar: “Quando a empresa carrega como parte da sua razão de ser a família, a essência da marca não é apenas estratégia: é legado.” Muitas empresas regionais nascem de vínculos familiares, e isso altera tudo. A marca é tratada como uma história que não pode ser traída. Evolui, mas não rompe suas raízes. O exemplo das Balas de Banana Antonina, no Paraná, ilustra bem esse espírito: criadas há 50 anos por pai e filho, carregam até hoje a mesma alma.
Essa combinação de proximidade, memória e legado revela uma provocação: e se o futuro das marcas não estiver no tamanho, mas na profundidade da relação que criam?
A marca do Sua Marca
O comentário deixa uma síntese clara: marcas regionais ensinam permanência, fidelidade e respeito às próprias origens. Como disse Jaime, Golias sempre tem algo a aprender com David.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
Bastidor da entrevista online de André Clark Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“O Brasil é uma potência energética, não só na produção de energia, mas na cadeia de valor da energia.” André Clark, VP Siemens Energy
O Brasil está numa posição rara no mundo: tem energia renovável em larga escala, uma malha de transmissão avançada e agora começa a atrair data centers e novos investimentos porque consegue oferecer eletricidade verde e em quantidade. Mas, segundo André Clark, vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina, isso não garante por si só que o país liderará a transição energética, é preciso organizar setor privado, governo e sociedade para implementar o que o mundo já decidiu fazer em clima. Esse foi o tema central da entrevista dele ao programa Mundo Corporativo, na CBN.
Clark lembrou que o país não chegou ao atual patamar por acaso “O Brasil é um país que produz 92% da sua eletricidade de forma renovável. Não chegou aqui à toa e certamente não por acidente. Foi com políticas públicas muito bem feitas que datam da década de 60”, afirmou, citando hidrelétricas, Proálcool, eólica e solar como escolhas feitas ao longo de décadas. Ele também destacou o papel diplomático brasileiro no tema: “O Brasil é um líder geopolítico disso. Na Rio 92 inicia a discussão do conceito de sustentabilidade na sociedade e nos negócios.”
Transição energética não é teoria: é implementação
Ao analisar a preparação do país para a COP30, em Belém (PA), Clark chamou atenção para o fato de que o debate climático está mais difícil no cenário internacional, mas que isso não pode servir de desculpa para a inação. “A humanidade ainda tá lutando para não aquecer mais de 1,5ºC, mas nós estamos perdendo essa corrida e nós vamos ter que correr muito mais, eletrificando os transportes, reduzindo o consumo de hidrocarbonetos e mudando o nosso estilo de vida como pessoa. O planeta não aguenta tudo isso que nós estamos fazendo.”
Para ele, a COP30 será uma conferência de execução: “Ela celebra 10 anos do Acordo de Paris e ela é uma COP da implementação.” Por isso, o setor privado brasileiro precisa chegar unido, com propostas concretas. “A primeira lição de casa do setor privado é se unir em uma agenda comum brasileira e construtiva.”
Clark fez um alerta que interessa diretamente ao país: o mundo, hoje, corre atrás primeiro de segurança energética, e só então de transição energética. O Brasil, ao contrário, vive um momento de excesso de energia renovável — e isso também exige gestão. “O mundo não tá preparado para acumular energia em larga escala. A energia produzida tem que encontrar do outro lado um consumo. Se ele não encontra esse consumo, o operador nacional do sistema tem que fechar aquela fonte.”
Na prática, isso significa que o país precisa acelerar soluções como armazenamento, baterias, hidrelétrica reversível e, principalmente, atrair consumidores intensivos de energia — caso dos grandes data centers e, no futuro, da produção de hidrogênio verde. “Nós estamos vivendo excesso de energia. Por isso que hoje o Brasil começa a atrair data centers, grandes devoradores de energia.”
Cadeia de valor, empregos e formação profissional
Ao falar da atuação da Siemens Energy no Brasil, Clark explicou por que produzir equipamentos no país é questão estratégica: “Tudo que a gente produz são equipamentos ultracríticos para o sistema energético de um país. Ter fabricação no país é um ativo estratégico, é quase uma questão de soberania nacional.” Segundo ele, a presença industrial no Brasil permite atender emergências e ainda exportar.
Esse movimento vem acompanhado de outra transformação: a dos empregos. A transição energética, afirmou, já está criando demanda por mão de obra técnica. “A transição energética vem junto com o que a gente chama de green jobs e esse green jobs, apesar de parecer só um mistério, é eletricista, técnicos em eletrônica, programadores, programadores de sistemas energéticos… coisa que existe hoje, só que em um volume muito maior.” Ele citou, inclusive, a decisão de direcionar recursos para formação no Pará, em vez de levar uma grande comitiva à COP.
Diversidade como proteção empresarial
Na parte final da entrevista, Clark ligou transição energética, cultura e gestão de pessoas. Para ele, empresas que se afastam da sociedade correm mais riscos. “Diversidade nos enriquece, reduz os riscos e nos faz enxergar os momentos em que a sociedade muda. Os grandes incidentes empresariais na última década foram quando a empresa perdeu visão da mudança da sociedade. Diversidade conecta a empresa à realidade da sociedade.”
Ele defendeu que organizações mantenham canais abertos para ouvir mulheres, negros e população LGBTQIAP+ sobre obstáculos internos. “Não é sobre como a gente erra, é sobre como a gente corrige os nossos erros.”
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.
Corinthians 2×0 Grêmio Brasileiro – Itaquerão, São Paulo (SP)
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Termina o jogo e o narrador da TV faz o que manda o protocolo: confere a tabela. É o momento de entender quem sobe, quem desce e quem apenas se arrasta. Confesso que já nem lembro a última vez em que vi o Grêmio entre os dez primeiros. Continuamos teimosamente na segunda página, aquela reservada aos que ainda respiram, mas sem fôlego para correr.
É verdade que o cenário já foi mais dramático; flertamos com a zona do rebaixamento e voltamos vivos. Hoje, o perigo parece distante, menos por mérito nosso e mais pela inércia dos que estão abaixo. O Grêmio melhorou, sim, mas pouco.
Nas últimas dez rodadas, vencemos quatro, perdemos quatro e empatamos duas. Há cinco jogos, seguimos um roteiro previsível: vitória em casa, derrota fora. Faltam sete partidas: quatro na Arena e três longe dela. Algumas complicadas, contra times que ainda sonham com o título. Outras, que pedem apenas o trivial. E o trivial, convenhamos, é o que temos a oferecer.
Nosso destino, portanto, parece traçado: o meio da tabela. E é o que merecemos após uma temporada claudicante. Esperar mais seria pedir clemência a deuses do futebol que andam de má vontade com a gente.
O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche já deve ter percebido alguns delírios recentes deste escrevinhador. Foram surtos de entusiasmo, nada mais. O jogo seguinte sempre se encarrega de nos trazer de volta à realidade, às vezes com crueldade, como na goleada na Bahia.
Por isso, sair de Itaquera com um revés não surpreende. Disseram na transmissão que não perdíamos para o Corinthians, fora de casa, há onze jogos. Bonita estatística, até lembrarmos que ultimamente o Grêmio tem se notabilizado por colecionar marcas históricas negativas.
Em 2025, o meio, o mediano, o quase. É isso que nos cabe. E, infelizmente, é isso que nos define.
Vivíamos em Pirituba: pais, a nona e cinco filhos. A rua era de terra, não era asfaltada. Eram os anos de 1970. Em frente de casa passava o trem suburbano que fazia o trajeto entre Jundiai e ABC. Nosso transporte era o trem.
Fomos criados brincando na rua desde pequenos. Um olhava pelo outro. Aos domingos, a mãe nos ensinou a frequentar a paróquia São Luiz Gonzaga. Para chegar lá, se passava por um caminho ermo e com escadas de terra. Apesar de pequenos, fazíamos tal passagem, muitas vezes, sozinhos.
Sempre havia o Sol.
Sempre havia a calmaria.
Sempre tinha bolo, polenta, pudim de pão amanhecido.
Sempre vizinhos para bater papinho.
Já na juventude havia as domingueiras no clube Piritubão. Lá, a gente se divertia. Eu, como a mais velha do grupo, liderava as moças mais jovens. Fazia com que ficassem juntas e não saíssem com os garotos para fora do clube. As mães confiavam em mim.
Dançávamos bastante e às dez da noite bora para casa que na segunda tinha de pegar trem para trabalhar, retornar à noite, tomar sopa de feijão com macarrão na nona e estudar no Colégio Xavier Antunes que ficava meia hora de caminhada pelos trilhos do trem. E lá íamos com nossa capa branca de estudante noturno.
Tudo passou, crescemos, partimos de Pirituba, parentes se foram e a saudade ficou.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Rose Mari Sibinel Fasciani é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Grêmio 3×1 Juventude Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Carlos Vinícius, o artilheiro, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Foi antes do desastre do fim de semana passado que tive a oportunidade de conversar com Luciano Périco e Diori Vasconcelos, no Show dos Esportes, da Rádio Gaúcha. Ainda embalados pela vitória anterior na Nossa Arena, foi uma verdadeira colher de chá que os dois jornalistas me ofereceram, numa sexta-feira à noite. Havia motivo de sobra para estar animado com o que víamos, especialmente pela performance de Arthur, o maestro que fez o Grêmio renascer no Campeonato Brasileiro.
No bate-papo radiofônico, falei sobre a transformação que o time vem apresentando desde a vitória no Gre-Nal — o renascimento de alguns jogadores, o domínio da bola (olha o Arthur aí, gente!) e a consistência defensiva. Difícil prever, naquele momento, o que nos aguardava no domingo seguinte, em Salvador.
Durante a conversa, um dos colegas me perguntou se eu via semelhanças entre Carlos Vinícius e Jael, o Cruel — aquele centroavante que marcou época no Grêmio entre 2017 e 2019, com 14 gols em 67 jogos. Concordei. Fisicamente, são parecidos. Encaram a pancada do zagueiro com um sorriso maroto no rosto. Têm gana pelo gol. E carisma para conquistar o torcedor.
Mas, com todo o respeito e carinho que Jael sempre merecerá, há diferenças que jogam a favor de Carlos Vinícius. Mesmo corpulento, ele se movimenta mais entre os zagueiros. Consegue equilibrar o jogo pesado da marcação adversária com a leveza de quem sabe conduzir a bola em direção ao gol. Em resumo: combina força e talento — e isso complica a vida de qualquer marcador.
O atacante nascido em Bom Jesus das Selvas (MA), que rodou por diversos clubes no exterior antes de voltar ao Brasil, chegou recentemente ao elenco gremista. Em sete partidas, marcou seis gols — o primeiro deles em um Gre-Nal, o que por si só já carrega um peso especial para o torcedor. Contra o São Paulo — aquele jogo que motivou minha conversa na Gaúcha — fez os dois da vitória.
E hoje, Carlos Vinícius voltou a mexer com nossa memória afetiva. Não pela semelhança com Jael, mas por algo ainda maior. Com os três gols que garantiram a vitória sobre o Juventude, o “Vini da Pose” — apelido que ganhou pelo gesto característico nas comemorações — nos fez lembrar de Luis Suárez, o último atacante gremista a anotar um hat-trick (ou, em bom gauchês, um TRI-GOL).
Portal do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, Praça Patriarca Foto: Marcelo Kuttner
Nasci na rua Morro Agudo, no bairro de Sumarezinho, em 1959 — realmente, a rua era bem íngreme. Sou um ítalo-russo-brasileiro. Meu pai era italiano e minha mãe russa. Aos quatro anos, mudei para a Cayowaá quando comecei a frequentar a escola primária para aprender a falar português. Até então, só falava russo.
Meu avô era pintor artístico: criava e pintava os painéis e cenários para os programas da antiga TV TUPI, Canal 4. Muitas vezes o acompanhei no trabalho, e era fascinante. Alguns croquis guardo até hoje.
Aos sete anos, fui estudar no Colégio Dante Alighieri. Quando não vinha de ônibus do Dante, pegava o transporte bem debaixo do MASP, que ainda estava em construção. Andava pelo parque do Trianon, e atravessava a ponte sobre a Alameda Santos. Era muito legal !
Nas férias, minha mãe, às vezes, me levava ao trabalho dela, na praça João Mendes, em uma farmácia homeopata, Dra. Helena. Eu adorava comer coxinha na padaria ao lado. Na praça Patriarca, gostava da Copenhagen, do empório Casa Godinho e da Casa São Nicolau. Virando na São Bento, havia uma lanchonete que servia calabresa de Bragança, uma delícia!
Assim comecei a conhecer São Paulo, uma cidade fantástica!
Aos 12 anos, fui morar no internato do colégio São Vladimir e estudar no São Francisco Xavier, no Ipiranga. Oportunidade para conhecer o Museu da Independência e o Museu dos Bichos — como eu chamava o Museu de Zoologia da USP. Também adorava jogar futebol de salão na quadra que ficava nos bombeiros da avenida Nazaré, que está lá até hoje.
Voltei para o Sumaré aos 16 anos e comecei a treinar natação no SESC da rua Doutor Vila Nova. Depois fui para o Palmeiras, onde passei minha adolescência frequentando o clube.
Nesta mesma época, comecei a trabalhar numa banca de jornal, na esquina da Cayowaá com a Heitor Penteado, depois fui para o Banco Itaú, na Boa Vista.
Me formei em arquitetura na Faculdade Braz Cubas, em 1986. Trabalhei na Tok Stok e hoje tenho meu próprio escritório de arquitetura, WNEZ Arquitetura.
Moro no bairro de Interlagos, casei, tenho duas filhas e uma esposa maravilhosa que me dão muita alegria.
A cidade cresceu muito, os problemas também, mas continua sendo uma cidade única.
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Nicolau Sergio Egornoff Zecchinel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Bastidor da entrevista online de Rotenberg ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“O empreendedor é inquieto.” Hélio Rotenberg
A Positivo Tecnologia nasceu ligada à educação, ganhou escala fabricando computadores e hoje mira o fornecimento de infraestrutura e serviços para inteligência artificial. A mudança, segundo o presidente e cofundador Hélio Bruck Rotenberg, foi resposta direta às oscilações do mercado e às novas demandas das empresas. Este foi o tema da entrevista concedida por Rotenberg ao programa Mundo Corporativo, da CBN.
Da fábrica de PCs à infraestrutura de IA
Rotenberg relembra que, no auge do mercado de computadores no Brasil, em 2012, a empresa produziu 2,5 milhões de unidades. A partir de 2013, com a retração do setor, veio a necessidade de diversificar. “Quando o mercado brasileiro de computador cai, despenca, a gente também aproveita essa oportunidade, que poderia ser uma crise, mas se torna uma oportunidade para diversificar a empresa”, afirma.
Essa diversificação incluiu servidores, tablets, máquinas de pagamento, serviços de TI e segurança, além de contratos públicos como a urna eletrônica. Na frente de IA, a aposta está no lado da infraestrutura, tanto para data centers quanto para soluções on-premise em empresas — um sistema de TI em que a infraestrutura (hardware e software) é instalada e mantida nas próprias instalações físicas da empresa.
“Nós acabamos de vender o maior servidor de inteligência artificial do Brasil”, diz. A companhia também passou a oferecer implementação e manutenção desses ambientes após a aquisição da Algar Tech (atual Positivo S+), integrando hardware e serviços.
A leitura de comportamento do consumidor é fundamental para as transformações e soluções que a Positivo Tecnologia oferece. Foram essas informações que orientaram, por exemplo, a evolução do portfólio de PCs. Rotenberg conta que, em parceria com a consultoria IDEO, a empresa passou dias em lares de classe média no Rio e em São Paulo para entender hábitos e expectativas. O resultado influenciou decisões de design e posicionamento. “A gente aprendeu que para a população de classe média, o computador era muito importante, era um bem muito caro. Então, ele ficava na sala, não ficava no quarto. Então, ele tinha que ser bonito”, recorda, ao descrever a presença do desktop como peça central da casa.
IA distribuída e uso prático
Para além dos grandes data centers internacionais, Rotenberg vê expansão do processamento de IA em ambientes locais por razões de custo, soberania e privacidade. “Algumas das inteligências artificiais […] vão ser processadas em data centers menores ou nas próprias empresas, que a gente chama de on-premise.” Por isso, a empresa se posicionou em parceria com fabricantes globais de chips e placas para atender bancos, governo e grandes organizações no país.
Na ponta, ele projeta crescimento do uso de NPUs nos computadores corporativos e pessoais. E aponta um desafio educativo: muitos usuários tratam os modelos de linguagem como um buscador tradicional. “A gente […] notou que as pessoas que usam inteligência artificial pela primeira vez […] usam hoje os LLM como se fossem um browser.” A Positivo trabalha numa interface que oriente o público a explorar melhor esses recursos.
Gestão, cultura e qualificação
Ao falar de liderança, Rotenberg descreve um estilo baseado em participação direta e adaptação. “A minha liderança é muito mais pelo exemplo, pelo ‘vamos lá, vamos fazer junto, vamos vencer mais essa’.” Ele reconhece, porém, a necessidade de ampliar estruturas e delegar com o crescimento da organização. “A cultura da empresa é uma cultura empreendedora […] as pessoas vibram com as vitórias […] mas a empresa foi mudando, […] tem mais níveis hierárquicos.”
Sobre qualificação, ele destaca a engenharia nacional envolvida em projetos como a urna eletrônica e a disputa por talentos de software. A educação segue como fator crítico: “Quanto melhor a educação, melhor nós seremos em tecnologia.”
Empreender é ajustar rota
No encerramento, Rotenberg sintetiza o recado para quem pretende abrir ou ampliar negócios: “O empreendedor tem que ser resiliente. Ele tem que estar totalmente aberto a corrigir rumos. Tenta um rumo, não dá certo, vai para outro, mas não desiste.”
Assista ao Mundo Corporativo
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Entrevisa online com Joca Oliveira Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“Daqui 5 anos a gente vai olhar para trás e vai ser que nem plano de saúde… algo super necessário e essencial para qualquer colaborador.”
Joca Oliveira, Unico Skill
A ideia de tratar educação como benefício corporativo — com acesso amplo a cursos, faculdades e certificações — ganhou corpo dentro de uma empresa de tecnologia e virou negócio próprio. A Unico Skill, liderada por Joca Oliveira, oferece às companhias um “plano de educação” ilimitado para colaboradores e dependentes, com rede de instituições no Brasil e no exterior. Os desafios para empreender neste setor foi o tema da entrevista no programa Mundo Corporativo, da CBN.
Joca descreve o modelo de forma direta: “A Unico Skill é o primeiro benefício de educação ilimitada do Brasil; de uma forma simples, é como um plano de saúde, só que para educação.” No desenho do serviço, a empresa escolhe entre quatro planos e o colaborador recebe uma “carteirinha” que dá acesso a uma rede credenciada. Segundo ele, “hoje a gente tem no total mais de 100 instituições de educação, são mais de 26 mil cursos… é acesso a fazer uma pós-graduação na GV, uma graduação, curso de inglês em mais de nove escolas, curso de tecnologia, inclusive no exterior”.
O produto que virou empresa
A tese nasceu dentro da Unico, companhia de identidade digital, e migrou para operação independente para ganhar foco e escala. “O spin-off é quando você separa esse produto e ele vira uma empresa com CNPJ próprio… com time isolado, processos e cultura, ainda conectado à holding, mas com muito mais independência.” A separação, relata, acelerou a tração e reduziu conflitos de prioridades.
No modelo de negócios, a Unico Skill atua como orquestradora B2B2C: “A gente basicamente compra educação no atacado… aplica muita tecnologia. Nós somos uma empresa de tecnologia, não de educação. A gente orquestra todo esse ecossistema, mas eu não crio educação.” A curadoria e a hiperpersonalização por IA buscam orientar o uso efetivo do benefício — inclusive por dependentes.
Engajamento e a pressão por requalificação
A demanda acompanha a mudança do mercado de trabalho. Joca cita o diagnóstico de que até 2030 a maior parte da força de trabalho precisará de requalificação, puxada por automação e inteligência artificial. “O colaborador tem visto isso como uma janela para continuar crescendo, e a empresa entende que ela precisa disso para manter a mão de obra extremamente qualificada.” Entre os conteúdos mais buscados estão tecnologia (IA, cibersegurança, dados), graduações e cursos técnicos, além de idiomas. No formato, cresce o interesse por cursos de curta duração com certificação e por aulas síncronas ao vivo: “Não é verdade que todo mundo só quer presencial; e o EAD sozinho, às vezes, faz falta na interação. O síncrono ao vivo tem sido um dos grandes formatos do futuro.”
Crescimento com qualidade e a dor de escalar
A expansão traz desafios operacionais. “A dor do crescimento ela é latente”, admite Joca. “Se a gente esperar tudo ser perfeito, às vezes a gente vai desacelerar crescimento, mas garantindo que eu consiga manter a qualidade e consiga manter tanto colaborador quanto a empresa extremamente satisfeitos com o produto e com a entrega.” Para sustentar o padrão, ele enfatiza pessoas e liderança: “Contratar pessoas melhores do que você… um talento bom toca o problema, resolve o problema, não esconde o problema.”
Educação como política estrutural do setor privado
A visão de longo prazo mira a mesma abrangência de outros benefícios já consolidados. “O acesso à educação privada no Brasil é um problema gigante… a gente, como parte da iniciativa privada, [precisa] resolver isso de forma estrutural.” Na comparação com outras políticas corporativas, a defesa é explícita: “A gente acredita que a educação, sim, deveria ser tão grande quanto o plano de saúde.”
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