Woodstock: Golfe, Sexo, Drogas & Rock’n’ roll

 

Por Carlos Magno Gibrail

Em 1966 num campo de golfe americano, Joel Rosenman 23 anos e Jock Roberts se conheceram. Joel, filho de dentista classe alta nos Estados Unidos e Jock de família rica, fabricante de pasta de dentes. Um ano depois dividiam apartamento em Nova Iorque e começavam a pensar o que fazer com um milhão de dólares que o “truste” deles havia reservado. Valor este que atualizado deve girar em torno de oito milhões de dólares.

Surgiu então a ideia de colocar um anúncio no jornal “The New York Times” onde pediam propostas de negócios sob o título:

“Jovens com capital ilimitado”

Dentre tantas sugestões, de bicicletas sobre esquis a bolas de golfe biodegradáveis, veio uma de montar um estúdio de música em Nova Iorque com alguém do ramo, Michael Lang. Toparam e partiram para produzir a festa de abertura do estúdio, quando Michael Lang teve a ideia de fazer um evento maior em espaço aberto.

Não conseguiram porque as pequenas cidades, com medo de muita droga e mau exemplo, os recusaram. Até que numa destas cidadezinhas depois de várias audiências do conselho e negativa final, um morador próximo ao local, num vilarejo chamado Woodstock, os apoiou. Era Bob Dylan, e afinal conseguiram alugar a fazenda de Max Yasgur.

Os dois “filhinhos de papai” planejaram tudo e erraram muito. Pesadelos financeiros e de operação. Os pais de Joel e Jock tiveram que avalizar o truste aos banqueiros de Wall Street. Não foi só com os banqueiros que tiveram problemas. Como não eram conhecidos dos conjuntos contratados, Michael Lang teve que pagar bem acima do mercado.

Jimi Hendrix, Jefferson Airplane, Jerry Garcia, The Grateful Dead, Janis Joplin, The Who, Santana, Crosby Stills Nash and Young, The Band, Joe Cocker, Credence Clearwater Revival e Ravi Shankar cobraram o dobro a partir dos maiores valores da época, algo em torno de 10 mil dólares.

O curioso desta história é que um evento, marco de ruptura sociológica de nossa época, contestando valores comportamentais, sociais e políticos da classe dominante, venha de jovens representantes do capitalismo, investidos como mais tarde se designaria de “yuppies”.

É a tese mais uma vez de Carlos Lacerda que chamava a atenção para o fato de que as grandes mudanças sociais no mundo vem sempre de pessoas do setor abastado da população. Além do que esta manifestação de liberdade e contestação tenha nascido de uma ação de marketing, bem dentro do enquadramento convencional, que Woodstock “brifava” contra.

Esta origem real e pouco difundida dos arquivos de Woodstock deve-se a Ricardo Semler, brasileiro conhecido e reconhecido internacionalmente através de palestras e da divulgação de métodos heterodoxos de administração em suas empresas e escola. Os funcionários participam da seleção dos diretores. Na escola Lumiar os alunos elegem os professores. Semler já deu palestras em Universidades estrangeiras tradicionais como Harvard e também em entidades de alto nível. Bush e afins já foram platéias de Ricardo, que é primo de Joel Rosenman e por isso conta a história de Woodstock como parte de seu último livro

“Você está louco”.

A parte conhecida da história por Ricardo Semler: Continuar lendo