Por Maria Lucia Solla

Minha vida é um dos meus filmes favoritos. Gosto não se discute, e eu gosto dela. Gosto de tudo o que vivi. Tudo. Do bom, do ruim, do êxtase, da pasmaceira, do ter, do não ter, do sempre ser. Não sei como é que você se sabe e nem acredito que seja possível descrever o ser e o saber-se. A gente se sabe sabendo, e é, sendo. Pronto.
Na onda do hábito de reler os livros, a cada releitura do enredo da minha vida descubro mistérios que na leitura anterior se escondiam. Olho para trás, olho para frente e percebo que sinto e reajo, a cada visita ao passado e ao futuro, de modo diferente. O mesmo tudo tem colorido diferente a cada visita. Memória e sonho, pontas de um mesmo ser, num mesmo espaço de tempo, ou pontas de seres diferentes em diferentes espaços de tempo, ou de diferentes seres no mesmo espaço dele? Quem sabe.
certo é
que vida é maré
alta agora
baixa
bora
é ressaca maresia
frio e calor
indiferença
amor
No estagnado não há vida. Vida dança, sacoleja, ande mal ou bem, ela vai e vem.
inspira expira
começa termina
aceita ignora
extermina
onde fica o botão
que apertado faz a gente
aceitar o que não dá para mudar
lutar pelo possível de transformar
calar quando não há o que dizer
esperar quando não há
simplesmente
o que fazer
A vida expande e encolhe, acima como abaixo, à esquerda como à direita. Nos separamos, mas ela não.
o sol nasce para todos
a lua também
a chuva o sol
a paisagem o terçol
a chegada
o sumiço
Portanto, e seja do jeito que for, sim! ao milagre da vida.
Sempre.
Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung