A extinção do Senado Federal

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

O Senado Federal deve ser extinto, em caráter definitivo e de forma irrevogável. Não imediatamente, porque seria um ato demasiado radical e até impossível (há necessidade de aprovação de uma emenda constitucional para esta situação), mas no encerramento dos mandatos dos parlamentares que serão eleitos em 2010 estaria mais do que razoável. Não porque no ano retrasado absolveu seu presidente numa sessão bizarra, hermética e sobre a qual, além de não existir registro documental, pairam suspeitas de todas as naturezas. Seria casuísmo confinar tema desta envergadura a episódios lembrados ou referidos apenas porque são recentes. Outras e diversas são as razões.

Em 2010 haverá eleição para o preenchimento de 54 vagas de Senador por Estado, cada uma destas vagas acompanhada por dois Suplentes. O ideal seria que um anticandidato se elegesse pregando justamente a extinção da Casa.

A Câmara Alta (denominação pomposa e fantasiosa utilizada pelos autores de Direito Público em suas obras) do Congresso Nacional brasileiro perdeu a sua essência legislativa.

O Senado é retórico, oneroso e simbólico, verdadeiramente anacrônico numa República de analfabetismo elevado, serviços públicos precários, estruturas ineficientes e remunerações públicas aviltantes, das mínimas às máximas. São milhares de funcionários (muitos dos quais competentes e eficientes) distribuídos numa estrutura gigantesca organizada sob um regimento interno parcialmente inconstitucional para atender apenas 81 pessoas.

Trata-se, portanto, de uma estrutura imperial num país republicano.

Sua burocratização é de tal forma eloqüente que diversos são os projetos deliberados pela Câmara dos Deputados ou formulados pelos próprios Senadores que estão emperrados ou claudicantes em Comissões e relatores.

A justificativa de que representa a Federação é uma concepção jurídica superada e tecnicamente inconvincente. Afinal, por conta de disposições constitucionais, os Estados são reféns da União em matéria de economia, política, direitos sociais, orçamento, poder de legislar, tarifas, etc. Em contrapartida, todos elegem bancadas de Deputados Federais. Portanto, a representação política de cada um estará preservada, inclusive porque a legislação eleitoral não distingue o ato de votar num deputado ou num senador.

Como no sistema bicameral vigente no país qualquer congressista legisla sobre qualquer matéria, freqüentemente diversas propostas similares, senão idênticas, tramitam simultaneamente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Esta duplicidade ocasiona a morosidade do processo legislativo, o que obviamente impede o aperfeiçoamento da legislação, seja ele qual for. Além disso, conforme pondera o jurista Paulo Queiróz, malgrado sejam eleitos pelo povo, o tratamento constitucional dispensado a Deputados e Senadores é duplamente desigual: primeiro, porque os membros do Senado têm mandato de oito anos, o dobro dos membros da Câmara; segundo, porque o voto de 81 Senadores vale tanto quanto o de 513 Deputados, estando o poder de decisão desigualmente distribuído.

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Arruda, o mentiroso do Senado, não aprendeu a lição

 

José Roberto ArrudaApontado como o chefe de um esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda (DEM) já foi protagonista de uma das cenas mais constrangedoras no Senado. Em 2001, líder do governo FHC, esteve envolvido na fraude do painel eletrônico durante a votação que cassou o então senador Luiz Estevão, e teve de renunciar ao cargo, assim como seu parceiro de falcatrua, o falecido senador Antônio Carlos Magalhães, na época no PFL.

A votação era secreta, mas uma lista com o voto dos senadores estava em poder de ACM que a usava para constranger seus pares. Arruda acusado de ter participado da violação do painel foi a tribuna negar que tivesse visto a lista, mas no dia seguinte uma funcionária da casa, Regina Borges, ex-diretora da Secretaria Especial de Informática do Senado, confirmou o esquema.

Para relembrar os históricos discursos de Arruda no caso da violação do painel eletrônico publico aqui edição do áudio com a voz do então senador na tribuna. Na primeira parte ele nega a informação da funcionária de que havia visto a lista, na segunda, pego na mentira, volta atrás.

Relembre os discursos de José Roberto Arruda, em 2001, nesta edição e sonorização de Paschoal Júnior

Desde aquela época, Arruda tenta reconstruir sua carreira. Retornou ao Congresso Nacional como deputado federal, em 2002, para quatro anos depois se eleger governador do Distrito Federal. Do seu governo, se tenta passar imagem do político moderno; ele vinha sendo apontado pelos colegas de DEM como a nova cara do partido.

No início deste mês, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, no programa É Notícia, da Rede TV!, José Roberto Arruda falou sobre o episódio e explicou que o que o fez mentir foi “ser igual a todos os políticos brasileiro”.

Não aprendeu a lição.

Busca de lucro ameaça saúde dos brasileiros

 

Por Carlos Magno Gibrail

A ANS, Agência Nacional de Saúde, criada para fiscalizar, normatizar e controlar as atividades da Saúde Suplementar poderá ter dois novos diretores vindos da Medial e da Amil. É um progresso e tanto para as prestadoras de serviço e um reforço poderosíssimo nas atividades de lobby. Tão forte, que se a moda pega poderá dispensar os próprios lobistas.

Entidade e cargos são muito importantes: “Parágrafo único. A natureza de autarquia especial conferida à ANS é caracterizada por autonomia administrativa, financeira, patrimonial e de gestão de recursos humanos, autonomia nas suas decisões técnicas e mandato fixo de seus dirigentes”. É o que determina no seu artigo primeiro a LEI No 9.961 DE 28 DE JANEIRO DE 2000, que cria a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

A Presidência da República enviou os nomes de Maurício Ceschin e Leandro Reis Tavares para a diretoria da ANS, ao Senado, mas a sabatina ainda não tem data marcada.

Mauricio Ceschin foi presidente da Qualicorp, que oferece serviços de saúde, e superintendente da Medial uma das maiores operadoras na área de saúde. A diretoria proposta é de Desenvolvimento setorial, que cuida do ressarcimento ao SUS quando o cliente dos planos são atendidos na rede pública.
Leandro Reis Tavares foi dirigente da Amil e o cargo indicado é de diretor de fiscalização, cuja função básica é verificar se as operadoras estão cumprindo as normas.

Se aprovados, vão se juntar ao diretor de normas e habilitação Alfredo Cardoso ex Amil.

O jornalista Ricardo Westin da Folha, alerta que os planos de saúde podem ser maioria na ANS e registra que cerca de 70 entidades das áreas de saúde e defesa do consumidor protestam contra os dois nomes que irão completar os cinco da diretoria da ANS.

“É um escândalo” diz Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vida.

“Com as novas indicações do governo Lula, as empresas do mercado terão maioria e ditarão os caminhos da saúde suplementar” ressalta o presidente do Sinagências, o sindicato dos funcionários das agências reguladoras.

A declaração do presidente da ANS é assustadora para quem tem plano de saúde: “A presença de visões diferentes até enriquecem a questão regulatória”. Enquanto que a do ministro da saúde é desalentadora.

Segundo Westin, o Ministério da Saúde que indicou o nome de ambos, disse que a escolha foi técnica. O que também não ilustra nada e só confirma a insensatez ou a hipocrisia das explicações. Equivalente a tudo que tem ocorrido na Casa que irá arguií-los, o Senado de Sarney, rei dos Mares, do Maranhão e, indiscutivelmente, a cara de pau do ano.

Às 70 entidades que protestam, há que se juntar a mídia e toda a população esclarecida, para tomar partido veementemente contra esta indicação, que coloca o lobby na esfera da decisão para a qual dirigia sua função. Agora, se aprovados, com 3 a 2 na ANS, os planos de saúde podem configurar uma nova tipologia de mercado. Oligopólio controlado como monopólio, cuja agência reguladora é da casa.Ou como diriam os publicitários, uma “House”.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, às quartas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung e sabe que prevenir é o melhor remédio

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Enfiando os pés pelas mãos

 

Por Julio C. G. Tannus

Há algum tempo atrás, para ser um pouco mais preciso há cerca de 10 anos, tramitou no Congresso Nacional Brasileiro um projeto de lei que atribuía aos Evangélicos a exclusividade da atividade de Psicanálise. Já pensou que desespero! Não que sejamos contra os Evangélicos, mas temos tudo contra os Evangélicos terem a exclusividade da Psicanálise. Afinal de contas, 100 anos de ciência de repente nas mãos do sobrenatural!

E de repente me deparo com a notícia: “Senado inclui restrições a pesquisas na lei eleitoral”. Isso é muito próximo de atribuir exclusividade da Psicanálise aos Evangélicos, ou seja, o Senado Federal Brasileiro legislando sobre algo que não tem a menor idéia e a mínima formação. Senão vejamos:
Segundo a emenda, dados socioeconômicos, como sexo e grau de instrução, terão de seguir padrão do IBGE. Ora, isso é tão absurdo como dizer que, tomando como base os dados do IBGE, há mais mulheres do que homens, e mais jovens do que idosos, no prédio onde moro. Pois, não só o correto, mas o mandatório é que uma amostra para ser representativa de um universo tenha que ser extraída desse mesmo universo. No caso de pesquisas de intenção de voto, o universo a ser considerado é o universo de eleitores e, portanto a amostra deve ser extraída desse universo e não do total da população. Assim, a fonte correta de obtenção de amostra é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além disto, toda amostra deve ser obtida a partir de informações as mais atualizadas. Os dados do IBGE sobre a população brasileira, os denominados dados censitários, são obtidos a cada 10 anos e o último censo foi realizado em 2000. O que existe de mais atualizado são projeções, portanto sujeitas a desvios. Assim, quem possui os dados mais atualizados desse universo é o TSE e não o IBGE.

E por fim, toda amostra deve ser obtida a partir de critérios metodológicos, e corresponde a uma área técnica da pesquisa cuja responsabilidade está a cargo de um profissional de estatística. E aqui eu pergunto: Como e porque uma instituição política como o Senado Federal se propõe a estabelecer critérios técnicos de estatística?

Ou seja, o que estamos aqui contestando é o Senado se imiscuir nos critérios metodológicos de uma pesquisa de intenção de voto. Só falta o Senado estabelecer critérios para os procedimentos cirúrgicos da área médica. Deus nos livre…

Julio Tannus é engenheiro, professor e pesquisador de mercado há mais de 30 anos

Paim, o painho dos exportadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

Em maio com Dornelles tivemos talvez um dos últimos atos sensatos no Senado, quando brecou a inclusão na MP 449 do crédito prêmio do IPI. Aquela questão envolvendo 288 bilhões de reais. O valor que nunca dantes esteve em discussão neste país, uma montanha de dinheiro.
O STF julgou e indeferiu a matéria. O presidente Lula acompanhou o STF e vetou também.
Agora, no dia 3, Paim certamente se doutorou ao contrabandear para a MP 462, que tratava do Fundo de Participação dos Municípios a medida 14 do crédito – prêmio do IPI. O relator, Jucá, acatou e vai tudo para a Câmara, novamente.

Paulo Paim é um destemido, pois não bastasse o STF e o presidente Lula terem vetado, ainda atropelou todos os princípios, levando para uma MP dos Municípios um assunto tão impertinente quanto temente, como o dos exportadores. Já encerrado e julgado, mas contestado somente pelo lobby dos exportadores, agora claramente assumido pelo nobre senador.

Depois de três artigos sobre estes 288 bilhões, de inúmeras entrevistas do Milton Jung com a Miriam Leitão na radio CBN, afinal de contas raros jornalistas a extensiva e intensamente discutirem o assunto, volto ao tema após receber de um amigo economista, o irretocável texto abaixo:

“Esse fantasma, “mal matado”, vai continuar nos assombrando enquanto o lobby empresarial não conseguir o que pretende: a anistia pura e simples para não só não pagar nada como ainda para receber uns “trocados”.

Foi aprovada no Senado a MP 462 que tratava do Fundo de Participação dos Municípios com 22 penduricalhos, entre os quais, a emenda 14 de autoria do Senador Paulo Paim do PT, sobre o crédito-prêmio do IPI, isentando todas as dívidas referentes a esse crédito indevido, de 100% das multas, 90% dos juros e pagamento do remanescente (leia-se valor histórico sem correção ou com correção mínima) em até 12 vezes ou pelo uso de prejuízos fiscais acumulados.

Isto realmente significa que quem usou indevidamente, R$ 10 milhões em 1995, 1996, etc. e hoje deveria pagar ao fisco cerca de 5 ou 6 vezes esse valor, pagará os mesmos R$ 10 milhões com uma insignificante correção, usando 25% da isenção futura de imposto de renda referente a prejuízos fiscais acumulados. O PAGARÁ é pró-forma, porque o uso do IR referente a prejuízos fiscais acumulados significará colocar no bolso dessa patota, alguns “trocados”.

Duas observações importantes:

Causa espécie o fato de, tanto deputados e senadores do PSDB como do PT, estarem fazendo esforços especiais para provocar a anistia desse débito bilionário na antevéspera de uma eleição majoritária, onde os candidatos gastam os tubos para se elegerem ou se reelegerem. Todos estão tentando garantir o seu quinhão. Caso contrário não haveria essa escandalosa unanimidade em torno dessa anistia. Não esqueça que na 460 foi a líder do PT, Ideli Salvati, a solicitante, no último minuto, para que uma senadora do PSDB Lúcia (não sei de que) introduzisse o penduricalho na MP.

Não tenha dúvidas de que essa isenção vai sair de uma forma ou de outra, ocorram quantos vetos presidenciais ocorrerem. O tamanho das empresas envolvidas no uso indevido desse subsídio é maior do que a força da imprensa ou da vontade do Presidente da República e do Ministro da Fazenda. Essas empresas estão acima do governo e do Supremo Tribunal Federal. É por isso alguns economistas notáveis preferiram ficar do lado delas, em lugar de ficar do lado da Sociedade Brasileira que, como sempre, pagará a conta de uma forma ou de outra.

Não creio que a imprensa esteja interessada em entrar nesse assunto, primeiro porque ele é muito técnico e de difícil compreensão para as pessoas comuns, segundo porque até os partidos de extrema esquerda (leia-se PSTU, PSOL, PCdoB, etc) estão a favor (ou pelo menos não tem denunciado essa barbaridade) e, por último, porque os beneficiados são grandes anunciantes”.

Para manter a coloquialidade e a originalidade da redação feita para comunicação privada, preservo o texto sem citar o autor, ao qual cabe aqui especial agradecimento pela atenção e qualidade de forma e conteúdo somente possíveis em profissional Premium.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda, que escreve às quartas no Blog do Mílton Jung, não desiste nunca, e não apenas porque é brasileiro.

Senado proíbe propaganda eleitoral em muros

 

De um mal devemos estar livres na eleição do ano que vem. A pintura dos muros e paredes externas está proibida de acordo com o texto aprovado nas comissões de Constituição e Justiça e de Ciência e Tecnologia, do Senado. Porém, faixas e cartazes com até quatro metros quadrados poderão “sujar” as cidades desde que colocados em bens particulares.

A medida – pequena diante dos temas que estão em destaque na imprensa – interessa diretamente à capital paulista, pois garante, em parte, a conquista da última eleição, quando a lei Cidade Limpa prevaleceu.

Para o ano que vem, os vereadores paulistanos, com aval do prefeito Gilberto Kassab, se precipitaram e derrubaram barreira que havia em lei municipal para a publicidade nos muros e fachadas. Alegaram que sofreriam concorrência desleal os candidatos a deputado estadual ou federal com base na capital, já que esta propaganda estaria liberadas nas demais cidades do Estado. Registre-se: parte dos vereadores pretende disputar a eleição, em 2010.

O risco de a cidade se transformar em uma imundice ainda existe pois outras formas de publicidade externa devem ser permitidas como o uso cavaletes, bonecos e cartazes, entre as seis da manhã e às oito da noite.

As medidas que fazem parte do projeto que muda regras para a eleição do ano que vem devem ser votadas em caráter de urgência pelos Senadores. Rosean Kennedy, em Crônica do Planalto, repete há dois dias de que a pressa dos parlamentares é porque novas formas de financiamento de campanha foram criadas (internet e telefone, por exemplo). Em contrapartida, o controle dessas contas permanece frágil e o cidadão desprotegido dos abusos.

“É choradeira de exportador”, diz economista

 

Ao vetar artigos de lei que permitia o pagamento do crédito-prêmio do IPI aos exportadores, o presidente Lula fez aumentar o tom das críticas por parte de industriais brasileiros que ainda entendem ter o direito de receber algo que pode variar de R$ 50 bi a R$ 280 bi. No fim de semana, alguns já alegavam que a decisão iria quebrar os exportadores. Nesta manhã, no Jornal da CBN, o presidente da Associação das Empresas para Integração de Mercados, o economista Miguel Alabi, foi taxativo ao dizer que “é choradeira de empresário”. Ele defendeu, porém, a necessidade de se ter regras mais claras e “segurança jurídica” para a atuação no País.

Ouça aqui a entrevista com Miguel Alabi

Neste blog, dedicado ao cidadão e a cidadania, o tema ganhou espaço após a participação do colunista Carlos Magno Gibrail que trouxe o assunto para falar do papel do Senado na discussão de temas nacionais. A falta de espaço para o debate na mídia fez com que continuássemos acompanhando o debate sobre o crédito-prêmio do IPI.

Leia aqui mais posts sobre o assunto:

STF julga negócio de R$ 288 bi

De volta ao Senado

O Senado não é mais aquele …

Lei no Senado pode impedir pichação eleitoral

 

Está no Senado para serem votadas mudanças na lei que trata da campanha eleitoral. No texto original, há proposta que pode impedir a “pichação” nos muros pelos candidatos, autorizada na capital paulista a partir de decisão da Câmara Municipal, apesar da existência da Lei Cidade Limpa.

No artigo 37, parágrafo 5º, o texto a ser aprovado pelos senadores (quando eles voltarem a discutir temas de interesse do País) diz o seguinte:

§ 5º Nas árvores e nos jardins localizados
em áreas públicas, bem como em muros, cercas e
tapumes divisórios, não é permitida a colocação de
propaganda eleitoral de qualquer natureza, mesmo que
não lhes cause dano.

O projeto de lei que passou pela Câmara dos Deputados é o mesmo que trata da campanha eleitoral na internet. Para quem pretende entender um pouco mais do assunto, sugiro que acompanhe as mudanças .

Twittada do dia: Lina fala de Dilma

 

Ruy Rebello, é jornalista e editor, trabalhei na TV Cultura com ele por anos, e sempre que eu chegava com a declaração de alguma autoridade, costumava questionar: ele falou ou foi perguntado? Isto pode fazer uma bruta diferença, no mínimo em relação a intenção do entrevistado.

Lembrei desta lição duas vezes nesta terça-feira. A primeira quando ouvia Lina Vieira, a ex-Leoa da Receita Federal, explicar a declaração que fez ao jornal Folha de SP sobre a suposta reunião com a ministra Dilma Roussef. No caso, foi perguntada. Muda alguma coisa ? Pode mudar, sim. Mas não é definitivo, mesmo porque no jogo político, as informações muitas vezes são vazadas pela própria fonte, através de terceiros, para que a fonte seja procurada e confirme a notícia.

Lembrei, também, da lição Rebelo quando no fim do dia senti falta pelo menos entre aqueles que acompanho no Twitter de comentários sobre o depoimento de Lina Vieira no Senado. Como não haviam “falado” decidi colocados na posição de “perguntado” e chegou uma enxurrada de opiniões.

Faço aqui, na Twittada do Dia, um resumo do que foi dito:

wviveiro O depoimento de Lina foi convincente. Lamentável foi a postura da tropa de choque que tentou desestabilizá-la no grito.

DrikaFranco Milton, ouvi uma parte do depoimento. Na minha opinião o encontro com a ministra aconteceu sem dúvida.

mbserel A sensação de tranqüilidade X vontade de achar pelo em ovo.Uns pra afogar Dilma, outros para salva-la demais. Nosso Senado!

heliopazconcordo @msoares @miltonjung -ela entrou de gaiata em briga de cachorro grande.

dkamioka @miltonjung Eu escutei o depoimento da Lina, e achei que ela tá com medo de alguma coisa agora… só não sei direito do que.

msoares@miltonjung achei que ela ficou meio acuada, mas sincera, no meio da cobralhada. Achei que ela entrou de gaiata em briga de cachorro grande.

monstrorio@miltonjung De musas de escândalos, ainda prefiro, de longe, a Tereza Collor. E de musa das CPIs, Camilla Amaral ganha com folga.

CRenatoOnofre @miltonjung Eu ouvi. Ela foi segura, porém não apresentou evidências…. a Dilma não está tão segura assim e tb não apresentou evidências…

monstrorio@miltonjung Autêntica socialite, vestido vermelho, óculos fashion, maquiagem pesada. Fez uma baita propaganda pessoal. E depois decepcionou.

Taipas @miltonjung Mas afinal de contas o que é mais importante para a oposição.O suposto influenciamento ou o encontro delas(apenas para tricotar)

ricardopsilva@miltonjung Eu ouvi o depoimento dela equanto dirigia para o trabalho. Pela entonação da voz acredito que ela está dizendo a verdade.

RickMartins72@miltonjung depoimento coerente e claro mas com direito a palhaçada dos senadores da bancada do governo. Patético e deprimente e esperado.

welsonmario@miltonjung: Eu achei a Lina política, não desagradou ninguém,
YaraGrottera@miltonjung Em nenhum momento exagerou, titubeou. Deixou claro o pouco que a ministra disse, mas também achou estranho que o tivesse feito.

denisgavazzi@miltonjung Eu ouvi na CBN enquanto vinha para a ESPN. Fiquei sem reação de ver o quanto nossa politica é nojenta. Só importa o jogo.

AntonioBicarato@miltonjung achei que no final ficou uma sensação de que ela perdeu uma chance de ficar calada na entrevista à folha

PT vota contra Sarney, mas nada vai mudar

 

Uma ligação atrás da outra, dois telefones em punho e uma agenda com muitos contatos não foram suficientes para que tivessemos sucesso em colocar um representante do PT no ar, durante o Jornal da CBN desta terça-feira. Alguns ficaram escondidos atrás de seus assessores, outros atenderam mas disseram não estarem dispostos a falar neste momento e, no fim, o partido não falou, publicamente, o que pretende fazer com o presidente do Senado, José Sarney.

Do senador Aloísio Mercadante, que está na lista dos que não atenderam telefone, soube-se que a posição a ser apresentada no início da tarde de hoje é que os três integrantes do partido na Comissão de Ética aceitem a revisão das denúncias contra Sarney que foram arquivadas pelo senador Paulo Duque (o Duque de Maricá). Enquanto não batem o martelo, nenhum dos senadores petista está disposto a falar agora e ter de engolir e deglutir as palavras logo após o encontro desta tarde.

Pelas conversas e informações levantadas este é o caminho que o PT vai tomar: apóia a apresentação da denúncia no Conselho de Ética.

Detalhe: mesmo que oposição e PT se unam, votem a favor da reapresentação (que o pessoal está chamando de desengavetamento) contra Sarney tudo vai cair nas mãos do presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque, “O imperado”, que não tem prazo para rever as acusações contra Sarney.

Que ninguém se engane. Pois se Sarney cair, já caíram Jader Barbalho, ACM e Renan Calheiros. Aliás, não se esqueçam que Collor também está na lista dos caídos. E apesar das quedas, pouco se conseguiu avançar no campo da ética nos três poderes. Eu disse, nos três.

Enquanto a decisão não vem, CLIQUE AQUI e assista ao vídeo enviado pela ouvinte-internauta Alaide Weiss que mostra como tudo começou, no Maranhão