A relação entre os sentimentos de orgulho e autoestima

Por Beatriz Breves

Foto: Bruno Bueno Pexels

Os sentimentos de orgulho e autoestima caminham lado a lado. Ambos falam sobre como nos enxergamos, como nos reconhecemos e como atribuímos valor à nossa própria existência. O orgulho pode ser entendido como o sentimento que mede o grau de reconhecimento que temos de nós mesmos — uma espécie de termômetro interno que revela o quanto nos identificamos com nossas conquistas, nossa história e nossa identidade. Já a autoestima expressa o quanto de valor atribuímos a nós mesmos. É o sentimento que sustenta a forma como nos percebemos.

Um ponto essencial é que ninguém vive sem autoestima. Ela pode ser alta, baixa ou variar conforme diferentes áreas da vida, mas sempre existe. Mesmo quando alguém parece não ter autoestima alguma, ela está lá — talvez muito baixa, quase imperceptível, mas presente.

Quando a autoestima está elevada, a pessoa tende a reconhecer suas qualidades, valorizar suas conquistas e sentir satisfação com quem é. Surge então aquele orgulho gostoso de sentir de si mesmo, que pode ser direto — voltado para a própria pessoa — ou indireto, como o orgulho que pais sentem pelos filhos.

Mas quando a autoestima está baixa, o reconhecimento pessoal diminui. A pessoa passa a vivenciar sentimentos de inferioridade, menos-valia e incapacidade. Muitas vezes, evita situações nas quais não se sente competente, repetindo para si mesma: “ah, não dou pra isso”. São pessoas que, em geral, não aceitam críticas, sentem-se facilmente feridas e tentam ser o que não são, porque carregam um ideal interno de supervalorização que não conseguem alcançar. Como o orgulho mede esse reconhecimento, ele aparece enfraquecido. Para compensar essa falta de valorização interna, muitos recorrem, por exemplo, à arrogância ou à vaidade excessiva, criando uma espécie de defesa emocional.

A baixa autoestima também abre espaço para o orgulho ferido — aquele sentimento que surge quando alguém importante para nós não reconhece aquilo que acreditamos merecer. Quando isso acontece, o reconhecimento que temos de nós mesmos é vivido como ferido, provocando dor, frustração e uma série de outros sentimentos. A forma como reagimos ao orgulho ferido depende diretamente da autoestima: frente ao sofrimento, quem tem autoestima elevada irá refletir e seguir adiante; quem tem autoestima baixa tenderá a recorrer a algum tipo de defesa emocional.

A construção da autoestima, e, consequentemente, da forma como o orgulho se manifesta, começa desde cedo. Um bebê desejado, acolhido e amado sente essa atmosfera de bem-querer. O carinho dos pais, o olhar amoroso e o afeto constroem as primeiras bases desse sentimento. Embora essas primeiras marcas sejam fundamentais, elas não determinam tudo. Sempre existe a possibilidade de reparar equívocos e reconstruir a autoestima ao longo da vida. Todos temos potencial de valor e capacidade de sermos amados. O desafio é que, quando a autoestima está muito baixa, a pessoa pode não conseguir perceber a admiração do outro, mesmo quando ela existe.

E então surge a grande pergunta: como melhorar a autoestima e desenvolver um orgulho que nos torne saudáveis? Não existe fórmula mágica.

De nada adianta solicitar que alguém se permita ser amado ou admirado se essa pessoa não está aberta ao amor. Elevar a autoestima envolve conexão consigo mesmo, reconhecer qualidades e potenciais, aceitar-se como humano e compreender que todos têm defeitos e virtudes. Também exige entender que, na vida, sempre haverá quem goste de nós, quem não goste e quem seja indiferente; e isso é absolutamente natural.

Cultivar a elevação da autoestima e sentimento de orgulho de si é, acima de tudo, um processo de autoconhecimento, aceitação e gentileza consigo mesmo, uma caminhada que começa na pessoa e se reflete em tudo ao seu redor.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad

A ciência do sentir: uma nova compreensão vibracional do ser humano

Por Beatriz Breves

Foto de Pixabay on Pexels.com

Um equívoco recorrente consiste em imaginar que a transdisciplinaridade se resume a importar conceitos de uma área para outra. Esse procedimento ignora que cada campo do conhecimento possui objeto próprio e métodos específicos, o que pode gerar interpretações profundamente equivocadas. Em termos triviais, seria como afirmar que “a vida dá voltas” porque a Terra gira em torno do Sol. A física investiga matéria, energia e suas interações; a psique pertence a outro domínio de realidade, com dinâmicas e critérios próprios de investigação.

Foi justamente essa lacuna, somada à ausência de uma reflexão mais profunda sobre o sentir, que me levou, após três anos como psicóloga, a buscar, em 1986, a graduação em Física, para compreender a energia a partir daqueles que a têm como objeto formal de estudo.

Os sonhos no encontro entre psique e energia

A primeira articulação consistente entre essas duas áreas surgiu por volta de 1988, quando investigava a fenomenologia dos sonhos. Analisando relatos oníricos, especialmente os de pessoas com deficiência visual, foi possível estabelecer uma sequência de observações: se na natureza não existe cor sem ondas eletromagnéticas; se os sonhos apresentam cor em sua expressão fenomenológica; e se os olhos, receptores dessas ondas, durante os sonhos, apresentam o movimento REM; então os sonhos poderiam ser compreendidos como um fenômeno psíquico processado sob a forma de ondas eletromagnéticas, isto é, ondas que se propagam à velocidade da luz.

Em contrapartida, o estado de vigília se apresenta extremamente lento quando comparado à velocidade da luz, sugerindo que a psique humana poderia funcionar em duas velocidades distintas: uma próxima da luz e outra próxima de zero. E foi nesse contexto conceitual que o Inconsciente Relativístico ganhou forma.

Chamo de Inconsciente Relativístico porque se baseia na teoria da relatividade de Einstein quando propõe que, quando dois sistemas interagem, um estando próximo à velocidade da luz e outro próximo à velocidade zero, surgem os efeitos relativísticos como dilatação do tempo, contração do espaço e variação de massa. Assim, os sonhos, a psique em estado inconsciente, processados à velocidade da luz, ao interagir com a psique em vigília, processada à velocidade zero, produziriam efeitos relativísticos, o que ajudaria a compreender a lógica aparentemente absurda dos sonhos. Nesse sentido, o inconsciente possuiria tempo, mas um tempo dilatado em relação ao da consciência.

O ponto cego da neurociência tradicional

A neurociência tradicional, porém, questionaria essa hipótese, afirmando que os neurônios atuam por sinais eletroquímicos extremamente lentos quando comparados à velocidade da luz, o que inviabilizaria ondas eletromagnéticas como base do sonho. Contudo, posso questionar a neurociência ao descrever o que acontece no cérebro, mas não explicando por que isso gera uma experiência tão semelhante à percepção real, especialmente no que diz respeito à vivência da cor. E este seria, digamos, um ponto cego importante: a neurociência tende a confundir correlação com explicação. O fato de certas áreas cerebrais se ativarem durante o sonho não prova que essa ativação seja a causa da experiência, mas somente que ocorre simultaneamente.

A fenomenologia dos sonhos expõe uma lacuna entre o funcionamento neural e a experiência subjetiva. A vivência onírica possui qualidades luminosas, intensas e imediatas que não se encontram nos sinais lentos do cérebro, sugerindo que a experiência ocorre em um regime distinto daquele descrito pela neurociência. E, ainda, soma-se a essa questão o tempo subjetivo: nos sonhos, segundos podem parecer horas. O ritmo onírico não acompanha a temporalidade fisiológica, reforçando a hipótese de que a psique humana funciona em mais de um regime temporal.

Fato é que, se deixamos o paradigma estritamente materialista e migramos para o paradigma vibracional, no qual o universo quântico também se faz presente, uma nova interpretação se torna possível. No modelo materialista clássico, a psique é tratada como consequência do cérebro, e toda experiência subjetiva seria produto direto de interações eletroquímicas. Já no paradigma vibracional, a realidade não se limita à matéria densa, mas inclui padrões sutis de organização que interagem com princípios do universo quântico. Nessa visão, o “padrão quântico” deixa de ser metáfora e passa a se constituir como hipótese estrutural. Certos fenômenos subjetivos, especialmente os oníricos, parecem obedecer a dinâmicas temporais e qualitativas incompatíveis com o processamento neural.

O gato, a incerteza e a experiência psíquica

Foi dentro desse contexto que vivi uma experiência decisiva quando meu gato esteve gravemente doente e o veterinário avaliou que poderia sobreviver ou falecer naquela noite. Mesmo angustiada pela incerteza, acabei adormecendo e, quando acordei de madrugada, tomada por um receio profundo, não tive coragem imediata de verificar se ele estava vivo ou morto. Permaneci somente pensando e, quando imaginava que estava vivo, sentia alegria; quando imaginava que havia falecido, a tristeza me invadia. Continuei por alguns instantes entre esses dois sentimentos que, apesar de superpostos, eram completamente distintos, até finalmente criar coragem para ir vê-lo.

Essa vivência me remeteu imediatamente ao experimento mental do gato de Schröndinger. Enquanto não observava, a incerteza imperava. Foi quando percebi que o funcionamento da representação psíquica, enquanto não materializamos a experiência por meio da observação, se apresenta como um campo de possibilidades superpostas.

Não tenho elementos para afirmar que a representação psíquica em sua subjetividade seja literalmente um fenômeno quântico, mas posso afirmar que a dinâmica é análoga: antes da observação, coexistem estados possíveis; no instante em que interagimos diretamente, um deles se atualiza como a experiência. Essa analogia reforça a pertinência de incluir o padrão vibracional‑quântico como ferramenta conceitual para compreender modos de funcionamento da psique que escapam ao paradigma materialista estrito e apontam para a necessidade de modelos mais amplos, como o próprio Inconsciente Relativístico.

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Ciúmes, inveja, egoísmo … quem não tem ?

 

Por Abigail Costa

Responda de primeira:
– Você já sentiu inveja de alguém?
– Ódio do chefe?
-Ciúmes do namorado?

Se a resposta for negativa, não se preocupe. Um dia você sentirá pelo menos um de uma dúzia desses sentimentos “pequenos”.

Pensando lá trás, quando carregava meu filho de poucos meses  no colo, e no bate papo entre nós (no qual só eu falava):
-De quem é esse bebê? É só da mamãe, não é?

O pobrezinho deveria pensar: Que mulher egoísta!  E o cara que saiu pra trabalhar? Também não sou do papai?

Mais tarde a bronca em cima do mesmo menino, agora não mais um bebê:
-Divide com o amiguinho!  Que coisa feia….. e por aí vai.

Quando a gente, bem mais crescida,  esbarra numa situação  que envolve sentimentos não declarados do bem, ficamos “oh !”. Como o ser humano pode ser assim ?

Enquanto falava com o meu bebê,  apesar do tom de brincadeira, o querer só pra mim estava desenhado. O que eu não sabia era que isso seria passado adiante, como sempre acontece.

Declaradamente, outro dia um amigo disse com todas as palavras que teve inveja de mim. Quem estava perto ou soube do acontecido corou. Eu compreendi. Que fique registrado, não tenho pretensões  de seguir carreira religiosa.

Apenas entendi o sentimento de alguém que gostaria de ter tido o que eu tenho.  De não ter investido na felicidade como uma moeda de troca, mas como uma grata previdência, antes e depois da aposentadoria.

Meu caro, já fui muito mais egoísta. Inveja, não, sempre senti vergonha dela.

Agora, ciúmes, será que tem na medida certa?
Por hora vou driblando o meu.

Abigail Costa é jornalista e sem esconder seus sentimentos (ou quase) escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Carta à Dona Eunice

Por Abigail Costa

Escrevi outro dia para uma amiga que me pedia conselhos.

Em tempo: Aprendi que conselho se dá em duas condições, quando é pedido ou em caso de risco de morte. No meu caso, a orientação foi solicitada.

Como estava em outro país escrevi um longo e carinhoso e-mail. Disse que deveria ver a vida como uma viagem, sem se importar com o lugar (na janelinha ou no corredor ?), tudo deveria ser contemplado. Sem reclamar da demora na decolagem, da refeição, do companheiro ao lado.

Que ela experimentasse curtir a vida como uma viagem na qual a partida ou a chegada não fossem o mais importante, e, sim, o caminho todo ao destino esperado.

Pois bem, cá estou voltando das minhas férias dentro de um avião com a família. Fomos em cinco: eu, marido, dois filhos e a mamãe. Voltamos em quatro. A vovó ficou para cuidar da netinha que chega agora em outubro.

Como sempre fui ruim em despedidas, antes que alguém viesse até o carro me adiantei gritando: volto logo, sem choro por favor. Adiantou ? Que nada… a choradeira começou na sala mesmo.

Ok. sempre foi assim.

Estamos a não sei quantos metros de altura (é melhor nem saber), o jantar já foi servido. Ao meu lado uma senhora acompanha a filha e as netas. Pronto, lá vem a mamãe na minha cabeça. Um nó na garganta me deixa a sensação de boca amarga. Um choro sentido que não dá pra segurar. O comissário atento me oferece mais uma bebida. Aceito, sei que foi precisar.

Com a minha mãe na cabeça lembrei dos conselhos que, semana passada, havia escrito pra minha amiga. E a partir daí fiz um balanço de como tinha sido minha relação com a mamãe. Dei o que podia ? Ofereci o que ela merecia ? Retribuí à altura? Não digo em bens materias, falo de carinho e emoções. Daquela sopa maravilhosa que encontro pronta todas as noites de inverno. Da dedicação aos netos.

Até onde curti esses momentos ? Quantas vezes elogiei seu jantar ? Quanto tempo dei a ela ?

Cara, estou longe da Dona Eunice faz pouco tempo, mas a saudade já tem quilômetros !

Claro que ela sabe a filha que tem. TPM em último grau, voz alta até para agradecer, mas quando digo aos outro sempre reafirmo a mim mesma. Estou aqui para melhorar. E tento.

Outubro, Dona Eunice, te vejo de novo nos EUA. Por aí será inverno, mas a sua paciência como sempre será branda para me receber.

Eu vou voltar melhor, como filha e como mãe. Prometo aproveitar melhor meus momentos, afinal estamos aqui pra isso. Ainda bem que temos tempo ou pelo menos esperamos por ele.

Até lá.

Ps. Cuidarei bem dos seus netos.

Abigail Costa é jornalista, mãe, filha e verdadeira. É o resultado deste coquetel de emoções que você lê todas as quintas no Blog do Mílton Jung.

De luz e sombra

Por Maria Lucia Solla

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Olá,

Hoje de manhã, passeei com a Valentina pelas ruas do bairro, curtindo a claridade do dia,  parando para um papo aqui, uma curiosada ali,
um xixi discreto na beirada do meio-fio, um cocô recolhido e depositado no lixo…
Sentiu?

E tudo isso fluia, até que me dei conta de que, de novo, ainda não tinha decidido sobre o que escrever, sobre o que falar,
o que contar.

Sim, porque minha paciência para vociferar, contra a bandalheira instalada ao redor, se esgotou.
Secou.

Prefiro falar sobre a possibilidade de calibrar  senvergonhança e  falsidade,  traição,  mesquinhança,  violência e maldade,
maucaratismo, prepotência, medo e egoísmo,
subjugação, ironia peçonhenta,
posse e má-criação barulhenta.

Mas sobre o que vou falar, pensei, e um dos vincos na testa se aprofundou.
Um pouco por causa do sol, outro tanto porque a preocupação me assaltou.

As costas enrijeceram, os músculos do pescoço retesaram, gritando pela minha atenção; e eu parei.
De andar, de pensar; parei.
Simplesmente.

Me percebi nada,
vazia.
Vazia, porque estava cheia demais de mim mesma
Ironia!

Aí me livrei de mim. Me deixei ali na esquina, e segui vazia.
Foi então que fiquei plena.
De tudo, de nada, das folhas da calçada.

Baixei a cabeça, dobrando ainda mais o ego, e vi.
E me emocionei.
Vi as sombras daquilo que brilhava, para me monopolizar a atenção.

Percebi tudo, me senti plena.
Desenho do sonho sonhado,
do desejo realizado.

Saquei meu celular e registrei o que aqui revelo.

Deus não está no céu.
É mentira!

Deus não separa bem de mal, luz de sombra
bom de ruim
você de mim.

Deus é luz e sombra
É tudo e nada,
ou você vai me dizer que nisso eu estou errada?

Pense, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeura e professora de língua estrangeira, aos domingos escreve no Blog do Milton Jung e provoca nossa reflexão