Combate a pornografia infantil

 

A Câmara de São Paulo quer proibir anúncios pornográficos no saguão de salas de cinema e teatro, comuns na região central, sob a justificativa de que as crianças que passam pela calçada ficam expostas a este material. A proposta do vereador Quito Formiga soa ultrapassada ao se ter a informação de que “sexo” e “pornô” estão entre as 10 palavras mais procuradas por crianças e adolescentes, na internet, conforme levantamento da Symantech, que desenvolve software de segurança. Certamente não serão estas casas que apresentam sexo explícito na tela ou no palco que irão desvirtuar os meninos e meninas, mesmo porque a maioria não passeia mais por estas áreas degradas da capital paulista.

Os garotos e garotas – sim, elas também tem a mesma curiosidade – quando querem saber mais sobre o tema tem outros canais à disposição. O psicólogo Rodrigo Nejm, entrevistado no Jornal da CBN, disse que antes de se pensar em censurar as mensagens ou usar alguma ferramenta que impeça o acesso ao material impróprio às crianças é preciso mudar o “software” de nossas mentes, incluindo o dálogo e a orientação na relação com os filhos.

Acreditar que o silêncio ou a fiscalização sem aviso serão suficientes para impedir que as crianças e adolescentes naveguem por sites pornográficos ou mantenham conversas que os exponham a riscos, é fugir da responsabilidade de pai e mãe. Nem sempre é fácil falar de sexo com os filhos, as palavras podem soar de forma agressiva, a vergonha e falta de habilidade atrapalham o diálogo, sem dúvida. Não se pode imaginar que com tantas informações eles acreditarão naquela história de cegonha ou do passarinho na florzinha. Tão pouco é preciso “partir para a ignorância”.

A escola também pode orientar os pais a desenvolver este diálogo. Claro, aquelas que são capazes de trabalhar com o tema sexualidade na sala de aula.

Na dúvida, vá também na internet e busque informações que possam ajudar nesta relação com os filhos. O SaferNet, entidade que trabalha no combate a pornografia infantil na internet, mantém site com sugestões de como se prevenir deste ataque virtual. Visite o site www.denuncie.org.br

Síndrome de Down: sexo é tabu; preconceito é doença

A mãe de um jovem britânico portador da Síndrome de Down faz campanha para que o filho tenha relações sexuais, segundo informa o Portal Terra. A iniciativa dela está registrada em documentário que será transmitido pelo canal 3 da BBC. Lucy Baxter sempre defendeu a ideia de que Otto Baxter, 21, tivesse uma vida normal, apesar da doença.

A notícia chama atenção, é claro. Mas o que me leva a escrever dela neste espaço é o espanto que tive ao ler as mensagens deixadas por internautas no Portal.

Bizarrice, disse um. Notícia a não se levar a sério, comentou outro. Impedir qualquer tipo de relação para que mais crianças não nasçam com o problema, surgeriu um terceiro. Houve quem aproveitasse o anonimato para gracinhas sem-graça.  Salvaram-se os comentários de pessoas que, direta ou indiretamente, tem relação com o assunto.

A relação sexual de pessoas com Síndrome de Down ou com alguma restrição intelectual é tabu e tema dos mais complicados para as famílias, educadores e profissionais da área de saúde. Há dúvidas sobre a melhor forma de se comportar diante do desejo natural de homens e mulheres. Muitas vezes, o constrangimento dificulta a conversa mais aberta e esclarecedora. Mas é realidade a ser discutida.

Leia o texto publicado no Top Blog do Milton Jung