Por Carlos Magno Gibrail
A hipertensão cresceu no Brasil e atingiu o alto percentual de 24,4%. Rio com 28% e São Paulo com 26% são as cidades mais atingidas.
Diante deste quadro preocupante, o Ministério da Saúde convocou uma coletiva de imprensa para alertar e orientar a população, divulgando o início de uma campanha para evitar a ansiedade que causa a hipertensão. A doença está associada a fatores genéticos, hábitos alimentares, obesidade e estresse.
“Fazer sexo ajuda”.
“As pessoas têm que se mexer. A pelada do fim de semana não deve ser a única atividade. Os adultos devem praticar exercícios, caminhar, dançar, fazer sexo seguro”.
“O deputado Darcísio Peronde falou cinco vezes ao dia. Mas acho que cinco vezes por semana está bom”.
Foram as palavras de José Gomes Temporão, Ministro da Saúde, no lançamento da Campanha contra a Hipertensão.
Os hipertensos, se não pertencerem ao perfil sexual de Michael Douglas, Tiger Woods, Vagner Love, estarão diante de mais um ponto de tensão. Todas as indicações médicas para tratamento podem ser regularmente contratadas. Menos, evidentemente, a proposição mais acentuada pelo Ministro. Sexo saudável e seguro não se vende regularmente em academias, ginásios, farmácias.
É claro que foi uma graça impertinente ao momento e ao cargo de Ministro.
A imprensa reagiu como esperado. Pegou a deixa e o papel de retransmissora apenas, dado o curioso do tema. Certamente, iria despertar o interesse do público consumidor de seus veículos. Foi o que se viu durante a semana, nos jornais, nas rádios, revistas, internet, e até chamadas insistentes como uma das atrações para o Fantástico de domingo. E, quem assistiu verificou a inexatidão técnica da orientação, pois o sexo tem pré-requisitos. Do contrário pode acarretar problemas e não solução.
Temporão conseguiu chamar atenção para a Campanha, mas a graça roubou a pegada técnica. Diferentemente do Fantástico, a maioria das publicações abordou apenas a questão da recomendação da prática regular do sexo. As demais condições a serem absorvidas, entendidas, traduzidas, pois são complexas, ficaram em segundo plano.
O item alimentação, por exemplo, tem através do tempo trazido dúvidas. Hoje, na cidade de Okinawa, onde pessoas de 100 anos pedalam pelas suas ruas, o alimento básico é a carne de porco, tão combatida por muitos. O vinho, o uísque, a carne vermelha, o ovo, o leite de vaca, o azeite, ora são proibidos ora são endossados. Para início e retomada de exercícios há medidas que não podem ser desconsideradas, porém nada foi esclarecido, mesmo a titulo de cuidados iniciais.
Sem dúvida, o Ministro deu o tiro no pé e, provavelmente, um pontapé nas vendas de preservativos e consultas médicas para esclarecimentos.
Bom jornalismo e marketing serão bem-vindos na comunicação da próxima campanha do Ministério da Saúde.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung. Consta que não tem problemas de pressão alta.
