Conte Sua História de São Paulo: o alvoroço com a chegada do circo do “peru que fala”

 

Por Wagner Nobrega Gimenez
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci na capital de São Paulo no ano do IV Centenário, 1954 — ano em que o Corinthians ganhou o campeonato que ficou na letra do seu hino: “o campeão dos campeões”. Também nesse ano foi entregue à população o maior parque da cidade: o Ibirapuera.

 

Porém, as minhas recordações pessoais mais antigas são de quando eu tinha 6 anos. Lembro com carinho os passeios que fazia com minha irmã Cidinha na Loja Pirani, na Av. Celso Garcia, no bairro do Brás. Eu brincava no parque infantil da loja e comia salgadinhos. Era muito bom.

 

Recordo-me ainda de ir às Lojas Americanas, na rua Direita, no centro da cidade, com a minha irmã. Lá eu comia o delicioso Bauru Paulistano: pão americano, presunto, queijo e tomate, prensado e bem quente, acompanhado de suco de laranja.

 

Também no bairro do Brás, na rua Almirante Barroso, onde eu morava, aos domingos era armada a lona do circo do “Peru que Fala” — apelido do apresentador Sílvio Santos. Era um grande alvoroço quando aquela caravana, como se chamava, vinha na minha rua.

 

Por vezes, eu e a Cida pegávamos o bonde camarão que passava na Rua Bresser, perto da minha casa, e íamos até a Praça da República, o lugar que eu achava o mais lindo da cidade.

 

Tinha também a quermesse da Igreja Santa Rita do Pari, bairro próximo do meu. Era no dia 22 de Maio, dia da santa.

 

Nos cinemas Roxy e Universo, ambos na Av. Celso Garcia, eu não podia entrar. Só via de fora. Ficava imaginando como seria lá dentro…

 

São essas as minhas queridas recordações da cidade de São Paulo daquele ano de 1960.

 

Wagner Nobrega Gimenez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história. Envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Como (não) usar o certificado digital no seu computador Mac

 

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Você já deve ter ouvido falar em certificado digital, algo criado para facilitar o acesso do cidadão e sua empresa, e com muito mais segurança, a uma série de serviços. Essa ao menos é a ideia central. O problema é que para a coisa funcionar, você tem de se submeter às limitações das empresas que vendem os certificados.

 

Já contei aqui no Blog que sou usuário de produtos MAC: Iphone, MacBook, MacAir e iMac. Às vezes, até de um BigMac, mas este não tem nada a ver com nossa conversa de hoje. No campo da tecnologia fui conquistado pelas criações de Steve Jobs e, desde cedo, aprendi que isto me levaria a enfrentar algumas barreiras, típicas de quem está ao lado das minorias, apesar de, atualmente, este conceito não se encaixar mais no caso dos usuários da Apple.

 

E por ser usuário da Apple e ter produtos que rodam no sistema iOs, todas as vezes que preciso renovar o certificado digital me deparo com alguma restrição. Semana passada, descobri que o novo token GD, certificado pela Serasa Experian, não “conversa” com a versão do iOs Yosemite (10.10.3). Claro que ninguém nos conta isso quando compramos o certificado. Descobre-se no processo de instalação.

 

No portal da Serasa até é possível baixar programas para Mac, mas os tutoriais são todos para Windows. Coisa de esquizofrênico! A gente até insiste em fazer a instalação por intuição, mas chega um momento em que se percebe que o certificado não pode ser acessado. Faz o quê? Chama os universitários, como diria Sílvio Santos. No caso, o pessoal do suporte técnico da Serasa. Nessa última experiência, precisei conversar com três deles, desperdiçar quase duas horas e só conseguir acesso ao certificado graças a um “puxadinho digital”.

 

Em pouco tempo, o primeiro atendente já entregou os pontos e me mandou procurar um computador Windows em casa. Disse que o novo certificado ainda não foi adaptado para as versões mais recentes do iOS. Ou seja, azar seu que resolveu instalar um sistema mais seguro e preciso nos seus computadores. Na próxima vez, liga para a Serasa e pergunta se ela deixa.

 

Apesar de minha resignação, e do constrangimento de ter de tirar um dos filhos da frente de seu computador, meu comportamento não me proporcionou uma vida mais tranquila. Após uma série de “libera aqui”, “acessa ali”, “verifica acolá” e “tenta assim” fui informado da necessidade de reinstalar o Internet Explorer, usando uma versão mais antiga: “o senhor precisa fazer um downgrade”- sentenciou o moço. Eu fazer um downgrade? Adoraria. Imagina passar da versão 5.1 para uma 4.0, por exemplo. Seria excelente. Não, faça um downgrade do seu Internet Explorer. Isso mesmo. Também no Windows, estar atualizado é um problema para a Serasa.

 

Não pense, porém, que estar em um computador Windows e com uma versão antiga do I.E seriam medidas suficientes para acessar o certificado digital. Ainda assim, e mesmo com toda a paciência (com ironia) deste que lhe escreve e gentileza (sem ironia) daquele que me explicava, não havia santo capaz de fazer o token funcionar. Foi, então, que o assistente da Serasa fez a pergunta matadora: “o senhor tem antivírus?” Sim, evidentemente que tenho. Até porque estou agora em um Windows. Estivesse no meu Mac, não haveria necessidade do antivírus (eu sei, há controvérsias sobre o tema).

 

Foi desativar o antivírus e o certificado digital deu as caras. E como usar o certificado e o antivírus? “Aí o senhor tem de perguntar para um técnico” … foi a recomendação que ouvi.

 

Ou seja, quase duas horas depois de iniciado o procedimento, descobri que para usar um produto que supostamente oferece mais segurança digital sou obrigado a ficar vulnerável a hacker e vírus. Para ficar seguro tenho de ficar inseguro. Vai entender!

 

ps: há uma semana registrei esta queixa no site da Serasa e não recebi nenhuma resposta da empresa até agora. Em compensação, dia sim, dia não, aparece uma newsletter da empresa na minha caixa de correio.