Mundo Corporativo: pense simples, seja ágil e não tenha medo de errar, ensina Gustavo Caetano

 

 

“Muitas coisas estão na nossa frente, muitas oportunidades estão na nossa frente, e a gente não enxerga, porque a gente tende a achar que as coisas são mais complexas do que elas são”. Foi pensando assim que Gustavo Caetano descobriu a solução para um problema que emissoras de televisão enfrentavam diante da necessidade de enviar vídeos para suas afiliadas, no Brasil. Fundador da Samba Tech, Caetano usou essa tese para criar vários dos seus negócios. Hoje é reconhecidamente um empreendedor bem sucedido e compartilha sua experiência em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Apesar dos bons resultados, não esconde de ninguém que falhou muito durante sua carreira: “falhar é parte do processo de inovação”. Caetano lançou o livro “Pense Simples – você só precisa dar o primeiro passo para ter um negocio agir e inovador” (Editora Gente)

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da rádio CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Rodrigo Rocha fala de como tornar as empresas mais simples e eficientes

 

 

“A gente esta vivendo no caos, e esse caos é exatamente essa enxurrada de produtos, essa enxurrada de informação que a gente está vivendo. Então, empresas que estão criando filtros pra você são as que estão realmente tendo sucesso”. Assim, o diretor de marketing Rodrigo Rocha defende a ideia de as empresas investirem em um sistema de estratégia minimalista para serem mais produtivas e eficientes. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, do programa Mundo Corporativo, da CBN, Rocha descreve os quatro Es que podem tornar as coisas mais simples: elegância, eloqüência, eficiência e êxito.

 

Rocha está à frente da área de marketing do Grupo Amil e a partir da sua experiência no setor corporativo escreveu o livro “Sistema de estratégia minimalista – como quatros Es podem tornar sua vida mais leve e levar a sua empresa ao sucesso” (HSM).

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugem e Débora Gonçalves.

Eu só queria um selo, simples assim

 

selos

 

O cartaz, escrito à mão, pedia paciência aos clientes e informava que o sistema estava lento. A impaciência no olhar das pessoas que estavam na fila sinalizava que o problema não era a lentidão, mas a inexistência do sistema. Aproveitei a moça do caixa, com ar desolado, para saber se poderia ao menos comprar um selo e remeter carta simples para outro Estado. Selo tem, mas não tem sistema, e só vende selo se tiver sistema. Mas custa só 85 centavos!? Sem sistema não tem registro, sem registro não se vende selo. Simples assim.

 

Como não estava disposto a esperar, pois não havia qualquer previsão de regularização no atendimento, fui ao shopping mais próximo, onde, certamente, haveria selos à venda e meu problema estaria resolvido. Ledo engano. Na livraria não vendem, na revistaria, também não, e nenhum dos que me atenderam souberam responder onde encontrá-los. Sem contar o olhar de estranhamento: quem ainda precisa de selo?

 

Se as pessoas não resolvem, aposto na tecnologia, sem lembrar que foi esta que me criou o primeiro entrave lá no posto em que a fila de espera era extensa. Com o celular na ponta dos dedos, acessei a página dos Correios na internet e logo percebi que esta é imprópria para navegação, pois não se adapta ao tamanho da tela.

 

Não desisti: fui para a loja de aplicativos e encontrei o ícone que desejava. Baixei o app Correios no meu celular em busca da agência mais próxima. Surpreendi-me ao saber que o aplicativo não é nada amigável: por exemplo, não oferece a possibilidade de localizar, automaticamente, a agência e posto próximos de onde você está, coisa que qualquer serviço mequetrefe já desenvolveu.

 

Se não dá para ajudar, por que não criar ainda mais problemas?

 

Ao clicar na aba “Agências – procure uma agência perto de você” é preciso informar o Estado, a cidade e o bairro onde você está. Ou melhor, o bairro próximo de onde você está e tenha representantes dos Correios. É que o sistema de busca só tem os nomes dos bairros onde funcionam os Correios, o que gera a seguinte situação: se eu estiver no Jardim Lindoia (você sabe onde fica?) e lá não houver agência, tenho de descobrir quais bairros fazem limite com o Lindoia e verificar se um deles aparece na lista. Um dos mais famosos da cidade de São Paulo, o Morumbi, por exemplo, não aparece.

 

Poderia ser tudo mais simples se o sistema funcionasse, os selos estivessem disponíveis em qualquer banca e o aplicativo fosse criado pensando na experiência do usuário. Mais simples ainda, se a empresa para qual fui contratado para prestar palestra não me obrigasse a postar no correio um documento que poderia ter sido digitalizado e enviado por e-mail – o que convenhamos, hoje é coisa simples de se fazer.

 

Não bastasse todo o transtorno, um toque de ironia nesta história: dentro do envelope – que eu ainda não remeti – uma declaração em papel timbrado e assinado de que minha empresa está incluída no “Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte” que costumamos chamar de Simples.

 

Simples assim.

Francisco, o modesto, dá espetáculo magnífico

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O inverno, no sul, está de matar. A primeira coisa que faço ao acordar pela manhã é ligar o rádio, não só para ouvir o Mílton ancorando o Jornal da CBN, mas, entre outras informações importantes, ficar sabendo qual é a temperatura e o que se pode esperar do clima no resto do dia (não acho que ouvir o filho, que desperta às 4h para entrar no ar às 6h,seja coisa de pai-coruja). Ultimamente, não é raro quando os termômetros, por aqui, assinalam cinco graus ou pouco mais do que isso. Se o sol chega a aparecer, vá lá, a gente se agasalha e enfrenta o frio; quando, porém, o danado fica encoberto pela cerração que, às vezes, some apenas perto do meio-dia, salve-se quem dispõe de roupas apropriadas para a estação. As pessoas que somente trabalham durante a manhã, à tarde,nesta época do ano, sesteiam.

 

Era exatamente isso que eu e Maria Helena fazíamos nessa segunda-feira. Não fosse Jacqueline, minha filha, enviar-me um torpedo e teríamos perdido um espetáculo nunca visto. Pai – escreveu ela – o Papa desembarcou no Rio de Janeiro e a Globo News está transmitindo. Levantamos às pressas e ligamos o televisor. Pelo que se sabia a respeito do Pontífice, estava chegando ao Brasil um homem simples, avesso a pompas e nada protocolar. Quem imaginava que ele fosse conduzido ao Palácio Guanabara, em que seria recepcionado pela Presidente, em um automóvel recheado de requisitos de segurança ou que, no mínimo, fosse um carro desses que nos acostumamos a ver conduzindo mandatários estrangeiros, enganou-se redondamente. Francisco – o modesto – desfilou, do Galeão até o Palácio, na maior parte do trajeto, em um Fiat Idea. Somente no final do percurso esse foi substituído pelo Papamóvel. No Idea, o primeiro Pontífice latino-americano manteve, durante toda a sua permanência nele, a janela aberta, sem medo da multidão que se acotovelava e corria atrás do carro para saudá-lo e pedir sua benção. Quem não teve a chance de assistir pela televisão à chegada ao Brasil do Papa Francisco perdeu um espetáculo tocante e magnífico em todos os sentidos.

 

Estou escrevendo esse texto no dia em que o Papa descansou, isto é, na terça-feira, 23 de julho. Espero que tudo tenha continuado a correr às mil maravilhas para que Francisco – o simples – deixe o Brasil com as melhores impressões sobre o nosso país.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

De simplicidade

Por Maria Lucia Solla

músculos Olá,

Quanto mais penso, mais perto chego de uma constatação incontestável. Simplicidade é o estágio mais difícil de alcançar.

Encontramos um amigo e já nos turbinamos. Lançamos mão de todos os adjetivos disponíveis na língua mãe -nossa e dos outros- e superlativamos tudo.

É tudo mega, super, hiper, ultra. Se o fato não receber ao menos uma comenda, corre o risco de morrer na praia. É preciso espetacularizar.

Se você disser que está com dor-de-cabeça, ninguém dá a mínima. Para despertar interesse pelo caso, o relato precisa conter palavras como: enxaqueca – terrível – insuportável – ameaçadora – neurônios destruídos, e por aí vai. Se seu discurso for sangrento, então, você é içado, com hino e tudo, ao Monte das Celebridades Instantâneas  e Efêmeras, e ainda oferece a quem sorveu, com deleite, cada gota do superlativo relato, a chance de pisar o solo do mesmo Monte, recontando recortando, editando e maquiando o fato. Fazendo pose com chapéu alheio.piercing111

De qualquer maneira, se você não é o melhor e nem o pior, se não é o mais – ou pelo menos o menos – em tudo, não está com nada.

Carlos Drummond de Andrade, no poema Definitivo, afirma que o que é simples é definitivo.

O que você acha?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça o texto “DE SIMPLICIDADE” na voz da autora clicando aqui.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e autora do livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”. Aos domingos nos ajuda a ver a vida sem exagero.