A geração que troca o computador pelo celular um dia vai ouvir rádio, também

 

smartphone-381237_960_720

 

 

Foi em 2004 que escrevi ‘Jornalismo de Rádio’, livro que até hoje é consultado nas bibliotecas ou na internet, muito mais do que nas livrarias, por estudantes de jornalismo. Às vezes me espanto, pois imaginava que a esta altura haveria visões ultrapassadas, substituídas pelas novas tecnologias. Verdade que não se falava em Twitter, Facebook e menos ainda em Snapchat, mas consolo-me em saber que a ideia de ter o rádio nas mãos de um número cada vez maior de ouvintes se transformou em realidade devido a facilidade de acesso aos telefones celulares.

 

O dial ainda é o principal canal dos ouvintes, mas não temos dúvida da relevância que os aplicativos e a internet, através de todos seus equipamentos, ganham no cenário. O carro ainda é a fonte que nos deixa mais próximo do público, mas isso não significa que o passageiro no metrô e no ônibus não esteja “sintonizando” a rádio em seu celular. São mais de 250 milhões desses aparelhinhos circulando pelo Brasil. E muitos com oferta da nossa programação.

 

Trago o tema para cá depois de noticiar no rádio a pesquisa que ouviu 1.811 jovens que não têm mais de 20 anos, ou seja, nasceram entre o fim de 1990 e começo dos anos 2000. O estudo desenvolvido pela WMcCann e apresentado em entrevista ao Fernando Andrade, da CBN, traçou o comportamento desta turma diante da tecnologia.

 

Alguns números como o fato de enviarem, em média, 206 mensagens de texto por dia, chamaram atenção. Isto é três vezes mais do que enviam meninos e meninas que nasceram nos anos de 1980, uma geração que já cresceu sob o signo da conectividade.

 

Mesmo escrevendo tanto, em lugar de falar ao celular, como fazem os da minha geração, os Centennials – como também são conhecidos – gostam mesmo é de se comunicar através dos emojis – aquelas carinhas e artes que substituem palavras -, mais até do que por fotografia, apesar da onda de selfies que circula na rede.

 

Por falar em foto, a pesquisa da WMcCann apontou que ao menos 25% dos integrantes da Geração Z já receberam ou trocaram nudes. Uma perversão, diria você. Nem tanto, se levarmos em consideração o conceito que os move. Disse Debora Nitta, vice-presidente de planejamento da WMcCann que “aquilo é simplesmente a vida e na vida acontece beijo, acontece transa, acontece de gostar de um carinha e no outro dia não, acontece de eu ser dona do meu corpo … e os ‘nudes’ não têm um valor que teria no passado, de uma exposição pornográfica.”

 

Fotos, emojis e nudes de lado, o que mais me interessou foi o fato de descobrir que para a maioria desses garotos e garotas o computador não é mais sonho de consumo. Muitos talvez nunca tiveram um em mãos e jamais sentiram falta deles. A Geração Z já desembarcou no mundo online de smartphone em mãos e assim satisfaz seus desejos, em todos os sentidos. Entra na internet, pesquisa dados, envia textos, comunica-se por carinhas, fotografa a si mesmo, joga em rede, compra, vende … se oferece. Tudo pelo celular. Um dia descobrirá que podem ouvir rádio, também.

 

É a minha esperança!

Detox digital virou artigo de luxo em hotel

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

17971390975_c37c501f83_z

 

Smartphone. WhatsApp. Facebook. Instagram. Twitter.

 

Estes são apenas alguns dos ícones do mundo digital que alcançam hoje pessoas de todas as idades ao redor do mundo. Algumas mais, outras menos digitais. Todas, porém, sofrendo forte pressão para se renderem às ferramentas online.

 

Pesquisa realizada pela ecomScore diz que o Brasil é líder no tempo gasto em redes sociais, em média 60% a mais do que o restante do mundo, tendo 45% de sua população online usando 650 horas em média por mês estas ferramentas, seja através de celulares ou computadores.

 

Seja por lazer, parcialmente por questões de trabalho ou negócios, a verdade é que não podemos negar que o uso de celulares e todos os aplicativos e facilidades que estes nos trazem se tornou um vício. Principalmente no Brasil, se nos atentarmos aos números da pesquisa acima. E apesar de usarmos muito e até sentirmos prazer com tanta tecnologia, se desconectar parece ser um sonho, um luxo muito longe de ser alcançado.

 

Captura de Tela 2015-11-04 às 23.05.10

 

Com o objetivo de incentivar os hóspedes a se desligarem do mundo virtual,a rede hoteleira Grand Velas Resorts lançou um programa de Digital Detox, onde os hóspedes podem optar por deixar seus aparelhos eletrônicos de lado para vivenciar melhor as experiências oferecidas pelo resort em suas unidades da Riviera Nayarit e Riviera Maya,ambas no México. Ao fazer o check in, o hóspede é informado sobre o programa especial e, caso realmente queira participar, será convidado a deixar todos seus equipamentos com a equipe do hotel. Além disso, a TV de tela plana da suíte escolhida será substituída por jogos de tabuleiro.

 

Férias sem celular. Sem iPad. Sem “selfie”. Sem WhatsApp. Sem Instagram.

 

Você toparia esse desafio de ficar alguns dias sem acesso ao seu celular e “desconectar-se” do mundo? Já pensou nisso?

 

Para o consumidor contemporâneo pode até parecer uma abstinência e, de fato, não deixará de sê-lo para os mais “plugados”, mas certamente possibilitará a eles o privilégio de refletir sobre sua própria vida, além, claro, de poder descansar, ler, e principalmente estar próximo (de verdade) das pessoas ao seu redor.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em “arketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Celulares e smartphones, as drogas contemporâneas

Por Carlos Magno Gibrail

 


Campanha de vídeo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

 

Estes engenhos eletrônicos têm propiciado aos usuários benefícios e vícios. Tais quais as drogas proibidas, sensações e emoções com sequencias de auto-dependência e interferência danosa a terceiros.

 

Como novos elementos a fazer parte da vida atual, são embalados pela utilidade e pelo prazer que fornecem. Entretanto, a certeza futura do aumento de usuários e da intensidade de uso é preocupante. É hora de estabelecer algum ordenamento jurídico e social para que possam conviver civilizadamente em nosso meio.

 

Os fabricantes preveem que até o ano 2020 não existirão mais celulares. Eles serão substituídos pelos smartphones. Portanto, desconsideremos os inofensivos efeitos dos celulares, embora produzindo irritantes incômodos em salas de espera, aeroportos, elevadores e demais locais em que somos obrigados a ouvir intimidades de toda espécie, avançando em nosso direito de pensar, ler ou mesmo de não fazer nada. Vamos aceitar até mesmo a ilegal e perigosa fala ao dirigir veículos.

 

Os smartphones, estes sim, trazem um perigo multiplicado. De acordo com matéria publicada na revista Época sobre o tema, um estudo da Universidade Tecnológica da Virginia, EUA, dirigir falando ao telefone duplica a possibilidade de acidente. Entretanto ao teclar, o potencial de risco é multiplicado por 23. Além disso, diante de um simulador para medir a reação do motorista em diversos estados de atenção, constatou que ao digitar em redes sociais no smartphone o pesquisado teve a reação reduzida em 38%, enquanto quem fumava maconha ficou mais lento em 21% e quem bebeu de 2 a 3 latas de cerveja respondeu 12% mais demoradamente ao estímulo. Portanto, o Smartphone é 100% mais perigoso que o álcool, e 40% mais danoso que a maconha. Descoberta e tanta, digna do Freakconomics quando alertou que piscina mata mais criança do que revólver em casa.

 

Se considerarmos que o Smartphone além de prazer fornece utilidade e a imagem operacional não causa reprovação, seu potencial de uso comparativo com álcool e maconha é bem maior. Principalmente no trânsito caótico que vivemos.

 

É hora de cuidarmos do Smartphone. Antes talvez que nossa ultima frase esteja digitada no próprio, como o da garota americana de 18 anos. Taylor Sauer teclou: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no Facebook não é seguro! Haha”. Bateu no veículo à frente que andava a 25km/h.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung