Mundo Corporativo: em estratégia ESG, Heineken proporciona conta de luz mais barata ao consumidor, explica Mauro Homem

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“Sustentabilidade não é sobre o seu tamanho ou sobre sua capacidade de investimento; é muito mais sobre a sua intenção e o quanto o genuíno você está indo nessa direção”

Mauro Homem, Heineken

As empresas têm percebido que não alcançarão o sucesso que esperam sem terem relevância significativa nas áreas ambiental, social e de governança. A despeito de seu tamanho ou finalidade, cada uma cria sua própria estratégia para expressar esse compromisso, adaptando-a a seus processos de produção e ao segmento que representa. A Heineken, segunda maior cervejaria do mundo, por exemplo, definiu três  blocos de atuação e, um deles, está diretamente ligado ao impacto que os produtos que leva ao mercado tem na saúde do consumidor. Assim, está entre suas prioridades desenvolver campanhas pelo consumo equilibrado e responsável de álcool. 

Na estreia da série Mundo Corporativo ESG —- em que destacaremos nos próximos meses ações em favor da governança ambiental, social e corporativa —, Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken, explicou como o tema evoluiu ao longo dos anos dentro da empresa, deixando de focar apenas nas questões ambientais:

“A gente sabe que uma empresa que produz cerveja naturalmente tem que lidar com questões relacionadas ao consumo de álcool. Isso é uma grande preocupação; e a Heineken é vanguardista nessas discussões de consumo equilibrado. Ainda mais agora, desde o advento da Heineken 0.0 e do portfólio  de menor teor alcoólico, também”.

Na área social, o foco está na diversidade e inclusão com incentivo para a maior participação de mulheres e negros, em especial em postos de liderança. Além das quatro paredes, a Heineken também age no sentido de atender pessoas em situação de vulnerabilidade, através do Instituto Heineken Brasil. São três os públicos atendidos: os ambulantes. os catadores de material reciclável e os jovens.

“No caso dos jovens em posição de vulnerabilidade, temos dois grandes olhares: o primeiro, é a relação saudável e equilibrada com o álcool, para que esse jovem não vá para o consumo nocivo; e o segundo é a geração de empregos”.

Do ponto de vista ambiental, que faz parte do tripé estratégico da cervejaria, o impacto começa dentro da própria empresa, com implantação de sistemas mais eficientes de gestão hídrica, por exemplo. Em outro programa que se iniciou com bares e restaurantes e agora se estende ao cliente final, a Heineken criou uma plataforma que conecta geradores de energia limpa e os consumidores, oferecendo energia mais barata. Isso mesmo que você leu: ao se cadastrar no programa, além de consumir energia renovável, o custo da sua conta de luz vai diminuir. 

Mauro explica que a geração distribuída é mais eficiente por ter menos perda técnica, e uma incidência de impostos diferenciada, podendo gerar redução de 15 a 20% no valor da  conta de luz para os consumidores. O cadastro, de graça, deve ser feito no site Heineken Energia Verde. Infelizmente, nem todas as concessionárias de energia elétrica permitem essa substituição por fontes renováveis. Mas, já podem se beneficiar do programa, os moradores dos estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina, algumas cidades do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e São Paulo —- neste caso apenas nas cidades atendidas pela CPFL Paulista.

“O potencial é enorme. Nossa ambição e chegar em pelo menos 50% de todos os nossos bares e restaurantes, quase um milhão de pontos de venda no Brasil. E é um volume muito grande de clientes, também. Mas poderíamos chegar a pelo menos 50% até 2030”

A transformação que as empresas tiveram de encarar diante do conceito ESG — sigla de Environmental, Social and Governance (ambiental, social e governança) — provocou mudanças na forma de os profissionais atuarem, gerou novos desafios e abriu oportunidades. O próprio Mauro viu sua carreira ser influenciada por essa nova visão, quando a sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental. Ele fez gestão ambiental na USP, em Piracicaba, interior de São Paulo  —- em lugar de seguir a trilha mais consolidada da engenharia ou direito, como imaginavam pessoas próximas. Buscou outras formações na área de administração e iniciou-se na carreira profissional, na Danone. Lá atuou pela primeira vez na área ambiental e, depois, foi cuidar de relações governamentais.

A sustentabilidade —- já com essa visão mais ampla em que o social e a governança se alinhavam às preocupações ambientais —- voltou à carreira de Mauro na Heineken, para onde se transferiu há quatro anos. Antes da vice-presidência que ocupa, atuou com a comunicação corporativa:

“Eu acho que os profissionais precisam buscar cada vez mais essa conexão com os problemas do mundo exterior e traduzir isso em oportunidades também por um ambiente corporativo. Então, acho que é nesse sentido que os profissionais têm tido cada vez mais oportunidades. É nisso que eu vejo as carreiras mais próximas na área de sustentabilidade, também”.

Assista ao primeiro episódio da série Mundo Corporativo ESG com Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken:

O Mundo Corporativo ESG tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: entre gerar impacto e ganhar dinheiro, fique com os dois, recomenda Anne Wilians

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“O que ele busca é necessariamente um impacto na transformação das pessoas. Essa é uma das primeiras características do negócio social”

Anne Wilians, empreendedora social

A inteligência emocional pode ser aprendida e desenvolvida; e se assim o é, precisa ser exercida no cotidiano. A lógica que abre esse texto não é recente. Foi apresentada ainda nos anos 1990, pelo psicólogo e jornalista Daniel Goleman. Foi dele a provocação de que o QE fala mais alto do que o QI. Muito antes, ainda nos anos 1920, Edward L. Thorndike, já havia usado a expressão ‘inteligência social’ ou a capacidade de entender e motivar outras pessoas. Mas foi Goleman, quem popularizou o debate sobre o tema, em ‘Inteligência Emocional’, livro que vendeu aos borbotões mundo a fora. 

A partir dos pensamentos de Goleman, muitas pessoas se inspiraram a trabalhar a autoconsciência, a auto-motivação, a capacidade de nos relacionarmos, a empatia e a consciência social. A advogada e administradora Anne Wilians certamente está entre as seguidoras desse californiano, nascido em 1946, como se percebe no projeto que realiza no Instituto Nelson Wilians, apresentado como o ‘braço social’ de uma das principais bancas de advogados do Brasil, que tem à frente o marido dela:

“Eu tenho que ter uma consciência social, de entender onde que eu tô inserida. Quais são as dificuldades do meio que eu tô inserida. O que eu posso agregar nesse meio; o que eu não posso”.

Anne Wilians é autora do livro “Empreendedorismo Social Feminino”, publicado em versão digital, uma espécie de caixa de ferramenta para quem pretende montar seu negócio, considerando que o foco de um empreendimento de caráter social é o impacto no desenvolvimento das pessoas e da comunidade. Em entrevista ao Mundo Corporativo, Anne diz que o propósito desse negócio tem de ser a transformação que o empreendedor pretende provocar, e para que isso se torne permanente, o negócio social tem de ser sustentável e de longo prazo. O lucro não deve ser o impulsionador da ideia, o que não significa que deva ser desprezado — é o que pensa Anne, agora inspirada em outro projeto que há 15 anos incentiva a criação de negócios sociais, no Brasil:

“A Artemísia, que é uma das grandes mestres que trouxe o negócio social para Brasil, fala que entre gerar impacto e ganhar dinheiro, fique com os dois”. 

No Instituto, os programas oferecem conhecimento a homens e mulheres; enquanto no livro, Anne foca a necessidade de se abrir espaço para que elas  sejam as protagonistas do seu próprio negócio. Entende que, com a pandemia, o mercado está mais sensível para empreendimentos sociais, mas ainda existe uma discrepância de valores. Segundo Anne, 95% dos investimentos estão concentrados em projetos liderados por homens. 

“As mulheres são muito mais preparadas academicamente — a gente chega no nível de graduação, no nível de pós-graduação — mas ainda assim a insegurança não permite que a gente acesse alguns meios. Então, é preciso trabalhar com isso para que a gente consiga esse espaço”.

Trabalhar o conhecimento socioemocional de jovens até 29 anos — e aqui voltamos a Goleman — é um dos objetivos dos programas criados com parceiros de negócios, desde 2017, quando o instituto foi criado. Tempo suficiente para impactar cerca de 24 mil pessoas, nos cálculos de Anne. Ao longo desse tempo, a fundadora e diretora-presidente do INW, diz ter percebido que os jovens estão muito mais interessados na busca de soluções para os problemas que atingem suas comunidades e pensam de forma mais inclusiva:

“Eles estão muito mais sensibilizados. Você quando traz uma possibilidade de um negócio para um jovem, ele já, certamente, vai te oferecer uma solução social. Ele vai te trazer ideias e são ideias que têm transformação social incutidas nelas”

Assista à entrevista completa com a fundadora e CEO do Instituto Nelson Wilians, ao Mundo Corporativo.

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: o impacto do voluntariado corporativo nas empresas e nas carreiras

 

 

“O programa de voluntariado corporativo pode ser visto como mais uma das opções de desenvolvimento das pessoas que está dentro do portfólio de treinamento e desenvolvimento que as organizações oferecem para seus colaboradores” — Marcelo Nonoay, MGN Consultoria

O voluntariado corporativo surge nas empresas ou por provocação dos próprios colaboradores que já realizam trabalhos neste sentido ou por iniciativa da empresa disposta a desenvolver uma visão de investimento social. O consultor Marcelo Nonoay, da MGN Consultoria, fala de estratégias para a implantação de projetos de voluntariado nas empresas e dos impactos gerados naqueles que participaram das atividades, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da CBN.

“Fazer o trabalho voluntário é uma forma de desenvolver competências. Existem muitas pesquisas que comprovam isso. E quem já fez trabalho voluntário sabe que é. A pessoa não volta igual. Existe esta visão de investimento nos colaboradores. Então a empresa não faria um investimento como esse apenas por benevolência. Ela faz porquevê que isso traz retorno para ela. Inclusive no desenvolvimento das pessoas”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter da CBN (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e a qualquer momento em podcast e no canal da CBN no You Tube. O programa tem a participação de Guilherme Dogo, Rafael Furugen,
Celso Santos, Adriano Bernardino e Bianca Vendramini.

Mundo Corporativo: Luciano Gurgel, da Yunus, mostra caminhos para viabilizar um empreendimento social

 

 

“O empreendimento … é um grande quebra cabeça. Então, você tem de ter lá uma inteligência jurídica, uma inteligência de marketing, uma inteligência financeira; e quando tudo isso para de pé, você tem um negócio. E a função da aceleração é exatamente isso: prover essas várias habilidades entorno do empreendedor para que o negócio dele possa prosperar” —- Luciano Gurgel, Yunus Negócios Sociais

O empreendedorismo social é aquela atividade econômica que visa impactar positivamente a sociedade e se diferencia de uma ONG, pois tem a necessidade de gerar receita e dar lucro. Hoje, é possível encontrar as mais diversas iniciativas com esse perfil que estão beneficiando milhares de pessoas pelo mundo. Aqui no Brasil, não é diferente. Tem-se desde empreendedores que realizam projetos no setor de moradia até os que se dedicam a melhorar a performance de estudantes de baixa renda nas provas de redação do Enem.

 

O programa Mundo Corporativo foi descobrir como é possível tornar viável um empreendimento social e entrevistou Luciano Gurgel, gestor da área de investimento da Yunus Negócios Sociais. A empresa tem inúmeros programas de apoio a esses empreendedores que podem receber mentoria, informações sobre planos de negócios, criar conexões com fornecedores, parceiros e clientes, além de receber investimento com baixas taxas de juros e prazos mais longos de pagamento:

“O empreendimento se dá dessas várias pecinhas. É um grande quebra cabeça. Então, você tem de ter lá uma inteligência jurídica, uma inteligência de marketing, uma inteligência financeira; e quando tudo isso para de pé, você tem um negócio. E a função da aceleração é exatamente isso: prover essas várias habilidades entorno do empreendedor para que o negócio dele possa prosperar”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, com transmissão pelo perfil @CBNOficial do Twitter ou na página da rádio no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboraram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Izabela Ares.

Quintanares: Eu nada entendo da questão social

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicada em A Rua dos Cataventos
Narração de Milton Ferretti Jung

 

Eu nada entendo da questão social.
Eu faço parte dela, simplesmente…
E sei apenas do meu próprio mal,
Que não é bem o mal de toda a gente,

 

Nem é deste Planeta… Por sinal
Que o mundo se lhe mostra indiferente!
E o meu Anjo da Guarda, ele somente,
Équem lê os meus versos afinal…

 

E enquanto o mundo em torno se esbarronda,
Vivo regendo estranhas contradanças
No meu vago País de Trebizonda…

 

Entre os Loucos, os Mortos e as Crianças,
É lá que eu canto, numa eterna ronda,
Nossos comuns desejos e esperanças!…

Mundo Corporativo entrevista Guilherme de Almeida Prado sobre empreendedorismo social

 

 

Negócios sociais reúnem a intencionalidade de fazer o bem das ONGs com a meritocracia e a busca pelo lucro da empresa privada. De acordo com o administrador de empresas Guilherme de Almeida Prado este é um novo modelo que tem se apresentado com forte potencial nos últimos anos. Sobre as estratégias e oportunidades neste segmento, Prado foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele é diretor da Konkero, um portal de finanças pessoais que trabalha dentro dos parâmetros de empresas sociais.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas,no site da rádio CBN: CBN.com.br. Os ouvintes podem participar com e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br e para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquita e Ernesto Foschi.

Por que boas causas são bons negócios?

Reproduzo a seguir texto de divulgação do evento do qual estarei participando na quinta-feira, dia 28, na abertura da ONG Brasil, encontro que se realiza no Expo Center Norte, em São Paulo. Espero contar com a participação de você que acredita na possibilidade de agirmos como cidadãos para transformar as pessoas e a sociedade:

 

 

A Humanitare Foundation que atua em diplomacia social como ponte de conexão entre os atores da sociedade e as temáticas promovidas pela ONU, em conjunto com a KMPG, empresa de consultoria que incentiva a cidadania corporativa como modelo de transformação social convidam você a discutir a questão “Happy Returns” Por que boas causas são bons negócios? durante o Painel de abertura do Congresso ONG Brasil 2013.

 

Os temas de empreendimentos sociais serão debatidos por Ceos de empresas e Institutos Empresariais: Maria Antonia Civita (Verde Escola), Michael Hastings (KPMG), Luciana Quintão (Banco de Alimentos), Sheila Pimental (Humanitare Foundation), Joris van Wijk (UBM), Cônsul Lothar Wolff (Honorário do Brasil em Áustria),e as participações dos jornalistas Milton Jung (CBN) e Patrícia Trudes (Folha de São Paulo).

 

Por que boas causas são bons negócios estarão representados em cases de sucesso nos exemplos como o da Ong Banco de Alimentos que segue no objetivo de minimizar os efeitos da fome através do combate ao desperdício e promover educação e cidadania. Resultado: O Banco de Alimentos entrega 44 toneladas de comida por mês para 22 mil pessoas em 52 Instituições, outras 110 entidades estão na fila para serem atendidas.

 

Outro caso é o Instituto Verdescola que acompanha cerca de 300 adolescentes e jovens da comunidade de Sahy em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Com projetos educacionais, eles estão sendo capacitados para atender o turismo gerando investimentos para a região.

 

A Humanitare Foundation abordará experiências internacionais e contribuições da diplomacia social no contexto global e local dos negócios sociais sustentáveis baseados na essência de jovens lideranças e plataformas de e-contents para o desenvolvimento e as bases da nova economia.

 

Serviço:
ONG Brasil 2013
Local: Expo Center Norte – rua José Bernardo Pinto, 333 São Paulo/SP Seminário Happy Returns – dia 28/11 – horário 9h00 – 11:00

Tô de saco cheio!

 

 

Incomodado com o tratamento oferecido por algumas empresas e prestadoras de serviço, há exatos dois meses, inaugurei a sessão Tô de Saco Cheio, neste blog. Falei mal de quem trata mal e desrespeita as regras legais e do bom senso. Estava cansado de falar com serviços de callcenter que não resolvem o problema, negociar com empresas que somente agem sobre pressão e reclamar em ouvidorias que não ouvem. Hoje, volto a esta coluna, não apenas como consumidor, mas cidadão.

 

Tô de saco cheio é o que dizem milhões de brasileiros que há duas semanas não saem das ruas em protesto. Estão cansados de assistirem a elite política do país a negociar na cúpula sem considerar a base. Uma gente que transforma negociação em negociata. Não aguentam mais pagar trilhões de impostos – isto não é força de expressão, apenas no ano passado foram R$ 1,5 trilhões – sem receber um só serviço de qualidade. Têm de levar o filho para a escola particular, se pretende vê-lo bem sucedido; internar-se com ajuda de planos de saúde, na esperança de não morrer antes de ser medicado; contratar guardinha de rua, investir em câmeras, alarmes e portões de grade, para reduzir o risco de ver sua casa invadida por bandidos; perder horas de seu dia no trânsito, porque se esperar o ônibus no ponto não chega em tempo, se procurar a estação do metrô não vai encontrá-la; sem contar a coação para o pagamento de “gorjeta” a cada licença necessária ou documento a ser expedido na repartição pública.

 

A bronca dos brasileiros, revelada a cada passeata ou avenida interditada, se volta para uma quantidade enorme de alvos. Alguns sequer estão escritos nos cartazes que revelam a criativa indignação nacional, talvez sequer apareçam de forma clara na nossa memória, mas ajudaram a encher o saco a ponto de poucos centavos serem suficientes para esta explosão social. PEC37(?), Cura Gay, Tarifa Zero, Renan no Senado, corrupção nos legislativos, juízes endinheirados, salários públicos aviltantes, pedágios caraos, auxílios-alimentação, moradia e paletó são todos elementos de uma longa história de derespeito ao cidadão.

 

A presidente Dilma Roussef falou sexta-feira passada, buscou o equilíbrio no discurso, evitou a arrogância, mas apenas refez promessas já ouvidas. Precisa agora agir e mostrar que está disposta a liderar esta renovação de comportamento no País. Os brasileiros querem mais do que palavras, e não só da presidente. Quem apostar nisso, não sobreviverá nesse rebuliço social. Governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores precisam dar sinais claros de que entenderam o recado. A Justiça, também. E rapidamente. Reforma política ampla, mudanças radicais nas alianças, transparência nos contratos, redução de gastos públicos, gestão profissional nos serviços prestados, comprometimento e atendimento de metas claras, canais de comunicação abertos para ouvir o cidadão. E mais uma série de outras ações fundamentais para oferecer à sociedade um País justo. Porque o brasileiro já mandou o seu recado: tô de saco cheio!

 

Debate em vídeo sobre os protestos históricos no Brasil

 

 

Os protestos pela qualidade do serviço público, a corrupção e mais uma variedade de temas que mobilizam o Brasil há duas semanas motivaram debate que realizei com leitores e equipe da revista Época São Paulo, através do serviço de hangout do Google. A discussão foi durante os manifestos da semana passada, dia 17 de junho.

 

Mais do que afetar a cidade, os protestos precisam ser entendidos como uma manifestação democrática. E que, como tais, eles integram a cartilha de direitos dos cidadãos paulistanos. Não tinha dúvidas de estar diante de um momento histórico para o Brasil capaz de mudar nosso destino.

 

Se você perdeu o hangout ao vivo, assista no vídeo acima.

Fórum Social de SP: Outra cidade é possível

 

Rua de terra

O que fazer em nossa cidade para que o interesse público e os direitos do cidadão e cidadã prevaleçam sobre o interesse do dinheiro e do lucro? Dez mil pessoas estarão reunidas, no fim de outubro, em busca de respostas para esta que será a questão central do Fórum Social de São Paulo. É a primeira vez que uma cidade brasileira traz para dentro do seu ambiente a mesma filosofia que move o Fórum Social Mundial, que se consagrou por pensar, discutir e refletir temas que privilegiam o cidadão e não o capital.

São Paulo é a sexta maior cidade do planeta e somada a população da região metropolitana somos mais de 19 milhões de pessoas. Apenas na capital, temos sete milhões de carros, além daqueles que passam ou vem para cá, que se transformam na principal fonte de poluição do ar. E com a frota crescente não é de se espantar que o número de dias em que a qualidade do ar ficou imprópria aumento 146% nos primeiros sete meses de 2011 na comparação com o mesmo período de 2008. Tudo isso, claro, impactando ainda mais a rede pública de saúde.

Produzimos 17 mil toneladas de resíduos por dia e os dois aterros sanitários que funcionavam na capital estão entupidos, sem capacidade de receber um caminhão sequer. Temos de exportar os dejetos para cidades que ficam na Grande São Paulo, região onde as prefeituras ainda permitem o surgimento de lixões, locais que “abastecem” cerca de 17 mil pessoas, infelizmente.

Leia o texto completo e a minha resposta para a pergunta inicial no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP