Por Carlos Magno Gibrail
À guerra desencadeada pelos bandidos na área do Morumbi e demais localidades limítrofes, os moradores resolveram responder com a paz que dificilmente se vê nestes momentos.
A manifestação que acompanhei foi dentro de um tom que jamais tinha presenciado em protestos de mais de 3000 pessoas. Do som, das palavras, das atitudes, era civilidade total. Nem a tentadora passada na frente do Palácio dos Bandeirantes, que poderia atingir o duplo objetivo de acordar o governador, foi realizada. Para evitar exatamente problemas de segurança.
Aqueles 90 minutos pareceram virtuais ao ver jovens, adultos, velhos, crianças numa interação de cordialidade extrema, inclusive com policiais, funcionários da prefeitura e corpo médico. Até os pequenos apitos não geraram um apitaço, e o som mais alto foram de aplausos à causa defendida.
Ter ido valeu principalmente porque a mídia não deu a perspectiva que constatei, pois ao lado de reportagens superficialmente descritivas vimos alguns preconceitos.
Helena Sthephanowitz na Rede Brasil Atual intitula a sua matéria como o “Protesto de ricos contra gente diferenciada”. Gente diferenciada segundo ótica própria da autora são os moradores de Paraisópolis.
O jornalista Paulo Sampaio, do Estadão, dentre tantas unanimidades encerra sua reportagem com uma desnecessária opinião de alguém de passagem: “Era para ser um panelaço, mas a patroa não sabe onde estão as panelas, e a empregada está de folga”.
O movimento era contra a violência, e preconceito também o é, de forma que parece que a carapuça serviu mais além.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung
