Avalanche Tricolor: Ele voltou

 

Inter 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Porto Alegre

Tivemos as melhores chances de gol. Sem exagero, tivemos as únicas chances de gol desta partida. Haja vista, ter sido o goleiro adversário o destaque do jogo. O time dele, aliás, teve seu ataque anulado. Mesmo quando estava mais tempo com a bola nos pés, não era capaz de impor perigo a Vítor, sempre seguro, principalmente agora com uma defesa que parece mais bem armada, protegida e com capacidade de sair jogando.

Gostei, também, de ver o time vencer boa parte das divididas de bola e das disputas pelo alto, das brigas em que se envolveu, da coragem de jogar contra toda a pressão que havia no estádio e que havia dentro da própria torcida, angustiada com a falta de resultados.

Aliás, o resultado não veio de novo. E você, caro e raro leitor deste Blog, deverá me cobrar promessa feita na Avalanche Tricolor de domingo passado, quando disse que a reação neste campeonato se iniciaria. Abri o texto lembrando que o Gre-Nal costumava proporcionar coisas mágicas e mudanças inacreditáveis na trajetória dos clubes.

Ratifico o que escrevi.

Faltavam poucos minutos para se encerrar a partida. E o técnico Silas sacou do banco Souza que voltava ao time após quase sete meses de recuperação de cirurgia que sofreu no joelho. Ele entrou em campo para enfrentar o time contra o qual havia se machucado no início do ano. E na sua primeira jogada, um carrinho na lateral do campo, com o qual roubou a bola adversária e armou o ataque. Sem medo, sem medir riscos, sempre pronto para oferecer o que tem de melhor. Talento e gana.

Souza ainda teve tempo de ensaiar alguns dribles do outro lado do campo e chutar uma bola em direção ao gol. O mais importante, porém, foi sinalizar que a retomada de seu futebol pode estar próxima e – se isto realmente acontecer – a nossa redenção, também.

Que assim seja.

Avalanche Tricolor: Gol de Souza

 

Grêmio.net

Grêmio 1 x 1 Veranópolis
Gauchão – Olímpico Monumental

O moço da TV não viu; o amigo dele na cabine não viu; e o repórter que está lá no campo para ver tudo aquilo que eu não vi, também não viu. Mas o goleador Jonas … por este nada passa despercebido.

Dentro da área, marcado por dois ou três adversários, ele enxergou a bola chegar adocicada aos seus pés, ameaçou um chute, deu um corte para a direita, abriu espaço e a colocou naquele ponto em que o goleiro por mais que se estique não alcança. O terceiro gol de Jonas em três jogos garantiu a incrível invencibilidade gremista em sua casa: 41 partidas. São dois campeonatos Gaúchos, dois Brasileiros e uma Libertadores sem nenhuma derrota no Monumental.

Apesar da importância do momento, ao ensaiar a comemoração Jonas fez questão de mostrar a todos no estádio, inclusive aos meus colegas de profissão, que tudo aquilo que havíamos assistido era de total responsabilidade de outro craque: Souza, o maestro.

O “desbocado” meio-campo gremista é o mais criativo jogador a vestir a camisa do Imortal Tricolor, neste momento. E tem exercido com qualidade a função para qual foi escalado pelo técnico Silas: comandar o time com a bola nos pés.

A partir dele saem os cruzamentos, ocorrem as cobranças de falta, acontecem os dribles e aparecem jogadas como a que resultou no gol gremista. Apesar do congestionamento que havia dentro da área adversária, Souza estava como sempre com a cabeça erguida, buscando um colega, um espaço, um momento para ser genial. E o foi.

A bola invadiu a área e passou rasteira pelos zagueirões sem que eles tivessem tempo de pensar. Se aproximou do pé de Jonas como se tivesse sido entregue com as mãos. E chegou na velocidade e espaço precisos que deram ao atacante a condição do drible e do chute.

Assim como no meio da semana, o juiz deu a um zagueiro a autoria do gol contra que teria de ser anotado para Jonas, hoje poderia ter assinalado para Souza o gol de Jonas. Não seria nenhuma injustiça, apesar do complemento primordial do atacante.

O futebol costuma ser injusto com estes maestros em campo. As câmeras estão sempre voltadas para quem jogou a bola para dentro do gol e se esquecem de celebrar quem ofereceu aquela oportunidade. Devíamos aprender com o basquete americano que destaca – inclusive com prêmio – quem faz o maior número de assistências.

Amanhã, quando a televisão reproduzir a jogada, talvez a edição mais uma vez se esqueça de valorizar o lance de Souza, como fizeram durante a transmissão do jogo os meus colegas (justiça seja feita ao diretor de TV que tentou chamar atenção deles), mas nesta Avalanche Tricolor estamos sempre atentos a cada instante. Pois, assim como admiramos um carrinho bem dado, um chega pra lá decisivo, somos fãs daqueles que fazem magia com a bola. E Souza tem feito.