Conte Sua História de São Paulo: as oportunidades que encontrei nas barracas da feira livre

Flabenilto Machado Parreira 

Ouvinte da CBN

Feira livre em foto de Flávio Rodrigues/Flickr

Meus pais viviam da lavoura, no Paraná. Quando eu tinha cinco anos, houve uma das maiores geadas já registradas no estado. As perdas foram assustadoras. Eles trabalhavam de boia-fria, ficaram sem ter como sustentar a família e o sofrimento foi enorme. Era 1975 e tenho na memória a imagem de uma caminhonete Toyota Bandeirante azul, com carroceria de madeira, onde colocamos tudo o que tínhamos. Era do tio José Parreira que havia se estabelecido em São Paulo e foi socorrer meus pais, levando a todos nós para a capital paulista.

Ficamos em um pequeno barraco cedido pelo Tio Pedro, no Jardim Peri Alto, na Vila Nova Cachoeirinha. O pai tinha pouca leitura, aplicava injeção, cortava nosso cabelo e não tinha nenhum conhecimento de cidade grande. Ele que já costumava beber um pouco a mais, tornou-se alcoólatra, ainda assim arrumou emprego de vigilante. A mãe era analfabeta — apesar disso nunca conheci pessoa mais sábia. Ela lavava roupas para os vizinhos. A água vinha de um poço de 42 metros e servia para todos os afazeres.

Com seis anos, eu já vendia durex. O pouco dinheiro que recebia ajudava no sustento da casa. Aos oito, fui trabalhar na feira. Primeiro, na Feira de Terça, na barraca do Zezinho. Lembro daquela madrugada em que percorri as barracas perguntando se precisavam de ajudante. Quando perguntei ao Zezinho, que vendia verdura e legumes, ele me respondeu: – Menino, você é tão pequeno que não aguenta um saco de batatas. Mesmo triste, agradeci: – Muito obrigado, Deus te abençoe! Já caminhava para a barraca seguinte quando Zezinho me chamou: – Menino, não estou precisando, não; mas como você é muito educado, fica trabalhando aqui comigo. 

Da barraca do Zezinho passei a fazer carretos em outras feiras usando ora um carrinho de rolimã alugado ora as próprias mãos. – Vai carreto aí moça! 

Depois que conheci o Francisco e o Itamar virei vendedor de frutas, de terça a domingo. Foram alguns meses nessa função até ser contratado para office-boy da J.P. Martins Aviação, no Campo de Marte. Já estava com 17 anos e estudava muito. Na feira, tive o apoio da Dona Paula, Dona Dora, Dona Sônia, Dona Guiomar e tantos outros. Pagaram meu curso de datilografia, na escola Real, no Largo do Japonês, o que me ajudou muito. 

Assim que conclui o colegial e já como encarregado do setor de cobrança da J.P Martins fui incentivado por uma amiga, Cristina Helena Dezena, a prestar concurso público para a CMTC. No início resisti a pagar a taxa de inscrição, pois pensava que era só uma maneira de a prefeita Luiza Erundina arrecadar dinheiro para a prefeitura. Foi a Cristina quem insistiu. 

Em 1989, prestei o concurso e ligeiramente esqueci. Segui meu rumo até dois anos depois, minha mãe disse que havia chegado um telegrama em casa: era a convocação para assumir a vaga de escriturário na CMTC. Na época o salário da J.P.Martins já permitia ajudar e muito lá em casa. Estávamos até construindo uma de alvenaria no lugar do barraco de madeira. Ainda assim, encorajado pela Dona Luciene Santos, sócia gerente da J.P, encarei o desafio e fui para a CMTC que posteriormente foi privatizada e se tornou SP Trans – São Paulo Transporte S.A.

Hoje, 34 anos depois, olho para trás e vejo uma trajetória que só foi possível em razão do acolhimento das pessoas que vivem na cidade de São Paulo. Atualmente, vivo em Osasco e pastoreio a Primeira Igreja Unida de Osasco, desde 2005.  

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Flabenilto Machado Parreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Se tiver reclamação, o gabinete do prefeito é lá

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Escada rolante quebrada

Os deficientes físicos e idosos tem sofrido na Praça da Bandeira, centro de São Paulo. É que uma das principais escadas rolantes do terminal urbano que dá acesso à estação do metrô Anhangabaú está quebrada, há mais de um mês. O terminal, ainda não dispõe de elevadores e é comum os vigilantes carregarem pessoas nos braços. Quem não gostou de ver a escada sendo fotografada foi um agente a serviço da SPTrans: “Meu amigo, aqui não pode tirar foto não”. Questionado sobre o tempo da manutenção do equipamento, disse: “Aqui,eu sou só pau-mandado, quando manda, carrego até aleijado. se tiver alguma reclamação, o Gabinete do Prefeito é naquela janela lá,” apontando para o Palácio do Anhangabaú.

Acidente com ônibus: Eu já sabia, dizem ouvintes

 

Do helicóptero, com o Paulo Henrique Souza, veio a primeira informação de que o acidente de trânsito aparentava ser grave, dado o número de ambulâncias e a presença de um helicóptero do resgate no local. Do alto dava para ver que um micro-ônibus havia batido na traseira de um ônibus, na avenida Raimundo Pereira Magalhães, no Jaraguá, zona norte da capital paulista. De baixo, no serviço de apuração, começaram a chegar os detalhes como o número de pessoas feridas, 32 no total, e os motivos do acidente. O ônibus parou fora do ponto e o micro-ônibus estava em alta velocidade, disseram algumas pessoas próximas e passageiros. Do local, com a Luciana Marinho, registramos a imagem da imprudência – ou uma delas: o pneu liso, impróprio para circular, sustentava o micro-ônibus lotado de passageiros.

Desta ação da reportagem da CBN à reação dos ouvintes-internautas. O Luiz Alexandre escreveu que o problema é da falta de educação dos motoristas das cooperativas “que andam com ônibus (pneus) carecas, em excesso de velocidade, param no meio da rua e deixam um careca de cabelo em pé”. A Maria Aparecida reproduziu mensagem enviada duas semanas atrás na qual alertava para o desrespeito dos motoristas de lotação no local onde houve o acidente desta terça-feira. Em outro ponto da cidade, o Antônio Carlos Vianna comentou que “principalmente no horário de pico” os motoristas profissionais desrespeitam as rotatórias e põe em risco a segurança dos passageiros e pedestres, na Vila Madalena. E o Daniel Lescano diz que “os ônibus da linha Guarulhos-Estação Armênia desviam o trajeto pelas ruas residenciais de Vila Maria, cansei de denunciar a EMTU mas nada mudou até agora”.

À SPTrans, que deve fiscalizar a atuação de ônibus e micros na capital paulista, restou a constatação de que foi enganada, pois o micro com os pneus carecas havia passado pela vistoria dia 29.09: “Na ocasião apresentou todos os ítens de segurança em perfeito estado, inclusive pneus novos. A fiscalização da SPTrans vai abrir um processo para investigar a responsabilidade pela troca dos pneus do veículo, que agora, segundo observações da reportagem, apresenta pneus carecas ou sem condições de uso”.

Vamos aguardar !

Agora o outro lado

O motorista do micro-ônibus que se acidenteo na Raimundo Pereita de Magalhães foi afastado da função e passará por treinamento e avaliação física e psicológica, segundo informa a SMT em nota divulgada no fim da tarde desta quarta-feira, 14.09:

“A Secretaria Municipal de Transporte informa que afastou os dois motoristas de ônibus envolvidos em acidentes ontem e na segunda-feira. Um deles dirigia o micro-ônibus que colidiu na Avenida Aricanduva, na segunda-feira, deixando quatro feridos. O outro é o motorista do micro-ônibus que se chocou contra um ônibus, ontem, na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Ambos estão impedidos de dirigir e passarão por processo de reciclagem e avaliação de saúde física e psicológica, enquanto a Secretaria Municipal de Transportes aguarda a apuração de responsabilidade pelos acidentes, a ser feita por sindicância e por inquérito policial”.

SPTrans responde sobre “cemitério de ônibus” da CMTC

 

A SPTrans diz que ônibus da extinta CMTC tem sido leiloados e não podem mais rodar, pois tem mais de 10 anos. Foi resposta ao post “Cemitério de ônibus enterra dinheiro público em São Paulo” publicado no Blog e assinado pelo busólogo e repórter Adamo Bazani.

Leia a nota divulgada pela SPTrans:

“Em relação ao comentário feito pelo apresentador Milton Jung sobre terreno na Barra Funda que abriga antigos ônibus da CMTC, a SPtrans informa que esses veículos ficaram retidos por muitos anos devido a pendências judiciais relativas à extinção da CMTC.

Na medida em que são liberados, os ônibus são leiloados. Todos eles têm mais de dez anos de idade e não podem mais operar no transporte público municipal.

A SPTrans realiza os leilões periodicamente. No ano passado foram 6 leilões, neste ano foram 3 e o próximo está programado para setembro. A maior parte dos ônibus é vendida como sucata e vai para desmanches. A SPTrans espera conseguir esvaziar todas as garagens de ônibus antigos até 2012.”

Irregularidades em ônibus de São Paulo

 

Por Adamo Bazani

Levantamento do TCM – Tribunal de Contas do Município de São Paulo – realizado em todo, entre os dias sete e 30 de julho, em quatro terminais da cidade, apontou mais de 10 irregularidades, algumas gravíssimas, no sistema de operação de ônibus na Capital Paulista.

Foram fiscalizadas as rotinas do serviço nos Terminais Santo Amaro, Pirituba, Cachoeirinha e Carrão.
As falhas impressionaram os técnicos do TCM. Além de atrasos e partidas previstas não realizadas, alguns problemas chamaram a atenção:

– Havia ônibus fantasmas: Veículos que não constam na relação da SPTrans e outros que estão nas planilhas mas que nunca foram vistos.
– Ônibus com pneus carecas
– Veículos sem o GPS ligado, o funcionamento do aparelho é obrigatório. Caso desligado, a fiscalização fica impossível por parte da SPTrans.
– Ônibus com licenciamento vencido.
– Motoristas com mais de 20 pontos por infração de trânsito na carteira, o que o impede de dirigir.
– Ônibus relacionados em uma linha para a SPTrans, mas, na prática, operando em outras linhas.

O Tribunal de Contas do Município de São Paulo suspeita ainda que os contratos com a Prefeitura não são cumpridos, principalmente no tocante ao número de ônibus e viagens por linhas e empresas. O órgão pediu ao Poder Público e às empresas mais de 20 documentos para também apurar possíveis sonegação tributária e para certificar-se sobre a propriedade dos ônibus, já que há suspeita da existência de veículos fantasmas.

O processo do TCM já está em andamento e o relatório será concluído até a SPtrans e as empresas darem uma explicação quanto às irregularidades. Os trabalhos do Tribunal começaram depois de denúncias recebidas pelo órgão.

A SPTrans afirma que a fiscalização é intensa e tem total controle sobre o sistema. Em relação às irregularidades, o órgão de gerenciamento público explica que tem feito autuações. Até junho deste ano, segundo a SPTrans, foram feitas 11.296 autuações por não cumprimento de partidas e que recolheu 217 veículos com pneus sem condições de operação. A São Paulo Transportes afirma que já foram instaurados 237 processos, alguns pedindo a exclusão dos operadores.

Para o TCM, as medidas não estão sendo suficientes, já que leigos percebem as irregularidades.
O Tribunal não descarta o aprofundamento das investigações.

Números:

Na capital paulista são realizadas cerca de 6 mil partidas por dia. A frota é de 14 mil 832 ônibus, microônibus e vans. A SPTrans conta com 574 fiscais

Adamo Bazani é jornalista, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung