Mundo Corporativo: Cleber Morais, da AWS, diz como trabalhar na nuvem e manter os pés no chão

“Da mesma forma que eu quero entender qual é a necessidade do meu cliente, eu quero entender a necessidade do meu funcionário”

Cleber Morais, AWS-Brasil

O clique para você ter energia na sua casa, que possibilita que a luz da sala acenda, é o que inspira os desenvolvedores da computação em nuvem. Se quando surgiu, era necessário armazenar energia em geradores e você dependia do combustível que mantinha aquele gerador ligado, com a evolução tecnológica a energia passou a ser distribuída e entregue na sua casa, bastando você clicar no interruptor da parede. Por trás da ideia da computação em nuvem está a mesma lógica. Em lugar de você ter de armazenar uma quantidade incalculável de informação e dados em seu ‘gerador’, com a tecnologia basta dar um clique para acessar todo esse arsenal

Foi Cleber Morais, diretor geral da Amazon Web Services, no Brasil, quem fez essa relação para explicar o que é a computação em nuvem, ou qual é o negócio da AWS, o braço de serviços tecnológicos da Amazon. Na entrevista ao Mundo Corporativo, fomos além das nuvens. Ou aquém —- conforme o ponto de vista. Muito do que falamos estava ligado às relações aqui na terra, com clientes e com colaboradores:

“Eu acho que um pouco desse DNA nosso, que a gente chama de DNA de construtores, é que ajuda a fazer essa conexão entre as necessidades do cliente e  a motivação e propósito da minha equipe para trabalhar com eles”.

Há 18 meses, a AWS está com seus profissionais trabalhando de forma remota; e mesmo sendo uma empresa de inovação tecnológica e com infraestrutura disponível, encarou desafios no momento dessa migração. Para Cleber Morais, um deles foi manter a equipe próxima, e para isso criou-se uma série de novas dinâmicas com atividades que incentivassem o relacionamento entre os líderes e suas equipes, a começar por cafés da manhã e happy hours virtuais. Mapeou-se as necessidades dos funcionários, também, já que cada um tinha demandas específicas conforme as condições de trabalho em casa. 

Uma vantagem que Cleber identifica como tendo sido um facilitador neste momento —- seja na integração das equipes seja no atendimento aos clientes, que também enfrentavam dificuldades — é o sistema de trabalho que faz parte da formação da própria Amazon: a “regra das duas pizzas”. Uma ideia que surge do criador da empresa, Jeff Bezos, que consiste em ter equipes que jamais sejam maiores do que o número de pessoas que podem ser alimentadas adequadamente por duas pizzas grandes. 

“Com times menores, você ganha uma flexibilidade maior. Em alguns desenvolvimentos que a gente faz, a mesma pessoa que desenvolve aquele produto é a que dá a manutenção, é a que continua responsável. Isso trouxe para nós um diferencial de velocidade muito forte e esse diferencial ele reflete na atuação nossa com o cliente”.

Aqui cabe um parênteses: apesar do destaque em relação a funcionalidade da equipe de “duas pizzas”, que o Cleber Morais nos apresenta, hoje, internamente, a Amazon evoluiu para um modelo que tende a ser ainda mais eficiente: o dos times de líder de segmento único (single-threaded leader), como explicaram Colin Bryar e Bill Carr, autores do livro, sem tradução para o português, Working Backwards: Insights, Stories, and Secrets from Inside Amazon . Mas isso é um outro papo. 

Voltemos para nossa entrevista do Mundo Corporativo.

A AWS é quem desenvolve a computação em nuvem dentro da Amazon, mas está longe ter a empresa-mãe como única cliente. Um dos trabalhos que orgulham Cléber Morais, porque só foi possível explorando as possibilidades da computação em nuvem, é o que vem permitindo o desenvolvimento de startups brasileiras. O exemplo mais significativo é o do Nubank, fintech que nasceu em 2014 com a ideia de desburocratizar os serviços e produtos financeiros, e hoje tem valor que supera o tradicional e centenário Banco do Brasil. 

“A gente conseguiu através da onipresença da nuvem, através de incentivos da nuvem, criar um mercado que a gente chamou de startup, criar empresas que hoje estão aí como Nubank, como a VTX,  Como empresas que há sete anos, que é o caso do Nubank, iniciou com uma ideia e hoje é uma multinacional brasileira. Então, a gente é sim o grande habilitador da inovação para os clientes e, também, para um dos nossos clientes que é a Amazon, a gente também os ajuda”. 

A VTEX, que o Cleber lembrou na resposta acima, é uma plataforma de comércio colaborativo, que integra comércio digital, marketplace nativo e recursos de gerenciamento de pedidos. Startup que cresceu 98% durante a pandemia e, em setembro do ano passado, transformou-se em mais um unicórnio brasileiro; portanto, sendo avaliada em mais de US$ 1 bilhão.

Analistas do setor calculam que o mercado de computação em nuvem vai crescer na faixa de 34% ao ano. Um segmento que deve acelerar ainda mais com a chegada da tecnologia 5G no Brasil que multiplicará de forma exponencial o número de dados e informações que circulam na rede. Transformar isso em número? Para Cleber é difícil calcular. Ele prefere lembrar alguns aspectos da nossa vida que são influenciados pelo uso da nuvem:

“Hoje, grande parte das transações de PIX passam pela nuvem, grande parte do e-commerce que é feito globalmente passa pela nuvem, transações bancárias, pedidos de delivery. A quantidade de dados é muito grande e nos permite viver esse novo normal com o qual nos acostumamos cada vez mais. Imagine ficar alguns segundos sem WhatsApp?”

Para quem trabalha com nuvem, como manter os pés no chão? Foi a pergunta que fiz logo no início da nossa entrevista — e no vídeo você ouve a resposta inicial de Cleber Morais. Uso o mesmo gancho para introduzir aqui neste texto um tema que faço questão de compartilhar com você: o hábito da meditação. Foi nesse exercício que Cleber buscou o equilíbrio para enfrentar a pandemia:

“Eu fiz um curso de meditação com a minha família, aprendendo algumas técnicas. E eu trouxe para o meu dia a dia, meditando, aprendendo a fazer minhas aulas de yoga e ginástica de maneira virtual. O executivo tem que ter muito esse equilíbrio para poder passar à liderança e passar a motivação para sua equipe”. 

Investir na educação dos colaboradores e capacitar o mercado brasileiro são preocupações da AWS, de acordo com Cleber. Para os profissionais de uma maneira geral a empresa põe à disposição uma série de cursos que permite desenvolver o conhecimento sobre nuvem computacional. 

(e você pode conferir alguns deles por aqui)

Para os parceiros de negócio, a AWS tem avançado em programas específicos como o que está capacitando entregadores do iFood e mais de sete mil pessoas do setor de restaurantes para trabalhar e se beneficiar dos serviços em nuvem. A ideia central desses projetos e fazer com que as pessoas também possam, com um clique, ter acesso ao que há de mais avançado no tema. 

Para saber mais sobre computação em nuvem e conhecer outras estratégias de relacionamento interpessoal nas empresas, assista ao vídeo completo da entrevista que fiz com Cleber Morais, da AWS:

Este capítulo do Mundo Corporativo teve a participação da Izabela Ares, do Renato Barcellos, do Bruno Teixeira, da Priscila Gubiotti e do Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: a diversidade tem de estar no DNA da empresa, diz Manoela Mitchell, da Pipo Saúde

Manoela Mitchell, foto: divulgação

“Não adianta chamar para festa, tem que convidar para dançar. E eu acho que diversidade é muito sobre isso. Chamar para festa é a parte de contratação; convidar para dançar é a parte de manutenção dessas pessoas aqui dentro da empresa”.   

Manoela Mitchell, CEO Pipo Saúde

Única mulher em uma mesa de reuniões do fundo de investimento em que trabalhava, a economista Manoela Mitchell percebeu que mesmo tendo voz não havia ouvidos à sua disposição. No escritório, os colegas não escondiam o preconceito de gênero, e sempre se mostravam mais à vontade em dar atenção a alguém que se parecesse com eles. Apesar de o comportamento fazer parte daquele ambiente desde que chegou por lá, ainda muito jovem, as cenas ficaram mais explícitas a medida que Manoela amadureceu profissionalmente —- “quando fiquei mais velha”,  foi a expressão que usou na entrevista ao Mundo Corporativo; que me soou estranha considerando que ela tem apenas 29 anos.  

Lição aprendida, Manoela abandonou o mercado financeiro, uniu-se a Vinicius Corrêa, também economista, e Thiago Torres, desenvolvedor, e fundou a Pipo Saúde, uma corretora de benefícios que usa tecnologia e se apoia em dados para auxiliar o setor de recursos humanos das empresas na gestão de saúde dos colaboradores — consta que só no ano passado derrubou em 20% os custos de seus clientes com planos de saúde. Na empresa em que atua como CEO, Manoela assumiu a missão de ser uma indutora de ações em favor da diversidade no mercado de trabalho:  

“… mas eu tive um despertar muito mais verdadeiro, também, depois que eu me reconheci como pessoa LGBTQiA+. Então, como uma mulher lésbica, hoje casada com a minha esposa, eu acho que isso também passou a ser uma pauta muito mais importante na minha vida, né? Então, acho que esse levantamento dessa bandeira e a importância disso vieram há seis anos de maneira mais forte”. 

Atualmente, a Pipo Saúde tem 60% de profissionais mulheres; 40% são negros e pardos; 30% se identificam como LGBTQiA+; e 7% são trans. Não era assim lá no início, quando foi criada. Em 2019 … 

… curioso porque tudo que se ouve da história de Manoela Mitchell é tão recente quanto intenso … 

… eram de 10 a 12 pessoas trabalhando na startup, quase todas brancas, homens e heterossexuais. Assim que identificaram esse padrão, os fundadores assumiram o compromisso com a diversidade, conversaram com organizações que levam para o mercado de trabalho pessoas de grupos minorizados, montaram vagas dedicadas e criaram um modelo de processo seletivo para eliminar a influência do viés inconsciente: 

“No processo seletivo, eles não vão para esse lado da empatia com aquilo que eu sou. Fazemos perguntas mais neutras. Evitamos ver o currículo. Eu foco mais no questionário, nas perguntas e nas respostas. E a gente passou a contratar várias pessoas diversas, principalmente no começo de 2020”

E se é preciso convidar para dançar, como se diz no lema que já virou lugar-comum nas conversas sobre diversidade no Mundo Corporativo, a Pipo Saúde, ao chamar trans, pretos, pardos e outras pessoas com perfis diversos daqueles que costumam estar nas empresas, investiu em ações para que esses profissionais tivessem lugar de fala. Mas não só de fala. Até porque, como já contamos, Manoela Mitchell aprendeu lá no início da sua carreira, que não adianta dar voz, tem de oferecer a escuta, pois somente assim a empresa, seus gestores e colaboradores aprendem a tratar todos da melhor maneira possível. 

“Diversidade não é uma bandeira que se levanta. É uma coisa que passa a fazer parte do DNA da empresa. Só assim, você, de fato, cria uma empresa que vai ser diversa, que vai trabalhar essa pauta ao longo do tempo. Esse para mim é um ponto fundamental. Não dá para pensar: agora eu vou trabalhar para a diversidade; agora eu vou olhar para outra coisa. Eu tenho de olhar de maneira constante; e pensar em diversidade em vários momentos do funcionário dentro da empresa”

Tem muita pesquisa que ilustra com números as vantagens que as empresas têm do ponto de vista produtivo, criativo e financeiro quando criam ambientes inclusivos. Mas vamos ficar apenas com os resultados da Pipo Saúde para entender o quanto a diversidade pode oferecer de ganhos ao negócio. 

Em agosto deste ano, a empresa, que tem mais de 100 clientes empresariais, anunciou o aporte de R$ 100 milhões, liderado pela  Thrive Capital. Dizem os registros oficiais que esse foi o maior investimento em rodada séria A de qualquer healthtech e o maior já levantado por uma mulher no Brasil. Fui, então, saber o que significava isso e descubro que  “série A” é a rodada de investimento que foca startups que têm um modelo de negócios e um mercado de atuação bem definidos. O dinheiro chega para impulsionar a escala de produção, otimizar a distribuição de produtos e serviços e expandir a atuação da empresa no mercado. Um mês depois do depósito feito, a Pipo lançou um seguro de vida empresarial próprio. 

O investimento também servirá para ampliar o número de colaboradores da startup. Então, preparem-se, vem mais diversidade por aí.

Assista à entrevista completa com Manoela Mitchell, CEO da Pipo Saúde em que também falamos sobre tecnologia, inovação e gestão na área de saúde das empresas:

Neste capítulo, o Mundo Corporativo contou com a colaboração de Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti

Mundo Corporativo: Camila Farani diz porque para o empreendedor desistir não é uma opção

foto: camilafarani.com.br

“Empreendedor não tem nada de romântico. Empreendedor, o que eu costumo dizer, é GSS — é gastar sola de sapato”.

Camila Farani

A primeira meta com a qual se comprometeu, não alcançou. O que não significa que a frustração a tenha impedido de seguir em frente. Até porque sua chefe percebeu o esforço que fez para chegar onde havia prometido e decidiu pagar-lhe uma parte do lucro alcançado. A funcionária que assumiu o risco ao propor inovação no cardápio de uma cafeteria era Camila Farani. A chefe era a mãe dela. Essa história em família marcou o início da carreira de uma empreendedora que hoje se dedica a investir em novos empreendedores.

Camila é sócia-fundadora da butique G2 Capital e uma das maiores investidoras-anjo do Brasil, que ganhou popularidade como jurada da versão brasileira do programa Shark Tank, do canal Sony. Na entrevista ao Mundo Corporativo, ela contou o caso vivenciado aos 20 anos para explicar o primeiro gatilho que teve no sentido de enxergar a carreira a seguir. A mãe aceitou premiá-la a despeito de não ter conseguido aumentar em 30% o faturamento da loja de café. Primeiro porque o resultado ficou bem próximo —- o aumento foi de 28%. E, segundo, porque aquele foi o primeiro aumento nominal registrado pela loja em quatro anos de funcionamento:

“Foi aí que eu tive a certeza que, se eu fizesse um benchmark ou olhasse o que estava acontecendo no Brasil, no mundo, nas redondezas, e eu fizesse diferente, mas que eu tivesse atitude para implantar, porque senão seria só uma sonhadora, eu podia fazer alguma diferença. E esse foi meu primeiro gatilho empreendedor”.

Foram necessários outros tantos anos para que o aprendizado sobre empreendedorismo a transformasse em um sucesso. Antes disso, novas frustrações surgiram na jornada de Camila. Uma delas foi entre 2015 e 2016, quando estava disposta a desistir de levar a diante a rede de cafeteria que havia criado, a partir daquela experiência em família. Foi o bate-papo com uma amiga e atleta profissional de esgrima que a impediu de abandonar aquela carreira. 

“Camila nós atletas, a gente, sempre está competindo; a gente está sempre machucada de alguma forma; com alguma lesão e a gente compete mesmo assim”

Foi o que Camila ouviu da amiga e a convenceu a seguir em frente. Também foi uma das inspirações para escrever o livro “Desistir não é opção — o caminho mais rápido entre a ideia e os resultados se chama execução” (Editoria Gente). O livro é resultado de um movimento que lançou no início da pandemia, usando a força de seu nome em rede social, e mobilizando 720 mil empreendedores

“Eu peguei a câmera e falei assim: é o seguinte, você que tá aí pensando em desistir, eu vou falar para você que desistir não é uma opção para gente, porque você, agora que é empreendedor, agora é o momento de você falar a que você veio”.

Na conversa com outros empreendedores, Camila fala de estratégias que precisam ser consideradas na abertura de um negócio e de riscos que existem nessa jornada. Como se percebe na frase que abre este texto, Camila faz questão de desmistificar a imagem do empreendedor ao ratificar a ideia de que não se deve romantizar a atividade. Diz que, primeiro, é preciso evitar o que identifica como “egolândia” do empreendedor; segundo, estar atento aos números, sem ser aficcionado neles, para que esses não o impeçam de adotar medidas necessárias; e, terceiro e mais importante, é você deitar a cabeça no travesseiro e se sentir realizado.

“A gente fala sobre felicidade, de fazer o que gosta. Acho que há. momentos em que você vai, inevitavelmente, fazer o que você não gosta, vai estar em posição que você não quer … A gente não pode fazer o que a gente gosta 150% do tempo. Eu tenho a responsabilidade de mostrar às pessoas os desafios para empreender para que achem que é fácil, porque é difícil pra dedéu”.

Para a entrevista ao Mundo Corporativo, Camila deu a entender que teve de interromper um desses trabalhos chatos do empreendedor, em especial aqueles que como ela têm a responsabilidade de avaliar cuidadosamente as propostas de negócios, as ideias em desenvolvimento e os projetos de empresas que aparecem sobre a mesa. Sabe que a vida nem sempre será o glamour que assistimos no programa de televisão em que participa, com iluminação própria, cabelo bem feito e maquiagem irretocável. Tem de estar com o pé no chão (ou em cima da mesa, como ela descreveu a cena antes de iniciar a gravação) e o olho nos dados e informações. Foi assim que construiu o portfólio da G2 que hoje tem cerca de 40 startups investidas, em um total de R$ 35 milhões, e a fama de ser a melhor investidora-anjo do Brasil. Muito de tudo isso resultado de algo que ela identifica ser uma das suas característicasL a inquietude.

“Então, o segredo da inquietude é que a inquietude ela vai nos levar a lugares onde os acomodados nunca vão estar. É a gente usar a inquietude, né, não como uma forma negativa. Porque a inquietude ela vai te levar aquele lugar. Agora, é óbvio que você tem que pegar ela, drenar essa energia positiva que você tem e drenar para os seus objetivos. E foi isso que eu fiz”

Antes de voltar aos seus projetos, Camila deixou três dicas para quem pretende crescer como empreendedor —- seja naquela papel tradicional de quem toca uma empresa ou realiza um serviço, seja sendo protagonista da sua própria carreia como profissional dentro de uma emrpresa:

Você não sabe tudo

Você não tem como executar tudo ao mesmo tempo

Você precisa ter humildade para entender que a vida é “dia a dia”.

Assista ao Mundo Corporativo com Camila Farani:

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas, no site, no Youtube e no Facebook da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo.

Mundo Corporativo: Felipe Mansano diz o que é preciso para sua startup ser descoberta por investidores

“Normalmente, os investimentos em startup têm esta característica: quem investe está procurando empresas que podem escalar, e, geralmente, a maneira mais eficaz é uma solução que é ancorada em um aspecto relevante de tecnologia”  — Felipe Mansano, Equitas VC

Mudar a maneira como profissionais de tecnologia são recrutados, migrar uma escola de programação para o cenário online e desenvolver conteúdo para provas de residência médica. Essas são algumas das ideias surgidas em startups que tiveram seus negócios alavancados com a participação de fundos de venture capital ou de investimento de risco. Todos esses projetos foram desenvolvidos no Brasil, país que tem assistido ao longo da última década um crescimento acentuado no número de empreendedores que se pautam em negócios digitais. Para Felipe Mansano, da Equitas VC, é importante ter esse ecossistema, do qual fazem parte  fundos, empresas e pessoas dispostas a investir em startups.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Felipe falou de oportunidades que existem atualmente no Brasil para quem cria e para quem investe:

“Na hora de fazer negócio é muito importante que as duas partes, tanto a gente como o empreendedor, além do dinheiro, avalie como esse investidor vai me ajudar a fazer para que o meu negócio alcance seu potencial. Nós acreditamos que é neste aspecto que mora a oportunidade, porque no Brasil tem mais escassez de conhecimento e de execução do que de capital — especialmente no cenário agora de juros muito baixo”

Os fundos de venture capital buscam empresas com foco na tecnologia porque são negócios que podem crescer em escala, o que atrai investidores dispostos a colocar o seu dinheiro em empreendimentos que estão em estágio inicial e a aguardar de sete a dez anos para terem o retorno financeiro: 

“É um jogo de longo prazo, mas para a empresa que dá certo, o retorno é 50 a 70 vezes o investido”.

Algumas dicas de Felipe Mansano que facilitam a atração de investidores para o seu negócio:

Como a maioria dos negócios está se iniciando, boa parte da aposta do investidor é na qualidade do time que está envolvido no projeto, portanto atenção na equipe de trabalho.

Identifique o diferencial competitivo deste time em relação ao desafio que a empresa está disposta a resolver,

Não adianta ser o maior peixe em um aquário pequeno, ou seja, é importante que você tenha solução para um problema grande; lembre-se, o investidor quer empresas com potencial de crescimento em escala.

—  Tenha clareza da concorrência; se houver muitas empresas oferecendo solução para aquele problema que você se propõe a resolver a chance de se destacar é menor

—  Mostre como a receita da empresa vem crescendo mês a mês; essa informação permite que o investidor avalie a adesão do mercado ao seu negócio, o quanto o mercado está vendo de valor na sua ideia.

Erros que podem atrapalhar o seu negócio:

Os fundadores da empresa terem apenas uma parcela do negócio: quanto menor a participação, menor é a disposição para enfrentar os desafios 

Não ter clareza do tamanho do seu mercado: o investidor precisa desta informação.

Ter empresas que não têm potencial de crescer em escala, geralmente não estão inseridas em tecnologia, uma característica que permite que o negócio se desenvolva de maneira rápida.

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, no Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e pode ser ouvido em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Alessandra Andrade, da FAAP, diz como transformar a sua ideia em um bom negócio

 

 

“Quando a gente é louco o suficiente para achar que a gente pode mudar o mundo, a gente realmente pode mudar então se algo não dá para fazer agora, talvez daqui um ano dê porque as tecnologias vão mudando, as fórmulas vão mudando acredite no seu sonho e vai em frente” — Alessandra Andrade, FAAP

É crescente o desejo de jovens em lançar o seu próprio negócio em vez de buscar um emprego no mercado de trabalho —- fenômeno que também se vê em outras faixas etárias. Isso gera necessidades que vão além do conhecimento técnico que se costuma desenvolver dentro das universidades. Para atender a essa demanda, instituições de ensino superior têm criado espaços para a inovação e o empreendedorismo, como é o caso da Fundação Armando Alvares Penteado, uma das mais tradicionais faculdades de São Paulo. O jornalista Mílton Jung entrevistou no programa Mundo Corporativo, Alessandra Andrade, gerente do FAAP Business Hub, um espaço que ela define como sendo “a startup da FAAP”, onde novas ideias são testadas e em que errar faz parte da busca do conhecimento:

“Hoje, mesmo antes de você ter o seu CNPJ, de você abrir a empresa ou não, você vai falar com o cliente, o foco é no cliente. E esse é o mindset, hoje, do mundo corporativo, do mundos dos negócios, do mundo das startups, onde você testa. Hoje, você não precisa mais de escritório, você não precisa mais do cartão de visitas; você precisa é ter uma boa solução”

Na entrevista, Alessandra Andrade identificou três setores que têm criado ótimas oportunidades para startups: o agronegócio, pela capacidade agrícola do Brasil; o financeiro, através do fenômeno das Fintecs que têm ocupado espaço que era de bancos tradicionais; e o varejo, no qual, depois da explosão do comércio eletrônico, as lojas físicas têm ganhado nova relevância como ambiente de relacionamento com os clientes e pontos de coleta de informação e dados.
 

 

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Mundo Corporativo: Vitor Magnani dá dicas para quem quer abrir uma startup

 

 

“O que tem de diferente das startups para as empresas mais tradicionais é o foco no problema, não necessariamente em replicar o modelo que já existe para obter lucro. Então, um dos erros é esse, você não ter esse foco para dar os primeiros passos nessa startup” —- Victor Magnani, ABO2O

Dedicar-se integralmente no negócio e identificar com clareza qual o problema que pretende solucionar são ações fundamentais para quem pretende lançar uma startup. Além disso, é preciso ter uma rede de relacionamento capaz de agregar bons sócios e colaboradores, montar um time complementar e buscar os mentores corretos. Essas são algumas das muitas dicas que Vitor Magnani, da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), apresentou em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Magnani atuou no iFood e, hoje, está na Loggi, duas empresas que têm as características próprias da nova economia. Recentemente, escreveu o livro “O mundo (quase) secreto das startups — guia prático para criar uma empresa de sucesso” em parceria com a jornalista Caroline Marino. Ele é professor da FIA, ESPM e IED, e especialista em inovação:

“Inovação é combinar, seja assunto seja conhecimento —- um advogado, por exemplo, precisa sair do seu círculo de advocacia e absorver outros conhecimentos para quem sabe propor algo novo. É diferente de disrupção que é passar de um paradigma para outro —- por exemplo, nós não tínhamos serviço privado e individual de passageiros nas cidades e hoje essas empresas trazem uma mudança cultural”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN ou domingo, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Hermínio Bernardo, Bianca Klirklevisque e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: as oportunidades que as startups têm nas parcerias com grandes empresas

 

“Uma dica que eu gostaria de reforçar muito grande é que os empreendedores que tenham ideias mirabolantes pensem no seguinte: a minha ideia soluciona qual problema?” — Paulo Quirino, Samsung Brasil

A busca pela inovação tem levado grandes corporações a criar projetos de incentivo ao desenvolvimento de startups e isso tem se transformado em excelente oportunidade para esses novos empreendedores. Para identificar como essa parceria pode ser benéfica para ambos os lados, o Mundo Corporativo da CBN entrevistou Paulo Quirino, coordenador de startups da Samsung Brasil:

“Muitas vezes a empresa, dado que ela tem um conjunto de regras, normas, ela acaba matando o processo de inovação quando ela adquire necessariamente uma startup para vir trabalhar dentro dessa empresa. Então, o que as empresa tem feito são programas de aceleração corporativa ou programas de investimentos corporativos em startups que dentro do seu ambiente conseguem inovar muito mais rápido para o mercado”.

O Mundo Corporativo é apresentado pelo jornalista Mílton Jung e pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, na página da CBN no Facebook e no Twitter (@CBNOficial). O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo às 10 da noite em horário alternativo. Colaboram com o programa Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vasconcellos e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Ricardo Geromel fala dos novos negócios da China

 

 

“Não só ver a China como um mercado para importar produtos baratos e geralmente de baixa qualidade — como era no passado. Mas ver a China como pera aí, o que é que está acontecendo no futuro que ainda não chegou aqui? … e a gente fazer um colar e copiar, tropicalizando ou se inspirando em algumas ideais. E os grandes empresários brasileiros e do mundo inteiro estão fazendo isso” – Ricardo Geromel, empreendedor

A China tem 202 startups avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares — são empresas de capital fechado conhecidas pelo nome de unicórnio. Aqui no Brasil, o número de unicórnios não chega a dez.

 

As empresas chinesas levaram, em média, quatro anos para alcançar a essa marca, sendo que 42% delas ganharam o status em menos de dois anos —- um processo que leva, em média, sete anos, nos Estados Unidos.

 

Esses são alguns números que mostram a velocidade com que o ecossistema de startups se desenvolve na China, segundo Ricardo Geromel, CEO da StartSe, empresa criada em Minas Gerais e com escritório em Xangai, articulista da revista Forbes, nos Estados Unidos, e autor do livro “Bi.lio.ná.ri.os”.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, ao programa Mundo Corporativo, Geromel disse que a boa notícia é que as bilionárias empresas chinesas estão em um processo de internacionalização e interessadas em novos negócios no mundo, o que abre perspectiva de parcerias com empreendedores brasileiros. Ao mesmo tempo, ele chama atenção para a necessidade de se aprender com as estratégias usadas pelos chineses:

“O que eu diria que é o essencial: o chinês tem o tal do yin e yang, ele consegue funcionar a longo prazo executando no curto prazo; então, comece a criar relações com os chineses, eles nunca gostam de fechar negócios na primeira reunião, a primeira reunião é para a gente se conhecer”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo Twitter (@CBNoficial) ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Kirklewski e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: o desconhecimento jurídico trava o desenvolvimento de startups no Brasil, diz Eduardo Matias

 

 

 

Para 67% dos empreendedores a maior causa de fracasso das startups é o desentendimento entre sócios a respeito de questões que não estavam previstas no acordo prévio — a falta desses cuidados legais também faz com que boa parte dos investidores tenha receio de colocar dinheiro em um novo negócio.

 

Ao não considerar os tributos na hora de fazer o planejamento, 46% dos empreendedores dizem ter sofrido no bolso; enquanto 34,43% disseram ter dificuldade na contratação de funcionários em razão de não conhecer as possíveis modalidades jurídicas de formalização do vínculo empregatício e 39,34% encontraram problemas por já existir registro de um domínio eletrônico igual ao que pretendiam utilizar.

 

Esses foram alguns dos resultados encontrados pelo Panorama Legal das Startups, pesquisa realizada pelo escritório NELM, que entrevistou 108 companhias brasileiras. O advogado Eduardo Felipe Matias, entrevistado por Mílton Jung no programa Mundo Corporativo, foi um dos coordenadores do estudo. Ele falou, também, sobre a importância de o Estado criar condições para o desenvolvimento de startups:

 

“A gente está vivendo uma verdadeira revolução: uma revolução tecnológica —
uma quarta revolução industrial. O Brasil vai ficar para trás nesta onda ou ele vai conseguir acompanhar? E para isso o papel do Estado é fundamental. Então, como ele pode ajudar? Ele pode ajudar tornando o ambiente do negócio melhor ou pode ajudar tornando as pessoas mais preparadas para o ambiente inovador, para inovarem, para empreenderem”

GIRL Boss uma trilha para o topo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Para as jovens que querem chegar ao poder trabalhando em funções que amem surge agora a proposta da 99jobs.com. Uma startup especializada em Recursos Humanos focada em grupos específicos.

 

Girl Boss, de acordo com Andressa Schneider, idealizadora, é um programa de lideranças femininas dentro da área de Recursos Humanos — de forma a capacitar profissionais que poderão formar mulheres aptas a ocupar o topo das organizações.

 

No momento, está iniciado o processo de recrutamento e seleção para os três segmentos em que o projeto se compõe. Para graduandas como estagiárias, que desejam adentrar na área de RH. Para jovens já formadas e pós-graduandas com 2 a 3 anos de experiência, mas que não podem trabalhar em regime integral. E para formadas e pós-graduandas com experiência de 4 a 5 anos. Respectivamente são designadas como Estagiárias, Travelers e Girls Boss.

 

As aprovadas trabalharão dentro do projeto servindo aos clientes da 99jobs.com na área de RH. Dentro de um processo que se diferencia pela absoluta participação feminina em todas as fases. Com destaque para o monitoramento qualificado por profissionais que ocupam relevantes cargos em ícones do mercado empresarial.

 

A receita idealizada por Schneider vem contemplada pelos ingredientes adequados na busca pela eficácia também no aspecto dos clientes. Numa carteira nada modesta de uma centena, há super stars do mercado: Globo, Vale, Natura, Heineken, Microsoft, Magazine Luiza, ESPN, Renner, Toyota, Unilever, Votorantim, Comgas, etc.

 

Que tal uma carreira que leve ao topo fazendo o que gosta?

 

Bem, se não for possível, afinal o gosto pode ser algo intangível, procure ao menos gostar do que faz.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung