Sua Marca: como os planos de milhagem seduzem os clientes

Clooney e Goran em cena de ‘Up in the air’

“Os clubes, seja o formato que tenham, vieram para ficar. Eles atendem tanto a necessidades humanas como a objetivos mercadológicos” 

Cecília Russo

Ryan Bingham, interpretado pelo charmoso George Clooney, tem por profissão demitir pessoas. A frieza com que exerce sua atividade se contrapõe a paixão que tem por viagens e hotéis —- prazeres que ele curte enquanto cruza os Estados Unidos para cumprir sua função.  Em uma das cenas do filme “Up in the air” ou “Amor sem escalas”, Ryan está em um balcão de bar ao lado de seu affair Alex Goram (Vera Farmiga); e os dois seduzem um ao outro brincando com seus cartões de crédito ultra-especiais, resultado de vantagens e programas de fidelidade dos quais são beneficiários. 

Aqui começa a relação do filme —- lembrado por Jaime Troiano —e o tema de mais um episódio do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Empresas e marcas criam clubes especiais para conquistar a fidelidade de seus clientes. São planos prime, masters, platinum, gold …. e quanto mais valor o nome puder expressar, melhor. Do ponto de vista emocional existem dois mecanismos que movem as pessoas a fazerem parte desses clubes: a busca pela diferenciação e pelo pertencimento.

“Pertencer e ser diferenciado, algo quase paradoxal; ao mesmo tempo que queremos parecer diferentes, queremos também fazer parte de alguma coisa, queremos pertencer, estar junto dos escolhidos… “ — Cecília Russo

Diferente no filme é George Clooney ou melhor Ryan Bingham que, em pleno voo, recebe das mãos do comandante do avião um cartão oferecido aos raros clientes capazes de alcançar 10 milhões de milhas. No cartão, está estampado um número de telefone que a empresa de benefícios reservou apenas para ele: quando precisar de alguma coisa, haverá um funcionários exclusivo aguardando para atendê-lo.

Para Jaime Troiano, os mecanismos que movem os sentimentos dos clientes trazem quatro benefícios para as marcas: 

  1. As marcas conseguem levar propostas diferenciadas aos clientes e precificar também de forma diferenciada, superior. Ou seja, passa a ser um grupo de pessoas que traz uma rentabilidade maior para as empresas. 
  2. A fidelização dos clientes. Engajar consumidores em um clube, trazendo vantagens para eles, é uma das melhores formas de garantir que esses clientes fiquem satisfeitos e construam vínculos mais duradouros. Pode ser na escolha da companhia aérea ou até mesmo numa loja que cria uma fila especial para os escolhidos. 
  3. A customização das ofertas. No lugar de pensar em produtos para todos, quando o público é mais homogêneo, a criação de produtos e ofertas fica mais direta. De certa forma, consigo trazer algo mais pertinente se conheço este público melhor e, assim, sou mais assertivo e consequentemente melhoro o desempenho de vendas. 
  4. A possibilidade de fazer uma comunicação mais relevante porque a marca conhece melhor as pessoas. Branding depende de conhecer gente e essa é mais uma forma de conhecer o seu cliente.

Falamos de George Clooney, companhias aéreas, hotéis e atendimento de luxo. Mas a estratégia de gerar fidelidade do cliente com benefícios especiais pode ser adaptado para todos os tipos de negócio —- independentemente da condição financeira do seu publico-alvo. Basta um pouco de atenção ao que o consumidor deseja e criatividade. 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca: apesar do sucesso da Barbarella, marcas ainda vão precisar muito da Jussara

Reprodução da cena do filme ‘Barbarella

Quem lembra de Jane Fonda? Todos nós lembramos. 

Quem lembra de Barbarella? Jaime Troiano, com certeza.

Foi ele quem citou, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, o filme batizado com o nome da personagem principal que é um clássico nonsense dos anos de 1960, e levou às telas a atriz que se transformaria em símbolo de rebeldia. No início de carreira, Jane Fonda destacou-se por sua performance sensual; em seguida por um talento contagiante; e, ao longo da vida, por sua coragem em se posicionar politicamente: foi marcante quando se declarou contra a Guerra do Vietnã; mais recentemente, aos 83 anos, tem se expressado como ativista em defesa ao meio ambiente, ao feminismo e a equidade de gênero.

Em Barbarella, Jane Fonda faz o papel de uma astronauta que é convocada pelo presidente da Terra para enfrentar o inimigo que está prestes a usar uma arma de raio positrônico que acabaria com a paz no universo. Na busca pelo vilão, é exposta a uma máquina capaz de matar suas vítimas de prazer, o Orgamastron. Bem, o resto você assiste por ai, no vídeo mais próximo da sua tela (e souber onde podemos rever o filme, nos conte).

De nossa parte, lembramos de Barbarella porque Jaime Troiano tem boa memória e procurava algo para ilustrar o tema que serviu de conversa entre ele, Cecília Russo e eu, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Falávamos da relação das marcas com seu público através de tecnologias virtuais. O Magazine Luiza tem a Magalu. O Bradesco nos apresentou a Bia. E por aí vai …  Todas personagens virtuais de enorme sucesso na prestação de serviços aos clientes.

Barbarella também foi um sucesso na época em que foi lançada, mas foi uma promessa que não se realizou, pondera Jaime em um tom que me pareceu de lamento — talvez resultado de suas memórias afetivas.

O fato é que, sem desdenhar dos avanços tecnológicos — aqui não tem negacionista —, a relação pessoal ainda é muito relevante, destaca Cecília Russo: 

“Por mais que as tecnologias avancem e tornem o digital quase real, ele não é real: tecnologia é sempre virtual. A gente precisa desse contato humano para a nossa própria sobrevivência”.

A pandemia, aliás, nos alertou para essa necessidade. Quando já acreditávamos que o mundo migraria para o virtual, percebemos o quão importante é o olho no olho, o abraço, a troca de ideias ao vivo ou a visita a uma loja:

“A gente vive desses sentidos, do toque, do olhar do cheiro, do aconchego”. 

Para Jaime e Cecília, as relações que as marcas criam com as pessoas pelo digital são bem-vindas, mas ganham mais valor quando a troca de afetos acontece. 

“A assistente virtual ainda não sorri de verdade, não te responde quando você questiona se é possível trocar um ingrediente pelo outro quando pedimos um prato nem tem a espontaneidade que prezamos nas relações diretas”, diz Cecília.

Espontaneidade não falta para a Jussara.

Você conhece a Jussara? O Jaime conhece.

Jussara trabalha em uma distribuidora de vinho, em Minas Gerais. Toda vez que o Jaime liga para lá, é com ela que conversa. Jussara, de carne, osso e alma, não vende apenas os vinhos, ela cria o ambiente propício para a compra, convence-o tecnicamente e, também, se envolve na escolha: 

“… para que eu comece a beber (o vinho) no telefonema”.

Esse é um aspecto relevante nessa comparação entre o atendimento virtual e real. E um fator que desafia os desenvolvedores de tecnologia, que trabalham baseados em algoritmos —- uma sequência de dados que faz muito mas não faz tudo: 

“Hoje, com os algoritmos, as lojas virtuais empurram produtos, achando que me conhecem. Ou me conheciam. Afinal, o algoritmo sempre olha para trás para projetar o futuro. Quem disse que meu futuro é apenas espelho do meu passado?”

Antes que você deixe esse texto em busca do filme Barbarella (ou da Jussara), Cecília Russo diz qual é a nossa marca de hoje

“Inteligência em gestão de marcas é pensar a melhor forma de integrar esses dois universos”. 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, sonorizado pelo Paschoal Júnior:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca: “comunicar é namorar”

Reproduçao da cena de “Breakfast at Tiffany’s”

“Esqueçam aquele mito de que marca se escolhe é na hora da compra” 

Jaime Troiano

Audrey Hepburn, no papel de Holly, tem uma bebida em uma das mãos e come um sanduíche diante da vitrine da loja de luxo Tiffany, em Nova Iorque. O olhar está vidrado nas joias de uma das marcas mais desejadas do mundo. Essa cena que abre o filme “Breakfast at Tiffany’s” ou “Bonequinha de Luxo”, como foi batizado no Brasil, ilustra como funciona a relação das pessoas com as marcas.

Jaime Troiano e Cecília Russo, especialistas em branding e comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso dizem que a transformação do consumidor em cliente se assemelha a aproximação de duas pessoas que descobrem que têm coisas em comuns ou complementares:

“Não se escolhe noiva no altar. Ou seja, consumidores namoram marcas, ficam noivos e a compra é apenas a celebração do compromisso” — Cecília Russo

Aproveitando o sábado, em que se comemora o Dia dos Namorados, Jaime lembra que independentemente das formas que os namoros têm assumido, existem coisas que são clássicas:

“Uma certa química que aproxima: o olhar, o jeito, o toque ou qualquer elemento que o outro projeta e que te engancha …. o namoro não acontece porque se tem uma necessidade fria pelo outro, acontece porque tem os ingredientes típicos de um enamoramento”

As marcas também emitem sinais, mensagens, traços de sua personalidade, que são valorizados e compreendidos pelos consumidores. Cecília Russo ensina que para essa relação ser um sucesso é preciso alimentar esses sentimentos e a comunicação tem papel essencial:

“A comunicação traz esses ingredientes do namoro. Comunicar é namorar”.

Como o casal que apresenta o programa também está enamorado há muitos anos, sabe que a manutenção desta atração é sensível e precisa ser cuidada no dia a dia para que, se a relação não for eterna, ao menos seja “infinita enquanto dure”, como escreveu Vinícius de Moraes.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e saiba, também como a ideia de transformar o namorado em noivo, ou melhor, o consumidor em cliente funciona nos relacionamentos digitais:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ao ar, sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN 

Sua marca: histórias criam sentido para a marca

“Pense que história sua marca tem para contar”

Cecília Russo

O primeiro filtro de café foi criado pela dona de casa alemã Melitta Bentz, em Dresden, em 1908. Resultou do incômodo que causavam os percoladores de café e os sacos de linho, usados até então, que deixavam a bebida muito forte e com resíduos. Após algumas tentativas, Melitta fez pequenos furos no fundo de uma caneca de latão e usou um pedaço de papel do caderno escolar de um dos filhos. O resultado foi excelente e aprovado pela família. Ela e o marido decidiram, então, comercializar o produto e, um ano depois, com a patente já garantida, venderam 1.200 filtros de café em uma feira em Leipzig. Hoje, a Melitta fabrica mais de 160 itens ligados a café — de filtros a cafeteira. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo destacaram a importância das marcas e produtos saberem contar as suas histórias, porque são elas que dão alma e sentido ao negócio.

“Quem trabalha com as marcas precisa muito conhecer a história, aquilo que aconteceu, que está na raiz e na origem dessas marcas”, Jaime Troiano.

Dia desses, Jaime e Cecília estiveram no Le Pain Quotidien, restaurante em um dos shoppings de luxo de São Paulo, e tiveram a curiosidade de entender o logotipo que acompanha a marca do local. O gerente da casa explicou a relação do desenho com o pão feito no forno. Eles descobriram que a história reforçava o compromisso da rede de restaurantes com o pão de qualidade.

“Em marcas, as histórias fazem muito sentido e nessa linha histórias que são verdadeiras criam o sentido de engajamento” — Cecília Russo

Em um cenário no qual o consumidor recebe uma série de estímulos, gerar histórias que constróem memória se torna fundamental. Até mesmo casos que surgem a partir de erros cometidos na fabricação de produtos. E no programa, Jaime e Cecília lembraram duas desses histórias.

A primeira eles conheceram ao entrar em uma loja da Bauducco, em São Paulo, que expõe em suas paredes a historia da criação do panetone, nome que tem origem no Pani di Toni, um padeiro de Milão, que errou a receita do pão e para corrigir o produto começou a acrescentar frutas cristalizadas. 

A segunda é do post-It da 3M que surge a partir de um adesivo de baixa aderência criado por Spencer Silver para o qual outro colega de empresa, Art Fry, encontra uma funcionalidade que se transformou em um estrondoso sucesso internacional.

“Nossa memória é seletiva, nunca esqueci dos serões da Dona Benta que contava histórias. E por ser seletiva é ainda mais importante. Use histórias a favor de sua marca, criando conexões mais profundas” — Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca: marcas brasileiras precisam mais de São João do que de Halloween

“Temos de ser mais São João do que Halloween”

Jaime Troiano

Como brasileiros gostamos bastante de festas juninas —- sim, estamos às vésperas do início dos festejos —, uma atividade genuinamente nacional. Esse mesmo sentimento, porém, nem sempre se reflete na nossa relação com as marcas. O que está por trás desse olhar estranho às nossas marcas?  O malinchismo pode ser uma resposta, disse Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. 

La Malinche é como Malinalli Tenépatl, de origem nahuátl, passou para a história. Ela é apresentada como amante de Hernán Cortés e o teria ajudado, como tradutora, na Conquista da América pelos espanhóis. Virou substantivo. Significa algo como aquele que valoriza o estrangeiro em detrimento de sua cultura. Para Jaime, o malinchismo em relação às marcas é um traço latino-americano, não apenas brasileiro: 

“Valorizamos marcas estrangeiras, palavras estrangeiras …” 

Cecília Russo destaca que esse comportamento não parte apenas do consumidor. É das próprios gestores das marcas. Para ela, muitas vezes falta o sentido de orgulho, de bater no peito e se afirmar como merecedora de prestígio:

“Tem muita marca que parece que já entra no jogo combalida, perdendo antes do apito de início do jogo, meio com um espírito vira-lata”.

Mas há esperança. E bons exemplos a negar essa prática.

A Natura é uma delas — uma brasileira que faz história, ressalta sua brasilidade e sai pelo mundo na compra de outras marcas, como The Body Shop, Aesop e Avon. Tem o exemplo dos bancos, também: Itau e Bradesco, as marcas mais conhecidas no setor são nacionais. E o clássico caso da Havaianas: 

“Ela entra no jogo batendo no peito e isso faz toda a diferença (traz até a bandeira brasileira no seu produto)”

Para aproveitar melhor esse potencial que marcas brasileiras têm, Jaime e Cecília  sugerem que os responsáveis pelo ‘branding’ — ops, perdão pelo estrangeirismo —  busquem espaço próprio em lugar de apenas reproduzirem modelos estrangeiros. Devemos usar o ‘benchmarking’— caramba, de novo? —- que é entender as referências inspiradoras em uma área de negócios, mesmo aquelas que estão no exterior, e criar soluções próprias, diz Cecília:

“O problema é que ficamos mais reprodutores de modelos do que criadores de soluções legítimas e nossas” 

Por fim, mesmo que pareça contraditório, as marcas devem ganhar respeitabilidade e valor do lado de fora do país para aumentar seu prestígio aqui entre nós. Ou seja, usar o malinchismo a favor das marcas.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Sua Marca: o que você faria se tivesse o poder da invisibilidade?

Assine o podcast de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

“Há marcas e empresas que imaginam ter um Anel de Giges. Que supõem que aquilo que se pratica do lado de dentro, ninguém vê do lado de fora Cada vez mais, é uma doce ilusão” — Jaime Troiano

Giges era um camponês que roubou o anel de um cadáver e descobriu que ao girá-lo no dedo tornava-se invisível. A partir de então passou a ter o poder de fazer tudo aquilo que bem entendia. A história que se passa no século VII a.c, contada por Heródoto, e aparece também em A República de Platão, nos impõe dilemas éticos profundos e já foi analisada por diversas dimensões. Aqui no Brasil, recentemente, o economista e professor Eduardo Giannetti lançou o livro “O anel de Giges: uma fantasia ética”, no qual diz:

“O anel da invisibilidade atiçou a fera da ambição desmedida e tornou visível o sonho de glória, proeminência e poder adormecido na alma do humilde pastor” 

Inspirados pelo texto, Jaime Troiano e Cecília Russo traçaram um paralelo entre a história de Giges e as marcas. A começar pela ideia de que a invisibilidade é cada vez mais impossível, especialmente diante das conexões digitais que vivemos. Há também uma pressão maior da opinião pública pela transparência dos atos de uma empresa e isso significa agir internamente da mesma forma com que se apresenta externamente:

“A maioria das marcas está consciente de que a invisibilidade não existe mais … mas talvez esses desejos escondidos, recônditos, de cometer um pequeno deslize no mercado, ainda que seja pequeno, e possa gerar bons resultados, devem estar nos sonhos de alguns gestores”, alerta Jaime.

Cecília cita uma das frases clássicas de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso para explicar o risco de se cair na tentação de Giges: marca não é tapume. E aproveita para deixar três sugestões aos gestores de marcas:

  1. Faça com que os quadrinhos pendurados nas paredes sobre princípios e valores da marca sejam mais do que palavras nas paredes; sejam praticados;
  2. Tenha certeza de que as mensagens que a empresa comunica da porta da rua para fora sejam conhecidas e internalizadas da porta da rua para dentro;
  3. Marcas não escondem aquilo de errado que acontece dentro da empresa, não escondem nada nem deixam ninguém invisível.

A discussão vale para você que lê este texto: o que você faria se tivesse por um instante o poder da invisibilidade?

Assine o podcast de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN e pode ser ouvido em podcast.

Sua Marca: como o consumidor vai se comportar no Natal

“Não acreditamos que marcas devem se vestir de maneira muito diferente do que costumam nem mudar de personalidade, mas precisam se adaptar e respeitar este momento que vivemos e não pensar apenas em ter lucro no fim do dia” —- Jaime Troiano

Com a proximidade do Natal, descobrir como será o comportamento do consumidor diante de tudo que enfrentou em 2020 tem sido um dos desafios de pesquisadores, empresas e empreendedores. Da mesma forma, as marcas pensam em quais estratégias devem adotar levando em consideração as dificuldades financeiras de muitos, e as restrições e medos impostos pela pandemia. Nesse episódio do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo reuniram algumas ideias do que vai acontecer a partir desta semana —- quando muitos começam a pensar nas compras de fim de ano —, com base na experiência que eles têm em gestão de marcas e estudos de institutos de pesquisa e consultorias.

Vamos começar pelo consumidor.

A Nielsen, uma das gigantes nesta área de pesquisa, dados e consultoria, identificou cinco tipos de consumidores neste ano:

  1. Constrangido e restrito —— tiveram restrição no orçamento, e menos liberdade para comprar fisicamente: para eles o online será a saída e mesmo assim, só preços baixos
  2. Constrangido, mas livre —- teve redução financeira, também, mas se sente com mais liberdade para circular pela cidade: quer maneira de fazer o dinheiro render com possibilidade de passat mais tempo com grupos de familiares e amigos. 
  3. Meio cauteloso —- não foi impactado financeiramente nem impedido de ir e vir, em função da região em que mora, mas está com receio do futuro: mesmo que possa comprar agora vai segurar o dinheiro e não pretende gastar muito, prefere priorizar as pessoas bem próximas.
  4. Isolado, mas restrito —  financeiramente não teve perdas nesta ano, mas como está em cidades e regiões com maior restrição por causa da pandemia terá suas festividades afetadas por restrições físicas locais
  1. Isolado e livre —- não foi afetado financeiramente pela Covid-19, é provável que gaste mais livremente e exiba um comportamento de férias pré-coronavírus. Muitos desse grupo vão compensar luxos perdidos no início do ano.

Vamos as recomendações para as marcas no Natal da pandemia:

  1. Foco nos sentimentos eternos e universais: nessa época de instabilidade, de imprevisibilidade, de não sabermos o que teremos no ano que vem, as marcas precisam voltar-se para aquilo que é permanente. E o que é permanente no Natal? As relações entre as pessoas, a convivência familiar, esse sentimento de união. Marcas podem ser aliadas desse momento. 
  2. Abertura para escapes da realidade: nossas vidas ficaram limitadas, fechadas, bem menos amplas e livres como estávamos acostumados. Marcas podem proporcionar momentos de fuga de nosso isolamento, oferecendo “viagens” através de sabores exóticos ou pode ser uma loja de artigos para casa que promova um sentido de renovação e reciclagem do espaço doméstico. 
  3. Força no digital e nas compras à distância: é necessário ter à disposição ferramentas e tecnologias para compras à distância, serviço de drive thru e entrega; toda a proteção que reduza ao máximo a exposição do consumidor ao vírus é relevante.

Dito isso, qual é a marca do nosso episódio de hoje?

“Você, sua família e todas as famílias vão celebrar de um jeito diferente neste Natal, e as marcas não ficam fora disso, nosso ano e nossas vidas pedem essa adaptação e esse respeito” —- Cecília Russo

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. 

Sua Marca: o William, a tecnologia e a experiência do consumidor

“Não vamos gerenciar marcas sem tecnologia mas também não vamos gerenciar marcas apenas com ela”, Cecília Russo 

O William atende clientes em uma loja especializada em produtos para animais de estimação, em São Paulo. Em lugar de fechar vendas, cria relacionamentos. Faz abordagem cuidadosa, é gentil na conversa e evita ser intruso na jornada de compra do consumidor.  Ele aparece nesta história por dois motivos: o primeiro é que Willian ilustra bem o tema que tratamos no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso na conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo. Falamos de o risco de as marcas ficaram muito parecida a medida que todas passam a ter à disposição as mesmas ferramentas e soluções tecnológicas. 

“Há empresas que acreditam que o digital e a tecnologia são capazes de resolver tudo. Doce ilusão. Por mais apaixonados que sejamos por tecnologia, seres humanos querem o cheiro, o toque, o olhar”, Jaime Troiano

A Apple é uma empresa de tecnologia mas o que conquista seus clientes, que agem como fãs da marca, é a experiência que oferece. O desenvolvimento tecnológico de seus produtos é para onde o sentimento de paixão se volta, mas o que a Apple entrega é o design, as cores, o ambiente da loja e um sentimento de pertencimento.

No Brasil, um bom exemplo é o caso Magazine Luiza que se transformou na maior plataforma nacional de comércio eletrônico sem abrir mão de sua personalidade, muito marcada pela essência de sua dona, Luiza Trajano —- a alma que a marca emana está inspirada na figura dela. 

“A tecnologia é, como se diria em matemática, condição necessária mas não suficiente. Ou seja, não podemos abrir mão dela, mas apenas a tecnologia sozinha não criará marcas fortes e diferenciadas”, Cecília Russo

Sem contar que o mal uso da tecnologia pode trazer uma série de transtornos na relação do cliente e da marca. Quem nunca teve um experiência negativa porque o ‘sistema’ estava fora do ar? Para piorar: na maior parte das vezes em que isso acontece, as pessoas estão tão reféns da tecnologia, que perdem o rumo de como deve agir com o seu consumidor. 

A propósito: disse que o William, nosso personagem aparecia nesta história por dois motivos. O primeiro porque, mesmo tendo todo aparato tecnológico à disposição, é a forma como atende o cliente que o diferencia. O segundo é que o William é ouvinte da CBN.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Sua Marca: classes C e D têm de ser tratadas com dignidade e respeito

Assine o podcast do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

“Empresas e marcas que olham para as classes C e D com a dignidade e o respeito que merecem conseguem grandes resultados” — Jaime Troiano

As marcas têm o compromisso autêntico de inclusão social, e devem estar cientes desse papel, sob o risco de excluírem parcela da população agindo de forma inadequada na comunicação e no desenvolvimento de produtos. O alerta é de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. Um dos erros mais comuns apontados pelos comentaristas é o empobrecimento da marca para torná-la viável:

“Imagine um gerente de marca que trabalha para as classes A e B, desenvolvendo uma forma de seus produtos chegarem às classes C e D: ele pega a planilha de custo e começa a cortar tudo que pode até encontrar uma formulação mais barata que vai levar a uma identidade visual mais simples a ponto de o consumidor se sentir mais pobre do que ele realmente é” — Jaime Troiano.

Cecília Russo chama atenção também de que ao se falar de classes C e D, estamos falando de um mercado consumidor enorme que não pode ser desdenhado pelas empresas:

“São pessoas, e pessoas que representam 2/3 da população, que têm preferências, têm gostos e são muitas e merecem ser tratadas com respeito —- elas são o Brasil de verdade” — Cecília Russo

Enquanto há marcas que apesar de enxergarem a capacidade de compra das classes C e D atuam com timidez e até expressam vergonha, outras se orgulham de serem acessíveis a essa população: dois exemplos positivos citados no programa são a Caedu, no setor de varejo de roupas, e a Kallan, no segmento de calçados:

“Eles sabem muito bem como receber e tratar seus clientes, independente mente da classe social a que pertencem. Mesmo porque alguns dos funcionários dessas empresas, que trabalham nas lojas, pertencem a essas classes. E sabem com o tratamento com dignidade é fundamental”— Cecília Russo

Assine o podcast do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca: cuidado porque o consumidor não é Peteleco, é Emília

“Se você quer que a sua marca seja um sucesso não economize tempo, não economize dinheiro para saber o que é que estão falando de você, se é o que você de fato fala da sua marca” —- Jaime Troiano.

Os “reviews” ou as avaliações de consumidores são a principal fonte de promoção e divulgação de empresas, produtos e serviços. Mesmo que a comunicação oficial, a publicidade e seus influenciadores tenham importância na estratégia da marca, a opinião pública fala mais alto, especialmente com a força que sua expressão ganhou nas plataformas digitais. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo alertam gestores para a necessidade de estarem de ouvidos bem abertos para o que andam dizendo da sua marca.

“O consumidor não é um ventrículo como o Peteleco, que falava o que o humorista Oscarino Faria queria; é muito mais Emília, de Monteiro Lobato, que diz tudo que vem da sua cabeça” —- Jaime Troiano.

A força de um elogio ou uma indicação por um usuário independente vale muito mais do que comunicação oficial da marca. Da mesma forma, uma crítica pode ser destrutiva para a reputação do negócio. Cecília Russo diz que em uma das metodologias que usam para auditar a marca existem cinco estágios na relação do consumidor: idealização, preferência, familiaridade,  rejeição e desconhecimento.

“Quando a marca chega ao estágio da rejeição é terrível, porque é difícil de fazer a conversão para voltar aos patamais mais altos e se tornar uma marca preferida e idealizada”

\O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN