Lei combate desmanche ilegal de peças no Rio Grande do Sul

 

Por Milton Ferretti Jung

 

3202714326_191da4a486_z

 

“Autopeças sem procedência serão destruídas como sucatas”

Esta manchete de Zero Hora,com certeza,mesmo sem ser absolutamente tranquilizante para os motoristas gaúchos, eu entre eles, permite que vejamos mais do que apenas uma luz no fim do túnel:a Assembleia aprovou projeto de lei visando combater desmanches,o que,até agora,facilitava o furto e o roubo de veículos no nosso Rio Grande Amado. O Governador do Estado, José Ivo Sartori,deve,sem tardar,regulamentar e sancionar a lei que,a meu juízo,diminuirá, consideravelmente,os atraentes desmanches.

 

Corríamos constante perigo com essa prática nefasta da bandidagem. Roubos e furtos levavam os transgressores,inclusive,ao latrocínio,bastando que os motoristas resistissem quando assaltados,especialmente nas ruas com semáfaros ou se aproveitando do descuido de quem dirige nesta cidade e,como não,nas interioranas,nas quais o policiamento é precário,problema que afeta,principalmente,os municípios mais pequenos.

 

O número dos veículos desmanchados é assustador,segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito. 210 empresas estão em processo de regularização a fim de que possam desmanchar veículos sem infringir a lei. Passarão a ser conhecidas como Centros de Desmanche Veicular. Por enquanto,existem,no mínimo,cerca de 1,3 mil estabelecimentos ilegais no Rio Grande do Sul. É fácil imaginar-se quantas peças são negociadas por ferros-velhos e muitos que fazem clonagens completas. Em sua matéria sobre desmanches,José Luís Costa,repórter de Zero Hora,escreve que é comum o assassinato de motoristas. Em média,98 veículos caem nas mãos de ladrões,no Estado. Isso por dia,o que chama a atenção para o perigo que corremos ao dirigir. Havia até uma gangue especilizada no roubo de carros esportivos.

 

Para que a nova lei dos desmanches entre em vigor basta regulamentar alguns pontos do projeto,repito,sancionado por Sartori e
aprovação da Assembléia Legislativa.

 

Espero que todos nós possamos,finalmente,dirigir um carro sem ter de enfrentar os problemas criados pelos caras que se dedicaram até agora a encher os seus ferros-velhos e oficinas de veículos roubados para os entregar aos safados que os desmancham.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

 

A foto deste post é do álbum de ClicPhoto Studio, no Flickr, e segue as recomendações de criação comum

Foto-ouvinte: Kombi da sucata

 

Coleta seletiva

A prefeitura que critica – e com razão – o cidadão que despeja lixo na rua bem que poderia olhar com mais carinho o trabalho realizado por esta turma que roda a cidade em situação precária e integra, informalmente, a rede de coleta seletiva.

A kombi em questão é um risco no trânsito, sem dúvida. Deveria estar na sucata em vez de transportá-la, mas sinaliza o espaço que existe para o poder público atuar neste mercado.

O colaborados do Blog do Mílton Jung, ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias, encontrou este ‘catador’ na estrada do Imperador, região da Vila Verde, São Miguel Paulista, zona leste da capital:

… evitando o desperdício, recuperando o material que poderia ir para a lata de lixo e, de alguma forma, gerando renda, talvez até um meio de sobrevivência; fazendo uso da ferramenta que tem em mãos, no caso a kombi.

Minha pergunta é a seguinte: falta um serviço oficial capaz de atender a demanda que existe na capital ?

Resolvi ir mais longe, semana passada, após as festas de fim de ano. Fui visitar alguns depósitos de material reciclável – conhecidos por ferro-velho – e para minha surpresa a maioria estava com as portas fechadas, trabalhando internamente ou com horário reduzido par atendimento ao público e aos carroceiros. Conversei com alguns proprietários que informaram estarem organizando e separando o material coletado inclusive em escolas e condomínios e que a demanda é muito grande.

Sinal de que o consumo aumento nos últimos anos.

São Paulo na Copa

 

Sucata em ritmo de Copa

Soube de gente atrapalhada com a decoração para a Copa do Mundo com medo da lei Cidade Limpa (deu no Estadão de domingo). Mesmo assim, repórteres e ouvintes-internautas da CBN tem registrado algumas expressões alusivas a seleção brasileira, como é o caso desta imagem feita no Atelier da Alegria, mantido pelo funileiro aposentado Paulo Marino Egílio, de 74 anos. Com material de sucata e outras coisas mais, seu Marino cria os mais curiosos objetos e sempre está disposto a receber visitas na Rua Norma Pieruccini Giannoti, 557, no bairro da Barra Funda. Chamou atenção do ouvinte-internauta Fábio Porlan que fotografou e nos enviou para publicarmos aqui no Blog.

Cemitério de ônibus enterra dinheiro público

Por Adamo Bazani

CEMITÉRIO DE ÔNIBUS NA BARRA FUNDA

Cemitérios de ônibus infelizmente não são novidades. Mas a cada passo que se dá na cidade de São Paulo, cada vez mais terrenos com centenas de ônibus literalmente apodrecendo são encontrados.

Douglas Nascimento do site São Paulo Restaurada achou este terreno na Barra Funda. Lá, são encontrados veículos da extinta CMTC- Companhia Municipal de Transportes Coletivos.

De acordo com os integrantes do site, que lá estiveram em julho passado , são mais de 150 ônibus. Pelo menos 70 se fossem conservados poderiam ainda prestar algum tipo de serviço. Se não nas principais linhas, aproveitados por particulares, em empresas que têm menor itinerário ou como carros reservas.

A CMTC era pública, esses ônibus eram “nossos”, de nossa contribuição. Portanto, o que está apodrecendo lá na Barra Funda é dinheiro público. Se com o fim da Companhia Municipal, por questões burocráticas, os ônibus não pudessem ser utilizados por outras empresas, vendidos, logo após a extinção da CMTC, teriam rendido um bom retorno ao erário. Hoje, tem valor de sucata.

Além de veículos mais antigos, como Caio Amélia e Monoblocos O 364, dos anos 80, há carros do fim dos anos 90, como Caio Vitória, Monobloco O 371 e Caio Alpha, apodrecendo. O que mostra mais uma vez o total descaso de quem foi o responsável por encostar esses ônibus.

A CMTC deixou de existir entre 1994 e 1995, o que significa que ônibus com poucos meses de uso foram parar lá. Mesmo com defeitos mecânicos, eles poderiam ser consertados ou repassados para empresas que tivessem condições de assumi-los.

Renovação de frota é um direito do passageiro e um dever de empresários e poder público. Mas jogar ônibus em condições no lixo, literalmente, é queimar o dinheiro da população.

Para se ter uma idéia, na região do ABC Paulista, é necessária uma renovação da frota, o que vem ocorrendo aos poucos. Mas há veículos da mesma faixa etária destes que estão apodrecendo na Barra Funda que, conservados e com a manutenção em dia, servem muito bem a população e dão “inveja” a muitos outros mais novos.

Empresas como Viação ABC, Metra, São José, São Camilo, Expresso São Bernardo e Tucuruvi, entre outras, operam com carros Vitórias em condições que dão dignidade ao passageiro. Não estão perfeitos, afinal alguns têm mais de 15 anos nas costas (ou na carroceria), mas são símbolos de aproveitamento total, e com qualidade, da vida útil de um ônibus. Para se ter ideia, mesmo com os “Vitorinhas”, os mesmos que estão apodrecendo no terreno flagrado pelo pessoal do “São Paulo Restaurada”, a Viação Tucuruvi, que opera entre São Caetano do Sul, Santo André e São Paulo, foi considerada pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – como a terceira melhor empresa entre as 40 que prestam serviços nas três regiões metropolitanas, no estado de São Paulo.

Isso significa que o dinheiro das passagens, pelo menos está sendo investido na manutenção do carro, até o fim de sua vida útil, e a posterior renovação da frota. Diferentemente do que ocorreu na transição CMTC / SPTrans.

E quando outros cemitérios aparecerem, eles devem ser denunciados.

Adamo Bazani é jornalista da CBN e busólogo