Em defesa do Cabrito Corporativo, porque job não dá leite

Foto de Ruslan Burlaka

Lá no Rio Grande do Sul, onde nasci, “cabrito” nunca foi só um bichinho que salta pelos campos. Quando eu era guri, essa palavra tinha um outro significado. No dia a dia, “fazer um cabrito” era sinônimo de trabalho extra, aquele “bico” que a gente arranjava pra garantir uns trocados a mais. E quem fazia isso, como diziam, era esperto e não reclamava – afinal, cabrito bom não berra. Ou seja, faz o trabalho quieto, sem estardalhaço, e com eficiência. Nem corre o risco de ir para o abate.

Cresci ouvindo essa expressão, que, aliás, se tornou tão parte do vocabulário que, mesmo hoje, quando falo sobre qualquer atividade fora da rotina, o termo aparece. Curioso é que a palavra “cabrito” traz consigo toda uma simplicidade, um jeitão de ser brasileiro. É algo que carrega em si uma certa humanidade, uma proximidade com o chão que pisamos. Nada de firulas, nada de enfeites. Um cabrito é um cabrito. E ponto.

Porém, o tempo passa, e a gente vê a vida se transformar. Convivo com o mundo corporativo e me deparo com uma outra língua. Aqui, qualquer trabalho extra já não é “cabrito”, é “job”. Aliás, tudo virou “job”. O que era uma reunião virou “meeting”, e ao invés de almoço, temos “lunch”. Parece que esquecemos como falar nossa própria língua.

Foi aí que me lembrei de uma crônica do Washington Olivetto, publicada pouco antes de sua morte, em O Globo, na qual ele lamentava o baixo astral nas agências de publicidade, mas, acima de tudo, a dominação dos estrangeirismos. Para ele, as agências tinham deixado de ser brasileiras, se tornaram uma imitação asséptica de algo que não somos. A bronca de Olivetto, eterno defensor da criatividade e do humor na comunicação, me fez pensar: será que é tão difícil valorizar aquilo que é nosso?

O “job” pode até parecer chique, mas não tem o mesmo peso que “cabrito”. O cabrito é suado, feito com a mão na massa, sem maquiagem. Um trabalho que você sabe que vai exigir esforço, mas que, no fim, traz aquele prazer de missão cumprida. O “job”, por outro lado, soa distante, frio. Algo que você faz por obrigação, sem a mesma conexão.

Por isso, sempre que vejo alguém dizer que está “fechando um job”, fico com vontade de responder: “não seria um cabrito?” O cabrito, pelo menos, tem identidade, tem história. O “job” não me diz nada. Ele não carrega o cheiro de café que acompanha as noites em claro, nem o aperto no peito de quem faz o trabalho fora do expediente para pagar as contas. E o cabrito, bom de verdade, vai lá e faz – sem precisar berrar para mostrar serviço.

Enquanto o “job” virou mais um desses termos que importamos sem precisar, o cabrito segue firme, saltando aqui e ali, sempre presente na vida de quem, como eu, acredita que o trabalho é mais do que um termo bonito em inglês. No fim das contas, o cabrito dá leite, alimenta o corpo e a alma. Já o “job”, esse é só mais um estrangeirismo que inventaram pra tentar nos fazer esquecer que o cabrito, ao menos, não precisa berrar para ter valor.

Vamos falar a nossa língua?

Inscreva-se na minha certificação de Comunicação Estratégica em ambiente profissional, que realizo em parceria com a WCES, e vamos aprender a falar a língua das pessoas — essa é uma das maneiras de melhorarmos a nossa comunicação. 

Mundo Corporativo: como fazer da casa um ambiente de trabalho melhor

 

 

 

“ …. pouco a pouco, fui entendendo que os fatores fundamentais são foco, disciplina e organização”. —- Carlos Júlio, Gestão Descomplicada da CBN

“Uma coisa importante é você dedicar tempo para eles (os filhos), você está em casa, muitos não vão entender que o pai está em casa e não está brincando com eles, então tem de estabelecer esses momentos durante o dia” — Milton Beck, CEO do Linkedin

Para combater a disseminação do coronavírus, milhares de trabalhadores foram obrigados a transformar um espaço de suas casas em ambiente corporativo. O Home Office, conceito que surgiu nos anos de 1990, com o objetivo de reduzir os custos de instalação de equipamentos e infraestrutura das empresas, de uma hora para outra foi imposto a gestores e colaboradores como estratégia para proteger a saúde física dos profissionais e financeira dos negócios.

 

Para ajudar nesta adaptação, o Mundo Corporativo da CBN ouviu a palavra de dois especialistas no tema: Milton Beck, CEO do Linkedin, e Carlos Julio, CEO do Echos Laboratório de Inovação e comentarista do quadro Gestão Descomplicada, que vai ao ar no Jornal da CBN 2ª edição.

 

A seguir, faço uma relação das dicas e comentários mais importantes que eles apresentaram durante a nossa entrevista:

  1. Comporte-se como se estivesse no trabalho — mesmo em casa, você está no trabalho, então mantenha rotina similares, como horário de acordar, tomar o café, trocar o pijama por uma roupa mais apropriada para a função que você vai exercer.

  2. Crie um espaço específico para trabalhar, mesmo que seja no seu quarto, e tente reproduzir nele algumas características do seu escritório: computador, telefone, cadeira confortável, ferramentas tecnológicas à disposição, água e café ao seu alcance.

  3. Faça uma agenda das tarefas do dia, defina logo cedo aquilo que você não pode deixar de fazer, identifique suas metas —- assim como você faria no seu escritórioCuidado para não se dispersar diante de uma série de outros estímulos que têm à disposição em casa.

  4. Respeite os horários de início e fim de expediente.

  5. Estar em Home Office não significa que você é trabalhador 24 horas ao dia

  6. Converse com sua família sobre como será seu ritmo de trabalho e a importância de não ser interrompido.

  7. Saiba que interrupções vão ocorrer, as crianças vão falar e o cachorro vai latir; aceite esses situações.

  8. Se tiver filhos pequenos, ajuste sua agenda e inclua atividades com eles.

  9. Crie momentos de pausa, para comer, pensar ou conversar com as pessoas na sua casa —- momentos de descompressão são importantes.

Recado para os líderes e gestores:

  1. Seja claro e comunique as mudanças organizacionais com rapidez.

  2. Esteja disponível para consultas a todo momento.

  3. Não exagere na quantidade de informações emitidas.

  4. Marque horários para conversar em grupo, oportunidade para fazer um balanço do que se fiz no dia anterior e do que terá de ser feito e para ouvir soluções que colaboradores tenham encontrado para o Home Office mais eficiente.

  5. Jamais esqueça que algumas conversas são confidenciais ou sensíveis e tanto o líder como sua equipe podem estar em ambientes com pessoas estranhas à empresa.

Ferramentas sugeridas para tornar o trabalho mais produtivo:

Slack —- permite trocar mensagens rapidamente entre membros de uma equipe e a criação de diversos grupos de trabalho, aumenta a produtividade das conversas de trabalho, excluindo a necessidade de e-mails ou mensagens via WhatsApp.

 

Skype —- serviço de chamada de voz e vídeo

 

Zoom —- serviço de vídeo conferência

 

Hangouts Meet do Google —- para equipes que precisam conversar por vídeo

 

Remote Pulse da SAP — ferramenta que mede a evolução do trabalho em tempo real.

 

Microsoft Teams —- serviço corporativo de mensagens

 

WeTransfer  —  programado compartilhamento de arquivos grandes pela Internet

 

Google Drive — serviço de armazenamento na nuvem de arquivos como textos, fotos, vídeos e músicas.


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Mundo Corporativo: esqueça a ideia que você é multitarefa e melhore o sua perfomance no trabalho

 

 

Quando as pessoas trazem mais foco para as atividades do dia-a-dia, conseguem aumentar sua performance. “Hoje as pessoas se autointitulam multitarefas. Dizem: ‘sou capaz de fazer quinze coisas ao mesmo tempo’. Mas não. Somos capazes de parar e começar coisas diferentes muito rápido, mas o ser humano não faz duas coisas ao mesmo tempo”. O alerta é do consultor de empresas e professor da FGV Luciano Salamacha, que falou sobre algumas mudanças de comportamento que podem aumentar o seu desempenho no trabalho.

 

Em entrevista ao jornalista Roberto Nonato, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Salamacha contou sobre o método stakehand, que aplica a neurociência como matriz para o aperfeiçoamento da carreira e negócios.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Antonio Carlos Soares, da Runrun.it, fala de gestão do tempo e produtividade

 

 

Apenas 39% do tempo das pessoas são de fato gastos para aquilo que elas foram contratadas, os demais 61% são usados para participar de reuniões, responder e-mails e coletar e agregar informações referentes ao trabalho que devem executar. A estatística é apresentada por Antonio Carlos Soares, CEO da Runrun.It, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Soares mostra como aumentar a produtividade, organizar suas tarefas e gerir melhor o tempo no ambiente de trabalho. O runrun.it é um software de gestão de tarefas, que tem como meta ajudar você a melhorar a produtividade do seu negócio.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site http://www.cbn.com.br com participação dos ouvintes pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN.

Que sem graça seria se os calendários não existissem!

 

TCE calendario 13.03.14 cor

 

Lembro das folhinhas dos calendários pendurados na parede de casa, geralmente na parede da cozinha, ao menos até os imãs de geladeira aparecerem. Arrancava-se as folhas a medida que os dias passavam e com elas iam-se as homenagens que, imagino, seus criadores procuravam a dedo nos livros das bibliotecas – como deve ter ficado desinteressante a tarefa deste pessoal depois que a internet chegou!?. Ficava-se sabendo que o 8 de outubro era Dia da Santa Pelágia Penitente, enquanto o 25 de julho, o Dia da Abóbora. Havia as folhinhas com mensagens que pareciam tiradas de cadernos baratos de poesia: “a beleza das pessoas está na capacidade de amar e encontrar no próximo a continuidade de seu ser”, dizia uma que sei lá bem porque guardei na memória. Nada que fosse mudar nossas vidas, mas as folhinhas nos ofereciam a cada dia uma curiosidade por mais inútil que fosse.

 

Hoje, ainda recebo alguns calendários de mesa, de plástico e feios. As folhinhas são raras e chegam com tanta propaganda que mal têm espaço para as mensagens e homenagens. Para não jogá-las fora, passo à frente, muitos para minha sogra que insiste em pendurá-las na parede da cozinha. Os dias se passam agora no computador, em agendas virtuais, nas quais há lugar apenas para as atividades do cotidiano: reunião, palestra, conta para pagar, consulta no médico. Mesmo assim, ainda servem para marcar o nosso tempo e nos oferecer a oportunidade da renovação de esperanças sempre que o ano se encerra. E esta é uma sensação curiosa, porque, pense comigo, amanhã será apenas a sequência de hoje; vamos acordar e nos deparar com a mesma casa, a mesma cidade, a mesma família (neste caso, ainda bem); os compromissos que não atendemos continuarão pendentes e as coisas mal resolvidas permanecerão assim até que encontremos uma solução. Nada de novo, a não ser o dia, e, graças ao calendário, o ano.

 


Que sem graça seria se os calendários não existissem!

 

Feliz 2015!