CBN Professional – podcast: “a gente é as relações que a gente constrói”, diz Ana Moisés, do Linkedin

 

b63589d0-b71e-4040-b315-e59fa50b2d42.png.640x360_q75_box-0,38,1280,759_crop_detail

 

O algoritmo pauta negócios e relações. Programado, acelera decisões e torna boa parte das tarefas mais fáceis. Tem sido usado em diversas áreas e com funções que variam conforme a criatividade e conhecimento de cada setor. Dele, partimos para a inteligência artificial já aplicada em alguns mercados e prometendo revolucionar o que quer que você pense, pois, dizem, essa tecnologia poderá pensar ainda melhor.

 

É um avalanche de inovação que causa medo e provoca dilemas éticos, como escreveu Yuval Harari, nos livros Sapiens e Homo Deus, que estão em destaque na vitrine das livrarias da cidade. Mesmo sem desconsiderar essas verdades, Ana Moisés, executiva do Linkedin, recomenda, porém, que se continue investindo nos relacionamentos pessoais:

 

“Uma coisa que a nova geração deveria saber é que relacionamento é tudo nessa vida; as relações pessoais que você constrói na sua vida são a única coisa que realmente têm um valor que ultrapassa o tempo, e isso a gente deveria trazer para o profissional, também”

 

Ana tem 45 anos, um filho, é diretora de vendas para a América Latina, no setor de Marketing Solution do Linkedin, plataforma de networking que se transformou em fonte de conhecimento. Tive a oportunidade de conhecê-la na entrevista que fizemos por cerca de uma hora para o segundo episódio da série de podcast CBN Professional, parceria da CBN com a HSM Educação Executiva, com produção (e entrevistas) do Thiago Barbosa. Com o tema “Construindo carreiras contra a maré da automação”, ela falou do Linkedin, de sua carreira, das preocupações e dos desafios que tem pela frente:

 

pod2png_610x340

 

Ouça a entrevista completa no podcast da Rádio CBN.

 

 

A tecnologia, que pode fulminar o emprego e o negócio de qualquer um de nós, dependendo de onde e como estivermos colocados neste momento, não chega a causar sustos na executiva do Linkedin – até porque, vamos lembrar, essa é base do trabalho realizado pela empresa que conecta profissionais e negócios. Curiosamente, Ana tem medo é de perder o emprego:

 

“Toda às vezes que tenho minha discussão de carreira, eu digo que a única preocupação que eu tenho é que eu gostaria de garantir que eu pudesse ter emprego até pelo menos os 70 anos. A única coisa que tenho medo é ficar sem trabalhar, sem emprego, porque eu acho que deve ser muito frustrante você ser uma pessoa produtiva, ter muita coisa para oferecer e não ter oportunidade de trabalho”.

 

O medo não a paralisa. A faz buscar mais conhecimento, pois entende que este será o diferencial do profissional do futuro. Diz que todas as escolhas profissionais que faz têm como objetivo continuar aprendendo para que “aos 70 anos, eu ainda seja uma pessoa interessante, disputada e desejada por uma empresa”.

 

Por isso, recomenda: amplie seu repertório e isso deve ser feito, também, a partir dos relacionamentos que você construir na sua carreira, aprendendo com todas as pessoas, independentemente do cargo que ocupam e da situação que vivem:

“Em um mundo que é tudo etéreo, tudo desaparece muito rápido, as pessoas precisam cultivar relações de longo prazo e mais profundas … a gente é as relações que a gente constrói ao longo da vida”.

Mundo Corporativo: selfie, batimento cardíaco e outras novidades para pagar as contas

 

 

Em lugar da senha, um selfie. Ou quem sabe, uma pulseira que vai medir o seu batimento cardíaco. Essas são algumas das tecnologias em desenvolvimento para autenticação de pagamentos de contas. No Mundo Corporativo, o presidente da Mastercard no Brasil e Cone Sul, João Pedro Paro Neto, fala da evolução no mercado de cartões de crédito. Na entrevista ao jornalista Mílton Jung, o executivo faz uma avaliação do momento que as empresas do setor estão enfrentando e das oportunidades de carreira.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participaram deste Mundo Corporativo: Alessandra Dias, Carlos Mesquita e Débora Gonçalves.

Moradores de Bento Rodrigues querem garantir o direito à vizinhança

 

Fotos produzidas pelo Senado

Bento Rodrigues destruida pela negligência Foto: RogérioAlves/TV Senado

 

Bento Rodrigues já havia completado 317 anos quando a negligência de uma empresa que explora a região causou o maior desastre ambiental do mundo envolvendo barragens de rejeitos. Apesar dos mais de três séculos de vida, o subdistrito de Mariana com cerca de 600 moradores somente foi apresentado para a maioria dos brasileiros após a Samarco despejar toneladas e mais toneladas de lama sobre casas e pessoas.

 

A Tragédia de Mariana foi em cinco de novembro de 2015 e mesmo com o passar do tempo a empresa não só é incapaz de impedir que a lama siga escorrendo como também não tem demonstrado competência para solucionar o drama das famílias.

 

Hoje cedo, na programação da CBN, ouvi mais uma reportagem com os moradores do antigo Bento. Gente de voz humilde que teve sua história atolada no descaso da Samarco e agora tenta a reconstrução da sua vida.

 

Um dos habitantes pedia que a empresa respeitasse a arquitetura do povoado e reconstituísse o ambiente em que viviam, mantendo a mesma divisão territorial.

 

O que os moradores pedem é que a casa do Zé seja construída ao lado da casa do Pedro e esta construída ao lado da casa do João, como era no Velho Bento. Que a venda da Maria esteja no quarteirão seguinte e a Igreja um pouco mais à frente. Os vizinhos querem continuar vizinhos, não perder seus laços. Querem o direito de poder sentar na calçada e receber os parentes que moravam em frente, como sempre foi.

 

Desde o início desta tragédia, a Samarco, assim como a Vale e a BHP, que são as donas da empresa enlameada, têm revelado incompetência para gerenciar a crise. Erraram no trabalho de preservação, erraram na contenção, erraram na comunicação, erraram no atendimento dos cidadãos e parece que vão continuar errando.

 

Ao acompanhar a reportagem que foi ao ar na CBN, fiquei imaginando a oportunidade que a empresa e seus controladores estão desperdiçando. Já que causaram este drama humano e ambiental, deveriam ser corajosos e criativos na oferta de solução.

 

Respeitando o espaço de cada família e mantendo o mesmo desenho urbano, poderiam investir nas mais avançadas tecnologias ambientais, transformando o Novo Bento em um exemplo para o mundo.

 

Começariam pela escolha do material de construção, privilegiando os de baixo impacto ao meio ambiente.

 

No meu cenário ideal, as casas teriam telhados cobertos por placas fotovoltaicas e produziriam a própria energia. Todos os dejetos e resíduos orgânicos seriam coletados por tubulação e transferidos para uma usina que transformaria este material em biogás para uso residencial. Resíduos sólidos seriam reciclados. E a água, reaproveitada.

 

Diante do custo mais elevado desta reconstrução, a Samarco poderia mobilizar empresas que desenvolvem esses sistemas e equipamentos, que fariam de Bento Rodrigues vitrine dessa tecnologia verde.

 

Um delírio da minha parte, sem dúvida, pois a empresa não estaria cumprindo sequer o mínimo que se comprometeu como contratar mão de obra local para execução dos serviços de manutenção e reconstrução de áreas atingidas, como reclamou dia desses o prefeito de Mariana, Duarte Eustáquio Gonçalves Junior.

 

Que ao menos devolva o direito à vizinhança para o Seu Zé, o Seu Pedro e o Seu João de Bento.

Novas tecnologias, velhos problemas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Pelo ranking do “Reclame Aqui”,organização que reúne opiniões de consumidores, as empresas que mais receberam reclamações na ultima semana foram:

 

NET, Vivo, Extra online, Casas Bahia online, Tim, Sky, Ponto Frio, Claro, Oi, Americanas online.

 

Como se vê, a tecnologia, que cada vez mais propõe produtos e serviços para o conforto e a satisfação do consumidor, não tem conseguido evitar falhas.

 

A NET, por exemplo, nesse sábado, deve ter levado seus usuários do NOW a ter saudade das casas de vídeo, quando se viram com problemas técnicos, provavelmente devido a congestionamento de canais.

 

O conforto da compra online, em algumas ocasiões tornam o processo exaustivo para consumidores que recebem com atraso, com preço errado, etc.

 

Os celulares com seus encantos de conexão total, também não ficam sem irritar seus aficionados.

 

Estas companhias de tecnologia, protagonistas de gigantescas batalhas de mercado, com investimentos não menos grandiosos em marketing, bem que poderiam centrar esforços maiores na qualidade de suas entregas.

 

Propondo enfatizar esta necessidade, o “Reclame Aqui”, ao comemorar 15 anos, recebeu três destas empresas através de seus principais dirigentes para um jantar. Ocasião em que foram propositada e planejadamente mal atendidos.
Vejamos o que os ilustres convidados falaram:

 

15’
Já não estou gostando deste atendimento
Você pede duas águas sem gás, geladas. O cara me traz um suco e uma coca
Você está enganado você não prestou atenção. P***que p****
Vou jogar essa água na cabeça dele

 

30’
Mas tu já tiraste o pedido duas vezes
O meu pão está queimado.
Eu quero falar com o gerente. Não existe ele estar ocupado
Estou achando que está faltando um pouco de respeito aqui com a gente
Uma sacanagem tratar o cliente desse jeito

 

60’
Não acredito que estou passando por isso
A CONTA
VOCÊ SE SENTIU DESRESPEITADO?
22015 consumidores de sua empresa também se sentem assim
64806 consumidores de sua empresa também se sentem assim
34466 consumidores de sua empresa também se sentem assim
Assinado: RECLAME AQUI
Reclame Aqui é o c******!

 

A recíproca é verdadeira!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Um novo ano, menos digital e mais humano

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

2706220432_cfe77022a6_z

 

Já estamos em 2016. Quantos de nós não recebemos mensagens de Boas Festas no fim do ano? Talvez todos nós. E percebi com mais nitidez uma diferença em relação ao ano passado. É incrivelmente espantoso como as pessoas cada vez mais utilizam-se das ferramentas online de forma impessoal.

 

Pelo aplicativo WhatsApp – sim, aquele que parou o Brasil no dia em que foi bloqueado pela justiça – recebi mensagens “copiadas” e “coladas” de Feliz Natal e Ano Novo. Mensagens grandes, muitas até mesmo lindas, reflexivas… mas sem sequer deixar o destinatário saber se era mesmo pra ele. Dá a sensação, óbvia eu diria, de que foi uma mensagem de uma lista de outros infinitos destinatários.

 

Isso mostra algo que já sabemos e é até lugar comum: as pessoas têm menos tempo e tentam otimizá-lo.

 

Claro que temos de otimizar nosso tempo; mas neste processo tem de se priorizar as pessoas. Por que não? Será que não vale mais a pena enviarmos uma mensagem dirigida para aquelas poucas pessoas que fazem a diferença na nossa vida? Ou por que não usar uma outra forma de mostrar que se lembrou dela? Me parece um comportamento que seria mais educado e elegante, além de, claro, verdadeiro, com real sentimento!

 

O mundo digital nos ajuda no cotidiano, nos conecta, nos aproxima, nos coloca em contato com pessoas que estão longe. Mas não podemos abrir mão do contato mais humano e pessoal, mesmo quando este ocorre através das ferramentas disponíveis.

 

Amizades, namoros, laços de família podem e devem fazer parte deste novo mundo. Não dá é para viver sem que essas relações ocorram também no “mundo real”. Afinal, toda essa tecnologia foi criada por nós, humanos. E assim devemos ser!

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

 

A imagem que ilustra este post é do álbum de Kira Okamoto, no Flickr

Quem precisa de 30 fones de ouvido em casa?

 

Bagunca1_Fotor

 

Provocado pelo texto que publiquei recentemente, sob o título A assustadora verdade sobre o excesso de coisas dentro de nossas casas e nossas vidas, tive a curiosidade de olhar como andavam as coisas nos meus armários, gavetas e caixas. Aproveitei assim o último dia de férias para esta tarefa que prometia ser diversificada, mas que se resumiu a primeira etapa ou ao primeiro desafio que encontrei: as três gavetas da bagunça eletrônica.

 

A existência da gaveta da bagunça é quase necessidade do ser humano, pois seria impossível colocar todos os materiais selecionados por categorias. Somente casas especializadas são capazes de criar espaço para tanto, como as lojas de ferramentas ou de peças de automóvel, onde os produtos são separados por utilidade, tamanho, cor e outros quetais, facilitando o controle do vendedor e a busca do comprador.

 

Em casa, costumamos colocar os livros em uma estante que se transforma em biblioteca e a gaveta para o material de escritório que tende a estar próxima da nossa mesa de trabalho; tem ainda o balcão com divisões para utensílios de cozinha, com pratos, copos, talheres e panelas selecionados em grupos; tem o armário com as roupas, com cabides para casacos e calças, as gavetas para camisas, cuecas e meias, e na parte mais alta as roupas de cama ou as que usamos com menos frequência.

 

Por mais organizado que você seja, e eu tento ser, existem itens que não se encaixam em uma categoria específica e se acumulam em algum lugar qualquer, de preferência naquela que chamamos de a gaveta da bagunça: controle remoto reserva do portão da garagem, rolo de barbante e chaves sobressalentes podem se misturar a pequenos parafusos que vieram junto com o aparelho de televisão e velas para o caso de falta de luz, claro que acompanhadas de uma caixa de fósforo.

 

BaguncaFio1_Fotor

 

Jogar esta variedade de itens em um mesmo lugar ao contrário do que muitos entendem não é desorganização, mas a estratégia que usamos para ajudar nossa memória a encontrá-los sempre que necessário. É a gaveta dos sem-categoria. Quer vela, tá lá … a não ser que você seja um admirador de velas e tenha uma variedade tal que mereça uma espaço próprio.

 

Claro que a medida que vamos acumulando coisas, a tendência é que a visão que temos da gaveta da bagunça fique um pouco embaralhada e a mesma perca sua funcionalidade. Por isso, de vez em quanto é bom abri-la e ver se não tem peça sobrando ou itens que já deveriam ter um lugar só para eles.

 

Na casa de um ‘suposto’ organizador contumaz, como eu, mantenho diferentes gavetas de bagunça, e a que me tornou refém do trabalho na despedida das férias foi a que reúne materiais eletrônicos. Fiquei impressionado com o que tirei lá de dentro, a ponto de quase ter abortado a operação, fechado a gaveta e deixado as coisas para outro dia. Procrastinar, porém, não é a melhor estratégia quando se busca organizar a vida (ou as coisas).

 

BaguncaApple_Fotor

 

Encontrei lá dentro quatro aparelhos de telefone celular para os quais não tenho nenhuma finalidade, pois são de tecnologia ultrapassada e sequer merecem lugar na coleção de algum especialista. O meu primeiro celular, um Gradiente “tijolão”, já tem o devido destaque na estante onde estão também cinco ou seis câmeras de vídeo e fotografias antigas, inclusive a Polaroid, um palm top Zire 71 e o gravador com o qual iniciei minha carreira profissional. Com os celulares velhos, havia seus carregadores e algumas baterias tão inúteis quanto seus pares.

 

Muitos fios se embaralhavam e exigiram certa destreza para separá-los. Tinha cabo de áudio, cabo de internet, cabo de telefone, cabos com USB, pequenos e grandes, conexão de USB para USB e mais um monte de terminações para as quais não tenho a menor ideia de como usar. Adaptadores universais de tomadas tinham três, um deles com flechas para a mais estranha das tomadas que conheci, as da Africa do Sul. Se você acha as nossas sem muito nexo, não sabe o que está perdendo.

 

Encontrei quase uma categoria à parte, na bagunça eletrônica, a dos produtos da Appel. Fontes de energia de aparelhos aposentados, mouse sem uso, adaptadores para iPhones e uma câmera iSight que não lembro de ter usado alguma vez no meu primeiro MacBook, que, aliás, também mantenho guardado em casa, fazem parte desta coleção. Todos sobreviveram nesta faxina com a expectativa de que meu conselheiro particular para o tema, Sergio Miranda, ex-editor da MacMais e atual apresentador do @pontoreview no #loopinfinito, dê mais uma dica matadora.

 

BaguncaFone_Fotor

 

O que mais me assustou mesmo foi contar 20 fones de ouvido do tipo intra-auriculares (sim, na foto só aparecem 19 porque o vigésimo encontrei depois). E só coloquei na conta aqueles que estavam guardados e sem uso, coisa que aliás a maioria deles permanecerá. Se incluir os que tenho em casa para ouvir música no celular e som no computador de mesa e notebook, é provável que chegue a mais de 30. Qual a necessidade de se ter mais de 30 pares de fones de ouvido em uma casa onde vivem apenas quatro pares de ouvidos? Não pense que os comprei. Vieram juntos com um celular, um equipamento de som, computador e qualquer outra coisa que tenha saída de áudio, o que nos remete a uma das principais razões de acumularmos este monte de traquitana: o preço é baixo, está inserido no valor do aparelho e sequer percebemos seu custo. É fácil tê-los. Difícil é se desfazer deles.

 

Coloquei-os em um saco plástico com o intuito de dar um fim nestes fones que só ocupavam espaço. Em outros dois sacos, juntei baterias, fios redundantes, adaptadores de celular e algumas outras coisas para as quais não entendia bem o objetivo. Muitos outros itens permaneceram, mesmo com a quase certeza de que jamais os utilizarei. Mas vai que ….

 

Aí está outro problema: adquirimos as coisas, guardamos, ocupamos o lugar e não usamos. Na hora de decidir o que fazer com aquela peça, melhor deixar ali porque talvez um dia, sabe-se lá quando e em que situação, eu precisarei dela. É provável que este dia nunca chegue, mas teimo em mantê-la na gaveta.

 

A incursão às gavetas da bagunça eletrônica resultaram em uma redução de cerca de 40% das peças que estavam guardadas, mas ainda me deparo com outra dificuldade: o que fazer com o material que pretendo descartar? Talvez este seja o problema mais complicado neste processo.

 

Jogar no lixo nem pensar. Apesar disso, é para onde vai boa parte deste material. A Abrelpe, que reúne empresas do setor de limpeza pública, calculou, em 2012, que cerca de 40% dos resíduos sólidos urbanos tiveram destino impróprio. Ou seja, quase 24 milhões de toneladas de lixo foram descartados de maneira incorreta em lixões e aterros sanitários. Um crime do qual não quero fazer parte.

 

Devolver aos fabricantes, seria a melhor solução, desde que houvesse estrutura para o bom funcionamento da logística reversa. No Brasil, lei de 2010, já prevê responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Nesse processo, os produtores de um eletroeletrônico, por exemplo, têm que prever como será a devolução, a reciclagem daquele produto e a destinação ambiental adequada, ensina ((o))eco, portal desenvolvido por jornalistas que integram a ONG Associação O Eco.

 

Temo, porém, que se chegar em uma revenda e tentar deixar o material por lá, vou ser mandado de volta para casa com o saco cheio (duplamente cheio). Se aceitarem o material, não tenho nenhuma garantia de que seu destino será o recomendado. Imagino eu, vá parar lá no lixão de dois parágrafos acima.

 

Entidades que vendem ou manipulam este material podem ser outra saída.

 

Você conhece alguma?

 

Aqui em São Paulo, costumo entregar para o Lar Escola São Francisco que mantém o Bazar Saburá, na Vila Mariana. Lá seus funcionários e voluntários separam, selecionam e vendem o que for possível e com o dinheiro financiam o trabalho de assistência que realizam. O que acontece com as coisas que acumulam em seus depósitos, não sei ao certo, mas são a esperança de que alguém pode me ajudar a dar um jeito nas minhas gavetas da bagunça.

 

Se você tiver outra boa ideia, será bem-vinda.

 

Em breve, me comprometo a seguir em frente na aventura em busca de coisas que estão sobrando aqui em casa. Mas a primeira experiência me deixou um pouco assustado, pois a persistirem os sintomas corro o sério risco de me equiparar àquelas famílias de classe média americana, que vivem em Los Angeles, alvos de pesquisadores da UCLA, que mantinham, em média, 300 mil itens, nas suas residências — pesquisa que está em destaque no texto A assustadora verdade sobre o excesso de coisas dentro de nossas casas e nossas vidas .

A experiência de viajar de avião: mais trabalho e menos incômodo

 

IMG_4453

 

Mau humor de viajante à parte, é bem melhor viajar de avião agora do que no passado,  muito mais pelo avanço proporcionado pelas empresas aéreas do que pelo investimento feito pela Infraero, nos aeroportos. Os “privatizados” até que têm conseguido oferecer espaços mais confortáveis, tais como o Internacional de Guarulhos. Nos que estão nas mãos da estatal, contudo, as reformas andam a passos lentos.

 

Acabo de sair do aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, de instalações acanhadas, espaço de embarque reduzido, áreas de prestação de serviço semi-abandonadas, goteiras nos aparelhos de ar-condicionado, que parecem desafiar a força da gravidade para se manterem pendurados na parede, e banheiros precários.

 

Dizem os capixabas que há anos ouvem promessas de que o aeroporto, sob a responsabilidade da Infraero, será reformado. Tem até projeto para mudar o sentido da pista e ampliar suas instalações. Uma rede hoteleira construiu seu empreendimento onde deveria ser o desembarque do “novo” aeroporto, contando com o fluxo de passageiros. O hotel já está pronto enquanto do outro lado da rua tem cerca, mato e uma placa anunciando que é área restrita da Infraero – ninguém pode entrar (nem gente competente?).

 

O dinheiro teria sido liberado no pré-Copa, mas se perdeu em algum lugar qualquer.

 

O último a fazer a promessa de melhorias, Eliseu Padilha, já pegou mala e cuia e desembarcou do governo Dilma, na sexta-feira última. Aliás, boa oportunidade para a presidente acabar com mais este ministério e entregar tudo para a pasta dos transportes, o que acho que não deve ocorrer, por isso, em breve, será nomeado mais um “fazedor” de promessas.

 

A verdade é que viajar ficou mais fácil se compararmos com as décadas anteriores. A tecnologia tornou as viagens de avião acessíveis e mais simples – mesmo que muitas vezes ainda tenhamos de sofrer pelo mal atendimento e atrasos sem justificativa. Quem lembra como eram as passagens antigamente? Blocos de papeis intercalados com carbono, escritos à mão, com letras ilegíveis e sempre prontos para serem perdidos pelo viajante. Às empresas cabia armazenar aquela documentação analógica e acumular despesas apenas para mantê-la em segurança.

 

Hoje, imprimimos a passagem em casa por força do hábito, é verdade, pois bastaria dedilhar seu CPF e mais um sem-número de números e letras para o bilhete sair impresso no totem. Os mais avançadinhos o fazem no próprio celular – apenas não consegui entender até agora por que no momento do embarque, quem preferiu economizar papel, perde mais tempo na fila a espera da máquina que lê o código de barras na tela do smartphone. Será que ninguém pensou em colocar um equipamento remoto?

 

A eliminação do check-in foi outra dádiva. No passado – e há quem ainda prefira desta forma – éramos obrigados a encarar enorme fila. Primeiro, com o pessoal da bagagem e dos sem-bagagem misturados. Depois, criaram a fila dos sem-bagagem, mas ainda com exigência de passar tudo por um atendente. Havia um tempo em que era solicitado que, mesmo com a passagem comprada, se telefonasse para a companhia aérea e confirmasse que viajaríamos. Agora, faço check-in em casa ou no smartphone e posso entrar direto na sala de embarque dos aeroportos. Ganhamos tempo!

 

O curioso neste novo procedimento é que as empresas diminuíram seus gastos com material, armazenamento e atendentes, e repassaram aos passageiros o serviço que realizavam antes. E nós achamos bom. Pode ser um paradoxo, mas apesar de termos mais trabalho a fazer, temos menos incômodo para viajar.

 

O dia em que os aeroportos brasileiros avançarem seus serviço  talvez viajar de avião seja tão simples quanto pegar o carro na sua garagem.

Chef a domicílio: puro luxo contemporâneo e muito sabor

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Captura de Tela 2015-10-07 às 19.22.09

 

O conceito pessoal de luxo é relativo. Para uns, é comprar um iate, uma Lamborghini ou uma Ferrari. Para outros, é morar em um apartamento em Manhattan. Há os que querem apenas tempo para a viver em paz.

 

Independentemente do que você pense, no luxo contemporâneo prevalece a experiência e a privacidade, ambas buscadas na maior parte das vezes por consumidores exigentes que almejam a qualidade de vida muito além do “ter”.

 

Na busca por experiências, impossível não falarmos de gastronomia. Foi lançado, recentemente, o Bloochef – ferramenta criada por Juliana Gonçalez, do Blog Limão com Alecrim – que promove o encontro entre chefs de cozinha e pessoas que querem vivenciar momentos inesquecíveis em casa e ao lado de amigos, da família ou, ainda, ao lado do seu amor em um jantar romântico.

 

O Bloochef ajuda você a encontrar o menu perfeito através de filtros como data, preço, tipo de culinária e dieta alimentar. Assim que o cliente decidir por um menu, é preciso agendar, indicar o local do evento e informar o número de pessoas. O chef irá receber a sua reserva e, assim que possível, enviará a resposta.

 

Captura de Tela 2015-10-07 às 19.22.18

 

Para fazer parte da plataforma, cada chef passa por critérios rigorosos. Toda a comunicação entre eles e o cliente é feita via plataforma. Para facilitar o pagamento, o Bloochef tem a opção de dividir a conta e cobrar dos participantes como se todos estivessem em um restaurante. Os menus vão desde o simples ao máximo da sofisticação. Chefs como Thiago Maeda, Fernando De Donato, Lucia Violet Sequerra, Julien Mercier e Carol Perez são alguns dos seletos nomes que você terá à disposição.

 

Hoje, ter tempo e estar próximo das pessoas que gostamos é bem raro. E experiência muito almejada no segmento do luxo especialmente, mas não somente nele. Além disso, com a situação caótica de insegurança que vivemos nas cidades brasileiras, muitas pessoas preferem abdicar de sair com frequência e dar lugar a programas privativos em casa ou na de amigos e parentes.

 

O Bloochef, pelo jeito, chegou em boa hora: tudo muito simples e com acesso amigável para que você desfrute experiências gastronômicas conforme o seu gosto e necessidades peculiares. Tudo entregue em casa e com pessoas que você deseja por perto, menu que atende o seu paladar e privacidade total.

 

Puro luxo contemporâneo!

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em “arketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Sete características essenciais para ser jornalista

 

20150319_214234

 

A pergunta se repete a cada contato que recebo, seja de professores seja de estudantes da área de comunicação. Quais as características essenciais para se exercer o jornalismo com competência e adaptado aos novos momentos da comunicação? Como toda pergunta, esta gera o desafio de refletirmos sobre a profissão que escolhemos. É bem provável que, além daquelas que selecionei, existam muitas outras características importantes para que o jornalismo seja realizado com eficiência. Algumas resistiram a troca da máquina de datilografia pelo teclado do computador. Novas se somaram a essas necessidades.

 

Vamos a lista e veja se você concorda com a minha ideia:

 

Seja curioso, como sempre teve de ser para descobrir os fatos que podem construir uma notícia.

 

Seja desconfiado, para não ser refém das versões oficiais ou verdades aparentes.

 

Seja versátil, já que precisa saber um pouco de muitas coisas.

 

Seja ágil, especialmente diante do ritmo frenético das notícias.

 

Seja preciso, principalmente diante do ritmo frenético das notícias.

 

Seja ético, porque não há técnica que resista a falta dela.

 

Seja multilplataforma, pois do jornalista se exige capacidade de adaptação de seu produto a qualquer mídia.

O que taxistas e árbitros de futebol têm em comum

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Carlos

 

As recentes manifestações de taxistas e os depoimentos de árbitros de futebol defendem a manutenção das condições atuais de suas funções e atribuições, repudiando a inovação que ora lhes é apresentada. É coerente, mas não é inteligente.

 

O naturalista Charles Darwin já demonstrou que a preservação das espécies é efetivada pela adaptação às mudanças. Mais recentemente o economista Joseph Schumpeter alertou que as novas tecnologias destroem antigos modelos de negócios e profissões, mas é inevitável.

 

O tema é recorrente, pois uma análise do passado reflete a repetição deste processo (inevitável) de inovação.

 

Não é difícil apostar no predomínio do Uber contra os taxistas, do WhatsApp contra as telefônicas, da Netflix contra as TVs a cabo. É o novo contra o velho. Ou será que as pessoas irão preferir médicos, remédios e hospitais sem tecnologia?

 

Os taxistas de São Paulo teriam melhor caminho se absorvessem a tecnologia em benefício próprio, e entendessem que o Uber é o futuro, enquanto o ponto será coisa do passado. Por bem ou por mal.

 

De outro lado, a proposta da CBF, de experimentar o uso da tecnologia simples, agregando um árbitro com recurso da imagem para dirimir dúvidas, recebeu dura oposição de árbitros notáveis.

 

Estes árbitros-personagens, com espaço nobre nas TVs, antes de criticar, deveriam estudar outros esportes que utilizam os recursos eletrônicos como tênis, handebol, vôlei, futebol americano e atletismo. Mesmo porque a tecnologia criou uma emoção adicional, por exemplo, no tênis, quando se espera a imagem de um desafio que pode decidir uma partida.

 

As cidades e o futebol esperam em breve a tecnologia que ora lhes é negada, com a dúvida de quando virá, mas a certeza que virá.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A foto do taximetro capelinha é do Blog FuscaClassic

 

A foto do árbitro de futebol é do álbum de Andrea Re Depaolini no Flickr