À medida que o avanço tecnológico redefine as fronteiras do emprego e do conhecimento, a capacitação dos jovens nesse setor se torna indispensável, não apenas como meio de inserção profissional, mas também como estratégia crucial de combate ao desemprego. No Brasil, a questão do desemprego juvenil é particularmente premente, com taxas que destacam a necessidade urgente de ação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 15% dos jovens brasileiros estão desempregados, um número que, embora menor do que nos anos anteriores, ainda representa um desafio significativo para o país e sublinha a importância de iniciativas como o Programa de Aprendizagem Impulso Digital.
Lançado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), nessa quarta-feira, em São Paulo, em parceria com Ada Tech, o Impulso Digital é um programa pioneiro com o objetivo de abrir até cinco mil vagas para jovens aprendizes no setor de tecnologia. Esse programa representa uma resposta concreta ao duplo desafio do desemprego juvenil e da demanda crescente por profissionais qualificados na economia digital.
Projetado dentro dos parâmetros da Lei da Aprendizagem, o Impulso Digital propõe uma formação integral que inclui desde competências básicas em língua inglesa até conhecimentos avançados em banco de dados e estatística, passando pela inclusão de aulas de português e matemática. Essa abordagem multifacetada não só atende às necessidades imediatas do mercado de trabalho, mas também fortalece as bases educacionais dos jovens, preparando-os para um futuro promissor no campo tecnológico.
O apoio do Movtech, uma coalizão de organizações dedicadas a fomentar investimentos sociais em educação e tecnologia, sublinha a importância de uma ação coletiva para abordar essas questões. Este grupo tem como meta mobilizar, capacitar e inserir um número cada vez maior de jovens no setor tecnológico até 2030, refletindo um compromisso com a sustentabilidade econômica e o progresso social.
Dessa forma, o Programa de Aprendizagem Impulso Digital, do CIEE, se estabelece como uma iniciativa fundamental não apenas para o enfrentamento do desemprego juvenil, mas também como um catalisador para o desenvolvimento de competências que são cruciais para o futuro do trabalho. Ao capacitar os jovens com as ferramentas necessárias para prosperar na economia digital, o programa joga uma luz de esperança sobre as estatísticas de desemprego e abre caminho para um futuro mais inclusivo e próspero para o Brasil.
O Sora escandalizou com suas imagens que extrapolam o limiar entre o real e o digital. A nova ferramenta de inteligência artificial, para criação de vídeos com até um minuto, da OpenAI, nem foi aberta ao público e tem causado alvoroço entre entusiasmados e céticos digitais. Independentemente de qual “torcida” você faça parte, o certo é que a velocidade com que os avanços da IA estão ocorrendo são de tirar o fôlego e prejudicam nossa capacidade de interpretação dos fatos. Sequer conseguimos perceber, menos ainda explorar, as potencialidades do ChatGPT, criado há menos de um ano e meio.
Na edição desta semana do Cartograma, newsletter criada por dois ex-colegas de redação, Leonardo Stamillo e Leandro Mota, ambos com passagem pelo Twitter, encontrei referência a artigo que discute a necessidade de os grupos de mídia – leia-se, aqui, nós jornalistas – trabalharem juntos para explorar a IA de maneira produtiva e criativa. Ainda que mal comparando: como se reproduzissemos o consórcio de veículos de mídia, criado, no Brasil, para a divulgação diária de número de mortes e casos de covid-19, mas agora para estudar e entender o avanço da IA . “A IA é uma grande oportunidade para a mídia noticiosa. Não vamos estragar tudo” (em tradução livre) foi escrito por Vivian Schiller e Trei Brindrett e publicado na Columbia Journalism Review.
Os autores demonstram a preocupação de os grupos de comunicação desperdiçarem as oportunidades oferecidas pela IA generativa com discussões tão improdutivas quanto já perdidas que visem barrar o desenvolvimento dessa tecnologia por temerem o fim do que ainda resta das mídias.
“Desta vez, a indústria noticiosa não tem tanto tempo para resistir à revolução da IA e ignorar a mudança nas expectativas dos consumidores. A tremenda velocidade das mudanças desde que o ChatGPT desencadeou uma corrida armamentista generativa de IA exige que avancemos agora. Não fazer isso pode significar ceder o futuro da descoberta e criação de notícias a novos players tecnológicos.”
Vivian Schiller e Trei Brindrett
Sete áreas em que as mídias devem discutir o uso da IA
Diante do fato que startups e grandes empresas da tecnologia já experimentam ferramentas que ‘mineram’ o noticiário, mixam reportagens e transformam em novos artigos, Vivian e Trei questionam se os grupos de mídia estão dispostos a se unirem em busca de soluções que preservem seu ecossistema – leia-se, aqui, os nossos empregos. Têm dúvidas se o nível de concorrência entre as organizações permitiria essa inédita união para a sobrevivência do negócio.
Intrigados com seus próprios questionamentos, os autores conversaram com editores e executivos de redações, elencaram sete áreas em que as empresas de comunicação devem pensar em agir, e apresentaram questões que precisam ser respondidas por quem busca uma saída honrosa da mídia em meio ao caos que as IAs provocam.
IA na redação: discute como a IA generativa pode mudar operações, funções e a criação de conteúdo nas redações.
Propriedade intelectual e grandes modelos de linguagem: reúne questões de direitos autorais e compensação pelo uso de conteúdo jornalístico no treinamento de modelos de IA.
Transformação do modelo de negócios: avalia o impacto da IA generativa nos modelos de negócios existentes e novas oportunidades de receita.
Protegendo contra preconceitos: enfatiza a importância de mitigar preconceitos nos resultados gerados por IA para garantir a equidade e precisão.
Tecnologia e produtos para o consumidor: considera novos produtos e serviços que as redações podem oferecer, aproveitando a IA para atender às expectativas dos consumidores.
Diretrizes editoriais para construir confiança: destaca a necessidade de diretrizes claras sobre o uso de IA para manter a confiança do público.
Políticas públicas: aborda a necessidade de envolvimento em discussões políticas sobre a regulação da IA generativa no jornalismo.
Vou ater meus palpites a apenas duas das sete áreas.
IA na redação
A integração da IA generativa nas redações pode transformar profundamente os métodos de trabalho, introduzindo eficiência na coleta e redação de notícias, além de criar possibilidades para a geração de imagens e conteúdo personalizado.
As funções atuais podem evoluir para incluir a curadoria e supervisão de conteúdo gerado por IA, enquanto novas funções podem surgir para gerenciar a interação entre IA e processos jornalísticos.
Os repórteres já têm à disposição ferramentas para automatizar tarefas rotineiras, permitindo mais tempo para o jornalismo investigativo e a análise profunda. Claro que aqui sempre cabe a pergunta: se usamos ferramentas que otimizam nosso tempo, saberemos como tornar produtivo o tempo conquistado?
Algumas tarefas que podem ser automatizadas por IA nas redações incluem a coleta e compilação de dados para reportagens, a geração de rascunhos de artigos sobre eventos rotineiros, a análise de tendências em grandes volumes de dados, a transcrição de entrevistas, a identificação do humor do seu público, a partir da avaliação dos comentários, e a criação de conteúdo visual básico.
Uma atividade a ser explorada é a criação de infográficos utilizando IA. Essas ferramentas podem analisar grandes volumes de dados para identificar tendências, padrões e ideias significativos, que depois podem ser transformados em infográficos visualmente atraentes. Além de automatizar a análise de dados, a IA também pode ajudar no design de infográficos, sugerindo layouts, cores e tipos de gráficos baseados em melhores práticas de design e na natureza dos dados. Isso permite aos repórteres e designers focar na narrativa e na precisão da informação, ao mesmo tempo em que aproveitam a eficiência e a criatividade impulsionada pela IA.
Tecnologia e produtos para o consumidor
As empresas de notícias podem explorar produtos inovadores baseados em IA, como newsletters personalizadas, assistentes virtuais para fornecer notícias e análises sob demanda, plataformas interativas para exploração de dados jornalísticos, e aplicativos que utilizam IA para adaptar conteúdo ao comportamento e preferências do usuário. Estas são áreas onde a IA já tem mostrado potencial significativo.
Referências como o “Digital News Report” do Reuters Institute fornecem ideias sobre tendências de consumo de notícias digitais e a aceitação de tecnologias baseadas em IA, transformando-se em excepcionais guias para a elaboração desses novos produtos.
Além disso, há casos como o The Washington Post que criou o AI Hub, uma equipe operacional que coleta ideias relacionadas à IA de toda a organização e cria provas de conceito para as ideias mais promissora. O tradicional jornal ilustra como a inteligência artificial pode ser empregada na produção de notícias automatizadas e personalizadas, demonstrando o equilíbrio entre inovação, proteção de dados e manutenção da confiança do usuário.
Estes exemplos sublinham a importância de complementar o trabalho humano com a IA, focando em nichos de mercado e na qualidade do jornalismo para competir efetivamente com empresas de tecnologia. Complementar e não substituir o trabalho humano – leia-se, aqui, o meu trabalho.
Vivian e Trei estão comprometidos em levar as questões emergentes da IA generativa para uma discussão ampla com acadêmicos, líderes de mídia e jornalistas, buscando soluções profundas e inovadoras. Eles, assim como toda a sociedade interessada no debate plural e público, que os meios de comunicação proporcionam, enfrentam o desafio urgente de encontrar respostas eficazes antes que as rápidas inovações em IA transformem ainda mais o cenário da mídia, levando-o para o que poderíamos chamar de ponto de não retorno.
Entrevista on line com Herman Bessler, foto: Priscila Gubiotti
“Se o ser humano passou as últimas décadas aprendendo a falar a linguagem das máquinas, aprendendo a desenvolver código, hoje as máquinas aprenderam a falar nossa linguagem, também”
Herman Bessler, Templo.cc
A Inteligência Artificial Generativa (IAR) está transformando o ambiente de trabalho, com sua capacidade de criar conteúdos, otimizar processos operacionais e até desenvolver estratégias de negócios em questão de minutos, uma tarefa que antes exigiria semanas de dedicação. Essa evolução, discutida com Herman Bessler, CEO e fundador do Templo.cc, no programa “Mundo Corporativo” da CBN, ilustra tanto os benefícios quanto os riscos associados à IA.
Como usar o ChatGPT
Durante a entrevista, Bessler abordou como a inteligência artificial, popularizada com o ChatGPT, está moldando o futuro das empresas e dos empregos. Ele ressaltou a importância de se adaptar a esta nova realidade, onde a IA não apenas aumenta a produtividade, mas também altera os modelos de negócios das empresas.
Bessler detalhou o uso eficaz do ChatGPT, destacando-se entre as atuais ferramentas de IA. Ele explicou que a eficácia do ChatGPT depende não apenas do que se pergunta, mas de como se pergunta. “Quanto melhor a minha pergunta, melhor será a resposta da Inteligência Artificial”, comentou Bessler, ressaltando a importância de formular perguntas claras e estruturadas para obter resultados mais precisos e úteis.
Criador da Templo.cc, uma consultoria e escola dedicada à transformação digital, Herman Bessler também enfatizou a relevância de entender os contextos e limitações do ChatGPT. Bessler aconselhou os usuários a se familiarizarem com as capacidades e os limites do ChatGPT, notando que, apesar de sua avançada inteligência artificial, a ferramenta tem suas limitações, especialmente no que se refere à verificação de fatos e à geração de informações baseadas em dados mais recentes que a sua última atualização. Ele recomendou a utilização do ChatGPT como um auxiliar no processo criativo e na solução de problemas, mas sempre com a consciência de que a supervisão e o discernimento humanos são indispensáveis para garantir a precisão e a relevância das informações geradas.
A extinção de empregos e a criação de oportunidades
Um dos principais desafios discutidos por Bessler é o impacto da IA no mercado de trabalho. Enquanto a IA gera novas oportunidades de emprego, também acelera a extinção de funções menos qualificadas, criando um desequilíbrio.
“Ela acaba com empregos muito mais rápido do que ela cria novas empregos e por outro lado os empregos que são criados são hiperqualificados, enquanto os empregos que são destruídos são sub qualificados”
Além disso, Bessler enfatizou a transformação cultural necessária nas organizações para a integração eficaz da IA. Segundo ele, cultura não é uma coisa etérea, na verdade é um conjunto de hábitos que as organizações operam no dia a dia. Esta mudança de hábitos é crucial para se adaptar e aproveitar os benefícios da IA.
A conversa igualmente ressaltou o papel crucial da supervisão humana na utilização da IA, considerando o risco de informações errôneas ou imprecisas, o que é conhecido por “alucinações”.
Ouça o Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo da CBN oferece um espaço para discussões profundas sobre as transformações no mundo dos negócios. As gravações acontecem às quartas-feiras, às 11 horas, com transmissão ao vivo no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e aos domingos às dez da noite, em um horário alternativo. Para aqueles que preferem a flexibilidade, o Mundo Corporativo está em formato de podcast. A entrevista com Herman Bessler contou com a colaboração de Renato Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen.
“É a capacitação técnica que abre a porta para esse jovem entrar na empresa, mas é a responsabilidade comportamental, o engajamento, a responsabilidade dele, que o faz brilhar, que abre para ele as oportunidades de carreira — inclusive para as pessoas com deficiência”.
Kelly Lopres, Instituto de Oportunidade Social
A necessidade de educação digital se tornou evidente ao longo dos anos, à medida que a sociedade avançou tecnologicamente. Estar mais bem preparado para atender a essa demanda pode ser o grande diferencial para jovens e pessoas com deficiência que buscam espaço nas empresas. De olho nessa oportunidade foi que surgiu o Instituto de Oportunidade Social que tem como superintendente Kelly Lopes, entrevistada do Mundo Corporativo da CBN.
Instituto promove formação profissional
Kelly diz que o IOS tem desempenhado um papel fundamental na formação profissional e na empregabilidade de jovens entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência, a partir de 16 anos. Um aspecto que ela destaca é a ênfase na formação tecnológica. O Instituto aborda esse desafio fornecendo formação profissional extracurricular em tecnologia, que pode ser realizada simultaneamente ou após a conclusão do ensino médio. O objetivo é capacitar os jovens a conquistarem seu primeiro emprego ou obterem uma recolocação profissional no mercado de trabalho formal.
O Instituto, que completa 25 anos de existência, teve sua origem em uma iniciativa da empresa Totvs, que segue sendo sua principal mantenedora. No entanto, ao longo dos anos, o IOS estabeleceu parcerias com outras empresas, como Dell e 3M no Brasil, além de colaborar com órgãos governamentais municipais e estaduais em São Paulo e Minas Gerais, por meio de projetos de incentivo fiscal e fundos de defesa das crianças e adolescentes.
O desafio de jovens e pessoas com deficiência
Um dos principais desafios enfrentados pelos jovens na busca por emprego é a falta de preparação do ambiente escolar para o mercado de trabalho. A educação básica não costuma abordar as habilidades técnicas e comportamentais necessárias no mundo corporativo, avalia Kelly . Além disso, a maioria dos jovens não recebe orientação sobre suas opções de carreira ou mentoria. Por outro lado, as empresas enfrentam desafios relacionados à digitalização do processo seletivo, que pode tornar difícil identificar os verdadeiros talentos entre os candidatos.
“O nosso jovem brasileiro, ele é o jovem do corre, ele é o jovem que faz as coisas acontecer. Está faltando para ele referência, mentoria, cuidado e acolhimento. Principalmente, agora no pós-pandemia. No Instituto, a gente faz esse complemento, esse atendimento niversal do indivíduo. E aí é quase uma mágica”.
Taxa de desemprego entre jovens é enorme
Kelly enfatiza que o IOS se preocupa em promover a educação digital, preparando os jovens para lidar com as ferramentas tecnológicas usadas no ambiente corporativo. Muitos jovens estão conectados digitalmente, mas não possuem as habilidades necessárias para se destacarem no mercado de trabalho.
O público-alvo do IOS são jovens de 15 a 29 anos, com a maioria situada na faixa etária de 15 a 21 anos. Esses jovens frequentemente enfrentam altas taxas de desemprego, mesmo com incentivos existentes. Kelly destaca a importância de proporcionar oportunidades de capacitação e emprego para essa faixa etária.
Desafio é maior entre pessoas com deficiência
Quando se trata de pessoas com deficiência, a situação é ainda mais desafiadora. Muitas vezes, elas enfrentam dificuldades não apenas na educação formal, mas também no acesso à tecnologia e no entendimento do mundo corporativo. A falta de acesso à educação inclusiva e a falta de apoio adequado contribuem para a exclusão dessas pessoas do mercado de trabalho formal.
No entanto, o IOS está fazendo a diferença na vida dessas pessoas, oferecendo formação profissional e apoio psicossocial sob demanda, diz Kelly. Os resultados são impressionantes, com uma média de 65% de empregabilidade bem-sucedida para os jovens formados pelo Instituto e até 80% para pessoas com deficiência.
O IOS não se limita apenas à capacitação. Também trabalha com empresas para sensibilizá-las sobre a importância da diversidade e inclusão, ajudando a criar oportunidades para jovens e pessoas com deficiência. Além disso, o Instituto auxilia na preparação das empresas para receberem esses profissionais e promove a conscientização e o treinamento de lideranças sobre como apoiar e incluir esses colaboradores.
“É importante a gente também mostrar para as empresas que a gente pode apoiá-las na questão da diversidade, porque o nosso jovem é diverso. Estou atendendo jovem da escola pública, muitos em situação de vulnerabilidade, pessoas negras, pessoas com deficiência, o público LGBTQIA+. É um público diverso que a gente está atendendo e isso também traz valor para a empresa”.
Uma história inspiradora
Kelly compartilha uma história inspiradora de uma jovem chamada Beatriz, que superou desafios e encontrou sucesso profissional após participar dos cursos do IOS. Beatriz, uma jovem negra da periferia de Diadema, ingressou no Instituto, fez cursos de tecnologia e gestão empresarial e conseguiu se destacar em um processo seletivo em uma grande multinacional de tecnologia. Sua jornada de superação demonstra o potencial dos jovens quando recebem oportunidades adequadas.
No Brasil, a educação técnica de nível médio ainda é subutilizada, com apenas 11% dos jovens tendo acesso a esse tipo de formação. Kelly enfatiza a importância de levar a capacitação técnica para dentro das escolas, capacitando professores e promovendo o voluntariado corporativo para ampliar as oportunidades para os jovens.
Ao final da entrevista, Kelly destacou que a tecnologia não deve ser apenas uma ferramenta, mas também um meio para empoderar jovens e pessoas com deficiência. A capacitação e o desenvolvimento de habilidades comportamentais são essenciais para abrir portas para esses indivíduos no mercado de trabalho.
Assista à entrevista completa com Kelly Lopes no Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo da CBN pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN No You Tube. O programa tem a colaboração de Renato Barcellos, Larissa Machado, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
“Em São Paulo, me encontrei. Eu pude entender o que significa carregar o peso de ser um homem gay e o peso de ser um homem preto no país empreendendo. Eu podia olhar para o lado e ver várias pessoas iguais a mim”.
Alder Lima, Metamazon Solutions
Que a vida do empreendedor é difícil no Brasil, todos sabemos. E muitas dessas histórias já foram contadas no próprio Mundo Corporativo, programa que apresento na CBN. O desafio de ser um empreendedor negro e gay, porém, torna tudo mais complicado e precisa ser superado com coragem e resiliência. É o que faz Alder Lima, fundador e CEO da Metamazon Solutions, uma startup que alia a tecnologia à construção e venda de imóveis. Conversei com ele na série de entrevistas sobre empreendedorismo quando contou de sua trajetória, das barreiras para montar o próprio negócio, do preconceito que se expressa cotidianamente no Brasil e de que como foi capaz de, a despeito de tudo isso, seguir em frente e servir de referência para outras pessoas negras e LGBTQIA+ dispostas a empreender.
Desafio: empreendedor negro e gay no setor de tecnologia
A jornada de Alder como empreendedor se inicia em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, onde começou vendendo cocada nas ruas para ajudar sua família. Passou por Minas, Acre e Fortaleza, onde mora atualmente. Foi em São Paulo, porém, que encontrou ambiente propício para desenvolver sua ideia inovadora no campo da tecnologia — um setor em que a diversidade ainda é limitada, principalmente em cargos de liderança.
A falta de negros à frente de empresas de tecnologia leva a situações que servem para reforçar ainda mais o preconceito estrutural que existe na sociedade. Os softwares, processos e algoritmos são criados a partir de vieses raciais. É esse mecanismo que, por exemplo, impede reconhecimento facial de pessoas negras em determinados serviços ou distorce o resultado nos programs de buscas de informação:
“Enquanto a gente não tiver pessoas pretas nesses cargos de liderança, o algoritmo não contribuirá para pessoas pretas. Então, pessoas pretas precisam também estar envolvidas em projetos como esses para que a gente tenha menos chance de ser impactado dessa forma. É muito profundo! É importante ocupar espaço!”
O empreendedorismo negro, de acordo com Alder, vai além de ideias de negócios; é um movimento para mudar realidades e quebrar paradigmas. Ele ressaltou a importância de estudar e se capacitar para se destacar em qualquer área, especialmente quando se trata de empreendedorismo. Alder também enfatizou o papel crucial da coragem na jornada empreendedora, lembrando a todos que enfrentar os medos é essencial para atingir os objetivos. Destacou projetos como o Afro Cubo, desenvolvido dentro do programa de incubadoras de startups do Itaú, que o apoiou na construção da Metamazon Solutions.
“A gente não consegue fazer nada sozinho e para você tirar uma ideia do papel, você precisa ter essas pessoas que já passaram por isso. E sabem como funciona esse sistema. Então, ninguém consegue fazer nada sozinho. Precisa realmente de ajuda de pessoas qualificadas”.
Diversidade nas empresas: da conscientização à ação
Alder abordou o tema da diversidade no ambiente corporativo, observando que a conscientização sobre sua importância tem crescido, mas ainda há muito a ser feito. Ele mencionou o papel de instituições como o Pacto de Promoção Equidade Racial, e ações afirmativas para impulsionar a inclusão de pessoas negras em posições de liderança. Alder também falou da necessidade de empresas desenvolverem governança e estratégias para tornar as equipes mais diversas e representativas da população do país.
A experiência dele mostra bem o impacto que a diversidade oferece na ambição das pessoas negras ou que sofrem pelos demais tipos de preconceito. Conta que foi criado por seus pais em um ambiente que naturalizava aquela condição de “vassalo”. Ainda hoje, percebe o estranhamento das pessoas pelo espaço que ocupa. Como se não fosse um direito oferecer soluções, por exemplo, para o público A e B no setor de construção de prédios e venda de imóveis:
“Causa impacto porque você costuma ver que a maioria das pessoas pretas nessas construtoras estão no papel braçal, não no papel de liderança. Ontem fizeram uma pergunta: quantos donos de construtoras incorporadoras pretas você conhece? Eu particularmente, Alder Lima, nunca vi uma pessoalmente”.
A jornada empreendedora: estudo, coragem e inovação
Alder enfatizou que a jornada empreendedora requer mais do que boas ideias: exige estudo, coragem e ação. Ele incentivou os aspirantes a empreendedores a buscar conhecimento, capacitar-se e enfrentar seus medos. Contando sua própria experiência, demonstrou a importância de ousar, fazer diferente e inovar. Alder também compartilhou os detalhes de sua startup, a Metamazon Solutions, que opera no setor da construção civil. Ele explicou que a empresa busca transformar a maneira como os empreendimentos imobiliários são apresentados aos clientes, usando realidade virtual e inteligência artificial para proporcionar experiências imersivas e econômicas para os construtores e compradores.
“Fazer diferente hoje é você olhar o mercado, ver o que ninguém tá fazendo e você ter ousadia de buscar lacunas dentro desse espaço para você pensar: poxa, aqui existe um nicho de trabalho que eu posso fazer a diferença”.
A entrevista com Alder Lima ofereceu uma visão valiosa sobre o empreendedorismo negro, a importância da diversidade nas empresas e os elementos essenciais para construir um negócio de sucesso. Sua história de resiliência e inovação serve como um lembrete inspirador de que o empreendedorismo é uma ferramenta poderosa para a mudança e o progresso.
Assista à entrevista completa com Alder Lima, da Metamazon Solutions, no Mundo Corporativo, que tem as colaborações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen:
“O que a gente não pode perder de vista é que catador, cooperativa, não fica rico com catação. A gente precisa mudar essas relações de trabalho para que a gente possa ter empreendimentos escaláveis, e que coloquem o Brasil numa ponta de índices de reciclagem”
Saville Alves, Solos
Um dos maiores desafios quando o tema é economia circular é a conscientização do cidadão sobre o descarte correto de resíduos recicláveis. No Brasil, a taxa de reciclagem é muito baixa, cerca de 3%; e 90% do material reciclado é coletado pelos catadores, muitas vezes em condições precárias. Saville Alves, CEO da Solos, identificou esse problema e contou ao Mundo Corporativo como a criação da startup gerou oportunidade para o desenvolvimento de soluções nessa área. Ela é a primeira entrevistada de mais uma série especial sobre ESG — que trata da governança ambiental, social e corporativa.
A Solos é uma startup que trabalha com o descarte correto de resíduos recicláveis e economia circular. Além de conscientizar os cidadãos sobre a importância do descarte correto, a Solos percebeu a necessidade de criar um sistema de inclusão socioeconômica para os catadores e estabelecer parcerias com grandes indústrias recicladoras. Essa abordagem visa costurar todas as pontas da cadeia de reciclagem, desde o cidadão que faz o descarte até o reciclador que transforma o material em novos produtos, utilizando matéria-prima reciclável em vez de matéria-prima virgem.
“O nosso negócio é um negócio B2B, ou seja, ele é uma empresa que vende uma solução para outras empresas, mas a gente parte sempre da premissa da geração do impacto. Seja ela através do aumento de volume de resíduos reciclados, da geração de renda para as populações historicamente excluídas dentro desse processo, e, também, pelo número de pessoas que a gente vai alcançando e vai convertendo para participar das nossas ações”.
A Solos atua em três frentes principais:
a primeira é por meio de experiências e conteúdos sustentáveis, que buscam sensibilizar e engajar o público de forma leve e lúdica.
A segunda frente é a gestão de resíduos em grandes eventos, oferecendo consultoria e operação logística para aumentar a quantidade de resíduos destinados à reciclagem.
A terceira frente é a implementação de operações de logística reversa e micrologística, garantindo o acesso ordenado e estruturado à coleta seletiva em diferentes regiões do país.
Saville Alves Alves é uma empreendedora que teve sua trajetória marcada por vivências significativas. Ela estudou comunicação na Universidade Federal da Bahia, onde teve contato com um ambiente de pensamento crítico e começou a questionar os paradigmas sociais. Sua participação em movimentos como o Movimento Empresa Júnior e organizações internacionais, como o TETO, despertaram o desejo de fundar um negócio de impacto. A Solos foi então concebida como resultado desse processo de amadurecimento pessoal e profissional.
O Papel da Tecnologia na Reciclagem
No contexto da reciclagem, a tecnologia desempenha um papel fundamental. O Brasil tem a oportunidade de usar algoritmos e sistemas de rastreamento para trazer mais transparência e informações para a população. O lastreamento da cadeia de reciclagem, identificando a origem e o destino dos materiais, pode ser realizado por meio da tecnologia. Além disso, a automação das estações de triagem e beneficiamento contribui para aumentar a eficiência e diminuir as taxas de erro no processo.
De acordo com Saville, a Solos está explorando formas de digitalizar o processo de conscientização da população, especialmente das crianças e adolescentes, para criar um hábito sustentável desde cedo. A empresa acredita que, ao mudar os hábitos das novas gerações, teremos adultos conscientes e engajados na reciclagem. A tecnologia também desempenhará um papel importante nesse processo, permitindo a conexão de informações e a automação de diversas etapas do ciclo de reciclagem.
Dicas para Empresas interessadas na Economia Circular
Para empresas que desejam adotar práticas de economia circular, é importante começar de maneira verdadeira e identificar o que é mais sensível para o negócio. Cada empresa tem suas peculiaridades, e é essencial escolher causas alinhadas aos seus valores e setor de atuação. Inicialmente, focar em questões como resíduos, inclusão socioeconômica ou qualquer outra área relevante pode ser um bom começo. É fundamental buscar parcerias e redes confiáveis, participar de programas de aceleração e capacitação, e aproveitar as oportunidades oferecidas pela digitalização para expandir o impacto positivo.
Saiba outras formas de colaborar e investir em economia ciruclar, assistindo à entrevista completa com Saville Alves, CEO da Solos, no Mundo Corporativo, especial ESG:
O Mundo Corporativo tem as participações de Priscilla Gubiotti, Rafael Furugen, Renato Barcellos e Letícia Valente.
A busca pela felicidade é um anseio comum a todos nós, e muitas vezes nos perguntamos se existe uma fórmula para alcançá-la. Em entrevista ao jornal O Globo, desse domingo (18/06), o sociólogo espanhol Luis Gallardo, presidente da Fundação Mundial da Felicidade, afirma que sim, essa fórmula já foi descoberta há muito tempo. No entanto, ele ressalta que muitas pessoas desconhecem ou não se atrevem a praticá-la. A entrevista explora as ideias de Gallardo sobre a felicidade e como podemos aplicá-las em nossa vida cotidiana — com base nas informações publicadas no jornal, destacamos aqui alguns aspectos relevantes. Ele é autor do livro “Happytalismo”, ainda não editado no Brasil, e participará do Congresso Internacional de Felicidade, em Curitiba, no mês de novembro,
A felicidade como uma técnica
Gallardo argumenta que existem diversas formas de alcançar um estado de calma, paz, esperança, perdão e compaixão, que são os ativadores da felicidade. Ele enfatiza que a felicidade é uma técnica e precisa ser praticada regularmente. Independentemente de quem somos, é crucial escolher algo que funcione para nós individualmente.
A ditadura do medo e o “happytalismo”
O sociólogo também critica a “ditadura do medo” na sociedade contemporânea. Medo de quê? Segundo ele, as pessoas têm medo de serem felizes. Gallardo destaca que a sociedade tem definido o sucesso em termos de poder, dinheiro e fama, o que leva à adoção de comportamentos prejudiciais à felicidade, como a comparação, a queixa e a competição. Ele propõe o conceito de “happytalismo”, que busca promover a felicidade como um novo sistema para um mundo mais feliz. O “happytalismo” prioriza a busca pela felicidade pessoal e coletiva, a liberdade do medo e a consciência elevada sobre o que acontece ao nosso redor.
“…as três piores ações para a felicidade: comparar-se, queixar-se e competir. Me comparo para ver quem tem mais poder, fama ou dinheiro, me queixo se não sou eu, e compito para ter isso”.
A prática da felicidade
Para alcançar a felicidade, Gallardo ressalta a importância de diferentes ações. A mais básica e comprovada é colocar-se a serviço dos outros, pois quanto mais ajudamos, mais felizes nos tornamos. Ele também destaca a importância de sermos gentis e compassivos conosco mesmos, praticando o perdão e a autocompaixão. A consciência da respiração e a prolongação da respiração são técnicas que podem ajudar a gerenciar nossas emoções e entrar em estados de felicidade.
“Todas são atividades que nos fazem entrar em um estado de fluidez, de admiração, de paz, que nos ajudam a conectar com a felicidade que temos. A felicidade é o óleo do motor. Todos nascemos com ela, é parte do nosso ser. Mas precisamos ativá-la”
A ciência e a felicidade
A ciência tem se dedicado ao estudo da felicidade, através de correntes como a psicologia positiva, a educação positiva e a ciência da felicidade, conta Gallardo. Pesquisas têm mostrado que elementos como a amabilidade, o perdão e a gratidão têm influência na felicidade. Universidades ao redor do mundo têm investigado os impactos do bem-estar, da meditação e da atenção plena na saúde mental e no bem-estar. A ciência comprova a conexão entre uma mente sã e a entrada em estados de fluidez e felicidade.
O tema não foi abordado na entrevista com Luis Gallardo, no jornal O Globo, porém sendo a Inteligência Artificial a base dos artigos publicados neste espaço, é preciso ressaltar que a felicidade não é experimentada por máquinas, robôs ou qualquer outro mecanismo tecnológico que assim possa ser identificado. A felicidade é um tema complexo e subjetivo, que varia de pessoa para pessoa. Envolve diversos fatores, como emoções, experiências, valores pessoais, relacionamentos, propósito de vida e bem-estar geral. Embora a inteligência artificial possa analisar dados e padrões, assim como fornecer insights e recomendações com base em informações prévias, a felicidade é um aspecto humano que vai além de dados e algoritmos. Ela envolve aspectos emocionais, subjetivos e até mesmo espirituais, que não podem ser completamente capturados por uma inteligência artificial.
No entanto, os recursos da IA podem desempenhar um papel auxiliar na promoção do bem-estar e da felicidade. Por exemplo, por meio da análise de dados de saúde mental, a inteligência artifical pode ajudar a identificar padrões e fornecer recomendações personalizadas para melhorar o bem-estar emocional. Além disso, essa tecnologia pode facilitar o acesso a informações, recursos e suporte que contribuem para a busca da felicidade pessoal. Lembrando sempre que as informações publicadas em IA devem ser referenciadas por diversas fontes e jamais entendidas como produto final.
Iniciativas para promover a felicidade
De volta à entrevista de Gallardo. O estudioso espanhol diz que governos, empresas e instituições de ensino têm adotado iniciativas para promover a felicidade e o bem-estar. Reconhecendo que a felicidade dos cidadãos, funcionários e alunos é fundamental para o sucesso e a harmonia dessas instituições, eles investem em condições que promovem o bem-estar, como meio ambiente saudável, espaços de convivência, programas de saúde mental e atividades que estimulem o desenvolvimento pessoal e emocional.
No entanto, é importante ressaltar que a felicidade não é um estado permanente e imutável. Ela é uma jornada que envolve altos e baixos, desafios e superações. Cada indivíduo tem sua própria definição de felicidade e suas próprias estratégias para alcançá-la.
É fundamental lembrar que a felicidade não está apenas nas conquistas materiais ou no alcance de metas externas, mas também no cultivo de um estado de espírito positivo, no cuidado com as relações interpessoais e no desenvolvimento pessoal. A busca pela felicidade deve ser pautada em valores autênticos, em alinhar nossas ações com nossos propósitos e em encontrar significado nas pequenas coisas do dia a dia.
Portanto, para ser feliz, é necessário cultivar uma mentalidade de gratidão, aceitação e resiliência. É preciso se conhecer, valorizar suas habilidades e limitações, e aprender a lidar com as adversidades. O autocuidado, o equilíbrio entre trabalho e lazer, e o investimento em relacionamentos saudáveis são essenciais para construir uma base sólida de felicidade.
Em suma, a felicidade é uma técnica que precisa ser praticada diariamente. Requer um comprometimento consigo mesmo, uma disposição para buscar o autoaperfeiçoamento e a disposição de espalhar alegria e bem-estar ao seu redor. É um caminho individual, mas também coletivo, em que cada um de nós pode contribuir para a construção de uma sociedade mais feliz e harmoniosa. Portanto, não espere que a felicidade simplesmente aconteça, mas sim, assuma o controle de sua vida e faça dela um espaço propício para a felicidade florescer.
Mia Codegeist é autor que abusa da inteligência artificial para compartilhar conhecimento sobre temas relevantes à sociedade.
“Se a gente acha que sabe tudo vai dar errado; a gente prefere muito mais ter uma postura de aprender tudo” Nuno Lopes Alves, Visa
No senso comum, por óbvio, empresas de cartão de crédito nos fornecem cartão e crédito. Na vida real, nem uma coisa nem outra. O cartão sequer é fabricado por essa empresa e, convenhamos, cada vez mais se faz desnecessário diante dos avanços tecnológicos, pagamentos por aproximação ou indução, por exemplo. Já o crédito, vem do banco ou da instituição financeira parceira da empresa que fornece a tecnologia para que todas essas transações se realizem.
Considerando tudo o que foi dito no primeiro parágrafo, Nuno Lopes Alves, country manager da Visa do Brasil, define sua empresa como sendo uma empresa de tecnologia. Definição que vai ao encontro do que o fundador da Visa, Dee Hock, previa há 60 anos. Esse americano, nascido em Utah, que morreu em julho deste ano, entedia que no futuro os pagamentos seriam feitos por meio de prótons e elétrons. Razão pela qual, na entrevista ao Mundo Corporativo, Nuno não tem dúvida em dizer que a Visa foi a primeira ‘fintech’ criada no mundo.
“O nosso maior limite é a imaginação; é a gente entender como pode facilitar a vida do consumidor e dos estabelecimentos comerciais no seu dia a dia. Quando a gente entende onde tirar a fricção, a tecnologia está lá disponível para ser aplicada”
A Visa informa que são mais de 10 milhões de estabelecimentos comerciais no Brasil que aceitam seus “cartões”. E o volume de pagamentos digitais, entre abril e junho de 2022, triplicou em comparação com o mesmo período de 2019. Nas compras online, quadruplicou.
Participando de um número gigantesco de transações diariamente, e todas através de tecnologia, imagine a quantidade de dados que a Visa acumula — um capital acumulado que tem ajudado comerciantes e empreendedores a tomarem decisões dos mais variados tipos, segundo Nuno. A partir das informações armazenadas é possível entender a jornada do consumidor, o fluxo de pessoas em determinadas áreas comerciais, o tíquete médio do público-alvo e os interesses que movem os clientes.
“A gente precisa de ter uma foto muito nítida para poder agregar esse tipo de valor aos nossos parceiros, mas o dado é essencial nessa dinâmica de ter uma decisão de melhor qualidade e a resposta é, sim, isso é mais do que parte da nossa estratégia, é nossa obrigação para continuar agregando valor a todos os nossos parceiros, inclusive ao consumidor porque altera ofertas mais relevantes baseado no seu padrão de consumo”.
Das tecnologias, a que vai crescer exponencialmente, agora, é a que permite as transações feitas por aproximação — que podem ser feitas, sim, com aquele plástico que carregamos na carteira, mas, também, com o celular, o relógio, a pulseira ou qualquer outro gadget que surgir. Os próximos passos, segundo Nuno, serão os pagamentos vinculados à identidade digital e o aproveitamento do que chama de ‘Economia das Coisas’, baseada na conversão da internet das coisas, blockchain e moedas digitais.
Diante de todas as possibilidades, é fundamental que a empresa crie um ambiente de inovação e se mantenha constantemente em contato com o conhecimento que pode surgir desde a academia até o pequeno ponto de comércio. Por isso, Nuno ressalta a necessidade de estamos sempre dispostos a aprender:
“ … então, menos respostas, mais perguntas; menos um impulso de achar que a gente já entendeu o problema até realmente ter entendido o que que a gente tem que resolver. O achismo não pode ter lugar, não é?”.
Assista ao Mundo Corporativo, com Nuno Lopes Alvez, country manager da Visa do Brasil, em que também falamos sobre o fenômeno do PIX, o investimento em cripto e estratégias para um ambiente inovador nas empresas:
O Mundo Corporativo tem as colaborações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
WhatsApp avaliando as fake news. Musk comprando o Twitter. Movimentos como esses geram curiosidade, dúvidas e reacendem preocupações, especialmente em ano eleitoral.
Vivemos uma vida cada vez mais virtualizada. É a realidade, e as pessoas se adaptam, fascinam-se até. Entendo bem isso, pois em minhas atividades muito lidei com novas tecnologias que foram surgindo ao longo dos tempos. É incontestável a utilidade da informática e da telefonia móvel nos tempos atuais, pois proporcionam ao mundo uma quantidade imensa de recursos para a realização de tarefas que era impensável no passado.
Um grande exemplo disso foi com a pandemia, e como a população do planeta conseguiu organizar-se em relação à ameaça sanitária. Imaginem o que teria sido essa calamidade, digamos, nos anos 80 quando não existia internet comercial. Muito mais gente teria morrido e sem saber a causa.
De resto, é longa a lista de benefícios e utilidades atualmente à disposição para que a população produza, consuma, crie, e se comunique, em quantidade incalculavelmente maior do que na era pré-1995. Falo em quantidade, não necessariamente qualidade. Em todo planeta, temos nesses ramos, hoje, uma constelação de ricas empresas a atender as demandas e a proporcionar empregos.
Ainda assim, com todos os benefícios, a tecnologia da informação (TI) preocupa, para dizer o mínimo, pois carrega riscos, perigos e até ameaças. É porque, diferentemente de outras tecnologias, TI não se resume a oferecer ferramentas úteis.
Como há umas três décadas já alertava o físico escritor Fritjof Capra é uma tecnologia que facilitou a realização de tarefas existentes mas foi acrescentando inúmeras outras tarefas que não existiam. Esse processo incessante e a proporção a que chegou faz com que de certa forma a TI, bem mais do que oferecer utilidade à sociedade, acabe se apoderando da própria sociedade ao impor dependências em quem a usa. Sendo assim, é no mínimo preocupante que o constante e frenético desenvolvimento da TI não venha acompanhado de recursos que a alinhem com o aperfeiçoamento social. Sem freios, o resultado é que a tecnologia acabe usando usuários(as) quando deveria ser apenas o contrário.
Claro que alguns conseguem usá-la seguramente — quando ainda conseguem fazer alguma coisa a mais na vida —, mas mesmo estes vivem sendo atrapalhados aqui e ali, seja por telemarketing, call center, spam, hoaxes, fakes, cookies, atualizações, instalação de aplicativos desnecessários, e toda sorte de subprodutos que lhes obrigam a perder tempo com práticas entediantes de configurar antivírus, firewall, VPN, habilitar, bloquear, filtrar, e, mesmo, cancelar, num poço sem fundo de abordagens indesejadas que acontecem.
É interessante observar que o próprio setor empresarial já produz iniciativas de controle, como o site naomeperturbe.com.br da FEBRABAN em que mais de 5 milhões de usuários já se cadastraram para proibir que empresas lhes telefonem oferecendo crédito consignado. Me pergunto se não seria mais simples criar uma lei punindo de vez essa gente inoportuna. Como política de Estado, porém, por enquanto, somente a não-democrática China avança num projeto de controle de algoritmos, sacrificando interesses econômicos de suas próprias Big Techs ao facilitar que o usuário evite compras compulsivas que vivem pipocando em suas telas. Resta saber o que mais o regime chinês pretende.
Sei de pessoas que optam por cortar esses males pela raiz: não atendem mais telefone (pois estão convencidas de que do outro lado estará uma gravação, obviamente não solicitada), não lêem mais textos SMS (perda de tempo catar algum que não seja indesejado), deixam de seguir grupos e gente online, ao constatar a impossibilidade de a todos “marcar”, “dar like“, subscrever canal, e ainda evitar que uns e outras se magoem por algum daqueles respectivos taps não lhe terem sido dados. A coisa fica ainda mais preocupante com golpes e clonagens que já são rotineiros.
Ao longo dos tempos, o desenvolvimento de tecnologia de forma geral esteve a serviço de tornar melhor a qualidade de vida da civilização. Mas até para isso parecem existir ciclos, representáveis em gráficos. Numa analogia, ainda que imperfeita, a produção de conhecimento e técnicas pode ser vista como o esforço de cavalos a puxar uma carroça carregada numa subida sempre íngreme — formando uma linha gráfica ascendente. Nessa imagem, a sensação contemporânea é de que tal percurso chega a um cume de altitude, e depois disso surge um “outro lado da moeda”: uma descida — linha gráfica descendente —, em que a força da gravidade faz o maior peso da carroça acelerar descontroladamente, adquirindo autonomia errática e puxando consigo os pobres cavalos a ela amarrados.
Como os cavalos na subida, o ser humano empenhou esforço, almejando que a chegada a algum cume lhe traria descanso e zonas de conforto. Só que não! Veio a descida e nela somos tragados a despender esforço que antes esperávamos economizar, para nos segurar em relação à essa inversão de forças.
Diz-se que estamos apenas no início, tem ainda “internet das coisas”, “realidade aumentada”, “metaverso”, deep web, dark web, etc. Algoritmos podem até ser obra de um humano (ou não), mas são os humanos como um todo que usufruem de ou sofrem seus efeitos.
Falta a esse uso tecnológico desenfreado algum compromisso com princípios universais que a civilização produziu após séculos e séculos de conflitos e erros que nos possibilitaram chegar a acertos. Pelo contrário, a voracidade da TI é por controle, é por mapear os passos e hábitos dos cidadãos, possibilitando que de uma ou outra forma sejam manipulados. É aquela ideia antiga profetizada no livro “1984” de George Orwell, com o Big Brother, depois alertada no filme “Inimigo do Estado”, e em anos mais recentes delatada por Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança dos EUA. Ficção tornando-se realidade.
Os mais jovens não devem saber, mas no início a internet era instrumento para estudos, acadêmicos ou não, e tinha regras para a discussão de ideias, a netiquette dos newsgroups originais. Em contraste, hoje, praticamente não existem regras que impeçam violências morais e crimes de calúnia, injúria e difamação. Chega a ser comovente o esforço de nossas instituições jurídicas para coibir tais males, mas é como tapar sol com peneira. Se responsabilizar indivíduos é difícil, como, por exemplo, agir com uma comunidade digital inteira se praticar esses crimes ? Falta obviamente uma regulamentação, que seja eficaz e prime por identificação da origem de notícias e declarações.
Contra regulamentação de plataformas digitais usa-se a alegação de que iria ferir a liberdade de expressão. Mas não seria nesse caso a liberdade de raposas num galinheiro? Numa sociedade livre, por contraditório que soe, liberdade tem limites, e estes limites são facilmente definíveis a partir da experiência acumulada de países democráticos. Liberdade sem limites é liberdade apenas para os mais fortes. Lei da selva!
Ouvi também um argumento de que as plataformas digitais democratizaram a informação em relação a grandes empresas de comunicação que antes a monopolizavam. Não discordo, mas não vejo porque ambas não possam conviver, desde que resguardadas as respectivas credenciais.
Em empresas de comunicação trabalham profissionais que se prepararam para o exercício de uma função essencial que é buscar e relatar fatos de interesse público. Nada impede que alguém faça o mesmo em plataformas digitais, e muitos fazem, mas é preciso credenciar isso, distinguir de práticas pessoais ou corporativas que não têm o mesmo compromisso ético de buscar a verdade de forma isenta (missão do jornalismo), mesmo que isso seja difícil e por vieses editoriais que ocorram.
É preciso, repito, identificar, submeter as origens de informação a algum mecanismo de controle que funcione como uma espécie de selo, para que o leitor ao menos tenha uma referência imediata sobre a origem do que está lendo, que lhe permita ter alguma noção de quão confiável é. Um timbre de determinada cor já ajudaria a atestar o grau de confiabilidade de uma postagem. Claro que não é tarefa fácil, exige engenharia gigantesca, mas enquanto alguma medida não acontecer, os anonimatos, fishing e fakes seguirão manipulando as pessoas mais ingênuas, que acabam adaptando-se a serem manipuladas, e seguem sendo reféns.
Umberto Eco afirmou que as redes sociais deram voz aos imbecis. Só que nem tão imbecis são os que tiram proveito desse estado de coisas. Seus reféns é que são. Do jeito que está, com o apelo irresistível da tecnologia e a força avassaladora das plataformas digitais temos um generalizado enfraquecimento humanístico, a serviço de remeter pessoas a apenas raciocinar e não refletir, a xingar em vez de argumentar, a usar instinto em vez de razão, a aceitar crendices em vez de conhecimento, enfim, a todo um senso comum tecnologicamente aparelhado com pseudo-valores retrógrados.
Enquanto alguma solução não for construída — leia-se: o congresso elaborar e aprovar uma lei eficaz para coibir os atuais abusos — a sociedade seguirá predominantemente viciada, quimicamente dependente dessa droga legalizada, de seus produtos, sub-produtos, e derivativos. Clínicas de reabilitação existem, mas talvez devêssemos reformular o conceito oficial do que é droga em nosso país, considerando apenas a saúde pública, sem moralismos e hipocrisias que só beneficiam interesses de alguns.
“Aprender o que a tecnologia de hoje significa, como é que ela é utilizada, como é que ela faz parte do business, propriamente dito: esta é, sem dúvida nenhuma, o grande desafio para as empresas”
Ricardo Guerra, Itau
Sabe o cara da TI? Mudou de cara! Antes era o jovem que você chamava para dar um jeito no computador da empresa que estava lento, ajudar a baixar um programa e, quantas vezes, resolver uma questão crucial para começar o trabalho: “esqueci minha senha”. Não que esse cara não esteja lá para dar aquela força, mas a tecnologia da informação, há muito tempo, mudou seu perfil: de área de suporte para a de estratégia. Falei do assunto com Ricardo Guerra, CIO do Itau, instituição que atua no setor bancário um dos que sofreram maior impacto com a transformação tecnológica.
“Se voltarmos uns 20 anos, até menos, a tecnologia era vista pelas empresas como uma área de apoio. As empresas terceirizavam a tecnologia. Era uma grande fábrica de projetos. Eu tenho uma ideia e a tecnologia me entrega para que esta se torne realidade”
Das mudanças que surgiram, Ricardo pontuou o fato de as empresas terem passado a usar a tecnologia como vantagem competitiva, especialmente aproximando-a do cliente:
“ … para que a tecnologia entendesse qual o problema do cliente, onde estão as oportunidades e como é que ela trabalha para agregar valor pra organização no fim do dia”.
Toda esse progresso exige muito mais dos profissionais de tecnologia de informação. Um aprofundamento em temas que pareciam distantes da área como a antropologia, porque no momento em que se pensa em soluções para as pessoas é preciso entender o comportamento delas. O Ricardo, nosso entrevistado, assistiu a essa evolução dentro do próprio Itau, onde trabalha desde 1993. Para ter ideia, o grande passo tecnológico naqueles anos iniciais foi a implantação do primeiro site do banco na internet brasileira:
“Foi em 1995. Foi uma experiência incrível, porque foi uma inovação tecnológica gigantesca para gente. Não tínhamos o conhecimento para isso. Muitos de nós, tiveram que parar para estudar que tipo de tecnologia a gente estava falando. Era desconhecido! Tivemos que parar para profissionalizar o uso da internet para que a gente pudesse levar isso até o cliente. Foi um momento de carreira muito interessante de muito aprendizado”.
A complexidade da transformação tecnológica — termo usado pelo Ricardo na nossa conversa —- impõe desafios aos líderes que estão à frente das equipes de trabalho, como é o caso dele que assumiu o cargo mais alto na área da tecnologia do banco, o de Chief Information Officer. Na entrevista, o CIO do Itau identificou três ações importantes que os líderes devem realizar. O primeiro movimento foi uma mudança de metodologia de trabalho mais ágil, mais integrado, mais colaborativo e mais próximo do cliente e do negócio. Apenas com essa mudança cultural foi possível dar o segundo que foi um processo mais agressivo de mudança tecnológica. E o terceiro passo foi a integração da tecnologia com as diversas áreas do negócio.
“E tudo isso embasado por uma grande mudança cultural de empoderamento, de menos hierarquia, de mais leveza no trabalho. Aqui tem uma série de elementos de mudança de ambiente de trabalho, de mudança de como os líderes falam e incentivam as pessoas, inspiram as pessoas”.
No começo da nossa conversa, Ricardo não aceitou o título de o “cara da tecnologia”, disse que o setor depende de dezenas de outras pessoas, do trabalho em equipe e da colaboração. Agora, com certeza, ele tem a cara dos novos profissionais de tecnologia, porque apesar de ter iniciado sua carreira há 29 anos, soube mudar sua forma de atuar, pensar e liderar equipes.
Assista à entrevista completa com Ricardo Guerra, CIO do Itau, no Mundo Corporativo, que está completando 20 anos:
Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos.