Facetas: na prática a teoria é a mesma

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Facetas

Logo ao entrar para a universidade, uma das questões que entendi foi que o preconceito popular contra a teoria não tinha fundamento. Ora, se para uma prática chegar a teoria é preciso comprová-la através da metodologia científica, então podemos afirmar que a teoria é uma prática comprovada.

 

De posse dessa descoberta que teoria e prática caminham juntas, e não se opõem, abracei ambas e cheguei até a decisão do tema da dissertação de mestrado. Escolhi a indústria de moda, onde atuava, para aplicar a teoria aprendida e a prática vivida.

 

Após a graduação no mestrado de Administração, decidi que já tinha as condições para lecionar. Comecei então a dar aulas em cursos de pós-graduação na área de moda.

 

Em 2013, quando completava 40 anos de trabalho, resolvi que estava apto para escrever um livro. “Marketing de Moda” foi o tema. Fui ao SENAC, que era a editora mais indicada, mas o “Marketing & Moda” estava no prelo e, embora a semelhança fosse apenas ao título, tive que procurar editoras não especializadas. Não deu certo.

 

Finalmente, no início deste ano, José Marton, designer de produtos, cenários e lojas, um dos profissionais com quem mais tenho conectado a teoria e a prática da arquitetura do varejo de moda, convidou-me para biografar a sua obra de Arquitetura. Patrocinado pelo Banco TOYOTA, com apoio do Ministério da Cultura, Marton obteve capital para lançar o livro “FACETAS – A arte e o design na obra de JOSÉ MARTON”. Em quatro volumes, Arte, Arquitetura, Cenografia e Design.

 

Em Arquitetura foram inúmeros trabalhos, com destaque para a Arquitetura de Varejo. A loja é o fim da cadeia produtiva dos produtos, e o inicio da batalha no Marketing do consumo. Cabe à arquitetura representar todo espectro tangível e intangível das marcas para atrair o consumidor alvo. Nestes projetos, Marton não abriu mão dos recursos existentes na arte, arquitetura, design, comunicação, pesquisa de mercado, comportamento, e, sobretudo, teoria e prática conjugadas com emoção e talento. Biografar neste contexto foi puro prazer.

 

Nota do editor: o lançamento do livro é nesta terça, dia 25 de novembro, na Galeria Vermelho, rua Minas Gerais, 350, em São Paulo. Carlos Magno estará lá ao lado de Marton.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Em novo livro, Ferraretto diz que o rádio “sintonizado com o presente, prepara-se para o futuro”

 

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Além de ter nascido no Rio Grande do Sul, compartilho com o professor Ferraretto o mesmo gosto pelo rádio. Ele, porém, vai muito além, pois é profundo pesquisador do veículo e autor de várias obras sobre o tema. Está lançando Rádio – Teoria e prática (Editora Summus) que, com certeza, contribuirá para entendermos mais sobre as estratégias necessárias para manter este meio de comunicação atualizado com as demandas da sociedade. Por confiar no que ele faz e compartilhar de muitas de suas ideias, reproduzo a seguir o material de divulgação do livro e espero ter, em breve, o prazer da leitura de mais este trabalho com a assinatura do mestre Ferraretto:

 

O professor e jornalista Luiz Artur Ferraretto apresenta no livro Rádio – Teoria e prática os principais padrões para a produção de conteúdo em um meio que se adapta às novas tecnologias. Do que é o rádio hoje, passando por uma detalhada explanação a respeito da linguagem do meio, ao planejamento da programação e à produção de conteúdos, a obra aborda temas como locução, sonoplastia, redação jornalística, produção de conteúdo, reportagens e entrevistas.

 

O rádio é o meio de comunicação mais popular do Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está presente em 88% dos domicílios brasileiros. Além disso, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações, 267 milhões de aparelhos celulares constituem um receptor em potencial e 36% dos internautas brasileiros ouvem rádio em tempo real enquanto estão conectados, segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil. Mas como produzir conteúdo de qualidade para esse meio numa era de transformações tecnológicas cada vez mais velozes? No livro Rádio – Teoria e prática (272 p., R$ 78,10), lançamento da Summus Editorial, o professor universitário e jornalista Luiz Artur Ferraretto reúne anos de pesquisa e de atuação profissional voltada para o rádio. Dicas de redação, gráficos e ilustrações tornam a obra especial para jornalistas, radialistas, publicitários, profissionais de áreas afins e estudantes desses campos.

 

Trata-se da mais completa e atualizada obra produzida no país a respeito de rádio. Sem descuidar dos conceitos básicos e das transformações provocadas, em especial, pela internet e pela telefonia celular, o autor apresenta em linguagem clara e didática as principais informações para que o profissional – seja ele recém-formado ou não – enfrente o cotidiano de uma emissora de rádio. “Neste século 21 de tantas tecnologias e, por vezes, de poucas humanidades, o rádio constitui-se por natureza, e cada vez mais, em um instrumento de diálogo, atento às demandas do público e cioso por dizer o que as pessoas necessitam e desejam ouvir em seu dia a dia. Tudo de forma muito simples, clara, direta e objetiva”, diz o professor.

 

Partindo do funcionamento das emissoras nos dias de hoje e passando por uma detalhada explanação a respeito da linguagem utilizada no meio, o livro aborda ainda o planejamento da programação e a produção de conteúdos para que o profissional possa enfrentar o cotidiano de uma emissora de rádio, considerando ainda novos protagonistas, como web rádios e podcasters. É uma ferramenta de trabalho com informações sobre apresentação e locução, sonoplastia, redação jornalística, produção de conteúdo falado ou musical, reportagens, entrevistas, opinião, cobertura esportiva, documentários, programas especiais, spots, jingles e muito mais.

 

“É uma obra para acompanhar estudantes e profissionais em seu dia a dia, aliás, como o próprio rádio faz em relação aos ouvintes”, diz o autor. Em sua avalição, as novas tecnologias, abordagens conceituais e demandas do público surgidas e/ou consolidadas na primeira década deste século fizeram que o rádio se modificasse em alguns aspectos, embora suas características básicas tenham sido mantidas. Porém, o cenário de atuação profissional de fato se alterou e as técnicas empregadas evoluíram.

 

Sem perder de vista a ímpar e rica trajetória das emissoras brasileiras, Ferraretto parte do pressuposto de que o rádio segue tendo importância e vigor nessa nova era. Adaptado aos tempos modernos, o meio ocupa um espaço valioso no cotidiano e no imaginário de milhões de ouvintes, que têm nele um insubstituível companheiro. “A era do rádio continua sendo a de cada minuto em que ocorre a transmissão”, complementa.

 

Com o objetivo de ensinar novas gerações de profissionais, é exatamente sobre isso de que trata o livro. “Do bom rádio, aquele que, seja no velho aparelhinho transistorizado, na internet ou no celular, acompanha o ouvinte, fornece-lhe informação, proporciona entretenimento, conversa. Do rádio que se adapta, se renova e segue ocupando um lugar especial. E que, sintonizado com o presente, prepara-se para o futuro”, conclui Ferraretto.

 

O autor

 

Luiz Artur Ferraretto é professor da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. Formado em Jornalismo pela mesma instituição, onde também concluiu o mestrado e o doutorado, integra o Grupo de Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Com a jornalista Elisa Kopplin Ferraretto, escreveu Assessoria de imprensa – Teoria e prática (Summus, 2009). Autor de diversos livros e colaborador de inúmeras antologias, publica artigos em revistas científicas da área. Concentra suas pesquisas na história e no futuro dos meios de comunicação, em especial analisando a indústria de radiodifusão sonora.

Teoria da conspiração perdeu a graça

 

Antes de entrar no ar no Jornal da CBN sou provocado pela Ceci Mello, âncora do CBN Primeiras Notícias, a opinar sobre algum tema que ela considere relevante ou interessante. Hoje, motivada por reportagem de primeira página de O Globo (Agentes da ditadura criam rede de arapongas), trouxe o tema da teoria da conspiração que move grupos e pessoas no decorrer da história.

Houve uma época em que nossa imaginação era rica e ao vermos (não, eu não havia nascido ainda) Yuri Gagari no espaço teimávamos em dizer que ele não era o primeiro a chegar lá. Teria sido o primeiro a voltar vivo, pois a Agência Espacial russa teria enviado outros tantos que morreram no meio do caminho, em histórias que somente seriam encontradas em documentos ultra-secretos.

A mesma desconfiança levou milhares a imaginar exatamente o contrário quando a televisão mostrou Neil Armstrong pisar a lua. Até hoje é possível ler na internet textos que põem em dúvida esta façanha, alegando que teria sido apenas uma estratégia americana para tentar superar o feito da inimiga Rússia e justificar os milhões de dólares gastos pela Nasa.

Por estes devaneios, muitos mataram e muitos morreram. Encontraram inimigos onde eles não existiam. Sofreram uma espécie de esquizofrenia enrustida. Indivíduos deixaram de aproveitar a vida com medo de armadilhas que estariam sendo colocadas em seu caminho e destruíram relações pela falta de confiança.

Atualmente, nossas caixas de correio eletrônico têm sido alvo de muitas dessas teorias.

Há quem diga que a “casa caiu” após se descobrir manipulação no sorteio da Mega-Sena conforme reportagem publicada na televisão; fala-se da morte de empresário, pai de famosa modelo, após pegar grave doença em lata de cerveja contaminada; escreve-se sobre isenção fiscal que beneficia empresa de comunicação que promove arrecadação para organização internacional; e mais um monte de baboseira que não se sustenta no primeiro Google.

Mesmo que perca meu tempo respondendo às mensagens, há quem prefira acreditar nestas fantasias. Sinal claro da falta de confiança em instituições e em nós mesmos. Ou do tamanho da loucura que toma a sociedade.

Ao menos, no passado, as teorias eram mais bem elaboradas, criativas. Hoje nem isso acontece. Perdemos até a riqueza de nossas alucinações.