Que tal Corinthians, vai encarar?

 

Carlos Magno Gibrail

 

 

Os recentes acontecimentos de Ururu na Bolívia, envolvendo o Corinthians, talvez leve à saga alvinegra, como bem lembrou Juca Kfouri, o pioneirismo de banir dos estádios a violência de marginais.

 

A rapidez da Conmebol punindo, surpreendente até certo ponto, pois é sabido que sempre foi mais fácil fazê-lo em português do que em espanhol, pode ser precursora de uma nova fase da questão das torcidas organizadas.

 

A morte do boliviano Kevin deverá servir de marco exemplar para rompimento de uma perversa cobertura que os clubes têm dado às organizadas. O futebol ao mesmo tempo em que é o esporte mais popular também é um dos mais retrógrados em administração, regras e sistemas. Mesmo pessoas brilhantes ao adentrar neste mundo de paixões, perdem o brilho e ficam obscuras. O economista Belluzzo, do topo da universidade e da militância na Economia e também na política, ao chegar ao futebol, estimulou a turba da Mancha Verde com um grito de guerra digno de um irado e inconsequente chefe de gang. Depois disso , nenhum “bambi” foi assassinado, conforme pedira o notável economista, mas jogadores do próprio Palmeiras foram perseguidos e ameaçados.

 

Os ingleses, e os outrora temíveis “hooligans”, foram protagonistas e réus do episódio de 1985 na Bélgica. Liverpool e Juventus disputavam a Copa da UEFA, quando uma tragédia de responsabilidade dos torcedores britânicos gerou 39 mortos e centenas de feridos. O time do Liverpool foi excluído por 6 anos da competição e os demais clubes ingleses por 5 anos. Como sabemos, hoje, o futebol inglês é um dos mais espetaculares em público por jogo e também pelo comportamento de seus torcedores.

 

Que tal Corinthians, vai encarar?

 

Ou lutará para que o incidente gere uma punição “para inglês ver”?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

E o menino descobriu um templo

 

Por Silvio Bressan
Jornalista e gremista

 

 

Havia muita cor e barulho naquela noite de dezembro de 1971, quando o menino assustado entrou pela primeira vez no Estádio Olímpico. Grêmio e Coritiba disputavam um jogo do Campeonato Brasileiro, mas para uma criança que só via futebol pela TV, em preto e branco, o que mais chamava a atenção era a imensidão daquele espaço, o verde da grama, o colorido dos uniformes e os sons da torcida. Os dois gols do ponteiro-direito Flecha me iniciaram na profissão de fé pela camisa 7, a mesma que já havia sido honrada por Tesourinha e Babá e ainda seria consagrada por Tarciso e Renato. Graças ao Olímpico, futebol para mim tornava-se uma coisa real, palpável, com cor, cheiro, barulho e a minha saga de gremista ganhava um palco, um verdadeiro templo para celebrar algumas de minhas maiores decepções e alegrias até hoje.

 

E já lá se vão mais de 40 anos de emoções variadas, mas sempre intensas… Logo no segundo jogo (Grêmio 1 x 1 Cruzeiro, em 1972), o espanto pelo soco de Everaldo no juiz José Faville Neto. Depois, a reverência de ver, pela primeira e última vez, o gênio Pelé naquele histórico gramado (Grêmio 1 x 0 Santos, em 1974). Na mesma época, um inusitado 0 x 3 contra um desconhecido time de Encantado virar 3 x 3 para o delírio da multidão (por outro lado, nos anos 80, também houve um 4 x 1 conta o Santo André que virou 4 x 4 para a frustração geral).

 

Eram tempos difíceis, anos de chumbo para a democracia e a torcida gremista, com derrotas em Gre-Nais e um jejum de oito anos sem títulos. O adolescente tímido, porém, como toda a nação tricolor, não desistia. Mesmo quando a bravura de um Chamaco, Cacau, Tarciso e Iúra não era suficiente para vencer o tradicional rival, lá estava ele na geral, almofada numa mão e rádio na outra, acreditando que um dia a sorte mudaria. E mudou tão de repente que quase ninguém acreditou. Na verdade, levou apenas 14 segundos até que Iúra, agora melhor acompanhado, abrisse o placar naquele Gre-Nal de agosto de 1977. O Grêmio deu a saída de bola e, sem que o adversário tocasse na bola, já estava vencendo.

 

Tínhamos, enfim, um time confiável, onde a bravura de Tarciso e Iúra agora era lapidada pela categoria de Tadeu Ricci, André e Éder. Naquele ano foram sete Gre-Nais e o Grêmio venceu cinco, três deles no Olímpico, com direito à duas goleadas. E chegamos ao dia mais importante, até então, para a história daquele adolescente no Estádio Olímpico. O Gre-Nal de 25 de setembro teve de tudo: pênalti perdido por Tarciso, gol do André, contusão do mesmo André na comemoração e um final tumultuado pela invasão da torcida e briga no gramado. O mais importante, porém, para aquele rapaz, era que finalmente seu time era campeão, em cima do seu principal adversário, e no seu grande palco. Não havia nada mais a desejar. Como reza uma de nossas mais famosas faixas, “Nada pode ser maior”.

 

Saindo da adolescência, ainda vieram o título de 1979, também no Olímpico, e a escalada nacional e mundial, a partir de 1981, com a conquista do campeonato brasileiro, até o título da Libertadores, em 1983, o maior feito da história do Olímpico. Na década de 80, aliás, fomos brindados por uma seqüência memoráveis de vitórias em Gre-Nais e títulos no nosso maior templo: de 85 a 90 quase todas as decisões foram clássicos vencidos pelo Grêmio no Olímpico. Em 89, já na vida adulta, pude testemunhar o título da primeira Copa do Brasil, em 1989, um sábado à tarde, em cima do Sport. Um ano depois, já morando em São Paulo, tive a felicidade de assistir a um 4 x 0 no Gre-Nal decisivo do campeonato. Não sabia porque pretendia voltar, mas aquele foi meu último título no Olímpico.

 

De lá para cá, como morador de São Paulo, voltei esporadicamente ao velho templo, com vitórias e derrota. A cada viagem à cidade natal, mesmo quando não havia jogo, o compromisso obrigatório era dar uma passada no Olímpico, visitar a loja e sentar nas arquibancadas, mirando o gramado. Queria aproveitar cada instante naquele velho concreto oval e rememorar as cenas mais marcantes dessas quatro décadas: as brigas e o “senta e levanta” dos Gre-Nais; a enorme buzina que ficava no meio da geral e nos ensurdecia cada vez que era acionada; ao lado do alarme sonoro, a tradicional faixa “Com o Grêmio onde o Grêmio estiver”, sempre estendida e guarnecida por fiéis escudeiros; os corneteiros da social, sempre mais exigentes e pouco pacientes com o time; o pânico que se instalava na torcida quando o limitado Vilson ajeitava a bola na intermediária e todos gritavam “Não chuta, Vilson, não chuta!”; as imprecações contra o indefectível cotovelo do zagueiro Figueroa; o cheiro misturado de cigarro e cerveja; no verão, o picolé que já chegava líquido; no inverno, o café quente demais e o amendoim que era só casca e farelo; no final, os jornais queimados pela arquibancada e a volta a pé pela Azenha entupida de gente, rádio colado no ouvido e o passo apressado para não perder o último ônibus, lá na Avenida Ipiranga. No retorno à São Paulo, ficava sempre uma ponta de nostalgia até o próximo encontro com o Olímpico, que era sempre eletrônico. Numa volta à minha infância, antes do primeiro jogo, o Olímpico passou a ser uma imagem constante na minha TV.

 

Em outubro deste ano, resolvi me despedi do glorioso casarão. Convidei meus irmãos, residentes ainda em Porto Alegre, e alguns amigos daquelas jornadas, que hoje moram em Santa Catarina, para reviver parte da nossa adolescência e juventude. E lá fomos para a última aventura no templo azul. Como mascote da turma, um menino de 13 anos, filho de um amigo, com a camisa tricolor e a uma alegria incontida. Era seu segundo jogo no Olímpico e fiquei imaginando se sua empolgação era a mesma daquele menino no início da década de 70. Fomos para trás do gol do ginásio, à esquerda das cabines de rádio, ali exatamente onde estávamos há 35 anos, vendo André Catimba vencer Benitez e fazer história. Dali também vibramos com o gol do zagueiro Werley, no empate de 1 x 1 com o Santos. Não havia mais Pelé e Neymar não brilhou, até foi expulso. Mas tudo isso foi muito menos importante do que ver a emoção do menino, que, como outras gerações desde 1954, era renovada a cada quarta e domingo naquele verdadeiro santuário.

 

Tenho orgulho de ter vivido, no Olímpico, 20 de seus quase 60 anos de história memorável. Foi ali que o menino, adolescente e adulto forjou sua identidade de gremista, temperada nas vitórias e derrotas, como toda a grande paixão. É esse sentimento que levarei para a Arena e essa é a maior homenagem que posso prestar ao antigo estádio e legar às novas gerações que surgirão no moderno templo. Ainda que o antigo casarão não esteja mais lá, a alma e o coração de todos os gremistas das últimas seis décadas lá estarão. Imortal mesmo é a lembrança que não se apaga e o velho Olímpico de tantas cores, barulhos, frustrações e glórias continuará com sua chama acesa na memória de milhões de torcedores.

 

Avalanche Tricolor: a vitória de uma torcida

 

Grêmio 2 x 1 Cruzeiro

Gremio x Cruzeiro

 

O juiz acabara de apitar o fim da partida e Marcelo Grohe correu em direção a Geral do Grêmio para comemorar a vitória, jogou a camisa para os torcedores, voltou à goleira, ajoelhou-se e agradeceu. Agradeceu a Deus, a quem é devoto, tanto quanto havia agradecido à torcida gremista a principal responsável pela virada desta noite. Éramos mais de 30 mil no Olímpico Monumental, que não arrederam o pé apesar da dificuldade do time em chutar a gol, da dificuldade ainda maior de superar o goleiro adversário quando conseguia chutar a gol e da tempestade que despencou sobre o estádio assim que a bola começou a rolar. Nenhum trovão, nenhum relâmpago, menos ainda o aguaceiro que teimava em atrapalhar nossas investidas calaram a voz dos nossos torcedores. Assim que levamos o gol em uma jogada isolada e descuidada, o grito soou mais forte nas arquibancadas.

 

Quando voltamos para o segundo tempo, em desvantagem, a pressão aumentou. O time foi empurrado para frente, cada roubada de bola era uma comemoração, divididas eram aclamadas e o esforço para superar a limitação técnica, ovacionado. O gol mais bonito foi o de Marcelo Moreno que entrou no segundo tempo, apesar dos problemas de saúde. Um golaço. Mas foi o de Marquinhos o mais simbólico. Antes de a bola parar no fundo do poço, uma sequência de lances mostrou o que nossa torcida é capaz de provocar. Moreno prensou bola duas vezes com seus marcadores, na segunda, foi jogado ao chão, caiu de joelhos, mas conseguiu fazer o passe. Leandro deu seguimento, entrou com velocidade na área, escapou dos zagueiros e chutou com muita força. No rebote do goleiro, a bola parecia fugir do nosso ataque, mas Marquinhos, caído, com a perna esticada, conseguiu empurrá-la para dentro do gol, quando tudo parecia perdido. Marquinhos, não. A torcida do Grêmio fez aquela bola entrar no gol.

 

Kleber até destacou a energia transmitida no vestiário, durante o intervalo, por Emerson, nosso auxiliar, campeão da Libertadores, do Brasileiro e da Copa do Brasil. Não sabia ele que Emérson era apenas o porta-voz de nossos torcedores e somente por isso fomos capazes de vencer com Naldo, Marco Antonio, André Lima e Marquinhos, e sem Gilberto Silva, Zé Roberto e Elano. À torcida gremista, nosso brinde nesta noite de sábado.

O Corinthians não é o Brasil

 

Foi o técnico Tite quem disse. E assino embaixo. Semana passada, a chamada da CBN para o primeiro jogo da Libertadores também “brincava” com esta ideia. Usufruía do título de Nação Corinthiana para dar a verdadeira dimensão do clube que tem a segunda maior torcida do Brasil. E fechava, na voz-padrão de Laerte Vieira: “O Corinthians é o Corinthians na Libertadores”.

 

Esta ideia de que todos estarão abraçados em torno da vitória corintiana é uma tremenda bobagem. O foguetório que inundou o céu de São Paulo na vizinhança onde moro, na zona oeste, no momento em que o Boca fez seu gol na Bombonera, na quarta-feira à noite, mostra claramente esta realidade. Há até quem vestirá a camisa azul e amarela dos argentinos sem pudor como, aliás, os próprios corintianos já fizeram quando estavam sentados na arquibancada dos secadores.

 

É possível que alguns se comovam com a paixão demonstrada pelos corintianos e a possibilidade de uma conquista inédita do time. Hoje mesmo, durante o almoço, alguns colegas de mesa anunciaram que torcerão para o Corinthians porque jamais estariam ao lado de um time da Argentina. Eu estou longe desta divergência nacional mas, confesso, me divido quando assisto a estes jogos e me sensibilizo pela forma como uma equipe se entrega pelo resultado. E gosto muito do trabalho do técnico Tite que, sempre bom lembrar, ganhou seu primeiro título de relevância, a Copa do Brasil de 2001, no comando do Grêmio, contra o Corinthians. Ao mesmo tempo, sei que o dia seguinte será de muita corneta – expressão que representa bem o barulho que a gozação dos vencedores faz nos nossos ouvidos. E corneta tocada por corintiano, por milhões deles que aparecem em todos os cantos, resultado do incrível tamanho desta torcida, não é fácil de aturar.

 

Eu quero ver é estes “brasileiros” que estarão se unindo a torcida do Corinthians em caso de um revés no Pacaembu. Vão tirar sarro, fazer piadas e se divertir às custas da tristeza alheia. E aquela história de que o Corinthians é Brasil, ficará na lenda. Portanto, vamos combinar que hoje o Corinthians é apenas Corinthians – o que já é mais do que suficiente. Quem quiser torcer para ele, que torça; quem quiser secar, que seque. E que todos se respeitem.

Carta a um sobrinho corintiano

 

Por José Renato Santiago
Amante do futebol e ouvinte-internauta

 

Meu querido sobrinho, Felipe.

 

Sua mãe, minha irmã, é testemunha sobre o quanto a sua chegada foi desejada.
Em 1995, quando ela engravidou pela primeira vez, ganhei de presente ser padrinho de sua irmã, Mariana.
Uma grande alegria e orgulho para mim.
Em 1999, quando sua mãe nos avisou que o meu primeiro sobrinho viria ao mundo, vibrei!!!
Mesmo assumindo, apenas, o papel de tio, me satisfez muito saber que passaria a ter um novo amigo para ir comigo aos jogos do meu tricolor.
Olha que tentei.

 

Seu primeiro jogo no estádio foi um São Paulo x Juventus no Morumbi.
Escolha estratégica, adversário supostamente tranquilo, tudo convidativo para fazer alguém se tornar são paulino.
Bem, só não avisaram isso ao Juventus que venceu por 1 a 0 naquele dia.
Não foi problema, você era tão pequeno que nem notou a derrota do São Paulo.
Ainda assim, fui tentando de trazer para o meu lado rs rs.

 

Em uma partida do São Paulo x Rio Claro, conseguiu que você, juntamente com seu irmão, Marcos, entrassem junto com a equipe tricolor, ao lado de Ceni.
Desta vez, vitória tricolor, para mim, o jogo estava ganho.
Ledo engano…

 

Em 2007, o Corinthians estava muito mal no campeonato brasileiro e acabou rebaixado.
Novamente, achei que estava resolvida esta questão, ainda mais porque o São Paulo tinha sido campeão.
Mas naquele dia, o do rebaixamento, a primeira coisa que você fez foi: vestir a camisa do Corinthians e ficou com ela a semana inteira.
Realmente, o jogo estava ganho, você seria corintiano.

 

Aliás, foi com você que aprendi a respeitar efetivamente os torcedores rivais.
Não que eu fosse desses torcedores que saem ofendendo os rivais, mas achava, até então, impossível ter um corintiano na minha família (lembrando que cunhado, seu pai, não é parente rs).

 

Minha torcida contrária ao Corinthians continuou, mas certamente sem a mesma força de antes, graças a você.
Não conseguia realmente torcer de forma contrária da mesma maneira.
Esta Libertadores, torci a favor do Vasco, a favor do Santos e até mesmo a favor do Boca…
Mas, capitulei…

 

Acompanhei a sua aflição…
Acompanhei a sua alegria…

 

E mais, é difícil deixar de admitir que a atual equipe corintiana é realmente merecedora da conquista da Libertadores deste ano.
Sendo assim, não irei torcer a favor do seu time, mas sim que você fique feliz com o resultado.
Pois independente do resultado, para você, o Corinthians é sempre Corinthians e isto é o suficiente!

 

Um grande abraço de seu tio tricolor desde sempre.

Avalanche Tricolor: o desrespeito ao torcedor de futebol

 

Recebi de uma amiga, colega de profissão e gremista, mensagem que descreve o desrespeito dos organizadores dos campeonatos de futebol e dirigentes de clubes aos torcedores. A dificuldade para a compra de ingresso para as partidas, a falta de informação, o desconforto dos estádios e a agressividade de bandos organizados há muito me mantém distante dos campos – o que mais lamento é que meus dois filhos que poderiam se transformar em amantes do esporte acabam prejudicados, também, pois têm poucas oportunidade de curtir o jogo da arquibancada ouvindo o grito das torcidas, serão apenas torcedores virtuais.

 

Vamos a bronca da Fiorela Rehbein:

 

Oi, Milton,

 

Posso desabafar como boa tricolor que não costuma abandonar o barco perante as situações adversas? Fui pra Porto Alegre na quarta-feira passada, aliás fui e voltei num voo essencialmente verde, vi meu time levar dois gols em noite de casa cheia, cheguei em Congonhas e fui direto para minha empresa trabalhar o dia todo, enfim, nada foi fácil, mas pelo menos eu vi o Grêmio. Eu estive com o Grêmio e matei a saudade do Velho Casarão em seu último ano.

 

É lógico que pra quem enfrentou voo, ir pra Barueri seria fichinha…sopa no mel, apesar de toda a circunstância desfavorável. Nunca pensei em não ir. Consegui até desmarcar compromisso previamente agendado…tudo pra estar com o Tricolor nesse momento difícil. O sentimento vai além da razão…não importa se perder ou ganhar. Só que pela segunda vez aqui em São Paulo me senti desrespeitada enquanto torcedora visitante.

 

O site do Palmeiras informa que para a torcida visitante os ingressos estariam a venda em todos os postos de venda e também na Arena Barueri, no dia do jogo. Como fiquei em dúvida se nos postos de venda seria só no dia do jogo ou a partir de hoje eu telefonei para a RA Sports e eles então me informaram que, ao contrário do que estava bem claro no site, eles não estariam vendendo o ingresso nem hoje nem nunca, mas que no Palestra Itália e na Arena Barueri eu conseguiria. Telefonei então para o Palestra Itália e a funcionária me informou que estavam vendendo desde às 10h e que inclusive os ingressos estavam acabando. Perguntei especificamente mais uma vez sobre os ingressos para a torcida visitante e ela disse que confirmaria e que eu retornasse em alguns minutos. Assim feito, ela me disse que “para a torcida visitante ainda tinha, mas que era bom vir logo”. Como eu não podia sair da empresa, chamei um motoboy para ir até o estádio e comprar pra mim antes que esgotasse. E a minha surpresa foi que ele voltou dizendo que não tinha comprado porque informaram pra ele que os ingressos para a torcida visitante só estariam à venda no dia do jogo.

 

Fiquei muito indignada e tornei a ligar para o Palestra, e, acredite, a funcionária me disse que sim, estavam vendendo, ela garantia, mas que ela avisou que tinha que ser rápido pra não esgotar (??). Mesmo quando expliquei que não estavam vendendo “ainda”, ela insistiu que era um mal entendido.

 

Então, quem diria, o Grêmio fica mais perto de mim quando joga em Porto Alegre – ou no Morumbi, justiça seja feita ao SPFC, onde eu sempre consegui comprar ingressos sem problemas. No Pacaembu é a mesma falta de informação e o mesmo desrespeito que no Palmeiras.

 

Não vou mais. Nem a esse e nem a nenhum outro jogo que seja em São Paulo e não seja no Morumbi. Mas fica a frustração, confesso. A desilusão de quem esperava ver e apoiar seu time, fosse qual fosse a condição e o resultado.

 

Ninguém escuta a Fiorella…sou apenas mais uma consumidora que no Brasil será considerada palhaça por acreditar que o sistema deveria funcionar. Mas muitos escutam o Milton, então se você tiver a oportunidade de, ao menos pedir que as informações sejam fornecidas corretamente aos torcedores, eu agradeço sinceramente.

 

No mais, que o nosso Grêmio possa um dia voltar a ser ‘copero’ de fato.

 

Saudações, e uma boa semana.

 

Fiorella

Avalanche Tricolor: Loucos e heróis

 

Grêmio 2 x 0 Junior Barranquilla
Libertadores – Olímpico Monumental

Estranho mundo este do futebol que nos faz apaixonado por um clube. Leva o torcedor a vibrar loucamente pelos motivos mais estranhos e, talvez, injustificáveis. Sensação que tive no início da noite desta quinta-feira, quando o Grêmio, em casa, encarou e abateu o time que tinha a melhor campanha da Libertadores, até então.

Foi Lúcio, um magricelo com jeito de retirante sempre disposto a lutar por sua sobrevivência, quem marcou o primeiro gol. E Borges, atarracado atacante que me passa a impressão de sempre viver sozinho, quem matou o jogo. Teria tudo para gastar todas as linhas desta Avalanche elogiando os dois feitos – importantes e definitivos, sem dúvida. E ambos mereceriam.

Torcedor vê coisas, porém, que só a ele e aos seus interessa. Eu vi três heróis em campo e nenhum deles aparecerá na tabela de goleador. Vi Rodolfo, Bruno Colaço e Vitor – sempre ele – defendendo a cidadela tricolor como somente os grandes e abnegados são capazes.

O zagueiro Rodolfo abortou o chute a instantes do tiro fatal; o ala Bruno jogou-se diante da bola quando esta imaginava estar próxima da rede; e Vitor foi impressionante ao matar o ataque adversário em dois momentos, um de bravura – quando saiu aos pés de um colombiano – e outro espetacular – quando com reflexo despachou a bola para o alto e para fora.

Dos que fizeram gol aos que o evitaram, todos os Imortais responderam a altura a festa proporcionada pela torcida na arquibancada. Garantiram, com antecipação, passagem à próxima fase da Libertadores. E se credenciaram para novas batalhas até o sonhado tri – este sim, a maior das nossas loucuras.

Que venha logo !

Avalanche Tricolor: Jonas pode

 

Grêmio 2 x 1 São José
Gaúcho – Olímpico Monumental

Jonas está condenado às críticas nestes próximos dias. Moralistas sem causa e senhores de caráter ilibado pedirão punição, afastamento, quem sabe uma medida exemplar contra o atacante que explodiu de razão ao marcar o primeiro gol do Grêmio.

Ouvirá conselhos e puxões de orelha de comentaristas, torcedores e dirigentes. Afinal, as ofensas públicas dirigidas à social do estádio Olímpico não condizem com os bons modos exigidos de um atleta profissional.

Que partam todos para o destino que Jonas os encaminhou !

Ouviram porque falaram. E vaiaram de maneira errada, injusta. Foram incapazes de compreender as razões que impedem Jonas e seus colegas de imprimirem o futebol que sempre esperamos. Estão sendo preparados para uma decisão em poucas semanas, sem direito a pré-temporada e após terem imposto um ritmo alucinante no fim do ano anterior.

Tem todo o direito de explodir com aqueles que não enxergam que entre o desejo de tocar a bola ou chutar a gol existem músculos endurecidos pelos treinos de início de ano. Os impacientes que se retirem. Deixem Jonas fazer seus gols estranhos, bonitos e decisivos.

Jonas tem crédito no clube e no futebol, que não lhe dá o devido respeito. Goleador do Brasileiro foi preterido por muitos na escolha dos melhores do País. Com fama de patinho feio, vê os críticos torcerem o nariz. Sofre o mesmo dentro do seu time.

Um dos maiores atacantes que passaram pelo Grêmio e peça fundamental para a arrancada de 2010, merece toda a nossa atenção. Tem de ser valorizado pelo que faz e pelo que é.

A reação dele é paixão que tem pelo que busca. E isto tem de ser admirado, não criticado. Jonas é capaz de chorar dentro de campo se não alcança seu objetivo. Não aceita a indiferença diante dos fatos.

É bom moço, sincero nas palavras e resignado.

Em vez de glorificado, assistiu durante as férias ao enorme esforço da diretoria para enfiar goela abaixo de parte da torcida um falso ídolo. Enquanto ele nem contrato tem renovado.

Jonas é o nosso ídolo.

E após a “comemoração” da noite dessa sexta-feira, em Porto Alegre, meu ídolo ainda maior.

Gol neles, Jonas !

Torcedor do Grêmio tem reduto em São Paulo

 

Gremista de quatro costados, Airton Gontow também é jornalista de boa marca. Descreve pessoas e situações com clareza, mesmo quando sob o risco de ter a visão anuviada pela paixão como domingo passado quando assistiu à final do Campeonato Gaúcho em um bar de São Paulo, rodeado de gremistas por todos os lados – e servido por um colorado enrustido, também. Recebi a reportagem “Fernando Carvalho festejou o título do Grêmio” produzida e fotografada por ele apenas nesta sexta-feira e uso como justificativa para a publicação, hoje, o fato de amanhã ser nossa estreia no Campeonato Brasileiro. Talvez você não veja conecção entre um fato e outro; e talvez não haja mesmo. E desde quando eu preciso de desculpa para publicar coisas boas no Blog (coisas boas e do Grêmio) ?

Aproveite para saber como os gremistas pretendem acompanhar o Imortal Tricolor aqui em São Paulo:

torcedoras do Grêmio encantaram os motoristas

Por Airton Gontow

Fernando Carvalho comemorou intensamente o título gaúcho conquistado domingo pelo Grêmio e caiu nos braços da torcida. Torcedor fanático, 43 anos, seis deles longe do Rio Grande do Sul, gerente do Banco do Brasil, é cônsul do Grêmio em São Paulo e está acostumado às brincadeiras em relação ao seu nome, que obviamente remete ao maior dirigente da história colorada. Ele e cerca de outros 200 torcedores estiveram no “Meu Bar”, novo ponto de encontro de gremistas na capital paulista.

Ao lado da namorada, a atriz Flaviane Herrera, 32 anos, chegou ao local por volta do meio-dia e gastou as horas que faltavam para o início do jogo pendurando faixas e bandeiras no teto, paredes e fachada do bar.

Confiante, “O jogo vai ser 3 a 1”, Fernando Leite Carvalho conta que planeja criar o site do Consulado do Grêmio em São Paulo. Feliz com o clima gremista criado, ele diz que o local atenua a dor de não estar no Olímpico em jogos decisivos: “sou torcedor e, também, trabalhei na gestão do Guerreiro. Conheço o Olímpico inteiro, de todos os setores da torcida ao vestiário”.

Fernando Carvalho caiu nos braços da torcida gremista

Evandro Fernandes, 36 anos, professor universitário de Economia, na Unip, há quatro anos em São Paulo, também exibe confiança na conquista do título. “Será 2 a 0”. Já na partida anterior, quando eles eram favoritos, no Beira-Rio, eu já falava que o Grêmio seria campeão”, diz, apesar de ainda fazer algumas ressalvas ao trabalho de Silas: “Está melhorando, mas a nota dele ainda é sete!” Ao seu lado, José Mário Arbiza, 30 anos, que atua na área de manutenção de Equipamentos da construtora Odebrecht, nascido em Uruguaiana mas criado desde os dois em Porto Alegre, olha para a decoração do bar e para a torcida que não para de cantar. “Estou me sentindo em Porto Alegre. Passa pela minha cabeça um filme comigo e meus amigos em bares de lá nos dias de jogos importantes. O Evandro já tinha assistido a outras partidas aqui, mas é a minha primeira vez. É impressionante a concentração de gremistas. Adorei a organização e, principalmente, ver as bandeiras do Grêmio e do nosso estado, o que mostra amor pelo time e pelo Rio Grande”, exclama o ex-jogador das divisões de base. “Joguei no Grêmio até os 16 anos, em 96. Freqüentei o Olímpico em nossa fase áurea, do bi da América!”

Sentado próximo à televisão, o engenheiro químico, Sérgio Harb Manssour 47 anos, sete de São Paulo, espera ao lado das filhas, as gêmeas Larissa e Eloísa, 18 anos, o início da partida. Elas não são univitelinas, mas são idênticas no amor pelo Grêmio. “É como estar no Sul. É incrível como este bar recria a atmosfera de Porto Alegre”, diz a estudante de Psicologia Eloísa. Indagada sobre o que mais sente falta por não estar em Porto Alegre, Larissa, que estuda Design Gráfico, responde: “É do convívio com os amigos e a família, mas aqui é sensacional”. Este repórter conta que sente falta das manhãs de Gre-Nal em Porto Alegre, quando saia com o pai com caneta e bloco de papel nas mãos, contando quantas bandeiras e camisas via de cada time, nas ruas e nas janelas das casas e apartamentos. “Eu não saía com meu pai em dias de jogo porque ele era colorado”, diz Sérgio.

Pedro Coutinho, 29 anos, empresário na área de importação é paulista e gremista. Ele explica o seu gremismo. “Desde pequeno meu pai me levava aos jogos do São Paulo e eu não achava a menor graça. Em 95, vi pela televisão a final da Copa do Brasil, entre Grêmio e Corinthians, lá no Sul. O Grêmio perdeu, mas eu nunca tinha visto um time com tanta raça, tanto empenho e tanta dedicação. Percebi que agora tinha um time para torcer. E de lá para cá, mesmo morando em São Paulo, meu sentimento só cresceu”, afirma.

Perto dele está Elizandra Santos, 26 anos, também paulista. Ela traja uma camiseta do Grêmio, como 95% das pessoas presentes no bar. Pergunto se tem também algum time em São Paulo. Ela olha firme e responde: “No Sul eu sou gremista. Já aqui eu sou gremista. E na Bahia, adivinhe, sou gremista também”. A paixão pelo tricolor dos pampas é, de certa forma, o resultado de uma história de amor. “Tive um namorado gaúcho”, conta.

Questionada se o ex estava presente no bar, ela revela: “Ele era e é colorado! Comecei a assistir com ele aos jogos da dupla grenal. Aí interessei-me pela história dos clubes e adorei a do Grêmio. Nunca tinha visto um time com tantas histórias épicas e, ao mesmo tempo, com uma torcida tão vibrante quanto esta, que nunca desanima. Isso ninguém tem!”.

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