A metamorfose e a subjetividade humana

 

Por Simone Domingues
@simonedominguespsicologa

 

Borboleta

 

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”
Raul Seixas

 

A palavra metamorfose tem sua origem no grego antigo e significa, como bem representada na música de Raul Seixas, um processo de transformação ou de mudança. Apesar de os seres humanos não passarem pelo processo de metamorfose, como compreendido na Biologia, as mudanças ocorrerão em todo o ciclo de desenvolvimento da vida humana, extrapolando as transformações físicas e, sobretudo, contribuindo para a construção da subjetividade: o jeito de ser de cada um.

A subjetividade pode ser compreendida como a singularidade de cada pessoa, construída a partir das experiências vividas, reunindo o conjunto de características, ideias, opiniões e comportamentos. Esse conjunto de características engloba aspectos biológicos, como a nossa herança genética, mas também aquilo que nos representa, como as preferências musicais, alimentares, amorosas, o jeito de lidar com as situações difíceis ou de comemorar as conquistas, as opiniões políticas, a preferência por exatas ou humanas… ou seja, tudo aquilo que expressa quem somos.

Algumas pessoas acreditam que a nossa subjetividade é imutável ou inata. Quem nunca ouviu aquela frase: “eu nasci assim e vou morrer assim”? De fato, as nossas transformações não são abruptas, acontecem pouco a pouco, a medida que participamos do mundo social, da coletividade e do encontro com o outro. Somos influenciados e influenciamos. É no espaço coletivo que manifestamos a nossa individualidade, mudando o mundo e recriando a nós mesmos. A cada dia já não somos mais exatamente como éramos no dia anterior, pois tivemos vivências diferentes, ouvimos coisas diferentes, tivemos novas experiências. Isso permite reflexões e conduz a renovações.

 

Em tempos nos quais prevalecem opiniões acirradas e extremistas, há uma exigência por atitudes do tipo tudo ou nada, ser isso ou aquilo, estar de um lado ou de outro. Mudar de ideia ou descobrir que não há um jeito único para fazer as coisas pode ser visto, nessas circunstâncias até mesmo como uma fraqueza. Valorizam-se os rótulos, sufocando a criatividade, a espontaneidade e a capacidade de adaptação. Essa rigidez ou apego exagerado às próprias ideias e atitudes aprisiona, indicando que existe apenas um caminho e uma única maneira de percorrê-lo.

 

A vida admite tantas definições e possibilidades para termos uma única versão, pronta, acabada ou definitiva de nós mesmos. Da mesma forma que a lagarta se transforma em borboleta, somos seres em constante mudança. Essa é a nossa natureza: podemos mudar de gosto, de ideias, de amigos, de atividades, de opiniões formadas sobre tudo!

 

Disse Luís de Camões:

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o Mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”.

É justamente isso que vai possibilitar sermos quem somos!

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: “o novo normal, não vai ser novo nem normal”, diz Marcelo Miranda, CEO na Espanha

 

 

“Se existe algum novo normal esse novo normal é a mudança constante porque quando ele chegar, o novo normal, não vai ser novo nem normal para a gente, nós vamos viver, por muitos meses, mudanças constantes” — Marcelo Miranda

Há dois anos no comando de um empresa da área de construção civil, em Saragoça, na Espanha, o executivo brasileiro Marcelo Miranda teve de enfrentar os efeitos sanitários e econômicos da pandemia bem antes de seus compatriotas. Com pouco tempo para se adaptar às medidas restritivas e aos riscos da doença, a empresa da qual é o CEO, a Consolis Tecnyconta, líder na Europa em concreto pré-moldado, teve de ser ágil para mudar processos, trabalhar à distância e oferecer segurança aos seus profissionais.

 

Os primeiros casos de contaminação, entre os espanhóis, apareceram entre o fim de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro. Em 14 de março, o país teve de parar, com a decretação de regras que limitaram a circulação de pessoas e obrigaram o fechamento da maior parte das atividades econômicas. A Espanha foi uma das regiões que mais sofreram com a COVID-19 e atualmente registra perto de 28 mil mortes e cerca de 254 mil pessoas infectadas, tendo uma população em torno de 47 milhões de habitantes.

 

Ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Marcelo Miranda falou das estratégias usadas para enfrentar a primeira onda do coronavírus no país e de como a empresa se organizou para a retomada das atividades. Ele identificou três estágios importantes diante da crise: o primeiro que foi o de pensar na sobrevivência com o acolhimento das pessoas e suas famílias; o segundo, o de como operacionalizar os sistemas para manutenção dos negócios; e, o terceiro, o de repensar a empresa:

“… esse repensar tem andado ao lado da construção: digitalização; tecnologias de industrialização e pré-fabricação de construções; e o lado humano das construções, de como a arquitetura pode ajudar a vivermos de uma maneira mais humana e com mais qualidade de vida”.

Para Miranda, inovação é resolver problemas e, assim, as empresas precisam identificar quais serão os problemas daqui para a frente. Nesse momento, ele vê a necessidade de o setor da construção civil como um todo, e não apenas a sua empresa, passar por uma intensa transformação. Pois diz que essa indústria ainda é de pouca confiabilidade, de grande impacto ambiental e que emprega mão de obra não-qualificada:

“O que vai acontecer é a celebração de uma transformração dessas empresas com visão mais consciente do seu papel na sociedade”.

Para os empresários brasileiros que planejam como gerir seus negócios após a pandemia da Covid-19, Miranda sugere que se busque criar ambientes mais saudáveis nas relações de trabalho, nos quais os profissionais sintam-se confiantes em implantar transformações e tenham espaço para errar e corrigir rapidamente sempre que necessário:

“Essa cultura organizacional de facilitar as decisões, de facilitar a comunicação, de aproximar as pessoas, de ser uma cultura mais horizontal e mais voltada para resultados mesmo de curto prazo é o que realmente tem feito diferença para quem já tem isso desenvolvido. Às empresas que não têm, nunca é tarde para começar e aprender”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: “a pandemia acelerou o futuro”, diz César Gon, da CI&T

 

“Agora é momento de um grande darwinismo mercadológico, né, onde vai sobreviver, vai ganhar esse jogo, as empresas que forem inovadoras, mais rápidas, que lerem melhor essa mudança da sociedade e mudarem seus modelos de negócios e as suas práticas” —- César Gon, CI&T

Os escritórios da CI&T começaram sentir os efeitos da pandemia do coronavírus, na China. Medidas urgentes tiveram de ser adotadas para, em seguida, serem aplicadas na sede no Japão. E da mesma forma que a Covid-19 se espalhava, outros núcleos da empresa, na Europa e nas Américas, tiveram de mudar planos rapidamente. Especializada em trabalhar com transformação digital, modelos de gestão e liderança, a empresa não apenas implantou suas estratégias internamente como as levou para os clientes dos mais diversos portes.

 

César Gon, CEO e fundador da CI&T, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, diz que a pandemia obrigou a aceleração de processos que vinham sendo planejados para o longo prazo:

“A pandemia acelera esse futuro. Isso coloca em xeque a estrutura clássica e hierárquica das grandes empresas. Para você reagir a esse nível de mudanças, de incerteza, você precisa contar com um nível de colaboração, de cocriação que não conversa com empresas sisudas, empresas hierárquicas”

Em conversa com o jornalista Mílton Jung, César Gon explica que encarar transformações foi algo que teve de fazer desde que iniciou a CI&T, em 1995. Inclusive, no seu papel como líder, função na qual, conta, era muito bom, enquanto o que funcionava era o sistema de comando e controle. Em determinado momento, porém, viu-se um líder anacrônico e percebeu que ou mudava seu comportamento ou um novo líder teria de assumir o posto:

“Essa mudança não é simples. É muito fácil saber o que não fazer, mas o que fazer no lugar? Se eu não sou o sabe tudo da sala, qual vai ser a minha contribuição”.

Uma das metodologias que usam na empresa é a Lean Digital que reúne dois universos aparentemente distintos mas que se complementam: o do uso intensivo de tecnologia, com criação e disrupção; e o do aprendizado constante, humildade do líder e disciplina.

“Acho que essa pandemia gera uma reflexão individual, qual o meu papel, qual o nosso papel como cidadãos, como indivíduos, mas também isso vai para o mundo corporativo, porque afinal de contas qual é o propósito desta empresa, precisa ser um agente positivo, um agente que vai deixar o mundo um pouco melhor em alguma perspectiva”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Alan Martins.

Mundo Corporativo: Fabiano Barcellos diz como ter coragem para mudar

 

“O primeiro passo é você entender o que você não quer. É você responder para você o que você não quer. Dizer não para o que você não quer. E depois, em um segundo momento, começar a pensar no que você quer, começar a dizer mais sim para você do que sim para a sociedade, do que sim para o que os outros acham” — Fabiano Barcellos

Você está satisfeito com a profissão que exerce? Acha que está na hora de mudar? Para que essa transformação ocorra é preciso coragem, muita coragem. E para que essa coragem o leve para o destino que você deseja é necessário que se adote algumas estratégias. Sobre esse assunto, o empreendedor Fabiano Barcellos falou com o jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Autor de “Coragem para vencer —- descubra como mudar seus hábitos e realizar o dobro na metade do tempo” (Editora Planeta), Barcellos contou parte de sua experiência profissional, em que depois de três anos trabalhando como médico cardiologista decidiu investir em vendas online. Hoje, é um empreendedor sem que tenha abandonado o atendimento aos seus pacientes. De acordo com ele, ao acrescentar uma outra função no seu cotidiano pode se dedicar mais à medicina que considerava a ideal, com menos dias no consultório e mais tempo para cada um dos pacientes.

“A vida é curta de mais para você aceitar coisas que não te deixam felizes. Claro que a realização financeira é boa, é fundamental, mas hoje a coragem é … não importa onde você esteja .. você quer sair daí? Quer. Enche o peito, vai para cima, estuda, esteja perto das pessoas que você precisa estar e vai atrás dos seus objetivos”

Quatro dicas de Fabiano Barcellos para que a coragem apareça:

 

  1. Entenda o que você não quer;
  2. Pense o que você quer;
  3. Diga sim para você;
  4. Entre em movimento — busque meios, caminhos, ambientes e pessoas que  estejam onde você gostaria de estar

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN ou domingos, às 10 da noite, em horário alternativo.

Mundo Corporativo: empresas têm de criar espaço para a colaboração de seus profissionais, diz Alexandre Marins

 

“Eu quero uma carreira onde eu tenha um espaço onde eu possa exercer aquilo que eu acredito em conjunto com outras pessoas. Então as empresas tem de ter uma clareza de seu propósito para que as pessoas consigam ter um grau de identificação e engajamento” – Alexandre Marins, LHH

A chegada de novas tecnologias e de uma geração mais questionadora tem transformado o ambiente de trabalho e obrigado as empresas e seus líderes a mudarem comportamentos. Os profissionais querem ter voz, dar ideais e serem mais colaborativos, de acordo com Alexandre Marins, diretor de desenvolvimento de talentos da consultoria LHH.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, o consultor alertou para o fato de que as empresas falam muito em inovação mas ainda mantém algumas práticas que provocam sérios problemas na qualidade de vida de seus colaboradores:

“Essa questão do homem não poder falar da sua vulnerabilidade, traz uma angústia interna muito grande, uma solidão. Então, a gente vê que os cargos de alta liderança seguem sendo solitários e as pessoas não conseguem falar sobre isso, e pessoas se deprimindo porque elas olham para aquilo e não vêem uma saída, sabem a sensação de que amanhã vou ter de dar conta de novo”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter pelo perfil @CBNoficial e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Ricardo Correia, Isabela Ares e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: mude você antes que a sua empresa mude, sugere Wanderlei Passarella

 

 

 

 

 

“Não espere sua empresa mudar para você mudar. É uma das coisas que eu coloco para os executivos que ajudo a repensar a carreira. Você tem de começar agora pensando que daqui cinco ou dez anos a empresa que você está hoje, tão sólida, pode estar mudando” — Wanderlei Passarella, mentor de executivo

 

 

As mudanças na forma de encarar o mundo e a nós mesmos exigem forte poder de adaptação das empresas e dos seus profissionais. Para entender como é possível enfrentar essa transformação sem estresse e de maneira planejada, o jornalista Mílton Jung, apresentador do programa Mundo Corporativo da CBN, entrevistou Wanderlei Passarella que é conselheiro de empresas, mentor de executivos e coautor do livro “A reinvenção da empresa — projeto Omega”, escrito com Paulo Monteiro e publicado pela editora Évora.

 

 

Para que essa reinvenção ocorra, Passarella recomenda que os profissionais prestem atenção em três aspectos:

 

 

1. Incorporar a tecnologia —- as novidades tecnológicas estão aí para facilitar a sua vida, use-as com equilíbrio sem se transformar em escravo delas.
2. Amplie a base de conhecimento —— saiba que para aprofundar o conhecimento em uma determinada área é preciso expandir a base de conhecimento; os especialistas hoje precisam fazer sinapses, buscar uma relação multidisciplinar.
3. Desenvolva o autoconhecimento —- você vê o mundo lá fora se transformando, mas você pode mudar também e só vai conseguir se trabalhar mais centrado e olhando para si mesmo, em como você encara as coisas e quais são os seus valores.

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, na página da CBN no Facebook e no perfil @CBNOficial do Instagram. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 22h30, em horário alternativo.

Mundo Corporativo: Eva Hirsch diz por que somos resistentes às mudanças

 

 

“Quando a gente se agarra demais às certezas da gente, a gente não evolui, a gente não progride”. A afirmação é da coach Eva Hirsch que alerta para o risco de tomarmos decisões sem estarmos conscientes dos fatores que influenciam estas escolhas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, Hirsch ressaltou que boa parte das decisões, na vida pessoal e profissional, contém erros sistemáticos.

 

Um dos vieses cognitivos que impactam nossas ações é o do status quo que, segundo Hirsch, é a base da nossa resistência às transformações: “ele nos faz enxergar as desvantagens de sair da posição atual ao invés de perceber os benefícios da mudança”. Na entrevista, a professora convidada da Fundação Dom Cabral também citou os vieses da confirmação, da similaridade, do ponto cego e da disponibilidade.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site e no Facebook da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Juliana Causin.