Trânsito: mortos, feridos e atropelados

A Lei Seca é apontada como uma das formas de se combater a violência no trânsito, mas a comparação com o modelo implantado em outros países deixa claro que o Brasil ainda precisa avançar muito. Enquanto na França são realizados 9 milhões de testes de bafômetro por ano, aqui no Brasil temos 300 mil.

Se por lá, as autoridades públicas precisam prestar contas a cada três meses sobre os números de mortes e vítimas em acidentes de trânsito e se justificar sempre que houver aumento, aqui no Brasil … bem, aqui no Brasil você sabe como as coisas são.

Hoje, 26.05, realizou-se o Seminário Internacional de Segurança e Proteção no Trânsito e nos Transportes. E o CBN São Paulo conversou com o representante da OMS, Organização Mundial da Saúde, doutor Marcos Musafir, sobre o efeito da violência que enfrentamos no dia a dia no trânsito dos centros urbanos e os caminhos para amenizar este cenário.

Durante a entrevista, levantamento feito pela Monica Poker, que acompanha o tráfego na capital paulista durante a manhã, apontou até às 10 horas, 19 acidentes – número abaixo da média. Houve neste período nove atropelamentos.

 Ouça a entrevista com o dr. Marcos Musafir (OMS)

Foto-ouvinte: OVNI na Favela da Paz

Carro não identificado Inspeção veicular, licenciamento e seguro obrigatório é coisa de outro mundo, não o do proprietário deste OVNI que apareceu na entrada da Favela da Paz, no Portal do Morumbi, esta semana. O carro faz parte da frota de coletores de material reciclado que transitam na cidade. Cada vez que cruzo por um desses, penso o que faz a fiscalização de trânsito na capital paulista.

*OVNI: Objeto Voador Não Identificado

Foto-ouvinte 1: Sentido inverso

(Des)aviso de trânsito II

Quem alerta é o motorista de táxi, Nelson Ferreira. A placa indicativa está no lugar certo, mas colocada no sentido oposto da Avenida Senador Teotônio Vilela, próximo do no. 3.200, extremo sul de São Paulo: “Quem vai ao bairro e precisar das informações nela contida, só vai ver as costas da placa, e isso já tem uns dois meses”.

Santiago e o trânsito

Por Fernando Gallo

– Como anda o trânsito por aqui? Muito caótico? – perguntei ao motorista do táxi que me levava do aeroporto de Santiago para o albergue onde ficaria hospedado.

– Não. Pra te falar a verdade, o trânsito melhorou muito de uns dois anos para cá – devolveu ele.

A mente paulistana começa a trabalhar, buscar registros, fazer indagações. Não, eu não me lembrava de nenhum lugar no mundo onde o trânsito pudesse ter melhorado nos últimos dois anos. Talvez eu estivesse enganado.

– Como é? – indaguei, não porque não tivesse certeza de ter ouvido corretamente, mas porque ficara subitamente quase incrédulo.

– Pois é, melhorou muito de uns dois anos pra cá – confirmou.

E por quê?

A palavra-chave para entender o que aconteceu é Transantiago, o nome do projeto que tenta melhorar o transporte publico na capital chilena desde 10 de fevereiro de 2007.

De mirabolante a idéia nada tem, mas é uma verdadeira revolução se olharmos para a gestão do trânsito e do transporte público na América Latina, com as honrosas exceções de Curitiba e Bogotá, nas quais, aliás, o Transantiago se baseia.

O que se fez foi reorganizar o transporte público. Acabar com linhas distintas que faziam o mesmo trajeto, diminuir o número de ônibus que cruzavam longos trechos da cidade, aumentar o numero de linhas que correm percursos menores, integrar melhor os ônibus com o metrô, aumentar o numero de corredores exclusivos, implementar um bilhete magnético nos moldes do Bilhete Único paulistano. Tanto no caso do metrô quanto no dos ônibus, nos horários de pico há composições e carros que não param em todas as estações, o que dá celeridade ao processo. Ademais, outro objetivo do Transantiago é reduzir o número de ônibus em circulação na cidade de 7.000 para 4.600, de modo a diminuir a poluição do ar e a sonora.

Uma das diferenças – talvez a principal – entre a implementação em Santiago e em Curitiba e Bogotá consiste em que nestas duas ela foi feita em etapas, enquanto na primeira realizou-se de uma só vez.

Mas o resultado foi catastrófico. O sistema de cobrança eletrônica funcionava mal e havia poucos ônibus, o que provocou uma corrida ao metrô que, já operando no limite, saturou. A vida do usuário, claro, foi um suplício durante um par de meses.

Isso custou caro, muito caro, para a presidente Michelle Bachelet. Sim, porque os assuntos do município de Santiago, em última instância, são de responsabilidade do presidente, que é quem escolhe o intendente (o correspondente ao nosso prefeito). De fevereiro a março o apoio ao governo Bachelet caiu de 55% para 42%. (Choveram críticas também a Ricardo Lagos, presidente anterior, em cuja gestão o sistema foi desenhado). Até hoje os danos estão lá, e o custo político do início do Transantiago ainda é grande. É considerado por muitos o maior desastre do atual governo.

Do jeito que estava não podia ficar. Então deram jeito nas maquininhas, compraram ônibus novos – brasileiros – e arrumaram as barbeiragens que tinham feito. Alguns meses depois, boa parte dos problemas estava resolvida.

Para se ter uma idéia, exatamente um ano após o início do Transantiago, o jornal El Mercúrio, o principal diário chileno, publicou uma comparação entre o que acontecia um dia antes do sistema ser implantado e o que acontecia um ano depois. O tempo de espera por ônibus, que na média era de mais de 30 minutos, tinha caído para de 4 a 8. O número de pontos de ônibus subira de 3.100 para 8.200. O número de trens do metrô saltara de 666 para 751 (confesso que não sei se novas estações de metrô foram abertas, mas desconfio seriamente de que não). Um utilíssimo site (www.transantiagoinforma.cl) fornece ao usuário todas as informações de que ele necessita, como rotas (por menos tempo ou menos baldeações), paradas, horários, freqüência, etc.

Claro, nada é perfeito. Principalmente nos horários de pico o metrô ainda anda a full. Mas nada que assuste um bom paulistano.

E não é de surpreender que o trânsito esteja melhor. Com um sistema de transporte público de qualidade, muitas pessoas agora deixam o carro na garagem.

Ou seja: ao contrário do que se costuma propagandear por aí, o metrô é bom, mas não é a solução para todos os problemas do transporte público. Muita coisa pode ser feita apenas repensando-o, reorganizando-o, racionalizando-o. O caso de Santiago é muito emblemático. Convido os gestores do trânsito/transporte público do Brasil a darem um pulinho em Santiago para ver como funciona.

Fernando Gallo é jornalista da CBN e publicou este texto no Blog Miradouro

Foto-ouvinte: Carro velho, velho descaso

Carro velho

É um carro, me garante o ouvinte-internauta Eli César Fantinni que flagrou este desrespeito e risco a vida na avenida João Paulo I, zona norte de São Paulo. Não é nenhum surpresa se deparar com cenas como esta, depois de 10 anos circulando nesta região. Eli se surpreenderá mesmo quando enxergar fiscalização que, no entender dele, só existe no centro expandido, onde prevalece o rodízio municipal: “ O que acontece nessa avenida é um verdadeiro absurdo. Comerciantes que colocam placas de mecânicas e borracharias no meio da pista. Outros que vendem automóveis, fazem da avenida a sua vitrine. Onde só existem duas faixas de rolamento, carros estacionados em qualquer lugar.  E tudo o mais que a impunidade e a ausência de fiscalização propiciam”

Canto da Cátia: Cidade que para

Construção civil faz protesto

Logo cedo trabalhadores caminharam pela Marginal Pinheiros para chamar atenção das demissões e dificuldades para obter reajuste salarial. Este foi um dos focos de congestionamento na cidade que atingiu a marca de 120 quilômetros nesta manhã de garoa. A Cátia Toffoletto acompanha a passeata que partiu do Shopping Cidade Jardim, novo templo do luxo na capital, onde complexo residencial e comercial está em fase de conclusão. Por incrível que pareça, porém, foram acidentes com ônibus, carros e motos, além de veículos quebrados em diferentes pontos que elevaram a encrenca no trânsito paulistano.

Deputado paulista barra proibição de motos entre carros

Um recurso do deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) emperra na Câmara proposta para proibir a circulação de motos entre os carros, segundo informa em nota a Associação Brasileira de Motociclistas que se apresenta como representante nacional dos condutores de motocicleta. Aqui no Blog do Milton Jung você ouve uma série de opiniões a respeito da medida que visa a reduzir o número de acidentes e mortes no trânsito. A Abram põe em dúvida as estatíticas ao afirmar que não há estudos que comprovem que este hábito, comum em grandes cidades como São Paulo, seja motivo de mortes.

Leia a nota da Associação e deixe sua opinião:


A ABRAM – Associação Brasileira de Motociclistas, vem a público manifestar-se contrária ao Projeto de Lei nº 2.650, de 2003, que torna proibido aos condutores de motocicleta, motoneta e ciclomotores, o tráfego entre veículos em filas adjacentes (corredores) de autoria do deputado Federal Marcelo Guimarães Filho do (PFL-BA) que teve como relator o deputado Federal Hugo Leal (PSC-RJ).O referido PL foi aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara Federal e seguiria para análise do Senado Federal e, depois para a sansão do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, se não fosse barrado por um recurso do deputado Federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) com assinatura de outros parlamentares.

O presidente da ABRAM, Sr. Lucas Pimentel, recebeu por fax o comunicado do Deputado Federal Arnaldo Faria de Sá, informando sobre a entrada do recurso 255/09 e por telefone o próprio deputado esclareceu que tal ação teve como objetivo levar a discussão a plenário, agora temos que aguardar a apreciação do recurso.

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Moto vai ser proibida de andar entre carros, vai encarar !?

Motos no corredor

Proibir motos de circular entre os carros é dos desafios mais complicados no trânsito brasileiro, depois que o presidente  Fernando Henrique perdeu a oportunidade de manter a regra no Código Brasileiro, aprovado em 1997. O veto a determinação que havia passado no Congresso Nacional abriu espaço para a construção de um hábito perigoso que tem causado uma série de acidentes com mortos e flagelados. No ano passado, mais de 6 mil e 700 perderam a vida sobre motos, no País.

A frota de motocicletas cresceu imensamente nos últimos anos. De 2004 a 2008, enquanto o número de carros aumentou 35%, o de motos chegou a 82%, no Brasil. A falta de investimento em transporte público empurrou muitos passageiros para fora dos ônibus e para cima das motos. A maioria sem o menor preparo. Além disso, o excesso de congestionamento fez dos motoboys função primordial para o funcionamento da cidade.

Em meio a este cenário, o Congresso Nacional volta a carga e tenta impedir a circulação das motocicletas entre os carros. O primeiro passo foi dado com a aprovação de projeto de lei na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e agora vai para o Senado. A proposta divide opiniões.

Para o professor, especialista em segurança no trânsito, José Almeida Sobrinho, o Brasil terá de encarar este desafio, pois tem de se ter como prioridade a vida das pessoas.

Ouça o professor José Almeida Sobrinho

A criação de faixas exclusivas para motos é outra proposta em debate. São Paulo tem uma única experiência até hoje, na avenida Sumaré, com resultados extremamente positivos. Nenhuma morte foi registrada em acidentes na via, na zona oeste de São Paulo. Agora, estuda criar nova pista segregada pela avenida Liberdade e rua Vergueiro, corredor que seria criado para proibir a circulação das motos na avenida 23 de Maio.

A ideia é defendida pelo urbanista Cândido Malta que chama atenção para outra ação necessária: o pedágio urbano. Seria uma forma de restringir a circulação de carros, investir no transporte público, reduzir o fluxo de veículos e diminuir a quantidade de mortes no trânsito.

Ouça a entrevista do urbanista Cândido Malta

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Motociclistas Empregados de São Paulo Aldemir martins de Freitas, o Alemão, contesta a proibição de circulação de motos entre os automóveis e na avenida 23 de Maio, como estuda a prefeitura.

Ouça a entrevista do presidente do SindMoto Alemão (publicada às 11h54)

Foto-ouvinte: Nunca feche o cruzamento

Não feche o cruzamento

Sinal aberto e os carros parados a espera do motorista deste caminhão que não sabe ler ou não tem vergonha na cara, mesmo. O colaborador do Blog do Milton Jung, Marcos Paulo Dias, estava no congestionamento provocado pelo caminhoneiro às sete e meia da manhã de quinta-feira passada, no cruzamento da Salim Farah Maluf, e aproveitou para registrar esta imagem.