“Placa Azul” é inviolável mas não é intocável

Placa Azul ataca mais uma vez

A Convenção de Viena está às vésperas de completar 46 anos e em seu artigo 41 trata da “Inviolabilidade Pessoal dos Funcionários Consulares”. Privilégio que, em nenhum momento, exime o representante ou funcionário de corpo diplomático de ser punido por descumprir as leis de trânsito. No Brasil – assim como em outros vários países -, contudo, os proprietários de veículos com licença diplomática cometem as maiores barbaridades.

O coordenador-geral de privilégio e imunidades do Ministério das Relações Exteriores José Wilson Moreira afirmou que o desrespeito tende a diminuir com a resolução do Conselho Nacional de Trânsito que obriga os veículos de placas azuis a serem registrados no Renavam, assim como ocorre comigo, com você e qualquer outra pessoa que tenha carro no território nacional.

O coordenador-geral de privilégio e imunidades do Ministério das Relações Exteriores José Wilson Moreira

A cultura da impunidade, porém, deverá persistir por um bom tempo, ainda. Enquanto entrevistávamos o representante do Ministério das Relações Exteriores, recebi duas mensagens denunciando a falta de respeito dos embaixadores, cônsules, diplomatas, seus parentes e funcionários que usam carros com placa azul.

O ouvinte-internauta Luis Fernando Oliveira enviou do telefone celular dele a imagem que ilustra este post flagrando o ataque de um “Placa Azul”. Não me informou a rua, mas a irregularidade é evidente.

Sem como registrar a foto, mas disposto a contar o fato, o professor de ética da Unicap Roberto Romano encaminhou mensagem transcrevendo o abuso:

“Não tive oportunidade de usar a máquina fotográfica do meu celular, por isto não lhe envio a foto de uma contravenção grave do gênero AZUL (Corpo Diplomático). Mas anotei os dados: dia 03/03/2009, 13: 45 PM, no sinal que permite a entrada, da Avenida Brasil para a Atlântica. A perua CC 4278, Ford Prateada, entrou no vermelho, atravessou a Brasil e seguiu pela Atlântica, sem maiores cerimônias, ultrapassando a fila dos que aguardavam a abertura do farol que permitiria a referida conversão. Aliás, tenho testemunhado nos Jardins constantes violações deste tipo, cometida por veículos do corpo diplomático. Daí meu interesse na sua campanha”.

Professor Romano, seu interesse na campanha bem que poderia render uma tese sobre a falta de ética desses senhores.

Foto-ouvinte: Sem correção

Corregedoria irregular

A corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo existe para coibir atos ilegais dos vereadores e julgar irregularidades denunciadas contra parlamentares. E quando é a própria que comete abuso como neste flagra do ouvinte-internauta Maicon Marçal Catarino como é que fica ?

O pior é que se houvesse fiscalização e a CET tivesse multado o motorista quem pagaria a conta seríamos nós, contribuintes. Em tempo: o corregedor da Câmara é o vereador “adotado” Wadih Mutran (PP).

Chegou agora, pelo Flickr: “Alameda Joaquim Eugênio de Lima com Av. Paulista.
Aí o trânsito já não é bom, com um carro atrapalhando assim, piora 10 vezes mais”
, escreveu Thiago Albulquerque.

Foto-ouvinte: Quem vai multar ?

Quem vai multar ?

Ironia do ouvinte-internauta Daniel Aveiro que acompanha a discussão sobre a multa que não é lavrada contra os carros com licença diplomática, os “Placa Azul”. Este carrinho aí, estacionado de maneira irregular, foi flagrado na rua Vergueiro, zona sul de São Paulo. “O que é mais difícil de multar, o Placa Azul ou o sem-placa da foto ?”, pergunta em mensagem enviada ao blog.

Não tem mais desculpa: ‘Placa Azul’ pode ser multado

Placa Azul  na calçada

Foram tantas as reclamações de carros de embaixadas e consulados cometendo irregularidades no trânsito que o governo brasileiro decidiu acabar com a festa dos “Placa Azul”. De acordo com resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), os veículos com licença diplomática tem de ser cadastrados no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) até o fim deste ano. Assim acaba a desculpa de que não adianta nada multar os infratores pois estão protegidos pelo anonimato.

No Brasil, calcula-se que os carros diplomáticos sejam em torno de 2 mil e 600, a maioria rodando em Brasília, onde circulam 1.600 carros. Para se ter ideia do tamanho do desrespeito, o DFTV, jornal local da Tv Globo, noticiou que, por ano, os radares registram até 2 mil veículos das embaixadas em velocidade acima da permitida. (veja a reportagem aqui)

Em São Paulo, não há estatística disponível. A Companhia de Engenharia de Tráfego após uma série de denúncias feitas por ouvintes-internautas, publicadas no CBN SP e aqui no blog, que registraram imagens de “Placa Azul” estacionados de maneira irregular, promete intensificar a fiscalização.

Em atenção à foto-ouvinte “Desrespeito Oficial 2”, publicada no blog do jornalista Milton Jung, informamos que a CET está intensificando a fiscalização no local a fim de coibir o desrespeito à sinalização e às regras estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro, focalizando especialmente a ocorrência de estacionamento sobre a calçada”.

Na nota assinada pela assessoria de comunicação da CET não há informação explícita de que os carros diplomáticos também serão multados. Mas a expectativa é que não haja privilégios, mesmo porque a justificativa de que é perda de tempo lavrar multa contra estes infratores não se sustenta. Mesmo que os proprietários não fossem punidos – e não o eram -, seria uma maneira de constranger a ação dos motoristas dos carros “Placa Azul” e ao divulgar o número de multas mobilizar a opinião pública.

A resolução do Contran dá prazo até o fim do ano para que todos os veículos estejam registrados. Os carros comprados neste ano só podem circular se já tiverem o Renavam.

Em Brasília, menos de 10% dos veículos atenderam a norma até o momento. Em São Paulo, nenhum dado foi divulgado.

Canto da Cátia: Cadê a faixa que estava aqui

Rua da Mooca sem sinal

Rua da Mooca, cidade de São Paulo. Mas poderia ser av. Nossa Senhora do Sabará, av. Pacaembu, av. Sapopemba, entre tantas outras que estão abertas para a circulação de veículos em desrespeito ao Código Brasileiro de Trânsito, na capital paulista. De acordo com a Cátia Toffoletto, autora da imagem acima, muitas vias estão sem a sinalização horizontal, obrigatória, causando transtorno e colocando em risco a segurança dos pedestres e motoristas.

A Cátia trouxe o tema de volta ao CBN SP depois de circular por várias ruas e avenidas que apresentam o mesmo problema. Semana retrasada já havia conversado com o secretário municipal dos Transportes Alexandre Morais sobre o tema (acompanhe aqui). Hoje, tanto fez, tanto falou que arrancou uma nota da Secretaria Municipal dos Transportes para explicar a ausência de sinalização.

Leia a justificativa da SMT:

A CET tem um planejamento de obras, que é obedecido rigorosamente. Só no segundo semestre de 2008, a CET implantou 200 mil m² de sinalização horizontal. Para dar uma noção do que esse número representa, uma faixa de pedestre ocupa , em média, 16 m². Quer dizer que o trabalho realizado pela CET nos últimos seis meses do ano passado corresponde à pintura de mais de 12 mil faixas de pedestre.

Porém, em algumas vias, a CET depende do repasse de verbas da Secretaria das Subprefeituras para reaplicar a sinalização que foi retirada pelo recape da rua.  A avenida Nossa Senhora do Sabará é uma delas e a CET está no aguardo. Além da verba das Subprefeituras, a Secretaria Municipal de Transportes acaba de solicitar recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano(Fundurb) para aplicá-lo na recuperação da sinalização horizontal.

Coordenadoria de Comunicação
Secretaria Municipal de transportes

O que você acha da resposta da Secretaria Municipal dos Transportes ?

Foto-ouvinte: Desrespeito oficial 2

O Placa Azul, de novo

O Placa Azul voltou a atacar e a medida que as pesquisas avançam descobrimos alguns hábitos bastante comuns e a preferência desses OTNI – Objetos Terrestres Não-Identificados. Não podem ver uma calçada livre e arrumada, principalmente na avenida Paulista, que logo se aproximam. E quando o pedestre menos espera, eles invadem a área e se apoderam, sem nenhum temor pois, aparentemente, não tem predadores no Planeta Terra. Pelo menos não o tem em São Paulo, onde podem cometer todo o tipo de irregularidades.

O flagrante deste ataque é de Allan Reisler, ouvinte-internauta que tem se especializado em OTNI. Este é o segundo que ele flagra no mesmo ponto, muito próximo do Masp. E por entender que nenhuma autoridade vai tomar qualquer atitude em relação a este desrespeito, Allan sugere: “pintem uma faixa amarela na calçada e coloquem uma placa alertando que ali é estacionamento particular de carros do corpo consular”.

Em tempo: Apesar da placa de identificação do veículo estar aparente, nenhuma autoridade no estado de São Paulo, nem mesmo o governador José Serra, parece ter a lista com o nome dos proprietários desses veículos, e por isso podem ser considerados da espécie OTNI.

Nota de ouvinte-internauta (27/02, 19h53)

“A partir de janeiro de 2009, carros diplomáticos serão registrados no Renavam”, reportagem do jornal Correio Brasiliense publicada em dezembro de 2008, sugerida pelo ouvinte-internauta Edson Rocha

Foto-ouvinte: Desrespeito oficial

Desrespeito oficial

Na Estância Turística de Aparecida as leis de trânsito devem ser diferentes daqueles em vigor no restante do Brasil. O carro oficial da prefeitura de lá foi flagrado parado em cima da faixa de segurança semana passada (17/02), logo após o meio dia, na esquina da Bela Cintra com a Paulista.

De acordo com o ouvinte-internauta Cleber Jacob, os ocupantes do carro oficial não se importaram com o fato dele estar fotografando o veículo em flagrante desrespeito a lei assim como também não se incomodaram com a cara feia dos pedestres obrigados a desviar o caminho

Nota de ouvinte-internauta (27/02 – 19h51)

“Eu visitei o site da prefeitura daquela cidade e, no endereço podemos ver que a infração causada pelo motorista daquele carro é do tipo Gravíssima, com multa de R$ 574,61 (vide pag. 12), além de uma falta grave (pag. 13), estacionar sobre calçadas ou sobre faixa de pedestres. Segundo o PARE – Programa de Redução de Acidentes de Trânsito – deles, a educação no trânsito deve começar na escola. Acho que a autoridade de lá deve conduzir o motorista daquele carro de volta à 1ª série.  –   Edson Rocha”

Foto-ouvinte: Placa azul, o retorno

Placa Azul

O “Placa Azul” voltou a atacar e foi visto sobre a calçada da avenida Paulista, na esquina da Peixoto Gomide. O ouvinte-internauta Allan Reisler chama atenção, ainda, para o posto policial que está bem próximo da ocorrência. Coloque “placa azul” na busca do blog e você verá outros flagrantes desses Objetos Rasteiros Não-Identificados.

Não-identificados pois apesar de termos a placa é impossível saber de qual consulado pertence.

Canto da Cátia: Pobre da zebra

Desrespeito no trânsito

Por esta rua, os carros chegam a avenida Francisco Matarazzo, na Lapa. A atenta Fernanda Toffoletto, filha da famosa Cátia, sacou o celular para registrar o carro que passava pela faixa zebrada, proibida para circulação. A cena lembra o que veremos aos montes nesta sexta-feira com a saída para o litoral e interior, no feriado de Carnaval: motoristas invadindo o acostamento para escapar do congestionamento. Outra constatação da foto feita pela repórter-mirim: tem de reforçar a sinalização de pista. Sobre isso, aliás, já falamos bastante nesta semana.

Buraco e falta de sinalização põem motorista em risco

Pista na USP

Buraco demais, sinalização de menos. Em um caso ou em outro, os motoristas correm risco de acidentes, além de haver prejuízo para a fluidez do trânsito. E São Paulo é campeã nestes quesitos. Com o período de chuva, a situação se agrava. No entanto, mesmo com tempo seco a falta de conservação das ruas e avenidas é evidente. No início da administração Serra/Kassab se tentou acelerar o ritmo das obras de recuperação de pistas, principalmente nas vias de maior movimento. Os números de quilômetros asfaltados porém são insuficientes para amenizar o drama de quem anda de carro pela cidade.

Nesta semana, os dois casos ganharam destaque no CBN SP. Os buracos chegaram na bronca do diretor da ONG Transparência Brasil  Cláudio Weber Abramo durante entrevista no programa. Apesar de o tema ser o comportamento ético de vereadores, Abramo não se conteve ao ouvir a leitura de e-mail de um ouvinte-internauta, pediu licença e tascou a criticar a prefeitura pela falta de manutenção das pistas: “tem de andar de caminhão para suportar os buracos”, disse ele.

De acordo com o ouvinte-internauta   Fernando Garcia mesmo avenidas há pouco tempo recapeadas sofrem com os buracos. Ele cita em mensagem as avenidas Marechal Tito (São Miguel), Pires do Rio (Itaquera) e a Rua Mohamad Ibrahin Saleh (Vila Curuçá)  que “estão se esfacelando, com enormes buracos e ondulações, principalmente na faixa de rodagem dos ônibus”. Fernando pergunta se a empresa que presta o serviço não deve oferecer garantias para a prefeitura.

O Fábio Eduardo Flório diz que este é o mesmo caso da rua Tabapuã que foi recuperada, em seguida apresentou buracos e agora “a prefeitura faz a operação tapa-buraco de maneira porca”.

Fora quando a prefeitura recupera e chega uma das concessionárias (Sabesp e Congás, principalmente) que resolve fazer obras no local, como lembra Daniel Aveiro. Na rua Marechal Mallet, na Vila Zelina, o trabalho da Sabesp chegou a ser realizado duas vezes seguidas, com diferença de 30 dias, afirma Claudinei Di Angelis, logo após a recuperação das calçadas e da via pela prefeitura.

A falta de sinalização também foi tema provocado pelos ouvintes-internautas.

“A sinalização horizontal tem a finalidade de transmitir e orientar os usuários sobre as condições de utilização adequada da via, compreendendo as proibições, restrições e informações que lhes permitam adotar comportamento adequado, de forma a aumentar a segurança e ordenar os fluxos de tráfego”. (Resolução nº 236/07 do Contran).

Portanto, a prefeitura ao permitir que avenidas de grande fluxo fiquem sem a sinalização na pista está infringindo o Código Brasileiro de Trânsito. E não apenas nesta via da zona sul.

De acordo com o ouvinte-internauta Renato Primi também não há pintura na Estrada de Itapecerica, entre os números 5 mil e 8 mil e 500. Júlio Melo diz que na rua da Mooca, no Brás, a situação é semelhante. Lembra, ainda, da avenida Zachi Narchi, onde inclusive as lombadas não estão sinalizadas.

Problemas foram constatados, também, na avenida Nossa Senhora do Sabará, na zona sul da cidade, recentemente recapeada em um de seus trechos. Aliás, o registro desta reclamação no ar gerou uma incrível resposta da Companhia de Engenharia de Tráfego: “o serviço se iniciará em 45 dias”. Não bastasse a demora para fazer a pintura na pista, a CET ainda pede um mês e meio para executar o trabalho. Haja paciência !

Agora o outro lado: “Temos prioridades”

Ouça a resposta do Secretário Municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes