Canto da Cátia: Sem sinal

Sem sinal na Lapa

A pista é recuperada, mas a sinalização horizontal é esquecida e o transtorno fica para os motoristas. A cena registrada pela repórter Cátia Toffoletto no viaduto da Lapa, zona oeste de São Paulo, pode ser vista em vários pontos da cidade. A alegação da prefeitura é que antes de fazer a pintura na pista precisa da garantia de que o serviço de recapeamento está correto, além disso há a necessidade de esperar dias mais secos – o que parece impossível no verão paulistano.

A imagem marca o retorno de Cátia Toffoletto com equipamento novo e fôlego recuperado à coluna Canto da Cátia aqui do blog.

As peruas da fila dupla

Com o retorno da garotada às aulas, o trânsito se complica na cidade. Muito mais carros deixando suas casas mais cedo e ao mesmo tempo. Nas ruas próximas das escolas a movimentação é intensa. E o desrespeito, também. A jornalista Paula Calloni Do Blog Jabuticaba Brasil descreve a experiência de uma mãe que leva os filhos no colégio de carro e quer cumprir a lei. Reproduzo o texto aqui no blog e o convido a visitar o trabalho da Paula lá no Jabuticaba Brasil que tem um “olhar atendo as pequenos detalhes da vida”:

Começa mais um ano escolar e com ele, entram em cena novamente as peruas da fila dupla.

Explico: todos os dias busco meus filhos na escola onde estudam, em Moema. Há anos cumpro essa rotina, mas ainda não me conformei com a falta de sensatez e civilidade de certos pais, que pagam por uma educação particular, mas na frente dos próprios filhos, dão péssimos exemplos de cidadania e civilidade.
A escola deles provê um esquema de fila de carros, autorizada pela CET e que dá a volta na quadra. Seguranças se comunicam por rádio. Anunciamos os nomes das crianças e a saída deles é autorizada, assim que nos aproximamos do portão principal.
Isto não significa que eu deva parar EM FRENTE ao tal portão, porque meus filhos são capazes de andar um metro e meio ou dois pra chegar ao carro. Mas alguns pais, mães, principalmente, não pensam assim. Muitas vezes os filhos já são marmanjos de pernas peludas, adolescentes, mas os pais insistem em parar seus carrões último tipo em frente ao portão, geralmente em fila dupla, atravancando todo o trânsito já complicado de Moema. Grosseiramente berram o nome do filho, não sem antes arremessar suas bitucas de cigarro na calçada.

São as “peruas” da filha dupla: cabelo tingido, blusa de oncinha, brincos dourados enormes, óculos escuros idem. O carro quase sempre importado. Nada contra a ostentação…não é problema meu. Mas parece que a falta de educação tem sempre a mesma imagem peruesca, comprovando a tese de que educação nem sempre tem a ver com classe social.

Sou turrona: na minha frente, ninguém fura fila. Não deixo mesmo. Não acho justo.

A CET não dá refresco. Mas já que não pode ajudar mais, poderia ao menos não atrapalhar. No segundo semestre de 2008, ampliou as áreas onde é proibido estacionar e nós, pais que agimos direito, ficamos sem alternativa. E dá-lhe fila.

Tenho sugerido à escola que chame estes tipos de pais para uma conversa. Afinal, civilidade vem de berço, como dizia a minha avó. Se as tais “peruas” continuam assim, certamente seus “peruzinhos” seguirão o mesmo caminho.

CET só multou um motorista por desrespeito a ciclista, em São Paulo

Foi uma das perguntas ao superintendente de planejamento da CET Ricardo Laíza, quantos motoristas foram multados por desrespeito ao ciclista. Durante a entrevista que foi ao ar nesta sexta-feira, no CBN São Paulo, ele disse que não tinha a informação naquele momento.

A pergunta tinha como objetivo apenas chamar atenção para a prioridade da fiscalização de trânsito na capital paulista, pois na conversa Laíza se esforçou para mostrar que a CET está agindo para reduzir a violência que resultou na morte de uma ciclista, nessa quarta. Citou a participação em discussões de grupo, estudos para implantação de ciclovias e palestras para motoristas de ônibus, como exemplos das medidas adotadas (?). Na realidade, reproduziu em parte o que dizia a nota da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente que está publicada um pouco mais abaixo aqui no

Na opinião dele, a morte de Márcia foi um caso isolado. O número de mortes de ciclistas está diminuindo, apesar de ainda ser alto (veja quadro da violência do trânsito aqui mesmo no blog). Para andar com segurança, o ciclista tem de ter noção de “direção defensiva”.

Pelo menos não aproveitou a situação para por a culpa na administração anterior, como fez o prefeito Gilberto Kassab (DEM) em entrevista na quinta-feira, ao repórter Fernando Andrade, da CBN.

Pelas mensagens que recebi desde que a entrevista foi ao ar – e, infelizmente, restrições técnicas no blog me impedem de reproduzi-la, assim como as demais feitas no programa -, as justificativas de Ricardo Laíza não covenceram os ciclistas da cidade que esperam muito mais da prefeitura.

André Pasqualini, um dos organizadores da Bicicletada, escreveu que também havia feito à CET a mesma pergunta sobre o número de multas por desrespeito a lei de trânsito que exige que os motoristas mantenham distância de até 1,5 m das bicicletas.

Leiam a resposta que recebeu:

Informamos que em pesquisa realizada foi encontrada 01 (uma) autuação no
enquadramento Código 589-4 (Deixar de guardar a distância lateral de 1,50m ao passar/ultrapassar bicicleta no período de dez/2007 a nov/2008. )

No CBN SP, Ricardo Laíza, apesar de não se lembrar do número de autuações, deu uma “resposta defensiva”: “há dificuldades técnicas para os fiscais da CET multarem este tipo de infração”.

Escolha pelo carro, matou a ciclista na Paulista, diz Osvaldo Stella

Ciclista, ambientalista e comentarista, Osvaldo Stella participa do quadro Ambiente Urbano no CBN SP, toda segunda-feira. E apresenta aqui seu olhar sobre o acidente que matou a ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, na avenida Paulista:

“Esta semana a trânsito na cidade de São Paulo deixou mais um corpo estendido no chão. A morte da ciclista Márcia Regina de Andrade Prado no início da manhã da última quarta feira na AV. Paulista além da comoção, reacende a questão da carnificina em curso na cidade de São Paulo.

Anualmente mais de 1.500 pessoas perdem a vida no transito na cidade de São Paulo, uma parte das mais de 20.000 vítimas que escapam da morte carregando para sempre diversos tipos de sequelas.

A grande maioria das vítimas é pedestre, mais da metade, seguida dos motociclistas. Em média 4 pessoas perdem a vida diariamente em acidentes de trânsito na cidade de São Paulo ou seja a cada seis horas alguém morre lá fora em decorrência do caos no trânsito de São Paulo. Um número bem menor que o de soldados americanos mortos no Iraque.

A reação natural ao trágico acidente é culpar o condutor do ônibus que atropelou e matou a ciclista de 40 anos. Infelizmente, o condutor é apenas uma parte de um enorme problema decorrente da opção pelo transporte indivudual, a opção em construir uma cidade voltada para o automóvel. E quando este se espalha e ocupa o seu espaço na paisagem urbana acaba passando por cima de alguns obstáculos, alguns deles não saem vivos deste encontro”.

Aqui começa a violência

Ponto de ônibus

A violência no trânsito – revelada nos números da CET que você lê logo abaixo – se propaga a partir de atos muitas vezes inocentes como este registrado pelo colega da CBN Fernando Gallo, na rua Desembargador do Vale. Os motoristas que estacionaram seus carros diante do ponto de ônibus desta via do bairro Pompéia nunca pensaram na possibilidade de que o passageiro precisará ficar no meio da rua. E lá, o risco dele ser atingido por um carro, moto ou ônibus é muito maior. Gallo avisa que a prática é comum naquele local.

A violência no trânsito: dados divulgados pela CET, em São Paulo

Mortes no Trânsito Paulistano

Ano Pedestre Motorista/passageiro** Motociclista Ciclista Total
2006 734 283 380 84 1.487 *
2007 736 281 466 83 1.566
2008 (janeiro a outubro) 569 202 386 55 1.212

 

*Em novembro de 2006, houve duas mortes sem o tipo de usuário conhecido pela CET, totalizando 1.487 mortes/ano.

**Motorista/passageiro de automóvel, ônibus ou caminhão (qualquer veículo com 4 rodas ou mais).

Fonte: Gerência de Segurança de Tráfego (GST)/CET