Homens vaidosos e antenados

 

Por Dora Estevam

Homens, homens… Tanto fizeram que conseguiram. O mercado da beleza para os homens cresce cada vez mais. Nem precisa de dados ou estatísticas para constatar, basta olhar nas prateleiras das lojas e perfumarias. Dê uma espiada, também, na banca de revistas.

Moda masculina AbreSim, revistas direcionadas para homens. E olha que a concorrência é grande: VMan, a espanhola Tendências, AnOther Man’s, GQ da Rússia, da França … enfim, várias.

A última da francesa GQ traz o editorial com o modelo polonês Jarek Pietka.O tema é Two Faces, sugere um homem multifacetado que vai do casual ao social, sem crise de identidade, com muita classe e elegância.

E os anúncios são bem parecidos com os das mulheres, verdadeiras promessas de beleza; spray para cabelos; produtos essenciais para cuidar da pele, com ênfase na questão limpeza e tratamentos para oleosidade. E não para por ai, tem algumas promoções que eles fazem com parcerias de revistas e empresas nas quais os participantes se inscrevem e concorrem a kits de beleza; de chinelos a bolsinhas plásticas.

Moda masculina Meio

Assim como nos blogs femininos, nos masculinos eles também deixam suas impressões. Algo como: “sou apaixonado por editorias de moda”. Tem ainda dicas de produções. E as perguntas seguem: o que acharam dessa roupa, você usaria? Verdadeira inspiração.

Moda masculina FechaE eu não posso esquecer realmente do ícone fashion mais badalado do mundo: Cristiano Ronaldo, jogador português. Modelo do Armani tem exibido suas formas (e que forma … ufa!!!) pelas páginas de revistas e publicidade. Ele cuida muitíssimo do físico e da pele. As sobrancelhas bem desenhadas exibidas em jogo de Copa são outro sinal desta vaidade.

Um dia você chega lá, não desanime, é só ter coragem.

O homem antenado acompanha todos os desfiles de lançamentos pela internet. Os últimos, no cat walk de Milão, mostraram o Verão’11. Tem motivos inspirados em caveiras, tem alfaiataria rasgada, tem estilo andrógino, calça com saia (pra homem). Tem de tudo.

Para os pés, quando o termômetro subir e bater aquele sol forte, nada de chinelão: espadrilhes e sandálias.

Use as dicas e renove a sua vida. Seja versátil como a moda. Eu sei que tudo isso é provocante e desafiador, deixe o subjetivo de lado e use o seu charme para deixar as melhores impressões nesta temporada. As mulheres vão amar.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Vaidoso sim, vaidade não

 

Por Abigail Costa

Vaidade. Os sintomas são falta de humildade, ignorância, prepotência e outros males.

Essa é uma doença grave que atinge homens e mulheres. Em comum um cargo, uma cadeira, uma mesa e pelo menos um subordinado. Às vezes, nem isso é necessário para a manifestação da doença.

Os mais sensatos já administram a vaidade como uma epidemia.

A medicação ainda que oferecida de graça e em largo estoque geralmente não é bem aceita.

Não falo da vaidade em ter o melhor carro, em querer a roupa da moda, em desejar uma jóia no aniversário de casamento. Falo da vaidade de uma estima exagerada de si mesmo. Uma afirmação esnobe da própria identidade.

Aliado a um mísero cargo, é de chorar … de raiva.

Estava eu outro dia, começo de noite, com uma entrevista agendada. É claro, quase mais ninguém no prédio. Cheguei, indentifiquei-me, o segurança não sabia quem era e muito menos onde estava o sujeito que eu procurava. Saquei o celular da bolsa e liguei direto para o promotor.

“Minha sala é a número tal, rua F”.

Calcule: Rua dentro de um prédio. Agora, pense de como uma portaria é longe da outra. O segurança balançou a cabeça negativamente:

– “Não, ninguém poderá acompanhar a senhora sem antes falar com o assessor de imprensa”.

– “Mas o promotor disse que nós podemos ir direto!

– “Na sala dele manda ele. Aqui, mando eu”.

Na casa dos outros até estando certa, se abaixa a cabeça. Lá vamos nós, câmera, tripé, equipamento de luz, sacolas com bateria e meu sapato salto 15. Ou seria 22 ? Subimos rampas e mais rampas em busca do cara para autorizar nossa passagem. Quando encontrei, segurei a língua.

– “Não precisava vir aqui, por que vocês não foram direto?”

Descemos rampas e mais rampas, passei de novo em frente ao segurança. Ele sentiu que eu estava para estourar:

– “Só estou cumprindo a minha função”.

– “Meu senhor, isso eu entendo. Agora, a opção em me fazer de idiota é sua”.

Pra mim a vaidade não é um dos sete pecados capitais. Ela é o pecado. Fere o outro, maltrata a alma.

O pior é que o dono da vaidade sente-se orgulhoso. Quem é maltrado sente mais do que humilhação. Essa doença é tão perigosa que desencadeia na vítima uma série de sentimentos ‘não-santos’.

No mínimo, você imagina:

“Tudo bem, quando morrer esse sujeito também vai pro buraco”.

Isso se alguém empurrar.

Abigail Costa é jornalista, escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung e ai de quem decide pisar nos calos dela.