Luxo é o privilégio de viver novas experiências

 

Ricardo Ojeda Marins é novo colaborador do Blog do Mílton Jung e escreverá às sextas-feiras sobre o mercado de luxo. Administrador de empresas pela FMU-SP, Ricardo tem MBA em Marketing pela PUC-SP e, atualmente, cursa o MBA em Gestão do Luxo na FAAP. É, também, autor do Blog Infinite Luxury. Seja bem-vindo, Ricardo; e você, caro e raro leitor, faça bom proveito do conhecimento deste novo colega:

Luxo é tema fascinante que ganha relevância no cenário brasileiro e mundial. Para muitos, o termo ainda está associado à ostentação, riqueza, consumismo, glamour e, até mesmo, futilidade. O luxo, no entanto, vem sendo desmistificado, é objeto de estudo em diversos países, e os números mostram que deve ser visto como um segmento de negócios como tantos outros, com suas especificidades, é lógico.

 

Durante séculos foram muitos os significados para definir o que é luxo. Está ligado à magnificência, conforto, suntuosidade e demais conceitos que demonstrem exclusividade. Na antiguidade, o luxo era ostentado mediante as riquezas materiais de uma classe alta da sociedade, principalmente pelos reis. Era um luxo material, de posses de bens e prova de alto reconhecimento social. Atrelado à ostentação e ao excesso, no passado, hoje o luxo mostra-se evoluído e com um consumo emocional: é tratado não apenas no sentido de possuir bens ou produtos; passa a ser visto como a era do ser; um luxo subjetivo, no qual o consumidor busca, sem dúvida, o raro ou exclusivo, mas, principalmente, qualidade de vida, sensações e experiências, como o prazer de utilizar um bem ou um serviço, sem, necessariamente, ter o intuito de ostentação. Antes, o produto em si era alvo de desejo; hoje, a experiência que esse produto proporciona ao cliente tornou-se o diferencial. O luxo deslocou-se para o subjetivo universo do consumidor, repleto de sentimentos, necessidades e valores que envolvem especialmente o aprimoramento sociológico das pessoas.

 

Um exemplo interessante é o turismo de luxo. O hóspede desses hotéis não quer torneiras de ouro ou lustres e decoração requintados. Para ele, o luxo está nas experiências de bem-estar que o lugar oferece: spa, jantar romântico em praia privativa, gastronomia especial, a história do próprio hotel e, principalmente, o sentimento de ser único ao receber tratamento personalizado, conforme suas necessidades e desejos específicos.

 

No varejo de luxo não é diferente. Clientes preferenciais de marcas de prestígio recebem privilégios como acesso às coleções antes de seu lançamento oficial, atendimento privativo e vivenciam experiências incríveis no ponto de venda.

 

Além de buscar qualidade de vida e bem estar, o consumidor, atualmente, está envolvido em questões como responsabilidade social, preocupa-se com o meio ambiente e se interessa pela origem do produto que vai comprar. O desafio está lançado para as empresas que, além de oferecem produtos que agucem o desejo de seus consumidores e tenham valores sustentáveis em sua cadeia social e ambiental, devem estar preparadas não apenas para atendê-los, mas entendê-los, surpreendê-los e encantá-los.

 

Vermelho Valentino para sua mãe

 

Por Dora Estevam

Se eu tivesse que oferecer um estilista de presente para uma mãe ou se eu fosse esta mãe, com certeza seria o italiano Valentino. O estilista que rompeu definitivamente o monopólio parisiense da moda e seduziu o mundo com criações luxuosas e femininas.

Eternamente vermelho.

Valentino abre 1

Quantas vezes você chegou a ver os vestidos maravilhosos de Valentino no tapete vermelho da festa do Oscar?

Vestidos deslumbrantes usados por mulheres indiscutivelmente elegantes como Audrey Hepburn, Jacqueline Kennedy e a princesa Diana. Na agenda contemporânea, Claudia Schiffer, Sharon Stone e Linda Evangelista.

Atualmente, as coleções assinadas por Valentino vão além de moda feminina e masculina, suas charmosas criações se expandiram para acessórios como perfumes, relógios, óculos e bolsas.

Sem dúvida o século 20 foi incrivelmente especial para o estilista que expandiu seu império para além da Itália, abriu lojas na França, Inglaterra, Japão, Estados Unidos, Coréia Indonésia, entre muitos outros países.

Valentino MeioQuando se fala em moda a impressão que dá é que tudo são flores, mas você imagina o que Valentino passou para chegar no topo da alta-costura?

Valentino Clemente Ludovico Garavani, nascido na cidade de Voghera, em 1932, teve que romper muitas barreiras a começar pelo monopólio parisiense que não admitia estilistas estrangeiros.

Valentino terminou os estudos em Milão, onde aprimorou seu conhecimento em arte e escultura, depois foi estudar em Paris  na Chambre Sybdicale de la Haute Couture. Na capital, aproveitou para fazer um estágio e algumas aulas de dança e teatro.

Ai você me pergunta, de onde vem afinal a inspiração para o estilista gostar tanto de vermelho? Bem, ainda nesta ocasião, o jovem Valentino começou a frequentar a Ópera de Barcelona, ao notar que a maioria das roupas dos trajes  usados em cena era vermelha, ele se deu conta que depois do preto e branco não existia cor mais bela.

Enfim, estamos falando de uma época muito elegante, La Dolce Vita italiana. Em 1957, com 27 anos, Valentino abriu seu próprio ateliê em Roma e lançou seu primeiro desfile solo. O impacto foi grande, até a atriz Elizabeth Taylor largou tudo para assistir, depois disso ela encomendou um vestido para a premiere de Spartacus. Faz ideia?

Dai em diante as estrelas Ornella Mutti, Sophia Loren e Mônica Vitti se encantaram com o jovem italiano.

Nos anos 60, a moda londrina invadiu o mercado com as criações de Mary Quant e com isso os preços da alta-costura baixaram muito. Valentino esperto que era, deu um verdadeiro golpe de mestre, preparou a sua coleção prêt-à-porter, se dedicou mais a criação e expandiu a marca.

Em 1968, ele costurava para as mulheres de políticos e as mais famosas atrizes, sem contar que fez o vestido de casamento da amiga dele Jacqueline Kennedy.

Valentino Abre

Valentino sempre foi inteligente e soube aproveitar as oportunidades e as mudanças de cada época. Digo isso, porque já em 70, com todas as mudanças sobre as quais falamos nesta coluna, ele criou peças incríveis com estampas extravagantes com leopardos, zebras e girafas, vestidos suntuosos de noite e não poupava plumas, paetês e bordados.

Em 2008, Valentino se aposentou, mesmo dizendo que não conseguiria ficar longe das tesouras. A marca ele já havia vendido para uma empresa britânica.

Talento e criatividade nunca faltaram para o mestre italiano que  sempre surpreendeu com suas criações arrojadas e sempre femininas.

Seduziu  mulheres do mundo inteiro. Porque sempre soube traduzir os sentimentos tão delicados, sofisticados, glamorosos e luxuosos.

As mães merecem um homem assim.

Dora Estevam é jornalista, escreve ao sábados no Blog do Mílton Jung e, mãe, fala em causa própria na coluna de hoje.